50 Tons De Uchiha
24 Primeiro Passo.
Notas iniciais
Capítulo 24 – Um Passo.
Itachi sempre gostou muito de seu apartamento. Ele era pequeno e aconchegante, mas naquele momento, sentado na sala de estar à frente do irmão, ele considerou o lugar claustrofóbico.
Já fazia trinta minutos desde que os irmãos estavam naquela conversa. Sasuke havia lhe contado tudo: cada detalhe da confissão da mãe, no dia anterior. E o mais velho ouvira calado, chocado e decepcionado.
Mikoto havia nascido em uma família de nome, mas falida. O casamento com Fugaku caiu como uma benção para os seus pais, mas havia sido uma maldição para ela própria. Graças à união, fora obrigada a abdicar de seus estudos, seus amigos e seu trabalho, mas nenhum dos filhos jamais podia imaginar que pelo casamento tivesse deixado de lado, também, a sua humanidade.
Porque, para Itachi, o que a mãe havia feito era desumano.
Mikoto Uchiha havia se casado muito jovem. Era uma boa esposa e mãe, mas é claro que isso não era o bastante para Madara. Como sempre, ele desejava a perfeição, e para o avô, “perfeição” era sinônimo de frieza e calculismo.
Ela foi a primeira pessoa da família a descobrir sobre a gravidez de Rin. Haviam se encontrado em uma loja de enxovais, pouco depois de a mãe descobrir que estava grávida de Sasuke.
Mikoto contara à Madara sobre o casamento do filho, e a gravidez de sua esposa, e foi aí que tudo começou a desandar. O patrono da família Uchiha pediu para que a nora se aproximasse da esposa de Obito, e ela assim o fez. – Segundo ela, — Sasuke lhe contou. – As duas estavam se tornando amigas... E Madara decidiu se livrar da Rin antes que a mamãe se afeiçoasse a ela. Parece que eles dois planejaram o sequestro. Mamãe chamou a tia para as compras, e uns caras a levaram para um cativeiro... – Os olhos negros do mais jovem caíram à xícara de café.
Itachi estava chocado demais para proferir qualquer palavra, então Sasuke prosseguiu:
– Tentaram forçar um aborto, mas ela resistiu. – Itachi estreitou os olhos. – Entrou em trabalho de parto cedo, teve o bebê no cativeiro. Não sei se os deliquentes ficaram com pena, ou com medo de se envolverem em algo mais sério, mas levaram as duas a um hospital. – O empresário suspirou longamente, e tomou outro gole de café. – Os pais odiosos da tia foram chamados pelo hospital, e mamãe foi chamada pelos bandidos. Ela chantageou os médicos, e Madara os Nohara... E quando estava tudo certo, o avô... – Ele apertou a xícara, frustrado. – Madara – Se corrigiu. – Pediu para que levasse a criança ao orfanato.
– Aquele homem é malditamente inteligente. – Itachi rugiu entre dentes. – Se Obito decidir averiguar, ou processar alguém, tudo vai cair nos ombros da mamãe e dos Nohara. E o maldito vai sair limpo. – Sasuke anuiu.
– A mamãe nunca conseguiu se perdoar por aquilo... Ela estava decidida a contar tudo para o tio, mas não tinham contato. Antes que pudesse ter qualquer notícia do Obito, ou da Rin, o orfanato em que havia deixado Kasumi foi incendiado, e Madara disse a ela que a menina tinha morrido.
– Ela ainda devia ter procurado o tio. – Itachi murmurou com rancor, e Sasuke anuiu.
– Eu concordo, mas ela estava perturbada. Disse que ficou em choque, quando descobriu que a tia estava internada, mas que nunca mais ouviu uma palavra sobre ela... – Ele suspirou longamente. – É um assunto desagradável, irmão. – Ele estreitou as sobrancelhas. – Achei que devesse te contar, mas a verdade é que nunca mais quero falar sobre isso. – Itachi não respondeu.
Ele simplesmente não sabia como reagir.
Sentia ódio, desprezo, desgosto... Pena.
– Não odeie a mamãe. – O pedido de Sasuke soou fraco, tristonho. E ele sequer tinha coragem para olhar nos olhos do irmão, enquanto o pedia.
