50 Tons De Uchiha
28 Amor.
Notas iniciais
Capítulo 28 – Amor.
Sakura não queria pensar que era do seu feitio tomar decisões tão importantes de maneira tão repentina, mas não quis refletir muito sobre isso. Ela não queria sequer ter tempo para pensar; não queria procurar pontos negativos na ideia de fazer amor com Sasuke Uchiha , então simplesmente saltou da cama, correu até o armário e tirou de lá o primeiro casaco que cobriria a sua não tão casual camisola de tecido mole cor-de-rosa, sem se apegar ao fato de ainda estar usando a maldita camisola quentinha e confortável!
Puxou da cadeira a bolsa que havia usado no dia anterior e deixou o quarto; vasculhou a bolsa de Ino – que estava jogada na sala – até encontrar as chaves do carro e simplesmente saiu, sem deixar satisfações, pegando os primeiros sapatos que encontrara à porta de casa.
Enquanto dirigia, tudo no que podia pensar era em como estava sendo idiota.
Definitivamente não devia dar ouvidos à sua melhor amiga bêbada, semi dispensada e consequentemente despeitada. Sentia-se uma estúpida por não parar de pensar naquilo! Mas, ainda assim...
Ela lembrou-se de Sasuke. Tentou recordar cada minuto que haviam passado juntos naqueles poucos meses – que na verdade nem eram mais tão poucos assim!
Tentou lembrar-se de cada situação, de cada diálogo, de cada discussão e percebeu que, de fato, sexo era um tema predominante em suas conversas. Percebeu que não haviam tido um momento a sós sem que ele tivesse tentado alguma coisa suspeita...
Com exceção da manhã do dia anterior, claro. Ele a tinha provocado perversamente, da pior maneira possível. Lembrou-se das carícias, dos beijos, da sedução e da rendição... E do amargo gosto de frustração que havia sentido quando ele a deixou.
Aquilo devia ser um ponto positivo, ela cogitou. Afinal, se Sasuke apenas pensasse em sexo, definitivamente não a deixaria sozinha na cama enquanto Sakura se mostrava tão positivamente receptiva. Sakura tentou pensar assim, tentou pensar que aquilo era o fato supremo, que acabava com todas as especulações bêbadas de Ino, mas não conseguiu aceitar aquela ideia nem para si mesma.
Ele só a havia provocado, afinal. Só para se vingar, e Sakura já havia percebido que Sasuke poderia ser muito vingativo.
Suspirou longamente, e praguejou baixo.
Por que, ela se perguntou, por que tinha que pensar tanto em uma coisa?! Por que tinha que insistir tanto sobre assuntos tão estúpidos e sem sentido?! E, principalmente, porquê tinha que estar apaixonada por aquele homem complicado?!
Embora o pensamento fizesse com que seu estômago revirasse, Sakura se negou a voltar a pensar naquilo como um erro. Era a verdade, afinal de contas! Fosse certo ou fosse errado, estava apaixonada por ele! Mais apaixonada do que nunca havia estado em sua vida!... Se é que já havia se apaixonado antes.
Com o rosto enrubescido e o estômago revirando, ela estacionou o carro em frente ao prédio de Sasuke. Desceu mais apressada e ansiosa do que pensava ser o certo, e seguiu em passos rápidos até a recepção.
O zelador, um homem consideravelmente mais velho e bastante gentil deixou-a entrar sem problemas, cumprimentando-a com um “Bom dia, senhorita Haruno” despreocupado e casual, ainda que não passasse das cinco da manhã.
Aquilo a envergonhou de tal maneira, que em questão de um minuto Sak estava entrando no maldito elevador, pressionando o botão do andar de Sasuke e o que faria com que a porcaria da porta do elevador se fechasse mais rápido, estupidamente ansiosa para aquela coisa subir logo.
Sentia que poderia explodir de tensão a qualquer momento!
Foi como se uma década tivesse se passado, até alcançar o andar de Sasuke, mas ainda assim ela não conseguia parar de pensar em como idiota estava sendo.
Não devia ouvir Ino.
Não devia se preocupar com o fato de estar apaixonada, porque, afinal de contas, todo mundo tem que se apaixonar um dia. Definitivamente não devia levar isso tão a sério, porque era completamente normal se sentir atraída e apaixonada por um homem como Sasuke Uchiha, especialmente quando se mostrava tão atencioso.
Sakura sequer havia percebido que correra pelo corredor para alcançar a porta do apartamento, mas quando a alcançou, tudo o que conseguiu fazer foi apertar aquela bendita campainha repetida, furiosa e freneticamente, rezando para que nenhum vizinho confuso aparecesse e a confundisse com uma stalker maluca.
Ela não devia estar ali. Não devia estar em frente àquela porta, quando os motivos que a tinham levado eram tão estúpidos. Ainda assim, Sakura pressionou o botãozinho por exatas dezessete vezes – eficientemente contadas –, até ouvir a voz de Sasuke, muito mal humorada, gritar: “Já estou indo, Naruto! Pára de tocar essa porcaria” num tom muito sonolento.
E foi como se seu cérebro pulsasse dentro da cabeça.
Foi como se seu chão sumisse. Como se a realidade a atingisse.
Não. Ela não podia fazer isso. Não podia estar ali! O que diria para ele, quando abrisse a porta? Como olharia pros olhos dele, quando Sasuke a reconhecesse?!
Não, ela definitivamente não devia estar ali! Devia correr de volta para o elevador... Ou melhor, para as escadas! E descer todos os nove andares a pé, só para esfriar a cabeça!
Por que ela não podia ser normal?
Virgens normais depositavam sua raiva e confusão em sorvetes, filmes românticos, masturbação. Mas não! Ela tinha que decidir que iria até ele! Tinha que decidir que testá-lo era a melhor forma de ter certeza sobre seus sentimentos, sobre a essência de sua relação e...
E então a porta se abriu.
Sakura viu Sasuke parado, confuso e sonolento, majestosamente delicioso dentro daquela calça de moletom larga... E todos os seus pensamentos ficaram nebulosos.
Toda a incerteza havia sumido, assim que os seus olhos se cruzaram com os dele. – Sakura?! – Sasuke havia exclamado, parecendo chocado com a presença da namorada, e aquilo, de alguma forma, a fez perceber.
Perceber que o fato de estar ali tinha muito mais a ver com sua vontade, com sua curiosidade, do que com as insinuações de Ino. Perceber que, independente de sua consciência, ela não queria mais recuar.
Deu um passo à frente, pousando o indicador sobre o peito largo, forte e definido; empurrou Sasuke para dentro do apartamento com calma e leveza e, quase inconsciente, chutou a porta para que se fechasse.
