Notas iniciais
Olá, pessoinhas! De alguma maneira, eu consegui terminar cedo esse capítulo! :D Resolvi postar hoje porque vocês merecem. sz Eu não disse semana passada, mas quero parabenizar os vestibulandos que passaram nos cursos desejados! :D Honey-honey passou em ciências da computação, um viva para ele! / E aos que não passaram, não desistam! Corram atrás de seus sonhos! :) Não sejam acomodados como a tia Candy que, mesmo sendo apaixonada por literatura, acabou indo estudar ADM pela faculdade ser mais perto. u.u E, se forem acomodados como a tia Candy, tentem fazer da segunda opção a melhor possível! :) Gostaria de agradecer decentemente à Kaya-span, que proporcionou à 50tonsU sua décima recomendação! Muito obrigada por suas palavras! Tia C-chan ficou muito emocionada! *-*v

Capítulo 21 – Matéria.

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Os Uchihas Também Amam.

Por Tenten Mitsashi;

Idealizado por Kasumi Aihara.

“É uma verdade universalmente reconhecida que um homem rico e solteiro deve estar à procura de uma esposa”. Jane Austen afirmou isso há duzentos anos, e ao que parece, ela estava certa.

Ao começar o artigo titulado “Os Uchihas Também Amam” com esta frase, eu estou certa de que os leitores (as leitoras, mais precisamente) entrarão em crise, mas acalmem-se: Itachi e Sasuke Uchiha (embora fontes indiquem que o caçula dos Uchihas anda saindo muito com certa senhorita...) não são os alvos da vez.

Acredito que todos os que acompanham as postagens do Diário de Konoha conheçam muito bem a família Uchiha, ao menos o suficiente para saber que eles não são o tipo de gente que assume compromissos sem considerações prévias.

Temos uma enorme lista de casamentos compensadores. Começando pelo patrono da família, Madara Uchiha. O senhor Uchiha foi abençoado com um casamento extremamente satisfatório a prima, a agora falecida Kaede Uchiha. Ao invés de dividirem a herança e seguirem com suas próprias vidas, os espertinhos decidiram casar e juntar tudo.

Continuemos com Fugaku e Mikoto Uchiha. Embora não fosse exatamente rica, todos nós sabemos que a antiga senhorita Mikoto era o protótipo perfeito de esposa, especialmente para um primogênito Uchiha. Submissa ao marido, dedicada aos filhos e obediente ao sogro. Claro, isso é o que sabemos oficialmente, mas estou certa de que por baixo dos panos, é ela quem controla tudo. Que outra explicação pode haver, afinal, para os dois cobiçados filhos continuarem solteiríssimos?!

Prosseguindo, também temos o feliz casamento do riquíssimo Hiashi Hyuuga e a antiga Suzuki Uchiha. A senhora Suzuki se casou muito cedo, mas parece que tudo deu muito certo. Particularmente, não acredito que ela seja tão osso duro como imagino que Mikoto seja. Afinal, daqui alguns dias teremos sua querida filha primogênita balançando os quadris dentro de uma saia minúscula, em seu primeiro show, ao lado do namorado, com a Time Oito. Pergunto-me o que o tão tradicional senhor Madara vai pensar ao ver a netinha naquela situação.

Mas embora aparentemente felizes, a verdade é que nenhum desses casamentos compara-se ao nível romântico do segundo filho de Madara.

Obito Uchiha, o magnata da tecnologia que retornou ao país no fim do ano passado é o alvo de hoje. O empresário vive há muito no exterior; montou sua própria empresa, e em sociedade com Kakashi Hatake, construiu grande fortuna. Embora o senhor Madara se orgulhe do filho – afinal, ele já afirmou isso em milhares de entrevistas –, a família não tem contato desde sua rebelde fuga à América. Mas por que um garoto rico, talentoso e com um futuro brilhante construído ao alcance de suas mãos se daria ao trabalho de viajar com o melhor amigo para um arriscado negócio próprio? Pois eis que surge o motivo de nossa manchete, queridos leitores: Os Uchihas também amam!

Obito Uchiha casou-se ao completar a maioridade com uma moça pobre e sem conexões, e foi consequentemente deserdado. Realmente deserdado, oficialmente deserdado.

O nome da sortuda, agora milionária, é Rin Nohara. Segundo fontes, tornou-se “Rin Uchiha” há pouco tempo.

