A Alma de Agome
7 O fragmento corrompido
Notas iniciais
Pra ver se eu ainda sinto
Eu me concentro na dor
É a unica coisa real...
Hurt-Nine Inch Nails
Era sábado de manhã quando Eri ligou me convidando para ir à casa dela. Ayume, Yuka e mais outra amiga dela, que eu não sabia o nome, estariam lá. Ela tinha piscina e era para todas nós levarmos roupas de banho. Um dia com as amigas? Nada mal. Nada mal mesmo, ainda mais quando eu não tinha coisa nenhuma para fazer... O que tinha se tornado um sacrifício para mim.
Pois bem, avisei minha mãe, peguei minhas tralhas e fui. Era a primeira vez que eu saía sem ser ir para a escola. Eu estava sozinha e teria que passar ao lado do poço. Eu tinha que resistir entrar lá. Eu não podia sofrer mais por um sonho, um sonho fútil e impossível. Com um grande esforço, passei reto, mas o aperto em meu peito não pode ser evitado. O nó na boca do estômago era tão grande que chegava a me faltar o ar. Alcancei minha bicicleta e segui até a casa da Eri. Meus pensamentos voavam e eu não prestava atenção no movimento dos carros. Cheguei á um cruzamento e não notei o sinal vermelho. Quando me dei conta, só ouvi a buzina e os freios do carro que vinha em minha direção. Caí com o susto, mas o dono do carro não me atropelou. Ele desceu do carro me xingando e chegou perto de mim e me ajudou a levantar. Eu não sabia onde meter a cara.
__ Senhor, me desculpe, eu ando muito distraída ultimamente...
__ Tudo bem, venha. Aonde quer ir, deixa que eu te leve. Agora, vamos sair do meio da rua, senão alguns motoristas vão nos matar!—riu ele.
Já na calçada, ele perguntou se eu não queria que ele me desse uma carona. Disse que se sentia mal por quase ter me atropelado e que queria se desculpar.
__Não precisa se desculpar! Eu entrei no sinal vermelho. Não foi culpa sua. Não preciso de carona, obrigada. Minha amiga mora no quarteirão de baixo.
__ Você não se machucou? Tem certeza? – Coitado, ele estava preocupado. Agora, eu estava percebendo... Como ele era bonito!
__Eu estou bem, obrigada... Mesmo.
__Que grosseria minha, nem me apresentei. Meu nome é Miguel, e você?
__Agome.
__ Que nome bonito! – exclamou ele
__O seu também é muito bonito. —ele sorriu radiante
__Então, Agome, porque não passa o seu telefone? Podíamos combinar de sair um dia desses. Que tal?
Sorri e fechei meus olhos tentando me concentrar na enorme chance que eu tinha para mudar minha vida. A voz de Inuyasha estava em minha mente. Ele não estava lá nem tentava me alertar de algo. Era apenas uma lembrança de quando ele viu Houjo lá me casa. Ele disse bravo: “Não quero ver você dando mole pra esse moleque ai, viu?” Lembro de quanto eu tinha rido de seu ciúme bobo.
__ Você está bem? – disse Miguel interrompendo meus devaneios.
__ Sim. Estou ótima. Tem caneta ai?
Ele sorriu mais uma vez e antes de sair com o carro gritou: Eu vou te ligar essa semana! Tchau.
Dei um “tchauzinho” e segui andando porque era mais seguro.
Miguel... Seria ele meu anjo protetor? Ri do pensamento bobo.
Toquei a campainha e dois segundos depois, Eri atendeu a porta e me recebeu incrédula. Acho que ela não esperava que eu viesse.
Elas já estavam na piscina me esperando enquanto jogavam conversa fora e fofocavam sobre as últimas ficadas e namoros. Senti um fragmento por perto.
__ Agome, tudo bem?—perguntaram minhas amigas preocupadas com a minha cara de espanto.
Balancei a cabeça confirmando.
Um fragmento? Onde? Eu não sabia onde estava... Olhei ao redor e... Nada estranho. Poderia estar com alguma das minhas amigas, mas eu olhava para elas e nada brilhava... Não deveria ser nada! Desencanei.
Quando eu entrei na piscina, aquela menina amiga de Eri veio perto de mim e se apresentou.