Ela não desviou os olhos dos dele nem por um segundo.
Os olhos são janelas para as almas, afinal. E, ainda que Sakura estivesse um poço de tensão e ansiedade, queria que ele visse; que percebesse a quão disposta ela estava a seguir em frente. – Algum problema? – Sasuke a questionou com lentidão e hesitação, mas Sak não quis responder.
Simplesmente aproximou-se mais, até que os corpos estivessem a milímetros de distância um do outro; pousou as duas mãos sobre o peito largo e alisou-o lenta e sedutoramente, deslizando as mãos pequenas e delicadas pela barriga, o tórax, o peito forte, os ombros largos até finalmente alcançar os finos cabelos negros em sua nuca. Sasuke deixou-se ser puxado e, por algum motivo, quis fechar os olhos antes de ser beijado.
Um beijo doce e demorado, extremamente carinhoso. Ele pôde senti-la emaranhar os dedos finos e pequenos em seus cabelos, pôde senti-la alisar os fios bagunçados e não conseguiu fazer nada além de puxá-la possessivamente, num pedido mudo de continuação. Sentiu o calor do corpo dela quando a pressionou, e enfim pôde compreender os motivos daquela peculiar e curiosa visita matutina.
Sasuke pensou que se fosse um homem minimamente decente, minimamente respeitável, tentaria se esquivar e conversar. Se fosse um bom homem, insistiria em saber os motivos de ela estar lá às quatro da manhã, quando devia estar em casa, no décimo sono.
Mas Sasuke Uchiha não era bom, nunca havia sido e não pretendia ser um homem decente. Muito menos respeitável. Que importava os motivos para ela estar lá, quando estava lá?! Quem ligava para as horas?! Ele não dormia com uma mulher há séculos! E começava a se sentir enlouquecer.
Claro que ele nunca a forçaria a fazer coisa nenhuma sem pleno consentimento. Mas a Sakura diante dele estava sóbria e decidida, e simplesmente não existiam motivos para fazê-la recuar, quando o próprio Sasuke estava decidido a seguir em frente.
Afetado com seus próprios pensamentos, ele a ergueu pela cintura e cuidadosamente colocou-a sobre o balcão que separava a cozinha da sala, sem descolar os lábios dos dela por um segundo sequer. Aprofundou o beijo e aumentou a pressão em sua cintura, caloroso, satisfeito quando a sentiu puxá-lo com possessão.
Ele afastou o rosto apenas milímetros, mas ela não quis abrir os olhos. Sentiu-o alisar seu rosto, gentil e roçar os lábios nos seus carinhosamente, beijando-os calidamente. Sakura tentou não gemer quando as mãos ousadas desceram de seu rosto pela curva do pescoço; pelas laterais de seus braços, de seu tronco, cintura e coxas... Mas sentiu sua respiração se alterar, inevitavelmente. – Sakura... – Ele murmurou seu nome com suavidade, e isso a fez abrir os olhos.
Sasuke sentiu-se perdido, como sempre se sentia quando se via diante daquela imensidão verde. Sakura possuía a incrível capacidade de seduzi-lo apenas com uma troca de olhares, e Sasuke adorava isso.
Tornou a beijá-la, tornou a tocá-la; mordeu seus lábios levemente, enquanto os dedos ansiosos abriam cada um dos botões grandes e escuros do sobretudo vermelho. Lentamente, pacientemente, sem que ele deixasse de olhar para o rosto dela.
Sakura parecia tão perdida quanto ele, e isso o fascinava; seus olhos estavam nublados de desejo, assim como os olhos do próprio Sasuke deviam estar. Ele soube que ela o desejava tanto quanto ele a desejava, e isso era tudo o que podia querer.
Deslizou os lábios sobre o queixo delicado e cuidadosamente, ajudou-a a se livrar do casaco. Se ele havia ficado surpreso com o fato de ela estar usando camisola, Sakura nunca ia saber.
O Uchiha se limitou admirar a peça: rosada e romântica, com um decote bonito, mas não vulgar e uma saia curta, que roçava nas coxas pálidas; tinha o busto plissado, e era solta à cintura. – Deus abençoe Ino Yamanaka... – Foi tudo o que ele conseguiu murmurar, antes aproximar o rosto daquele magnífico decote.
Afundou o rosto no vale entre os seios pequenos e beijou cada centímetro do busto dela com devoção; sentiu-a se encolher, ouviu-a arquejar e a desejou ainda mais; deslizou os dedos frios pelas coxas lisas e deliciou-se ao senti-la tremer.
E, num movimento rápido, Sasuke a ergueu novamente; tomou-a em seus braços e habilmente andou pelo corredor até a porta aberta de seu quarto, que foi fechada com um chute – como sempre, embora desta vez tivesse soado bastante violento.
Sakura tentou não ficar ainda mais nervosa quando o sentiu deitá-la sobre a cama grande; continuou a alisar a cabeleira negra carinhosamente, e tentou retribuir aos beijos dele da maneira mais sincera possível: apaixonada e amorosa.
Sasuke tornou a se afastar milimetricamente, e levou os lábios até seu tronco, beijando cada milímetro da barriga magra enquanto arranhava cada canto da coxa pálida, sem se importar com o tecido da camisola, embora tivesse consciência do quão torturante aquilo devia ser à namorada.
Muito lento, cauteloso e mais paciente do que nunca, Sakura sentiu-o erguer a peça; ele fez questão de deslizar os dedos pelas laterais de seu corpo durante o processo: suas coxas, seus quadris, sua cintura e a lateral de seus seios, com os olhos negros fagulhado com satisfação.
Quando ele tornou a beijá-la, Sakura tentou não pensar no fato de que estava completamente nua – com exceção da calcinha branca comportada e inocente – abaixo do homem que amava. Tentou fechar os olhos para se sentir menos tensa, mas quanto mais ele a beijava, mais seu estômago doía.
Ela queria continuar... Queria ser dele.
Só dele.
E foi justamente após essa conclusão que o sentiu tocá-la; um gemido estridente escapou de seus lábios, mais alto do que qualquer outro que antes, e Sasuke se sentiu extremamente satisfeito com isso. Deslizou os lábios até a orelha da rosada e beijou-a gentilmente, amorosamente, murmurando seu nome tantas vezes que ela não conseguiu contar, enquanto a provocava sordidamente com aqueles dedos, agora não tão gélidos.
Sakura tentou conter seus gemidos, e pousou as mãos sobre o peito dele. Queria ser beijada, mas não conseguia sentir forças para puxá-lo... E, como se Sasuke conseguisse ler os seus pensamentos, beijou-a.
