50 Tons De Uchiha

34 Um Grande Idiota.


Notas iniciais
Gostaria de agradecer à GabyHarunos2, pela incrível décima nona, e à Uzumaki Gomes, pela VI-GÉ-SI-MA recomendação de 50TU! Obrigada pelo carinho que demonstram pela fic, por me fazerem feliz! Obrigada a todos os que comentaram, a todos os que sempre mandam energia positiva para a tia Candy, que anda tão cansada! Sou sinceramente grata pelo apoio de todos vocês! sz ~ Pois é, pessoal. Eu não morri. Nem desisti da fic. :v Só não tive tempo de escrever mesmo HAHA' Esse foi um capítulo bem difícil de ser desenvolvido, porque eu sabia o que seria abordado, mas não sabia como abordar, compreendem? E eu estava tão cansada... Tentei, tentei, tentei... Mas só consegui concluir hoje. Obrigada ao honey-honey, que betou o capítulo enquanto eu tirava um soninho feliz. sz O Nyah me cortou, então paro por aqui. Boa leitura! sz~

Capítulo 34 – Um Grande Idiota.

Sasuke não conseguiu se mexer.

Por um minuto inteiro sequer conseguiu pensar!

Tudo o que pôde fazer depois daquela tão repentina reação sem sentido foi ficar parado feito um grande idiota ao lado do confuso avô, que olhava de Sasuke para Sakura.

De fato, tudo havia acontecido muito rápido. Tão rápido que Sasuke sequer pôde compreender que porcaria estava acontecendo ali!

Ele observou debilmente enquanto sua irritadiça namorada refazia o caminho – desconfortável e aos tropeços, graças aos saltos, Sasuke imaginou – até o salão da festa de Itachi e Kasumi, e só podia se perguntar que droga ela estava tentando fazer.

Será que não havia percebido o seu tom de voz? Ou pelo menos a sua postura ameaçadora?... Sasuke pensou que, se tivesse agido tão grosseiro quanto estava imaginando, ela devia estar acuada, e não revoltada.

E isso o irritou profundamente.

– Sakura!

Exclamou em voz alta, mas ela não cessou os passos. Sasuke praguejou baixo; alisou os cabelos, exasperado e respirou fundo antes de segui-la com passos largos, firmes e rápidos – muito mais rápidos do que os vacilantes da mocinha.

– Sakura! Porcaria.

Mas ela não parou. Na verdade, se apressou ao ouvir sua voz mais próxima.

– Sa-ku-ra. – Ele silabou, e agarrou-a pelo antebraço antes de fazer metade do caminho necessário para alcançar Ino. – Que droga está fazendo?!

Ela tentou – inutilmente – se soltar do aperto. Estava furiosa!

– Que droga você está fazendo?! – Exclamou em voz alta.

Quem ele pensava que era para falar assim com ela? Para agir assim com ela?!

“Não se meta nos assuntos da minha família”.

“Vá para o maldito quarto”.

Como se ela fosse uma qualquer!... Uma das garotas com quem ele devia estar acostumado a brincar. Garotas que realmente não se importavam com os assuntos da família dele, e talvez nem se importassem com ele. Ao menos não quando estava fora do “maldito quarto”.

Só o pensamento fez seus olhos queimarem, mas ela controlou suas lágrimas.

Não ia chorar na frente daquele imbecil!

Sasuke tentou respirar fundo. Tentou se acalmar no fundo de sua alma, mas foi impossível não se incomodar com os olhos verdes o encarando de um jeito quase letal.

– Pensei que ia ser a nossa noite de paz, finalmente. – Tentou argumentar.

– Se você não me soltar agora – Ela murmurou lentamente, entre dentes. – Eu posso garantir que você vai ter tudo, menos paz.

Ele estreitou os lábios em puro desagrado.

– Pelo amor de Deus...

– “Pelo amor de Deus”?! – Ela o interrompeu, aumentando dois décimos do tom de sua voz. – Sou eu quem devia dizer! Por acaso você enlouqueceu?! Acha que eu vou aceitar que fale assim comigo? Em público, principalmente!... – Os olhos verdes se estreitaram mais irritados do que magoados. – Por nada...? – Sua voz enfraqueceu e, vendo que ele não a responderia, prosseguiu depois de um longo suspiro. – O que pensou que eu ia fazer, quando estendeu a maldita chave?

Ele não se atreveu a respondê-la.

Quem você pensa que eu sou, Sasuke Uchiha?!... Pensa que só porque me entreguei a você estou disposta a agir como uma das suas concubinas?

– Eu nunca disse isso. – Ele murmurou mal humorado. – Só queria que você saísse dali. – Seus lábios se estreitaram e ele se sentiu terrível. Por que o maldito Madara estava ali...?! Por que tinha que fazê-lo explodir? Justo na frente dela!

– Não queria que presenciasse nossa discussão. – Sasuke tentou ser sincero.

Sakura forçou uma risada que o fez perceber que a sinceridade nem sempre trazia pontos, mesmo com sua honestíssima namorada.

– Podia piorar?

Ele ficou tentado a dizer “sim”, mas imaginou que só faria piorar o humor dela. Portanto, alisou as madeixas negras pela segunda vez; suspirou longamente, exalando todo o ar de seus pulmões... Coçou a nuca e olhou para qualquer canto que não fosse os mortíferos olhos verdes raivosamente brilhantes.

– Ele é seu avô. – Ela decidiu prosseguir. Parecia indignada. – É um senhor de idade, Sasuke! Pelo amor de Deus!

– Aquele velho vai enterrar todos nós. – Sasuke cruzou os braços.

– Isso não justifica nada. – Sak estreitou os olhos. – Ele é o seu avô... O homem que criou você, que formou você... Que ergueu a empresa que você tanto ama! Se não fosse por ele...

Os lábios do Uchiha se espremeram, formando uma linha reta.

– Eu gostaria que você parasse de me olhar profissionalmente como se eu não passasse de um filhinho de papai. – Ele quase podia sentir a frieza impressa em sua voz, mas não se importou. – Eu já te disse um milhão de vezes que dei muito duro para chegar aonde cheguei, independente da minha família.