Itachi não respondeu então ele prosseguiu: — Ela foi cruel... Foi imatura, e estúpida, mas... Independente de seus erros, ela ainda é a mamãe. – O irmão continuou em silêncio. – Ela nos ama, onii-san. Mais do que qualquer coisa.
– Sasuke... – Ele murmurou baixo. – Eu vou me casar com Kasumi. Eu vou ter um filho com ela... Com uma vítima da minha própria mãe! – Exclamou raivoso. – Não dá pra reagir de outra forma!
– Você não ama mais a Kasumi do que a mamãe...
– Não, mas tanto quanto. – Garantiu. – Sasuke, ela é a mulher da minha vida... – Respirou fundo. – Eu morreria, e mataria por ela... Consegue entender isso?
– Não. – Sasuke foi sincero. – Não consigo entender como pode pôr uma garota acima da sua própria mãe. – Itachi percebeu que ele estava ressentido.
– Sasuke...
– Onii-san, — O mais jovem o interrompeu, levantando-se. – Eu nunca amei uma garota, você sabe disso... Nunca amei ninguém, então não posso te entender. No entanto, — Ele prosseguiu quando viu o outro a ponto de retrucar. – Só porque não entendo, não significa que eu não acredite. – Itachi sorriu tristonho. – Se é assim que você se sente, eu não vou dizer mais nada... Mas gostaria que pensasse um pouco na mãe que ela foi pra você, antes de tomar uma decisão drástica.
– Eu nunca odiaria a mamãe, Sasuke. Não precisa se preocupar com isso... – Sasuke sorriu, e abraçou o mais velho.
– Obrigado, onii-san. – Ele murmurou.
E então, Itachi voltou a sorrir. – Bem, eu vou tentar esquecer isso... Já é passado, e enquanto ninguém se preocupar, eu também não vou. – Ele deu um tapa no braço do irmão. – Eu estou noivo, e nada vai me entristecer. – Sasuke forçou um sorriso, porque para ele estava claro que Itachi estava se forçando àquela animação. – Vamos jantar hoje, mais tarde. Eu, você e a Kasumi.
– Eu nunca gostei de sair com vocês dois. – O mais jovem resmungou, e Itachi deu os ombros.
– Leve sua namorada.
~
Kasumi imaginava que sua vida estava, a cada dia que se passava, virando mais de cabeça para baixo. Ela sempre dissera a si mesma que não iria se casar, mas iria. Ela sempre dissera a qualquer um que quisesse ouvir que “família” não era um conceito em que se encaixava, e agora estava grávida e feliz. Sempre afirmara que nunca, jamais conversaria com os pais, e lá estava: sentada à mesa, em seu escritório, com o homem que dizia-se seu pai sorrindo para ela como um perfeito desgraçado.
Aquele sorriso, Kasumi percebeu, era algo herdado da família Uchiha. Eles curvavam os lábios, mostrando satisfação, e seus olhos cintilavam a vitória.
Era estupidamente insuportável, e ela rezou que tivesse puxado os olhos da mãe, mesmo estando ciente de que Rin Nohara era uma louca psicótica.
– Por onde quer começar, querida? – Obito questionou-a com animação palpável, tanta que a fez sentir um embrulho no estômago.
Kasumi respirou fundo, fez uma careta e abriu o lanche na pequena caixa de isopor. – Prefiro começar por isso. – Murmurou antes de dar uma mordida no sanduíche de longe saudável.
Definitivamente Itachi reclamaria muito se aquela refeição chegasse aos seus ouvidos. – Então, Uchiha-san, — ela não se importou em falar de boca cheia. – O que pretende fazer, comprando meu jornal assim? – Obito sorriu. Era estranho vê-la daquele jeito, tão tranquila e relaxada...
Não, na verdade, era estranho não vê-la gritando. – Eu diria que poderia ser seu, querida, mas não acho que vá aceitar um presente, então é meu jornal. – Ela cerrou os olhos. – Não parece ser um mau investimento. – Ele prosseguiu, dando os ombros; ela arqueou a sobrancelha castanha.
– Você recebe belos bilhões por mês, então não acho que o Diário de Konoha possa ser considerado como “bom investimento” para o seu tipo de empresa.
– Se você quer que eu diga que comprei para te ajudar, tudo bem. Eu digo: comprei para te ajudar. – Ela engasgou. – Vamos, isso não devia te surpreender. – Kasumi achou que ele estivesse certo: ela não devia ter ficado surpresa, mas ficou. Verdadeiramente. Talvez, pela falta de costume.
