Notas iniciais
Olá, queridinhos! :D
Como vão vocês? Sentiram falta? sz
Para ser sincera, esse capítulo ficou pronto na semana passada. Eeentretanto... Decidi não postá-lo por causa das provas e trabalhos. Fim de bimestre é sempre uma loucura! Especialmente no fim do ano! e.e
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Obrigada, Lor! Pela quarta recomendação! sz
E obrigada à todos que comentaram! :D
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Eu gostei muitíssimo desse capítulo, mas acredito que alguns vão se revoltar. q
Bem, espero que eu esteja errada. :3
Boa leitura, docinhos da Candy! sz

Capítulo 12 – Desgosto.

O apito da máquina era um alívio para o coração de Obito. Mais calmo, ele sentou-se ao lado da esposa, puxou a mão pequena gentilmente e, ao fitar o rosto pálido, lamentou-se por vê-la naquele estado.

Segundo a médica que a salvara, a overdose havia sido causada por calmantes em excesso e uma desintoxicação havia sido feita às pressas; ela deveria ficar internada por duas semanas, no mínimo, mas que logo despertaria.

Haviam passado quatro horas desde que a Nohara havia sido tratada, e Obito agradeceu aos céus quando a viu abrir os olhos.

Ela estava cansada, confusa, mas parecia sã. – Obito... – Ainda que fosse sufocada pelos aparelhos, ela se esforçou para murmurar seu nome. O Uchiha sorriu gentilmente; beijou-lhe a testa e alisou os cabelos castanhos.

– Você me deu um susto, sabia?

– Obito... – Ela apertou a mão que ele segurava. – Onde está ela...? Você a encontrou, não é? – Ele hesitou.

– Rin... – Murmurou cuidadoso; temia que ela surtasse novamente. – Se você realmente teve um filho... Se nós realmente tivemos um bebê... – Ele cerrou os olhos, angustiado. – Ele não está vivo. – Disse em voz baixa, mas a moça negou. Apertou a manga de sua camisa, sem forças, e o apitar da máquina começou a soar mais rápido.

– Ela está viva! – Exclamou com a voz fraca. – Eles tiraram-na de mim... – Os orbes castanhos esvaziaram-se. – Tiraram nossa menininha... – Murmurou baixo, tristonha. – Eles me levaram quando souberam que eu teria o nosso bebê, eles a tiraram de mim, e depois me enfiaram naquele lugar, como se eu fosse uma louca...! – Obito apertou os punhos. – Eu não sou louca, Obito...! – Ela exclamou temerosa. – Por favor, acredite em mim... – Implorou, o coração palpitava.

O Uchiha tornou a sorrir; beijou a cabeleira castanha na tentativa de acalmá-la. Por sorte, pareceu dar certo. – É claro que eu acredito em você, querida... Mas não vamos falar disso agora, certo? Você está fraca... Só vai ficar nervosa. – Ela balançou a cabeça, negando; estava trêmula.

– Ela não pode esperar...! Ela está sozinha... – Obito temeu; temeu que os danos feitos pelas medicações fossem permanentes, e que por isso ela estivesse delirando daquela maneira. -... Você não acredita em mim... – Sua voz era um fio. Rin apertou os punhos e controlou as lágrimas. – Não... Você tem que acreditar... Ela está viva, eu juro... – Ela estava tão cansada. – Não me trate como louca... – Obito tentou sorrir.

– Se ela estiver mesmo viva, eu vou encontrá-la. – Garantiu. – Agora durma.

~

Quando Sasuke saiu do elevador, o corredor do prédio estava silencioso, e com pouca iluminação. Era noite, ele havia passado todo o tempo na casa dos Uzumaki, conversando com os pais do melhor amigo; havia mandado uma mensagem de texto à Hinata, informando a situação de Naruto, mas ela não chegou a lhe responder, então o moreno imaginou que talvez ela estivesse com o tal namorado.

Hinata Hyuuga, com um namorado que não era Naruto.

Sasuke franziu as sobrancelhas, porque só imaginar aquilo era estranho.

Assim que adentrou em seu apartamento, tirou os sapatos. Não se importou em ligar a luz, pois conhecia aquele lugar com a palma da mão.