Profundamente, calorosamente. Tanto quanto suas carícias, que a faziam estremecer. – Sasuke-kun... – Ela murmurou trêmula entre os lábios dele, mas Sasuke não queria ouvi-la, e por isso aprofundou o beijo.
Não queria ouvi-la porque, se ela fosse pedir para pararem, seria completamente ignorada e se fosse pedir mais, teria que se contentar em esperar.
Sasuke estava decidido a fazê-la implorar. Decidido a fazê-la gritar e exclamar o seu nome, e sentia-se absurdamente ansioso para isso. Quase inconsciente, seus dedos se moveram mais rápidos e furiosos, pressionando-a desejosamente, de tal maneira que ela teve que mordê-lo para não gritar.
Sasuke afastou o rosto do dela, mas não cessou as carícias; continuou a tocá-la, ainda mais violento, e tomou com a boca um de seus seios. – S- Sasuke-kun! – Ela tornou a exclamar, extremamente constrangida, mas foi mais uma vez ignorada.
Ouvi-la gemer, clamar e exclamar era surpreendentemente estimulante.
Tão excitante que o próprio Sasuke ofegava entre seus beijos. – Sasuke-...!
Sasuke afastou as mãos e o corpo subitamente; sentou-se e puxou-a durante o processo, sentando-a sobre ele. Tortuosamente, deslizou os lábios por um dos ombros finos, beijando-o gentilmente. Deslizou as mãos por sua cintura e arranhou levemente suas costas; deslizou os dedos até o monte traseiro e pressionou-a contra seu corpo, firme e ansioso. – Sasuke-kun...! – Ela tornou a ofegar, e tudo o que Sasuke quis fazer foi beijá-la.
Ele ergueu o rosto e roçou o nariz no dela, e Sakura sentiu que seu peito poderia explodir a qualquer minuto.
Ela queria isso... Para sempre.
Deslizou as mãos pelo rosto pálido e suado do Uchiha e beijou seus lábios, amorosamente. Ela o amava... Definitivamente o amava. Estava disposta a tudo por ele; a entregar-se de corpo e alma. E Sakura percebeu que, independente de seus sentimentos serem ou não recíprocos, aquilo não mudaria.
Ela queria ser dele.
Queria fazer amor com ele. Mesmo que o próprio Sasuke não pensasse assim.
— Por favor... – Ela murmurou baixinho, num sussurro necessitado, e aquilo foi a gota d’água para o pobre homem.
Com violência, ele tornou a jogá-la sobre a cama. Livrou-se da calça numa velocidade surpreendente, ansioso, e retirou com facilidade última peça de que a escondia. E então, quase trêmulo, pôs-se sobre ela. Lentamente, deslizou as mãos pela parte interna das panturrilhas e cuidadosamente fê-las se erguer.
Colocou os quadris entre elas, e tornou a olhar para seu rosto.
Sakura estava ansiosa e nervosa, e olhava fixamente para o rosto dele.
Ela parecia linda diante a fraca luz da lua... Tanto, que Sasuke tornou a se aproximar, apenas para beijá-la. Quando afastou o rosto, tornou a roçar os narizes, e fitou-a fixamente.
Foi como se um lampejo de consciência pesasse sobre sua mente.
Ele deveria perguntar se estava tudo bem... Devia perguntar se ela queria mesmo seguir com aquilo, mas quando abriu a boca, tudo o que pôde pensar em dizer foi: — Isso vai doer. – Com a voz rouca de desejo.
Ela anuiu rapidamente, e fechou os olhos, nervosa.
— Eu sei. – Confessou num murmúrio assustado, e Sasuke tornou a beijá-la.
— Fique calma... – Instruiu, e deslizou os lábios até a orelha dela. – Uma vez, — Sussurrou. – Eu li na internet que tudo isso é psicológico, sabe. A dor... – Beijou-a carinhosamente. – Se você não estiver nervosa, não vai doer...
— Então vai doer muito. Decididamente. – Ela o sentiu sorrir contra sua pele, e inevitavelmente seu coração relaxou. – Ainda assim... – Murmurou, e deslizou as mãos pelos braços fortes. – Por favor, Sasuke-kun... – Sussurrou, tornando a fechar os olhos.
Não foi preciso dizer mais nada.
Sasuke foi devagar, calmo, tranqüilo e carinhoso, mas ainda assim tinha sido doloroso. Ele sentiu-a se encolher e viu os olhos apertando, mas não estava disposto a parar. Deslizou os lábios sobre os dela, e beijou-os gentilmente. – Relaxe... – Tornou a aconselhar, mas embora ela assentisse, não conseguiu fazê-lo.
Sakura sentiu os lábios do amado trilhando caminho até seus seios; sentiu-o beijá-los e mordê-los e se esforçou para ficar tranquila. Tornou a alisar a cabeleira negra, porque fazer aquilo costumava deixá-la calma e tentou controlar a respiração.
Sasuke era um poço de paciência. Um poço de resistência.
Tudo o que ele mais queria naquele momento era estocá-la incansavelmente, até que Sakura gritasse de prazer, mas sabia que se um grito saísse daqueles lábios, naquele momento, seria de dor. Por isso, continuou a invadi-la lentamente, sem se preocupar com a dor moderada que havia sentido no primeiro instante – já que ela era, naturalmente, muito mais justa do que as demais mulheres com quem havia estado – e se esforçando para continuar adentrando lentamente, cuidadosamente, até ficar completamente dentro dela.
E foi... Inexplicável. Enlouquecedor. Incontrolável.
Tudo o que ele conseguiu pensar em fazer foi tornar a erguer o rosto, tornar a beijá-la enquanto muito lentamente, tornava-a mulher.
As mãos dela voltaram a alisar seus ombros e, aos poucos, ele se tornou mais veloz; ela quis gemer de dor, mas seus lábios estavam interditados pelos beijos intensos. Sentiu o corpo de Sasuke pressioná-la contra a cama; sentiu-o aprofundar-se dentro dela, e ainda que fosse estupidamente doloroso, ela queria que ele prosseguisse... Mais forte, mais intenso, até que pertencessem completamente um ao outro.
E Sasuke pensou o mesmo.
Ele quis continuar ali para sempre. Quis estar dentro dela para sempre...
Beijá-la, possuí-la, abraçá-la... Amá-la para sempre.
— Ah, Sakura... – Ele clamou-a num suspiro quando sentiu as mãos dela envolverem sua nuca. Permitiu-se ser puxado e beijou-a com necessidade palpável, intensamente, apaixonadamente.
