A Alma de Agome

4 O ferimento de Agome causado por Kikyou


Notas iniciais
Neste capítulo, Agome decide dar um fim em tudo e para isto vai até a Era Feudal para entregar os fragmentos da Jóia para Inuyasha, mas encontra Kikyou...

“É incrível como alguém pode romper teu coração, e, no entanto segues amando-lhe com cada um dos pedaços.”

Cheguei em casa já tarde da noite e já estavam todos dormindo e eu me senti aliviada ao não ter que explicar para ninguém minhas roupas sujas de sangue. Minha cabeça e minhas costas doem e acho que não vou escapar de uma ida ao médico.


Fui até o meu quarto e troquei de roupa. Olhei para a janela e vi o poço que me levava até ele... Eu precisava acabar com isso de uma vez. E tinha que ser agora. O que me prendi áquele mundo até ontem era o Inuyasha, mas agora, eram os fragmentos que eu possuía.

Minhas mãos encostaram-se à madeira fria e senti um arrepio que fez todos os pelos do meu corpo se eriçarem. Mau sinal. Do que eu estava com medo? De encontrar os dois se agarrando? De ele me dizer que não gostava de mim? Bem, isso já estava claro, mas se ele dissesse ficaria difícil de agüentar...

Afastei esses pensamentos da minha cabeça e pulei.

Eu quis gritar quando vi uma flecha vindo na minha direção. Eu ainda estava dento do poço, não estava na outra era ainda. A flecha tinha sido atirada não sei por quem ou pelo o que, mas o que sei é que ela me acertou em cheio na barriga. Gritei de dor e desmaiei.

Kikyou apareceu em meu sonho apenas para dar um recado.

“Isso é para você aprender a não matar meus empregados. O que é seu, Agome, está bem guardado e você mesmo virá pegar. Sua alma pertence a mim, como seu coração e todos que estão nele. Lembre-se sempre disso.”
E com essa linda mensagem ela se foi.

Acordei no fundo do poço, ainda noite, com uma baita poça de sangue ao meu redor. Uma flecha enterrada em minha barriga e os fragmentos em minhas mãos. Eu só tinha que entregá-los e ir embora... Os ferimentos doíam muito e cheguei a conclusão de que eu não tinha muita sorte...
Como ia sair dali? Se eu gritasse talvez Inuyasha viesse me buscar, mas eu não queria vê-lo. Nem Shippou, Sango ou Miroku. Rezei para que alguém de bom coração me encontrasse sem tentar me ferir ou roubar os fragmentos. Eu sabia que alguém viria, mas não sabia se estaria viva até lá... Ferida, lembrei-me das vezes que Inuyasha havia me protegido, me olhado ternamente... Seria tudo isso por causa da minha aparência? Eu não queria acreditar nisso. Desmaiei novamente.

Desta vez não havia sonhos, pesadelos, dor... Apenas paz. E como era bom! Eu queria não acordar jamais. Segundos antes de acordar, sua voz surgiu em minha mente novamente:

“Vou destruir você e todos que tentarem me impedir de pegar de volta o que você roubou. Meu ódio é maior do que tudo, maior até que o meu amor pelo Inuyasha. Cuidado.”

Ela me avisara. Até Inuyasha corria perigo. Ela realmente não era a Kikyou que haviam descrito para mim. Mas uma hora, ouvindo o trotar de um cavalo, abri meus olhos e junto com luz do dia, me veio a dor.
Gemi. Ela se aproximou de mim e abriu um sorriso ao me ver.

__ Agome...

__ Vovó Kaede...—tentei falar alguma coisa mas ela me impediu

__ Vamos te levar ao vilarejo... O pessoal ficará feliz ao te ver, principalmente Inuyasha.

__Não! Não. Não por favor!—Choraminguei

__ O que houve Senhorita Agome? Precisamos tratar de você...

__Eu não quero vê-lo. Entregue estes fragmentos á ele e me coloque no poço de novo. Quero só voltar para casa...

__Não vou perguntar o que ele te fez... Mas não posso deixá-la morrendo. Desculpe-me...

Ela parecia preocupada com algo.

__ O que houve Sra. Kaede, parece preocupada com outra coisa...

__ Ah, minha filha... Sabe quem tentou te ferir?

__ Sim. Foi Kikyou...

Ela confirmou com a cabeça. Parecia triste.