Ao que parece, ela e o marido haviam estudado no mesmo colégio, e tinham um namorico desde então. Rin Nohara foi representante de turma, representante do conselho estudantil e quinta aluna a tirar a maior nota no exame nacional de sua época. Curiosamente, a moça não ganhou sequer uma proposta de bolsas de estudo, e parece que na ausência de oportunidades futuras, aventurou-se num arriscado casamento, que em pouco tempo viria a ser um casamento à distância, já que Obito se mandou para o exterior antes mesmo de terminar a lua de mel. Ele parecia querer um bom futuro para a esposa, ou talvez só quisesse a aprovação dos pais. Algo como “eu posso me virar sem vocês”... Mas, bem, isso só ele pode dizer.

De qualquer forma, toda essa situação parece muito romântica, certo? Errado.

A senhora Uchiha teve lá seus momentos obscuros na vida, escolhas terríveis e sem sentido, que não cabem a esta jornalista destacar, e poucos meses após a viagem do marido, talvez graças à solidão, ela surtou. Simples assim: surtou, e foi internada.

Os Nohara pareciam concordar com a união tanto quanto os Uchiha – talvez graças aos Uchiha? – e não informaram o paradeiro da filha ao marido desde então.

Segundo nossas fontes, Obito passou os últimos vinte anos – vinte anos! – de sua vida preso ao casamento, mesmo que fosse inaceitável aos seus familiares. Lutou judicialmente, com coragem, por seus direitos como marido. Passou os últimos vinte anos de sua vida procurando a esposa perdida, e seu esforço foi finalmente recompensado há alguns meses. Rin foi encontrada em estado deplorável, internada em uma clinica psiquiátrica muito cara para os fundos de sua família, e foi resgatada após uma overdose.

A clínica em questão está sendo processada por seus tratamentos duvidosos, por ninguém mais ninguém, ninguém menos que Itachi Uchiha, o garoto de Ouro da família.

Neste momento, a senhora Uchiha encontra-se bem, ao lado do marido, e prossegue fazendo tratamento.

E o senhor Obito Uchiha, durante este escandaloso e irresponsável casamento, provou-nos que a família Uchiha não se resume à frieza calculista. Mostrou-nos, com muita classe – você pode se orgulhar, senhor! – que os Uchiha também amam, e vão muito além disso.

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Foi de manhã, enquanto tomava café da manhã, enquanto checava a caixa de e-mails de trabalho e as notícias do dia que Obito teve a pequena curiosidade de verificar em que a filha estava trabalhando.

Fazia quase duas semanas desde a última vez em ele e a esposa se sentaram à mesa para tomar café juntos – sempre fora um homem trabalhador, afinal de contas, e havia estado um tanto ocupado nos últimos dias. Ela lia um livro tranquilo que o doutor Yamanaka lhe recomendara enquanto digeria as frutas e outras coisas saudáveis que sua dieta médica exigia, e ele estava com seu laptop posto no canto da mesa, dividindo espaço com uma caneca de café quente e amargo e um prato com quatro torradas que, no fim das contas, acabaria não comendo.

Foi nessa hora, depois de responder a todos os e-mails urgentes, que ele digitou o endereço do Diário de Konoha no navegador do computador e encontrou a infeliz matéria sobre a família Uchiha.

Ele leu, mais por curiosidade do que por qualquer outra coisa, e ficou extremamente bestificado. Embora o nome de Kasumi estivesse claramente destacado no artigo, tinha sérias dúvidas de que ela permitiria publicarem uma coisa daquelas.

Aquele era o tipo de texto idiota que se encontra em uma coluna de fofoca, e Kasumi definitivamente não era adepta àquele estilo. Ele sabia, porque havia procurado saber.

Havia fuçado até os confins do Google atrás de textos sobre a filha, no intuito de conhecê-la mais, mas encontrou mais coisas que ela havia escrito.

A senhorita Aihara – era como assinava seus textos – costumava ser muito ácida em suas entrevistas, mas dificilmente invadia a privacidade dos entrevistados.

A palavra “Família”, ele havia percebido, era um tabu para ela. Fosse em sua vida particular, ou no trabalho.

Suas matérias também eram extremamente bem trabalhadas, e dificilmente deixavam furos para represálias.

