Notas iniciais
Estou três horas atrasada... Sinto muito. x.x Só consegui concluir o capitulo agora. :/ Bem, antes de qualquer coisa, quero agradecer à riko-nee pela décima segunda recomendação de 50tonsU! *-* Muito obrigada pelo carinho e pela consideração! sz~ Também gostaria de agradecer a todos os que continuaram lendo e comentando a fic, mesmo eu estando tão atrasada nos posts... Realmente, tive muitos contratempos nas últimas semanas. Na semana retrasada, tive que viajar para o interior, para a casa da minha tia. Eu tenho uma prima pequena, e ela sugou minhas energias! XD Na semana passada, honey-honey veio pra cá! *-* Passamos o feriadão juntos e eu, obviamente não podia postar... Mas isso sei que vocês entendem! sz~ Então, no fim das contas, só consegui fazer terminar hoje! XD Eu ainda estou me adaptando a essa rotina de estágio~facul~fanfic, então peço que tenham paciência... Eu definitivamente não pretendo desistir de nenhuma das minhas histórias, então não se preocupem! :) Enfim. Como eu andei sumida por um boom tempo... Acabei fazendo um big post! :D Espero que vocês gostem! Boa leitura! ;)

Capítulo 27 – Subitamente.

– O que foi aquilo, Hinata? – Kiba estava mesmo se esforçando para manter a voz tranquila, mas era muito difícil. – O que aquele cara estava fazendo lá?

Cada passo ouvido era como um estrondo, cada palavra dita, por mais baixa que fosse, era irritante, e fazia a cabeça da pobre Hyuuga latejar; ela pressionou as têmporas na inútil tentativa de se acalmar.

Ainda podia sentir os lábios de Naruto sobre sua mão, como se aquele doce beijo a tivesse queimado. Ainda podia sentir a cabeça girando e girando, duvidosa sobre a veracidade daquele acontecimento.

– Hinata! – Ele a segurou pelo pulso, parando-a antes que pudesse entrar no camarim. Hinata virou-se de soslaio, e o encarou com irritação palpável, como se seu olhar pudesse afastá-lo.

Não deu certo.

– Isso, – Ele apontou para o buquê com a cabeça. – É uma grande sacanagem. Você sabe que não é justo comigo, certo? – Ela não precisou pensar em uma resposta, já que para a sua sorte, naquele mesmo instante, um grupo de pessoas se aproximou.

O casal virou-se, e Hinata tentou sorrir para a família que se aproximava com hesitação. Madara estreitou as sobrancelhas, desagradado ao enxergar tristeza no olhar da adorada neta. – Nós interrompemos?

– De maneira nenhuma, vovô. – Ela aproximou-se, e enlaçou a cintura do patrono da família, que lhe ofereceu um de seus raros sorrisos sinceros. – Só fiquei um pouco surpresa em vê-lo aqui, já que mandou flores... Obrigada.

– Tudo pela minha pequena Hinata. – Beijou a cabeleira azulada.

– Querida, você vai amassar as flores. – Suzuki aproximou-se, e tomou o buquê das mãos da filha mais velha. Ela sorriu ao analisar as flores, e lançou um olhar sugestivo a muito sorridente Kushina.

– Hinata! – A ruiva se aproximou assim que a mocinha afastou-se do avô; puxou suas mãos, tão íntima que a mais jovem enrubescera. – Você estava linda, querida. Magnífica! Ficamos maravilhados, não é querido? – Ela lançou um olhar para Minato, que estreitou as sobrancelhas, sorrindo.

– Você estava ótima, Hinata. – Ele concordou, cruzando os braços. – Tem uma voz linda, foi uma ótima apresentação. – Hinata também sorriu; ajeitou a franja, constrangida e tentou não olhar no rosto dos Uzumakis. Murmurou um “obrigada” muito baixo, e só ergueu os olhos quando um flash ofuscou seus olhos.

Olhou, atordoada, na direção da câmera e por trás das lentes, Kasumi lhe sorriu. – Eu precisava de alguma coisa para a matéria. – Se explicou. – Já que não pude tirar fotos de você no palco... – Lançou um olhar irritado para o noivo, que preferiu ignorá-la. Itachi se aproximou da prima e a envolveu num abraço fraternal.

– Parabéns, Hina! Estava linda! – Em um piscar de olhos, Kasumi estava ao lado dele; fuçou na bolsa por curtos instantes, e puxou um embrulho pequeno e elegante de lá. – Aqui. – Estendeu à moça. – Um presente de comemoração. – Piscou. – Cuidadosamente escolhido por sua prima.

Kasumi havia dito aquilo com tanta casualidade que ninguém, além de Itachi e Madara, pôde sentir a provocação escondida naquelas palavras, mas para os dois Uchihas, estava bastante claro que ela havia feito de propósito.

Definitivamente, aquela mulher conseguia deixá-lo mais desconfortável do que Obito; ela era tão indireta, e ao mesmo tempo tão direta, que ele quase não sabia como reagir diante de suas provocações. Ela mexia com seus sentimentos, certamente; a raiva e talvez... Madara sentiu o estômago contorcer, ao pensar na palavra “arrependimento”, e imediatamente tentou afastá-la.

Ele queria olhar para a filha de Obito com superioridade, queria encará-la, e zombar dela com um sorriso irônico, e um olhar... Mas suspeitava que aquilo tivesse tanto efeito em Kasumi quanto tivera em Obito, anos atrás: nenhum. Então, como um covarde, ele continuou olhando com um sorriso robótico na direção da neta que reconhecia. – Pago por seu primo, eu admito, mas escolhido por mim. – Kasumi prosseguiu, lançando um olhar divertido ao noivo, que não parecia nada contente com as provocações.

Como aquela mulher conseguia provocar Madara Uchiha com tanta facilidade?!

– Obrigada, Kasumi. – Hinata puxou o embrulho e tomou as flores das mãos da mãe, tentando seu máximo para não parecer enciumada. – E onde está o Sasuke? Ele não veio?

