50 Tons De Uchiha
7 Presente.
Notas iniciais
Muitas coisas aconteceram. ;-;
~
Eu me esforcei muito pra escrever esse capítulo, e acho que ficou interessante. :)
Espero que curtam. n.n
Capítulo 07 – Presente.
Definitivamente aquilo não era muito bom. No momento em que ouviu Sasuke dizer a alguém – que ela julgava ser um médico – ir até sua casa, ela sentiu o coração palpitar, e o corpo tremer. Mas nenhum daqueles sentimentos era de ansiedade, e sim de puro medo. Sim, medo... Porque ainda que ele tivesse dito mais de uma vez que “não era como se fosse violentá-la a qualquer momento”, ela não podia sentir-se totalmente certa daquela afirmação, não é mesmo? Principalmente depois de conhecer a verdadeira face daquele maligno calhorda.
O carro enfim estacionou, e a voz de Sasuke perguntando “Está muito ruim?” despertou Sak de seus devaneios. Só a lembrança de que estava machucada fez a dor voltar; era como se a preocupação e o medo tivessem tido o efeito anestésico que, infelizmente, não durou muito tempo.
Pela expressão da moça, o Uchiha pôde entender a mensagem. Ele desceu do lado do motorista, abriu a porta do passageiro e sem pedir permissão, pegou-a nos braços mais uma vez. Claro que o rosto da rosada queimou e no mesmo instante ela sentiu a cabeça girar. Nem ela conseguia entender o porquê ficar tão nervosa perto dele.
Sasuke adentrou no prédio e não se preocupou em explicar a situação na recepção; entrou no elevador e pediu gentilmente para que a senhorita Haruno apertasse o botão da cobertura.
Em pouco menos de dois minutos estavam lá, no apartamento do moreno.
Foram recebidos pela tal Shizune, que ela reconheceu como sobrinha de Tsunade Senju, sua eterna diva da medicina. Enquanto era consultada pela doutora, ela francamente esqueceu-se do lugar, hora e dia: focou-se somente na médica e em seu jeito de atender.
Sentado no sofá à frente delas, Sasuke observou cada movimento e reação da rosada, e com um sorriso divertido, concluiu que ela devia ser muito apaixonada pelo que faria futuramente. Ela ficava realmente linda quando falava das coisas que lhe interessavam, e seus olhos brilhavam intensamente em qualquer conversa que lhe despertasse minimamente a atenção.
No fim das contas, o resultado de Shizune não foi tão diferente do que ela mesma imaginara: provavelmente havia trincado o tornozelo – que já estava um pouco inchado. Depois de passar uma pomada medicinal, massagear o lugar inchado e enfaixá-lo, a mais velha exigiu que a estudante fosse o mais rápido possível para um hospital, onde poderia tirar um raio X e ver se aquele era realmente o problema.
Sasuke quis levá-la imediatamente, mas Sak sentia muita dor, então eles preferiram esperar que os analgésicos medicados fizessem algum efeito.
Depois do trabalho feito, e de uma conversa curta, Shizune teve que ir, e os dois ficaram, para a alegria de Sasuke e desgraça da moça virgem, sozinhos. – Eu vou trazer um café. – Ele estava tão feliz que mal conseguia esconder.
A Haruno se perguntava como fugiria, caso precisasse. Estava com o pé machucado, no último andar e precisava do cartão chave que estava justamente no bolso do Uchiha para utilizar a porta. Definitivamente suas chances não eram favoráveis.
Sasuke voltou para à sala não muito tempo depois, com duas belas canecas de porcelana que deviam custar mais que os sapatos – caros, diga-se de passagem – de Sak. Ela aceitou e eles beberam em silêncio.
Quando o Uchiha fez menção de se aproximar, ela suspirou incomodada, e ele levantou-se contrariado, puxando as canecas para levá-las à lava louças. – Onde é o banheiro? – Perguntou antes que ele fosse para a cozinha. Ele deu os ombros e apontou com a cabeça para um corredor, que ela seguiu com dificuldade. Claro que não iria esperar a ajuda dele para tal coisa, e claro que ele sabia disso, ainda que fosse idiota da parte dela.