Embora tivesse se deparado com fofocas tolas e desinformativas na página em que trabalhava, nenhuma delas tinha a assinatura da moça.

O texto “Os Uchihas Também Amam”, supostamente idealizado por ela, não tinha nada além de fofocas estúpidas e sem importância para qualquer um que não fizesse parte da família em questão. Era bobo, inconsequente, e definitivamente traria problemas à filha.

Ele conhecia sua família muito bem para saber disso.

Por isso, naquele momento, uma hora e meia depois de ler o infeliz trabalho de Tenten Mitsashi, estava sentado em uma cafeteria próxima ao hospital em que ele e Rin haviam ficado internados, semanas atrás, tomando café com Sasuke e sua namorada.

O sobrinho estava com o iPhone nas mãos, e Sakura o olhava com ansiedade e preocupação. – Isso vai dar merda. – O jovem empresário concluiu imediatamente. – Meus pais vão enlouquecer. Minha mãe vai querer quebrar o jornal na mesma hora. – Ele fechou o navegador do telefone e suspirou longamente antes de olhar para o tio. – Ela não vai sair dessa sem pagar uma bela indenização. – Garantiu.

Obito suspirou longamente; coçou a nuca e deu um gole gordo de café.

Sakura não sabia o que estava acontecendo exatamente. Ela e Sasuke estavam nem haviam saído de casa quando o senhor Uchiha – que de algum jeito era como um patrão – o havia ligado para pedir um encontro imediatamente.

Ele nem se preocupou em ter que ir até o hospital, que ficava a uma distância considerável de sua casa, para conversarem.

Sak não gostava de se meter nesse tipo de assunto, mas tinha um tempo livre, e ouvira Sasuke mencionar o Diário de Konoha. Como o namorado não pareceu se incomodar, no fim das contas ela havia decidido acompanhá-los no café ouvir a discussão. – Eu vou ligar para o meu advogado. – O senhor Uchiha decidiu, e Sasuke bufou.

– Ela vai chutar ele pra fora, tio. – O rapaz tomou um gole de café. Sakura estava se mordendo para perguntar que diabo realmente estava acontecendo, e quem do Diário de Konoha precisava de um advogado, mas conteve sua curiosidade.

– Ela sempre chuta, mas o que eu posso fazer além de continuar tentando? – Sasuke não soube o que responder. – Talvez, se eu for lá...

– Leve um brutamontes e não hesite em usá-lo de escudo. – O empresário sugeriu com um sorriso maldoso. – Da última vez você saiu com a perna quebrada, só Deus sabe o que Kasumi pode quebrar agora.

– Kasumi-san?! – Sakura exclamou, realmente surpresa. – Kasumi-san é quem precisa de um advogado?! – Obito a olhou com curiosidade.

– Você a conhece? – A rosada anuiu.

– Sakura já escreveu algumas coisas pro Diário de Konoha. – Sasuke explicou. – E, sim. Pelo visto, ela extrapolou dessa vez.

– Ela sempre extrapola. – Sakura deu uma mordida em um biscoito que o namorado havia comprado para ela. – Mas também sempre foi inteligente para não ter esse tipo de problema... – Murmurou, mais para si mesma do que para os outros. – Embora... — Estreitou as sobrancelhas. – Ela está com muitos problemas... – Concluiu, assentindo com a cabeça.

– Problemas? – Obito praticamente se estirou na mesa na direção de Sak, que enfim pareceu lembrar que tinha companhia. – Que tipo de problemas? – O rosto da Haruno rosou.

– Ahn... Ela está meio... Indisposta. – Olhou para o chá gelado em suas mãos, constrangida pela falta de discrição.

– Indisposição? Ela está doente? – A preocupação na voz do senhor Uchiha era palpável, e Sak se perguntou o porquê disso.

– Não acho que pode ser chamado de doença... – Então ela suspirou longamente. – Desculpe, senhor Uchiha. Não posso dizer nada. Relação médico e paciente, entende? – Ele pareceu realmente abalado com aquilo.

– De qualquer forma, tio. – Sasuke tornou a falar. – Por que não liga pro meu irmão? Itachi vai saber o que fazer melhor do que eu, certamente.

– Eu tentei, mas o celular caiu na caixa postal. Ele também não atende em casa... – Sasuke estreitou os lábios; obviamente, aquele não era um bom sinal.