__ Oii! Tudo bem? Eu sou a Thalita... Você deve ser a Agome! Que prazer te conhecer... – Pra falar bem da verdade, ela parecia ser bem legal!
__ Olá! O prazer é todo meu Thalita.
__ Eii, vocês vão ficar de papo furado ai é? Venham aqui com a gente! – gritou Ayumi.
__ Então, de que vocês estavam falando?—perguntei tentando me enturmar.
__Thalita estava contando do ex-namorado dela... –disse Yuka
__ Pois é depois disso eu tive que terminar com ele! Acredita Agome, que um dia eu cheguei em casa e meu quarto estava pintado de preto??
__Ele não pediu desculpas? –perguntei.
__Ah, não tinham desculpas que bastassem! Meu quarto era de um rosa tão fofo! Parecia o quarto de uma princesa... – Pelo jeito que ela falava, percebi que era uma mimada, nada contra os quartos de princesinha, mas ela dava nojo quando falava.
__Você não perdoou ele? Ele era tão gatoooo! – comentou Eri
__Eu não preciso dele! Têm tantos por aí babando por mim... É só eu estalar os dedos que eles vêm! – disse a metida. Metida a besta.
__E como que ele ficou? O seu ex...—perguntei
__O burro se matou! Disse que tinha perdido a razão de viver quando me perdeu – disse ela em tom de deboche –Mas a razão ele já tinha perdido faz tempo!
__Não se arrepende? – continuei
Ela gargalhou. –Nada me surpreende quando suas amigas me contaram que seu namorado voltou para a ex. Você é tão bobinha!
Naquele momento eu sentia tanto ódio tanto dela como de mim mesma por não ter forças de estrangulá-la ali mesmo. Por mais que eu tentasse disfarçar eu não podia. Era contra minha natureza até!
Saí da piscina e lá de fora eu gritei com todas as minhas forças:
__Você não sabe de nada! Ninguém sabe! Eu posso tê-lo perdido, mas em nenhum momento da minha vida eu deixei de amá-lo com todas as minhas forças... Disse que tinha tantos homens aos teus pés, então porque ainda está sozinha? O único que te amava realmente morreu por tua causa... Você não soube perdoá-lo, quando motivo era tão bobo e fútil. Não venha me dar lições, agora!
Thalita saiu da piscina para me confrontar. Ela gritava comigo, mas eu não estava mais prestando atenção. Meu olhar estava preso em seu pescoço, ou melhor, no seu colar, que como pingente tinha um fragmento da Jóia totalmente enegrecido.
Todas saíram da piscina. Eu não gritava mais. Ninguém entendia nada.
__ Esse fragmento... Não pode ser! – Apesar de não querer acreditar, eu o via e sentia seu poder. Ele estava contaminado pelas trevas e eu poderia purificá-lo.
__O que tem o meu pingente? Ele não é pro teu bico!
__ Cale a boca, sua metida! –Eri me defendeu.
Thalita já ia argumentar, mas eu a interrompi.
__ Quem te deu?
__ Minha avó. Ela me deus de herança, Está na família á séculos! Minha avó disse que é um fragmento da...
__Jóia de Quatro Almas!—completei.
__Isso.
__ Porque ele está dessa cor?
__ Como assim “dessa cor”? Ele sempre foi roxo!
Eu não sabia se deveria falar mais, mas deixá-la com um fragmento amaldiçoado é vingança demais.
__A Jóia de Quatro Almas é rosa.
__ Está dizendo que isso aqui é falso?—perguntou em tom de desafio.
__Não. Empreste-me, posso devolvê-lo a cor original.
__Você vai me roubar, mentirosa!
**Ódio Mortal**
Se ela soubesse o risco que estava correndo, me entregaria o fragmento. Pensando bem, acho que nem assim. Ela era muito orgulhosa e metida para tal.
Fechei os olhos para me concentrar e me acalmar.
__Sabe dizer como essa Jóia foi parar na sua família?
Ela ponderou se devia me contar isso e com muito mau gosto falou.
__ Minha vó disse que foi uma sacerdotisa muito poderosa que deu para uma das minhas ancestrais.
__Kikyou...- sussurrei quase sem voz.
__ O que disse Agome?—perguntou Ayume.
Ignorei e continuei.