A rosada mancou até última porta do corredor: uma branca, mais longa que as outras, o que a deixava chamativa. Ela se perguntou se aquele deveria ser o banheiro, e imaginou que os ricos definitivamente tinham gostos estranhos. Quando abriu a porta, entretanto, sentiu todos os membros de seu corpo travar no mesmo instante, e até a dor no tornozelo trincado pareceu sumir: diante dela estava um quarto estupidamente pervertido. Com paredes assustadoramente vermelhas, uma cama grande com um dossel que ela duvidou estar ali para decoração e estantes com acessórios que ela nunca chegou a ver, nem mesmo em sex shops. – Porta errada. – A voz de Sasuke, próxima à sua nuca, a fez berrar de susto. Ele riu da reação dela.
– D- Desculpe. – Ela murmurou rápido; tentou fechar a porta em questão, mas foi impedida pelo Uchiha, que a escancarou. Bem, realmente não era sua intenção inicial, ao trazê-la para o apartamento, apresentar-lhe aquele cômodo, mas já que as coisas estavam assim, ele imaginou que seria o momento ideal.
– Eu quero te mostrar isso. – Os olhos dele brilhavam de excitação, e ela realmente teve medo. Ainda assim, foi arrastada pelos braços fortes do Uchiha, que seguiu até uma das prateleiras negras. – Eu realmente queria que você conhecesse... – Ele disse enquanto exibia o quarto. – Minha sala de jogos. – E sorriu de maneira maliciosa.
Sakura estava muito chocada para corar. -... Você faz amor nesse lugar? – Ela arriscou perguntar. Sasuke arqueou a sobrancelha; largou qualquer coisa que tivesse pegado das estantes ali mesmo e aproximou-se perigosamente da rosada, que o fitava assustada, mas um pouco mais desperta graças à proximidade.
– Eu não faço amor. Eu fodo, e com força. – Ele disse com um sorriso estranho, mas Sak, que não pôde entender aquela tentativa de sedução barata à lá bad boy só pôde responder, com muita ironia:
– Uau, senhor Uchiha. Acho que estou completamente apaixonada. – Sasuke pareceu entender a ironia na frase imediatamente, e a fitou com confusão. Definitivamente ele parecia não esperar uma reação daquelas. – Se você trouxer minha amiga aqui, ou qualquer pessoa que eu conheça, além de cortar os seus testículos nojentos, te denuncio por atentado ao pudor. – Aquilo o fez rir.
– Não acho que isso seja ciúme. – Ele ponderou divertido, e ela revirou os olhos. Mancando, retirou-se do cômodo sinistro, e foi seguida pelo senhor Uchiha. – Ei! Espere... – Ele insistiu. – Espere... – Puxou-a gentilmente pela cintura, e o rosto da Haruno corou. – Eu sei que pode parecer estranho... – Corou um pouco ao falar. – Mas é realmente interessante. E eu não trago qualquer uma... – Pela sobrancelha arqueada da rosada, ela parecia duvidar daquilo. – É verdade. – Sak suspirou.
– Senhor Uchiha, não estou interessada em sessões de sexo selvagem. – Ela pontuou, mas o outro contraiu os lábios.
– Vamos, Sakura... – Ele deslizou uma das mãos por sua cintura, fazendo-a esquecer de respirar. – Eu sei que gosta de mim... – A voz dele era insuportavelmente sedutora. – E eu também gosto de você. Vamos lá... Uma transa casual, qual é o problema? Eu sou rico, bonito, quente... – Beijou o rosto dela, que suspirou.
– Rico, bonito, quente, egocêntrico e prepotente. – Ela o empurrou, ainda que gostasse de estar próxima. – Não estou interessada nesse tipo de relação. – Ele riu.
