99 Problems
13 — Borrow ◆
Notas iniciais
Faziam alguns meses que Daiki estava morando sozinho. Após morar com o moreno durante tanto tempo, Kagami Taiga viu que era hora de ir embora; a pedido de sua mãe e também graças a uma proposta recebida para jogar num time de basquete, o New York Knicks. Com a partida do ruivo para os Estados Unidos, aos poucos ele foi se acostumando com as tarefas domésticas – que sempre ficavam ao cargo do outro.
Claro que ele não fazia tudo por si só, contava com a ajuda de Momoi Satsuki que fazia a maior parte do serviço; claro que não a deixava se aproximar do fogão para cozinhar o que quer que fosse, mas a auxiliava nos demais afazeres. Era uma nova realidade para Daiki e agora, bem, eles tinham muito mais privacidade – não precisavam se preocupar com os horários de Taiga e restringir suas vontades.
Sempre que o moreno passava os finais de semana no treinamento da academia de polícia, Satsuki pegava a chave do pequeno apartamento emprestada, para dar um jeito na bagunça que ele fazia. Apesar de ser regido pelo signo de Virgem, Daiki era extremamente desorganizado e muitas vezes ela se perguntava como ele conseguia se encontrar dentro daquela zona – e essa não era relacionada ao que ele fazia ao focar sua mente completamente no basquete, antigamente.
Naquela noite de domingo, faziam poucas horas que ele tinha voltado do treinamento. Após jantarem juntos – algo que ele tinha trazido de alguma loja de conveninência, claro –, estavam sentados no sofá, supostamente assistindo um filme. O ambiente era iluminado somente pela luz que vinha da televisão, mas os dois sequer prestavam atenção no que ela transmitia; seus corpos estavam entrelaçados, bocas encaixadas perfeitamente enquanto trocavam beijos vorazes e cheios de saudade.
O vestido de Satsuki fora erguido e Daiki alisava as coxas dela sem pudor algum, ela por sua vez o arranhava na nuca e trazia o corpo dele ainda mais para junto do seu, suspirando em meio ao beijo. O sofá mal cabia os dois, mas isso não era um empecilho. Nada era um empecilho, até o beijo ser cessado lentamente e ao desvencilhar-se dos lábios dela, Aomine voltar o rosto para o decoder e se dar conta do horário. Saiu de cima de Momoi num salto, interrompendo tudo o que fazia e pior, encerrando o que estavam prestes a fazer. Ela o encarou em confusão e com as feições que tentavam disfarçar resquícios de raiva e descontentamento.
– Eu vou te levar para casa. – anunciou, enquanto se dirigiu até a porta, ligando o interruptor.
– ... Tudo bem. – o respondeu, sem dizer mais nenhuma palavra.
Satsuki se ergueu do sofá, e ajeitou o tecido do vestido em seu corpo. Pegou a bolsa que estava pendurada por um gancho na parede e seguiu até Aomine, que já estava com a porta do apartamento aberta. Passou por ele e seguiu caminhando, sem esperá-lo, até a porta do elevador. Daiki trancou a casa e girou a maçaneta para certificar se estava mesmo fechado e então foi até a rosada.
Quando entraram no elevador, um silêncio aterrador se instalou entre eles. O moreno conseguia ver no rosto da namorada o quanto ela estava inconformada com a situação, mas ele – como sempre – não faria nada para mudar isso, afinal, ele tinha prometido para o pai dela que a levaria para casa. Momoi provavelmente argumentaria dizendo que se ligasse para seus pais e avisasse que iria passar a noite ali, eles não se preocupariam. Mas Aomine sabia ser responsável quando tinha que ser e nessas horas ele a irritava profundamente. Não trocaram sequer uma palavra enquanto estavam dentro do elevador, e ambos estavam em extremidades opostas. Satsuki permanecia com seus braços cruzados até a porta se abrir no primeiro andar; ela foi a primeira a sair, agora era ela que queria ir embora o mais rápido o possível. Daiki saiu em seguida, mas a puxou pelo braço para dentro do elevador.
– Por Kami, o que foi isso agora? – questionou, mau-humorada. – O que você esqueceu dessa vez?
Aomine manteve suas feições impassiveis ao apertar o botão correspondente ao andar que morava, sem respondê-la. O silêncio era o bastante para para deixá-la ainda mais nervosa, e tudo o que ela fez foi respirar fundo e tentar manter a calma. Assim que ele pegasse sabe-se lá o quê que havia esquecido, ela poderia ir para casa e descontar suas frustrações em alguns bichinhos de pelúcia – arremessando-os contra a parede ao fingir que eram Daiki.
Não demoraram muito tempo no elevador, e quando chegaram ao andar, Daiki foi o primeiro a sair, deixando-a para trás. Andou alguns metros no corredor e então parou em frente à porta do seu apartamento. Segundos após, Satsuki o alcançou.
– Pronto. – disse o moreno, olhando-a de cima ao virar-se para ela. – Te trouxe até a sua casa.
Satsuki o fitou sem entender, até que Aomine tirou a chave do bolso e a ergueu na altura do rosto dela. Um sorriso iluminou a face que minutos antes estava completamente emburrada.
– S-Sério?! – o indagou, completamente sem jeito diante de tal surpresa.
– Agora você não precisa mais pegar a minha chave emprestada. E você pode mudar quando quiser. – disse, com um pequeno sorriso de canto ao perceber que a tinha enganado direitinho.
– Obrigada, Dai-chan!
Sem ao menos dar um tempo para que o moreno raciocinasse, Momoi se jogou nos braços alheios e desferiu beijos ao longo do rosto do namorado por onde alcançava. Aomine forjou uma carranca, mas se rendeu aos toques suaves dos lábios dela em sua pele.
– Satsuki. Não faça eu me arrepender disso. – proferiu, e sentiu a fúria dela em um soco em seu ombro. – Oe!
Não tinha como ficar bravo com aquela mulher. Seu sorriso era radiante demais para que ele continuasse com sua postura sisuda. Ao invés disso, um sorriso luxurioso tomou conta dos lábios do moreno.
– Que tal inaugurarmos a sua casa, huh? – sugeriu para Satsuki, que retribuiu o sorrisinho sacana.
– É uma excelente ideia, Daiki... – ergueu-se na ponta dos pés para sussurrar no ouvido do outro.
Aquilo era tudo o que Aomine queria ouvir. E sem pensar duas vezes, a deixou abrir a porta e a fechou com o calcanhar depois que passaram por ela, agora começava a verdadeira comemoração.
Fale com o autor