Notas iniciais
Olá, queridinhos da tia Candy! q
Eu sinto informá-los, mas as minhas atividades na faculdade começaram a tomar boa parte do meu tempo, então provavelmente só vou postar de duas em duas semanas.. ;-;
~
Eu gostaria de agradecer à todos que comentam 50tonsU! Eu sempre fico muito feliz e animada para continuar a história! Espero que continuem assim! sz
~
Essa semana eu descobri que a protagonista da novela global das nove foi pra uma clínica psiquiátrica! XD
Fiquei aliviada por ter mostrado a Rin internada antes disso, acho que as pessoas iriam interpretar como se eu tivesse me baseado em Amor a Vida, mas a verdade é que eu não gosto muito da novela. e.e'
Enfim.. Não sei porque mencionei isso! XDD
~
Boa leitura, lindinhos!

Capítulo 11 – Verdade.

Sakura acordou cedo àquela manhã, e ao lado de Inoichi e Ino Yamanaka, guiou os pais até o aeroporto.

A despedida, como era de se esperar, foi dolorosa. Os Haruno sempre foram ligados; ainda que discutissem, brigassem e que Sakura se envergonhasse de algumas insinuações (principalmente as que a mãe vinha lhe fazendo ultimamente, desde o encontro com Sasuke), como qualquer família normal, eles sentiriam muita falta, os pais da filha, e a filha dos pais.

Depois da despedida curta, o pai de Ino dirigiu com velocidade desnecessária de volta para casa; ele explicou às moças, durante o caminho, que havia voltado da viagem mais cedo, pois um trabalho importante surgira. – A propósito, o rapaz de ontem... Sasuke Uchiha, certo? – Foi Ino quem assentiu; Sak encolheu-se no banco, desconfortada, pois estava tentando, com muito esforço, não pensar no Uchiha. – Foi o irmão dele quem me contatou, disse que precisava de um bom psicólogo... É estranho, já que dificilmente sou convocado para fins jurídicos.

– Ele não te explicou o caso? – Sak questionou, e o senhor deu os ombros.

– Se Itachi diz que é um assunto delicado, não se deve duvidar disso. – Ele sorriu enquanto olhava para a estrada. – É um rapaz muito sério... Então nem mesmo tentei ouvir por telefone. De qualquer forma, vou deixá-las em casa, pego uns documentos e vou até o endereço que me deram.

– Vai ficar conosco até a reforma da casa acabar, papai? – A loirinha questionou com um tom de voz animado.

Mesmo que fosse uma maluquinha, Ino realmente gostava do pai, e apreciava muito sua companhia. – Se não me empurrarem para um hotel... – O senhor Yamanaka respondeu com um sorriso moderado, e assim ficou decidido.

Eles passaram o resto da viagem falando sobre coisas banais: Ino falava sobre seus casos, seus namoricos relâmpagos, trabalho e faculdade. Sakura ria das caretas do senhor de cabelos loiros, e também contou um pouco sobre a “aventura” que vinha fazendo no jornal. – Você sempre gostou muito de ler... Sempre foi muito inteligente, e uma seguidora fiel da minha filha. Então sempre pensei que fosse seguir o jornalismo. – Sakura sentiu-se desconfortável. Não pela ideia de se tornar jornalista – pois na verdade ela gostava muito do trabalho que exercia no Diário de Konoha -, mas por lembrar-se de que, em uma época distante – na verdade não tão distante assim – havia sido como uma sombra da amiga.

– Mas a Sakura sempre foi bem mais inteligente que eu, pai. – A loira pareceu ter percebido o constrangimento da melhor amiga. – Eu sempre soube que ela seria algo mais. Vai ser uma grande médica, você vai ver. – O psicólogo riu.

– Eu não duvido. – Afirmou. – Espero que cuide dos velhos como eu e seu pai... Logo vamos precisar de consultas, mais do que nunca! Então pense na sua infância com carinho e nos dê descontos. – A rosada sorriu timidamente. – Quando começa a trabalhar em hospitais?