– Não gosta de sexo casual? – Ela deu os ombros como se aquela fosse uma explicação suficientemente aceitável. – Então não posso entender como é amiga daquela louca. – Aquele comentário em particular a irritou. – Ou do Naruto. – Adicionou. Sak preferiu manter-se em silêncio. – Vamos... – Ele insistiu mais uma vez. Deslizou os lábios pelo rosto dela, que enrubesceu ainda mais, e levou-os até sua orelha. – Eu prometo que vou enlouquecê-la tanto que você não vai nunca mais pensar em parar. – Aquilo já era demais. Ela o empurrou com irritação, e sem nem pensar que estava na casa dele, trancada no último andar, socou o rostinho bonito sem ligar para o fato de que não poderia admirá-lo mais tarde.
– Qual é o seu problema?! – Sak gritou, aproveitando-se da confusão dele. – Eu já disse que não estou interessada, então porque insiste tanto?! – Ele estava realmente sem reação. – Você é um cafajeste, um nojento e um pervertido! – Soltou furiosa. – Eu nunca, jamais entraria em um quarto daqueles para fazer seja lá o que você faz com seja lá quem! Isso é baixo, sujo! Por favor, não me procure mais! – E saiu apressada, mancando dolorosamente.
Como se despertasse ao vê-la naquela situação, Sasuke suspirou. Aproximou-se e a segurou pela cintura para que pudesse apoiá-la. Ela tentou se esquivar, mas foi em vão, pois só serviu para que o rapaz a pegasse nos braços. – Tudo bem. – Ele murmurou; pelo tom de voz não parecia nada feliz. – Eu não vou mais te procurar. – Informou. – Só que preciso levá-la, ao menos, de volta para os seus pais. – Ainda que contrariada, ela concordou, pois não tinha nem dinheiro nem vontade de pagar um taxi – pois ficaria muito caro dali para sua casa.
Eles não trocaram palavra nenhuma durante a viagem. Todo o caminho seguiu-se silencioso: Sasuke mantinha seus olhos na estrada e Sakura na janela, ainda que não enxergasse nada realmente.
Para a sorte da Haruno, foi só ouvir o barulho do carro que o pai saiu do apartamento para ajudá-la; o Uchiha também não fez muita questão de entrar; apenas sorriu para Kizashi como se tudo tivesse corrido bem, avisou que a moça precisaria ir a um hospital logo e depois de uma despedida cortês, se retirou. Sakura teve certeza que não o veria tão cedo.
Os dias até o natal passaram num piscar de olhos para os pais da estudante de medicina, já para ela... Embora parecesse feliz todos os dias, rindo e sorrindo, estudando e trabalhando, ela não estava verdadeiramente feliz com os preparativos para o feriado, uma vez que tinha o pé engessado e só conseguia pensar se tinha feito certo em ser tão grosseira com Sasuke. Afinal, aquilo poderia ser estranho para ela, mas era certo julgá-lo? Cada um tem seu gosto, não é?
A senhora Haruno era muito boa na cozinha, então ao menos disso ela poderia se livrar, e todos os preparativos da ceia foram cuidadosamente feitos pela mãe.
Como os Yamanaka estavam fora do país a negócios, Ino acabou como intrusa na ceia dos Haruno.
Ambas as jovens moradoras do lugar se fartaram com as delicias postas na mesa de natal. A noite foi feliz e familiar – pois outra moça já era considerada da família – mas nada realmente importante aconteceu.
No dia seguinte, Ino adentrou repentinamente no quarto, sem bater à porta. Eram duas horas da tarde, e Sakura estava ocupada com o dever de casa. Embora as entradas repentinas incomodassem um pouco a dona do quarto, ela já havia se acostumado há muito. – Vamos às compras! – Exclamou a Yamanaka, erguendo um cartão cinzento que, Sak imaginou, devia ser novo. As sobrancelhas da rosada se arquearam, e a loira bufou. – Vamos, Sak! – Ela instigou. – Amanhã é o aniversário da sua adorada Hinata Hyuuga. Precisamos comprar um presente decente.
