99 Problems
17 — Beach ◆
Notas iniciais
Aomine Daiki tinha uma relação de amor e ódio para com o verão.
No verão, vinham as preciosas férias nas quais ele sempre se iludia achando que ficaria em casa sem fazer nada, mas Momoi Satsuki sempre arquitetava algum plano para tirá-lo de seu conforto. Desde que iniciaram sua vida escolar era assim, e ele já tinha perdido a esperança de que fosse mudar – a não ser que se mudasse para muito longe dela, mas só o pensamento a respeito disso o incomodava.
E por isso, o moreno sempre se deixava levar. Mas sempre oferecia resistência, afinal, parte dele gostava do esforço que a garota fazia em incluí-lo em tudo. E como eram férias de verão, o time de basquete de Touou se hospedaria numa pousada perto da praia e treinariam ali mesmo, para melhorar ainda mais o time. Para Aomine era apenas mais uma desculpa para que pudesse ir para a praia e descansar, assim que conseguisse dar o perdido em Satsuki.
— Dai-chan, Dai-chan! – o chamou baixinho, cutucando. – Olha que lindo!
Daiki grunhiu e abriu um dos olhos para ver o que ela apontava através da janela: o litoral de Tóquio para onde estava indo. O ás bufou e cruzou os braços, tentando cochilar de novo. Satsuki simplesmente fez beicinho e virou o rosto de lado, ficando com a expressão emburrada até o fim da viagem. Assim que desceram do ônibus e se encaminharam com suas malas em direção a pousada onde ficariam, Satsuki insistiu numa rápida reunião antes do almoço.
— Primeiramente, quero agradecer a presença de todos vocês. – começou, enquanto era observada por olhos atentos. – E quero também parabenizá-los por termos vencido a Interhigh esse ano! – ergueu o braço e gritou, e a equipe a acompanhou nos gritos que chamaram a atenção dos outros hóspedes. – Eu disse que viríamos para treinar, mas a verdade é que merecemos uma folga, não é mesmo? Então, vamos aproveitá-la!
Com mais entusiasmo ainda, os membros se entreolharam e cochicharam entre si, deixando-a confusa. Então, um dos novatos – Nakamura Sakai — se aproximou dela lentamente, tentando evitar o olhar inquisidor do ás de Touou que estava ao lado dela, e do capitão Wakamatsu Kousuke que a flanqueava do outro lado.
— I-Isto é para v-você, Momoi-senpai! – entregou para ela algo que estava guardado dentro de um saquinho de presente bem delicado, de cor vermelha.
— Para mim?! – indagou, um pouco surpresa.
— Um presente dos primeiranistas e dos reservas. – completou outro novato que também se aproximou. – Por sempre cuidar de nós, do time.
Aomine estreitou ainda mais o olhar, fitando os dois novatos como se pudesse fazê-los desintegrar diante de sua presença. Satsuki, por sua vez, abriu a embalagem com cuidado e tirou de dentro dela uma canga de praia que fez um largo sorriso iluminar seu rosto.
— Que linda! – disse, esticando-a. – Por Kami-sama, eu adorei!
Os garotos aplaudiram e suspiraram aliviados, contando que estavam indecisos entre uma canga de praia e um cachecol, mas o inverno demoraria e eles queriam que o presente fosse usado o quanto antes. Daiki parecia entrar em erupção a qualquer momento.
— Vou experimentar agora mesmo! – anunciou.
— Quê? – proferiu o moreno.
Wakamatsu cuspiu o suco e os garotos arregalaram os olhos quando a gerente ergueu o vestido e o tirou, jogando-o para Daiki que estava atrás dela enquanto murmurava um “segura aí, pra mim!”. Revelou seu corpo esbelto trajado num biquíni comportado, mas as nuances e meandros de sua silhueta foram o suficiente para deixar todos com os rostos enrubescidos – até mesmo outros hóspedes que estavam ali na praça de alimentação da pousada.
O rosto de Daiki estava vermelho. De ódio.
Satsuki enrolou a canga no corpo e a amarrou na lateral do quadril, ocultando, ainda que só um pouco, as pernas torneadas.
— Obrigada, meninos! – posicionou as mãos na frente do corpo e se curvou em agradecimento, evidenciando ainda mais o decote do busto avantajado.
Mas os garotos desviaram o olhar para não encararem diretamente. Não com a ameaça de morte vinda da expressão assassina no rosto de Aomine Daiki.
— I-Imagine, senpai. Continue c-com o bom trabalho! – sussurraram, com a atenção ainda focada em Aomine.
Após presentearem a gerente do clube, os alunos se dispersaram em mesas para então almoçar e se afastaram. Ela se juntou ao ás e comeram juntos. Depois foram para a praia junto do clube, enquanto alguns se banhavam no mar, outros jogavam bola e outros brincavam de estourar a melancia de olhos vendados com um taco de beisebol.