– Oh, ano que vem! Estou no quarto ano, então já vou começar a residência. – As sobrancelhas do homem se ergueram, surpresas.

– Quarto ano, hum... Bom, eu sei que você vai se dar bem, de qualquer forma. Mas quero que saiba que desejo toda a sorte do mundo, menina. – A Haruno sorriu agradecida. – Já chegamos. – Ele estacionou; ajudou Sakura a entrar em casa cautelosamente, pegou a papelada necessária e após despedir-se das garotas, foi-se com seu carro.

~

O som do radio era baixo, e a música calma... A estrada estava vazia graças à semana de feriado, e o tempo começava a mudar.

Fins de ano são sempre gélidos. Hinata tivera muita sorte por não estar nevando no dia do seu aniversário, pois isso possibilitou o uso da piscina, e com o ar condicionado nível resort que os Hyuuga tinham em casa, todos puderam se divertir. Bem, pelo menos os convidados conseguiram se divertir.

Naruto havia tomado parte da tarde de Sasuke, no hospital. Ele teve os joelhos enfaixados, e as escoriações no rosto foram desinfetadas. Levara cinco pontos na mão cortada, e uma bela bronca dos médicos, por ter sido tão descuidado.

Naquele exato momento, o loiro tinha os olhos perdidos nas imagens rápidas que passavam por sua janela. Certamente pensava nas palavras do velho melhor amigo, e em como, de fato, ele estava certo.

Os pensamentos de Sasuke também estavam fixos às suas palavras.

Irmã, não é? Que grande mentiroso ele era.

Sua reflexão foi interrompida pelo tocar do celular; ele ergueu o aparelho discretamente e leu uma mensagem do irmão, que dizia que ele e o tio fariam uma reunião importante em sua casa. Era um aviso, não um pedido, mas o rapaz não se importou (pelo menos não agora). – Sasuke. – Naruto murmurou em voz baixa e calma, aproveitando-se do fato de que o som do celular havia quebrado o gelo. O moreno não precisou responder para que ele prosseguisse. – Você falou muito bem hoje. – Mais uma vez não teve resposta. – Falou com muita propriedade. – Não conseguiam olhar um para o outro, mas o motorista suspirou.

– É por isso que nos dávamos melhor quando éramos crianças, Naruto: você era simplesmente idiota, e nem minimamente observador. – Ofereceu-lhe um sorriso fraco, mas o Uzumaki não lhe correspondeu à provocação.

– Por quem? – Ele questionou com a voz baixa. Sasuke hesitou um pouco, e o loiro temeu a resposta.

– Até os treze anos de idade nós não tínhamos contato com ninguém fora das nossas famílias, então é claro que foi por Hinata. – Os olhos negros estavam atentos à estrada.

–... Você nunca me contou... – O empresário deu os ombros.

– De que adiantaria? Desde o começo, eu sempre soube que não era um sentimento recíproco, então eu simplesmente guardei para mim. – Disse.

– Sempre falou como se ela fosse sua irmã... – Mais um suspiro, desta vez, mais profundo e longo.

– Agora é. – Garantiu. – Faz alguns anos que não penso nela como mulher, e estou feliz por isso.

–... Quanto tempo, exatamente? – A hesitação na voz de Naruto era quase palpável, e Sasuke sabia exatamente o porquê disso. Ele franziu o cenho, ainda concentrado na tarefa de motorista.

– Eu ainda estava apaixonado quando vocês fizeram amor. – Preferiu ser direto. – Foi horrível. Só Deus sabe como eu não te matei... Acho que o fato de ela sofrer tanto, e ainda assim se mostrar forte, fez com que eu me sentisse fraco. – O loiro não respondeu. – Eu sempre soube que ela morria de amores por você, Naruto. – Sorriu e olhou-o de canto. – Então sabia que cedo ou tarde aconteceria. Por isso, eu nunca te odiei, nem pensei em me afastar. – Havia tanta sinceridade em suas palavras que o outro não pôde sequer cogitar criar dúvidas. Sasuke voltou a prestar atenção na estrada. – Mas você, como sempre, estragou tudo. – O Uzumaki sentiu-se horrível ao lembrar-se das mesmas palavras vindas da boca de Hinata, e apertou os punhos.

