A Última Uchiha
13 Segredos
Notas iniciais
— Estou bem! – Ringo e Sasuke falaram ao mesmo tempo.
Meropan e Kakashi trocaram olhares.
— Eles sempre fazem isso? – Tazuna perguntou, um pouco surpreso.
— Não. – Kakashi falou – Bem, vamos logo. Precisam de você em casa não?
Naruto encarou a morena pela última vez, preocupado. Depois se virou para Meropan.
— Cuida bem dela, dattebayo.
Meropan confirmou com a cabeça. Então viu o time 7 seguir viagem para o país das ondas.
— Segredos -
— Então... Vocês não são parentes? – Noi perguntou enquanto seguia com o grupo em direção ao nordeste da saída da vila, rumo ao país das fontes termais.
— Não, sou uma sacerdotisa importante no país do urso. – Magashi sorriu – Jenini é minha aprendiz.
— Estranho que o pessoal do país do urso confie numa sacerdotisa e sua aprendiz para levarem uma encomenda valiosa para um país que fica quase do outro lado do continente. – Tairon falou pensativo – Por que não mandaram ninjas?
— Bem... Nossos ninjas andam meio doentes. – a mais velha sorriu sem graça – Devido a um treinamento especial.
— Que tipo de treinamento? – Noi perguntou – Um treinamento maligno? Do satã?
Magashi acabou rindo com as perguntas da loirinha.
— Não sabemos, Noi-chan. Só nos disseram que nossos ninjas não estavam bem de saúde.
— Mas... Vocês poderiam contratar ninjas de outro país, não? – o ruivo perguntou.
— Bem... Eu não sei. – Magashi suspirou – Só nos pediram para levar a encomenda, e estamos fazendo isso.
— Por falar nela, onde está essa encomenda? – a loira perguntou olhando para os lados – Não estou vendo vocês carregando nada.
— É confidencial. Está escondida. Mas não direi com quem. – a mais velha piscou pra Noi.
Ringo se mantinha silenciosa durante a viagem. Depois do encontro com o Uchiha sua cabeça não parava de latejar. E aquelas lembranças da conversa com o Sasuke e o encontro com o estranho não saiam de sua cabeça.
—--
— É que... Você tem o mesmo nome que minha irmã desaparecida. – Sasuke encarou a morena.
— Uma... Irmã?
O Uchiha confirmou com a cabeça.
— Minha mãe falava dela com tristeza algumas vezes. Disse que ela desapareceu quando completamos um mês de vida.
— Espera... Ela era a sua gêmea?
— Pelo visto sim. – o moreno sentou ao lado de Ringo, o rosto pensativo.
— Você acha que... Eu... Sou sua irmã? – a morena encarou o garoto, surpresa e assustada ao mesmo tempo.
— Podemos não ser, mas você não pode negar que somos muito parecidos.
— Você não respondeu minha primeira pergunta: quem é você? – Ringo encarava o estranho ser de manto negro com nuvens vermelhas.
— Alguém que vai lhe ajudar num futuro não muito distante. – o homem falou – Claro, se você não for corrompida como os outros do seu clã.
— Meu clã?! Que clã é esse?!
— O clã Uchiha, é claro.
— Eu só reativei o acesso.
— Que acesso?!
— O que liga sua mente com a do Sasuke. – o moreno tocou na testa de Ringo novamente, então tudo virou escuridão.
—--
“Gêmeos irão nascer. Na presença da família irão perecer. Apenas o primogênito tem o poder sobre qual deve sobreviver” a garota pensava na profecia que aquele estranho clone seu havia lhe dito há algum tempo, enquanto caminhava.
“Essa profecia, a minha semelhança com o Sasuke e esse tal acesso que liga nossas mentes... Eu... Realmente sou irmã do Sasuke? E... Como alguém pode ligar duas mentes?”
— Ringo? – Tairon desacelerou o passo pra ficar do lado da morena – Está tão quieta. Algum problema.
— Não. Não é nada. – a garota deu um sorriso sem graça.
O ruivo a encarou, preocupado.
— Tem certeza? Você parecia péssima quando saímos da vila.
— Eu estou bem. – Ringo suspirou – Só... Com um pouco de dor de cabeça.
Meropan, que estava no final da caravana, carregava uma mochila consigo enquanto protegia a retaguarda dos que estavam à frente.
“Ringo e Sasuke” a mais velha pensou “Precisamos ter uma conversa quando eu voltar, senhor Hokage. O senhor está me omitindo informações.”
A Senju encarou a sacerdotisa Magashi, que conversava alegremente com Noi. Meropan estreitou os olhos.
“E você também, Fūma Magashi”.
~*~
— Chegamos! Vila das fontes termais! – Magashi colocou as mãos na cintura e deu um enorme sorriso ao ver a entrada para a vila – E antes do sol se por.
— Ainda bem! – Noi deitou no chão de braços abertos, cansada – Meus pezinhos não aguentam mais.
