Notas iniciais
Acho que alguns leitores vão me amar. sz Ou não, porque o capítulo pode estar horrível, mas... HUSAHASUH' Sei lá, eu até gostei. :D Ia colocar mais coisa, mas acho melhor esperar o próximo capítulo. n.n Como sempre, antes de qualquer coisa eu gostaria de agradecer a toooodos os meus leitores lindos e sofredores, que sempre me apoiam! Que comentam independente de eu poder ou não responder aos reviews e que tem toda a paciência do mundo me esperando nas semanas atrasadas. Eu realmente suei pra fazer esse capítulo!... Porque queria concluí-lo logo, para poder postar TK também. Mas tá difícil... x.x Mesmo assim, como eu prometi, achei que seria justo trazê-lo a vocês essa semana. n.n Mesmo que eu sinta que os leitores da outra fic queiram comer meu fígado por estar duas semanas atrasadas, e deixas o final daquele jeito... n.n" Enfim. Boa leitura, pessoal! Foi um capítulo difícil, então espero que vocês gostem de ler! :)

Capítulo 35 – Desabafo.

~

Rin gostava muito do tempo chuvoso.

Costumava passar o dia deitada, encolhida abaixo das cobertas, confortável no fino futon de seu quarto. Ela gostava de deitar e ouvir o som gostoso das gotas de chuva batendo no chão ou na janela. Gostava de sentir o cheiro da terra molhada... E, em geral, sentia-se aliviada, tranquilizada com tudo aquilo.

Era como se a chuva lavasse suas mágoas, suas tristezas.

Mas justo naquele dia, quando o seu maior pecado pesava em sua alma, mesmo a chuva torrencial do mês de novembro não pôde acalmar seu coração.

Àquela altura seus pais já deviam estar sentados em frente ao casal Uchiha em um restaurante qualquer, longe de qualquer suspeita, negociando a saída de Rin do país. E, claro. Se bem conhecia seus pais, também deviam estar negociando uma aposentadoria precoce e bastante satisfatória.

Um bom preço para se livrarem da filha única.

Mas aquilo devia ser bom, ela pensou. Sempre havia sonhado viajar para o exterior, e agora moraria fora. Sempre quis conhecer pessoas novas e culturas diferentes... Sempre quis aprender mais e mais a cada dia, e essa era sua chance de ouro.

Sua única chance, na verdade. Já que Kaede Uchiha fora bastante clara ao afirmar que ela não tinha outra escolha.

Ou estudava fora, ou não estudava. Porque não importava o tamanho de sua inteligência, nenhuma universidade a aceitaria.

Rin fechou os olhos e encolheu-se como um filhote, apertando as pálpebras.

Era incrível como ela conseguia pensar com mais calma quando seus pais estavam fora de casa... Tudo ficava mais tranquilo, mais agradável... Mais bonito até.

Talvez Rin não pensasse assim se Hiroto arranjasse um trabalho de verdade, decente ao invés de ficar nos pequenos golpes com amigos nada confiáveis, sempre tentando tirar vantagem de algo ou alguém. Ou se sua mãe parasse de choramingar sobre a estrutura pobre do apartamento, ou do quão pouco Rin ganhava trabalhando como tutora particular.

Talvez, se seus pais fossem honestos, sua vida fosse um pouquinho melhor.

Só um pouquinho.

Não que ela fosse melhor que eles...

Rin suspirou longamente e encarou a janela fechada. Em quinze dias estaria longe de tudo o que conhecia. Deixaria para trás os seus pais, sua casa e a si mesma.

Não...

Na verdade, ela já tinha se perdido de si mesma há muito tempo. Desde o dia em que Hiroto aparecera em seu quarto com uma sedutora proposta: se aproximar de Obito Uchiha em troca de liberdade.

Rin nunca havia gostado de participar dos golpes de Hiroto... Mas quando ele ofereceu uma passagem de ida para o interior, prometendo que a filha moraria com a prima distante – que recentemente havia se tornado a senhora Haruno – assim que se formasse no colégio, ela não pôde resistir.

Era uma tarefa fácil, já que Obito desde sempre a admirava. Ele era um bom garoto, e era errado enganá-lo, mas...

Era tão ruim assim querer liberdade?!

E ela também pagaria por aquela maldade, afinal. Se envolver com Obito consequentemente faria com que Kakashi se afastasse, e era dele que ela gostava desde que havia entrado como bolsista naquele maldito colégio!

Não importava se ela se sentisse tão mais confortável ao lado de Obito. Ele era um rapaz gentil, atencioso... Qualquer um devia se sentir assim em sua presença. E quem ligava se eles tinham se beijado algumas vezes?... Eram apenas beijos! E adolescentes trocam beijos, certo?

Só porque ele gostava de ficar perto dela não significava que realmente gostasse dela... E mesmo se gostasse não devia importar.

Rin gostava de Kakashi, não de Obito.

Obito Uchiha era só mais um dos alvos de Hiroto e ela, a isca.

Ele era um rapaz atraente e beijava bem. O fato de Rin nunca querer se afastar quando estavam juntos, especialmente quando se beijavam...

Não necessariamente deveria significar algo.

Estava tentando se convencer disso quando percebeu lágrimas pesadas e irritantes escorrerem por seu rosto.

Tentando se convencer que se sentia mal por ele, e não por si mesma...

Afinal, se Kaede Uchiha, a imponente e poderosa matriarca da família de Obito tinha descido ao ponto de doar parte de sua fortuna para sustentar uma ninguém como Rin Nohara, só para afastá-la do filho, Obito devia estar sério.

A conclusão fê-la sentir-se sufocada.

Não... Ele não podia estar sério. Era um garoto rico e mimado. E não estava acostumado a perder as coisas... Só isso. Se ele insistia em ficar com ela, só podia ser para provocar os pais. Para chamar a atenção dos ocupados Uchihas!