– Exatamente. – Disse com a voz esganiçada. – Eu sempre estrago tudo! O que poderia fazer caso não desse certo o nosso envolvimento? Preferiria morrer antes da Hina se afastar! – Ah, todo aquele papinho de covarde começava a irritar Sasuke, mas ele preferiu não dizer nada. – Eu sou um idiota, Sasuke! Você sabe disso. Estrago tudo o que toco! Não quero fazer o mesmo com ela... – A sobrancelha escura se arqueou.

– Naruto, Hinata não é algo que você toca. Ela é uma linda garota, perdidamente apaixonada por um completo idiota, insensível e covarde. Você quer mesmo saber o que eu acho? Acho que ela estaria muito mais feliz com outra pessoa. E eu não estou falando de mim. – Adicionou rapidamente. – Eu torço para que ela fique com um bom rapaz, que goste realmente dela. Eu mesmo disse-lhe isso, disse que ela precisava seguir em frente, mesmo que você insistisse continuar o seu caminho.

–... Fez bem. – O Uzumaki disse-lhe depois de um minuto de silêncio. – De fato, ela merece alguém muito melhor do que eu ou você... – Os orbes azuis tornaram a fitar a janela. – Então vamos deixar assim... Ela escolheu o cara, então não deve ser tão ruim. – O Uchiha concordou hesitante. – Claro que interferimos se ele se mostrar um idiota, mas... Vamos deixá-la. – O rosto de Naruto estava vermelho enquanto pronunciava a frase, e Sasuke quis rir disso.

Ele deu um sorriso de canto e balançou a cabeça como se estivesse em duvida; acelerou o carro assim que as placas permitiram. – Itachi está no meu apartamento, então vamos para sua casa. – Naruto concordou, e eles passaram o resto da viagem em silêncio.

Sasuke perguntou-se por quanto tempo Naruto poderia engolir o que ele havia engolido durante toda sua adolescência. E duvidou que fosse muito.

~

Não demorou até que o senhor Yamanaka enfim pudesse alcançar o prédio em que a reunião havia sido marcada.

Ele se apresentou na recepção e foi instruído a usar o elevador até o apartamento do senhor Sasuke Uchiha. O médico obedeceu, e em poucos instantes estava na presença dos dois homens mais elegantes que ele já havia visto na vida.

Tanto Itachi quanto Obito trajavam vestes sociais. – Senhor Yamanaka. – Itachi lhe cumprimentou com um aperto de mão e um sorriso gentil. – É bom vê-lo novamente. – Inoichi retribuiu tanto o sorriso quanto o aperto, firmemente. – Este é meu tio. – Apontou para o outro homem. – Obito Uchiha, irmão de meu pai. – Obito acenou; ele estava visivelmente ansioso por aquela conversa. – Vamos, entre. – O Uchiha mais jovem lhe deu espaço, e o psicólogo o obedeceu.

Itachi guiou-os até a mesa, na sala de jantar de Sasuke, e convidou-os a sentar-se. Ofereceu um café, que foi prontamente recusado, e após todos acomodados em seus devidos lugares, ele retirou uma pequena papelada de uma pasta de trabalho e entregou ao pai de Ino.

Inoichi deu uma rápida olhada nos documentos. – Bem... – Ele levou seu olhar à Obito. – Eu acredito que pode me explicar melhor que os papéis, senhor Uchiha. – Obito concordou. – Por favor, não me esconda nada. – Adicionou, mas era desnecessário. Ele sabia que, como psicólogo, o Yamanaka precisava de todas as informações possíveis sobre Rin, então jamais cogitou qualquer tipo de discrição.