– Hanabi e Menma obrigaram-no a ficar ao lado delas, na pista. – Itachi cruzou os braços, sorrindo com as sobrancelhas sugestivamente estreitas, e Hinata compreendeu imediatamente quem eram os responsáveis por aquela faixa desnecessariamente exuberante.

Não que fosse difícil associar aquilo à Menma e Hanabi, mas a verdade é que havia ficado estática demais com o encontro de Naruto para pensar nisso. – Aposto que mais tarde vai procurá-la. – Hinata anuiu.

– Diga para Sasuke e os outros irem até este lugar, Itachi. – Madara entregou um pequeno cartão ao neto mais velho, que estreitou os olhos, desconfiado. – É o meu presente para você, Hinata. – Ele olhou orgulhoso para a neta, que ergueu as sobrancelhas, confusa. – O que acha de um Open Bar, querida? – Inicialmente, Hinata manteve-se em silêncio... E então, subitamente, começou a rir.

– Um Open bar?! – Ela perguntou entre gargalhadas. – Você vai me pagar um Open Bar, vovô?! – Madara se apoiou na bengala, sorridente.

– Imaginei que fosse gostar de comemorar com seus amigos, então... Esse é o meu presente. – Mesmo que ainda estivesse gargalhando, Hinata tornou a abraçá-lo. Apertou sua cintura com força; Madara se conteve para não retribuir ao carinho, mas afagou a cabeleira azulada com carinho. – Tudo por minha neta. – Ele murmurou, amoroso.

Kasumi sorriu, um sorriso inicialmente triste, mas que aos poucos foi se tornando rancoroso. – Eu estou tocada. – Ela conseguiu dizer quando o ar voltou aos seus pulmões. – Estou simplesmente tocada. Madara Uchiha! O frio patrono dos Uchiha... No fim, é um avô cuidadoso! – As palavras dela foram como chutes no estômago do mais velho.

Ainda assim, o antigo empresário ergueu o olhar imponente até a neta que havia rejeitado. – Ela é a minha primeira neta, afinal. – Ele falou com casualidade e, do mesmo jeito que Kasumi o havia ferido antes, ele a havia ferido agora.

Ela teve que piscar rápido para não chorar, e mais uma vez Madara percebeu o quanto aquela garota e seu segundo filho eram parecidos... Sempre prontos para atacar, mas nunca para se defender.

Itachi se aproximou cuidadosamente da noiva; envolveu-a pela cintura com os braços, gentil. – Vamos para casa. – Ele murmurou ao pé da orelha dela, amoroso, mas Kasumi riu, superando as expectativas dos homens Uchiha.

– Ir para casa, Itachi? Enlouqueceu? – Ela limpou as lágrimas como se estivesse ajeitando a maquiagem. – O vovô está pagando um open bar!... Comida de graça... Uma garota pobre, miserável como eu... Não posso perder isso nunca, não é? – E tornou a encarar o avô, com um sorriso de puro desafio estampado no rosto.

E Madara percebeu que não queria ter que lidar com aquela mulher.

~

Sakura não ficou exatamente surpresa ao encontrar Ino naquele lugar. Afinal, a Yamanaka já lhe dissera – uma dúzia de vezes, para falar a verdade – que Sai, seu atual namorado era nada mais, nada menos do que “baixista do Time Oito, uma de suas bandas favoritas!”. De Ino, claro, porque Sakura francamente não gostava muito de músicas agitadas; era adepta aos clássicos instrumentais, e a verdade era que, se não fosse por Sasuke e Hinata – mais pelo primeiro do que pela segunda, para ser franca – jamais estaria em um lugar como aquele.

No entanto, não podia dizer-se desgostosa com a experiência. Por falta de interesse, a Haruno jamais estivera num evento como aqueles – ela francamente nunca havia se interessado por bandas teen –, mas tinha gostado do show; gostara especialmente da última música, não só pela clara influência que a entrada triunfal de Naruto resultara em todos, mas pelo simples fato de ser uma musica bonita, com uma voz maravilhosa...

Porque Hinata, sem sombra de dúvidas, tinha uma voz magnífica.

– Sakura, você está me ouvindo?! – Ino tornou a insistir, visivelmente irritada. Sak suspirou longamente.

– Claro que estou. – Mentiu. – Estava me falando sobre como seu novo namorado fica bem, mesmo com a barriga a mostra. – Foi um chute, mas o sorriso de Ino foi tão grande que ela soube que havia acertado em cheio. – Ino, querida... Francamente... Uma estrela de rock? Eu gostaria que você não ficasse tão animada com isso. Você é jornalista, sabe como essas pessoas são... – Ela estreitou os lábios em busca das palavras certas. – Ahn... Volúveis. – Decidiu por fim.

Sakura viu as sobrancelhas finas e loiras se estreitarem num arco muito alto, e de puro desagrado, e soube que tinha escolhido a palavra errada.

– Sai não é volúvel. – Ino garantiu. – Ele é maravilhoso! – O defendeu. – É um ótimo rapaz, de verdade! E muito divertido. Vive fazendo piadas... E é muito... Bom. – Sorriu maliciosa, e Sak enrubesceu. – Não que você possa entender isso, Sak, mas uma mulher sabe quando um homem quer se divertir... – Ela suspirou longamente, sonhadora. – Ele foi tão delicado, tão amoroso... Estou certa de que está se apaixonando! – E sorriu animada para a amiga, que sem opções, não pôde fazer nada além de retribuir, embora não acreditasse tanto naquilo.

Ino sonhava com o amor verdadeiro desde os doze anos de idade. Na realidade, fora ela, para começo de história, quem colocou na cabeça de Sakura que “fazer amor com a pessoa que ama é a coisa mais maravilhosa do universo!”, ainda que fosse tão virgem quanto Sakura, na época.

Ino havia se mantido “pura” até os dezesseis anos. Seu namorado de sempre a havia pedido para avançarem à um “novo patamar”, em certa ocasião, e a moça cedera... Infelizmente, depois do ocorrido, os dois souberam que não iriam adiante, e encerraram o relacionamento da melhor forma possível.