Imaginou que o tio já estivesse dormindo, então jogou as chaves do carro no sofá, mas antes de seguir para a cozinha, surpreendeu-se com o “ai!”, dito pelo irmão.

Ele acendeu as luzes e se surpreendeu com a imagem de Itachi deitado no sofá, acabado. – Irmão?! – Ele não pôde evitar a exclamação, e o mais velho, com um sorriso sem jeito, se sentou.

– Lembre-me de nunca mais dormir na sua sala. – Ele passou a mão no rosto, no lugar aonde Sasuke havia acertado-lhe com a chave; estava um pouco vermelho.

– Desculpe... O que faz aqui? – O mais jovem sentou-se ao seu lado, realmente curioso. Embora eles tivessem uma ótima relação, não era como se Itachi viesse visitá-lo muito. – Kasumi te expulsou? – Sugeriu com um sorriso maldoso, mas o outro não pareceu achar graça.

Itachi suspirou longamente; aconchegou as costas no encosto do sofá e fitou o teto. – Você sabe a história do tio Obito?

– Sei que ele deu o fora da Uchiha por desentendimentos com o avô, foi para o exterior e fez sucesso. – O empresário deu os ombros. – Aliás, eu estava mesmo querendo falar com você... É o advogado dele, não? Sabe alguma coisa sobre as finanças da empresa? Eu estava mesmo pensando em investir em tecnologia, talvez...

– Eu trabalho para ele, Sasuke. Não para a empresa! – A rispidez do irmão surpreendeu-o; ele arqueou uma das sobrancelhas e fitou-o, esperando até que o advogado murmurasse “desculpe”, assim como ele esperava.

– Aconteceu alguma coisa? – Questionou cauteloso, e mais uma vez, Itachi suspirou.

– O tio Obito foi deserdado... Por que se apaixonou por uma moça pobre.

– Isso não me surpreende. – Sasuke exibiu um meio sorriso. – Vindo daquele velho nojento, nada me surpreende. – Ele se levantou, e seguiu até o bar. Tinha a intuição de que o irmão precisaria daquilo para chegar aonde queria, então encheu duas taças com vinho tinto e, após entregar ao mais velho, tornou a se sentar.

Itachi bebericou antes de continuar. – Eu fiz algumas pesquisas sobre a senhorita Nohara... Ela era bem inteligente. – Ele franziu o cenho. – Representante da turma no colégio, quinta colocada no exame nacional da época... Conseguiria uma bolsa facilmente, mas nenhuma faculdade entrou em contato.

– Vovó?

– Vovó. – Itachi afirmou convicto. – Pelo que o tio disse, os velhotes foram até a casa dos pais dela, dizendo que o deserdaria... Mas não deu muito certo, já que eles fugiram e se casaram mesmo assim. – Sasuke não disse nada. – Lembra-se do Kakashi, certo? Amigo de infância dos nossos pais. – O rapaz concordou. – Ele é sócio do Obito... Parece foi quem o ajudou a ir para o exterior. O tio mandava dinheiro para a esposa sempre, então não acho que ela passava dificuldades... Ela vivia de maneira simples, e não precisava trabalhar. Estava grávida, mas... – Ele estreitou as sobrancelhas. – Por algum motivo, não contou ao marido. – Bebeu mais um pouco.

– Talvez ela quisesse contar pessoalmente? – O mais jovem sugeriu. Itachi concordou.

– Talvez. – E o silêncio se fez por alguns minutos. – Na mesma época em que Obito deixou de receber notícias, os pais dela denunciaram seu desaparecimento. – A voz dele estava gélida, e seus olhos tensos, quando fitou o irmão. – Diga-me, Sasuke... Por que uma mulher pobre, grávida, que vivia de maneira simples e mal saía de casa seria sequestrada? – Não foi preciso se esforçar muito para entender o que afligia o mais velho; Sasuke bateu o ombro no braço de seu irmão.

– Ninguém vai fazer nada com a Kasumi, Itachi. – Ele sorriu confiante. – O velho se aposentou, e o pai não é nenhum perseguidor. – Pela expressão do mais velho, ele não parecia acreditar muito nisso. – Vamos lá, Itachi! Eu também estou surpreso com tudo isso, mas não acho que eles chegariam a tanto. Você já deixou bem claro que não tem interesses pela empresa, mesmo antes de conhecê-la. – Tentava ao máximo aliviar a expressão de enterro do irmão. – Além disso, eu duvido que algum dia ela aceite, sabe? Ser a sua esposa. – Zombou, na tentativa de descontraí-lo, mas não pareceu dar certo, já que o mais velho suspirou.