__Porque ela daria um fragmento da Jóia que ela protegia?—me perguntei em voz alta
__E eu sei lá! Mas o que sabe desta pedra? Porque ela ficou dessa cor?
__A Jóia fica desta cor quando ela está corrompida.
__ Corrompida? Só me faltava essa!
__ Corrompida porque Agome? –perguntaram minhas amigas. Elas estavam mais interessadas do que a pobre menina rica.
__As 4 almas que deram origem ao nome da joia são: a coragem, a sabedoria, o amor e a amizade. Acredita-se que quando essas 4 almas estão em equilíbrio tanto o youkai como o humano se tormam bons, mas quando elas nao estão em equilíbrio tanto o youkai como o humano desvia de seu caminho.
__ Youkai?? Mas isso é pura lenda!
Droga! Falei demais...
__ É que...—comecei
__ Sabe de uma coisa? Eu não acredito! Olha, isso não passa de lenda! E eu estou perdendo meu tempo, OK?
__Espere! – respirei—Essa Jóia não é apenas bonita! Ela é um símbolo de poder, ou melhor, mais que um símbolo, ela é o poder! Tem um poema... Mais ou menos assim:
e o impuro se purifica.
o limpo se torna sujo,
e o sujo se torna limpo.
o que é bom se torna mal,
e o mal se torna bom.
tudo o que vive morre,
e o que morre renasce...”
__ O que quer dizer?
__ Vão vir muitas pessoas atrás dessa Jóia! Em busca de poder...
__ Querendo comprar??
Affe! Que menina fútil e imbecil! Pensei em deixá-la com o fragmento para que ela morresse nadando em burrice!
__ Não! Eles querem roubar a Jóia!
__Essa pedrinha tem tanto poder assim para renascer uma pessoa?—perguntou Eri
__Tem muito mais que isso... mas ela precisa ser purificada!
__ Quem pode purificá-la?—perguntou Yuka
__Uma sacerdotisa...
Todas suspiraram.
__Eu posso tentar—disse devagar.
__Você é uma sacerdotisa??!!—todas me olharam desacreditadas
__Mais ou menos...
__ Cansei de suas histórias! Olha, se você mudar a cor dessa pedrinha, aqui, agora, ela é sua!—disse Thalita tirando o colar. Seu olhar me chamava para um desafio.
__OK!
Ela me entregou e no toque de minhas mãos, sua cor original foi retornando para o espanto da platéia.
__Co-Como você fez isso?—perguntou Eri
__Ela tem pacto com o Demônio!!—anunciou Thalita
Eu e minhas amigas a fuzilamos com o olhar. Minhas amigas sabiam que isso não era normal, mas pacto com o Demônio... Isso com certeza não era!
__ Eu não posso explicar ainda... (quis dizer: Não na frente dela!)
Fechei minha mão apertando-o contra minha mão, fazendo com que ele perfurasse minha palma da mão e o líquido vermelho começasse a fluir. Ele correspondia a uma parte da minha vida... Kikyou devia tê-lo mandado para isso, servir de lembrança e causar dor. Como ela era maligna! Colocara uma humana, aparentemente inocente, em perigo só para me machucar.
__Olha, eu prometo explicar depois... Agora eu tenho que ir! Ah, e obrigada pela lembrancinha! – saí deixando minhas amigas e Thalita boquiabertas.
Vesti minhas roupas por cima do biquíni mesmo. Subi na bicicleta e fui para casa. Peguei o caminho mais longo, porém mais calmo. Não passava dentro da cidade e não precisava me preocupar tanto com os carros. Corria o mais rápido que podia. Durante o caminho, encontrei uma barraquinha de antiguidades. Não me contive em parar para olhar, pois bem na entrada havia um conjunto de Arco e Flechas e eu precisaria deles mais tarde.
Parei a bicicleta ali perto e fui até a loja. Minhas roupas não pareciam tão molhadas porque o vento da correria havia ajudado a secá-las.
Eu entrei na loja e comecei a remexer nas prateleiras lotadas de pó enquanto uma velhinha atendia um cara. Puxei um livro grosso e outro mais fino caiu nos meus pés. Ele estava imundo e todo rasgado.
“Nada me surpreende que ele ainda esteja aqui.”-pensei.
Peguei-o para devolver a prateleira quando eu levei um susto. Aquele livro era... Meu diário.
Notas finais
Beeijos
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