__ Minha irmã não era assim. Ela era tão doce e nunca faria mal a alguém inocente...

Suspirei.

__ Essa não é a Kikyou. Sabe disso. Não há alma naquele corpo, apenas...ódio.

__ Eu sei, minha filha. Eu sei... Mas aceitar é a parte mais difícil não é mesmo?

__ Nem me fale...

Seguimos nosso caminho em silêncio. Eu sabia o que eu iria encontrar no fim da viagem. O bom da dor neste momento é que ela nos impede de sofrer por outras coisas, coisas que desejamos esquecer...

Quando me aproximei do vilarejo eu o vi. Aquele vulto vermelho era o motivo da minha perdição... Ele parecia chocado ao me ver naquele estado. Todos estavam... Eu deveria estar terrível mesmo.

Eu chorava. Não de dor, mas por ter que vê-lo, lembrar que ontem aquela roupa, aquele coração, aquele corpo pertenceu á outra pessoa.

Colocaram-me no chão ao redor de tantos olhares preocupados e tristes.

Parecia que estavam num enterro...

Shippou chegou ao meu lado com o rosto molhado.

__Agome...Não chore! Vai dar tudo certo. Vovó Kaede vai cuidar de você – Ele pedia para eu não chorar enquanto ele se banhava nas próprias.

__Shippou.

Ele apenas me abraçou. Sango e Miroku choravam discretamente para que eu não me preocupasse...

__ Não se preocupem comigo. Vai dar tudo certo... — dizia tentando confortá-los.

Inuyasha se aproximou de mim e se ajoelhou ao meu lado. Ele me olhava e não sei se ele estava pensando no porque aquela flecha da Kikyou estava cravada em mim ou se estava preocupado comigo. Eu não conseguia encará-lo.

__A-Agome...—ele sussurrou tão baixo que apenas eu poderia ouvir.

Sua voz era tão doce e hipnotizante para meus ouvidos...

__ Quem... Quem fez isso com você?—Ele não queria aceitar que a Kikyou poderia ter feito tudo aquilo comigo.

Eu ia falar. Juro que ia, mas na hora eu senti um nó na garganta e eu não conseguia respirar. Eu fui ficando roxa.

__Agome! O que está acontecendo?! Agome!!!—Inuyasha gritava no meu ouvido.
Ele me ajudou a ficar sentada e eu comecei a tossir com minha mão sobre minha boca. Até que eu desengasguei. Olhei minha mão. Sangue.

__Como está se sentindo Agome?—disse a sra. Kaede se aproximando de mim e colocando sua mão sobre meu rosto.

__ Eu...estou melhor.

__ Quem fez isso com você Agome?—Inuyasha voltou a perguntar.

Eu sabia que o sangue não tinha vindo por acaso, Kikyou estava me ameaçando. Ela não queria que eu contasse. E também isso iria magoar o Inuyasha, e se ele sofresse, eu sofreria também...

“Tenho medo de decepcionar as pessoas, de magoá-las. Só queria que elas também tivessem esse medo.”

__ Como quem fez isso? Você sabe quem foi Inuyasha! Foi minha irmã...—disse Kaede

__Não. Não foi ela. —disse eu decidida

__Não?—Kaede e Inuyasha disseram juntos

__ Foi um cara. Nunca tinha visto ele. Ele queria me matar e pegar os fragmentos da Jóia e com a flecha de Kikyou, ela seria a culpada... De repente, ele ouviu um barulho estranho, eu não sei bem o que foi. E sumiu na floresta.

Inuyasha estava aliviado. Kaede preocupada, ela não tinha certeza da veracidade da minha história, afinal, eu tinha dito que fora ela minutos atrás, mas tenho certeza de que ela não me desmentiu porque sabia do motivo por qual eu ocultara a verdade. Esse era o meu problema. Amar demais.

__ Está vendo sua velha boba! Kikyou nunca faria isso com a Agome...

Ele colocou sua mão em meu rosto e eu virei a cara para que ele não tocasse em mim. Ele se espantou com minha reação.

__ O que foi que eu te fiz agora, hein, Agome?—disse ele.

Limpei uma lágrima que queria escorrer por meu rosto.