O rapaz, um tal Shikamaru Nara, havia tomado rumo na vida: casara-se cinco ou seis anos depois do término do relacionamento com Ino, e até hoje mantinham contato, como bons velhos amigos. Mas embora Shikamaru houvesse encontrado seu caminho, Ino havia ficado... Perdida. Desde Shika, não havia conseguido arranjar sequer um namorado sério, decente. E isso fazia anos!

Sakura sabia que, por trás daquela casca de mulher madura e experiente, a amiga ainda era uma moça sonhadora, que corria desesperadamente em busca de um amor verdadeiro, em busca de sua alma gêmea...

O problema é que ela corria muito desesperadamente, na opinião de Sak.

Só Deus sabia quantos homens Ino já havia levado para casa, de tantos lugares diferentes, com uma história mais louca do que a outra!

Havia conhecido Sai em uma boate qualquer, em uma noite qualquer. Ele a havia trazido para casa, mas a própria Ino assumira estar tão bêbada que sequer se lembrava da primeira noite.

Francamente, Sak não acreditava que a “cara metade” de qualquer pessoa fosse ser capaz de se aproveitar da bebedeira de seu par, portanto, imaginava que uma hora ou outra aqueles dois iriam se afastar. Ela esperava ser o mais cedo possível, já que temia que a amiga fosse – mais uma vez... – machucada.

Conteve a vontade de suspirar mais uma vez, porque Ino estava animada demais, enquanto lhe contava sobre os acontecimentos da noite passada. Sakura percebeu que, para a filha de um psicólogo tão bom, Ino era bastante perturbada.

Não que fosse má pessoa... Era a melhor de todas as pessoas! Mas estupidamente inocente. Talvez, mais inocente do que ela própria! Afinal, Sak não acreditava em príncipes encantados, nem em cantores de rock perdidamente apaixonados, que se aproveitam da bebedeira de desconhecidas. Ino era tão inocente que chegava a acreditar – porque Sakura sabia que ela acreditava... – que pudesse encontrar o amor verdadeiro em uma boate.

Certo! Não era impossível. O amor verdadeiro podia ser encontrado em qualquer lugar, afinal. Em uma cafeteria, em uma padaria, na rua... Até mesmo durante um casual café da manhã...

O pensamento de Sak a fez enrubescer, e a Haruno tratou de afastá-lo o mais rápido possível, tornando a pensar no caso da melhor amiga.

O verdadeiro amor podia ser encontrado em qualquer lugar, ela tinha certeza. Então, certo, poderia ser encontrado em uma boate... Mas as chances eram absolutamente remotas!

– Ele é tão lindo... – Ino tornou a suspirar, completamente derretida. Sakura revirou os olhos e riu. – Vamos, você tem que admitir: ele é bonito. Até se parece um pouco com Sasuke-kun. – Sakura estreitou as sobrancelhas, e tentou lembrar-se das feições do rapaz em questão para poder compará-lo ao namorado...

De fato, eles tinham uma palidez parecida; olhos negros escuros, intensos e surpreendentemente calmos... Tinham a mesma altura, e corpos esguios, bem estruturados, mas por algum motivo, Sakura não conseguia considerá-los “parecidos”.

Sasuke possuía uma aura que poderosa, afinal de contas.

– Não. – Sak concluiu. – Não acho que eles sejam muito parecidos. – Deu os ombros. Definitivamente ninguém podia ser comparável a Sasuke Uchiha!

.

Sasuke naquele momento, estava um pouco distante; olhava-as a poucos metros de distância. Ele dividia sua atenção entre os olhares curiosos à Sakura e sua amiga – até porque ele ainda estava confuso sobre como aquelas duas poderiam ser tão amigas! – e a conversa animada de Menma e Hanabi, que estavam absolutamente orgulhosas de si mesmas, pela incrível ideia de colocar Naruto no palco para homenagear a diva da noite.

Foi quando ele recebeu uma curiosa e curta mensagem de texto, enviada por Itachi, que sem muitas explicações, dizia para todos irem se encontrar em certa boate, em certo endereço, para comemorar a estréia de Hinata.

Ele deu o recado à Menma e Hanabi, pois imaginou que o convite se estendia a elas, já que Itachi sabia que estavam na companhia de Sasuke, e se aproximou da namorada.

– Ino, eu lamento, mas vou ter que roubar sua amiga. – Ele disse à sua santa – porque, embora fosse como fosse, Ino ainda o tinha salvado uma dúzia de vezes – que mexia curiosamente no celular.

– Oh, tudo bem. – Ela ergueu os olhos. – Eu também tenho que ir. – Disse com um sorriso, erguendo o celular e exibindo à Sak uma mensagem de Sai. – Vou comemorar com o Time Oito. – Sasuke aproximou o rosto do visor do telefone e ergueu as sobrancelhas.

– Parece que vamos ao mesmo lugar. – Ele observou. Sakura olhou para ele, tão espantada que Sasuke riu. – Não é minha culpa! A Hinata é minha prima, eu tenho que estar lá. – Não que ele fosse desgostar de estar lá... Só a ideia de ir a uma boate acompanhado com Sakura, e a possibilidade de dançarem coladinhos o excitava.

Sakura pareceu ler seus pensamentos, porque estreitou os olhos de maneira desconfiada. – Não me olhe assim! – Ele pediu aos risos. – Eu falo sério! – Mas ela continuava com os olhos verdes adoravelmente semicerrados.

Ele parou de rir, mas seu sorriso continuou ali; aproximou-se perigosamente, e beijou-lhe o rosto, carinhoso. – Vamos, não vai ser tão ruim... – Ele murmurou ao pé da orelha dela, sedutor. – Eu definitivamente, vou fazê-la dançar hoje, senhorita Haruno... – E beijou-lhe o canto do pescoço, fazendo-a estremecer.

Sakura o olhou de soslaio, enrubescida, mas ele continuou com aquele meio sorriso desnecessariamente provocador. – Certo?

Ela não respondeu, mas ele soube que havia ganhado.

~

Hinata não se surpreendeu com o local escolhido por Madara.

