99 Problems
7 — Friend ◆
Notas iniciais
“Amigo.”
Essa palavra ecoava na mente de Momoi Satsuki. Fazia muito tempo que Aomine Daiki era seu amigo, se conheciam desde a infância. Eles eram amigos a vida inteira. Mas quando foi que eles deixaram de ser simplesmente amigos? Talvez tenha sido quando Satsuki foi se declarar a Kuroko Tetsuya e ele a rejeitou. Junto da rejeição veio uma frase enigmática.
“Seu coração pertence a outro.”
Levou dois anos para ela finalmente entender o que as palavras de Kuroko significavam. Mesmo depois da rejeição, os sentimentos de Satsuki estavam fortemente ligados ao Jogador Fantasma e por isso seu amigo se absteve. Optou por esperar pelo momento certo. Demorou, mas o fantasma de Tetsuya sumiu entre os dois e ele tomou sua decisão.
“Vou me confessar.”
Havia uma grande diferença entre decidir alguma coisa do que fazê-la, de fato. Exigiu tempo, exigiu esforço. Exigiu boa parte dos neurônios de Daiki, que pesava numa balança imaginária se valia a pena ou não declarar seus sentimentos. Tinha muita coisa em risco. A amizade deles estava em risco, e essa era a única coisa que ele não queria perder. Não podia perder. Como ele conseguiria seguir em frente se a amizade deles fosse abalada de tal forma? Dependia mais de Satsuki do que gostaria, tinha que admitir.
Mas a amizade deles era mais forte do que isso.
Era um erro duvidar daquele laço que os ligava há tantos anos.
Ele só precisava saber o que ela pensava.
Pensou em pedir ajuda a terceiros, mas ele teria que fazer isso sozinho. A confrontaria, com certeza. Aquele era o dia que antecedia a formatura. Agora era o momento de decidir se seus caminhos seguiriam juntos ou se iriam se separar de uma vez.
“Você ainda gosta dele? Do Tetsu.”
A resposta foi uma risada. Ele não entendeu, mas ao vê-la corada julgou que ela ainda gostasse do garoto inexpressivo. Isso o deu um nó em sua garganta. Mas ele não voltaria atrás. Amanhã era o grande dia, e ela ainda não tinha lhe dito o que faria após a formatura. Sempre que perguntava, ela dizia que era uma surpresa. Achava ridículo Satsuki tentar ocultar coisas dele depois de tantos anos, ele sabia claramente quando ela estava mentindo. Vice-versa.
“Eu gosto de você.”
Depois da cerimônia de formatura, eles se encontraram no telhado. Naquele local onde Aomine sempre se escondia quando queria cabular os treinos, aquele que era uma espécie de local sagrado até ser profanado por Satsuki quando descobriu seu esconderijo. Apesar de chamá-la ali, ele não sabia como dizer. As palavras que antes o sufocavam saíram dos lábios dela.
“Estou apaixonada por você, Dai-chan.”
A voz dela era tudo o que ele precisava ouvir. Eclipsou todo o medo, toda dúvida, toda incerteza. Acendeu o fogo que o consumia de dentro para fora. A reciprocidade era o que faltava para que os dois pudessem ser felizes. Era inútil falar, se uma ação dizia mais que palavras. Arrebatou-a num beijo terno, singelo. Assim como o sentimento que nutriam pelo outro.
“Mas ele não era apenas um amigo de infância?”
Amigos que se tornaram amantes. Ou amantes que eram amigos desde sempre? Bem, isso depende apenas do ponto de vista.
“Não, ele sempre foi o amor da minha vida.”
Fale com o autor