Sakura abriu a boca para tentar discutir, mas ele foi mais rápido:

– Mas talvez tenha razão sobre algumas coisas, Sakura: de fato, ele ergueu a empresa da família. E, de fato, é graças a ele que, fodido ou não, eu sou o homem que sou hoje.

Sakura cerrou os olhos. Não parecia convencida.

– Mas ainda que eu ame o meu avô quase tanto quanto amo aos meus pais... – Um comichão em seu estômago fez com que Sasuke notasse que, de fato, amava Madara Uchiha. – Não posso aceitar que... – Ele se calou.

Estreitou os olhos, incomodado com seus próprios sentimentos.

Não, ele definitivamente não podia deixar que Madara tornasse a machucar o irmão. Não podia deixar que ele ferisse Kasumi de novo, nem aos seus tios. Eles enfim estavam caminhando para a felicidade... Como ele poderia permitir que Madara, o único que poderia estragar tudo em um piscar de olhos, se aproximassem de todos eles?!

Justamente no dia mais feliz de suas vidas!

– Não entende. – Ele soltou, incapaz de expressar seus sentimentos.

Não queria dizer a ela.

Não queria mostrar quão suja era sua família... Nem o quão terríveis podiam ser as pessoas que o haviam criado... As pessoas que ele amava, apesar dos pesares.

– Não entendo porque não me explica. – Sakura murmurou lentamente, claramente magoada. Os olhos negros do outro se ergueram até o tristonho rosto da Haruno. – Não entendo porque você tem essa mania idiota de guardar as coisas para si mesmo. – Ela foi franca.

Os lábios dele se estreitaram.

– Quando se está em um compromisso, Sasuke-kun, deve-se dividir as coisas. Por mais incômodas, por mais dolorosas... Por mais vergonhosas que possam ser, se deve dividir a carga. É isso o que transforma o relacionamento em um compromisso... Consegue entender?...

Ela estava triste, ele reparou. E isso o deixou desolado.

–... Hoje, quando me apresentou aos seus pais... – Sakura tornou a dizer depois de alguns instantes em silêncio. Ela engoliu em seco, tomando coragem para prosseguir. – Pensei que finalmente... – Os lábios se estreitaram. – Pensei que estávamos caminhando, sabe?

“Não chore”, repetia mentalmente para si mesma.

“Não chore!”

– Pensei que estávamos seguindo em frente... Um passo após o outro... Mas agora... – Os olhos verdes caíram ao chão, magoados. – Percebo que, no fim das contas, você não confia em mim.

Sasuke sequer abriu a boca, porque não tinha o que respondê-la.

Se a confiava? Era claro que confiava. Havia contado os segredos do tio, pelo amor de Deus!... Falara claramente sobre a potencial paternidade de Kasumi. Sobre seu peso, sobre seu cansaço... Desabafou com ela coisas que sequer pensou em dizer ao próprio irmão!

É claro que ele confiava em Sakura.

Mas confiar em Sakura e confiar em si mesmo, e em sua capacidade de convencê-la a continuar ao seu lado mesmo depois de descobrir o lado mais sombrio da família Uchiha... Eram coisas completamente diferentes.

Ele não queria contá-la. Mais que isso: não podia fazê-lo!...

Por vergonha. Por medo... Ele simplesmente não podia dizê-la.

Sakura continuou olhando para ele, como se esperasse alguma resposta. Uma negação que fosse!... Qualquer mentira que pudesse fazê-la se sentir melhor.

Mas Sasuke nada disse, e ela percebeu que nem diria. Seu peito doeu como um inferno, mas ela se manteve firme. Olhou para ele por mais um longo minuto, ansiando que seu olhar, fosse triste ou furioso, instigasse o maldito a dizer algo.

Qualquer coisa!

Mas ele não o fez. Então, Sakura se limitou a virá-lo suas costas e tornou a seguir para o objetivo anterior.

~

De maneira geral, Obito e Rin se comportavam como um casal tranquilo e silencioso. O tipo de dupla que podia fazer tudo ou nada, e ainda assim apreciar e aproveitar a companhia um do outro.

Costumavam passar as manhãs em silêncio na cama, ele trabalhando e ela lendo qualquer coisa. E pouco importava se estivessem se escorando um no outro, ou se cada um ocupasse o seu lugar na grande cama, o que valia é que estavam juntos e em perfeita harmonia.

Mas mesmo que estivessem acostumados ao silêncio e à concentração um do outro, nada podia ser mais desconfortável para Obito do que o clima que havia se formado após entrarem no banco passageiro do bendito carro.

Ele se ajeitou no banco e olhou discretamente na direção da esposa.

Rin estava tão quieta como havia estado durante os últimos meses, mas parecia estranha. Seu rosto estava virado na direção da janela lateral do carro, mas Obito, por algum motivo, sabia que ela não estava observando a paisagem escura.

– Não era você.

Ela sussurrou suavemente, mas Obito pôde ouvir perfeitamente. Os olhos dela encontraram os dele pelo reflexo do espelho, e por um longo instante assim permaneceram: em silêncio, olhando um para o outro enquanto pareciam tentar desvendar seus sentimentos.

– O que quer dizer?

Ele tentou transpassar tranquilidade, mas sua voz soou ligeiramente incomodada.

– Não era você. Era comigo que ela queria falar.

Ele engoliu em seco e amargou aquelas palavras.

– Está dizendo que preferia ter ficado? – Sentiu seus punhos se fecharem, mas controlou o tom de voz. – Está dizendo que a escutaria?... Que a perdoaria?! – Os olhos negros a encararam com fúria.

– Estou dizendo que era eu, e não você, quem devia ter decidido isso. – Ela o olhou de soslaio. – Quem vai decidir isso.

Obito estreitou os olhos.

– Não vou deixar você passar por isso. Depois de tudo o que eles fizeram...

– Você não tem que deixar nada. – Ela o interrompeu; ainda tinha a postura irritantemente tranquila. – Porque não é com você que ela quer falar. Não é o seu perdão que ela pede: é o meu. E eu não me importo com o seu ódio, Obito. Se eu sentir que devo perdoá-la, eu vou perdoá-la.