Sentiu cada gota de suor; cada membro tenso de seu corpo e uma extrema necessidade em tornar a beijá-la, mas não o fez. Encostou a testa na dela e simplesmente fechou os olhos, deliciando-se com as respirações mescladas, estimulando-se com os gemidos que ela tentava conter, enlouquecendo com os movimentos quase automáticos de seu corpo.
Há quanto tempo ele não se sentia assim, completo?
Algum dia já se havia se sentido assim?
Sasuke suspeitava que não... Ou pelo menos não com aquela intensidade e necessidade. Suspeitava que ninguém, além daquela mulher, teria a capacidade de fazê-lo sentir-se assim. Ninguém poderia excitá-lo com um arfar, ninguém poderia enlouquecê-lo com um olhar. Nenhuma mulher nunca o faria se sentir tão perdido quanto ele se sentia, enquanto trocavam olhares.
Ninguém se encaixaria com tanta perfeição. Porque ninguém, nunca seria mais perfeita do que aquela mulher. Aquela mulher irritante, teimosa e, de uma maneira estranha, estupidamente apaixonante.
E ele nunca, jamais seria capaz de fazer amor com nenhuma mulher além dela.
Sasuke sentiu sua consciência se apagar no instante em que alcançou o seu ápice, e o grito de Sakura fê-lo parar de se mover. Ele olhou para o rosto dela, preocupado e ansioso; cogitou parar, mas descartou a ideia ao enxergar os olhos verdes nublados de prazer.
Sorriu com satisfação e apoiou-se sobre a cama, como se a rendesse; Sakura sentiu o estômago revirar e o rosto queimar.
Fechou os olhos ao sentir os lábios dele roçarem sobre seu maxilar e cravou as unhas em suas costas. Ela ia enlouquecer! Era tão quente que ela sentia que poderia explodir a qualquer minuto, sem imaginar que era exatamente isso que ele esperava.
Os movimentos de Sasuke haviam tornado à paciência tortuosa, agora para ambos. Paciência que foi se esgotando na medida em que os gritos dela eram ouvidos. Cada “Por favor!” o fazia aumentar o ritmo. Cada. “Sasuke-kun” o fazia enlouquecer.
E assim, consequentemente, Sakura alcançou o céu.
~
Rin não conseguiu dormir naquela noite, assim como em tantas outras.
Estava cansada de esperar... E estava cansada de ser a única a esperar.
Obito estava cada dia mais ocupado com o trabalho, e cada vez menos interessado sobre o paradeiro da filha, o que para a pobre Rin era desesperador.
Ela sentia que seu tratamento ia bem. Agora podia falar e manter uma conversa minimamente consciente com o amoroso marido e a cuidadosa empregada, mas do fundo de seu coração, sentia que nada poderia mudar até encontrá-la... Até encontrar a sua amada menininha perdida.
Obito parecia feliz, satisfeito com seu trabalho. Rin começou a perceber que, de algumas semanas para cá, ele sempre saia com um sorriso no rosto, um maior que o outro a cada dia que se passava, e embora algumas vezes voltasse abatido, sempre acordava com disposição.
Naquela manhã não foi diferente.
Ele se levantou animado, e Rin o observou vestir-se para o trabalho. Depois, tornou à cama, apenas para despedir-se com um beijo carinhoso e um “até logo”.
Tudo o que Rin queria fazer de sua vida era continuar deitada àquela cama, alheia ao tempo, eternamente à espera de sua filha. Tudo o que ela queria fazer era fechar os olhos e sonhar... Sonhar com a sua pequena menininha de cabeleira castanha e olhos escuros; sonhar com as pequenas mãozinhas segurando seus dedos, sonhar com a doce sensação de tê-la em seus braços... Mas ela não pôde pregar os olhos.
Por quase uma hora permaneceu deitada à cama, na mesma posição, olhando para o horizonte quase sem piscar. Imaginando... E sofrendo por imaginar.
Koharu havia adentrado ao quarto uma meia dúzia de vezes, mas ela não pôde sequer perceber sua presença, até que a mulher se aproximasse da cama, visivelmente preocupada, e pedisse gentilmente que se levantasse. – Já é manhã, senhora. – A empregada a disse. – O tempo está do jeito que gosta: uma brisa fria e cheiro de chuva... O que acha de andarmos um pouco pelo jardim?
Mas Rin não quis respondê-la. Continuou em silêncio, continuou com os olhos perdidos e sofridos. Não era a primeira vez que a via daquela forma, e imaginava que não seria a última... Naqueles momentos, Koharu pensava que o melhor a se fazer era deixá-la só com seus devaneios.
Então, gentilmente, a mulher aproximou-se. Encobriu-a cuidadosamente, e ajeitou a cabeleira castanha desalinhada. – Eu vou trazer algo para que coma. – Murmurou à Uchiha, mas nem assim teve uma resposta.
Koharu estava à frente da porta, abrindo-a, quando ouviu o murmurar. – Você... Já esperou por algo? – Rin a questionou com a voz fraca. – Eu... Estou cansada de esperar... Exausta... – Encolheu-se abaixo dos lençóis. – Isso dói tanto... É exaustivo, doloroso, agonizante, mas ainda assim... Eu não consigo deixar de esperar...
A esposa de Obito manteve-se em silêncio por um longo tempo, mas antes que a outra voltasse a insistir, disse-lhe, com a voz fraca: — Você já esperou por algo, Koharu?... Já sofreu por esperar algo? – A velha estreitou os olhos, e ergueu seu olhar até Obito, que esperava escondido na parede de fora do quarto. Ele fez sinal para que ela se mantivesse em silêncio, e a empregada assim o fez. – Às vezes eu me pergunto quanto tempo se passou, mas no fundo, não quero saber... Porque, no fim, independente dos dias, dos meses... – Ela engoliu em seco. Recusava-se a dizer “anos”. – Foi muito tempo. – Soltou por fim, cansada. – Quanto tempo uma mãe devia esperar para conhecer o filho...? – Choramingou. – Quanto tempo a mais eu vou ter que esperar... – Apertou os lençóis, agonizada. – Por que ele não a encontra logo...?!
Obito cerrou os olhos, e apertou os punhos.
Ele estava atrasado, mas francamente não se importava. Havia decidido passar mais uma hora em casa ao perceber, de manhã, que Rin parecia mais abatida do que o normal; insistiu para que a empregada a chamasse para uma caminhada, decidido a não deixar a casa até que ela estivesse disposta.
Imaginava que, por preocupação, Rin não demonstraria seus sentimentos ao marido, e por isso preferiu manter-se em silêncio, recostado à parede, ouvindo em silêncio a dor dela, e sofrendo ao seu lado.
