A Alma de Agome
9 Pesadelos
Notas iniciais
__Agomeee! -- ele pulou em meu colo chorando. Eu o abracei com força, confortando-o.
__Agome! Estou tão feliz que esteja bem!
__Shippou... —sussurrei. —O que faz aqui?
Ele olhou nos meus olhos e eu pude ver a dor e o medo.
__Aquela mulher... Ela está destruindo nossa vida!
__O que ela está aprontando?
__Perto do Inuyasha ela é um doce de pessoa, mas quando ele sai de perto, ela se transforma numa perfeita bruxa. Ela me diz coisas terríveis que você não pode nem imaginar... Posso ficar com você Agome? –ele estava suplicando para mim. Eu não seria capaz de mandá-lo embora.
__Claro que pode Shippou...
__Agome, você precisa voltar... Apesar de tudo, eu sei que o Inuyasha sente sua falta! Quantas vezes ele já não chamou a Kikyou de Agome? ... Ele está muito diferente e distante... Você tem que ajudá-lo.
Então ele sente minha falta? Ou será uma mentira do Shippou para que eu o ajude? Ah meu Deus! Como eu queria acreditar...
__Eu não posso fazer nada... Ele fez a escolha dele. Ele quis ficar do lado dela e eu não sou ninguém para decidir por ele.
__Agome, você tem que me ouvir. Miroku e Sango se afastaram da gente... A senhora Kaede está sofrendo porque ela vê o mal que a irmã dela esta fazendo... Ela vive repetindo “Só o Inuyasha não vê que essa não é minha irmã Kikyou.” Agome, o Inuyasha te ama... Ele só está perdido! Ajude-o Agome. Perdoe o burro do Inuyasha... Só você pode fazer isso!
__Quando as pessoas não aprendem por bem, aprendem por mal. Mas sempre aprendem. Ele está cego e não enxergará a verdade... Vamos apenas nos desgastar tentando convencê-lo. Além disso, se ele realmente me amasse, não teria dito metade das coisas que disse antes de ir embora. – Fechei os olhos e anunciei. —Que tal darmos um passeio? Podemos comprar alguns doces para alegrar nosso dia. O que acha?
__Está falando sério Agome? – Um sorriso brotava nos lábios daquele youkai tão doce – Podemos comprar mais daquele doce no palitinho?
__Sim. – Disse rindo – Podemos comprar mais pirulitos! Agora vamos.
__Mas Agome...
__Sim?
__Não precisamos esconder meu rabo? O Inuyasha tinha que esconder as orelhas...
__Não precisa. Hoje em dia é comum ver crianças vestidas de Super-Homem e outras coisas... Não vão estranhar.
__Super o que? –disse ele arqueando as sobrancelhas.
__Super-Homem. É um homem com super poderes, que salva o mundo. Um verdadeiro herói.
__ Tipo o Inuyasha?
__Não. Ele nunca viraria as costas para seus amigos. —para falar a verdade, eu não disse isso. Eu apenas quis dizer. O que eu disse na verdade foi: Sim. Só que ele não existe. Um cara inventou e escreveu sobre ele. Qualquer dia eu te conto mais histórias dele...
__Ok!
__Uauuu! –disse Shippou quando chegamos à loja de doces. – Ele estava com o queixo caído de tanta surpresa e felicidade. Não durou muito para que ele corresse pela loja e eu ficasse correndo atrás dele quem nem uma mãe desesperada.
Eu me sentia tão leve, tão feliz. Ver Shippou alegre mudava tudo. Era como se os problemas não existissem, como se nada mais existisse... Era divertido ver como ele se impressionava com coisas que hoje em dia nos parecem tão bobas, como um pirulito, um ursinho de pelúcia ou até os carros.
Eu podia sentir a tristeza que tomava conta daquele pequeno ser quando ele via um cachorro na rua. Ele se lembrava do Inuyasha. Pelo visto, eu não era a única a sofrer por ele. Apesar de tudo o que ele tinha aprontado com o pobre do Shippou, este ainda sentia medo de perder um amigo. Inuyasha tinha seus defeitos, mas mesmo assim, ele nos cativou e logo depois tinha magoado a todos que gostava para satisfazer um desejo impossível e egoísta. Mas tinha ela o direito de impedi-lo? Ela não faria o mesmo se fosse ao contrário?
__Vai Agome, você consegue! – Gritava Shippou ao meu lado quando, já em casa, ele saboreava os quilos de doce dividindo-os com Souta enquanto eu treinava meu tiro ao alvo.
Eu mirava na porta do templo que guardava o poço. Até que minha mira não estava das piores... Podia até ganhar o torneio se continuasse a treinar.
__Agomeee! Telefone!
__Já vou mãe!
Corri para dentro de casa e atendi ao telefone.
__Alô?
__Agome? Não se lembra mais de mim? Faz tanto tempo que nos cruzamos... –pude notar o sarcasmo em sua voz.
__Miguel. Como está?
Ele riu do outro lado da linha.