– Não quero vê-la envolvida com eles. – Obito foi direto. – E não me importa se não gosta do meu jeito de agir, não vou deixar ninguém capaz de machucá-la se aproximar. Nem de você, nem da nossa filha.

Obito cruzou os braços e virou o rosto para a janela, embora pelo reflexo do vidro ainda observasse a esposa.

–... Ela não é má... – Rin soou triste. – Mikoto, eu digo. Ela não é má... – Baixou o rosto e encarou as mãos que descansavam no próprio colo. – Só é fraca. Influenciável... – Os olhos castanhos se estreitaram em agonia. – Como eu...

~

– Por favor, cuide dela. – Naruto pediu à governanta dos Uchiha, realmente preocupado. – Ela deve ter bebido demais... Está inquieta. – A mulher anuiu lentamente, pensativa. – Já avisei ao senhor Uchiha. Logo ele deve estar aqui.

– Claro... Obrigada por trazê-la, Naruto-san.

Naruto sorriu, deu os ombros e se afastou após uma curta despedida.

Em silêncio e assombrosamente pensativo, ele seguiu pelo jardim da mansão Uchiha. Era bem verdade que de vez em quando Mikoto agia como uma controladora descontrolada, mas só o fazia com os filhos.

Não conseguia imaginar qualquer motivo para ela implorar perdão ao cunhado daquele jeito tão desesperado, como se sua vida dependesse disso.

E mesmo depois de ouvir tudo da senhora Uchiha, não conseguia compreender.

Ele alcançou o carro de Hinata não muito tempo depois de se afastar da mansão; empurrou o banco do motorista e, com um pouco de dificuldade, colocou-se ao lado de Hinata, que estava encolhida no banco de trás.

– Devia comprar um quatro portas, pelo menos. – Ele sugeriu, tentando sorrir divertido, mas ela não desfez a expressão.

Estava abalada. Assustada, até. E não era para menos.

Hinata, preocupada como sempre foi, havia ficado ao lado da tia durante todo o percurso até a mansão Uchiha. Naruto não sabia se Mikoto realmente havia bebido, mas ela estava perturbada o suficiente para confessar todos os seus pecados à sobrinha, que embora tivesse ouvido atentamente, embora a tivesse confortado como uma mãe... Era claro que ficaria chocada.

Afinal, não é todo dia que se descobre fazer parte da família monstro.

– Pensa que é verdade? – Hinata enfim conseguiu sussurrar a pergunta que Naruto sabia perturbá-la desde o início dos relatos de Mikoto. – Sobre o tio Obito... Sobre o meu avô... – Os olhos claros se estreitaram. – Tudo o que ela disse... Você acha que pode ser verdade?

Naruto não soube como responder aquilo sem magoá-la.

Porque Mikoto podia ser a pessoa mais desequilibrada do mundo, mas não era uma mentirosa. Ao contrário: era sincera demais. Desconfortavelmente sincera, na verdade.

– Hinata, você não tem que se envolver nisso. – Ele tentou soar gentil.

Lentamente, quase debilmente, a Hyuuga ergueu os olhos de lua até o rosto dele. Parecia exausta... Machucada. Prestes a chorar.

– Não pode ser verdade... – Ela sufocou durante a frase. – Eu sei que o meu avô é uma pessoa difícil... Mas ele realmente ama a família. Realmente cuida de nós...

Naruto podia entender as dúvidas dela. Madara podia ser um carrasco com Sasuke, mas Hinata sempre fora seu adorado bibelô. Devia ser mais difícil para ela aceitar, compreender.

– Se você não acredita, não pense nisso.

Hinata refletiu por um instante.

–... Faz mais sentido ser verdade... – Ela admitiu para si mesma. – Mas eu não consigo entender... – Piscou rápido, porque não queria chorar. – Madara sempre se mostrou orgulhoso dos filhos... Orgulhoso dos netos... – Fungou e coçou o nariz. – Eu não consigo entender...

Naruto estreitou os olhos. Aproximou-se cautelosamente e envolveu-a com os braços, acolhendo-a gentilmente. Hinata se encolheu antes de começar a chorar, agarrou a cintura dele e escondeu o rosto no peito largo.

– Como alguém pode agir desse jeito?!... Mimar, dar conforto e amar uma neta enquanto joga a outra dentro de um orfanato como se fosse um bicho?!

– Hinata...

– Se a minha mãe não tivesse se tornado a senhora Hyuuga ele teria feito o mesmo comigo?!... Com a minha irmã?! Ou com Sasuke, com Itachi... – Apertou a cintura dele, e Naruto tentou não pensar muito nos seios dela roçando em seu tórax.

Não era o momento.

Definitivamente não era o momento!

– E por que não me contaram isso?! – Ela praticamente gritou. – Eu também sou parte da família!... Itachi e Sasuke, o que eles estavam pensando quando decidiram esconder isso de mim?!

Ver Hinata irritada começava a virar um costume, mas ainda assim Naruto se surpreendeu. – Eles queriam protegê-la, é claro. – Ele tentou tranquilizá-la; afagou as costas nuas suavemente e roçou os lábios na cabeleira azul.

– Me proteger?! – Hinata se afastou de súbito, encarando o loiro, possessa. – Me proteger?!

– Hinata, todos sabem que você é louca pelo seu avô. – Ele deslizou o polegar pelo rosto dela, limpando a maquiagem borrada.

Ela estreitou os olhos e forçou uma risada.

– Claro! Por que contar à Hinata?! É só uma menina estúpida! – Ela se remexeu no banco do carro, afastando-se. Naruto suspirou longamente. – Itachi sabia, Sasuke sabia... Ah, claro! Sakura-san também devia saber. Ela sorria como se um milagre tivesse acontecido, quando Kasumi entrou com meu tio. E eu feito uma idiota.

– Você não é uma idiota, querida. – Naruto não pôde deixar de sorrir. – E não faça suposições. Nenhum deles me disse nada, também... Tente se colocar no lugar deles. Deve ser muito difícil contar essa história para alguém. Principalmente para você.