— Desculpe... – Ouviu-a falar à Koharu. – Eu não... – E então Rin fungou; limpou as lágrimas e tornou a encolher-se. – Desculpe, Koharu, mas eu gostaria de ficar só... E, por favor, — adicionou quando ela saiu do quarto. – Não conte sobre isso ao Obito.
Ele quis entrar naquele quarto naquele instante; quis ajoelhar-se diante da esposa e implorar o seu perdão, mas não sentiu coragem. De que serviria aquilo? Suas desculpas não fariam o tempo voltar. Suas desculpas não fariam Kasumi aceitá-los... Nem tornariam a realidade menos cruel.
Koharu hesitou mais do que devia ter hesitado, mas não fez menção de olhar para o patrão quando disse à patroa: — Como quiser, senhora Uchiha. – E fechou a porta.
Obito passou minutos parado no mesmo lugar, olhando para o mesmo ponto cego, sentindo os olhos tristonhos e penosos daquela desconhecida sobre si... E, num impulso estúpido e impensável, simplesmente adentrou ao quarto sem avisos.
Flagrou-a encolhida, abraçando as próprias pernas, chorando como uma criança perdida, e teve seu coração despedaçado por isso. O barulho da porta fê-la erguer os olhos, e o pavor ao vê-lo ali foi tão grande que Obito se sentiu um imbecil.
— Obito...! – Ele se apressou em alcançar a cama, e abraçou-a fortemente. Rin fungou, encolheu-se e tornou a chorar, agora encolhida em seus braços. – Obito...!
— Eu juro, Rin... Pode demorar o resto da minha vida, mas eu vou trazê-la até você! – Ele prometeu, apertando-a e contendo-se para também não cair em lágrimas. – Mesmo que seja a última coisa que eu faça... Vou trazê-la para você!
~
O barulho da vibração do smarthphone sobre o criado-mudo fez com que Sasuke despertasse naquela manhã de domingo.
Ele fez uma careta; esticou o braço cegamente na direção do aparelho e tateou, até encontrar o celular. Com dificuldade, leu lembrete que dizia “trabalho”, e suspirou. Desligou o despertador, colocou-o de volta à banqueta e sentiu o corpo menor remexer-se sobre seu peito.
Aquilo o fez sorrir.
Ele voltou sua atenção ao corpo feminino, timidamente encolhido sobre seu peito. Deslizou as mãos por suas costas, carinhoso, e roçou os lábios na desgrenhada cabeleira rósea...
E inevitavelmente lembrou-se da madrugada.
E se sentiu estranho por isso.
Enrubesceu ao recordar alguns de seus pensamentos momentâneos, e subitamente decidiu que o melhor a fazer era se levantar...
Era o melhor, mas Sasuke não conseguiu fazê-lo. Tornou a olhar na direção dela e sentiu o estômago congelar ao encontrar o par de olhos verdes olhando-o com admiração, curiosidade e...
— Bom dia, Sasuke-kun. – Ela lhe sorriu docemente, e ergueu o rosto para beijá-lo. Um beijinho muito rápido e sem vergonha, na opinião dele. – É muito tarde...? Eu acho que devia ir... – Ela tentou se sentar, mas ele a impediu: puxou-a pelo antebraço, colocou o corpo sobre o dela e prensou-a contra a cama.
— Não vai sair daqui até que eu diga que pode sair daqui. – Um sorriso maldoso estampou seu rosto. Um sorriso que a fazia e estremecer.
— H- He?... – Ele riu, aproximou o rosto e roçou o nariz no maxilar pequeno, fazendo com que Sakura se rendesse imediatamente, fechando os olhos e relaxando sua postura.
— Bom dia, Sakura... – Beijou-a. – É sempre um prazer encontrá-la em minha cama, mas devo admitir: é um prazer ainda maior encontrá-la assim. – E, com a cabeça, apontou para o corpo dela, fazendo-a enrubescer, e fechar a cara. Contendo a vontade de rir, ele prosseguiu: — Realmente, é um grande prazer... Mas ainda estou abismado com o fato de ter aparecido na minha casa às quatro da manhã.
Viu-a empalidecer.
— E me atacar daquele jeito... – Ele balançou a cabeça com uma expressão ofendida muito mal interpretada. – Fiquei muito assustado, se quer saber. – Os olhos verdes reviraram, divertidos. – É verdade! – Sasuke insistiu. – Foi chocante... Ainda não consegui acreditar naquilo... Então vai ter que me explicar seus motivos detalhadamente.
Uma das sobrancelhas róseas se arqueou. Sakura envolveu seus ombros com o braço e puxou-o, fazendo com que Sasuke se aproximasse. – Eu podia explicar a minha estranha epifania noturna...
— Espere. – Ele pediu aos risos. – “Epifania”? – Estreitou as sobrancelhas. – Isso não é um pouco exagerado? – Sakura deu os ombros. – Pois eu acho que é. Com certeza há uma explicação mais simples para o que aconteceu ontem à noite. – Sakura ergueu as sobrancelhas, sorridente.
— Então tente explicar. – Sugeriu.
— Acho que é louca por mim. – O sorriso dela se desfez, e seu rosto rosou. Com o meio sorriso filho da mãe ainda posto no rosto, Sasuke roçou os narizes. – Acho que é louca por mim... – Ele repetiu com a voz baixa, e roubou um beijo dos lábios dela. – E que não conseguiu mais se conter. – Mordeu, e repuxou o lábio inferior. Sakura deu uma risadinha tímida, mas anuiu.
— Eu definitivamente sou louca por você. – Admitiu, tornando a fitá-lo. – E suspeito que... – Ela mordeu o lábio inferior, ansiosa e hesitante, mas prosseguiu. – E suspeito que também seja louco por mim, senhor Uchiha.
E ele realmente era louco por aquela mulher.
Até os sorrisos dela conseguiam afetá-lo! Seus sorrisos, seus olhares... E aquela deliciosa mordidinha no lábio inferior.
Quase sem pensar, Sasuke roçou os lábios sobre o queixo dela. – Você foi muito bem ontem... – Murmurou contra a pele dela, estupidamente sedutor. – Embora tenha apagado ao fim do primeiro round... – Estreitou as sobrancelhas, provocativo. – E tenha manchado metade dos meus lençóis de duzentos dólares...
— Sasuke-kun... – Ela soou repreensiva, e ele sorriu.
— Eu estou feliz com isso. – Sasuke admitiu; Sak tornou-se repentinamente séria, mas ele não se importou. Alisou o rosto corado com uma das mãos, carinhoso e roubou um beijo doce e gentil. – E eu passaria o tempo inteiro aqui, deitado, te beijando... – Ele murmurou quando a sentiu alisar seu rosto. – Mas temos que ir à farmácia.