Era um lugar pequeno, mas cheio de classe; com cadeiras espalhadas ao redor da pista, que era animadamente agitada por um DJ e as famosas luzes piscantes. O bar já estava cheio quando Hinata chegou. Ela devia ter demorado cerca de uma hora e meia para chegar lá, mas todos os amigos – e os amigos dos amigos, e os amigos dos amigos dos amigos – da Time Oito já estava presentes, esperando ansiosamente pela chegada da banda.

Hinata havia se livrado dos questionamentos de Kiba, que estava literalmente cercado com as fãs, mas não sabia por quanto tempo aquela sorte duraria. Na verdade, sequer sabia se queria que aquela sorte durasse!

Ela gostava de Kiba, o bastante para não querer magoá-lo. Gostava de sair com ele, de estar com ele... Mas sabia que não era o mesmo que estar com Naruto. Aquele “gostar” não era nem de longe semelhante aos sentimentos de Hinata por Naruto... E a Hyuuga estava começando a descobrir que nunca seria.

Sentada em uma mesa solitária e escondida, com um coquetel cor de rosa que bebia vez ou outra nas mãos, Hinata observava o lugar e sua movimentação.

Seus olhos pararam quando localizou Sasuke e Sakura dançando juntos, num ritmo um tanto mais lento do que a música soava; observou-os rir e sorrir um para o outro e suspirou ao vê-los se beijando.

– Por que não pode ser assim comigo...?

– Do que está falando? – A voz de Hanabi quase a fez pular da cadeira.

– Hanabi! – A garota riu, e sentou-se ao lado da irmã. – Você me assustou...

– Eu reparei. – Ela roubou um gole do coquetel da mais velha, e ignorou a careta de desagrado dela. – Eu diria que mamãe e papai estão te procurando, mas o vovô me proibiu. Ele quer que você se divirta. – Hina arqueou as sobrancelhas. – Mas você não parece estar se divertindo muito...

– Engano seu. Eu gosto de tranquilidade. – Hana fez uma careta. – É verdade, e você sabe. – A mais jovem suspirou.

– Vamos, onee-chan! Você tem que levantar, dançar! Tudo isso – Ela ergueu os braços para o salão. – É pra você! Para comemorar o seu sucesso... Você estava tão linda no show! Conquistou o coração de todos! – Hinata riu.

– Claro. E é por isso que eu estou aqui, sentada e sozinha, enquanto meu namorado é bulinado – Ela apontou, com o copo, na direção de Kiba. – Por uma dezena de desconhecidas.

– Ele é muito bom no que faz. – Hanabi observou. – Está tirando fotos com as meninas há uns bons trinta minutos... É um bom líder. – Hina deu os ombros. – Você não parece incomodada... – As sobrancelhas da mais velha se arquearam.

– E porque estaria?

– Ah, não sei. Porque tem uma dúzia de garotas estão tentando apertar as nádegas do seu namorado? – Hinata riu alto, levemente alterada pelo coquetel, e Hanabi riu por isso. – Onee-chan, vamos dançar! – A mais jovem implorou.

– Não. Eu acho que vou esperar até que algum dos fãs que conquistei venha me chamar para dançar.

– Mas é que você parece tão diferente... Não acho que alguém vá te reconhecer sem o cabelo, a maquiagem e as roupas exageradas.

– Algum deles vai. – Hina piscou para a irmã. – E quando ele chegar, tomar minha mão e me chamar, prometo que vou dançar. – Hanabi sorriu ao ouvi-la dizer isso. Um sorriso muito malicioso, na opinião da irmã. Ela arqueou as sobrancelhas e ergueu os olhos para além de Hinata. – O que...?

Mas antes que Hinata pudesse concluir a pergunta, sentiu uma mão grande tomar a sua; ela enrubesceu, ao ver Naruto lhe sorrir. – Já que é assim, vamos dançar. – Ele sugeriu com os olhos azuis brilhantes.

Hinata fez uma careta, e encarou a irmã com desagrado. Hanabi deu os ombros. – Foi você quem disse, onee-chan. Agora não pode dispensar o Naru-nii.

– É claro que posso. – Ela ofereceu um sorriso sombrio ao amado, que estreitou uma das sobrancelhas loiras. – Eu disse que dançaria com um fã. O Naruto é um amigo, mas definitivamente não é um fã. – Ele fez uma careta.

– Eu sou seu fã. – Garantiu. Ela estreitou os lábios com descrédito, mas enrubesceu quando o sentiu puxá-la pela cintura. – Você conquistou meu coração essa noite. – A voz de Naruto era um misto de sedução e diversão, que só servia para aumentar o constrangimento da moça.

Hinata se esquivou com uma expressão séria; tentou tornar a se sentar, mas foi impedida quando Naruto a segurou pelo antebraço. – Desculpe... – Pediu sincero, e então suspirou. – Vamos, Hina... Só quero dançar com você. Não vou fazer nada. – Ele ergueu o mindinho. – É uma promessa.

Hinata hesitou. Muito, mas por fim anuiu. Com um sorriso tímido, enlaçou o dedo no do Uzumaki. – Só uma vez. – Murmurou timidamente, e ele anuiu.

Para a desgraça de Hyuuga, bastou que seguissem caminho à pista para que uma música lenta e insuportavelmente romântica começasse a soar; ela se arrependeu de ter aceitado antes mesmo de Naruto parar, enlaçar sua cintura e fazer com que os corpos ficassem a milímetros de distância um do outro, mas já era tarde demais.

Muito constrangida, Hinata apoiou seus braços sobre os ombros largos, e deixou-se ser guiada pelos passos lentos, suaves e românticos do Uzumaki.

Ele lhe sorriu; alisou a cintura discreta e suavemente, e encostou o canto de seu rosto no canto do rosto dela; deu-se por satisfeito quando a sentiu relaxar.

Hinata fechou os olhos e simplesmente se deixou levar – provavelmente guiada pelo pouco álcool que, graças à falta de costume, já fazia efeito sobre seus nervos. – Eu fiquei surpresa... Quando você apareceu... – Ela murmurou depois de um ou dois minutos de silêncio.