– Madara deve tê-lo chamado. – Ele concluiu imediatamente. Obito manteve-se em silêncio por um segundo, amargando a existência do pai, preocupando-se com as preocupações da filha. – Não se preocupe, tio. Ele não vai fazer nada para prejudicar a Kasumi. – O empresário garantiu, e então tornou a suspirar, se acomodou no encosto da cadeira e largou a xícara de café sobre a mesa. – Pelo menos vamos ter certeza se aquele maldito vai ou não tentar fazer alguma coisa...

– E o que eu devo fazer até lá? – Obito estava aflito, e Sasuke tinha ciência disso. Mas diante as circunstâncias, tudo o que pôde aconselhá-lo foi:

– Deve esperá-lo atender ao telefone.

~

Eram quase onze horas da manhã, mas a mansão Uchiha estava silenciosa, e praticamente vazia.

Mas ela sempre estava vazia.

Desde que Itachi podia se lembrar, os corredores eram silenciosos, e com exceção dos momentos em que os empregados cumpriam seus deveres, vazios.

O primogênito de Fugaku conseguia lembrar-se perfeitamente da amarga sensação de ser uma criança sozinha, brincando consigo mesmo pelos longos corredores vazios que sempre faziam eco.

Pensou nisso, enquanto caminhava até a porta do escritório de seu avô. Ele chegou a passar por uma ou duas copeiras, mas estava aéreo demais para notar.

Fazia muito tempo que Itachi não pisava naquele lugar, mas ele não pôde negar quando o avô lhe ligou àquela manhã, falando sobre alguns problemas jurídicos que queria que o neto resolvesse.

Embora estivesse sinceramente decepcionado com Madara, por sua prepotência ao pensar que pode ditar todo o futuro dos familiares, com Fugaku e até mesmo Mikoto, por serem omissos, Itachi não podia negar algo assim. Se ele podia ajudá-los de alguma maneira, devia ajudar.

Afinal, ele devia tudo aos Uchiha.

Era sua família, oras! Se havia estudado nos melhores colégios, se havia gozado das melhores condições, ele estava ciente que era graças a ela, a sua família.

Ele não era como Obito; nunca tinha alcançado a plena independência, e depois de se aproveitar tanto do fato de ser um Uchiha, não podia ser hipócrita a ponto de renegar seu sobrenome.

Itachi parou em frente à porta do escritório do avô, e encarou a madeira escura fixamente; olhou para o relógio, respirou fundo e bateu.

“Entre”, foi o que a voz fria e tranquila comandou, e o homem logo o obedeceu.

Madara estava em pé, em frente ao espelho, ajeitando a gravata vermelha, e a camisa social preta. O neto não pôde evitar o olhar de estranhamento, pois havia muito tempo desde a última vez em que vira o avô em trajes sociais. – Algo aconteceu? – Ele quis saber, sinceramente curioso.

Madara sorriu, e fitou-lhe do espelho. – No momento em que se tornou advogado, Itachi, ficou fadado a nos representar. – O mais jovem riu.

– De fato. – Ele concordou, seguiu até uma das cadeiras e sentou-se, muito à vontade. – Mas antes das providências para representá-los, preciso estar a par da situação. – Madara anuiu; ele foi até o computador, deu alguns cliques e fez com que duas ou três folhas fossem impressas.

– Zetsu me acordou esta manhã para falar sobre essa piada. – Ele foi até o neto e entregou os papeis. – É a coisa mais ridícula que já escreveram sobre nossa família, então quero que você faça esse tal Diário de Konoha sair do ar. – A menção ao trabalho de Kasumi fez com que Itachi estremecesse.

O patrono da família sentou-se em frente ao neto, e puxou da mesa uma caneca de café fumegante. Ele o olhava como se esperasse instruções do mais jovem, e ao retornar do choque, os olhos negros do advogado varreram as páginas escritas por Tenten Mitsashi. – Francamente, já tinha lido alguns artigos dessa tal garota... Essa menina, a Aihara. Sempre a considerei inteligente e perspicaz, apesar de ser muito sarcástica. – A sobrancelha esquerda do velho se arqueou. – Mas esse pseudo jornaleco vem falando muito de nossa família, e esse texto foi a gota d’água.

– O Diário de Konoha não tem nem cinco anos de existência, avô. Não acha que está exagerando em querer fechar? – Madara estreitou as sobrancelhas.