– Por quê? – Ele estreitou uma das sobrancelhas. – Por que principalmente para mim?... Sou menos Uchiha do que eles? Mereço saber menos do que eles?

Naruto suspirou.

– Porque você ia chorar. – Ele hesitou por um instante. – Por que ia se sentir culpada... – E olhou para ela. – Madara sempre a exibiu orgulhosamente como a primeira neta. Eu sei que está pensando que roubou o lugar da Kasumi.

Hinata parou de respirar ao perceber que era verdade, e mais uma vez ele sorriu.

– Você é idiota o bastante para pensar isso. E eu sou esperto o bastante para saber disso.

Embora fosse uma atitude idiota, Hinata não recuou quando Naruto começou a se aproximar. – Ou talvez eu só te conheça bem o bastante... – Segurou o rosto dela.

– Você não devia tirar vantagem da minha situação. – Hinata soltou num suspiro, mas ainda não tinha feito menção de se afastar.

– Contente-se por eu ter respeitado o seu choro. – Ele murmurou, e sem esperar uma resposta, abocanhou os lábios dela.

~

Sakura ajeitou os sapatos, ajeitou os cabelos e ajeitou o vestido. Respirou fundo antes de entrar de volta no salão. Os noivos não estavam mais lá, então a festa naturalmente havia mudado o seu tom: luzes coloridas por todos os cantos, música alta vinda das caixas de som...

Uma bagunça total.

Sakura podia ter entrado no salão errado, mas reconheceu alguns convidados a quem Sasuke a havia apresentado. Tentou sorrir para eles enquanto seguia na direção da pista de dança, onde com certamente encontraria a amiga.

E lá estava Ino. Curtindo, alegre e feliz enquanto dançava no meio de uma rodinha de rapazes que, com exceção de Sai, eram desconhecidos à Haruno.

Ela suspirou longamente, tomando coragem para se aproximar.

Definitivamente não parecia a mesma garota depressiva de pouco tempo atrás, mas Ino nunca se deixava levar pela tristeza, nunca se abatia ao ponto de desistir. Sempre estava em pé, firme e pronta para outra.

Para outro pé na bunda, na realidade.

– Ino! – Ela exclamou alto, irritada com a situação. – Ino! – Chamou mais alto, tentando tomar a atenção da amiga sem ser obrigada a passar pelo círculo.

Definitivamente nada deixava Sakura Haruno mais desconfortável do que ter que passar por um bando de homens que babavam nos peitos de Ino.

– I-NO! – Como sempre, a amiga não conseguiu ouvi-la. Na verdade mal Sakura podia ouvir a si mesma, já que a música era insuportavelmente alta. A rosada suspirou longamente, exasperada... E o ar quente roçou na nuca de um dos convidados que circundavam a amiga loira.

Ele se virou imediatamente, e Sakura se constrangeu ao perceber o que tinha feito. – Desculpe. – Ela murmurou desajeitada, ajeitando as madeixas róseas enquanto baixava os olhos.

O rapaz ruivo, alto e de bonitos olhos castanhos sorriu.

– Posso ajudá-la? – Ele se aproximou perigosamente, e Sakura tropeçou ao recuar. – Opa! – O ruivo a segurou pelo antebraço. – Tenha cuidado.

Sakura enrubesceu, e se soltou dele desajeitadamente.

– Só vim buscar minha amiga. – Ela tentou dizer, e com a cabeça apontou na direção de Ino. – Temos que ir para casa.

– Ir para casa? Mas a festa só começou. – Ele sorriu de um jeito muito, muito constrangedor. Mas Sakura conteve um suspiro exasperado.

– Com licença. – Murmurou, batendo o ombro no peito dele de uma maneira desagradável enquanto passava. – Ino, vamos. – Ela puxou a amiga pelo pulso, tão rápido que a Yamanaka sequer pôde retrucar.

Os rapazes soltaram uma vaia que Sakura achou melhor ignorar.

– E acaba a diversão da noite. – Kiba murmurou, soltando um suspiro longo e cansado. Os olhos castanhos passaram pelo salão e pousaram sobre a insistente garota que o havia encarado a noite inteira.

Menma Uzumaki enrubesceu ao ser flagrada, e desviou o olhar do dele quase imediatamente. Kiba consideraria aquela uma atitude adorável, se não conhecesse aquela peste como conhecia.

Quando os olhos azuis tornaram a olhar na direção dele, o Inuzuka ergueu a taça de cerveja como em cumprimento; apontou com a cabeça para a porta que ele sabia abrir caminho até uma piscina e sem esperar uma resposta, seguiu até lá sorrindo.

– Ou talvez não.

~

Hinata se afastou rápido, ofegante, apenas para Naruto puxá-la pela nuca e mais uma vez abocanhar os lábios já inchados da pobre moça.

Lá estavam eles, mais uma vez atracados como dois seres primitivos, agora no carro de Hinata. Ela se sentia a pessoa mais fraca e estúpida do mundo por não resistir aos beijos quentes, às carícias suaves, aos apertos excitantes...

Estava tão fora de si que mal notou o momento em que se sentara sobre ele.

– Naruto... – Ela suspirou entre os lábios dele quando sentiu as mãos ágeis tentando abrir o zíper de seu vestido. – Isso sempre acaba mal. – Se sentiu obrigada a lembrá-lo.

– Mal? – Ele riu entre os lábios dela e os mordeu de maneira sedutora. – Penso que sempre acaba muito bem... – Ele deslizou o rosto pelo decote do vestido vermelho, e com a boca desceu o tecido.

Hinata estreitou os olhos.

– Naruto...

Naruto suspirou longamente, tentando demonstrar sua exasperação. Ergueu o rosto e a encarou com os olhos impacientes. – Certo... Pode falar, querida. – O sorriso dele deixava claro que queria que o assunto se encerrasse antes mesmo de começar.

O rosto dela enrubesceu.

– Precisamos avisar ao Sasuke... Sobre a tia Mikoto...

Naruto suspirou.

