99 Problems
6 — Hot ◆
Notas iniciais
Se tinha algo que Satsuki se perguntava acerca de seu amigo de infância, era sobre a origem de seu lado pervertido. Conhecia o jogador desde que eram crianças e desde então eram vizinhos de porta, moravam na casa ao lado ao outro. Momoi presenciou e incentivou o interesse dele por basquete, até mesmo quando ele deixava de brincar de outras coisas com ela – casinha, por exemplo – para passar mais tempo com a bola.
Ao se dar por vencida pelo esporte, deixou-se levar pelo moreno. Incontáveis vezes ambos jogaram no parquinho nos arredores do bairro onde viviam. Daiki a ensinou a arremessar e tudo o que sabia sobre basquete, e o que ele não a ensinou ela aprendeu ao pesquisar em revistas e programas esportivos, coletando mais e mais dados e compartilhando-os com o amigo.
Sempre foram uma boa dupla, isso era incontestável.
Mas Satsuki preferia ver Aomine brilhando enquanto trabalhava nos bastidores.
Ela tinha sua própria função, afinal.
O talento dela foi um verdadeiro achado para o clube de basquete de Teiko, quando ambos se inscreveram: ele, para jogar e ela, para gerenciar.
Quando foram cursar o ginasial em outra escola, aquele que viria a ser o ás de Teiko tinha interesse somente em basquete. Nada mais o chamava a atenção, aliás, não queria dividir sua atenção com qualquer outra coisa – já bastavam os deveres escolares. Sua mente era sempre preenchida pelo esporte que tanto amava.
Até ser questionado por aquele loiro idiota.
– Ehh, você e a Momocchi não são namorados?! – indagou Kise, boquiaberto.
Daiki rolou os olhos.
– Não. – proferiu num tom desinteressado.
– Mas vocês sempre estão juntos, Aominecchi! – o loiro ergueu o tom de voz e chamou a atenção de outras pessoas, recebendo um tapa na cabeça de Aomine no mesmo instante. – Quer dizer, vocês chegam juntos, vão embora juntos, participam do mesmo clube...
– Nós somos amigos de infância. – declarou. – E somos vizinhos.
Kise esboçou um “ahh” idiota ao finalmente entender a situação, e confidenciou ao amigo – se é que podia chamá-lo de amigo – que Satsuki era muito bonita e que atraía olhares por onde passava. Aomine deu de ombros, afinal, não conseguia entender o que viam “a mais” nela. O copiador se aproximou do outro e cobriu os lábios como quem fosse compartilhar um segredo, mas no caso de Ryouta, era uma fofoca mesmo.
– Fiquei sabendo que o capitão do clube de vôlei se confessou e a Momocchi o rejeitou!
Daiki quase se engasgou com a água que tomava no gargalo da garrafa térmica, e quase a cuspiu na cara de Kise.
– O que você quer dizer com isso? – perguntou, quando secou os lábios na manga da camisa.
– Se ela o rejeitou, quer dizer que ela gosta de alguém! – respondeu rápida e euforicamente.
Aomine se viu aturdido por aquelas informações. Eles eram melhores amigos, mas nunca conversavam sobre esse tipo de coisa – talvez ela tenha mencionado algo, mas como ele sempre estava com a cabeça nas nuvens ou no basquete, certamente não ouviu. Ou não se importava, achava essas conversas femininas um saco.
Nijimura viu os dois garotos sentados tranquilamente num dos cantos da quadra enquanto negligenciavam o treino para falar de futilidades, correu até eles e bateu em ambos.
– De volta ao treino, agora!
O treino transcorreu como de costume, exceto pelo fato do ás estar completamente disperso. Aomine recebeu broncas de Nijimura e de Akashi, mas deu de ombros ao fazer caretas e resmungar – nesse momento foi repreendido por Satsuki. Foram juntos para casa e ele se manteve mais calado que o normal, enquanto ela falava deliberadamente sobre o treino, o campeonato que se aproximava, sobre lojas que queria ir e principalmente sobre a fome que sentia, mal via a hora de chegar em casa e comer alguma guloseima preparada por sua mãe. Daiki era refém de seus pensamentos acerca da própria Satsuki e sobre seus predicados que aparentemente despertava muito interesse na escola.
