A Alma de Agome

8 O ódio de Agome


Notas iniciais
Tudo é amor.
Até o ódio, o qual julgas
ser a antítese do amor,
nada mais é senão o próprio amor
que adoeceu gravemente.(Chico Xavier)"

__Senhora, o que é isso?—mostrei a senhora que atendia na loja. Ela já tinha terminado de falar com o moço e estávamos sozinhas.

__”Isso” é simplesmente a coisa mais rara e incompreendida que eu tenho nesta loja senhorita.

__Não me entenda mal, é que...

__Tudo bem. Este é o diário de uma menina que, digamos, viaja no tempo. Ela volta 500 anos no tempo simplesmente por um poço no fundo de casa e ela tem que juntar uma Jóia. A famosa Jóia de Quatro Almas. Mas quando li, percebi o grande amor que ela sente por um meio youkai.

Náuseas.

__Isso mesmo. Um meio youkai. Iguais aos das lendas. Inacreditável não é mesmo?—ela estava maravilhada.—pena que nenhum historiador acredita nesta história... Eles vêem o estado do diário, mas ele foi feito um ano atrás. Não posso provar nada. Uma pena, realmente.

__E descobriu mais alguma coisa?—perguntei cautelosa

__Neste diário não tem muitas inscrições. A menina parou no meio dele. Não entendo o por que...

__Quanto é?—perguntei

__Se interessou por mais alguma coisa? Pode levá-lo como brinde... –ofereceu a velhinha simpática.

__Este Arco e Flechas. Vou levá-lo. –disse apontando para o conjunto da vitrine.

__Ótima escolha. Você sabe atirar?

__O básico.

__Sábado de quem teremos um torneio para arrecadar fundos. O que acha disso?

Ótimo. Mais um fim de semana ocupada. Isso é que é sorte grande. Nestes últimos dias, para mim sorte era isso, algo para fazer. Meu objetivo? Me manter sempre ocupada.

__Perfeito! –exclamei. Onde e quando?

Ela pegou papel e caneta e escreveu o endereço e ás horas.

__Aqui está. Aliás, qual é o seu nome?

__Agome Higurashi.

Anotou meu nome em uma lista no balcão.

__Agome? Que coincidência! O mesmo nome da menina do diário. Por isso que se interessou?

__Também. –sorri—A propósito... Essa competição... Preciso levar alguma coisa?

__Leve algum alimento ou algum livro, brinquedo... você quem sabe! – disse abrindo um sorriso.

Peguei minhas coisas, prendi o Arco e Flechas nas costas e coloquei o livro na bolsa. Me despedi da velhinha sorridente e fui para casa. Eu não sabia muito bem porque eu estava tão ansiosa para reler meu diário, porque... bem, eu o tinha escrito. Sabia de cada palavra que estava lá, mas era como se eu pudesse reviver aqueles momentos felizes por alguns minutos. Parece que eu gosto de sofrer! Só pode ser! Por qual outro motivo teria pego o diário?

Eu tinha tentado, mas era mais forte que eu. Meu desejo de entrar ali mais uma vez, de reviver aquele momento...

Eu estava com as mãos na beirada do poço. Todas as lágrimas que eu já tinha chorado por aquele desgraçado poderiam encher aquele poço. Parada na frente do portal eu me dei conta de duas coisas:

Primeira. Eu tinha feito tudo para o Inuyasha e tudo o que eu ganhei foi desprezo. Eu tinha machucado tanto meu coração que eu me sentia igual a Kikyou. Morta. Eu não entendia mais meus sentimentos pelo Inuyasha. Ódio ou amor. Tudo parecia tão igual agora!

Segundo. Eu poderia ir até o outro lado. Eu possuía um outro fragmento.

Balancei minha cabeça. Eu não podia!! Eu não ia! Ele tinha feito a escolha dele, eu deveria seguir minha vida. Enquanto eu chorava por ele, ele devia estar com aquela mulher!

Eu não podia acreditar no que estava me transformando. Meu coração estava cheio de ódio, como nunca esteve. Tinha me vangloriado por minha alma ser pura, por meu coração não ser das trevas, mas até isso ela tinha conseguido tirar de mim.