– É uma história longa. – Avisou cabisbaixo, mas o doutor não fez menção de interrompê-lo, então ele começou a ditar história de sua vida:

– Eu e Rin nos formamos no mesmo colégio, e sempre estávamos juntos. Éramos apaixonados, e namoradinhos há dois anos... Nossas famílias não se importavam, a minha porque acreditavam ser uma brincadeira de adolescentes, a dela porque... – Ele franziu o cenho. – Bem, os Nohara são bastante pobres, então você já deve imaginar o motivo. – O loiro concordou com um acenar. – Quando meus pais perceberam que meus sentimentos eram sérios, e que eu pretendia levar o relacionamento a diante, eles interferiram. Foram até os Nohara, disseram que me deserdariam e... – Ele suspirou longamente. – Que ninguém receberia um tostão da fortuna Uchiha. – Itachi olhou para a mesa; ele já tinha ouvido aquela mesma história, quando o tio decidiu lhe contratar, mas ainda assim não conseguia acreditar na desconcertante atitude dos avós. Obito sorriu desgraçadamente com a memória. – Foi incrível... Após terem certeza de que eu me tornaria um pé rapado, se meus pais me renegassem, os Nohara tornaram-se contra o nosso relacionamento... Mesmo assim, nós não tínhamos intenção de nos separar. Quando a Rin completou a maioridade, fugimos e nos casamos com a ajuda de alguns amigos. Depois disso eu tive uma grande oportunidade... – Ele estreitou os olhos ao se lembrar. – Nosso padrinho de casamento ia fazer intercâmbio de um ano na América, e ofereceu-me a proposta de acompanhá-lo. Nós montaríamos uma empresa que seria patrocinada por seu pai. Eu e a Rin conversamos muito, e no fim decidimos que seria mais inteligente da minha parte aceitar. – Ele suspirou longamente. – Então eu e meu amigo fomos. – O pai de Ino revezava sua atenção entre os olhos negros de Obito e as anotações que fazia em sua caderneta, sempre ouvindo cuidadosamente cada palavra do senhor, que não parecia se importar. – Nós trocávamos cartas, e falávamos por telefone, mas um dia ela parou de atender, parou de escrever... Faziam apenas sete meses desde que eu havia deixado o país, mas àquela altura já tínhamos começado nosso negócio, e estávamos faturando. Esperei até ter condições financeiras e voltei... Mas minha esposa havia sumido. Eu a procurei em todos os lugares possíveis; fui até a casa de nossos amigos, à polícia, hospitais... Eu sabia que ela não voltaria para casa, mesmo assim resolvi ir até os pais dela. – Ele apertou os punhos. – Eles me disseram que ela estava doente. – Disse entre dentes. – Que havia sido sequestrada, e que o bebê tinha morrido... Eu nunca soube de nenhum bebê, para começo de conversa! – Agora ele estava furioso. – Eles disseram que ela havia enlouquecido, e por isso tinha sido internada, mas quando eu quis que me levassem até lá, eles negaram...

– Não foi até a polícia? – Obito assentiu, e revirou os olhos.

– Meus pais estavam envolvidos, provavelmente, então não adiantou muito. No fim das contas... – Ele suspirou. – Eu fiquei um tempo investigando, em vão. Sabia que não encontraria nada, então deixei um investigador aqui e voltei para o exterior para me focar nos meus negócios... – “Afinal, dinheiro só se combate com dinheiro”, ele adicionou mentalmente.

– Mas existe a possibilidade de que sua esposa tenha mesmo enlouquecido, não? Perder um bebê nunca é fácil, eu tenho várias pacientes que passam por isso. – Obito anuiu lentamente, lembrava-se da crise da esposa no hospital.

– Ainda assim... – Ele refletiu. – Acredito que se minha esposa estivesse passando por um momento difícil, ela teria me procurado antes dos pais. Até porque sabia que os negócios iam bem, e não teria problema em voltar para a cidade. – O psicólogo concordou, fechou a caderneta e suspirou.

– Eu gostaria de saber o que espera do meu trabalho realmente, senhor Uchiha. – Olhou para Itachi, e o advogado puxou mais alguns papeis.