__Estou ótimo. Desculpe se liguei cedo demais do combinado, mas eu não pude agüentar... Quer sair comigo hoje?
__Hoje?
__Amanhã então? Poderíamos ir ao cinema ou irmos jantar em algum lugar...
__Jantar? Está ótimo. Que horas?
__Passo te pegar ás 8. Qual o endereço?
Passei o endereço e desliguei o telefone pensando que talvez ele fosse a oportunidade para reconstruir minha vida. Eu não sabia se gostava dele, mas isso vem com o tempo. Ainda perdida em meus pensamentos, ouvi o grito de Souta e de Shippou. Corri até a porta e vi que algo forçava a porta do tempo, mas não conseguia abri-la. Minhas flechas selavam a entrada. Fui até Souta e mandei-o entrar e se esconder.
Alguns segundos de insistência e depois desistiu. O que seria? Respirei fundo, aliviada. Atirei mais algumas flechas para reforçar o selo e atirei uma em cada parede para dificultar um pouco para quem ou o que quisesse passar lá.
Já estava anoitecendo, então coloquei uma fecha também na porta de entrada e nos recolhemos todos aos nossos aposentos. O que seria aquilo eu não sabia, mas tinha uma idéia do que estaria procurando. O fragmento da Jóia que agora se encontrava novamente em meu poder.
A noite passou tranqüila e todos nós pudemos dormir sossegados.
Já na outra Era...
Inuyasha não conseguia dormir. Shippou havia fugido para encontrar Agome e ele sabia o motivo. Ou melhor, os motivos. Ele, como todos ali, sentiam falta da Agome. Ela realmente fazia uma falta e tanto. E ninguém gostava da Kikyou. Era certo, que ela estava diferente, mas ela havia morrido e... Ele estava cansado de tentar achar desculpas para aceitar o comportamento de Kikyou. “Agome estaria certa?” Ai, como ele se arrependia de cada palavra que tinha dito á ela. Ela nunca tinha abandonado nenhum deles por nenhum motivo e devia estar sofrendo a beça. Ela não merecia uma palavra das quais havia saído de sua boca. Se ele não fosse tão orgulhoso pediria desculpas a ela agora mesmo. Mas ele sabia que teria que escolher entre ela e Kikyou. Estaria pronto para perder definitivamente alguma delas?
Teria ele o direito de invadir novamente a vida de Agome e pedi-la que voltasse? Talvez ela estivesse vivendo bem sem ele, talvez ela até já estivesse com outro. Seu peito doeu só de pensar nesta possibilidade. Toda vez que fechava os olhos via o sorriso dela impregnando sua mente. Ouvia sua voz e acreditava que ela estaria ali. Olhava ao redor e só via Kikyou... Isso não bastava mais para ele. No começo era tão bom, ele estava tão feliz e ter sua Kikyou de volta, mas agora não deixava de pensar em Agome. Ele amava Kikyou, mas não conseguia viver sem Agome. Ele estava numa sinuca de bico daquelas.
__Está pensando nela não está?—disse a acusadora voz de Kikyou atrapalhando seus pensamentos e deixando-o confuso.
__Na-não. –gaguejou Inuyasha.
__Não adianta mentir para mim. Eu sei que sente falta dela, mas como ela é apenas uma cópia de mim, tudo o que ela tem, eu tenho em dobro. Lembre-se sempre disso. Além do mais, sinto que ela esta se dando muito bem do outro lado. Deve estar feliz.
__ Como sabe disso?
__Intuição feminina. Agora tratemos de descansar, pois amanhã teremos muito trabalho pela frente. Traduzindo, muitos fragmentos para encontrar. Durma bem meu grande herói...
“Como se eu conseguisse” pensou ele. Horas mais tarde, finalmente adormeceu, mas preferia não ter o feito. Teve um pesadelo perturbador.
“__Agome! Vim te buscar... Venha comigo e te prometo que nunca mais te abandonarei!
__ O que dizes Inuyasha? Não vou voltar com você. Estou bem melhor agora! Não está vendo como eu estou feliz? Finalmente achei alguém que me amasse de verdade, e não porque eu pareço a ex dele.
__Não pode me deixar assim Agome! Eu... Me perdoe!—ele gritava tentando convencê-la.
__Inuyasha! –virou o rosto e do outro lado via Kikyou.
Ele não sabia a quem escolher. Agome ia aos poucos escapando de sua vista com o novo namorado e isso partia seu coração, mas ao dar um passo em direção á ela, Kikyou o chamava mais forte, obrigando-o a lembrar de cada momento...
Depois o seu sonho mudava completamente. Ele estava em um velório, mais precisamente, no velório de Agome. Um aglomerado de pessoas vestidas de preto impediam-no de chegar até o caixão e prestar suas últimas homenagens. Últimas homenagens. Ele havia deixado ela sozinha e vulnerável. Era culpa dele que ela estivesse ali. Morta. Fria. Um sorriso nunca mais brotaria daquela boca. Ela nunca mais ordenaria que ele se sentasse. Ele havia abandonado-a cruelmente e nunca mais poderia pedir desculpas por tê-la magoado. Nunca poderia confessar-lhe que a amava. Era o fim de tudo.”
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