– É feriado de natal, onde vamos arrumar “um presente decente”? – A Haruno se esticou na cadeira e bocejou. Ino revirou os olhos.
– Você é mesmo uma jornalista?! – E depois de pegar um papel impresso na bolsinha pequena, exibiu o anúncio de um desfile especial de natal. – São peças limitadas. – A moça falou com excitação, e Sak quis rir.
– Eu nunca conseguiria pagar isso. – Lembrou-a, e mais uma vez a viu revirar os olhos.
– Sakura, quando eu neguei meu dinheiro a você? – A outra deu os ombros.
– Eu sei, Ino... Aprecio sua vontade de gastar dinheiro, mas já comprei uma lembrancinha. – Ela se esticou sem sair da cadeira, abriu a gaveta da escrivaninha e puxou um pacote pequeno e fofo. A loira fez uma careta que ela preferiu ignorar. – Além disso, não consigo andar direito com esse pé. – Apontou com a cabeça. – E tenho todas essas pesquisas maravilhosas para acabar de ler. – Mais uma vez a amiga suspirou, agora ainda mais profunda.
– Você ainda vai se arrepender por não viver sua vida como uma jovem, Sak. – Ela avisou enquanto saia. Dando os ombros, a rosada tornou aos seus afazeres.
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– Uma exposição? – A voz de Sasuke era puro tédio.
– Não se comporte assim, é a exposição da esposa do Shikamaru. – Naruto o censurou com o olhar e Itachi observou surpreso àquela situação estranha: normalmente, era Sasuke quem costumava a censurar os outros – geralmente Naruto.
– Não me venha com essa. – O Uchiha mais jovem apoiou sua cabeça nas mãos e encarou o amigo com um sorriso divertido. – Sei que só me arrastou para cá porque ainda não comprou o presente da Hinata. – O rosto do Uzumaki corou.
– Podem calar a boca? – Kasumi Aihara, a eterna namorada sem compromisso de Itachi pediu com a voz irritadiça.
A senhorita Aihara era uma jornalista formada com uma bolsa integral em uma das melhores faculdades de literatura do exterior – onde havia conhecido Itachi, a propósito. Ainda que fosse uma moça órfã, tinha mestrado em jornalismo e com muito esforço conseguiu ser reconhecida, fazendo o que amava.
Ainda assim, hoje era a diretora do Diário de Konoha, um jornaleco regional que mal havia começado, mas que ela sinceramente tinha expectativas.
Era bonita, inteligente e tinha o mundo aos seus pés. O pior de tudo era que sabia de tudo isso. Talvez por esse motivo fosse o “encontro casual” de Itachi há quase oito anos, ainda que o rapaz fosse oficialmente apaixonado por ela. – Por que você veio cobrir essa coisa? – Sasuke questionou. Ele estava realmente muito entediado para fazer tantas perguntas estúpidas. – Sabemos que moda é um dos assuntos que não é do seu interesse. – A morena deu os ombros.
– Não tenho família para me acompanhar no natal, então achei que seria menos depressivo. – Jogou na lata, fazendo o jovem arrepender-se. Itachi riu.
– Bem, você poderia ser casada a esta altura da vida. – O mais velho enlaçou a cintura fina da morena, que corou um pouco, mas não tirou os olhos do bloco com anotações. – Ei, preste atenção. – Ele pediu manhoso e os olhos castanhos da moça se ergueram. – O desfile vai começar. – Informou depois de roubar um selinho, e todos do grupo voltou sua atenção ao palco.
Há algum tempo Sasuke não tinha interesse em nada. Definitivamente a experiência de ser rejeitado não era das melhores. Ele passou todos aqueles dias pensando em como a senhorita Haruno era teimosa, e imaginando porque ele não conseguia parar de pensar em como dobrar tamanha inocência.
O desfile terminou em trinta – ou será que foram vinte? – minutos que mais pareceram horas para o Uchiha mais jovem. Naruto enfim tinha escolhido o presente para a amiga: um vestido longo, azul e elegante que realmente ficaria bem na aniversariante.