Itachi puxou o paletó que descansava em um dos braços do sofá e tirou do bolso uma caixa preta, aveludada e pequena. – Eu espero que esteja errado. – Disse antes de abri-la e exibir um delicado anel de prata; era trabalhado em pedras negras e com um pequeno, belo e solitário ônix. Sasuke estava chocado demais para dizer qualquer coisa. – Pode parecer besteira, e eu não quero me separar dela... – O mais velho fechou a caixinha. – Mas, se eu não puder ficar ao lado da Kasumi, protegendo-a, prefiro que ela se afaste. Pelo menos longe eu posso protegê-la da minha própria família. – Era uma verdade universal que, desde que se conheciam, Itachi era louco por aquela jornalista intrometida, mas eles tinham “um caso” há tanto tempo, que imaginá-los casados era demais para o pobre irmão Casanova.

Mesmo assim, Sasuke ergueu o copo. – Se é o que você quer irmão, boa sorte. – Desejou sinceramente, ainda com os olhos espantados; Itachi sorriu-lhe.

– É bom desejar, porque eu vou mesmo precisar. – E brindou.

~

Sakura bocejou longamente; se ajeitou na cadeira, em sua pequena mesa no jornal e ligou o computador. Era de manhã, mas ela sentia uma extrema necessidade de trabalhar, então implorou à amiga, ainda em casa, para que a levasse à matriz do Diário de Konoha.

Ficar em casa parecia se tornar um martírio cada vez maior. Ela sequer conseguia concentrar-se nos trabalhos da faculdade! Tudo, tudo o que fazia trazia Sasuke de volta a sua mente, e aquilo começava a ser insuportável. – Sakura! – Tenten gritou à sua frente, emburrada, e a rosada enrubesceu. – Francamente! Se você quer ficar dormindo, fique em casa!

– Desculpe. – A rosada ajeitou os cabelos timidamente. A mais velha deu um suspiro longo.

– Por favor, não durma hoje. – Ela implorou. – Nem devia ter vindo...! – Murmurou, mais para si do que para a outra, e a Haruno não pôde deixar de questionar:

– Tenten, algum problema? – Ela teve o cuidado de ser cautelosa; a morena bufou, cruzou os braços e revirou os olhos.

– Sim! – Exclamou com revolta. – Um grande problema! A senhorita Aihara está vindo aqui hoje, e todos pareceram tirar o dia para dormir nas mesas! – Ela bagunçou os cabelos com desespero. – Eu sei que estão voltando de um feriado, mas é muito importante que todos estejam dispostos! – Sak sorriu, divertida. A supervisora de Tenten, a senhorita Aihara, era uma referência no quesito “líder”; ainda que fizesse parte da diretoria do jornal, sempre dava um jeito de escapulir e se juntar a “plebe”; ela era genial: dava ideias sobre matérias, sobre correções, sugestões sobre imagens e até mesmo conselhos pessoais! Um ser adorável, mas extremamente exigente. Portanto, era completamente compreensível notar a tensão crescente na senhorita Mitsashi. – Não ria! – A morena exclamou com um beicinho. – Não é você quem vai sofrer, mais tarde.

– Não se preocupe tanto, Tenten. – Sak sugeriu. – Tudo está pronto para o lançamento, não é? Ino contou que conseguiram terminar em tempo Record. – A mais velha concordou.

– Odeio bancar a fofoqueira, mas o bafão da festa da menina Hyuuga não podia ser desperdiçado. – A Haruno se surpreendeu, pois não a Yamanaka não havia lhe dito que a manchete seria à custa de Hinata. Lamentou-se pela moça, e por não poder fazer nada para livrá-la. – Ei, ei! Não faça essa cara, não é como se fôssemos detoná-la para o mundo. – A Mitsashi cruzou os braços, seu olhar era divertido. – Só vamos falar do novo romance com o atual vocalista da Time Oito. Eles foram fotografados juntos. – Sak pareceu aliviada. – Bem, já que veio trabalhar, faça alguma coisa. – Tenten correu até sua mesa, puxou uma papelada e entregou à funcionária. – Para o seu prazer. – Ela exibiu fotos de Sasuke ferido. – Eu vou deixá-la com isso. Sinta-se a vontade para especular. – E deixou-a sós.