– Eu sei. – Naruto lhe respondeu em tom divertido. – Mas devo admitir, os créditos pertencem às nossas irmãs. São duas pestes geniais. – Ele sentiu-a sorrir e decidiu afastar o rosto milimetricamente, só para poder olhar para o rosto dela.

– Amanhã eu vou gritar muito com elas.

– Devia fazer isso agora, enquanto está corajosa. – Naruto sugeriu com um sorriso maldoso; Hinata fez um beicinho e deu os ombros. – Fico feliz por preferir ficar comigo a infernizar nossas irmãs. – Ele confessou, e com muito cuidado, puxou-a para mais perto.

Hinata enrijeceu, e ele soube que tinha percebido.

– Desculpe. – Murmurou. – Mas... Já faz um tempo que não ficamos juntos...

– Nós nunca ficamos tão juntos. – Ela observou. Naruto estreitou os lábios. – Só somos amigos, lembra? Sempre foi assim-... – Mas Hinata calou-se quando sentiu as mãos dele deslizarem por seu rosto, gentis e calorosas.

Sentiu o rosto queimar, e o coração palpitar.

– Eu fui o seu primeiro beijo. – Ele murmurou. – Eu fui o seu primeiro homem... O seu primeiro amor. – Ela forçou uma risada.

– Foi. – Afirmou; sentia seu estômago contrair. – Mas eu não fui o seu.

– Você não pode saber... – Hinata suspirou longamente, exasperada, e o calou.

– Sabe por que estamos assim neste momento? – Ele não respondeu. – Porque eu quero superar você... Porque quero seguir em frente, porque quero te esquecer. Eu tenho certeza de que se não estivesse tão decidida a deixar de te amar, nós nunca estaríamos...

– Por favor, não faça isso. – Ele a interrompeu, e sua expressão exaustiva a fez parar de falar. – Eu já entendi o que você acha... – Puxou-a ainda mais, e os corpos enfim se tocaram. Hinata enrubesceu, e por isso, tentou esconder o rosto no ombro dele. – Você me acha um imbecil egoísta, e por isso não acredita em mim. – Ele murmurou.

Hinata estreitou os olhos e conteve o impulso de chorar.

Ouviu-o suspirar, e sentiu-o recostar a cabeça entre seu ombro e seu pescoço.

– Eu não sei mais o que fazer, Hinata... – Hinata estremeceu ao sentir o ar quente roçando a pele de seu pescoço, e encolheu-se. – O que eu tenho que fazer para você colocar nessa cabeça dura que eu, de fato, realmente te amo?

Ela quis chorar, mas se conteve. Naruto sentiu-a apertando as costas de seu terno, mas não se importou. – Você disse que não ia fazer nada... – Hina murmurou com a voz chorosa.

Ele sorriu, tristonho, e anuiu. – Desculpe... – Murmurou; ergueu a cabeça e beijou-lhe a cabeleira azul. – Eu não vou fazer. – Garantiu, e ela assentiu.

E assim eles continuaram, dançando em silêncio.

Kiba não sentiu estômago para observá-los de perto, mas mesmo enquanto estava sentado em uma mesa consideravelmente distante dos dois, era simplesmente impossível não lançar um ou outro olhar furtivo.

Francamente, ele já não sabia mais o que fazer.

Estava cansado de tentar entender Hinata, cansado de tentar conquistá-la. Começava a reavaliar seus sentimentos pela garota. De fato, ele gostava dela. Não só como mulher, como também como amiga.

Quando não estava entre tapas e beijos com Naruto, era a melhor pessoa que já teve o prazer de conhecer, mas que homem agüentaria ver uma cena daquelas?! Que homem teria estômago para ver a namorada agarrada com um cara que – Kiba tinha certeza – a amava?!

– Se eu fosse você, eu tirava meu time de campo. – Aquela vozinha irritante... Ele não precisou se esforçar para adivinhar a quem pertencia.

Menma sentou-se à frente dele, e lhe ofereceu um sorriso vitorioso. – Você gostou do show? – Ela perguntou com inocência forçada. – Espero que tenha visto a faixa que eu e Hanabi fizemos.

– Claro que eu vi. – Ele mentiu. Não havia visto a maldita faixa, mas por algum motivo, imaginou que devesse dar a ela um sorriso irritado. – Foi muito bem trabalhada... Mas não tanto quanto o seu plano maléfico de mandar o seu irmão para homenageá-la. – Menma mordeu o lábio inferior, contendo uma gargalhada. – Aquilo foi um chute nas minhas bolas, garota. – Ele ergueu a latinha de cerveja em cumprimento, e goleou-a logo depois.

– Os créditos não são só meus. Hanabi também teve uma pequena participação.

– Mas aposto que foi você, a engenheira maquiavélica. – O sorriso dela, provocativo e irritante, foi sua resposta.

Aquilo foi a gota d’água.

Kiba levantou-se súbitamente; puxou-a pelo antebraço e a arrastou até o hall de entrada, que com exceção dos guardas, estava vazio. Menma ria, como se achasse graça da atitude do cantor, e mesmo quando ele a rendeu contra a parede, não deixou de sustentar o olhar furioso do rapaz. – Qual é o seu problema comigo, garota? – Ela estreitou as sobrancelhas loiras.

– Absolutamente nenhum. – Ela garantiu. – Nenhum, além do fato de estar namorando a namorada do meu irmão! – Ele riu.

– Hinata me garantiu que eles nunca tiveram nada. – Mas o sorriso provocativo dela continuou. Era irritante... Frustrante! Ele apertou os punhos, esforçando-se muito para conter o forte – realmente forte – impulso de dar uns tapas naquela garota!

Mas ao invés de espancá-la, como bem gostaria de fazer, Kiba agarrou os cabelos loiros, puxou-a pala nuca e a beijou.

Só para não ver mais aqueles dentinhos brancos e diabólicos lhe sorrirem com desdém.