– Aparentemente a esposa de meu tio vem sido mantida dopada. Sempre que a visita, ela está em um estado deplorável. É impossível encontrá-la sóbria, então precisamos da opinião de um profissional para tirá-la de lá. – Inoichi coçou o queixo, pensativo.

– Há quanto tempo ela está internada? – Obito baixou a cabeça.

– Os pais a põe e a tiram periodicamente. Acredito que para complicar o meu trabalho... Ela está nessa situação há vinte anos. – Pela cara do doutor, aquilo não parecia bom. – O que foi?

– Dependendo dos medicamentos, o dano à mente dela pode ter sido permanente... – Ele balançou a cabeça, lamentando-se. – Eu gostaria que me arranjasse uma lista de todas as clínicas pelas quais ela passou. – Itachi concordou. – Será que podemos vê-la hoje? Porque, francamente... Quanto mais rápido eu checá-la, mais certo vou estar de sua situação. – Não foi preciso repetir, pois Obito levantou-se imediatamente, ansioso.

– Então vamos agora!

~

Sakura sempre foi responsável em tudo o que fazia, mas por algum motivo que ela fingia desconhecer, não conseguia se concentrar no trabalho que já devia estar feito desde o dia anterior.

Isso era estranho, já que ela estava sozinha em casa. Geralmente ela prezava a casa silenciosa, especialmente porque tinha paz para fazer os deveres acadêmicos, ou trabalho, mas o maldito calhorda não lhe saía da cabeça.

Depois de escrever o nome de Sasuke no documento que redigia para um relatório da Poder da Juventude pela quinta vez, ela desistiu. Mais tarde mandaria um pedido educado de desculpas à Ayane, a secretária da academia, dando alguma desculpa minimamente convincente, mas não se sentia disposta naquele momento.

Ela levantou-se da escrivaninha com dificuldade, já que graças à brincadeira estúpida dos bêbados, no dia anterior, seu pé doía como um inferno; seguiu até sua cama e lá se deitou. Queria poder dormir, mas sabia que não conseguiria, pelo menos não enquanto as palavras do senhor Uchiha rondavam sua mente.

O que diabos aquele homem queria com ela, afinal? Sexo casual? Não, isso ela nunca poderia dar. Para Sakura, era impossível sequer conceber a ideia de algo assim, ainda que Sasuke fosse um homem extremamente desejoso.

Com o rosto enrubescido, ela encolheu-se na cama. Não tinha se guardado por vinte anos para ficar com o primeiro ricaço louco que aparecesse!

Sim. Sasuke Uchiha só podia ser um grande louco! Como, ela se perguntava. Como aquele maluco pôde levá-la a um lugar tão indecente quanto aquele quarto? Como podia falar aquelas coisas com tanta naturalidade, ainda que eles não passassem de desconhecidos?! E ele lhe tinha feito tantas maldades... Até mesmo colocá-la contra Ino, ele tentou.

Sakura suspirou. – É uma pessoa horrível. – Disse a si mesma. – Um louco! Pervertido! Insensível! – E apertou o travesseiro, fechando os olhos com a expressão agoniada. – E ainda assim... – “Eu quero vê-lo”, ela pensou, irritada consigo mesma. Revirou o corpo na cama e encarou o teto branco. – O que será que está fazendo?

~

Sasuke e Naruto não tinham nem terminado de entrar na casa, quando Kushina desceu às escadas com os olhos em chamas.

A senhora Uzumaki ficou furiosa ao ver o estado do filho, e como uma boa mãe preocupada, não poupou escândalo. – Naruto Uzumaki! – Ela berrou furiosa, dava passos firmes até os dois. – Onde é que você se meteu até essa hora?! – Sasuke quis rir, mas sabia que se fizesse, também levaria uma bronca. – A Hinata-chan me ligou, estava tão preocupada...! – Ela suspirou longamente. – Disse que você tinha saído dos Hyuuga machucado! – A menção à Hinata silenciou Naruto definitivamente.

– Eu o levei até um hospital, tia. – Sasuke tentou tranquilizá-la com um sorriso calmo. – Não se preocupe, ele está bem. – Pela careta da senhora Uzumaki, ela não pareceu acreditar muito.