A Haruno quis chorar. Como ela podia ser tão azarada?!

Gemeu revoltada, e empurrou a papelada para o canto da mesa.

Abriu o navegador na esperança de algo interessante e a mesma foto que havia sido entregue por Tenten apareceu em um site de notícias. “Milionário brigão?!” era o que intitulava o link, que a Haruno não pôde resistir. – “Fontes confiáveis afirmam que o senhor Sasuke Uchiha, CEO da Uchiha Company, atualmente um dos solteiros mais cobiçados no mercado de paqueras pareceu achar alguém para se dedicar” – Ela leu com a voz tensa. – “Aparentemente, durante o aniversário de sua prima, Hinata Hyuuga, o milionário se irritou quando certa moça de cabelos róseos fora assediada por intrusos, e acabou partindo para a briga...” – Havia uma exclamação ao fim da frase, mas ela não tinha ânimo para pronunciá-la. – “Poderia ser a mesma acompanhante do jantar de abertura do hospital”...! – Ela não conseguiu concluir a questão lida; escondeu o rosto e fez sons revoltosos. Por que isso tinha que acontecer?! Perguntava-se.

Depois de alguns minutos remoendo sua desgraça – e sorte, pois não havia sequer uma foto sua – acabou deixando-se admirar a imagem de seu belo cavalheiro, que na verdade não passava de um cafajeste, na foto daquele site. Incrível como mesmo arrebentado ele podia ser bonito!

Ela suspirou longamente. “Eu vou te dar um tempo...”, era o que ele havia prometido. Sak mal conseguia parar de pensar naquelas palavras. Nas palavras, e no beijo que o pai de Ino havia interrompido.

Suspirou longamente.

Não queria pensar naquilo, e também não queria escrever sobre si mesma – pois ela sabia que Tenten desejava uma especulação baseada nas que já haviam sido feitas, já que romance e barraco sempre dá ibope.

Definitivamente, ela deveria ter ficado em casa.

~

Sasuke estava acordado desde as cinco da manhã, sentado em seu escritório, em frente ao computador particular.

Uma xícara de café fumegante em um lado da mesa, e do outro, alguns dos livros de contabilidade que ele passaria algum tempo analisando.

Ele sabia o que estava procurando, e também sabia que não seria fácil encontrar. Afinal, Madara era sempre cauteloso.

Mesmo assim, ele queria ajudar. Ajudar ao tio, ajudar ao irmão, ainda que mais tarde tivesse problemas – e ele certamente teria. Depois de contar que planejava pedir Kasumi em casamento, Itachi lhe contara sobre a internação da esposa do tio. Sasuke nunca antes havia se sentido tão desgostoso de sua família.

Os irmãos sabiam que tinha dedo do avô metido nas internações, no sequestro de Rin e, talvez, até mesmo no sumiço da filha do casal. E eles sabiam que a empresa sustentava tudo isso.

Ele não se importava se ficasse ali o dia inteiro; tinha essa linha de pensamento quando os olhos negros faiscaram ao enxergar uma doação muito generosa para ser caridosa a um hospital psiquiátrico.

Ele puxou a papelada de Itachi e notou que se tratava de um dos que a senhorita Nohara havia sido internada.

Depois disso, foi fácil.

Naquela mesma conta, ele averiguou todas as doações feitas; elas aconteciam anualmente, sempre para hospitais diferentes; algumas até mesmo duas vezes ao ano, e descobriu, ao fuçar em um dos livros antigos, que coincidentemente havia começado no mesmo ano da primeira internação da senhorita Nohara. – Te peguei, velho... – Ele bebericou o café com prazer, ainda que não estivesse mais quente. Estava satisfeito consigo mesmo, festejando internamente quando outra movimentação, naquela mesma conta, naquele mesmo ano lhe chamou a atenção: era uma doação feita a um orfanato. Tinha dois meses de diferença à internação de Rin.