__Eu te odeio Inuyasha. Como nunca odiei ninguém! Entendeu?—gritei para o fundo do poço e esperei uma resposta. Nada. Arranquei o colar com o fragmento e o atirei poço abaixo. Se Kikyou quisesse que eu retornasse aquela época para me humilhar, ela estava errada.

__Tome! É só o quer de mim não é? Eu já te dei tudo o que eu tinha! O que mais você quer? Hein? –eu gritava tão alto que não demorou muito até eu me sentir envolvida por um abraço materno e reconfortante.

__Filha. Não pode continuar assim... Venha comigo. –disse minha mãe docemente.

Fomos até o banco na frente da Arvore Sagrada.

__Mãe, eu não agüento mais... Como ele pode me atingir desta maneira?—choraminguei

__O amor faz isso com a gente... ele nos deixa aberta tanto ás coisas boas, quanto ás ruins. Precisa aprender a conviver com isso, sei que não é fácil, mas não pode se deixar destruir de dentro para fora. Você é mais forte que isso! –encorajou-me ela.

Pousei minha cabeça em suas pernas e deixei que ela me acariciasse. Como se faz a uma criança.

__Porque ele a escolheu mãe? Porque ela? –eu não me conformava

__Não escolhemos por quem nos apaixonamos. Não o culpe...

__Ele me disse tantas coisas antes de me deixar. Ele nunca tinha gostado de mim... Ele só ficava comigo porque eu o ajudava a encontrar os fragmentos. Será que eu nunca vou encontrar alguém que goste de mim realmente?

__É claro que vai! Você é linda. Tem o coração mais bondoso e puro que eu já vi!

Me levantei.

__Não mãe. Meu coração não é puro e muito menos bondoso. Eu não consigo perdoá-lo e nem deixar de odiar aos dois!

__Você está muito magoada ainda. Até a pessoa mais santa já cometeu pecados. Você não é perfeita, mas pode tentar... Com o tempo, você vai perdoá-los e o ódio irá desaparecer. Dê tempo ao tempo. Só ele pode curar essas feridas daí de dentro.—ela fez uma pausa e continuou -- Quando seu pai nos deixou, por muito tempo eu senti raiva por ele ter nos abandonado, ou até tive raiva de Deus por tê-lo levado. Eu odiava minha vida. Mas um dia, eu me levantei e fui até o quarto onde você e Souta dormiam. Naquele momento eu vi que enquanto Deus me tirava o marido, eu ganhava dois preciosos filhos pelos quais eu deveria viver. Vocês foram o motivo para que eu continuasse a viver. Vocês, mesmo sem saber, me reergueram. Me tiraram do abismo que eu me encontrava. Agora é a sua vez Agome. Saia deste abismo e venha ver o que Deus te deu em troca. Veja por qual motivo ainda vale a pena viver... A vida é tão bela e tão curta para a desperdiçarmos assim. Quando tiver vontade de chorar, chore. Mas não se esqueça de que não está sozinha. Não se esqueça que também existem coisas boas... Não se esqueça de viver!

Fechei os olhos meditando o que minha mãe acabara de me dizer. Ela tinha razão.

__Obrigada mãe...

Ela sorriu.

__Tem planos pra agora?

Balancei a cabeça negando.

__Que tal umas comprinhas no shopping?

__Ótimo mas, posso tomar um banho antes?

__Claro.

Eu entrei em casa enquanto ela tinha ficado mais algum tempo olhando a Arvore Sagrada. Ela parecia voar em seus pensamentos... Parecia feliz!

Entrei em meu quarto. Atirei o diário em baixo da cama. O Arco e as Flecha dentro do guarda roupas e fui tomar um banho. Pus minha roupa mais bonita e desci. Eu me sentia outra pessoa. Desci as escada. Eu estava sorridente e radiante. Eu estava viva. No último degrau, porém, meu sorriso se desfez. Meu passado me confrontava novamente.

Notas finais
Enquanto não tiver mais nenhum comentário, não postarei a continuação!
Desculpem-me por isto, mas fiquei muito chateada por não ter tido nenhum comentário do capítulo anterior...
Espero que tenham gostado!
Beeijos à todos.
Umá ótima semana!