– Eu até fui bem paciente com essas crianças inconsequentes. – Bebericou da caneca. – Zetsu me disse que o site tem uma boa quantidade de acessos, e eles têm bastante patrocínio. Vamos fazer a imprensa perceber que até nós temos um limite a suportar. – Itachi mordeu o lábio inferior; olhou para os quatro cantos da sala como se pudesse pensar em algo para dizer, em qualquer coisa que pudesse fazê-lo mudar de ideia, mas era muito difícil imaginar algo que dobrasse o coração de Madara Uchiha.

– São apenas pessoas tentando ganhar a vida. Nós não precisamos fazer isso. – Tentou ponderar, mas Madara riu.

– O nome “Uchiha” deve ser respeitado. Posso aceitar fofocas em relação a você e seu irmão, sobre seus relacionamentos... É inevitável. Mas esse tipo de coisa – ele apontou para os papéis nas mãos do neto. – é simplesmente inaceitável, Itachi. Precisamos pôr um ponto final, ou todos dirão que são verdades.

– E não são? – As palavras do mais jovem foram quase inconscientes, um resultado do instinto de proteger a amada, mas ele arrependeu-se delas instantaneamente.

O patrono Uchiha deu um gole gordo de café; pousou a caneca sobre a mesa, cruzou os braços e encarou o neto com frieza palpável. – Você viveu em um lar infeliz, Itachi? – O velho questionou lentamente.

– Não.

– Algum dia de sua vida, eu dei-lhe motivos para me odiar?

– Não, senhor.

– Você me respeita, Itachi? Como o seu avô, como o patrono dessa família. – Os punhos do jovem se cerraram.

– Como meu avô, eu o respeito. Por todos os seus feitos profissionais, eu o respeito... Por ter construído um império, eu o respeito. Mas... – Ele ergueu os olhos negros que fagulhavam em irritação. – Não posso dizer que tenho orgulho em vê-lo como o líder dessa família. – Madara franziu o cenho, mas parecia mais curioso do que irritado. Definitivamente, o neto estava mais nervoso que o avô.

– Então diga-me, menino: por quê? Por acaso acredita nas bobagens que dizem aí? – Com a cabeça, ele fez menção em direção às impressões. – Que eu destruí a vida de meus filhos? – Itachi riu, sem humor.

– Eu não sou um idiota, avô. E, como seu secretário já deve tê-lo informado, eu estou cuidando do caso de meu tio. Sei de tudo.

– De tudo? Tudo o que seu tio pode saber é que eu o deserdei por ser um imbecil.

– Você chamou sua própria neta de “bastarda”! – A exclamação do jovem soou mais alta do que ele próprio imaginara. Os olhos de Madara brilharam, num sentimento que Itachi não pôde identificar, já que ele desviou-os até a parede.

– Essa união, essa “família”... É algo que eu nunca, jamais vou aceitar para o meu filho. Mas isso simplesmente não é assunto seu. – Pontuou com frieza. – Você está aqui porque deve a essa família; está aqui como advogado, e não como filho revoltado. Eu sou o líder da Uchiha, e estou mandando que acabe com esse Diário de Konoha imediatamente.

– O seu pensamento mudaria se eu dissesse que o sangue que ergueu o Diário de Konoha é o mesmo que o seu? Você mudaria de opinião, vovô, se eu lhe dissesse que Kasumi Aihara é na realidade a filha que você arrancou do tio Obito?! Você seria humano a ponto de desistir, se eu te contasse que essa mulher é a sua neta?!

Madara emudeceu. Mudo e pálido, ele simplesmente não tinha o que dizer sobre aquilo; mal sabia o que pensar sobre aquilo. – Você já não estragou a vida dela o suficiente? – O jovem prosseguiu. – Fazendo-a ficar longe dos pais... – Ele cerrou os olhos – Fazendo com que a mãe dela enlouquecesse...

– Hinata e Hanabi são minhas únicas netas... – O velho murmurou com fraqueza; estava surpreso com a possibilidade da filha de Obito ser encontrada com tanta facilidade.

– Foi você quem me ensinou que a família é tudo. – Itachi esforçou-se muito para parecer calmo, mas tremia. – Ensinou-me que a família é o bem mais precioso de um homem, e que se deve protegê-la acima de tudo, porque a família é tudo. – Madara bufou.