Imediatamente, ele destacou a movimentação: anotou o nome do orfanato e, com uma pesquisa rápida, havia descoberto que aquela havia sido a única doação feita pela empresa, e aquilo o chocou.

Ele afastou a cadeira da mesa, os olhos negros surpresos.

Era bem verdade que a companhia Uchiha não era lá muito caridosa – eles não eram os Hyuuga, afinal de contas. Dificilmente entravam em movimentos sociais que não fossem de integração, como cursos de especialização, sempre coisas que mais tarde lhes favoreceria, então orfanatos e clínicas psiquiátricas definitivamente não faziam parte da lista de “boa ação”.

Recuperado do choque, ele tornou a se aproximar da mesa; puxou o telefone e discou o número do irmão rapidamente. Itachi atendeu após dois toques. – Irmão... – Ele disse com a voz hesitante. – Acho que você deveria ir até um orfanato.

~

Era hora do almoço, mas Itachi não se importou, pois sabia que ela estaria ali.

Ele ajeitou o terno, olhou para o ramalhete de tulipas coloridas – as favoritas da amada – e suspirou. Olhou para a porta onde o letreiro “Aihara” se destacava e assim que tomou coragem, abriu-a.

Kasumi estava sentada em sua mesa, usando os óculos que ela nunca punha em publico, escrevendo algo com uma expressão séria. Assim que ouviu o barulho da porta, ela ergueu a cabeça, curiosa, e um sorriso doce estampou seu rosto ao ver o namorado.

Ela se ajeitou na cadeira; relaxou os ombros e o pescoço, tirou os óculos e se levantou com um sorriso desconfiado. – Tulipas? – Os olhos castanhos escuros pareciam os de uma águia à espreita. – Não é o meu aniversário. – O Uchiha deu os ombros, aproximou-se e esticou o ramalhete à amada, que os pegou sem quebrar o contato visual com os orbes negros.

Itachi revirou os olhos, divertido com a desconfiança da amada; puxou-a pela cintura e roubou-lhe um beijo de tirar o fôlego, que foi prontamente retribuído.

Foi ela quem se afastou. – Acalme-se! – Pediu aos risos, afastando-se para colocar as flores em um vaso. – Você não dormiu no seu apartamento ontem, onde estava? – Ele a abraçou por trás enquanto ela ajeitava o presente.

– Com ciúmes? – Ele sabia que ela negaria então não se importou; beijou-lhe a ponta da orelha, apaixonado. – Eu estava com meu irmão. – Tranquilizou-a. – Acabei dormindo lá. – Kasumi assentiu; virou o corpo, ainda entre os braços dele, e alisou o rosto do advogado; franziu o cenho ao notar a barba mal feita.

– Sasuke não tem barbeador? – Ela questionou, e o amado deu-lhe os ombros.

– Dias longos. – Ela assentiu, compreendendo.

– O meu também está sendo. – E suspirou longamente, antes de voltar a alisar o namorado não oficial. – E mesmo com dias longos, vem me ver... Vamos, diga: qual é o problema? – Ele hesitou; para evitar que ela percebesse a hesitação, puxou-a pelas coxas e sentou-a sobre a mesa, em cima dos papeis. – Itachi! – Ela exclamou com censura e ele respirou fundo.

Era agora ou nunca!

Beijou os lábios da amada amorosamente, enquanto puxava a caixinha negra do bolso; ela não reparou, já que estava com os olhos fechados enquanto retribuía ao carinho. Quando ele se afastou – rápido demais, na opinião da moça – tocou a testa na dela. Fechou os olhos e respirou fundo. – Itachi...? – Ela começava a ficar preocupada.

– Casa comigo? – Ele perguntou repentinamente, chocando-a. Quando viu que ela não responderia, exibiu o anel de noivado, e repetiu a proposta: — Casa comigo? – A moça sentiu-se sem chão.

Tristonha, depois de longos segundos silenciosos, ela empurrou o corpo do Uchiha e levantou-se. – Itachi... – Começou, mas ele a interrompeu com um beijo. Embora tentasse resistir, não pôde. Quando o rapaz se afastou, as testas voltaram a se tocar.