Afinal, em vinte em três anos, ninguém nunca lhe havia estendido a mão. E, ainda que tentassem, ela não estava acostumada a aceitar ajuda.
Um suspiro longo saiu de seus lábios. – O que você quer? – Foi direta, e ele francamente ficou aliviado por isso.
– Um exame. – Ela arqueou a sobrancelha. – Se não for minha filha, vou passar tudo pro seu nome, e nunca mais vai me ver na sua vida. – Kasumi sabia muito bem que ele pensava que era sua filha, então depois de digerir mais um pedaço do sanduíche, se ajeitou na cadeira, e depois de hesitar um pouco, enfim perguntou:
– E se eu for? – Os lábios de Obito formaram um meio sorriso, também herdado da família Uchiha.
– Nós vamos nos sentar um do lado do outro, e eu vou te contar exatamente o que aconteceu para estarmos nessa situação. – Ela respirou fundo.
– Sabe que posso simplesmente recusar, não é? Você vai ser o meu chefe, e só isso. – Ele riu.
– Você não vai querer ser minha subordinada. Acredite. – Ela deu os ombros.
– Não vai ser o primeiro chefe que eu vou ter. – Tornou a comer.
– Eu gosto muito de trabalhar, querida. – Kasumi revirou os olhos.
Aquele “querida” estava irritando-a profundamente. – Não vai me querer no seu pé, de verdade. – A jornalista franziu o cenho, deixou o lanche – que há muito tinha deixado de ser apetitoso de lado – e levantou-se.
Sorriu para ele, com os olhos castanhos estreitos faiscando em desafio. Exatamente como uma Uchiha, Obito pensou.
– É o que vamos ver senhor Uchiha.
~
Sasuke estava em seu escritório, como costumava ficar durante as tardes de todos os dias da semana; com um copo grande de chá gelado do lado, e os relatórios contábeis trimestrais no centro da mesa.
Ele simplesmente não conseguia se mexer.
Em frente à sua mesa, Karin, apreensiva o observava, enquanto Suigetsu, o contador, bebericava o café servido pela secretária minutos antes, com uma tranqüilidade que chegava a irritar a moça.
– Nós... Conseguimos... – O murmúrio de Sasuke soou extremamente aliviado; os olhos negros estavam fixos à papelada. – Dobramos os lucros... Conseguimos! – Ele ergueu os olhos, bastante chocado.
Karin conteve um gritinho de animação, mas sorriu abertamente, e exclamou “parabéns, Sasuke!” com energia. Ele, no entanto, parecia bastante zonzo com a comprovação de que, de fato, ele havia conseguido. Havia vencido o avô!
– Madara-san foi muito cruel em dar esse desafio justamente no começo do ano. – O contador comentou. – Foi muita sorte conseguirmos adiantar o lançamento do novo smartphone. Seu tio foi um santo, fazendo a fusão e adiantando algumas peças...
Sasuke estreitou os lábios. De fato, a contribuição de Obito foi muito satisfatória, mas a verdade é que, para início de conversa, se não fosse pelo tio e sua falta de paciência, Sasuke jamais teria se metido em problemas com o avô.
Ainda assim, não pôde deixar de sorrir. Suspirou longamente, um suspiro de alívio, e Suigetsu prosseguiu: — Como a equipe de marketing já vinha fazendo um bom trabalho na divulgação, a demanda do produto foi além das expectativas.
– Outros departamentos também tiveram aumento nas vendas.
– Épocas sazonais, Sasuke. – O contador sorriu. – O Valentine’s desse ano foi muito movimentado. – O senhor Uchiha sorriu abertamente, e ergueu o copo de chá como num brinde.
– Que Deus abençoe os períodos sazonais. – Quando sorveu a bebida, imaginou que nenhum outro chá gelado seria tão delicioso quanto aquele.
Levantou-se, de súbito. – Pois é, amigos. Nos matamos, mas conseguimos dobrar os benditos lucros. Ao que parece, vou continuar presidente desta companhia. – Suigetsu se levantou, e apertou a mão do Uchiha firmemente.
– Parabéns, Sasuke.
