99 Problems
9 — Cheat ◆
Notas iniciais
De todas as ideias que Momoi Satsuki costumava ter diariamente, com certeza aquela era a mais absurda de todas. Aomine Daiki relutava com todas as suas forças, e ela continuava lhe pedindo para fazer parte daquela loucura. Depois ouvi-la praticamente implorar para que ele participasse, decidiu ceder e fazer a vontade dela.
Satsuki deu saltos de alegria, enquanto ele permanecia com a carranca costumeira.
Aparentemente, a gerente de Touou era dotada de vários talentos e eles não se resumiam ao basquete. Momoi tinha um blog de maquiagem, onde dava dicas de beleza e pelo visto, tinha muitas seguidoras. Como uma forma de agradecer pelos vários likes que recebidos em seu blog, ela decidiu que postaria um vídeo com o namorado.
Com certeza, a pior ideia que aquela cabecinha rosada poderia ter em toda sua vida.
Antes da gravação, vinha uma série de preparações. Daiki repousava na cama dela, girando a bola de basquete no dedo indicador enquanto Satsuki cuidava de cada detalhe para que tudo saísse perfeito. Ajeitou o suporte para a câmera, e deixou vários pincéis e toda sorte de primers, bases, delineadores, sombras, lápis de olhos e boca, batons, rimeis, máscaras e etc – uma variedade de produtos para que o moreno abusasse da criatividade.
Sim, a participação de Daiki envolvia maquiagem.
E a vítima seria Satsuki.
– Dai-chan! – o chamou.
– Huh, Satsuki. – a respondeu com um grunhido sonolento.
Estava claramente entediado.
– Vem, vamos começar a gravar! – disse, animadamente.
O ás de Touou rolou os olhos, mas deixou a bola de lado e ergueu-se, andando até a escrivaninha onde ficava o computador da namorada, sentando-se na cadeira ao lado dela.
– Você precisa mesmo gravar? – questionou, com o tom de voz arrastado e preguiçoso de sempre.
– Claro que sim, eu prometi para minhas seguidoras! – respondeu euforicamente.
– Oe, não me meta no meio de suas promessas idiotas, Satsuki. – disse, fazendo cara de tédio.
Aomine deixou um ganido de dor quando foi golpeado pela gerente de Touou, e uns xingamentos também saíram de seus lábios, enquanto ambos discutiam até que ela suspirou profundamente.
– Se você não quer fazer, tudo bem... – sussurrou num timbre melancólico e abaixou a cabeça, desviando o olhar.
“Satsuki, sua desgraçada! Isso é golpe baixo.”
Foi a vez dele suspirar, vê-la de tal forma sempre o deixava vulnerável e suscetível a fazer as vontades dela. Era uma vantagem que Momoi sabia usufruir bem ao seu favor.
– Tudo bem. – proferiu, relaxando os ombros. – Vamos fazer isso de uma vez.
As feições tristonhas de Satsuki se dissiparam em milésimos de segundo, dando a certeza para Aomine que ela agia de tal forma apenas para manipulá-lo, mas bem, aquilo não importava quando via aquele sorriso radiante vindo dos lábios dela.
Mas ele iria se vingar. Ah, como iria.
– Obrigada, Dai-chan! – lançou-se nos braços alheios apenas para roubar-lhe um selinho que foi retribuído de bom grado pelo ala-pivô.
O moreno esboçou um sorriso de canto, se tivesse mais recompensas como aquele selinho, talvez valesse a pena, afinal. Nos minutos que se passaram, Momoi deu algumas instruções sobre como se portar na frente da câmera e também alguns exercícios vocais para manter a qualidade da voz durante a gravação do vídeo. Apesar de conhecê-la desde a infância, Aomine sabia muito pouco sobre a gama de talentos que ela tinha e isso o incomodou durante alguns segundos até a voz dela trazê-lo à realidade como quem o despertava do sono.
– Está pronto, Dai-chan? – indagou, apreensiva e ansiosa.
O moreno assentiu com a cabeça que sim.
Satsuki levou a mão até a câmera, pressionando o botão para que começasse a gravar.
– Olá, eu sou Momoi Satsuki do blog The Pinkprint e hoje estou com o meu namorado, Aomine Daiki. Ele é jogador de basquete, e ás de Touou, no clube que eu gerencio na escola. – disse, com a entonação animada e de forma fluída, o que surpreendeu o moreno. – Diga oi para as pessoas que estão vendo o vídeo, Dai-chan.
– Yo. – disse, ao acenar displicentemente para a câmera.
– Esse é um vídeo especial, como eu disse no blog. Se eu alcançasse a meta dos inscritos e curtidas, chamaria meu namorado para fazer o meu make-up e como promessa é dívida, cá estamos.
