A Alma de Agome

6 As pessoas do meu passado


Notas iniciais
"Atiramos o passado ao abismo, mas não nos inclinamos para ver se está bem morto.
( William Shakespeare )

De meu quarto eu ficava olhando o poço pela janela por horas á fio, talvez esperando que ele algum dia voltasse e me pedisse perdão, ou que talvez tudo não tenha passado de um pesadelo. Hoje, lembro-me dos meus amigos que eu não verei mais... Eu sou uma garota normal agora. Antes eu desejava isso ás vezes, e agora não tinha certeza se era isso mesmo que eu queria. Mas eu não tinha mais escolha. Tinha optado contar a verdade, e eu realmente pensei por um instante que ele fosse crer em mim, mas Inuyasha optou em não acreditar. Ele tinha escolhido esquecer tudo o que havíamos passado, o amor recíproco e a linda amizade que tínhamos para tentar voltar no tempo e reconquistar o amor que ele perdeu. O problema é que ele se esqueceu de que o passado não serve mais e que pode não ser do jeito que era, porque todos mudam, tanto o jeito de ser, quanto de amigos, de sentimentos. As pessoas não permanecem paradas no tempo esperando-nos regressar... Elas evoluem e se esquecem de quem somos.

Faz uma semana desde que eu cortara relações com o Inuyasha e conseqüentemente com meus outros amigos. Em casa e na escola, ninguém mais perguntava como eu me sentia ou como estavam as coisas com o Inuyasha. Ele era um assunto proibido, mas que lutava para não esquecer... Eu disse que seria forte, mas é mais difícil do que eu achei que seria. Eu tinha que abrir mão de uma coisa que antes era tão certa. Fazia tanto tempo que eu não ficava em casa que até tinha me desacostumado. Nesta semana, inúmeras vezes acordei desesperada, arrumando minhas coisas rápido pensando que o Inuyasha já devia estar bravo por eu estar demorando tanto e quando eu me dava conta que não, um vazio tomava conta de mim e eu me punha na janela a olhar mais uma vez o poço e chorar. Chorar já era rotina para mim...

Como eu disse antes, as pessoas mudam e não ficam paradas no tempo te esperando. Pois bem, minhas amigas estavam cada vez mais distantes de mim. Não era culpa delas. Eu havia me afastado primeiro e elas haviam aprendido a viver sem mim. Não podia pedir que tudo voltasse a ser como antes, porque era o mesmo que tentar impedir a evolução das coisas... Impossível.

Hoje, eu acordei um pouco mais disposta para agüentar as surras do mundo. Resisti em não olhar a paisagem tão danosa para meu coração. Tentei não pensar muito e viver. Não tentaria esquecê-lo de um dia para outro. Daria um passo de cada vez até chegar ao resultado esperado.

Desci para tomar café da manhã com minha família e arranquei sorrisos quando me viram sem olheiras e feliz.

__Vovô, tenho uma coisa para o senhor...—disse eu

__ Para mim? O que é Agome?—perguntou vovô curioso.

Abri minhas mãos e as estendi á ele. Eu possuía uma caixinha fechada que ele aceitou sem pestanejar. Abriu-a e lá estava ele.

__Não acredito nisso Agome! Disse ele quase sem fôlego de tanta felicidade

Eu ri da cara que ele fez e declarei:

__ Vai ser mais útil se ficar com o senhor. Para ele não significa nada além de escravidão e para mim, uma coisa á mais para me fazer sofrer.

__ O colar... O colar de Inuyasha!

Apesar de ouvir seu nome, não me causou tanta dor quanto pensei que causaria. Apenas tentei não lembrar.

__ Mas vovô, porque o senhor o quer? – perguntou Souta inocente.

__Oras! Este colar é citado em tantos livros antigos, pena que nunca haviam visto um! Agora, eu tenho um exemplar... Isso é magnífico! –ele olhou o colar, ou melhor, as partes do que antes era o colar, e suspirou. –Pena que está tão maltratado. Terei de refazê-lo e procurar uma sacerdotisa para refazer o feitiço que ele possuía. O problema é onde posso arrumar alguma. Se Agome, ainda freqüentasse a outra Era...

Minha mãe e Souta tossiram fazendo-o se calar.

__ Tudo bem. —disse eu á eles.

Talvez eu pudesse refazer o feitiço do colar, já que apesar de tudo, meu poder espiritual não havia diminuído, mas era melhor nem inventar moda por enquanto. Era certo que teria que usar seus poderes de sacerdotisa para lutar contra Kikyou, e que teria que praticar... Lamento não ter feito tantas perguntas á Sra. Kaede, ela poderia ter me explicado muitas coisas.

Notas finais
Está curto! Mil perdões! Juro que o próximo será maior!
Beeijos e não se esqueçam de comentar,plz!