Rin tentou, mas não pôde acreditar naquilo. Porque mesmo que isso tornasse Obito um grande idiota, ele era simplesmente a pessoa mais sincera que Rin já havia conhecido. E só isso tornava o seu pecado mais pesado.

Ela o havia iludido da pior forma...! O tinha feito se apaixonar como um idiota, só para depois simplesmente se desfazer dele. Tudo pelo desejo egoísta de querer sair daquele lugar infernal!

Hiroto havia se mostrado um monstro ao instigá-la a se envolver com o herdeiro dos Uchiha por puro interesse. Pior era ela! Pensava ser tão melhor que os pais, mas aceitara a proposta maldosa.

Um estrondo na porta a fez parar de pensar nisso.

Rin não queria se levantar, mas pensou que talvez a mãe tivesse saído mais cedo do encontro com os pais de Obito...

Ela não tinha o estômago, nem o sangue de barata de Hiroto.

Podia ser tola, imatura, extremamente irresponsável... Mas nem a senhora Nohara aceitaria de ouvir em silêncio desaforos à sua filha única. E Rin imaginava que os pais de Obito definitivamente não deviam lhe ter uma boa visão. Especialmente depois de aceitar dinheiro para se afastar do filho deles.

Enquanto se levantava, tentou se acalmar. Secou as lágrimas, porque embora às vezes não a suportasse, não queria ver a mãe magoada quando percebesse o arrependimento por parte da filha. Se isso acontecesse, tudo ficaria mais difícil.

A senhora Nohara devia ter esquecido a chave, como sempre fazia. A pobre mulher devia estar ensopada pela chuva, já que esquecera a capa dentro da bolsa de trabalho...

Ao abrir a porta, toda a mente de Rin se embaralhou.

Seu coração bateu tão forte, tão rápido que seu peito chegou a doer.

Obito estava ofegante. Seus cabelos negros e bem aparados estavam molhados e o terno de trabalho ensopado, mas ele não parecia se importar.

Estava apoiado no portal da porta, cabisbaixo, exausto, recuperando o fôlego... Mas quando ergueu os olhos até ela, sorriu.

Simplesmente sorriu.

– Que sorte!... Você está aqui. – Ele parecia aliviado; ergueu o corpo, aproximou-se e sem hesitação, sem nem mesmo pensar nisso, abraçou-a.

Rin não pôde correspondê-lo, mas também não pôde se afastar.

O que aquele idiota estava fazendo ali?!... Kaede certamente já o havia contado àquela altura. Ele devia saber de tudo, não?! Então porque estava lá?!... Abraçando ela, apertando-a como se dependesse do calor de Rin para sobreviver.

Ele pousou a cabeça no ombro esquerdo dela, cansado.

–... Eu pensei que tinha ido ver os meus pais...

Murmurou lentamente, hesitante. E ela não pôde responder.

Não pôde mover um músculo.

–... É mentira, não é?... – Obito questionou lentamente, cauteloso. Seu rosto ainda estava escondido pelo ombro de Rin.

Ela nem negou, nem concordou. Mas o silêncio mais parecia de consentimento do que de negação, e isso o machucou profundamente. O Uchiha ergueu o rosto; ajeitou o corpo e a postura... E continuou ali, em frente à cabisbaixa amada.

– Seus pais a obrigaram? – Ela hesitou por um segundo, mas negou com a cabeça. – Então está fazendo isso... Para se livrar deles...?

Ele parecia afetado.

O peito de Rin doía como se tivesse sido golpeado.

Ela sentia seus olhos queimarem e seu corpo começava a tremer... Mesmo assim, tomou coragem para respondê-lo. – Eu nunca... – Sua voz falhou, e ela não pôde prosseguir. Tentou respirar fundo... Controlar seus nervos, suas emoções.

E prosseguiu.

– Kakashi... É por ele que eu estava apaixonada... Não você... – Ela admitiu, mas sua voz soou distante mesmo para si mesma. – Eu... – Sentia-se a deriva. – Eu sinto muito se te iludi... Se te machuquei... Se me odiar...

Ela não conseguiu prosseguir, porque só a ideia de ser odiada por Obito a deixava em pânico. Rin sabia que aquilo era necessário... Sabia que se não dissesse ela mesma, Obito jamais acreditaria nos pais, teimoso como era.

Ele não desistiria dela. E pensar nisso machucou ainda mais.

– Se você vai me machucar, ao menos faça isso olhando nos meus olhos. – Ele murmurou tristonho, formando um sorriso dolorido nos lábios.

Os lábios de Rin tremeram. Ela sentiu seu estômago se contorcer dolorosamente, mas conteve a vontade de se encolher.

– Não faça com que eu me sinta pior. – Ela pediu, esforçando-se para não chorar. – Eu sinto muito que isso tenha acontecido... Lamento tê-lo magoado, mas, por favor, não torne mais difícil...

Ele estreitou os olhos.

– “Tornar mais difícil”?! – Parecia irritado. – Acaba de dizer que está apaixonada pelo meu melhor amigo, que se aproximou de mim por interesse... E sou eu quem deve facilitar as coisas?! – Ele cerrou os olhos. – Eu amo você. Amo você a ponto de largar a minha família, inferno!

Rin se encolheu.

– A ponto de abandonar minha casa, os meus irmãos. Se você vai aceitar dinheiro da minha família para sumir... – Ele estreitou os lábios. – Se vai me rejeitar, o mínimo que pode fazer é olhar nos meus olhos e fazer isso direito.

Talvez ele estivesse certo.

Rin tentou, esforçou-se para erguer o rosto... E seu peito latejou insuportavelmente ao enxergar o rosto dele. Obito estava sério, mas os olhos negros refletiam sua alma ferida.

Percebê-lo a matou por dentro.

Eles passaram algum tempo ali, parados, olhando um para o outro enquanto ela tomava coragem para dizer o que sentia.