— Como você é molenga, Noi. – Tairon riu – Vamos, temos que achar um lugar para dormirmos.
Noi se levanta pra acompanhar sua equipe, quando viu, entre as árvores da floresta ao longe, uma sombra humana. A loira estranhou e em vez de seguir o grupo para a vila das fontes termais, ela criou um clone seu para acompanhar a equipe e saiu furtivamente para ver quem estava os espionando.
A garota tinha uma expressão séria em seu rosto enquanto caminhava em direção a sombra. Ela piscou os olhos e os mesmos ficaram negros, com as íris laranja, quase vermelho cor de sangue. Linhas negras desciam de seus olhos até as bochechas, seguindo para as orelhas quando chegavam na altura da ponta do nariz, formando um ângulo meio agudo na curva.
Noi pegou uma adaga de lâmina curva e púrpura de dentro de seu colete assim que entrou na floresta. Ela saltou para uma das árvores e tocou no tronco da mesma. Uma espécie de névoa alaranjada ficou envolta da mão da loira.
Então as folhas das árvores ficaram amareladas.
Ela estava pronta pra atacar o ser das sombras, quando ele deu uma risada. Então sumiu, para logo aparecer atrás da loira.
— Bu!
Noi levou um susto, mas se recuperou rapidamente, dando um coice no estranho e em seguida voltando ao solo num salto com pirueta.
O ser havia sumido novamente.
— Apareça desgraçado! – a loira falou, irritada.
O estranho riu novamente.
— É falta de educação atacar alguém da sua “família”, sabia Natsumi?
A garota se virou e viu o homem encostado em uma das árvores. Usava um manto negro com nuvens vermelhas e um chapéu de palha com tiras brancas. Em suas costas uma foice com três lâminas.
A loira ficou surpresa.
— Você é louco?! O que faz aqui?! – o rosto da Noi tinha voltado ao normal, mas a adaga ainda estava em suas mãos.
— Ué... É a minha terra natal. Não posso mais visitá-la? – o homem riu.
— Você mesmo disse que saiu daqui porque era pacífica demais. – a garota rolou os olhos – Diga logo o que veio fazer aqui. Se virem você...
— Não vão me ver. – o homem parecia estar se divertindo com a situação – Estou aqui para vigiar você.
— Me vigiar?!
— Sim. “Ele” quer ter certeza de que você está cumprindo com a missão. – o homem falou – E guarde essa adaga. Amaya não lhe deu ela pra ficar brincando por aí.
— Por que tanta falta de confiança agora? Eu vou cumprir com a missão. – Noi fez careta enquanto guardava a adaga.
— Seu “querido tio” acha que você está se afeiçoando demais a seu time temporário.
— Tsc. Bobagem. Isso faz parte do meu disfarce.
— Será mesmo? – o homem perguntou.
Ele ajeitou a gola do manto.
— Bem... Não se preocupe. Eu não irei fazer nada. Por enquanto – a loira conseguiu ver o sorriso do homem, mesmo seu rosto estando quase oculto pelas sombras que o chapéu fazia – Só ficaremos de olho. E lembre-se do seu prazo.
O homem se virou para ir embora.
— Ah, mais uma coisa. Não use seus poderes a toa. – a voz dele ficou séria – Você pode perder o controle deles e comprometer nosso sigilo.
Então ele sumiu, deixando para trás uma Noi com uma expressão sombria no rosto.
~*~
Já era noite. Ringo estava no telhado do hotel onde ela e seu time ficaram hospedados, encarando o céu estrelado, o rosto pensativo. Seus cabelos estavam soltos, balançando levemente com a brisa fresca que corria por ali.
“Eu... Uma Uchiha...”
Ela tocou na testa, onde aquele estranho havia pressionado seus dedos e criado uma dor de cabeça forte na garota.
“Alguém que vai me ajudar num futuro não muito distante, mentes conectadas, gêmeos...” Ringo suspirou “Sasuke e eu precisamos ter uma conversa”.
— Ringo?
A morena virou um pouco a cabeça e viu Tairon se aproximando.
— Você não falou muito durante a viagem. – o ruivo se sentou ao lado da morena. Ele estava com um cheiro adocicado, resultado do banho nas fontes termais que todos desfrutaram – Tem certeza de que está tudo bem?
— Ah... Está sim. – a garota sorriu sem graça – Só... Estou pensando.
— Mesmo? Em que?
Ringo voltou a encarar o céu. A lua estava crescente e várias estrelas salpicavam o céu.
— Na minha verdadeira família. – a morena respondeu um tempo depois.
— Sua... Verdadeira família?
Ringo suspirou.
— Eu e o Naruto moramos juntos desde bebês. – a morena parecia triste – Os pais dele faleceram.
— Eu... Sinto muito. – Tairon se sentiu envergonhado por perguntar sobre a família da garota – Não sabia... Que você era órfã.
— Pois é. Não conheci meus pais adotivos, muito menos... Meus pais biológicos.