Diferente de Suigetsu, Karin jogou-se nos braços do Uchiha, abraçando-o, feliz como uma criança. – Eu sabia que conseguiríamos! – Exclamou, alegre, e Sasuke não pôde deixar de retribuir ao abraço.
– É. Eu também sabia que conseguiríamos. – Ele suspirou longamente, e então se afastou. – Tire a sexta-feira de folga, e viagem durante o final de semana. – A ruiva anuiu, e o observou se afastar. – Mande um bônus para a equipe de marketing. – Ele adicionou enquanto vestia o terno.
– Você vai sair? – A secretária perguntou, sinceramente curiosa.
Quando Sasuke se virou para olhá-la, tinha um sorriso radiante – e inédito – no rosto. – Mas... Sua mãe disse que viria às três! – Ela o lembrou.
– Estou de volta até lá. – Ele garantiu; puxou da mesa o celular e da gaveta, as chaves do carro. – E, por favor, mande cópias do relatório contábil para o meu avô. Com flores. – Ele piscou, e então deixou a sala.
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– Kasumi-san! Eu já disse um milhão de vezes: controle sua dieta! – Sakura exclamou com irritação. A Aihara se encolheu, constrangida, na cadeira. – Seu histórico médico é muito ruim, então tem que se cuidar.
– Eu sei, eu sei. – Kasumi suspirou. – Desculpe, mas tive alguns problemas e...
– Eu vou ligar para Tenten. Falo sério! Já pedi um milhão de vezes para evitar comidas gordurosas, evitar a cafeína, e bebidas alcoólicas estão proibidas! – Sibilou a última palavra, e a morena fez uma careta.
– Eu não bebo mais. – A jornalista garantiu. – E só comi mal hoje, porque estava com pressa.
– Frutas são ideais nessa situação. – Kasumi bufou; cruzou os braços e se encolheu na cadeira, emburrada como uma criança de cinco anos.
Sak conteve a vontade de rir, e pigarreando, prosseguiu: — Acho que podemos marcar o ultrassom para daqui a quatro semanas. – Aquilo fez a jornalista tornar a fitá-la, mais animada.
– Já vou poder saber o sexo? – Sakura sorriu, e anuiu. – Uou...! – Ela olhou para o próprio ventre, radiante. – Isso vai ser legal... – E então voltou a fitar a médica. – Eu posso trazer mais alguém? – A rosada assentiu.
– Mas só uma pessoa. – A morena concordou, e ambas se levantaram.
Despediram-se amigavelmente, e ambas se surpreenderam quando Sasuke Uchiha apareceu no corredor do consultório, empurrando as enfermeiras de uma maneira muito desajeitada, decidido a chegar perto da namorada o mais rápido possível.
– Oh! Sasuke... – Mas antes que Kasumi pudesse terminar de cumprimentá-lo, foi ignorada.
Sasuke, contrariando todas as expectativas, enlaçou a cintura da namorada possessivamente; ergueu-a com facilidade, sem se importar com o fato de o corredor estar cheio, e beijou-a antes que a Haruno pudesse soltar uma exclamação que fosse.
Ele empurrou a porta do consultório com as costas dela, e entrou na sala sem cerimônias, esquecendo-se completamente de fechar a porta – coisa que Kasumi, como uma boa prima, fez questão de fazer.
Sasuke a empurrou por todo o cômodo, e eles só pararam quando as costas da Haruno bateram numa estante de vidro, fazendo um estrondo quase assustador.
Ela riu contra os lábios dele, e Sasuke não pôde deixar de sorrir; deslizou uma das mãos pela nuca delicada, e beijou-a apaixonadamente, sendo prontamente retribuído.
Sakura não sabia o que estava acontecendo com aquele homem, mas imaginou que devia ser uma coisa muito boa, para ele ter aquele tipo de reação. Ela apoiou-se nos ombros largos, e aproveitou dos carinhos adoravelmente gentis.
Demorou algum tempo até que ele afastasse os lábios dos dela; sorria feito um menino. – Segure-se. – Comandou, e antes que ela pudesse obedecê-lo, afastou-a da estante de vidro, e seguiu, com Sakura em seus braços, até o sofá decorativo.
Ela riu, quando eles desabaram no móvel, e ele tornou a beijá-la. – O que é isso...? – Sak perguntou entre seus lábios, realmente curiosa; ele estreitou as sobrancelhas.