Mas embora tivesse aberto a boca três vezes para prosseguir a rejeição, não pôde verbalizar uma palavra sequer.

Foi então que Rin Nohara finalmente percebeu que era tão imbecil quanto Obito Uchiha, pois também havia se apaixonado. Tanto, que mesmo que soubesse que jamais poderiam ficar juntos, não podia mentir para ele.

– Diga. – Ele pediu; puxou a mão dela e pousou-a sobre o próprio peito. – Por que se você não falar olhando nos meus olhos eu não vou acreditar...

Estúpida e impulsiva, Rin decidiu ser sincera. Ergueu o corpo, apoiou-se nos ombros largos e roçou os lábios nos dele.

E os dois souberam que estavam dispostos a abrir mão de tudo um pelo outro.

~

Rin não conseguiu pregar os olhos nem sequer por um instante àquela noite.

Sentia-se perturbada... Ansiosa. E pensou ser uma idiota por isso, já que toda aquela perturbação, todos aqueles sentimentos e sensações davam-se ao estúpido fato de que havia discutido com Obito na noite anterior.

Pelo simples fato de que pôde respondê-lo como faria antigamente... Pelo simples fato de que ele a havia respondido como responderia antigamente.

Porque pela primeira vez em muito tempo, Obito não havia agido como se ela fosse feita de vidro, como se pudesse quebrar-se a qualquer palavra mal dita...

Pela primeira vez em muito tempo, ele não a tinha tido como a criatura mais frágil do universo, e isso seria um alívio, se sua discussão não tivesse sido causada exatamente porque ele parecia não se lembrar de que ela tinha suas próprias vontades.

Rin Nohara era uma sobrevivente. Sempre esteve certa desse fato.

Ela havia sobrevivido aos pais, os seus e os de Obito; sobrevivera – de um jeito que nem ela sabia explicar – à perda da filha e aos longos, cansativos e enlouquecedores anos que havia passado enjaulada ou em clínicas, ou junto dos Nohara. Ela havia alcançado o limite de sua sanidade e aguentou... Suportou mais do que qualquer um suportaria.

E, no entanto, mesmo que soubesse de tudo – e Rin imaginava que até mais do que ela devia saber –, Obito a tratava como um cristal. Como uma boneca... Como uma criança. Incapaz de tomar suas próprias decisões. Incapaz de dar um passo sozinha.

Rin não era uma fraca e, portanto, começava a odiar ser tratada como tal.

Sabia que Obito estava sendo cuidadoso... Sabia que ele estava sendo gentil e só agia dessa forma porque a amava, mas ainda era frustrante. Porque se Obito não acreditasse em sua capacidade de voltar a ser quem era, quem acreditaria?!

Era frustrante!... Angustiante.

Obito despertou quase no mesmo instante em que o celular vibrou em seu criado-mudo e, como sempre, desligou o despertador antes que o toque pudesse ser uma ameaça para o sono da esposa.

Rin o ouviu murmurar alguma coisa inteligível; sentiu-o se remexer na cama até finalmente se levantar, suspirando e resmungando lamentos sobre acordar tão cedo. Ele se movia com cuidado, evitando movimentos bruscos, provavelmente para não despertá-la.

Uma luz fraca da manhã vinda por trás das cortinas escuras era a única iluminação do quarto, mas foi o suficiente tanto para Obito, que seguia preguiçosamente em direção ao armário, quanto para Rin, que o observava de maneira quase apática.

Enquanto o via se livrar da camisa de algodão, pela primeira vez em tantos anos, Rin se lembrou do quão bonito era seu marido. Admirando as costas largas – muito mais largas do que ela se lembrava –, os braços ligeiramente musculosos e o bagunçado cabelo da manhã, ela se lembrou do quanto sentia falta de seus carinhos, de seus beijos... De seu toque.

Eles se beijavam, é claro. Diariamente, quase como um cumprimento...

Mas não era como antes.

Os beijos de Obito eram amorosos, cheios de carinho e cuidado, tão doces que ela se esquecera dos avassaladores que costumavam a trocar em sua juventude... Beijos que faziam Rin ir ao céu e voltar zonza de desejo. Beijos que deixavam seus lábios inchados, que a faziam estremecer.

Beijos que ela suspeitava nunca mais ganhar.

Antes de baixar as calças, Obito a espiou de soslaio. Rin pensou em fechar os olhos e forjar sonolência, mas concluiu que era uma atitude idiota e sem sentido.

Ele pareceu surpreso ao vê-la desperta, mas nada disse. Por um longo segundo eles ficaram parados, olhando um para o outro, tentando desvendar os pensamentos um do outro.

Obito parecia estar passando por um conflito interno, possivelmente porque não trocaram uma palavra depois da discussão dentro do carro. E quando Rin pensou que ele finalmente fosse ignorá-la e seguir para a suíte, viu-o se aproximar com um sorriso suave claramente forçado.

– Bom dia. – Ele murmurou enquanto se ajoelhava em frente à cama. Gentilmente, cautelosamente, ele afagou a franja castanha. – Espero não tê-la acordado... – Esticou o tronco e tocou a testa dela com os lábios, carinhoso.

Fraternalmente carinhoso.

Rin sentiu seu coração apertar insuportavelmente, e foi inevitável deixar de se questionar: para onde havia ido toda a paixão?... Toda a libido, todo o fogo, toda a ansiedade do homem que ela amava?!

Do homem que ela sabia que a amava.

O suspiro de Obito foi longo, e Rin pôde notar que ele percebera seu sobressalto. – Não pode estar zangada por ontem. – Ele murmurou contrariado. – Não vamos brigar por causa de Mikoto.

Os olhos castanhos dela se estreitaram lentamente, e o encararam como se Obito Uchiha fosse o pior idiota da face da terra.