Os amigos, após despedirem-se do casal – pois Itachi era a sombra de Kasumi, e esta estava decidida a entrevistar a estilista, Temari Nara, a qualquer custo – seguiram para a recepção onde acertariam o pagamento, e Sasuke sentiu-se estranhamente atraído por um bracelete na vitrine. – Pode me mostrar isso? – Ele apontou para o acessório e a atendente imediatamente o obedeceu.
– Essa é uma peça exclusiva. – Ela falou com um sorriso gentil, colocando a pulseira sobre as mãos do rapaz, que a analisou. – A própria senhora Nara desenhou, é da coleção de primavera deste ano.
– E não foi vendida? – A sobrancelha negra se arqueou, e a moça riu da desconfiança do Uchiha.
– É uma joia cara. – Explicou. – Ainda que pareça simples, essa belezinha foi feita com ouro branco e diamantes cor de rosa. – Ele observou cuidadosamente as pequenas flores de cerejeira que eram formadas com as pedras rosa. – As cerejeiras estavam com tudo na primavera, mas hoje temos um ótimo desconto. – Instigou e o Uchiha sorriu de canto.
Ergueu a peça novamente, e após dar uma boa olhada, entregou à moça. – Eu quero que embrulhe para presente. – Ele não sabia como, mas entregaria o presente àquela teimosa.
A resposta de como, entretanto, chegou mais rápido do que esperava: ele estava sacando o cartão de crédito da carteira, seguindo para o caixa quando viu a loira, maníaca sexual que outra noite o havia praticamente estuprado na casa de Sakura pagando suas próprias compras.
Não pôde deixar de sorrir. A promessa que fez foi de nunca mais procurar Sakura, Ino não estava exatamente envolvida naquilo. Com um sorriso maldoso, ele se aproximou discretamente da senhorita Yamanaka; envolveu sua cintura repentinamente, abraçando-a por trás e murmurou um “Olá” desnecessariamente sedutor na ponta da orelha dela, que o reconheceu imediatamente.
Com o rosto rubro, ela virou-se na direção do Uchiha, que sorria descaradamente. – S- Sasuke-kun! – Ela exclamou.
– Como vai, senhorita Yamanaka? Há quanto tempo não nos vemos! – Ela concordou e após pegar o cartão com o atendente, Sasuke entregou o seu. – Feliz natal! – Ele exclamou com um sorriso doce que foi prontamente retribuído.
– Feliz natal. – Ela respondeu.
– Seria ousadia de minha parte perguntar como passou sua véspera? – A loira deu os ombros e fez um biquinho de falsa decepção.
– Você não me procurou mais depois daquele dia, então é realmente ousado perguntar esse tipo de coisa... – Murmurou. O moreno riu.
– Eu não sou o tipo de homens que procura mulheres. – Pelo menos não era, ele pensou. – Prefiro encontrá-las. E hoje... Nós nos encontramos. – O rosto dela corou um pouco. – Bom, eu estava pensando... Não tenho lugar para jantar essa noite, já que todos os restaurantes que gosto devem estar fechados.
– Então poderia vir jantar comigo. – Os olhos azuis dela eram estupidamente maliciosos. Sasuke aproximou-se mais, e murmurou “só se você for o prato principal” ao pé do ouvido dela, que riu envergonhada. O Uchiha imaginou o que Sak diria após ouvir aquilo. Provavelmente consideraria a cantada mais estúpida do milênio – coisa que ele francamente não estava muito longe de discordar. – Sakura e os pais vão jantar fora, acho que com alguns familiares... – Ela ajeitou o terno do Uchiha. – Então acho que seremos só nós dois. – O moreno deu os ombros.
– A noite é uma criança.
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A noite de Sakura não podia ficar pior: ela passou o dia inteiro com os pais, e no fim da tarde, foram visitar alguns parentes insuportáveis da mãe. Àquela altura do campeonato, ela começava a considerar a opção de ter um namorado no próximo natal.