– Não é óbvio? – Ela ergueu uma sobrancelha.
– Você me agarrou no meu local de trabalho. – Ele não pareceu ver nada de errado nisso. – No meio de um corredor lotado. – Sasuke deu os ombros.
– Sei que falávamos em ser discretos, querida, mas todos já estão comentando, de qualquer forma... – Ele a ajudou a se aconchegar em seus braços, e deslizou as mãos pela cintura fina.
– O que aconteceu com “as coisas sempre podem piorar”? – Ele franziu o cenho.
– Sakura, cale a boca. – Comandou, e tornou a beijá-la.
Em geral, Sakura não gostava de receber ordens, mas não seria nenhum sacrifico obedecer aquela.
Ainda assim, ela tinha que resistir. – Sasuke-kun, eu tenho que trabalhar... – Ela o lembrou, e Sasuke franziu o cenho em desagrado.
– Não tem, não. – Ela riu entre os lábios dele.
– Tenho, sim. – Ele negou com a cabeça, e deslizou os lábios pelo rosto dela; ouviu-a suspirar, mas sabia que não era o bastante. – Sasuke-kun... – Ele mordeu o canto do queixo dela, e sentiu-a estremecer. – É sério... – Sasuke bufou.
Afastou-se a contragosto, e encarou-a como a bela estraga-prazeres que era.
A expressão revoltosa fê-la rir. – Por favor! Eu preciso trabalhar!
– E eu preciso comemorar. Quando aceitou esse posto – ele adicionou quando a viu a ponto de retrucar. – De ser minha namorada, devia saber que as coisas seriam difíceis. Todos sabem que eu sou insuportável.
– Não, querido. Você está entendendo mal. – Ela se sentou reta no colo dele, e alisou o rosto branco; beijou-lhe os lábios amorosamente, e roçou os narizes, carinhosa. – Eu adoraria ficar com você... E fico muito feliz que tenha motivos para comemorar, mas eu ainda tenho uma paciente marcada, e... – Ele bufou.
– Tudo bem, eu vou embora agora. – Murmurou irritadiço. – Mas já que vai me negligenciar à tarde, vai ter que suportar um jantar de comemoração esta noite. – Ela estreitou as sobrancelhas.
– Jantar? – Ele anuiu.
– Meu irmão ficou noivo. – Deu os ombros. – Então vamos jantar juntos.
– Oh... – Ela enrubesceu.
Perguntou-se se Sasuke havia percebido que, naquele momento, ele estava envolvendo-a em um jantar familiar.
Claro que seus pensamentos sumiram, quando sentiu as mãos dele adentrando por sua camisa. – Será que você pode parar de tentar me tarar no meu ambiente de trabalho?! – Ela questionou num murmúrio irritadiço. Ele riu; beijou-lhe o lábio inferior sedutoramente, e sentiu-a relaxar em seus braços.
No entanto, antes que pudesse avançar, a porta foi aberta.
E Tsunade apareceu, com uma expressão não muito amigável. – Que diabo você está fazendo no meu hospital, com a minha pupila?! – Ela questionou ao Uchiha, furiosa; Sakura se levantou num pulo.
Sasuke quis se encolher, mas ao invés disso, pigarreou.
– Boa tarde, Tsunade. Como vai você? Já te disse que tem belos olhos? – Os olhos cor uísque da Senju se cerraram. – Tudo bem, eu estou indo... – O moreno levantou-se; roubou um beijo muito constrangedor da namorada e saiu como se nada tivesse acontecido.
Um bocado de explicações passou pela cabeça de Sakura, quando o namorado estava fora de vista, mas ela não precisou dizer nenhuma delas, já que Tsunade, obviamente, não estava irritada.
Ao menos não com ela. – Esse garoto!
~
Itachi tinha estado de mau humor desde a visita de Sasuke, àquela manhã. Estava irritado, decepcionado... Mas isso não era desculpa para adiar algo que ele via como uma obrigação.
Deve ter passado, no mínimo, meia hora encarando a porta da casa do tio.
Ele sabia que não tinha nenhum sentido sentir-se nervoso, mas era inevitável.
Kasumi e Itachi estavam juntos há quase nove anos, e ele nunca cogitou a possibilidade de ter que lidar com os pais da amada.
Mas agora ela estava grávida, noiva... E os pais dela eram tios dele. Não podia simplesmente ignorar tudo aquilo.