– Uma interesseira enlouquecida e uma bastarda abandonada não são, e nem nunca serão parte da minha família.

– Por que você não pode aceitá-las?! – A voz do rapaz subiu dois décimos. – O tio Obito mostrou que pode ser independente, mostrou que pode viver sem esta família. Ele conseguiu construir muito, com pouco. Hoje é um dos homens mais ricos e respeitados do continente! Pelo amor de Deus, qual é o mal em aceitar a esposa?! Qual é o mal em aceitar a filha?! É o seu filho, é a sua neta... Sangue do seu sangue! Ainda assim, você vai continuar fazendo mal a eles?!

– Mal?! Se eu quero processá-la, é porque existe um motivo. A garota saiu dos limites, e merece ser punida. Eu já te disse que isso não é assunto seu, Itachi, e gostaria que me escutasse.

– Eu posso fazer com que ela escreva uma retratação, um pedido público de desculpas. Posso fazer o artigo ser excluído, mas tirar o Diário de Konoha do ar...

– É exatamente isso o que eu vou fazer. – Madara afirmou com convicção. – Para começo de conversa, eu nunca reconheci essa garota como uma Uchiha. Mas mesmo que a reconhecesse, ainda faria isso.

– Então vai ter que procurar outra pessoa. – Por um segundo, Madara se manteve calado. – Eu não vou fazer isso. – O jovem concluiu; colocou as impressões sobre a mesa e levantou-se.

– Você deve saber que arranjar um bom advogado, para um homem como eu, não é a coisa mais difícil do mundo. – O avô observou. – Só vai perder seus lucros, e a minha confiança, se decidir não participar.

– Você só confia em si mesmo, avô. – Itachi suspirou. – Mas é bom que arranje um advogado muito, mas muito bom. Porque eu vou defender a Kasumi. – Ele esclareceu. – Mesmo que me custe o posto de “neto Uchiha”, mesmo que custe minha herança... Eu vou defendê-la, custe o que custar. – Madara apoiou a cabeça sobre as mãos, tinha um sorriso divertido no rosto.

– Eu ouvi dizer que estava se esbaldando com uma jornalistazinha por aí... Sua mãe fez de tudo para esconder de mim, mas é claro que não adiantou muito. Por ironia do destino, talvez essa garota seja...

– É ela. – Os olhos negros do mais jovem o encararam de soslaio. – Mas mesmo que não fosse, eu ainda ficaria do lado do tio Obito.

~

Obito sabia que deveria se acalmar.

Sabia que, assim como Sasuke o aconselhara antes de ir para a empresa, ele deveria sentar-se em casa e esperar até que Itachi atendesse o celular, ou retornasse as suas ligações.

Sabia que tinha que ser calmo e paciente, que devia pensar de maneira fria e calculista, mas ele nunca havia sido esse tipo de pessoa. Então, quando entrou em seu carro, foi muito categórico ao instruir o motorista. – Eu quero que me leve até a sede do Diário de Konoha. – Ele disse firmemente. – O endereço está salvo no GPS.

O motorista não teve nenhum problema em alcançar o prédio.

Ele desceu do carro e ajudou o patrão a descer e se apoiar na muleta, mas o Uchiha dispensou o acompanhamento.

Enquanto seguia para a recepção, ele imaginou que talvez aquela não fosse exatamente uma boa ideia.

Sasuke tinha razão, afinal. Ainda que estivesse ali em missão de paz, com o objetivo de ajudá-la no que fosse possível, era provável que a filha o chutasse dali após o primeiro contato visual.

Balançou a cabeça, espantando o pensamento. Respirou fundo e entrou no lugar.

Seguiu até a recepção, mas o balcão estava vazio.

Ele notou que a moça que atendia – ele a conhecia de frustradas tentativas de visitas – estava falando sentada numa das cadeiras de espera, conversando com uma jovem morena.

Ele foi até ela. – Bom dia, senhorita. – Cumprimentou-a gentilmente, com um sorriso tranquilo.

As duas empalideceram ao vê-lo. – S- Senhor Uchiha! – As duas se levantaram. – O que o senhor...?

– Vocês escreveram sobre mim, afinal. – Ele se apoiou na muleta, ainda sorria calmamente. – Tenho que acertar umas contas com a senhorita Aihara. – No mesmo instante, Tenten se aproximou.