– Vocês dois estão com os rostos arrebentados. O que aconteceu? – Ela cruzou os braços, esperando uma explicação decente. Naruto suspirou irritadiço; levantou-se.

– Me deixa em paz, mãe. – Ele murmurou. Kushina lhe respondeu com um tabefe na nuca. – Mãe! – O loiro gritou, envergonhado com a presença do amigo, que abafou uma risada.

– Ligue para Hinata agora! – A senhora Uzumaki ordenou. – Ela estava preocupada, menino ingrato! Assim como sua mãe. Depois pode fazer o que quiser. – O rosto do mais novo avermelhou-se, e ele apertou os punhos.

– Pois quando a Hinata ligar de novo, diga para que ela se preocupe com o maldito cantorzinho, e que me deixe em paz! – Exclamou antes de ir até seu quarto.

Kushina lançou um olhar surpreso à Sasuke, e o moreno coçou a nuca, suspirou e deu os ombros. – Bem, o seu filho é um idiota. – Ele falou como se fosse a verdade do século. – Parece que a Hinata arrumou um namorado, e ele fica bancando o ciumento. – Os olhos da mulher arregalaram-se.

– Hinata arrumou um namorado?! – Ela estava surpresa e tristonha. Empalideceu imediatamente, e baixou a cabeça. – Não posso acreditar... Ela é tão apaixonada por meu Naruto... – Lamentou-se. Sasuke deu os ombros.

– Bem, como eu disse, o seu filho é um idiota. – A mulher suspirou longamente, e desabou no sofá escuro, chateada.

– Eu podia jurar que aqueles dois acabariam se casando. – Confessou com a voz triste. – Desde que aquilo aconteceu... – Sasuke não respondeu. – Minha governanta deve estar se revirando no túmulo. – Ela balançou a cabeça freneticamente. – Sabe, aquela senhora sempre se culpou pelo que aconteceu entre eles... – Ela fez uma careta. – Particularmente, achei bem normal. – O Uchiha sentou-se ao lado dela, sorria divertido.

– Você é uma mulher moderna, tia. – Disse zombeteiro, e a senhora Uzumaki revirou os olhos.

– Não foi isso que quis dizer. A situação foi errada, mas eu sempre acreditei que eles dois estivessem apaixonados. – O moreno anuiu.

– E são. – Pontuou com uma careta. – Mas seu filho é um covarde. – Ele se ajeitou no sofá. – Não importa o quanto eu diga para ele que tome uma decisão, é um covarde. Fica dizendo “eu não quero afastá-la”, “eu não quero afastá-la”, mas a verdade é que só vai piorar a situação se continuar fugindo desse jeito. – Kushina concordou.

– Quanto tempo acha que ele aguenta olhar calado? – Ela questionou depois de algum tempo de silêncio. Sasuke riu.

– Dois meses. – A ruiva fez uma careta.

– Quatro. – Sugeriu, olhando animada para o Uchiha. Ele deu os ombros.

– Tudo isso?! Sabe que o Naruto é impulsivo. – Ela assentiu.

– Assim como a mãe. Mas eu confio no meu filho. – Ele gargalhou.

– Valendo um jantar? – Ela concordou, e deram as mãos em um aperto cordial.

~

Hinata suspirou profundamente; olhava fixamente para a janela do carro, perdida em suas preocupações.

Sinceramente, Kiba sabia perfeitamente em quê, e em quem ela estava pensando naquele momento, mas não parecia disposto a demonstrar isso.

Eles haviam passado o dia juntos, no shopping; fizeram algumas compras, patinaram no gelo e cantaram em um karaokê. – Você canta muito bem, Hina. – Ele comentou quando se incomodou com o silêncio. Hinata o olhou de canto, e o rapaz lhe sorriu. – A vocalista do Time Oito saiu, você sabe. Ela ficou grávida, foi constituir família... Eu meio que quebro o galho, mas minha voz não é muito boa. O que acha de tentar? – Ele parecia animado com a ideia, mas só de imaginar subir em um palco, o rosto da Hyuuga avermelhou-se.