Respirou fundo, e tocou a campainha.
Não demorou nem dois minutos até a empregada recebê-lo.
A tal mulher, uma senhora chamada Koharu Utatane, que ele mesmo havia contratado, levou-o até a sala de estar da casa, e instruiu o rapaz a esperar enquanto chamava Obito. – Ele está há horas trancado naquele escritório odioso. – A empregada fez uma careta ao contar. – Mas estou certa de que virá recebê-lo.
Itachi sorriu-lhe em resposta, e viu-a se retirar pela porta.
O que ele devia falar? Pior que isso: como ele devia falar? Mal podia ouvir-se dizendo: “tio, eu vou me casar com sua filha; ela está grávida, então seja compreensivo”, mas imaginava que diria exatamente aquilo quando visse Obito.
Não demorou muito até ele entrar na sala com um sorriso imenso, animador, que fez Itachi sentir-se inevitavelmente desconfiado. – Acho que já sabe das novidades, não? – O tio questionou com alegria, mas o advogado não conseguiu compreender. – Já que não me visita nunca, deve saber. – Obito cruzou os braços e se sentou numa poltrona à frente do sofá em que Itachi estava acomodado. – Comprei o jornal de Kasumi. – Explicou depois de enxergar confusão nos olhos do rapaz.
–... Você o quê? – Itachi não pôde segurar a gargalhada.
– Eu disse que daria a ela em troca do DNA. – O homem deu os ombros. – Mas ela não aceitou. Francamente, acho que a teimosia dessa garota é a maior prova de que tem meu sangue, mas sei que ela jamais aceitaria isso.
– Sábia conclusão.
– É a minha teimosia, afinal. – Itachi sorriu, e estreitou as sobrancelhas.
– Ao menos alguém fica feliz com a teimosia dela... – Ele suspirou. – Essa teimosia já me custou muita dor de cabeça. – Obito riu.
– Eu posso imaginar... – E Itachi imaginou que sim, ele devia imaginar. Depois de tudo o que Kasumi e Obito haviam passado, era de se esperar que o tio enxergasse entendesse. – Quer um café? Um chá? Suco, qualquer coisa? – O jovem negou. – Então algumas torradinhas?.. Então que diabo veio fazer aqui? Não quer beber nada, comer nada... Nem sabia da novidade! – Itachi suspirou.
– Na realidade, tenho outra novidade, tio... – Obito não disse nada, e aquilo fez com que a apreensão do Uchiha mais jovem retornasse. Ele pigarreou três vezes, mas não conseguiu se recompor; sentia-se nervoso, ansioso. – Eu... – Mordeu o lábio inferior.
Tinha que falar. Precisava falar!
Era a filha dele, pelo amor de Deus! Obito merecia saber de seu casamento, e Kasumi não diria. Merecia saber que em alguns meses, seria avô! E Kasumi não contaria. Mas, se a própria filha não lhe contasse, como ele, um mero sobrinho, o noivo e pai da criança, poderia...? – Itachi, só fale. – O tio aconselhou ao notar a apreensão estampada no rosto do rapaz.
Ele suspirou longamente.
Respirou fundo.
Encarou os olhos do tio, e falou: — Eu vou me casar com sua filha.
Por um minuto, Obito não soube como reagir. Nenhuma resposta havia lhe passado pela cabeça, nem nenhuma ação. – Por quê? – Foi tudo o que conseguiu balbuciar.
Por que ele queria tirá-la dele, antes mesmo de Obito ter a chance de ter a filha?
Itachi baixou a cabeça, e mais uma vez hesitou. – Ela está grávida. – Confessou, e Obito empalideceu. – Nós nos conhecemos há anos, tio. – Ele lhe disse. – Eu a amo há quase uma década... – Suspirou. – Tinha a pedido em casamento, antes de sabermos da verdade... Mas ela me recusou. – Obito estreitou os olhos. – Nos acertamos ontem a noite... – O mais velho riu, interrompendo-o; uma risada tristonha.
– Notei que ela parecia diferente. – Obito murmurou. – Mas Kasumi não me disse nada quando nos encontramos, então jamais poderia imaginar... – Ele se calou.
É claro que Kasumi não veria motivos para contar ao pai sobre a gravidez, muito menos sobre o casamento.