– Não se trata de Mikoto. – Ela praticamente cuspiu a declaração. – Trata-se de querer tomar decisões que cabem a mim, não a você. – O cenho dele franziu em desagrado. – Eu não sou louca.

Ele ficou em silêncio por um segundo; aparentemente digerindo as palavras dela.

– Sei que não é. – Soou irritado.

– Também não sou uma criança. – Rin prosseguiu, ignorando completamente as advertências de mau humor expressas no rosto do amado. – E, definitivamente, não sou sua criança. Posso pensar por mim mesma, Obito.

Os lábios dele franziram, e Rin soube imediatamente que ele tentava segurar a própria língua. Aparentemente não estava disposto a discutir. – Volte a dormir, querida... – Ele tentou soar gentil, mas aquela declaração fê-la sentir sua garganta formigar insuportavelmente.

–... Por que me trata assim...? – Finalmente conseguiu murmurar, erguendo os olhos castanhos tristonhos até os do amado. – Como se eu fosse... Incapaz...

Obito estreitou os olhos.

– Eu pensei que fôssemos companheiros, mas me trata como se eu fosse uma responsabilidade com que tem que arcar...

– Rin... – O tom dele era um aviso.

– Desde quando eu sou um peso pra você...? – Sua voz saiu esganiçada, e ela percebeu estar chorando.

Obito não pôde se mover.

Sequer conseguia pensar direito!

De onde ela tinha tirado tantas idiotices?! Tantas conclusões estúpidas?! Quando ele tinha sequer insinuado que ela era um peso ou qualquer coisa parecida...?! Como ela podia pensar isso, depois de tudo o que haviam passado?!

Ela realmente devia ter enlouquecido.

Obito não conseguia pensar em um motivo diferente desse.

– Eu sempre quis te ver... – Rin fungou e coçou o nariz, irritada com sua própria fragilidade. – Esperei, esperei... Esperei tanto que cheguei a desistir de contar os dias...

Os olhos negros se estreitaram e ele teve que apertar os punhos para se conter.

– Pensei que quando me encontrasse, tudo ia se encaixar... Que quando me encontrasse tudo voltaria a ser como era antes... Pensei que encontraria a Akane, sonhei que a criaríamos juntos... Eu...

– Você realmente está tão zangada comigo? – Ele perguntou com a voz trêmula, irritadiça, e a encarou. – Está tão furiosa a ponto de me machucar?

Rin se calou. Silenciou seu choro e todo o desabafo sumira de sua mente.

–... Eu odeio meus pais, Rin. Odeio os seus. Odeio meu irmão e aquela maldita esposa. Odeio toda e qualquer pessoa que tenha se envolvido no nosso inferno, direta ou indiretamente. Eu nunca vou perdoá-los e tenho o utópico sonho de que você nunca vai ser obrigada a olhar no rosto de nenhum deles. – Os lábios dele franziram. – Eu os odeio mais do que pensei que poderia odiar alguém... Mas, mais do que eles, odeio a mim mesmo. Nunca vou poder me perdoar. Nunca vou aceitar que, por minha culpa, você...

Ele não conseguiu concluir. Continuou ali, parado, olhando com os olhos estreitos para um ponto fixo... Levantou-se, tentou se afastar, mas foi surpreendido pela mão trêmula que agarrara seu pulso.

–... Eu só quero que acredite em mim... – Ela murmurou enquanto tentava puxá-lo. – Ouvi-lo dizer coisas assim sobre você... Dói...

Obito tentou resistir, mas acabou por deixar-se levar. Sentou-se ao lado dela na cama e estreitou os olhos quando a sentiu sentar-se sobre ele. – Não tem culpa de nada, querido... – Rin sussurrou; roçou o nariz e beijou continuamente suas faces. – Nós dois... A Kasumi... Nossa família foi vítima, no final... – Com os punhos fracos, ela apertou o rosto dele. – Tudo o que eu quero é que você acredite que, no fim, nós três vamos conseguir superar isso... Quero que acredite que eu posso voltar... Porque se você não acreditar, Obito, eu nunca... Nunca...

Ela não conseguiu concluir, mas Obito não se importou. Alisou as faces dela e beijou seus lábios carinhosamente, gentilmente... Longamente. Quando tentou se afastar, mais uma vez Rin o impediu, agarrando-o pela nuca, obrigando-o a ficar perto.

– Não se afaste... – Ela pediu num sussurro. – Por favor... Por favor...

Obito hesitou, mas por fim anuiu. E pela primeira vez em tanto tempo... Permitiu que seus instintos o guiassem suas ações com Rin.

~

Por um longo minuto Sasuke não conseguiu raciocinar direito.

Havia ouvido as palavras dela com muita clareza. Em realidade, mais clareza do que gostaria de admitir a si mesmo. Mais que isso: foi como se aquelas três palavrinhas dolorosas ecoassem por sua mente quase insuportavelmente.

“Quero que suma.”

“Quero que suma.”...

Os ouvidos de Sasuke zuniam de um jeito incômodo e sua cabeça começava a latejar. Ele sabia que nada daquilo era efeito da bebedeira da noite anterior, mas sim ao fato de que Sakura Haruno parecia a criatura mais frágil do mundo enquanto o chutava.

Ele estava anestesiado, chocado demais para que pudesse absorver o conteúdo daquela frase, embora a tivesse compreendido perfeitamente. Sakura literalmente parecia sofrer mais do que ele, e ao observar o fato Sasuke finalmente pôde perceber...

Perceber que tanto quanto ele próprio, Sakura também estava apaixonada. Tão apaixonada que parecia prestes a morrer com a foto estúpida e a idiota hipótese de traição.

Aquela conclusão foi tão repentina que ele se sentiu a deriva, confuso e atônito. Não fazia ideia de como prosseguir e não tinha nem a mínima noção de que reação tomar para que ela se acalmasse.

Ele engoliu em seco.