– Kasumi... – Ele falou com cautela. – Eu te amo. – Disse-lhe, olhando fixamente nos orbes castanhos. – Mais do que tudo. – Ela sorriu desgraçadamente; queria chorar como nunca, mas sorriu.

– Não faça isso... – Sua voz era implorativa. – Vamos ficar do jeito que está... – E beijou-o carinhosamente. – Eu gosto de você, e você gosta de mim... Mas cada um vive sua vida. – Ela apertou os punhos, pois temia a resposta dele, que se afastou.

– Kasumi... Eu só vou perguntar mais uma vez. – Ele estava sério, e isso a desolou. – Você casa comigo?

~

Dentro do carro, Sakura bocejou longamente. Estava exausta.

Se trabalhar com Tenten já era difícil – pois ela era muito ativa – trabalhar com Kasumi conseguia ser muito pior!

A senhorita Aihara estava mais agitada do que nunca, e cheia de risos e sorrisos, obrigou todos a trabalharem como escravos!

Ela questionou todas as fontes indicadas para a edição semanal, apontou uma série de falhas, tanto nas edições, quanto nas imagens desnecessárias e a entregou à Sak uma pilha de fichas sobre assuntos que “ela deveria se esforçar para escrever, já que logo deixaria o jornal”. Ela mostrou-se verdadeiramente preocupada com a fratura no pé da Haruno, e afirmou que “sentiria muita falta de seus textos”.

Claro que a universitária, no início, sentiu-se lisonjeada. Mas agora, no carro, com a cabeça racional e o ego baixo, perguntou-se se todos aqueles elogios não eram feitos exatamente para fazê-la trabalhar mais.

Ela deu os ombros, aquilo não importava mais. Esfolheou o portfólio que havia organizado com os pedidos da chefa e quis se jogar do carro em movimento quando viu mais uma notícia sobre Sasuke.

Ok, na realidade não era sobre Sasuke, propriamente dito, mas uma especulação sobre os novos projetos da Uchiha Company, já que um manda chuva da tecnologia, tio do cafajeste em questão, estava no país.

Bem, de qualquer forma ela teria que escrever sobre ele, e apenas isso era lamentável, dado sua decisão de definitivamente não pensar na possibilidade de fazer sexo casual! – Você pode compartilhar os seus pensamentos com sua melhor amiga? – Ino sugeriu com um sorriso divertido; estava observando às caras e bocas de Sakura há vinte minutos contados!

Como Sak enrubesceu, ela pôde apostar que se tratava do mais novo interesse romântico da amiga. – Vamos! O que a perturba? Eu não acho que ele vá te estuprar, então fique tranquila. – O rosto da Haruno enrubesceu terrivelmente.

– Eu realmente odeio essas suas piadinhas... – Ela suspirou, lamentando-se. – E eu não estava pensando nele. – A sobrancelha da loira se arqueou.

– Sakura, eu te conheço desde sempre. Não há nenhuma expressão sua que eu não consiga decifrar. – Esclareceu a moça. – Eu só estou preocupada... Por que você não é de ficar quebrando a cabeça com rapazes. – Foi sincera. – Então, por favor, faça-me um favor e se abra com sua melhor amiga. – A rosada franziu a testa.

– A- Ainda que seja sobre ele... – Ela gaguejou. – Não acredito que você esteja interessada, nem que queira me ajudar. – Confessou em um murmúrio tímido, e a loira gargalhou.

– Sak! – Exclamou. – Eu pensei que já tivesse deixado claro que não me importo se vocês dois começaram a transar como animais selvagens! – Sakura não respondeu à provocação, e Ino teve certeza de que aquele era o ponto alto de seus pensamentos.

–... Eu não quero isso. – A Haruno confessou, franzindo a testa. – Não quero sexo selvagem com um desconhecido... – Ela suspirou. – Mas parece que ele pensa nisso. – Revirou os orbes verdes.