Sakura sorriu.
— Não quer arriscar nosso futuro brilhante?
Havia sido uma pergunta inocente e brincalhona, mas o fez paralisar.
Sasuke, como qualquer administrador que se preze, costumava pensar muito em planejamentos futuros. Era um recordista em realizar metas de longo prazo em tempos pequenos, mas pela primeira vez em sua vida, a palavra “futuro” o assustou.
Como num flash, ele se lembrou mais uma vez da noite passada.
Dos beijos, das palavras, dos sentimentos. Lembrou-se de querê-la ao seu lado para sempre, de querê-la sobre ele para sempre... De pensar em Sakura Haruno como sua mulher ideal.
Do fato de ter sido tão dela quanto ela foi dele.
Do fato de que, pela primeira vez, havia feito amor, não sexo.
E foi como se sua cabeça fosse explodir.
— Ainda bem que lá fora está chovendo. – Sakura observou, sem notar o devaneio do rapaz; tinha o rosto virado para as portas de vidro que davam para a sacada do quarto do namorado. – Vou poder usar meu sobretudo... – Murmurou pensativa, e tornou a olhá-lo, sorridente. – Vamos?
~
Kasumi não se sentia ela mesma desde a noite passada.
Itachi não a permitira comparecer à festa de comemoração de Hinata, mas ela não se importou; sequer sentiu vontade de brigar com ele, quando o teimoso, decidido, estacionou o carro em frente ao prédio que agora pertencia ao casal.
Eles haviam dormido juntos, para a surpresa – e preocupação, ele tinha que admitir – de Itachi, e acordaram juntos, às nove, como estavam acostumados aos domingos.
Lado a lado, prepararam o café da manhã sugerido para a irritante dieta da grávida, e depois de alimentada, Kasumi se apressou em se aprontar para o trabalhou: tomou um banho curto, mas relaxante; colocou um vestido curto, cinza, que marcava a barriga com pouco mais de quase cinco meses, meias de lã, uma bota sem salto e um casaco aberto; prendeu os cabelos num rabo de cavalo alto, e aprontou a maquiagem em menos de poucos minutos.
As dez e quinze, estava pronta. Seguiu para o escritório do noivo, onde Itachi estava absorto em artigos e documentos, e limitou-se a despedir-se com um beijo carinhoso que ele considerou muito miserável.
Depois, seguiu até o elevador. Desceu até o andar da garagem; pegou o carro, pôs o cinto de segurança e seguiu para o trabalho.
Kasumi estava desperta. Havia se banhado e se alimentado, o que supostamente deveria deixá-la disposta... Mas ela não se sentia completamente acordada. Tinha seus olhos escuros presos à estrada, e seguia automaticamente o caminho do trabalho, mas embora seu corpo estivesse ali, era como se sua alma assistisse do banco do passageiro.
Simplesmente não conseguia parar de pensar... Parar de amargar as palavras daquele maldito homem, que devia ser o pior de todos os Uchihas.
— Ela é minha primeira neta, afinal.
Os olhos escuros se estreitaram irritadiços. Aquele maldito, definitivamente, só havia dito aquilo para magoá-la... E ainda que Kasumi não fizesse nem a mínima questão de ser a primeira neta daquele homem, era terrível se sentir desprezada.
Terrível, e doloroso.
Kasumi ainda não havia conseguido digerir aquelas palavras, não havia conseguido engolir a humilhação implícita naquela frase desprezível... E nem estava disposta a fazê-lo.
Ela o faria engolir cada palavra.
Quando estacionou em frente ao prédio que servia de sede ao Diário de Konoha, pela primeira vez em sua vida, sentiu-se satisfeita por encontrar o carro de seu suposto pai lá, encostado na vaga mais próxima à porta de entrada.
Ela desceu do automóvel, trancou-o e caminhou decidida até o prédio; sentia seu estômago revirar, mas se esforçou para ignorar esse sentimento.
Estava cansada de tudo aquilo! De toda aquela situação estressante, das desnecessárias dores de cabeça e da humilhação sem sentido.
Em questão de curtos minutos, estava entrando em seu escritório.
Por um momento, jurou ver Obito abatido e cabisbaixo, mas assim que os olhos negros enxergaram-na, todo o vigor retornou. – Kasumi! – Ele exclamou com um tão feliz que a fez se sentir estranha. – Eu sabia que viria hoje... – Cruzou os braços, parecendo orgulhoso.
Aquele olhar de “essa é a minha filha” fê-la sentir náuseas, ainda que Obito não tivesse sequer feito menção em dizê-lo com palavras.
— Bom dia, senhor Uchiha. – Ela pigarreou, e seguiu para sua própria mesa.
Obito observou atentamente, e pela primeira vez, notou a saliência no ventre da filha. E não conseguiu sentir-se feliz com aquilo.
Sua filha se tornaria mãe antes que ele tivesse a oportunidade de ser um pai.
Sua filha se tornaria mãe antes que Rin tivesse a oportunidade de ser sua mãe.
Obito estava decidido a ser o mais energético e agradável possível, enquanto estivesse do lado da filha, pois imaginava que quanto mais feliz ele lhe parecesse, menos ela o suportaria.
Era uma Uchiha, afinal. E Uchihas dificilmente gostavam de pessoas felizes.
Mas, embora estivesse decidido a seguir seus planos, e torturá-la até que Kasumi desse o braço a torcer, não conseguiu mudar seu semblante quando ela virou o rosto para fitá-lo de soslaio.
“É menina, ou menino?” ele quis perguntar. Mas simplesmente não se sentiu capaz disso. Ela tornou a olhar para a mesa, pensativa, e aquilo lhe chamou a atenção.
— Eu conheci seu pai. – Kasumi disse de repente, virando-se efetivamente na direção do pai. Seguiu até a cadeira que ficava em frente à mesa maior do lugar, e sentou-se ali, cruzando os braços e evitando o contato visual.
Obito lhe ofereceu um sorriso de canto. – Desprezível como pensou que fosse?
— Pior. – Ela admitiu.
— Lamento por isso. – Ele foi sincero; puxou o café sobre a mesa e bebericou-o.
— Certo... – Kasumi suspirou longamente. – Você venceu. – E ergueu os olhos até os dele. – Eu faço o maldito exame. – Afirmou, surpreendendo-o. – Se der negativo, você deixa o jornal em minhas mãos... Não precisa passar nada para o meu nome. Basta deixar de vir e tentar fazer da minha vida um completo inferno. – Ele sorriu. – E, se der positivo... – Ela franziu o cenho. – Vou ouvir a maldita história, como você quer. A única coisa que quero de você é o jornal. – Obito anuiu. – E que mande o exame, com uma cópia da minha certidão de nascimento, comprovando que sua filha é a neta mais velha de Madara Uchiha. – Ele se sentiu extremamente orgulhoso ao enxergar o olhar decisivo da filha, tão parecido com o seu próprio.