– Por favor, Uchiha-san. – Ela curvou a fronte. – Se tiver algo a falar, fale comigo! Fui eu quem escreveu aquilo, tudo aquilo! Também fui eu quem pesquisou... De fato, a mando de minha chefe, mas ainda assim... – Agora ele podia entender.

Então, de fato, Kasumi não havia escrito aquela bobagem. Isso o aliviou, e de certo modo, até o orgulhou. Ainda assim, Obito riu, nervoso.

Ele estava contando com o medo dos funcionários do Diário de Konoha para finalmente falar com a filha. Não podia ser atrapalhado por aquela tola jornalista. – Mas é ela quem cuida desse tipo de assuntos, imagino. Não se pode publicar uma coisa...

– Na verdade, eu fiz tudo sozinha. Sozinha mesmo. Kasumi estava de licença, e deixou o jornal em minhas mãos... Por favor, Uchiha-san, se tiver algo para falar... – Obito se perguntou se aquela licença dava-se à indisposição que a senhorita Haruno havia mencionado mais cedo, e isso o preocupou tanto, que ele não pôde evitar a irritação ao prosseguir a conversa.

– Eu vou falar com ela. – Obito tentou foi cortante e frio. Ele estava decidido a fazê-las levá-lo até a filha. – Se não se incomoda. – Se referindo à recepcionista. – Leve-me agora até sua sala.

– Uchiha-san, sua entrada está vetada... – Ela o lembrou. Aquela devia ser a décima vez que o lembrava, mas ele não se importou.

– Escute aqui. – Ele apontou o dedo indicador na direção delas, tentando parecer o mais ameaçador possível. – Vocês escreveram absurdos e mais absurdos sobre a minha família, esta manhã. – Não era mentira, então ele não tinha porque se sentir culpado. – Garanto que o Diário de Konoha terá muitos problemas, se eu não puder falar agora com a Aihara-san. – Tenten empalideceu, e Matsuri, a recepcionista, encolheu-se diante da ameaça.

– Compreendo perfeitamente, Uchiha-san... – A mocinha começou, timidamente. – No entanto... Eu não posso levá-lo lá agora. – O empresário suspirou longamente. – Ela já está falando com um representante da Uchiha...

– Um Uchiha? – Obito estreitou as sobrancelhas, confuso. – Que Uchiha?

– Mikoto-sama.

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A presença de Mikoto em seu escritório não foi nenhuma surpresa para a senhorita Aihara. Na verdade, ela já esperava isso desde que batera os olhos naquele maldito texto.

Ela sabia que a encararia mais cedo ou mais tarde, mas preferia que fosse mais tarde. – Como vai, Mikoto-sama? – Kasumi sorriu cordialmente à mãe do homem que amava, mas tudo o que recebeu foi um olhar cortante. – Gostaria de se sentar? – Tentou ser educada, mas tudo o que recebeu foi um bufar irritadiço. Percebendo que a conversa seria difícil, Kasumi tentou mostrar-se confiante enquanto seguia para a mesa. – Posso imaginar o porquê de estar aqui. – Os olhos de Mikoto se semicerraram.

– “Pode imaginar”? Por favor, eu dispenso a enrolação. – A Uchiha jogou sobre a mesa da jornalista aquelas duas folhinhas tão miseráveis, que faziam Kasumi arrepender-se do dia em que conhecera Tenten. – Quero que me explique, nesse exato momento, o que esta piada está fazendo na internet. – A morena pigarreou, visivelmente desconfortada. Ajeitou as franja longa, puxou os papéis e fingiu lê-los. – Já disse que dispenso sua enrolação, Kasumi. – A mulher tornou a pontuar.

– Isso foi... – Levou segundos até ela pensar numa desculpa plausível. – Apenas um deslize de uma estagiária. – Mentiu.

– Erro da estagiária? – As sobrancelhas negras e perfeitas da senhora Uchiha se arquearam. – E o que é isso? – Com as brilhantes unhas vermelhas, ela apontou para o destacado nome de Kasumi. – Aqui diz que foi idealizado pela senhorita. – E forçou um sorriso no rosto irritado.

– Isso... – A morena respirou fundo. – Sim, fui eu. – Ela admitiu. – Eu a pedi para reunir informações sobre Obito Uchiha. Queria saber mais dele, e apresentá-lo à sociedade. – Até a própria Kasumi surpreendeu-se com o tamanho de sua própria mentira, e a naturalidade com que a havia dito.