~

Com seus olhos fechados, sentimentos tranqüilos, coração palpitante e o rosto acomodado sobre o peito largo e forte do namorado, Sakura começava a pensar que ter ido àquela boate, no fim das contas, não havia sido uma má ideia.

Ela podia ouvir a pulsação tranquila soando do peito dele; sentia suas mãos enlaçando sua cintura com carinho extremo, e seus lábios sobre sua cabeça. Podia sentir a respiração tranquila e compassada de Sasuke em seu coro cabeludo, e não conseguiu deixar de pensar em como aquilo seria bom ficar ali para sempre.

O pensamento a fez enrubescer.

Ela sentiu as mãos do namorado tocar seu queixo, e constrangida, ergueu o rosto subitamente. Sasuke estreitou as sobrancelhas, confuso, mas decidiu que o melhor a se fazer era ignorar aquele leve sobressalto. Então baixou o rosto até que pudesse alcançar os lábios róseos e beijou-a com carinho.

Tanto, que Sakura sentiu suas pernas bambearem.

Ela teve que se apoiar sobre os ombros de Sasuke para continuar em pé, mas ele não se importou; apertou sua cintura, fazendo com que os corpos colassem um no outro, e continuou a beijá-la.

Por que ela estava tão ansiosa? Por que estava tão agitada?!

A resposta daquilo chegava a ser óbvia, mas Sakura não queria aceitá-la. Era simplesmente impensável, a possibilidade de ver-se amando...

Ela se afastou subitamente, com o coração palpitante e o rosto enrubescido.

O que estava pensando?!

– Algum problema? – Sasuke parecia realmente preocupado, e aquilo a fez enrubescer ainda mais.

– São os sapatos. – Ela mentiu. – Estão machucando meus pés. – Sasuke fez uma careta. – Já falamos com a Hinata, já dançamos um pouco... Será que nós podemos ir agora? – Ele concordou com um acenar – até porque estava exausto –, e guiou-a pela pista, passando pelos casais sem se importar muito.

– Sasuke! – Uma voz masculina exclamou, e Sasuke empalideceu mesmo antes de ter certeza a quem pertencia.

Lentamente, ele virou o rosto em direção ao avô; o velho estava sentado à duas mesas de distância à que Sasuke acabara de sentar a namorada. – Sasuke, meu neto! – Madara se levantou com a ajuda da bengala, e se aproximou em passos muito lentos. – Eu não sabia que estava aqui. – Mentiu.

–... Eu digo o mesmo, avô...

Sakura tentou não parecer uma estúpida enquanto olhava com curiosidade de Sasuke para o avô, mas sentiu-se uma criança fofoqueira quando os olhos do patrono Uchiha caíram sobre si.

Ele a olhou por um segundo, e depois tornou a fitar Sasuke, como se esperasse uma apresentação. Como o neto não parecia nada disposto a contribuir, ele mesmo o fez; virou-se para Sakura com um sorriso encantador, e esticou-lhe a mão livre. – Acho que as boas maneiras de meu neto estão enferrujadas. Eu sou Madara Uchiha, avô paterno de Sasuke. – Falar isso era desnecessário, mas aquilo não importava.

Sakura levantou-se subitamente; colocou no rosto o seu melhor e mais tenso sorriso e apertou a mão esticada em sua direção. – E- Eu sou Sakura Haruno. – Se apresentou, mas não conseguiu pensar em nada além de seu nome.

– Minha namorada. – Sasuke facilitou.

– Uma namorada! – Madara exclamou. – Eu não sabia que tinha uma namorada, filho. – Embora o avô fosse um ator muito bom, não conseguiu convencer ao neto.

Sasuke duvidava que aquele maldito realmente não soubesse. Na verdade, ficaria surpreso se Madara não conhecesse toda a vida pessoal e profissional da garota Haruno. De qualquer forma, tudo o que fez foi sorrir em resposta.

– Mas você parece muito jovem!

– Ela tem vinte e dois, avô. Eu não sou nenhum pervertido. – Sakura teve que morder os lábios para não gargalhar, porque não devia haver no mundo mentira maior do que aquela! – A propósito, nós já estávamos de saída, avô... Sinto muito por isso.

– Oh, não se preocupe. – Ele olhou para a moça. – Foi um prazer conhecê-la, senhorita Haruno.

Sakura o reverenciou. – O prazer foi tudo meu, senhor Uchiha.

Sasuke sorriu à namorada e tomou o braço livre do avô, como se fosse ajudá-lo a se sentar. – O que diabos você está fazendo aqui? – Ele perguntou num tom em que apenas o velho maldito poderia ouvir.

– Eu sou o pagador, oras. Vim homenagear a Hinata...

– E pra quê foi falar conosco? – As sobrancelhas negras do mais velho se estreitaram. – Escute, avô. Se você tentar alguma coisa... – Madara bufou.

– Pelo amor de Deus, porque eu tentaria alguma coisa? Você não é nenhum Romeu, Sasuke. Se quiser ficar com a garota, fique. Aliás... – Ele olhou de soslaio para Sakura, que naquele momento ajeitava a bolsa. – Eu gosto dela. – Os olhos negros do mais jovem reviraram.

– Não passaram nem cinco minutos juntos. – Ele o lembrou.

– Ah, não se comporte como um idiota... – Madara sentou-se com um pouco de dificuldade na cadeira. – Sabe que a investiguei. – Sasuke estreitou os lábios.

– É claro que eu sei.

– Então! É disso que estou falando. Ela parece ser uma boa garota... Estuda medicina, e é a primeira na classe... Nós não temos nenhuma médica na família. Seria uma grande adição à Uchiha.

Sasuke não conseguiu não sorrir; sentou-se à frente do avô, visivelmente divertido com o avanço da conversa. – “Adição à Uchiha”? – Ele repetiu, quase tão desacreditado quanto divertido.

– Claro. Academicamente falando, ela é extremamente inteligente. E acabo de comprovar que é uma moça encantadora...

– Você está me arranjando uma esposa? – Ele não conseguiu deixar de perguntar.