– Onde será que o romantismo foi parar? – Sak preferiu ignorar a ironia na voz da loira, que com um sorriso gentil, deu uma palmada no ombro da amiga. – Vamos, Sak! Você não é assim. – A inconsequente deixou de prestar atenção na estrada para fitar a amiga. – Você é a Sakura, lembra? A dona da verdade. É sempre sincera com seus sentimentos, não? – A rosada não respondeu. – Você gosta dele, essa é a verdade. – Os olhos azuis voltaram à estrada. – Gosta dele, e quer se envolver, mas é romântica, virgem e não quer se entregar prum puto. Eu entendo isso muito bem, minha amiga, mas a verdade é que você ficar trancada no seu quarto, trabalhando ou estudando... Não vai ajudar em nada. – Sak fez uma careta. – Sasuke Uchiha não é um homem que se possa esquecer tão facilmente, mesmo você. – Ela deu um olhar sugestivo à Haruno, que fez mais uma careta. – Ele é diferente dos caras do colégio, diferente dos caras da faculdade... Ele é sexy, experiente, apelativo... Mas não é um monstro. Só gosta de se divertir. – “E como!”, a loira adicionou mentalmente.

–... O que eu deveria fazer? – A rosada questionou com a voz baixa, enrubescida, olhando para a janela.

– Seja sincera. – Ino sugeriu. – Diga o que quer... E espere. – A rosada hesitou, mas assentiu.

– Vou pensar nisso. – Prometeu, e elas passaram o resto do caminho de volta para casa em silêncio.

~

– Bom dia. – Itachi deu um de seus sorrisos encantadores à servidora pública, que enrubesceu. – Eu sou Itachi Uchiha, e vim em busca de algumas informações.

– Claro! – Ela sorriu, simpática demais. – Em que posso ajudar? – O advogado colocou sua pasta sobre a mesa da mulher, e entregou os documentos da senhorita Nohara à moça.

– A minha cliente está procurando a filha. Ela deve ter vinte, vinte e um anos de idade, e é provável que tenha sido encaminhada para este orfanato. – Ele entregou um papel com o nome que Sasuke havia lhe dado. – O lugar já está fechado há alguns anos, então achei que talvez encontrasse alguma coisa aqui. – A moça puxou a papelada.

– Veio ao lugar certo. – Ela garantiu, e após mais um sorriso, começou a digitar os dados no computador. Não demorou mais que cinco minutos até a ficha ser encontrada. – Rin Nohara, não é? – Ele concordou, e após imprimir o documento, ela o entregou.

Depois de muitos agradecimentos e apertos de mão, o Uchiha enfim pôde sair dali. Ele odiava visitas a órgãos públicos, mas sua profissão geralmente as obrigava.

Ele franziu o cenho. – Pelo menos é bom se sentir atraente... – Murmurou para si mesmo; jogou a pasta de trabalho para o lado e ligou para Sasuke.

– Você conseguiu?! – O jovem questionou tenso, do outro lado da linha.

– Sim. – Itachi o tranquilizou. – Mas só vou falar pro tio quando conseguir o endereço dela. – Sasuke manteve-se calado, e o mais velho percebeu que não era da prima que ele estava falando. – Ah... – Ele suspirou longamente. – É disso que está falando... – Um silêncio incômodo se fez, enquanto Itachi tomava coragem para amargar seu fracasso em voz alta. – Ela me chutou. – Disse simplesmente, enquanto ligava o carro.

–... Sinto muito, irmão... – Foi tudo o que o mais jovem pensou em dizer.

– Tudo bem. – O mais velho suspirou. – Eu posso dormir aí? – É claro que Sasuke jamais recusaria abrigo ao irmão, especialmente em uma hora como essa.

Itachi provavelmente passaria a noite fazendo pesquisas em seu computador, trabalhando feito um louco, até se cansar o suficiente para não pensar na amada. E quando isso acontecesse, ele se deitaria na cama de hóspedes do apartamento do irmão, lamentaria a falta do corpo de Kasumi sobre o seu e sonharia com ela após dormir.

No sonho, ela também o recusaria. Afinal, esta era Kasumi Aihara: a personificação da independência e teimosia.

E, ainda assim, talvez exatamente por ser assim, ele a amava.

Notas finais
Nomear esse capítulo foi difícil! e.e
Ainda não estou certa sobre "desgosto", mas enfim... @_@
~
Realmente gostei bastante do capítulo. Porque amo o Itachi, amo a Kasumi e amo Sasuke. sz
~
Enfim!
Espero que tenham gostado! ;-;
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Dúvidas, críticas, sugestões? Fiquem a vontade! :D