— Você... Foi adotada? – o ruivo parecia surpreso.
Ringo confirmou com a cabeça.
— Pelos pais do Naruto.
— Mas... Como você tem certeza disso?
A morena encarou o garoto com um sorriso triste.
— Por acaso eu sou loira dos olhos azuis? Eu tenho algum traço semelhante ao Naruto?
Tairon encarou a garota por um tempo e ficou em silêncio. Era verdade que ela e o loiro não tinham semelhança alguma. Os cabelos dela eram tão escuros que às vezes parecia que eram de um azul bem escuro. Os olhos negros e a pele ligeiramente mais pálida que o normal. Características iguais as de um dos colegas de equipe de Naruto.
O ruivo prendeu a respiração.
— Você... Parece com o...
— Sasuke. – Ringo abraçou os joelhos – Era nisso que eu estava pensando.
O garoto fitou a morena por um tempo.
— Você... Acha que é uma Uchiha?
— Oe, pombinhos! – Noi tinha acabado de subir no telhado, tinha um sorriso no rosto – O jantar chegou! Venham logo antes que a Jenini devore tudo.
— Não somos pombi... –Tairon suspirou, em seguida se levantou.
A morena acabou rindo e se levantou também. Os três voltaram para dentro do hotel.
~*~
— Itadakimasu!
O grupo estava sentado ao redor de uma mesa com os mais variados tipos de comida. Noi já estava na sua terceira tigela de miso de porco. Tairon comia dos sushis postos em um barquinho, com molho wasabi. Ringo comia um pouco de tudo e agora estava terminando uma tigela de ramén com Narutomaki. Jenini comia um arroz especial com legumes e carne. Meropan também se servia do barquinho com sushis.
Magashi?! Tomava litros e litros de sakê.
— Magashi, você vai acabar desmaiando de tanto álcool que está tomando. – a Senju falou com cara de tédio, depois comeu outro sushi.
— Que nada! Eu sou resistente ao álcool! – a mais velha deu um sorriso, as bochechas meio vermelhas – Tragam mais uma garrafa!!
— Err... Ela sempre costuma se embebedar? – Ringo pergunta à Jenini.
— Só quando está muito preocupada. – a garota suspirou, ela brincava com os legumes da tigela – Ela tem bebido muito ultimamente.
A morena olhou pra Magashi e viu que ela não tomava mais o sake com um copo e sim da própria garrafa.
— E eu pensando que sacerdotisas faziam voto para não cair nas tentações da carne. – Noi falou depois que terminou o miso. Ela tentava conter o riso.
Tairon suspirou.
— Sensei, não é melhor fazermos a Magashi-san parar?
— Nada. O organismo dela acaba parando a bebedeira a força. – Meropan deu de ombros.
— Mas... Como? – o ruivo sorriu sem graça.
Foi então que do nada a sacerdotisa caiu de cara na mesa.
— Assim. – Jenini suspirou – Vou pegar a toalha.
— Ela... Desmaiou? – Ringo perguntou, surpresa.
— Exatamente. – Meropan falou – Venham. Me ajudem com essa girafa demônio.
~*~
Meropan havia conseguido arrastar a sacerdotisa para o quarto com a ajuda de seus alunos. Agora, Magashi dormia em um sono pesado, jogada de modo qualquer na cama. Provavelmente, no dia seguinte, acordaria com a ressaca mais forte que já teve. A Senju havia convencido aos seus alunos a ficarem no mesmo quarto que a Jenini, para protegê-la de algum eventual ataque.
Ela e a sacerdotisa estavam sozinhas no quarto.
Meropan lia um de seus livros que havia levado consigo para a viagem. Uma víbora branca de manchas roxas entrou por debaixo da porta e encostou a cabeça na sandália da de cabelos roxos.
A Senju encara a víbora.
— Eles já dormiram?
A víbora confirmou com a cabeça. Meropan pegou o animal e alisou sua cabeça.
— Obrigada pela ajuda, Akaru-sa. – ela sorriu, então a víbora sumiu de suas mãos.
A Senju encarou Magashi que começara a roncar. Seu rosto se tornou sério. Ela se dirigiu a cama da sacerdotisa e a empurrou da cama, fazendo a mulher acordar e levantar num instante, com um Fūma shuriken fechado em uma das mãos.
— Sabia. – falou Meropan cruzando os braços – Por que mentiu?
— Eu não menti. – Magashi suspirou, guardando a arma dentro de seu kimono.
— Ah, mentiu sim. Você nem de longe é uma sacerdotisa. Aos meus alunos você engana, mas não a mim. Por que mentiu?
— Pra poder pedir sua ajuda. – a maior se sentou na cama, seu rosto cansado.
— Mentiu pro Hokage? – Meropan ficou um pouco surpresa.
— Não... Ele sabe. Apenas ele. – Magashi suspirou – Da nossa verdadeira missão. E agora... Você vai saber sobre ela.
Fale com o autor