– Sakura. – Tentou soar tranquilo. Sakura estava perturbada, mas gostava tanto dele quanto ele dela, e certamente desistiria daquela ideia imbecil após ouvir as explicações do Uchiha. – Escute... Isso tudo é um mal entendido.

Mais uma vez ela forçou uma risada.

– Mal entendido. Claro. – Sequer conseguia olhar nos olhos dele. Estava tão furiosa!... Tão ferida! Tudo o que queria é que Sasuke fosse embora, se afastasse para sempre, até aquela maldita dor parar.

– Não pode estar me chutando por causa de uma fofoca estúpida.

Ela estreitou os olhos e o encarou.

– Estou te chutando porque eu tenho uma. Maldita. Foto. – Ergueu o celular mais uma vez. – Que evidencia o fato de ter dormido com uma garota justamente após nossa discussão. Uma garota que, só para refrescar sua memória, eu já vi você agarrar. Na sua adorada empresa, a propósito. Na frente da sua querida mãe, que pareceu me odiar. Ela adora a ruivinha, não é? Talvez devessem mesmo ficar juntos.

Sasuke bufou.

– Corrija-me se eu estiver errado, mas o tópico da discussão ontem não foi exatamente “falta de confiança”? Pelo amor de Deus, Sakura! Pode tentar me escutar?! Eu não disse que não dormi com ela, disse que não transei com ela!

– Claro! – A voz dela aumentava cada vez mais. – Porque dormir com uma mulher que você costumava a se envolver periodicamente é algo muito inocente, não é?!

Os lábios dele franziram.

– Eu. Não. Transei. Mas que inferno! Estou dizendo que não te traí!

– E você acha mesmo que eu vou acreditar que Sasuke Uchiha dormiu com uma mulher? Justo você?!

– Já fiz isso antes. Com você, lembra? – Os lábios dela se espremeram.

– Foi diferente. – Murmurou. – Eu não queria fazer nada. Duvido tenha sido o mesmo com aquela... – Ela fechou os olhos e apertou as pálpebras; voltara a sentir o incômodo ardor das lágrimas, mas obrigou-se a resistir.

Sasuke finalmente ficou em silêncio. Ela não podia sequer sonhar com que ele devia estar pensando, uma vez que não conseguia olhar para seu rosto sem sentir raiva.

–... Uma vez... – Ele murmurou baixo, quase em tom reflexivo. – Você me perguntou “só porque sou pobre acha que eu não tenho orgulho?”. – Os olhos verdes se estreitaram. – Foi no mesmo dia em que me disse que eu te fazia mal, triste... Que a fazia se sentir rebaixada.

Sakura tentou se esquivar quando ele apertou seu queixo, mas Sasuke era mais forte e facilmente a obrigou a erguer o rosto. – Mas, sabe? – Os olhos negros estavam estreitos e magoados. – É você quem faz com que eu me sinta rebaixado, é você quem chuta o meu orgulho. Quando eu menti para você?... Desde o começo sempre deixei claro quem eu era, meus sentimentos e meus objetivos. – O aperto se tornou mais forte. – Eu sou egoísta, mas não sou imaturo. E posso ser rico, mas garanto que sou tão esforçado quanto você, com toda a sua pobreza. Minhas conquistas não são menores que as suas, nem pelo meu nome, nem pela minha família.

Os olhos verdes enfim começaram a lacrimejar.

– Eu nunca disse isso. – Ela murmurou com a voz fraca.

– Disse sim. Se não diretamente, insinuada... A verdade é que você não me conhece, Sakura. – Ela se obrigou a piscar rápido, mas foi impossível conter as malditas lágrimas. – Tantos meses juntos, e você parece não me conhecer nada.

– Me solte... – A voz de Sakura soou trêmula, num misto de raiva e mágoa.

– Eu não vou te soltar. E eu não vou sumir. – Ele esclareceu.

– Me solte...

– E você vai me ouvir, Sakura Haruno. – Ele prosseguiu, ignorando-a completamente. – Nem que eu tenha que gritar no seu...!

Mas não pôde sequer concluir o pensamento, já que Sakura o surpreendeu da pior forma possível: acertando-lhe um gancho de direita forte demais para uma garota que devia estar aprendendo a cuidar das feridas alheias.

Sasuke xingou alto, recuou e se agachou, praguejando enquanto limpava o filete de sangue que começava a escorrer do nariz. – Puta que... Ei! Não faça isso! – Mas Sakura fechou a porta com tanta força que o portal tremeu.

Praguejando ainda mais alto, o Uchiha se levantou. Estava atônito, agitado, e sequer pensou nas horas quando começou a bater na porta. Parecia querer derrubá-la.

– Quer abrir essa merda?! – Ele gritou furioso. – Sua irritante!... Eu não vou sair daqui até você abrir, ouviu? Não vou!

Sakura apertou a maçaneta e estreitou os olhos.

Por que ele estava fazendo isso...? Por que estava agindo assim?!

Certo, eles tinham um relacionamento. Um relacionamento sério, aparentemente... Mas ainda que fossem casados, Sakura não era, nem nunca seria obrigada a ouvir algo que não queria.

Ele tinha agido feito um imbecil! Um idiota! Um traidor! E ela tinha todo o direito do mundo de chutar a bunda dele – ou socar o nariz dele – quando bem entendesse! Tinha todo o direito de ignorá-lo, de odiá-lo, e principalmente de não escutá-lo, caso não o desejasse.

– Que barulheira-...

Ino calou-se quando alcançou a sala.

Sua amiga estava agachada, sentada em frente à porta, encolhida, embora tivesse um dos braços esticados e sua mão segurasse firmemente a maçaneta. Sakura chorava feito uma criança ferida... Um choro mudo, extremamente dolorido. Seus soluços eram baixos e embargados, e a loira esqueceu-se completamente da revolta causada pela maneira abrupta como havia sido acordada.