Se despediram na porta da casa dele que era antes da sua, enquanto o moreno a avisara que iria para a casa dela mais tarde pegar as anotações dela emprestadas. Ambos seguiram seus rumos, Daiki subiu diretamente para seu quarto. Livrou-se das vestes escolares, trajando agora apenas uma camisa larga e uma bermuda – achou que poderia relaxar agora que estava em casa, mas sua mente ainda martelava sobre Satsuki e mesmo sem perceber a razão, sentia-se incomodado apenas com a hipótese dela gostar de alguém.
Ele entenderia o que era essa sensação anos mais tarde.
Decidido a livrar-se de tais pensamentos, seus passos o levaram até a sacada de seu quarto que, coincidentemente, dava para o quarto de Satsuki. Seus lábios se entreabriram para chamá-la e pedir as anotações, mas a voz dele morreu na garganta ao vê-la. Ficou embasbacado com a visão dela; Momoi trajava somente a saia de uniforme e da cintura para cima seu corpo estaria exposto se os seios não fossem ocultados e sustentados por um sutiã branco. Apesar de estar em seu quarto, Aomine conseguiu ter uma boa visão daquele par volumoso de carne que, instintivamente, o deixou a salivar.
As bochechas queimavam e o coração palpitava, bem como a perturbação na virilha – sensações completamente novas para quem acabara de entrar na puberdade. Permaneceu atônito, imóvel como se fosse uma estátua enquanto a observava e prendeu a respiração ao ver que ela levava os dedos até o fecho traseiro da peça. Parte de si o mandava sair dali, ela era sua amiga – sua melhor amiga -, quase uma irmã para ele, enquanto a outra parte mantinha o desejo imperioso de ver os seios juvenis sem intervenção da peça íntima inconveniente. Escolheu se ater ao desejo mesclado com curiosidade, enquanto observava o quanto ela havia crescido, pois quando eram menores tomaram banho juntos inúmeras vezes. Jamais poderia imaginar que os seios dela poderiam estar daquele tamanho – e eles ainda cresceriam ainda mais –, essa estimativa o deixou claramente interessado.
Mas antes de abrir o fecho, Satsuki viu-se sob a sensação de estar sendo observada. Olhou na direção de Daiki que por reflexo, se abaixou ao esconder-se do campo de visão dela. Ela manteve seu olhar fixo naquele ponto até ter certeza de que não era nada, mas fez questão de puxar as cortinas dessa vez.
– Merda, essa foi por pouco! – exclamou Daiki, sentado no chão com as costas apoiadas na pequena amurada da sacada. Colocou a mão sobre o peito, sentindo as batidas aceleradas do próprio coração e respirou fundo, tentando se acalmar.
Mas seu corpo estava muito quente, como se estivesse febril. Percebeu que Satsuki havia se tornado uma garota bonita, e muito gostosa. Agora entendia o que o loiro idiota lhe dizia com toda aquela conversa que não era de todo fiada. A beleza dela era algo que nunca passaria despercebida entre os garotos, e principalmente, por Aomine Daiki.
xXx
O som de risadas sonoras preenchia o quarto, que estava parcialmente desmontado.
– Isso é sério? – ela perguntou, e ele assentiu com a cabeça. – Por Kami-sama, Daiki. Você é um pervertido. Eromine!
Jogou uma das revistas da Horikita Mai contra o maior, que se defendeu.
– Ei, minhas revistas! – estreitou os olhos para ela que fez pouco caso.
– Você não precisa mais delas, agora que tem a mim.
Bem, aquilo era verdade. Mas queria as revistas mesmo assim, talvez pudesse vendê-las para algum colecionador; sabia que tinha louco para tudo nesse mundo.
– Mas ainda não acredito que você me espiava daqui. – ela sussurrou com um sorriso que insinuava a malícia, olhando para seu antigo quarto do ângulo do quarto dele.
– Foi apenas aquela vez. – mentiu, ele a espiou outras vezes mais e nunca admitiria as coisas que fazia ao admirá-la.
Ela o olhou desconfiada, mas preferiu acreditar nele. Tinha que acreditar, principalmente agora que estavam saindo da casa dos pais para cursar a faculdade – ela, claro – e ele entraria na Academia de Polícia.
A origem de seu fetiche desenfreado por seios grandes era Satsuki, no fim das contas.
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