– Estou dizendo que gosto dela. – Madara sorriu. – E não me importaria se vocês se casassem algum dia... Vamos, Sasuke! – Ele prosseguiu quando viu os olhos do neto se estreitando. – Nunca saiu sério com uma garota. É a primeira namorada que leva à eventos... Deve sentir algo especial! – O Uchiha fez uma careta.

– Está ciente de que está aprovando a filha de uma empregada?

– Governanta, pelo que sei. E de um farmacêutico. Mas que isso importa?

– Ela é pobre. – Madara cruzou os braços.

– E você é rico. Qual é o problema nisso? – Levou um segundo para que Sasuke absorvesse aquilo.

–... Você não se importa?

– Claro que não me importo! – Madara riu. – Por que me importaria? Pelo amor de Deus, Sasuke! Estamos no século vinte e um. – Mas Sasuke não conseguiu pensar em uma resposta para aquilo. – Vá, ela começou a olhar para cá. – Sasuke ficou chocado ao ver o avô sorrir e acenar na direção de sua namorada, e se levantou subitamente, visivelmente perturbado. – Até mais, filho! – Ouviu Madara falar às suas costas, mas preferiu ignorá-lo.

Viu Sakura levantar-se e acenar para o patrono Uchiha. – Vamos. – Ele murmurou à moça. E, ainda que estivesse confusa Sakura anuiu antes de segui-lo.

~

Kiba havia retornado à mesa muito mal humorado, mas os demais integrantes da banda – que agora estavam sentados em seus devidos lugares – não se importaram.

Mesmo Hinata não se preocupou em questioná-lo. A Hyuuga estava absorta em seu celular, envergonhada demais para olhar para qualquer canto, uma vez que Ino e Sai estavam sentados ao seu lado, se agarrando de maneira despudorada... Pelo menos até que o baixista sentisse o violento tapa de Kiba em seu joelho.

– Você quer a chave do carro? – O questionou com irritação, mas Sai apenas sorriu em resposta.

– Desculpe, nervosinho... – Ele se esticou preguiçoso. – Só estávamos nos despedindo. – Ino estreitou os olhos.

– Despedindo? – Sua voz soou manhosa. – Eu pensei que ia comigo pra casa... – Ela fez um beicinho, e o baixista riu.

– Hoje não, gata. Tenho outros planos. – Kiba revirou os olhos e se ajeitou em sua própria cadeira. – Hinata! – Sai exclamou quando viu a Hyuuga prestes a se levantar. – Espere. – Ele a puxou pelo pulso, e fez menção para que voltasse a se sentar.

Lentamente, a vocalista retornou à cadeira, visivelmente confusa. – Algum problema?

– Não, não. Só uma curiosidade. – Ele envolveu a cintura de Ino com uma das mãos, mas não tirou os olhos da nova colega. – Quem era aquele cara que dançou com você? – Hinata e Kiba enrubesceram ao mesmo tempo, embora por motivos diferentes.

– Naruto Uzumaki. – Ino respondeu prontamente, querendo atenção. – É o filho mais velho de Minato Namikaze, e amigo de infância da Hinatinha... – A Yamanaka roçou o nariz sobre o rosto do rapaz, mas o carinho não pareceu surtir muito efeito.

– Amigos de infância?... Eles parecem mais que isso. – Kiba cerrou os punhos e Hina baixou a fronte.

– Não tem “mais que isso”... – Ela murmurou a contragosto, extremamente constrangida. O rapaz deu os ombros.

– Vamos, conte-me algo dele. – Ele instigou à Hyuuga, que estreitou as sobrancelhas.

– Como assim?

– Do que ele gosta? – Ele parecia realmente curioso, mas Hinata ainda não havia compreendido.

– O quê?

– Estou perguntando se ele prefere homens ou mulheres. – Por um segundo, ela não conseguiu responder.

–... Mulheres. – Respondeu, cerrando os lábios em desagrado.

– Você nunca ouviu falar na fama de garanhão de Naruto Uzumaki? – Ino o questionou com um tom de voz divertido, embora se sentisse extremamente desconfortável. – Mas por que a curiosidade, querido? – Sai sorriu.

– Não é óbvio?

Não, não era óbvio. Mas Ino tentou conter o impulso de ser grosseira, e simplesmente negou com a cabeça.

– Estou interessado. – O baixista confessou com um sorriso animado. – O que ele fez no show foi excitante, até pra mim. Seria interessante conhecê-lo... Talvez, Hinata, — Olhou na direção da Hyuuga. – Você possa nos apresentar!

Ela lhe ofereceu um sorriso tímido e silencioso.

– Espere... Interessado? – Ino enrubesceu. – Mas... Você é... Eu pensei que gostasse de garotas! – Sai riu; apertou o rosto da loira e beijou seus lábios.

– Mas eu gosto de garotas, oras. – Ele garantiu. – Eu não sou... Seja lá o que você ia falar. Não gosto de ser esteriotipado, gatinha. Eu gosto de seres humanos, entende? Homens, mulheres... Não importa o gênero, desde que sejam interessantes.

Ino não conseguiu pensar em absolutamente nada para respondê-lo.

Apenas levantou-se, pegou sua bolsa e se afastou.

.

Quando chegou em casa, caindo de bêbada, já deviam passar das duas da manhã. Ela tocou a campainha meia dúzia de vezes antes que Sakura abrisse a porta. – Ino! – Exclamou surpresa e assustada. A loira riu alto, e agarrou a melhor amiga.

– Sakura-testuuuda! Como você está linda!... Sakura, você tem uma irmã gêmea...? – Ela fez uma careta, e Sak suspirou.

– Fique quieta, ou seu pai vai ouvi-la. – Murmurou baixo, e ajudou-a a entrar em casa. Foi uma missão quase impossível levá-la ao banheiro, mas Sakura estava acostumada às crises alcoólicas de sua quase-irmã.

Ela ouviu com paciência toda a descrição do terrível e traumático termino do relacionamento que sequer havia se iniciado enquanto a ajudava a tirar as bijuterias antes de empurrá-la para a ducha fria. – Então ele disse: “não é óbvio? Eu estou interessado”... Na minha cara! – Ela chorou. – Na minha cara, acredita?! – Sakura suspirou.