– O- O quê?! – Ela gaguejou nervosa. – Eu?! Cantando em publico?! – Kiba riu.

– Você se saiu muito bem ontem. – Ele argumentou com um sorriso provocativo, e ela enrubesceu ainda mais. – Vamos, não precisa ser em publico. Se quiser, pode só ensaiar com a gente. Se achar legal... – Ela estreitou as sobrancelhas. – Ora, vamos! – Ele insistiu. – Agora você é minha namorada, uma hora ou outra ia ter que vir. Vai ser divertido, você vai ver. – Pela expressão da moça, não parecia acreditar muito nisso.

– Eu vou pensar. – Prometeu com incerteza. – Mas não garanto nada. – Ele concordou; roubou-lhe um beijo e voltou a concentrar-se na estrada.

Hinata corou, envergonhada, e quando o silêncio retornou, voltou a fitar as janelas, dando-se o luxo de imaginar como o amado deveria estar àquela hora.

Certamente, estava furioso.

~

Inoichi estava chocado.

Sentado em frente à mesa do doutor Kabuto, seu colega de profissão, ele estava francamente chocado ao ler a ficha da paciente. – Que tipo de tratamento é esse?! Você usa esse tipo de medicamento em uma mulher depressiva?! – O Yamanaka questionou com a voz alterada, frustrado pelas prescrições radicais.

– Depressiva? Quem disse que ela é depressiva? A senhorita Nohara é esquizofrênica, doutor. É paranoica, e tem delírios. Acredita que a filha tenha sido sequestrada, mas na verdade morreu no parto. – O loiro respirou fundo antes de responder.

– Meu senhor. – Ele se recusava a tratar aquele homem por “doutor”. – É claro que ela deve parecer paranoica, e é óbvio que tem delírios. Esses remédios são fortes demais! Além disso, a paciente passou parte da vida presa em clínicas! As doses deveriam ter diminuído, e não aumentado! – Kabuto geralmente não gostava de restrições ou desconfianças sobre seu trabalho, então se incomodou.

– Nós estamos fazendo o nosso melhor, doutor. Ela tem surtos psicóticos diários, é violenta com os enfermeiros e chora o tempo todo, quando não está gritando, dizendo que precisa sair daqui para buscar a filha. – O Yamanaka precisou contar até dez para se acalmar.

– Eu agradeceria muito se me mostrasse o histórico da moça. – Disse com a voz calma. A verdade é que não, Kabuto não estava nenhum pouco disposto a fazer aquilo, mas visto que Itachi estava plantado do lado da porta, esperando apenas uma brecha para abrir qualquer processo que fosse contra o Yakushi, o jovem doutor não teve escolha.

Levantou-se a contragosto e foi até a gaveta de arquivos; entregou a pasta da senhorita Nohara com uma expressão fechada, antes de voltar a se sentar.

O pai de Ino se apressou em abrir a pasta e folhear a papelada; ficou realmente surpreso com tudo aquilo: eles tinham feito um tratamento realmente radical!

A esposa do senhor Uchiha já havia tomado todos os tipos de calmantes existentes; também havia tomado muitas medicações fortes, direto na veia e até tratamentos de eletrochoque havia sido submetida! – Mas que droga é essa...?! – O loiro não pôde conter a ira na voz. – Ela era uma garota de dezenove anos! Que tipo de médico colocaria uma garota de dezenove anos para levar choques?! – Itachi também se surpreendeu, e deu graças aos céus pelo fato de o tio não estar na sala àquele momento. Se estivesse, era bem provável que o doutor Yakushi perdesse um olho, ou quebrasse o nariz. – Leve-me até a paciente agora! – O loiro ordenou, levantando-se.

O outro fechou a expressão, mas concordou.

Ele foi à frente, mostrando o caminho. Itachi e Inoichi o seguiam a alguns passos de distância. – Tão ruim assim? – O advogado questionou com a voz baixa, e o psicólogo anuiu.