A família Nohara era muito simples, e eles eram consideravelmente mais pobres que os Haruno, então vez ou outra precisavam de sua ajuda. A única filha – prima de segundo grau da senhora Haruno – do casal tinha alguns problemas psicológicos e era periodicamente internada, então eles tinham muitas despesas para arcar. Por algum motivo que ela mesma desconhecia, não conseguia gostar muito dos tios.
Aquelas visitas eram anualmente comuns, e Sak já estava acostumada com todo o blablabla desinteressante sobre a saúde mental de Rin Nohara. – Nós realmente pensamos que desta vez ela se recuperaria... – A senhora se lamentou. – Estava tão bem, mas então, de repente, surtou de novo. – Ela fungou e foi acolhida pelo marido.
– Eu sempre achei a Rin muito normal. – Sak comentou repentinamente, e todos os olhares da sala foram até ela, que enrubesceu.
–... Claro. – O senhor Nohara concordou. – Rin é uma boa garota. – O certo seria “boa mulher”, já que ela estava na casa dos quarenta, mas Sak preferiu não corrigi-lo. – Mas quando se exalta... É realmente assustador, Sakura. Ainda assim, fico feliz que você confie na consciência de minha filha. – A rosada sorriu por educação e passou a focar-se no seu pedaço de bolo caseiro.
– O hospital é muito caro? Sabe que pode contar conosco... – A senhora Nohara assentiu, e sorrindo, segurando as mãos da mãe de Sak, agradeceu.
A campainha soou inesperadamente, tomando toda a atenção de todos. Os donos da casa se entreolharam irritados e o velho senhor se levantou. Sakura nunca imaginaria o quão interessante se tornaria aquela estadia até ele abrir a porta e um homem alto, bonito e bem vestido aparecer. – Eu já não disse para você não aparecer mais aqui?!
– Eu só quero saber onde ela está! – O homem respondeu com cautela. – Sabe que posso ajudá-la então, por favor, contribua. – O velho suspirou longamente.
– Não há nada para você aqui, garoto. – Ele apontou para fora. – Vá! – As sobrancelhas negras do outro se juntaram.
– Quanto eles lhe pagaram?! – Exclamou com irritação repentina, calando o Nohara. – Me diga! – Insistiu. – Quanto eles lhe pagaram para acabar com a vida da sua filha?! – O rosto do senhor empalideceu, e todo o corpo de Sakura palpitou de animação com o pensamento que enfim aquelas visitas tinham dado algum entretenimento.
A velha Nohara levantou-se e foi até a porta, assim como os curiosos Haruno. Sak observou a estranha semelhança entre aquele homem e Sasuke, e se irritou ao perceber que não parava de pensar no calhorda. – Onde a colocaram desta vez?! – Os olhos negros dele estavam cegos de raiva.
– Saia da minha casa ou eu chamo a polícia! – A mulher gritou furiosa, e o intruso enfim recuou. Ele apertou os punhos.
– Eu vou achá-la. – Avisou antes de sair, e os velhos puderam respirar.
– Algum problema? – Kizashi realmente se preocupou, mas a resposta do casal foi “nenhum”. Depois daquilo, obviamente não havia mais nenhum clima para continuar a conversa familiar, e a família Haruno se despediu desejando um feliz natal e melhoras à filha adoentada do casal.
Sakura pôde notar, enquanto entrava no carro, que o estranho intruso bonitão estava lá fora, dentro de um carro discreto, mas caro.
Claro que toda a sua imaginação foi barrada quando chegou em casa, pelos gemidos estridentes que Ino deixava escapar de dentro do seu quarto. Gemidos tão constrangedores que ela sequer teve coragem de continuar a conversar com os pais na sala, e todos seguiram para seus devidos quartos.
Longe da voz da amiga, Sak enfim pôde parar para refletir sobre o acontecimento na casa dos parentes.