Ele se mantinha calado enquanto ela agradecia pelas visualizações e likes, parecia estar realmente emocionada e Daiki se deu conta do quão importante aquilo era para ela. Então se convenceu a ajudá-la.
Mas a situação tinha tudo para dar errado.
E daria.
– Vamos começar, Dai-chan. – disse, com o tom de voz meigo e entusiasmado. – A primeira coisa a se fazer ao passar a maquiagem, é lavar o rosto. – proferiu alternando seus olhares entre a câmera e o namorado. – Lavei o meu antes de gravar o vídeo, então meus poros estão limpos.
Aomine não sabia o que dizer, por isso ficava em silêncio. Apenas faria o que ela lhe comandasse, embora fosse difícil lidar com a ideia de Satsuki lhe dando ordens, mas queria agradá-la, e talvez fosse bem recompensado mais tarde.
– Agora começa a aplicação do primer.
– Do quê?! – o moreno perguntou, confuso.
– Frasco com a tampa preta. – Momoi apontou.
O ás de Touou pegou o frasco e abriu a tampa, revelando um líquido incolor.
– Como se passa isso? – as feições do maior franziram.
– Essa é uma ótima pergunta, Dai-chan! – exclamou alternando seu olhar entre ele e a câmera novamente. – Muitas leitoras têm a mesma dúvida que você e a aplicação do primer é super simples, porque ele age como uma pré-maquiagem, e também como fixador.
Daiki não entendia nada do que a namorada dizia, mas ela falava com seriedade e como quem realmente entendia do assunto. Se limitou a ficar calado, esperando pela instrução dela.
– Você pode aplicá-lo com o pincel ou com os dedos mesmo, mas com cuidado e uniformemente.
– Certo. – afirmou, despejando um pouco do produto nos dedos indicador e médio, pronto para aplicar nela.
Satsuki estava de frente para a câmera com o cabelo amarrado num rabo de cavalo para que os fios não atrapalhassem na hora de passar a maquiagem e perto dela não tinha nenhum espelho. Apenas instruía Daiki, que foi maquiando-a enquanto ela conversava com ele e dava dicas no suposto vídeo. Após longos minutos de trabalho árduo, finalmente tinha acabado.
– Pronto. – murmurou, aparentemente cansado.
Aquilo era simplesmente cansativo e durante o processo, o moreno se perguntava a razão das mulheres se cobrirem tanto de maquiagem daquela forma. Achava aquilo tudo exagerado demais, e apreciava muito mais a pele alheia limpa e ao natural. Mas naquele momento isso sequer importava, pois ele mal conseguia se conter.
– Pega o espelho, Dai-chan! – apontou para cima da mesa onde estava o restante dos produtos utilizados ou não. – Agora vou ver o resultado da maquiagem feita pelo meu namorado.
Aomine esticou o braço até o espelho e o levou até as mãos dela, mordiscando o próprio lábio inferior numa tentativa vã de suprimir as risadas que estavam para escapar de sua boca. Quando a gerente ergueu o espelho à altura de seu rosto, quase não acreditou no que viu. A maquiagem que o namorado lhe fez era a coisa mais bizarra que já tinha visto em sua vida. A melhor definição era que estava parecendo uma palhaça, estava tudo borrado e feio. Ridículo. Jamais imaginava que Daiki poderia traí-la daquela forma.
Sentado ao seu lado, o moreno irrompia em gargalhadas mesmo tentando contê-las ao colocar a mão na frente da boca. Tinha “caprichado” na maquiagem, e se divertiu bastante enquanto fazia apenas para se vingar dela. Talvez assim ela não o envolvesse em situações do tipo sem consultá-lo antes. Mas Satsuki estava furiosa, uma veia saltada em sua testa evidenciava sua raiva, principalmente em ouvi-lo gargalhar daquele jeito.
– Seu ganguro estúpido! – berrou, jogando a primeira coisa que alcançou na direção dele que esquivou.
– Você tá parecendo uma palhaça, Satsuki. Aonde vai ser o show de horrores? – proferiu em meio a risadas sonoras, saindo do quarto e descendo as escadas ao correr dela.
– Eu vou te matar! – o ameaçou, correndo atrás dele.
Satsuki sequer se lembrava mais que o vídeo estava gravando, ela apenas rendeu-se a vontade de espancar o ás de Touou quando o alcançasse, mas ao descer a escada com pressa, acabou tropeçando nos próprios pés e teria caído degraus abaixo se ele não a tivesse segurando antes.
– Seu idiota, me larga! – gritou, contorcendo-se nos braços alheios que a envolviam.
– Você não precisa passar essas coisas na cara. – sussurrou, colando-a na parede. – Você fica mais bonita sem maquiagem, Satsuki.
Antes que ela pudesse protestar sobre a tal traição, arrebatou-a num beijo que acalmou os ânimos dela por instantes. Poucos instantes, porque ela começou a bater nele assim que o beijo cessou.
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