— Ele foi tão terrível assim?
— Além das minhas expectativas. – Obito riu, e ela suspirou. – Estamos de acordo? – Ele continuou olhando-a, pensativo e reflexivo... Kasumi estreitou as sobrancelhas, um gesto de impaciência idêntico ao de Rin, e aquilo fê-lo sentir-se leve.
— Não. – Murmurou. Kasumi pasmou. – Eu estou de acordo com absolutamente tudo o que disse, e até poderia aceitar mais de suas exigências, mas antes, terá que fazer algo para mim. – Ela estreitou os lábios.
— Depois do exame. – Sugeriu.
— Hoje. – O tom de proposta final soou tão decidido que ela se sentiu atordoada.
Desde quando o gentil tio de Itachi havia se tornado um chefe mandão?!
—... O que quer que eu faça? – Ela o questionou com hesitação palpável.
— Quero que vá ver sua mãe. – Ele foi claro, e direto. E fez com que Kasumi empalidecesse.
— Isso... Você não disse nada disso quando me propôs, Obito! – Ela exclamou, atordoada, e apontou o dedo em sua direção, exaltada. Os lábios dele se contorceram num sorriso ainda maior.
— Já ouviu falar na Lei de Oferta e Demanda, querida?
Kasumi estreitou os olhos, e conteve a vontade de mandá-lo enfiar aquele “Querida”... Suspirou. – Eu não vou fazer isso. – Ela murmurou, frustrada. – Não me sinto nem um pouco curiosa sobre sua esposa.
— Você mente muito mal, querida. – Ela o encarou, mas Obito continuava sério.
Eles ficaram em silêncio por longos segundos, encarando um ao outro, numa guerra muda... E Obito enfim suspirou. – Eu não vou dizer a ela sobre nossas suspeitas, se é isso que a incomoda. – Alisou a cabeleira escura. – Só quero que se conheçam...
— Você sabe, — Ela o interrompeu. – Que talvez eu nem seja a sua filha, certo? – Mas Obito não acreditava nem piamente naquela possibilidade.
— Ainda assim, eu quero que você a conheça... Quero que a veja, com seus próprios olhos. – Ela desviou o olhar, desgostosa. – Você vai ser mãe. – Alguma coisa na voz dele fez com que o coração de Kasumi doesse. – Minha esposa... – Ele olhou para a mesa, abatido e atordoado. – Rin não teve a oportunidade de ser mãe, embora tenhamos tido uma filha...
Ela baixou a fronte, tristonha e confusa, mas Obito prosseguiu. – Ainda que você não seja minha filha... – Ele estreitou os olhos e levantou-se. – Quero que veja, com seus próprios olhos, o que isso a causou.
~
Itachi estava compenetrado com o trabalho, quando sentiu a gélida lata de café roçar em seu rosto; ele fez uma careta, e encarou o irmão mais jovem com a cara fechada. – Que mau humor! – Sasuke exclamou, e bebeu de sua própria latinha.
— Você não tem trabalho a fazer? – Itachi pegou da outra, abriu-a e sorveu o líquido deliciosamente gelado.
— Tenho trabalho pra você fazer. – O mais jovem admitiu, e entregou uma pasta negra ao outro.
— Poderia esperar até de manhã. – Itachi observou; abriu a papelada e analisou calmamente. – Eu não gosto de trabalhar aos finais de semana, mas estou ajudando Kasumi em alguns detalhes do casamento, então acabei acumulando o que fazer...
— E quando vai ser o grande dia?
— No domingo daqui a duas semanas. – O advogado jogou a pasta sobre a escrivaninha e voltou-se para o irmão com um de seus sorrisos genuínos. – Queríamos que você e Sakura fossem os padrinhos. – Sasuke estreitou as sobrancelhas, desconfiado. – Kasumi gosta muito de Sakura. – Ele explicou. – Acha que ela pode ser uma boa influência para você, então quer casá-los.
A ideia fez com que Sasuke enrubescesse, mas Itachi não percebeu o sobressalto do irmão, e prosseguiu. – Francamente, também acho que ela é uma ótima garota... Vocês se completam. – O outro suspirou.
— Parece Menma falando de Naruto e Hinata. – Sasuke balançou a cabeça, lamentando-se, embora seu exterior estivesse pulando de exaltação. – Mas... – Ele pigarreou. – Você acha mesmo?
Por um segundo, Itachi manteve-se em silêncio.
Depois, arqueou uma das sobrancelhas e sorveu lentamente um gole da bebida gelada. – Sim... – Ele respondeu com hesitação.
E então o silêncio se formou.
Desconfortável, irritante...
— Itachi... – Sasuke murmurou lentamente, constrangido. – Essa pode ser uma pergunta idiota... Estúpida, até, mas... – Ele cerrou os olhos, corado, e encarou a latinha em suas mãos. – Qual é a diferença entre sexo e amor?
~
Kasumi não sabia o que estava fazendo ali.
Não sabia o que estava fazendo sentada no carro daquele homem, seguindo para a casa dele... Não sabia o porquê de estar fazendo aquilo, mas sentia que devia.
Ela observou as árvores à sua volta sem atenção real, e esperou... Minutos e minutos em um silêncio que Obito concordou em contribuir.
Quando o chofer estacionou à frente de uma casa grande e aconchegante, ela se sentiu à frente de uma forca. – Nós chegamos. – Foi tudo o que o Uchiha lhe disse antes de sair do carro.
E antes que qualquer um tentasse bancar o empregado dedicado, Kasumi se apressou em sair do veículo. Deu graças aos céus por estar com botas sem saltos, porque sentia sua cabeça girar como um carrossel: lenta, mas efetivamente.
— Eu liguei. Disse que uma amiga próxima queria entrevistá-la... – Ela sabia disso, havia ouvido no carro, mas não fez menção em interrompê-lo. – Então vou deixá-las à sós na sala. – Lentamente, Kasumi anuiu.
Cada passo fazia com que a ânsia aumentasse; ela sentia como se estivesse andando sobre uma corda bamba, mas não hesitou.
Não era uma covarde.
Kasumi repetiu isso para si mesma duas, três vezes, até sentir-se confiante. Ela não era uma covarde. E por isso não havia razão nenhuma para se sentir hesitante.
Só uma entrevista, repetiu mentalmente para si mesma. É só isso o que Rin pensava que seria, e só isso era o que faria.