– Só vai preocupá-lo. Eu já avisei seu tio. – Ele tornou a puxá-la, mas Hinata resistiu. Toda aquela porcaria de hesitação estava começando a irritá-lo!

O silêncio se fez. Longo e incômodo, e Naruto bufou.

– Certo. Não quer que eu te toque, já entendi.

Hinata pensou que se ele pensava isso devia ter enlouquecido, mas achou mais sensato não desmenti-lo.

– Já que está mais calma e desperta, podemos voltar àquela discussão.

– Discussão? – Os olhos dela se estreitaram confusos.

– Por que não me contou sobre o término com Kiba? – Hinata arqueou uma das sobrancelhas. – E nem adianta dizer que não é da minha conta, porque de todas as coisas, não posso imaginar algo que seja mais da minha conta do que isso.

– Estou cansada... Não quero discutir isso agora... – Ela suspirou. – Nunca, na verdade.

– Por quê?! – Ele se revoltou. – Hinata, pelo amor de Deus!... Nós dois mal nos falamos! Desde que você entrou nessa banda... Tem ideia do quanto se afastou de todos nós? Sei que não é só comigo. Você mal tem tempo para ver o Sasuke, ou falar com a sua irmã. Está ocupada, se esforçando... Eu sei de tudo isso, mas... Acima de tudo, eu sou seu amigo, porcaria! Deveríamos dividir esse tipo de coisa!

– Nunca foi meu amigo, Naruto.

A resposta ela foi tão rápida, tão sincera, que o loiro perdeu qualquer noção de resposta. Ele ficou parado, bestificado, olhando para ela como se fosse um tipo de monstro desconhecido.

E Hinata respirou fundo antes de prosseguir.

– Foi o meu primeiro amor... – Ela admitiu. – O meu primeiro beijo, o meu primeiro homem... – Fez um grande esforço para olhar para o rosto dele. – Mas nunca meu amigo.

Naruto tentou abrir a boca para retrucar, mas sentiu-se incapaz.

Como ela podia falar aquilo...?! E com tanta facilidade!

– Eu... – Ela hesitou. – Eu sempre fui muito dependente dos outros. Sempre me esforcei mais pelas pessoas à minha volta do que por mim... Eu queria que as pessoas me enxergassem, sentissem orgulho de mim. Da boa menina dos Hyuuga.

Naruto ainda estava magoado com aquela tão desconcertante declaração, então não abriu a boca.

– Eu nunca vivi por mim, Naruto... Essa é a verdade. Sempre fui tímida, apagada. Tudo o que eu fazia ou era por minha família, ou por você. Para que me notassem. – Ela suspirou longamente. – Quando eu entrei para a Time Oito... Quando eu comecei a cantar para os outros, foi como se... – Mordeu o lábio inferior, buscando inutilmente uma palavra que pudesse descrever a intensidade de seus sentimentos. – Como se o meu mundo cinza se explodisse em um milhão de cores.

Ela gesticulou com as mãos enquanto falava.

– Eu finalmente estava fazendo algo por mim. Finalmente tinha encontrado algo que faz com que eu me sinta feliz, iluminada... Independente da minha família, independente de...

Ela se calou.

– Independente de mim. – Naruto completou, compreendendo perfeitamente.

Era incrível como Hinata podia destroçar o seu coração com apenas uma frase inacabada. Nem o sutiã negro tomara que caia podia capturar a atenção do loiro depois daquela conclusão cruel.

De fato, Hinata o tinha superado. Com a música.

– Se eu ficar perto de você... – Hinata tentou prosseguir, tristonha. – Temo que tudo suma, entende? Vou voltar a torturante rotina de tentar fazê-lo me enxergar... Vou voltar a fazer as coisas por você. Para você.

–... O que tem de mal?!... – Naruto tentou demonstrar sua frustração, mas mais parecia uma criança ferida. – É tão ruim assim fazer as coisas por quem se ama?... Por quem te ama?!

Ela pareceu pensar nisso por um instante.

– Suponhamos que você realmente me amasse... – Murmurou baixo, tornando a olhar para o próprio colo. Naruto se incomodou profundamente com a construção daquela frase, mas preferiu não se pronunciar.

Já estava incomodado o suficiente.

– O que você fez por mim?... Para mim?

Olhou para o rosto dele e tentou não se deixar levar pela tristeza e carência que exalavam dos olhos azuis. Tentou transparecer tranquilidade, e o fitou como se esperasse uma resposta sincera.

– Aceitou que eu entrasse na banda?... Apoiou as minhas decisões?... Estimulou o meu desenvolvimento? Teria feito isso por qualquer um, Naruto. – Ela sorriu fracamente, e alisou o rosto dele. – Porque você é assim: otimista, feliz... Alegre. Gosta de apoiar as pessoas.

Naruto não se sentia nem um pouco otimista, feliz e muito menos alegre.

– Você sempre foi o sol... Sempre foi uma explosão de cores. E mesmo que eu fosse a criatura mais apagada do universo, sempre te amei por isso.

Ele estreitou os olhos.

– Sasuke está seguindo a vida dele, e eu a minha... Sei que deve estar se sentindo só, mas... – Ela mordeu o lábio inferior. – Por favor, tente compreender. – Suspirou longamente, ignorando a queimação nos olhos. – Pela primeira vez, eu estou fazendo as coisas por mim. Vivendo por mim. Brilhando por mim... E isso é tão grande, tão maravilhoso...

– Se é tão maravilhoso, — Ele a interrompeu – Por que diabo você está chorando?

Surpreendida, Hinata não pôde respondê-lo. Sequer havia notado suas lágrimas até que ele lhe dissesse.

– Sabe, Hinata... Eu estou cansado. Cansado de tentar demonstrar os sentimentos, cansado de ser tido como piada por você. – Os olhos dela se estreitaram. – Porque você deve me achar muito filho da puta, se pensa que só digo que te amo por me sentir sozinho.

– Eu nunca...!

– Mas tudo bem. – Ele a calou. – Tudo certo. Se você quer fingir que eu não te amo, demônios! É o que eu vou fazer! – Ele estava tão furioso que ela não conseguiu fazer nada além de olhá-lo. – “O mundo dá voltas”, não é? Por anos, eu fingi que seus sentimentos não passavam de uma paixonite estúpida, e agora estou aqui.

