99 Problems
16 — Peace ◆
Notas iniciais
Tudo o que Aomine Daiki queria naquele dia era um pouco de paz. Ainda não tinha digerido muito bem a derrota para Seirin; e o Homem Fantasma provara ao moreno que o basquete de Kuroko era alguma coisa. Kagami Taiga fora um adversário formidável, isso ele tinha que reconhecer. Não em voz alta, claro. Ninguém precisava saber.
E contrário à vontade de ficar em casa, foi arrastado para o distrito comercial logo cedo por Momoi Satsuki. A analista de Touou estava cheia de ânimo e energia, apesar do frio de dezembro — e ela tinha um ótimo motivo para estar tão empolgada:
Daiki decidiu treinar novamente.
Aos poucos, seu querido Dai-chan voltava. Claro que ainda sentia o gosto amargo da derrota na boca; era o último torneio de basquete de seus veteranos e todos esperavam pelo menos avançar na competição, mas foram parados na primeira partida. Apesar de ser grata a Tetsu-kun, Satsuki estava completamente determinada em ter sua revanche no próximo ano, na Interhigh.
— Quando perguntei se você estava livre hoje — começou, com o tom de voz entediado — Não quis dizer que queria sair tão cedo. Sabia?
Satsuki sorriu.
— Quanto mais cedo, melhor, Dai-chan! — o respondeu.
Na verdade, ela tinha medo que ele mudasse de ideia. Por isso tinha que aproveitar ao máximo a disposição dele em voltar a treinar. Havia passado parte da noite em claro enquanto desenvolvia um programa de treinamento exclusivo para ele, com o intuito de aprimorar ainda mais suas habilidades.
As ruas do distrito comercial próximo de suas casas estavam movimentadas; a decoração natalina tomava conta do lugar, das vitrines das lojas e na praça central havia uma enorme árvore de natal, lindamente adornada com enfeites. O natal seria em poucas semanas e desde já as pessoas estavam na busca do presente perfeito para as pessoas queridas, enquanto outras simplesmente aproveitavam a época para fazer compras com economia.
— Tch — bufou Aomine, que andava com as mãos no bolso do casaco de frio. — Vamos voltar para casa, Satsuki. Está tudo tumultuado demais.
— Nada disso! — o cutucou na costela com o cotovelo, provocando a indignação alheia. — Hoje tem muitas promoções, temos que aproveitar.
Daiki rolou os olhos, mas continuou andando lado a lado com a amiga, ainda desanimado com toda aquela multidão da qual ele tinha que se esforçar para esquivar. Satsuki, sempre muito atenta aos detalhes, não deixou de perceber. Entrelaçou o braço ao dele e o puxou para baixo, fazendo o rosto dele nivelar ao seu.
— Sei uma coisa que vai te animar, Dai-chan! — proferiu, próximo ao ouvido dele. Continuou, com o tom de voz levemente provocativo. — Se você for um bom menino…
O sorriso de malícia nos lábios cheios dela fez algo dentro do ás de Touou remexer. Sentiu o corpo esquentar, por um motivo até então desconhecido. Notou também que ao entrelaçar o braço ao dela, o seu era praticamente esmagado pelos seios fartos dela.
“Os peitos da Satsuki estão enormes… Aposto que são F-cup…”
Sentiu outra perturbação ao pensar nisso e então desvencilhou-se dela, voltou à postura ereta.
— Que coisa? — indagou, virando o rosto de lado.
Ela avançou alguns passos na frente dele bem no instante que um vento um pouco mais forte os abateu, fazendo a saia curta dela erguer centímetros — o bastante para que ele pudesse ver a calcinha de renda vermelha. Ela estava cada vez mais ousada. Satsuki pareceu não perceber que a saia subiu, o que tornava tudo ainda pior para o moreno.
— Uma revista da Horikita Mai-san! — anunciou ao parar de frente para ele. Ao ver o olhar de malícia dele, logo proferiu. — Isso se sobrar algum dinheiro! Nós vamos almoçar por aqui mesmo, e eu quero provar um picolé da nova sorveteria que abriu…
Daiki sequer estava mais prestando atenção no que ela dizia. Só de imaginá-la chupando um picolé, sentiu o sangue ferver. Passar aquele dia ao lado de Satsuki o faria sair do sério a qualquer momento, com as provocações não intencionais partidas dela.
É, certamente não teria paz até tomá-la para si.
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