A porta se abriu antes que Obito alcançasse a casa, e uma velha senhora sorriu para os três – Obito, Kasumi e o chofer – de maneira convidativa. – Chegaram cedo! – Ela exclamou, e abriu espaço para que entrassem. – Senhora! O patrão e a jornalista chegaram! – A empregada exclamou animada, e Kasumi sentiu o estômago revirar.
A porta foi aberta, e Obito adentrou. Ele seguiu com um sorriso fraco até uma mulher frágil presa à uma cadeira de rodas; agachou-se em frente à ela e fechou os olhos, quando sentiu suas mãos alisarem seu rosto. – Bem vindo de volta. – Rin havia murmurado com um sorriso fraco, e ele a beijou docemente.
Com a ajuda de Koharu, Obito se levantou. – Kasumi, venha. – Ele estendeu a mão na direção dela, numa menção para que se aproximasse, mas ela simplesmente não conseguiu se mover depois de os olhos castanhos da mãe fixar-se a ela.
Rin Nohara era linda. Como uma flor, era linda... E frágil.
Mais que isso: era uma mulher quebrada. Com sua alma quebrada.
Kasumi obrigou-se a piscar mais rápido. Obrigou-se a fazer com que todas as lágrimas inconvenientes voltassem de volta para o olho e se aproximou com um sorriso que esperava parecer profissional. – Eu sou... Kasumi Aihara. – Tentou se apresentar. – É um imenso prazer conhecê-la, senhora Uchiha.
Rin passou quase dois minutos analisando-a. Em seu interior, sentia que já a havia visto em algum lugar... – Rin. – A voz de Obito a despertou, e a senhora Uchiha corou um pouco. Kasumi viu mais um sorriso nascer nas faces de Obito, e soube que ele a amava.
— Eu sou Rin Nohara.
— Rin Uchiha. – Obito a corrigiu com um olhar divertido, mas tudo o que sua esposa fez foi sorrir fracamente em resposta. – Vamos deixá-las a sós... Só peço cautela, Kasumi. – Ele lançou um olhar significativo à filha, que se limitou a anuir.
Um minuto depois, elas estavam sozinhas.
E Kasumi nunca havia se sentido tão desconfortável.
— Você está grávida... – Rin então observou, e Kasumi enrubesceu ao senti-la tocar sua barriga. – Uma barriga tão bem feitinha... – Sorria. – Muito semelhante à minha... É uma menina?
— E- Eu ainda não sei. – Kasumi admitiu, nervosa e irritantemente ansiosa.
— Por favor, sente-se. – Rin apontou para o sofá, e a mais jovem imediatamente a obedeceu. – Eu não recebo muitas visitas, então não lembro bem como devo me comportar... – Ajeitou os cabelos castanhos e sorriu à jornalista, que não conseguia fazer nada além de encará-la, como uma bela idiota.
Definitivamente, Kasumi não podia ser filha de Rin Nohara.
Ela era tão bonita...! E tão fraca...!
Tão doce que Kasumi não conseguia associá-la à mãe que passou a vida inteira odiando. – Espero que não se ofenda, mas... Quantos anos têm? Parece muito jovem...
— Mais de vinte. – A noiva de Itachi pigarreou. – Mas, bem... Senhora Uchiha! Sou eu quem devia fazer a entrevista, não é? – Ela tentou sorrir à mais velha. Rin pareceu surpresa, mas riu, e concordou.
— Sempre fui muito curiosa. – Ela admitiu. – Eu lamento... – E estreitou os olhos, pensativa. – Permita-me fazer apenas mais uma pergunta, moça: já nos vimos antes? Porque, não importa o quanto eu olhe... Você me parece tão...
—... Não. – Kasumi murmurou com a voz baixa e abatida, e baixou a fronte. – Nós não nos conhecemos, senhora Uchiha...
Aquele olhar triste... Onde Rin já o tinha visto?
— Bem...
Kasumi tornou a levantar a cabeça, com um sorriso falso nas faces.
Exatamente igual aos sorrisos de Obito.
E tudo fez sentido.
Kasumi observou o sorriso fraco, emocionado de Rin à sua frente, e sentiu-se confusa. – Está bem, senhora? – Ela perguntou com preocupação sincera; Rin anuiu lentamente, puxou uma das mãos da filha e apertou-a, trêmula e sem forças.
— Você já é uma mulher... – O sussurro dela foi frágil e dolorido, e fez Kasumi emudecer. – Uma mulher feita... Tão bonita... – Alisou o rosto bem cuidado. – Akane... – Ela fungou. – Você já vai ter um bebê...! – Ela riu, num misto de alegria e dor.
Kasumi sentiu os olhos queimarem, e mais uma vez tentou forçar as lágrimas a voltarem. – Acho que está me confundindo com alguém... – Ela tentou se esquivar, mas não pôde. Sentia que, se por acaso se afastasse dela, Rin quebraria.
— Você é exatamente como eu imaginei... – A Uchiha murmurou chorosa. – Os mesmos olhos... Os mesmos cabelos... A mesma pele... – Ela riu. – Um misto perfeito de nós dois... – E começou a chorar.
Kasumi simplesmente não soube como reagir.
Viu-a desmanchar-se em lágrimas, quebrar-se, gritar, rir e sorrir, tudo ao mesmo tempo, e simplesmente não soube o que fazer.
Aquele era mesmo o perfil de uma mãe que abandona seus filhos?
Em um piscar de olhos, Obito e Koharu estavam de volta à sala. – Rin! O que houve?! – Mas Rin não conseguiu cessar as lágrimas. – Rin... Fale comigo... – Obito implorou, mas nada a fez reagir.
Desconsertado, ele olhou na direção da filha.
Ela estava pálida, e tinha o rosto banhado em lágrimas inconscientes. – Tire-a daqui. – Ele ordenou ao chofer. – Leve-a para a casa do meu sobrinho. Lembra onde é, não? – O homem anuiu, confuso, mas rapidamente acatou a ordem do patrão.
Kasumi foi guiada pelo homem até o carro que a havia trazido, mas nem por um segundo deixou de pensar naquela cena. – O que foi isso...?! – Ela se perguntou, agonizada, sufocando.
Porque aquela mulher parecia amá-la tanto, ainda que sequer soubesse a verdade?! Porque uma mulher arrependida choraria com tanta dor e desespero por uma filha que havia abandonado...?!
Não, seus pais não a tinham abandonado... Não podiam tê-la abandonado.
Tinham-na perdido, e agora tudo fazia sentido.
Kasumi apertou o ventre, desesperada e chorou.
O choro triste de uma garota perdida, que ela nunca havia se deixado chorar.
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