Hinata ergueu os olhos até ele, magoada com seu jeito de falar.

Mas Naruto não pareceu se afetar.

– Você conseguiu superar isso, não é? Então eu também vou conseguir.

~

Sasuke encarou o copo de uísque à sua frente sem muita vontade.

Se não fosse pela surpreendente aparição de Madara – que no fim das contas havia ido embora sem sequer dar as caras na festa –, nesse momento Sasuke estaria deitado sobre o delicioso corpo de Sakura, beijando cada milímetro do corpo doce e macio... Se não fosse pelo avô imbecil, ele poderia estar bebendo uma taça de champanhe acompanhado da amada.

Não um copo de uísque solitário na festa de Itachi, que com certeza devia estar aproveitando a noite de uma maneira mais agradável do que o irmão. – Tomara que o bebê te chute. – Ele murmurou para si mesmo.

Estava irritado com o mundo!

Furioso. Mais queria que tudo fosse para o quinto dos infernos!

Enquanto tragava o solitário uísque de boa qualidade, Sasuke voltou o corpo à festa. Ele imediatamente identificou os pais de Naruto dançando enlouquecidos, como se fossem dois adolescentes que tinham os hormônios à flor da pele.

E desejou que Minato torcesse o maldito tornozelo, só para acabar com toda aquela felicidade.

Procurou Menma, mas é claro que ela fugiria. Ver os pais quarentões dançando daquela forma devia ser a visão do inferno para uma adolescente, mesmo a divertida irmã de Naruto.

E Naruto era outro que tinha sumido. Com desgosto, Sasuke percebeu que Hinata também não estava ali. Na verdade os dois tinham desaparecido muito antes de ele e Sakura fugirem da festa.

Ele bufou, irritado.

Quanta felicidade! E ele ali, sozinho feito um imbecil, bebendo o seu quinto copo de uísque enquanto amargava toda a felicidade alheia.

– Sasuke?

Ele virou de soslaio.

– Karin. – Murmurou seu nome como em cumprimento, e tornou a olhar em direção a festa. Estava mentalmente azarando Minato Uzumaki, como se pudesse, com o poder do seu mau humor, fazê-lo torcer o tornozelo.

– Parece a ponto de matar alguém. – A ruiva abafou uma risadinha e se sentou ao lado dele.

Ótimo. Companhia.

– Só esperando o tempo passar. – Ele mentiu, sem se importar se ela acreditaria ou não.

– Cadê sua namorada?

A pergunta dela soou inocente, mas ainda assim o irritou. Estreitando os olhos, Sasuke e a encarou de soslaio de um jeito que ela podia facilmente concluir que algo tinha acontecido.

– Se está sozinho... – Ela ajeitou os cabelos ruivos, parecendo ligeiramente constrangida. – Talvez... Podemos subir?

~

Menma se sentia uma idiota.

Uma grande imbecil, mas não pôde resistir.

Aquele cara a estava provocando! Não tinha outra explicação. Desde a saída de Hinata da festa, havia passado o tempo inteiro flertando com qualquer rabo de saia que cruzasse seu caminho, dançando com qualquer mulherzinha que se punha próxima na pista.

Será que ele não tinha vergonha?!

Sabia que Kiba a estava tentando provocar, mas Menma Uzumaki nunca negava uma provocação. E se ele a havia desafiado a encontrá-lo fora do salão, ela iria sem medo nenhum.

Bem, talvez só um pouquinho de medo...

Afinal, da última vez que haviam estado sozinhos...

O rosto dela enrubesceu, mas não tinha mais como fugir.

Kiba estava sentado à beira da piscina, segurando um copo com uma bebida qualquer. Assim como tinha feito lá dentro, ergueu-a na direção de Menma como um cumprimento, provavelmente por ter aceitado o desafio idiota.

A loirinha cruzou os braços e arqueou as sobrancelhas. Durante todo o processo de se levantar e se aproximar, Menma encarou Kiba como se ele fosse uma espécie nojenta de inseto.

– O que foi? – Ele riu da expressão dela.

– Está traindo a Hina-nee. – Ela murmurou emburrada. – E quer esfregar isso nas minhas fuças... Não tem nenhuma vergonha?!

Kiba arqueou uma das sobrancelhas.

– Ué? Você não sabe?!... E eu pensei que fosse a melhor amiga da Hanabi...

Os olhos azuis se estreitaram.

Sou a melhor amiga da Hanabi. – Ela afirmou. – E amiga da Hina-nee! Não pode fazer isso em público!... É injusto, errado! Você pode magoá-la, sabia?! – A voz de Menma soava ligeiramente embargada.

Kiba sorriu.

– Não era você a primeira a afirmar que ela não gostava de mim?

– Ainda assim estão namorando! – Ela exclamou, furiosa. – É um compromisso! Devia respeitá-la!

– Curioso. – Ele observou. – Vem com esse papinho de compromisso porque eu dancei com outras garotas, mas bancou a peste quando ela estava dançando com o seu irmão, não é? O que aconteceu com os direitos iguais?

Menma bufou. Deu-lhe as costas e teria voltado para a festa, caso seu pulso não tivesse sido firmemente agarrado. Ela virou o rosto de soslaio só para fuzilá-lo com o olhar, mas o sorriso de Kiba se tornou mais divertido.

Mais provocante.

– Como eu dizia, antes de você fazer com que eu me perdesse na minha própria conversa... – Ele prosseguiu, contendo-se para não rir. – Como melhor amiga da Hanabi, pensei que soubesse que eu e Hinata rompemos no dia em que seu irmão veio cumprir o papel de mais velho.

Menma estreitou os olhos, confusa.

– Mas o que...?

– E eu devo ser bastante idiota, mas estou disposto a ganhar outro soco por isso.

Sem esperar ou se importar se ela tinha ou não entendido a primeira parte da conversa, após puxá-la pela fina cintura, Kiba simplesmente roubou mais um beijo dos lábios faladores da menina Uzumaki.