–... Por favor, tio... Perdoe-me. Eu sei que era o momento em que deviam se conhecer... Sei que não devia me envolver, mas eu... – Ele apertou os punhos. – Eu amo sua filha desde a faculdade! Ela vai ser mãe do meu filho! Mesmo que eu compreenda seus sentimentos, tio... Não posso simplesmente abrir mão disso tudo...
– Itachi. – Obito ergueu a mão, pedindo para que ele se calasse. – Eu jamais pediria que fizesse algo assim. – Garantiu. – Até porque, claramente, Kasumi o ama... – Ele respirou fundo. – Não vou mentir, e dizer que estou feliz por isso, porque não estou. Não quero perder minha filha sem sequer conquistá-la... Mas você está na vida dela a mais tempo que eu, portanto, é natural que ela o ame mais do que a mim... – Cada palavra proferida era como uma faca encravada em seu estômago, mas ele não podia parar. – Eu quero que ela seja feliz. – Murmurou baixo, com sofreguidão. – Portanto, Itachi... Só prometa que vai cuidar da minha filha.
– Eu vou cuidar. – O mais jovem garantiu, e Obito sorriu. Levantou-se, e deu um tapinha amigável no ombro do sobrinho.
– Não se preocupe comigo, Itachi. Te conhecendo como conheço, sei que fala sobre mim à qualquer brecha... Mas agora ela é sua noiva, vocês vão se casar. Não faça mais isso, pois só vai irritá-la. – Itachi estava a ponto de retrucar, mas o tio prosseguiu: — Eu mesmo vou fazer com que aquela garota dê o braço a torcer. – Garantiu. – Afinal, ela só tem metade da teimosia Uchiha.
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Quando Itachi deixou a casa do tio, já era noite, então ele imaginou que devesse buscar Kasumi para o jantar de comemoração com Sasuke.
Ela certamente havia ignorado a mensagem que pedia para que fosse mais cedo para casa, para trabalhar, mas o Uchiha não se importou. Dirigiu tranquilamente até o prédio do jornal. O tempo inteiro, refletiu sobre as palavras do tio, e percebeu que, de fato, embora estivesse tão ansioso quanto o próprio Obito para que Kasumi soubesse a verdade, não podia mais se envolver.
Estacionou em frente ao prédio e desceu do carro. Seguiu para a recepção, onde se identificou, e subiu para o andar do escritório da amada.
Adentrou a sala sem bater, e não se surpreendeu ao encontrá-la trabalhando. Certamente, a recepcionista a havia avisado do sobre a chegada de Itachi, mas Kasumi nunca se deixava interromper por nada.
Ao menos não por vontade própria.
Itachi fechou a porta tranquilamente. – Olá. – Ela murmurou, mas ainda não tinha tirado os olhos da papelada à sua frente, então o advogado aproximou-se, deu a volta na mesa e puxou-a pela cintura, obrigando-a a se levantar, sem cerimônias. – E- Eu estou trabalhando! – Ela exclamou, tentando se esquivar, mas foi calada por um beijo curto.
– Boa noite, querida. Eu estou bem, e meu dia foi tranquilo. Obrigado por perguntar. E você, como está? – Kasumi revirou os olhos, mas riu.
– Eu estou ocupada, Itachi.
– Já ouviu falar em “jornada de trabalho”, querida?
– Já ouviu falar que líderes não tem descanso, querido? – Itachi sorriu, e roçou o nariz no rosto dela. – É sério, ainda tenho coisas a fazer...
– É, você tem um jantar para ir. – Kasumi arqueou a sobrancelha. – Com meu irmão, em comemoração ao nosso noivado... – Ela mordeu o lábio inferior.
– Noivado? Não me lembro de ter aceitado...
– Não aceitou. Mas eu já disse que vamos nos casar, mesmo que eu tenha que amarrá-la. – Kasumi riu, e só o som o fez sorrir. – É verdade. Eu conheço alguns juízes, e meu irmão poderia ser a testemunha.
– Que grande besteira... – Ela alisou o rosto dele. – Tudo bem, não quero que passe essa vergonha, então aceito me casar com você. – Ele roçou os lábios nos dela.
– Eu não esperava menos. – Murmurou sorridente. – Então... Eu devo procurar uma igreja, ou alugar um hotel, para o nosso grande dia? – A sobrancelha castanha se arqueou. – Já que eu não preciso te amarrar, quero vê-la de noiva.