– Muito ruim. – Murmurou, e olhou-o de canto, sério. – Os medicamentos são muito fortes, e prescritos para três vezes ao dia... Parecem querer pôr um animal para dormir! Temos que tirá-la daqui. – Itachi concordou discretamente.

– Ela está ali. – Kabuto apontou para um banco no jardim.

Inoichi se apressou em aproximar-se da moça, que estava sentada, olhando para o horizonte, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Obito estava ao seu lado, segurava sua mão e tentava, a todo o custo, trazê-la de volta à realidade.

Itachi aproximou-se vagarosamente, pois não queria atrapalhar, nem o tio, nem o médico, que mesmo inconsciente, analisava-a.

Ele surpreendeu-se a enxergar o rosto da tia: ela era muito bonita, mas estava abatida; tinha a pele pálida, olheiras profundas e olhos castanhos apagados. Os cabelos estavam bagunçados, mas Obito carinhosamente os ajeitava; vez ou outra o tio depositava um beijo no rosto, na testa, e nos lábios da esposa, mas ela estava dopada, então era natural não corresponder.

Itachi sentiu-se estranhamente incomodado com a aparência daquela mulher, pois de alguma forma, ela lembrava-lhe alguém.

Rin fechou os olhos, deitou a cabeça em um dos ombros do marido e ficou ali por alguns instantes. Inoichi levantou-se repentinamente. – Uma ambulância! – Ele exclamou olhando na direção de Itachi. – Ela está tendo uma overdose! – Kabuto apressou-se em se aproximar.

– Não é necessário. – Ele disse com a voz moderada; mexeu no bipe e analisou sua paciente. – Com a senhorita Nohara, é normal acontecer. – O loiro parecia chocado.

– Normal?! – Ele exclamou alto. – Itachi, a ambulância! – Agora ele estava ordenando; Itachi se apressou em obedecê-lo. Obito estava ocupado demais, desesperado, tentando acordar a esposa inutilmente. – Você é louco, Yakushi! Como pode ser normal uma overdose em uma paciente?! Com ou sem a ajuda desses dois, eu vou fechar essa espelunca custe o que custar!

– Vamos no meu carro! – Obito realmente não estava nem um pouco interessado no futuro da clínica naquele momento; ele levantou-se, pálido, com a esposa molenga e desacordada, e correu para o estacionamento, sendo seguido por seus companheiros.

Ninguém os parou, nem mesmo os seguranças. Pois a verdade é que todos já haviam entendido a situação bem o suficiente para saber que tudo aquilo estava errado, todos haviam notado que ela não era realmente doente, mas estava sendo mantida assim.

E ainda que fossem omissos, os funcionários da clínica não eram cruéis. – Boa sorte. – Um dos seguranças murmurou enquanto abria a porta, dando espaço à saída dos três desesperados.

Obito entrou no banco de trás com o corpo da esposa, jogou a chave para Itachi e continuou as incessantes tentativas para acordá-la. – Rin! Rin! Rin!! – E continuou a chamá-la, desesperadamente, inutilmente.


Notas finais
Enfim! :3
O capítulo focou bastante a Rin e o Obito. Acho que foi bom para os curiosos, que queriam saber que diabos estava acontecendo com esses dois!, mas uma tragédia para os desesperados por SasuSaku! XD
Particularmente, eu gostaria muito de ter feito eles se encontrarem, mas acho que a Sakura precisa de um tempo pra pensar no que quer. u.u
~
O que acharam do Inoichi? Ele é incrível, não? Itachi também! sz
~
Muitas coisas estão para acontecer, e acho que estamos próximos da segunda fase da história! o
Vocês devem ficar chocados com a mudança na vida dos personagens principais (é isso o que eu estou esperando, pelo menos. XD), então estou ansiosa para escrever!
Graças à minha facul deve demorar... ;-; Mas vou me esforçar! Ò-óv
~
Obrigada por me acompanharem, gente! Vocês são todos incríveis! sz