– Pare de chorar, está ouvindo?! – Ela ouviu Sasuke berrar lá fora. – Se não vai me ouvir, também não vai chorar!

Aparentemente os gritos de Sasuke fizeram com que o choro de Sakura se tornasse mais alto, mais desesperado e muito, muito mais sofredor. Ino estreitou os olhos. Estava ligeiramente confusa, mas sabia exatamente como agir.

Assim como Sakura tantas vezes fez por ela, Ino se aproximou. Lentamente, cautelosamente... Até alcançar a magoada amiga. Ela ajudou a rosada a se levantar; envolveu seus ombros carinhosamente e murmurando palavras tranquilizadoras, levou-a para longe dos gritos furiosos do Uchiha.

~

Enquanto roubava o velho carro de Sasuke da garagem da mansão Uchiha na noite passada, Naruto realmente estava disposto a mandar Hinata e sua independência para o quinto dos infernos. Estava disposto a sair, beber e se divertir com desconhecidos. Tanto quanto costumava fazer uns meses atrás, quando seu mundo não tinha virado de cabeça para baixo.

Pensou em seguir para a primeira boate e dormir com a primeira bonitona que lhe devolvesse a piscadela. Mas por algum motivo, ao estacionar o carro na primeira boate – lotada e cheia de luzes alegres –, simplesmente não sentiu vontade de sair.

Só de se imaginar dentro de um cubículo cheio de pessoas bêbadas e alegrinhas dançando e pulando por todos os lados ao som de uma música insuportavelmente alta fazia com que ele se sentisse exausto. Exausto, irritado e velho.

Naruto percebeu que estar apaixonado o fazia um chato. Irritadiço, frustrado e muito mal humorado, coisa que nunca antes havia sido.

Embaixo do chuveiro da suíte, com a cabeça recostada na parede azulejada e as mãos em punhos, o jovem Uzumaki suspirou longamente. Fechou os olhos, ergueu o rosto e afogou-se com as gotas gélidas batendo em seu rosto.

Ele sabia que, de certa forma, tinha muito culpa em sua atual situação. Por anos havia ignorado os sentimentos de Hinata, tantos que nem podia se lembrar... Exatamente pelo medo de perdê-la, agora ele a havia perdido.

Seria engraçado se não fosse tão trágico.

Ele a havia perdido por sua estúpida covardia, e agora pagava por todos os anos que fingia não vê-la como mulher. Sabia que merecia de certa forma, mas... Ele estava se esforçando, não estava? Tinha engolido seu orgulho, respeitara as decisões dela e esforçou-se para apoiá-la...

Tudo aquilo devia lhe render um pouco de confiança, certo? Um pouco de fé que seus estúpidos sentimentos existiam!

Bufando, Naruto fechou o chuveiro.

.

Sasuke Uchiha era uma presença constante na vida dos Uzumaki. Fosse de manhã cedo ou tarde da madrugada, nunca era estranho vê-lo aparecer repentinamente à porta da residência da família de Naruto. Portanto, governanta não hesitou ao recebê-lo, nem tentou pará-lo quando o Uchiha decidiu subir para o quarto de seu melhor amigo idiota.

Naruto e Sasuke haviam praticamente crescido juntos. Desde sempre se comportavam como irmãos então, naturalmente, “vergonha” e “educação” eram dois ternos que dificilmente se encaixavam em sua relação.

Quando o Uchiha alcançou a terceira porta direita do segundo quarto, abriu-a sem nem mesmo parar para bater. Percebeu o barulho do chuveiro vindo da suíte imediatamente, mas não se importou: adentrou ao quarto sem reservas e simplesmente começou a busca que o havia impulsionado a aparecer lá.

Sete horas.

Havia passado sete horas inteiras com fome, cansado, esperando aquela maldita irritante abrir a porcaria da porta. Sete horas berrando, sete horas batendo feito um louco perseguidor na porta de madeira, até Ino finalmente aparecer.

E só apareceu para ameaçá-lo, afirmando chamaria a polícia caso ele não fosse embora logo.

Sasuke podia ser teimoso, mas não era burro. Ele sabia que a bendita Yamanaka estava séria; sabia que ela devia estar tão furiosa – se não mais – do que a própria Sakura. Furiosa o suficiente para não fazer ameaças vazias.

– Idiota. – Ele murmurou para si mesmo enquanto revirava as gavetas do criado-mudo de Naruto. – Se acha que eu vou desistir de falar com ela só por uma ameaça estúpida... – Bufou. – Cadê esse maldito celular?!...

– Porra, Sasuke!

Naruto berrou. Imediatamente puxou a toalha laranja – com que antes secava os cabelos loiros – da nuca para cobrir suas partes baixas. Sasuke nem se deu ao trabalho de levantar a cabeça para cumprimentá-lo; simplesmente continuou a busca.

– Que merda você acha que está fazendo, revirando o quarto alheio às dez horas de um domingo?!... Ei! Não quebre o meu porta-retratos! – Sasuke o ignorou de forma magistral, o que só serviu para frustrar mais o Uzumaki. – Caramba, Sasuke! Eu vou te chutar se continuar fingindo que não me escuta!

– Cadê a porra do seu celular? – O moreno finalmente falou; sua voz soou fria, autoritária, e Naruto ficou completamente sem reação, digerindo aquilo.

– Está ciente de que você é o invasor, certo? – O Uzumaki cruzou os braços, ligeiramente irritadiço. – Sou eu que tenho o direito de ser grosseiro, Sasuke. Não você.

– O celular, Naruto. Eu quero a porra do celular. Agora.

Naruto estreitou as sobrancelhas loiras.

– Tente fazer melhor. – Ele sugeriu com os braços cruzados, usando um tom claramente provocativo, que fez com que Sasuke suspirasse longamente.

– Por favor. – Decidiu pedir.