__ Vovó Kaede, me deixe ir embora. Lá eles poderão cuidar melhor de mim...

__È isso mesmo que você quer?—ela me perguntou.

Respondi sem pensar, porque se eu pensasse bem no que eu queria, eu com certeza, levantaria e gritaria na cara do Inuyasha que a Kikyou era uma vagabunda que só queria fazer mal á ele. Espera. Ela ia fazer mal á ele... Bem, ele escolheu isso não foi? Agora, ele que agüente as conseqüências!

__Sim. Eu quero ir embora.

__ Inuyasha, leve-a até a outra Era e garanta que ela fique bem.

Despedi-me brevemente dos meus amigos que eu não veria mais. Mesmo que eles não soubessem disso. Eles ficariam bem...
Ele me levantou em seus braços e começou a correr para chegarmos até o poço.

Chegando na minha Era fomos recebidos por minha mãe que logo ligou para a ambulância vir me buscar, mesmo Inuyasha insistindo que me levaria mil vezes mais rápido. Ela arranjou um boné para esconder as orelhas de gato e deixou Souta com vovô e fomos nós três para o hospital. Minha mãe a todo o momento ao meu lado e Inuyasha sempre calado e preocupado num canto.

Fui internada em estado grave e precisava passar por uma cirurgia complicada de última hora. Minha mãe chorava o mais discretamente que ela podia para não me alarmar. Inuyasha mantinha a cabeça baixa quando passei pela porta á caminho da sala de cirurgia. Esta foi a última cena que me lembro antes de apagar completamente.

Algum tempo depois eu estava numa cama do quarto do hospital. Minha mãe sentada dormindo ao meu lado e Inuyasha dormindo no sofazinho ao lado. Quando me dei conta, vi que estava ligada a vários tubos e que a sensação era terrível. Eu queria me soltar dali, andar. Comecei a me remexer na cama e minha mãe e o Inuyasha acordaram.

__ Filha!! Graças a Deus! –ela apertou minha mão carinhosamente.

__ Agome...que bom que acordou!—ele parecia estar sendo sincero.

Pensei em sorrir, mas com aqueles tubos na boca, seria meio difícil.

__ Eu vou chamar o médico!—minha mãe saiu apressada

Fiquei á sós com o Inuyasha. Ele passou a mão no meu cabelo e eu fechei meus olhos para resistir á tentação de agarrá-lo ali mesmo e dar um beijo em sua boca.

__ Faz três dias que você estava dormindo...

Abri os olhos, espantada. Três dias! Como eu pude dormir tanto? Meus batimentos se aceleraram com a notícia inesperada.

__ Acalme-se. Agora está tudo bem... Eu estou aqui.

Eu queria perguntar: Até quando?, mas não foram só os tubos que me impediram.
O médico chegou com minha mãe em seu encalço. Ele parecia feliz com o meu progresso. Ele se aproximou e eu pude ver uma seringa em sua mão. Retirou o tubo em de minha boca e falou:

__ Que bom que acordou menina. Estava deixando todos nós preocupados...—ele sorriu docemente levantou a seringa e anunciou.—Vou aplicar injeção com alguns remédios que você precisa tomar, mas vai doer. Tente não se mexer muito, tudo bem?

Meus batimentos se aceleram se aceleraram com a notícia mas quase entraram em colapso quando ele aplicou a injeção. Eu berrava, me sacudia e chorava. Doía muito e não era exagero. Era como se tivessem colocado várias lâminas minúsculas no remédio e pareciam que rasgavam minhas veias.

Ele pediu para que Inuyasha me segurasse firme. Minha mãe não conseguia olhar. Eu gritava para que ele parasse, mas era como se ele não me ouvisse ou não ligasse. Supliquei ao Inuyasha, mas ele apenas disse: por favor... só mais um pouquinho Agome!

O médico aplicou então, uma segundo injeção.

Eu parei de gritar. Mas não porque a dor tinha cessado, pelo contrário, ela continuava presente. Mas porque eu não sentia mais o meu corpo. Eu tentava falar alguma coisa, mas não encontrava minha voz. Não tinha forças para mover um dedo sequer. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas eu estava com medo. Minha vista escureceu enquanto eu olhava os olhos castanhos do Inuyasha. Como eram lindos e brilhantes... Dizem que os olhos são as janelas da alma, e isso é a mais pura verdade. Eu podia ver a alma dele pelos seus olhos. E era maravilhosa como sempre pensei que seria.



Notas finais
Gostaram? Então... Comentem, indiquem, coloquem nos favoritos! Vamos pessoal, colaboração!
Beeijos
Fiquem com Deus