Só a ideia fez com que o estômago da jornalista congelasse. Mas, diferente do que sempre tinha imaginado, além do pânico, sentia uma pontinha de ansiedade. – Um hotel. – Ela se ouviu dizer.
Não, ela não queria se casar em uma igreja. Primeiro, porque não era nada religiosa. Depois, porque não conseguia imaginar um casamento religioso onde a noiva não fosse levada ao altar pelo pai.
E ela, definitivamente, não seria.
– Um hotel modesto, com um juiz de paz e poucos convidados. – De alguma forma, a ideia lhe pareceu perfeita. – E antes que eu fique gorda. – Adicionou rapidamente, quando sua mente vislumbrou o vestido de noiva.
Sentiu-o alisar sua cintura, e o rosto enrubesceu. – Se dependesse de mim, casaríamos amanhã. – Ele murmurou, roçando o nariz no dela. – Então, não se preocupe... Eu vou ajeitar as coisas o mais rápido que puder. – Ela sorriu.
– Obrigada...
~
Naruto não havia dormido a noite inteira, e demorou muito para se levantar, de manhã. Primeiro, banhou-se, depois vestiu um moletom qualquer e então, seguiu para a sala de jantar, a fim de furtar alguma coisa comestível dos armários da mãe.
Havia sido avisado, por uma das empregadas, que Minato e Kushina haviam saído cedo, juntos, então não se surpreendeu ao encontrar Menma e Hanabi sentadas na grande mesa de jantar, desenhando e escrevendo num cartaz exuberante.
Elas não o notaram inicialmente, então Naruto aproximou-se furtivamente, e arqueou as sobrancelhas ao ler. – “NaruHina FC”? Não ia ser HinaHyuu, ou algo assim?
Menma e Hanabi se levantaram num pulo, tão apavoradas que Naruto gargalhou.
– N- Naruto-nii! B- Boa tarde!
– B-Bom dia, onii-san...
– Não me venham com “bom dia”. Quero saber o porquê dessas caras de culpadas. – O loiro cruzou os braços, sorrindo divertido. – E que coisa é essa de “NaruHina”? Pensei que não ia se meter nos assuntos amorosos da sua irmã, Hanabi.
A garota Hyuuga enrubesceu. Baixou a fronte, e ajeitou os cabelos castanhos.
– Eu não ia... – Confessou num murmúrio envergonhado. – Mas... – Estreitou os olhos ao se lembrar do rosto abatido da irmã, na noite anterior, e então fitou os olhos do Uzumaki. – Mas... Eu não quero que a onee-san seja infeliz... – Os olhos de Naruto se suavizaram. – E ela não está feliz com o Kiba-kun...
Menma cruzou os braços. – É claro que ela não está feliz com aquele cachorro. – Murmurou emburrada, e Hana tornou a corar.
Naruto suspirou. – Menma, seja legal com sua amiga. – Ele bagunçou a cabeleira loira da irmã, e sorriu ao ouvi-la praguejar. – Sabe... – Ele murmurou depois de um tempo em silêncio. – Eu fico agradecido por vocês... Por estarem tentando fazer isso. – Foi sincero. – Mas acho que...
– Se você disser que acha que “não é algo em que devemos nos meter”, eu vou socar o seu olho, onii-san. – Naruto se calou. – Deixamos por sua conta até agora, e só o vi fazer besteiras! Eu sei que você não gosta da situação, mas deve apoiar a Hina-nee! Deve mostrar que, independente das escolhas dela, vai estar ao seu lado! – Hanabi anuiu, concordando com a amiga. – E por isso, nós temos um grande plano. – Naruto arqueou a sobrancelha.
– Erguer uma faixa escrito “NaruHina” não vai fazê-la terminar com o namorado, Menma.
– Não, mas com certeza vai tocar o coração dela. O poder dos couples é mais forte do que pode imaginar, você vai ver como a Hina-nee vai ficar comovida. – O loiro engoliu uma risada. – Mas, de qualquer forma, o cartaz não é o nosso plano. – Ela olhou animada para Hanabi, que sorriu, e então tornou a olhar para o irmão. – Nós vamos surpreender a Hina-nee, mostrando que você está do lado dela, onii-san!
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