~

Já passava das dez quando a luz do sol incomodou os olhos de Sasuke, despertando-o da maneira mais incômoda possível. Ele praguejou baixo; sua cabeça latejava feito um inferno, e ainda tinha que acordar daquele jeito!

Maldita ressaca!

Há quanto tempo ele não tinha uma assim? Seis, sete anos?

Sasuke não tinha exatamente uma lembrança de como havia conseguido alcançar o quarto na noite passada. Mas ainda que suas memórias fossem borrões, extremamente limitadas graças ao poder do álcool, ele ainda conseguia se lembrar da maldita discussão com Sakura. A maldita discussão que resultara numa noite solitária e mal humorada.

Desde quando uma mulher o fazia se embebedar? Com exceção de Mikoto, é claro. Sasuke nunca tinha agido daquela forma com nenhuma mulher, por mais interessado que estivesse... Mas aquela já era a segunda vez que bebia irritado com a Haruno!

Certo. Ele estava mais irritado consigo mesmo do que com ela, mas ainda assim era por causa dela. Pela teimosia de tentar se meter onde não era chamada!

Ele bufou, virando o corpo para o lado da parede. Remexeu-se na cama, irritado consigo mesmo, e foi surpreendido com o pequeno corpo frágil à sua frente.

Sasuke abriu os olhos lentamente; realmente estava confuso...

E sentiu o sangue fugir de seu rosto ao identificar os cabelos ruivos da mulher praticamente desmaiada ao seu lado.

Porcaria. Porcaria. Porcaria.

Droga! Droga! Droga!

Karin se remexeu lentamente, como um filhote e abriu os olhos de repente, despertos demais para alguém que acabava de acordar. Ela sorriu à Sasuke gentilmente, e o Uchiha sentiu suas entranhas se remexerem.

– Bom dia, Sasuke... – Ela bocejou longamente e se esticou.

Sasuke não pode fazer nada a não ser continuar olhando para ela.

Demônio, ele ia morrer.

Sakura ia matá-lo, se descobrisse.

Naruto ia matá-lo, quando descobrisse!...

Santo Deus, ele estava a ponto de se matar!

Aquilo não podia estar acontecendo. Não de novo, não agora... Não quando estava completamente apaixonado por aquela estudante de medicina idiota, teimosa e confusa!

A risada de Karin o tirou de seus devaneios. Ela parecia divertida, e gargalhava tão alto que ele ficou confuso.

Será que ela tinha virado alguma espécie de vilã?

– Olhe para o meu corpo. – Ela instruiu, vendo muita graça na expressão de pânico que ele fazia.

Sasuke enrubesceu... Enrubesceu! Com Karin!

– Pode olhar pras suas também. – Ela sugeriu, rindo alto.

Ele obedeceu hesitante... E estreitou os olhos ao perceber que continuava tão vestido quanto na noite anterior. – Estava bêbado a ponto de partir para uma rapidinha?

– Não. – Karin se levantou. Quando notou que ela ainda vestia o terno social da noite passada o alívio de Sasuke foi tão grande que ele mal pôde respirar. – Estava bêbado a ponto de me trazer para o quarto e desabafar. Falar sem parar da sua namoradinha.

De costas para ele, Karin prendeu os cabelos ruivos num coque alto.

Sasuke levou um segundo para digerir aquela informação... E enrubesceu.

– Eu o quê?!

Karin o olhou de soslaio, sorrindo, claramente divertida.

– Sabe, eu devia estar magoada... Mas vê-lo rastejar até mim para choramingar, mesmo que sobre outra garota, foi engraçado demais.

– Humilhante demais. – Sasuke falou sem pensar, e a gargalhada de Karin foi como um tiro no estômago.

O Uchiha suspirou longamente, extremamente constrangido. Bagunçou os cabelos e se sentou na cama, ansioso para deixar aquele lugar.

Karin desviou o olhar para a janela. – Se está tão preocupado, devia ir atrás da sua namoradinha. – Ela sugeriu tranquilamente, ligeiramente tristonha... Antes de seguir em direção à suíte do quarto.

Sasuke continuou parado, olhando para um ponto qualquer, amargurando sua imbecilidade. Por que justo ela estava lá?!... Sasuke podia magoar muitas garotas com que não se importava, mas ele se importava com Karin.

Ela era prima de Naruto. Sobrinha de Kushina.

Uma excelente profissional. Uma garota adorável, extremamente divertida, que lamentavelmente havia se apaixonado por um idiota feito ele. Sasuke odiava magoá-la!... Odiava machucá-la.

Mas acontecia eventualmente, e a verdade é que ele já havia se acostumado.

Suspirou longamente e se pôs de pé. Aproximou-se da porta fechada e bateu duas vezes. – Eu te levo para casa.

~

Sakura se esticou preguiçosamente enquanto caminhava pela casa; ela fez uma careta para a bolsa, a jaqueta e o vestido de Ino, jogados ao chão. Suspirou longamente, agachou e começou a recolher a tudo.

Ino nunca tinha sido um primor em organização, mas tudo piorava quando se encontrava em estado pós-balada. Em geral, zonas da casa costumavam se tornar o cúmulo da bagunça, mas Sakura já estava acostumada.

Como não tinha bebido tanto na noite passada, Sakura imaginou que Ino logo estaria de pé. Mesmo assim queria ser gentil, ajeitar as coisas antes que a amiga despertasse. Afinal, como a própria loira tinha cansado de esfregar na cara dela durante todo o percurso de volta da casa, Sakura a tinha “arrastado de volta para casa quando a festa de verdade estava prestes a começar!”.

Sakura suspirou longamente, se jogando no sofá.

Tinha que se desculpar com Sasuke...

Depois que ele se desculpasse, logicamente. Afinal, tinha sido grosseiro e agressivo com ela. Na frente do avô!... Mas ainda assim, ela também não tinha agido da maneira mais correta.

Sakura sabia que Sasuke costumava ser discreto quando se tratava de sua família. Também sabia que ele havia passado por uma semana longa, estressante e extremamente exaustiva...