Ela realmente não gostava do casal, mas considerava Rin Nohara uma pessoa adorável, mesmo que um tanto perturbada. A chegada de um homem estranho na noite de natal era realmente surpreendente, no ponto de vista da Haruno, pois aqueles velhos não costumavam receber lá muitas visitas. De uma coisa ela tinha certeza: a pessoa que ele procurava certamente era Rin, só não podia nem sequer imaginar o motivo para falar tantas ofensas para pais que se preocupavam tanto com a filha a ponto de pedir dinheiro a parentes distantes.
Ela passou muito tempo pensando e imaginando, mas não chegou a uma conclusão realmente. Eram quase três da madrugada quando ela levantou-se para comer alguma coisa: pegou muleta ao lado de sua cama e saiu mancando até a cozinha, onde foi surpreendida com a visão de Sasuke, sentado, tomando café enquanto lia alguma coisa no tablet.
Os olhos negros se ergueram, e o corpo dela paralisou. – Senhorita Haruno. – Ele cumprimentou com um aceno, tranquilo, mesmo estando ansioso por dentro.
–... O que faz aqui? – Ela limitou-se em perguntar. Sasuke deu os ombros.
– Eu prometi que não te procuraria, mas isso não envolvia a senhorita Yamanaka. – Sorriu maroto, e ela revirou os olhos.
– Você não presta. – Ela murmurou enquanto virava-se para voltar para seu quarto. Ele se levantou apressado e a impediu, segurando pelo pulso livre.
Ela o olhou de soslaio e ele sorriu sem humor. – Desculpe. – Pediu; observava a perna engessada. – Eu só... – E ergueu os orbes negros até os verdes. – Queria te dar isso. – Ele tirou do paletó uma caixa preta que Sak não quis pegar.
Aquilo o incomodou um pouco, mas o Uchiha estava disposto a deixar o espírito natalino comandar seu coração, então ele mesmo abriu, e a pulseira com diamantes em forma de cerejeiras apareceu, belíssima e brilhante.
Que tipo de homem, Sak se perguntou, compraria uma pulseira de primavera em pleno inverno? – Parece ser caro... – Ela murmurou sem olhar nos olhos dele, que coçou a nuca.
– Isso não importa. – Respondeu contrariado. – O que importa é que... Eu a vi, e imediatamente pensei em você. – Ele se aproximou, tentou colocá-la no braço da moça, que se esquivou, confundindo-o.
– O que você pensa que está fazendo? – Os olhos dela pareciam verdadeiramente tristes, e ele não compreendeu. – Acha que pode vir aqui, dormir com a minha melhor amiga e me dar uma pulseira cara? – Ele não respondeu. – Só porque eu sou pobre, senhor Uchiha, não significa que eu não tenha orgulho. – Ela respirou fundo. Queria muito chorar. – Sabe, eu estava me perguntando se fiz mal ao afastá-lo. – Disse fitando-o. – Mas agora vejo que não. Ficar com você me faz mal, me faz ficar triste, faz com que eu me sinta rebaixada então, por favor, pare com isso. – Ele ainda não respondeu.
Sakura curvou a cabeça educadamente, e com dificuldade, retirou-se para seu quarto. Em menos de cinco minutos, pôde ouvir o barulho da porta de entrada abrir e fechar, e ela soube que ele tinha ido.
Notas finais
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Bem, eu disse que alguns elementos de 50tons estariam presentes, e o quarto-vermelho-da-dor é um deles, HOHOHO'. Particularmente, eu acho aquele lugar muito engraçado. No momento em que eu li a cena em que ele aparecia, me imaginei no lugar e... Francamente, se eu fosse a Anastácia, espancaria aquele doente. '-'
Mas enfim... Como a própria Sak pensou, cada um tem seu jeito de se divertir. O que é estranho e sujo pra uns pode ser completamente normal para outros. u.u""
~
Enfim!
Dúvidas? Críticas? Sugestões? Eu estou sempre disposta a ouví-los (lê-los, no caso).
Obrigada pela força que sempre me dão! ;)
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