– Eu sinto muito, querida... – A loira sentou-se no Box, encolheu-se e começou a chorar de soluçar. Sakura ligou o chuveiro e fez uma careta quando Ino xingou alto.

Para o bem do senhor Yamanaka, torcia para que ele estivesse cansado o suficiente para que não pudesse ouvi-la.

Como uma boa amiga, depois de banhá-la, Sakura ajudou Ino a secar-se e trocar-se; vestiu-a com o pijama de flanela da depressão e guiou-a carinhosamente até seu quarto. Depois foi à cozinha, preparou um café forte e, quando retornou ao quarto, flagrou a amiga desmanchando-se em lágrimas.

– Vamos, Ino... – A rosada sentou-se ao lado dela, e alisou a cabeleira loira. – Só era um idiota. Não ligue para isso...

– Então todos os homens do mundo são idiotas?... Não! Eu sou a idiota. – Ela fungou. – Sou eu quem perde todos eles...

– Querida, eu não acho que...

– Da próxima vez, eu vou fazer como você! – Sak estreitou as sobrancelhas.

– Como eu?

– Sim. – Ino anuiu, encolhida na cama. – Eu vou me fazer de difícil... Talvez, assim, eu consiga segurar alguém... – Sakura sabia que Ino estava bêbada e frágil, mas ainda assim não conseguiu engolir aquilo.

–... Querida, eu não acho que isso seja importante... Você é linda, logo vai encontrar alguém... Vamos, sente-se. Tome o café que fiz.

– “Não acho que isso seja importante” – Ino fez uma careta enquanto imitava sua voz. – Você fala isso porque conseguiu fisgar o Sasuke-kun!

–... Nós não estamos juntos só por isso, Ino... – Ela estava tentando não se magoar, mas era difícil.

– Até parece! – Ino gargalhou.

–... Acha que só estamos juntos até agora porque ainda não...?

– Com certeza! – Ino cruzou os braços. – Homens são terríííveis, Sak-chan! Assim que você abrir as pernas, ele vai atrás de outro rabo de saia. – Sakura enrubesceu, mas percebeu que o melhor a se fazer era não respondê-la.

Ela se obrigou a ficar ao lado da amiga até que Ino adormecesse – o que aconteceu por volta das três da manhã –, mas mesmo enquanto estava deitada em sua cama, sozinha em seu quarto, não conseguiu pregar os olhos.

Sexo realmente era a base do relacionamento de Sasuke e Sakura?

Era só isso o que ele esperava dela, de verdade?

Sakura percebeu que não tinha uma lembrança em que eles estivessem sozinhos e o assunto sexo não fosse abordado... Mas tudo acabaria, quando ela cedesse?

Os olhos verdes se estreitaram, agonizados.

Ela não queria que aquilo acabasse... Queria que ele continuasse ao lado dela. Queria que ele a abraçasse e a beijasse pelo restante de sua vida.

Toda aquela confusão, toda aquela agonia só fazia aumentar a certeza de que, quanto mais tempo juntos eles ficassem, mais difícil seria para Sakura, se ele realmente fosse o cafajeste que todos criam ser...

E subitamente, ela se decidiu.

.

Quando a campainha soou pela quinta vez consecutiva, Sasuke decidiu que devia se levantar.

Ele olhou preguiçosamente para o relógio e fez uma careta ao ver que sequer tinham dado cinco horas da manhã... De uma manhã de domingo!

A campainha continuou soando incansável, e ele bufou de irritação. Iria espancar Naruto por acordá-lo àquela hora!

Ele levantou-se num pulo; vestiu a calça e seguiu para a porta em menos de dois minutos. – Já estou indo, Naruto! Pára de tocar essa porcaria! – Ele gritou irritado, e no mesmo instante, a campainha parou.

Se não estivesse tão sonolento, estranharia o fato de ter sido obedecido.

Se Naruto realmente fosse a visita inesperada, tocaria a campainha ainda mais rápido, ainda mais vezes, quando ouvisse a voz do amigo, até que Sasuke xingasse.

Mas não era Naruto quem estava do outro lado da porta.

Sasuke levou cerca de meio segundo para absorver a ideia de Sakura à sua frente, com a respiração ofegante e o rosto quase tão vermelho quanto o sobretudo que vestia. – Sakura? – Ele parecia chocado, e aquilo a fez se sentir ainda mais ansiosa.

Sak empurrou-o lentamente para dentro do apartamento, e assim como Sasuke costumava fazer, fechou a porta com um chute. Ela não queria tirar os olhos do dele... Se quebrasse o contato visual, suspeitava que não conseguiria continuar com aquela coragem. – Algum problema? – Sasuke estava visivelmente atordoado, mas ela decidiu não responder.

Ao invés disso, deslizou as mãos pelo peito largo e forte com suavidade e lentidão, até alcançar a nuca do namorado; ela puxou-o gentilmente, sem encontrar resistência alguma, e o beijou amorosamente... Decidida a ir adiante.

Notas finais
Pois é! Subitamente, Sakura se decidiu! XDDD Será que eles vão seguir a diante? Será que a Sakura vai realmente ter coragem?! Ela finalmente entendeu que seus sentimentos por Sasuke-kun vão além da paixonite, mas poderia Sakura deixar seus ideais e se entregar para um homem que não sabe se a ama...? Não percam, no próximo capítulo de 50 tons de Uchiha! Tá, preciso ir dormir. ;3 São três da manhã. Estou me aproveitando porque amanhã eu provavelmente não vou trabalhar... Espero que não... Se eu for trabalhar, to ferrada e a culpa é de vocês. e.e Brincadeirinha. sz~ Mais uma vez, quero agradecer a todos os que acompanham a fic! Aos que recomendaram, aos que comentam... Obrigada por todo o carinho! sz~ Faltam duas semanas para o aniversário de 50tonsU... E eu vou me esforçar para postar nessas duas semanas, só pra deixar vocês felizes! :D Entããã~o, até semana que vem! ;)