Teria que ser um santo para não explodir uma hora ou outra.

O som do despertador de Ino soou, alto e irritante, e Sakura gemeu de desgosto. Não queria acordar a amiga, então vasculhou a jaqueta até encontrá-lo num bolso interno e bem escondido.

Ela estreitou as sobrancelhas. Não era o despertador, afinal. Mas o sinal de nova mensagem. Novas, na verdade... Porque eram cinco de Tenten.

Estranhou porque Tenten, embora sempre enérgica e alegre, nunca havia sido dada a exageros. Especialmente com celular.

Sakura era uma curiosa. E não era nenhuma novidade que gostava de fuçar o celular de Ino, ainda que fosse para protegê-la. A Yamanaka nunca pareceu se importar, então Sakura não hesitou em desbloquear a tela e abrir a mensagem estranha.

“Sakura não está saindo com Sasuke Uchiha?”, a primeira mensagem dizia, e ela começou a desconfiar.

“Ela está, não está?! Eu os vi juntos ontem!”

“Esse grande filho da puta...”

“Você conta, ou eu conto?”

E na última mensagem, o link de uma imagem. Com a pulga atrás da orelha, Sakura tocou e fez o download.

.

Sasuke sentia-se exausto quando estacionou em frente ao sobrado de Ino e Sakura. Ele olhou para o espelho e fez uma careta para o seu cabelo desgrenhado. Tentou inutilmente ajeitá-lo com a mão. No fim, só bagunçou mais.

Ele suspirou longamente e gemeu ao sentir a barriga roncar.

Karin o havia assustado tanto de manhã que o Uchiha sequer havia cogitado a possibilidade de convidá-la para tomar café da manhã no hotel. Uma atitude negligente e mal educada, ele sabia. Mas era o melhor a se fazer.

Desceu do carro bocejando e subiu as escadas sem pressa.

Esperava que aquelas duas estivessem acordadas, porque o que mais precisava naquele momento era de uma grande xícara de café forte. Um pedaço de torrada também não seria mal... Ele sorriu, aliviado ao se lembrar que Inoichi Yamanaka era tão viciado em café quanto o próprio Sasuke. Certamente já haviam preparado uma garrafa.

Ele bateu à porta ansiando sentir o cheiro da bebida dos deuses... Mas ela foi substituída por uma nova ansiedade quando Sakura abriu a porta vestida naquele pijaminha de algodão curto, branco e inocente, que ele sempre desejou rasgar com os dentes.

Sorriu, mas ela parecia séria demais...

– Não pode estar zangada pela discussão de ontem.

Não houve respostas, e Sasuke suspirou.

– Peço desculpas... Fui grosseiro, mas entenda que eu estava fora de mim. – Ele tentou tocar as madeixas róseas. – Sabe que eu jamais a trataria... Daquele jeito... Por algo tão estúpido...

Sakura havia recuado antes mesmo de ele concluir a frase, como se o seu toque a tivesse queimado, ou algo parecido. – O que foi?

– Dormiu com outra mulher?

Uma pergunta direta, firme. Que o fez cambalear.

– Como você...? – Começo errado, ele decidiu. – Q- Que pergunta é essa?

Os olhos verdes se estreitaram.

– É uma pergunta simples, oras. Ontem nós brigamos, não dormimos juntos. Você dormiu ou não com outra mulher?

– É uma pergunta idiota.

–... Idiota? – Ela repetiu lentamente e aos poucos. Apática, entrou dentro em casa. Sasuke a viu seguir até o sofá e trazer alguma coisa de lá. – Idiota... – Ela repetiu enquanto debilmente fuçava no celular que ele sabia não ser o dela. – É tão idiota perguntar depois de ver isso?

E calmamente Sakura ergueu o aparelho para exibir uma foto muito desgraçada onde ele e Karin adentravam em seu carro. – Que eu saiba, essa é a garagem do hotel. – A voz dela soou suave, quase distante. – E, se bem me lembro... Esse é o mesmo terninho que a... – Ela mordeu a língua. – Que a senhorita Uzumaki... Estava usando na noite passada...

E ergueu os olhos vazios para fitar os de Sasuke.

Porcaria...

Droga!

– Sakura... Não é o que parece...

Ele sabia que aquela devia ser a pior frase possível para um momento como aquele, mas não pôde controlar seus impulsos. – Dormimos juntos, mas não... Porra! Eu não transei com ela.

Sakura forçou uma risada.

– Em que mundo você acha que eu vou acreditar nisso? – Ela o questionou com a voz entrecortada, claramente magoada. – Sabe... Tudo bem. – Limpou uma lágrima solitária que não pôde conter. – Eu vou sobreviver a isso.

E olhou para ele com um sorriso fraco.

– Mas já chega.

Sasuke estreitou os olhos.

– O que quer dizer? – Mesmo que soubesse exatamente o que Sakura queria dizer, ainda assim sentiu necessidade de questioná-la.

– Quero que suma.

Notas finais
Eu tenho a ligeira impressão de que alguns leitores vão querer me dar um tiro... Os shippers, para ser mais exatas... Mesmo meu namorado me disse "que casais fodids", e eu devo admitir que eu ferrei a vida dos pobres coitados. :v Mas tudo bem. É tudo a favor do futuro. Verdade seja dita: eu queria separar Sasuke e Sakura há algum tempo. :v Só não conseguia pensar em como fazer isso decentemente... Estou satisfeita. Vou conseguir seguir com o rumo que já tinha planejado há séculos e... Bem, espero que vocês entendam! Tudo pelo bem da história. Wha~~... Eu estou cansada. Cansada, com fome e sem ideias para continuar discutindo aqui... q De qualquer forma, o Nyah pode me cortar a qualquer momento, então... HUSAHUAS' Até semana que vem! o Sim, semana que vem. Se Deus quiser e a internet contribuir. Porque eu sei que vocês querem o meu fígado frito para saborear, e não posso dar motivos para isso! :v Obrigada, de todo o coração, a todos os que continuam comentando e me apoiando, mesmo diante dos atrasos dos capítulos. Vocês são anjinhos na vida da tia Candy!