Os olhos azuis do Uzumaki se estreitaram um pouco, ligeiramente desconfiados... Mas ele enfim apontou para a cama. – Debaixo do travesseiro. – Murmurou enfim, ainda incomodado com a perturbação do Uchiha.

– Eu devia ter imaginado. – Sasuke resmungou enquanto subia para se sentar na cama. Agarrou o celular de Naruto como um naufragado agarraria um bote, e digitou o número de Sakura tão rápido, tão desesperado, que mal podia se reconhecer.

Encostou o aparelho na orelha e tentou esperar.

Um toque... Dois toques... Três, quatro, cinco. E a caixa postal.

Praguejando, Sasuke encerrou a ligação para tentar mais uma vez. E de novo... E uma quarta vez, até ouvir a voz dela.

– Naruto, eu não quero conversar... – Sakura fungou do outro lado da linha. Sua voz estava fraca, rouca, como se ela tivesse passado o dia inteiro chorando...

Mas Sasuke não pôde se sensibilizar.

Ela era quem estava agindo feito uma idiota.

Como podia ser tão burra?! Como podia ser tão teimosa?!

– Estou pouco me lixando se quer ou não conversar. – Ele foi cortante. – Por acaso tem noção de quanto tempo eu fiquei plantado na frente da sua casa? Esperando você parar com essa idiotice e abrir a maldita porta?! Sabe há quanto tempo eu estou tentando fazer com que você me... Puta que pariu! – Ele gritou furioso ao ouvir o “Tum Tum” da ligação finalizada.

Respirou profundamente e tentou ignorar a presença de Naruto com todas as suas forças, porque se ele se sentia um idiota por estar agindo assim, só Deus podia saber o que Naruto pensaria.

Coçou o coro cabeludo furiosamente e, reclamando, tentou mais uma vez.

– Eu não vou parar de te infernizar até me escutar, ouviu?! – Ele gritou com a caixa postal. – E quanto mais você bancar a idiota, mais eu vou te perseguir. Fui claro? – E desligou.

Passou um ou dois minutos parado, encarando a tela do celular... Até finalmente erguer os olhos irritados até o melhor amigo.

Naruto estava recostado num móvel e olhava para o moreno com os olhos esbugalhados e uma expressão claramente bestificada, conseguindo fazer com que Sasuke se sentisse mais humilhado e estúpido do que se sentia.

– O que foi? – O olhar do Uchiha era quase letal. Naruto piscou rápido, tentando voltar a si... Mas não pôde fazer nada além de soltar uma risada de deboche.

– Sasuke Uchiha, hein...? – Murmurou para si mesmo. – Quem diria! – Olhou para o amigo. – Parece que eu não sou o único lascado, no fim das contas. Você e a Sakura-chan...

– “Sakura-chan” o cacete! – O moreno explodiu, lançando o celular na direção do Uzumaki, que – para suas lamentações – agarrou-o habilidosamente. – Sua prima me ferrou, cara! Me ferrou! – Ele exclamou, cheio de frustração. – “Se você está sozinho” – Sasuke afinou a voz, fazendo uma péssima imitação de Karin. – “Talvez... Podemos subir?”... Ela me ferrou, Naruto! Me ferrou legal!

Naruto ficou calado por um segundo que pareceu eterno, olhando para Sasuke com os olhos bem abertos, claramente confusos.

– Filho da puta! Você dormiu com a minha prima de novo?!

Sasuke revirou os olhos.

– Eu vou quebrar a sua cara, Uchiha!

– Se eu quebrasse sua cara cada vez que você tenta dormir com a minha prima...

Resmungando, Sasuke puxou o próprio celular do bolso. Estava começando a se sentir como um maníaco, mas não pôde controlar os dedos, que agitadamente escreviam mensagens para sua namorada.

– Prometeu que não ia voltar a se aproximar dela... Porcaria, Sasuke! Karin gosta mesmo de você!... Não é legal ficar com ela se não sente o mesmo. Além disso, você está com a Sakura-chan e... Droga, Sasuke. Não é legal brincar com elas!...

Sasuke exalou todo o ar de seus pulmões.

– Não estou brincando com ninguém. – Ele afirmou. – E não transei com sua prima. – Preferiu dizer. – Só dormimos juntos...

Naruto cruzou os braços.

– Em que mundo você acha que eu vou acreditar nisso? – Questionou-o com a voz irritadiça, e Sasuke conteve a imensa vontade de praguejar. Porque é que ninguém conseguia acreditar nele?! – Se você magoar a Karin de novo, eu juro que vou te bater.

Irritado, o Uchiha o encarou.

– Devo lembrá-lo todas as vezes que você machucou a minha prima?! Se eu te batesse a cada mágoa da Hinata, nós não seriamos mais amigos!

Naruto fechou a cara, mas pareceu refletir sobre aquilo e...

Porcaria. Porcaria. Porcaria.

Ele começava a colocar no rosto aquela expressão de cão sem dono; expressão que costumava a adotar quando estava prestes a vomitar desabafos que o Uchiha sempre era obrigado a ouvir.

O Uchiha definitivamente não se sentia disposto a ouvi-lo, mas ainda assim...

– O que houve? – Ele perguntou num suspiro, acomodando-se sentado na cama.

Ser o melhor amigo de um idiota era um saco.

–... Parece que a Hinata me chutou... E eu não sei o que fazer.

“Sakura também me chutou”, Sasuke sentiu-se tentado a dizer. “E eu não estou obrigando ninguém a ouvir minhas lamentações”, ele queria jogar nas fuças dele, mas se conteve. No fim das contas, sabia que era um bom amigo.

– Explique melhor. – Tentou soar tranquilo.

Naruto respirou fundo, ajeitou a toalha e tomou lugar ao seu lado. Visto que o loiro não usava nada além da toalha de rosto laranja escondendo as coisas, Sasuke se sentiu obrigado a tomar uma distância razoável e confortável.

