99 Problems
3 — Sunrise ◆
Notas iniciais
As noites mais compridas da vida de Satsuki eram as que Daiki trabalhava no turno noturno. Ainda que soubesse que aquela era a vocação dele, seu plano de carreira e seu maior sonho, ela não conseguia evitar as preocupações, afinal, ser um policial era uma profissão perigosa. Ao invés de se dedicar ao basquete, ele preferiu seguir a carreira na polícia. Não se surpreendeu, sabia que o basquete para ele sempre seria um prazer, o esporte amado que os juntou e que os fez conquistar vários amigos ao longo do tempo passado na escola.
Aomine não fazia o tipo que jogaria por dinheiro, fama ou obrigação. Ele amava demais o esporte para se sujeitar assim, e também afirmava que não lidaria bem com o assédio. Satsuki também não lidaria com o assédio, principalmente se fosse com ele para qualquer time, para supervisioná-lo de perto – ele nunca a deixaria para trás. Quando ele ingressou o distrito e teve seu turno mudado para a noite, nas primeiras semanas, ela não tinha paz.
Não dormia direito, pensando na segurança de seu marido. Cogitando se tinha acontecido alguma coisa. O checava várias vezes durante a noite apenas para se certificar de que ele estava realmente bem; fazia isso com tanta freqüência que gerou uma discussão entre os dois. Ele sabia se cuidar e ela teria que confiar nele, por mais que seu coração se apertasse dentro do peito toda vez que ele saía para trabalhar.
E nessas noites em que Satsuki não se permitia dormir, ela sempre deixava a televisão da sala ligada nos noticiários, sempre atenta se alguma coisa envolvia a polícia – ou pior, Daiki. A maioria das ocorrências televisionadas eram os incêndios e por isso, ela conseguiu ver Kagami Taiga algumas vezes quando estava de plantão – o ruivo também trabalhava durante a noite, como bombeiro.
As melhores partes de seus dias era o amanhecer. O nascer do sol trazia comigo a figura masculina de Aomine Daiki são e salvo, todos os dias. Sempre o esperava acordada, preparando alguma refeição (sim, ela aprendeu a cozinhar bem com Kagami e Sakurai) ao recebê-lo com beijos apaixonados e aflitos. Algumas vezes ele até chegava antes do sol raiar e nesses dias eles aproveitavam para ver o amanhecer juntos.
– É lindo, não é? – dizia ela, admirando os tons alaranjados enquanto o sol aos poucos nascia.
– É. – respondeu com a voz rouca.
Mas ele não estava falando exatamente sobre o nascer do sol. Daiki a abraçou por trás e inclinou seu corpo, deixando seu queixo repousar sobre o ombro dela enquanto virava o rosto e o afundava na curva do pescoço dela ao inalar o cheiro natural que a pele dela exalava. Ela sorria e se arrepiava com o contato cálido da pontinha do nariz dele em seu pescoço. As mãos dele envolveram-na pela cintura e descansavam em sua barriga, que tinha um inchaço saliente de poucos meses. As mãos dela estavam posicionadas sobre as dele, acariciando-as.
– Mal posso esperar para ela nascer.
– Ela?
– Sim!
– Por que não ele? – redargüiu, beijando-a no pescoço.
– Vai ser uma menina. – ela sussurrou, entre um suspiro e outro. – Mães sabem dessas coisas.
Daiki suspirou, dando-se por vencido. Ela quem carregava a criança em seu ventre, ela provavelmente estava certa. Preferiu não contrariá-la e se permitiu curtir aquele pequeno momento especial com a mulher da sua vida.
Que, para sua felicidade, estava mesmo enganada acerca do sexo do bebê que esperavam.
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