Daiki estava agindo estranho, mas ela não importou muito. Afinal, sabia que ele não gostava de ser incluso nesses programas que envolviam outras pessoas, então, simplesmente deixou para lá. Andavam lado a lado pela praia, ele carregava um guarda-sol e uma caixa térmica com lanches e uma cadeira de praia. Satsuki agora usava óculos escuros e um chapéu floppy e trazia consigo uma bolsa transparente com alguns itens dentro: celulares – dela e de Daiki –, protetor solar, bronzeador, loção hidratante e etc.
E depois de caminharem na areia por certo tempo onde Momoi tagarelava sozinha – já era acostumada em falar as coisas e não obter respostas de Daiki –, finalmente acharam um bom local para ficarem. O moreno abriu a cadeira e a posicionou sobre a areia, Satsuki tirou a canga do corpo e a forrou, sentando-se nela enquanto passava o protetor solar em locais que suas mãos alcançavam. Daiki montou o guarda-sol e trouxe a caixa térmica para perto, deixando-a atrás da cadeira na qual ele também sentou.
Um primeiranista se aproximou deles, dizendo que ia comprar bebidas para todos e perguntando se eles queriam alguma coisa.
— Não quero. – resmungou Aomine, mal-humorado.
Satsuki o olhou de soslaio, intrigada.
— E você, Momoi-senpai?
— Eu? Hmm... – ponderou, pensando no sabor. – Traz um refrigerante de morango, por favor! E aqui, tome o dinheiro-...
— Não precisa! – recusou na hora. – É só um refrigerante, eu pago.
Satsuki contraiu os lábios.
— Mas faço questão de pagar! – exclamou.
— Vai fazer uma desfeita dessas comigo, senpai?!
A gerente olhou para o garoto e olhou para o mar, tornando a olhá-lo outra vez. Inflou as bochechas mas logo voltou para suas feições normais.
— Ok, mas só dessa vez! – exibiu um sorriso grato e o colega de equipe saiu em disparada.
Voltou sua atenção ao protetor que passava ao longo do braço.
— Esses novatos vão acabar me deixando mal acostumada desse jeito. – comentou inocentemente e deixou uma risadinha despreocupada escapar.
Daiki nem ao menos a respondeu, ao contrário, parecia ignorá-la. Mas Satsuki estava tão distraída que sequer percebeu isso. E por não perceber, continuou agindo normalmente até fazer aquele pedido.
— Passa protetor nas minhas costas, Dai-chan?
Daiki a fitou intensamente por alguns segundos.
— Por que você não pede para os novatos, uh? – respondeu, num tom debochado.
— O quê? – o encarou, incrédula. – Por que diabos eu faria isso?
Ele bufou, e rolou os olhos. – Eles estão te mimando o tempo todo, não estão? – afirmou. – Poderia dar essa alegria a eles, de tocarem o seu corpo já que você-...
— Não se atreva a terminar essa frase, Aomine Daiki. – disse, séria. – Em primeiro lugar, o corpo é meu. Eu uso o que eu quiser, e nem você nem ninguém podem fazer nada quanto a isto. E em segundo, você fica ainda mais idiota que o normal quando está com ciúmes. – sorriu ao perceber e ao provocá-lo com a sentença. – Mas se você não está a fim, posso pedir para outra pessoa. Talvez o capitão Wakamatsu, pode me ajudar. Wakamatsu-senpaaai-... começou a chamá-lo, mas foi interrompida.
— Me dá logo isso. – tomou o protetor da mão dela.
Se colocou sentado atrás dela, untando as mãos com o protetor e então deslizando as mãos pelas costas dela com uma delicadeza que não era dele, espalhando o líquido branco. O vislumbrou por cima do ombro, vendo que mesmo com a pele escura, ele estava um pouco corado e sua expressão envergonhada a fez sorrir.
— Você fica tão fofo quando está com ciúmes, Dai-chan! – o provocou mais uma vez, rindo baixinho.
— Não enche, Satsuki! — virou o rosto para o lado, embaraçado.
Então ela se virou e avançou contra ele, beijando-o na bochecha diante de todos – o que causou uma comoção entre os membros do time, alguns felizes outros nem tanto –, e se ofereceu para passar o protetor nele a contragosto do moreno que afirmava que por sua pele ser escura, não precisava daquilo. Ela, claramente, o ignorou e o besuntou de protetor solar.
No fim, passar aqueles dias na praia não foi tão ruim. Mas sua relação com o verão ainda era de amor e ódio e a causa disso era Momoi Satsuki, que sempre chamava atenção e despertava interesse – masculino – por onde passava.
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