Um braço de distância era o suficiente para ele não sentir nojo.

–... Ela... Disse que queria ser independente... – Os olhos azuis estranhamente pensativos caíram ao chão. – Disse que tinha medo de voltar a viver pelos outros, que queria viver por ela... – Sasuke anuiu lentamente. – Eu realmente... Realmente não sei o que deveria fazer.

– Acho que... – Sasuke estreitou os lábios. – Talvez deva tentar entender. – O moreno foi sincero. – Bem, você sabe... É a primeira vez que eu vejo a Hinata fazer algo por si mesma... Ela tem vinte e um anos, e só agora começou a se virar sozinha. – Olhou para o amigo de soslaio.

Sasuke coçou a nuca, começando a se sentir desconfortável.

– De certa forma acho que entendo os sentimentos dela... Para um Uchiha a independência é como se fosse um sonho impossível, sabe? Não importa o quanto você se esforce, é impossível alcançá-la completamente. Itachi e até mesmo o tio Obito... Eles podem tentar se esquivar o quanto quiserem, mas o nome Uchiha sempre vai ser uma sombra na vida de todos nós. Até pouco tempo, era o mesmo com a Hinata... Ela era “Hinata Hyuuga”, e nada mais. Está descobrindo suas asas agora. – Ele hesitou um pouco. –... Acho que devia deixá-la voar.

Naruto estreitou os lábios.

– Não desistir! – Sasuke se apressou em adicionar, até porque duvidava que algum dia Naruto Uzumaki fosse capaz de desistir de qualquer coisa. – Mas deixá-la seguir... Deixar que ela se descubra. Acho Hina merece isso... Merece ser um pouco egoísta. Dê um tempo para as coisas se acalmarem... Se ela for mesmo sua, vai voltar.

O peito de Naruto doía, mas ainda assim ele conseguiu sorrir fracamente. Na realidade, mesmo antes de pedir a opinião do amigo, já tinha tomado sua decisão e Sasuke percebeu isso quando Naruto finalmente tornou a fitar seus olhos.

Naruto parecia conter um sorriso... Parecia muito divertido quando apontou para o telefone nas mãos do amigo.

E Sasuke se sentiu um completo idiota.

Um completo imbecil.

– Talvez você devesse seguir seus próprios conselhos de vez em quando, senhor Uchiha. – Naruto, seu melhor amigo supostamente idiota, murmurou tranquilamente. – Eu te conheço, Sasuke. E também conheço a Sakura-chan. Sei que você gosta dela e, embora não entenda o porquê, sei que ela gosta de você.

Sasuke franziu o cenho.

– Talvez você deva esperar. – O loiro sugeriu. – Esperar que ela esteja disposta a ouvi-lo... – Ele deu os ombros. – Pare de bancar o idiota autoritário, porque isso só vai piorar a sua situação. Seja paciente... Se ela gostar mesmo de você, cedo ou tarde vai querer ouvir a história da sua boca.

Sasuke anuiu lentamente, digerindo aquela situação.

–... Obrigado.

Notas finais
Muitas brigas, discussões e muitos desabafos. :D Poucas cenas, mas mil tretas! XD Acho que muita gente vai se surpreender com o pouquinho da história da Rin. Talvez nem tanto, já que eu deixei uma brecha no capítulo anterior, mas... Não sei. Eu gosto muito da Rin e do Obito, então quis mostrar um pouco deles dois. :) Espero que tenham gostado. sz A discussão do Sasuke e da Sakura ficou um pouco menor do que eu tinha imaginado, mas acho que ficou natural. Vejam bem, eu não sei vocês... Mas se eu visse uma foto do meu namorado saindo de um hotel com uma ex-peguete de manhã cedo, eu não ia querer vê-lo, ouvi-lo, nem pensar na existência da criatura. Por isso acho que foi natural ela encerrar logo o assunto, afastá-lo logo. O que vocês acharam da ficha do Sasuke caindo? Particularmente eu não sei o que pensar. De certa forma foi engraçado, mas... Que momento, né? O pior é que isso só vai servir pra teimosia do Sasuke piorar! :x Err... Como eu já falei um milhão de vezes, adoro cenas em que o Naruto e o Sasuke interagem!... É engraçado, muito divertido escrevê-los juntos! :3 Adorei dar ao Naruto um momento maduro. sz Especialmente por ser relacionado ao Sasuke, que se acha tão maduro do que o loirinho... Bem, foi um capítulo difícil, mas a verdade é que não tinha como colocar mais coisas. ;-; Até pensei em fazê-lo, mas... Não. Melhor deixar pro próximo. A pressa é inimiga da perfeição, e eu não quero arriscar a qualidade do capitulo. u.u Realmente espero que tenham gostado, porque eu de fato me esforcei! sz Tanto, que agora vou ser ameaçada de morte pelos leitores de The King. Mas tudo bem! XD Mais uma vez agradeço por tuuudo o que sempre fazem por mim! Por todas as palavras de carinho, por todo o apoio!... Vocês são maravilhosos, fazem da tia Candy uma autora feliz! ;-; Ah! Uma coisa que eu gostaria muito de comentar. Acho que alguns dos leitores tem meu facebook, e por isso devem ter percebido que... EU ESTOU COMPLETAMENTE APAIXONADA PELO NOVO ANIME DE FATE/STAY NIGHT! De verdade! Se você gosta de animes de ação, de histórias de magia ou de personagens fodasticamente fodas, assistam Fate/Stay Night 2014! Mas tem que ser o 2014, entenderam?! Por enquanto só tem dois episódios! Mas são dois episódios perfeitos! Ò_Ó Rin Tohsaka é simplesmente a minha personagem favorita no universo sz, então eu tinha que falar de Fate, e do quão feliz eu estou pela adaptação sair tão linda! :D Mais uma vez obrigada por tudo, pessoal! Espero que tenham gostado do capítulo... Até o próximo! :*