– Você sabe que não pode publicar o que está escrito aqui. – A de cabelos negros apontou para as impressões. – Isso é invasão de privacidade, e calúnia. É quem administra essa espelunca, então devia saber disso. – Sorriu-lhe provocativa, e os olhos castanhos da moça caíram à mesa.

– De fato. – Ela concordou, e apertou os punhos por baixo da mesa. – É culpa minha. As coisas saíram do controle, e algo desse tipo foi publicado... – Ela tornou a erguer os olhos. – Garanto, Mikoto-sama, que haverá uma retratação. Prometo que a responsável em questão vai arcar com as consequências.

– “Consequências”? – Mikoto riu. – “Retratação”?! – Seu tom de voz aumentou dois décimos. – Isso é besteira! – Ela bateu na mesa de madeira com ambas as mãos, e um som estrondoso soou pela saleta. – Acha que vai poder escapar tão facilmente? – Estreitou os olhos. – Não vai. – Garantiu. – Você fez insinuações sobre meu casamento e o de minha cunhada, fez insinuações sobre a minha pessoa. Sobre meu sogro, sobre minha sogra. Até zombar de minha sobrinha zombou!

– Nós realmente-...

– Isso não vai passar em branco, Aihara. – Ela tornou a afirmar. – Por sua causa, nosso nome está manchado! Graças a essa piada estúpida, agora seremos vistos como injustos e perseguidores! Como se nós fossemos as pessoas más, e aqueles dois o “casal desgraçado que lutou por amor”. Como se fossem heróis! – Os lábios de Kasumi se estreitaram. Dentre todas as pessoas do universo, acreditava que fosse a última a considerar seus pais como heróis. Ainda assim, não conseguiu engolir a amargura.

– E não é exatamente o que são? – Ela forçou um sorriso frio para a outra. – Não posso acreditar que você, justo você, Mikoto, venha me falar uma besteira dessas! – Ela riu sem humor. – Desde que eu e Itachi começamos a nos envolver, tudo o que a senhora faz é me perseguir! Cria julgamentos injustos sobre mim, despreza-me, quando tudo o que faço é tentar conseguir uma vida justa e honesta. – Mikoto riu em alto e bom som, e Kasumi sentiu seu estômago revirar.

Por que ela não podia se livrar logo daquela perua mal amada?!

– Injustiçada, você? – Tornou a rir, escandalosamente. – Poupe-me! – Exclamou em voz alta, claramente furiosa. – Você é uma golpista, como aquela mulherzinha do Obito! – A mais jovem sentiu o coração palpitar, e o estômago congelar desconfortavelmente. – E por falar na golpista... – Ela finalmente se sentou à frente de Kasumi, encarando-a como se pudesse matá-la à qualquer instante. – Aquela coisinha está escrita com tanta propriedade... Mas o que você sabe daquela família, afinal? Ao menos procurou alguma coisa sobre isso? Procurou saber sobre a grandíssima reputação que os pais daquela zinha tinham? – O silêncio dela foi sua confissão. – Pois então, eu vou te contar. Vou contar tudo, Kasumi-chan, para que você entenda o quanto foi injusta... – Mikoto sorria, mas sua raiva era clara. – Meu sogro não é nenhum monstro, como você insinuou nessa bobagem... Ele é simplesmente um pai preocupado. – Kasumi bufou.

– Para mim, seu “preocupado” é o mesmo que “manipulador”...

– Você sabia, Kasumi-chan, que aquela garota vivia de golpes? – Ela não respondeu. – Você sabia que os pais dela, só naquela época, já tinham sido processados uma dezena de vezes? Seu pai foi preso duas. Repito: duas vezes, por estelionato. Só foi solto porque algum familiar estúpido pagou fiança. – Kasumi sentiu-se paralisar pela surpresa. – Bastou que Madara dissesse que Obito seria deserdado para que eles puff, não gostavam mais dele.

–... Mas... Eles se casaram... – Os olhos castanhos piscavam rápido. – Então ela não era uma interesseira... – Mikoto bufou, e balançou a mão no ar de maneira banal.

– Isso porque já era tarde demais. Ela devia ter engravidado de algum cara por aí, e pensou em usar o Obito de trouxa. – Kasumi cerrou os dentes, repentinamente incomodada com as insinuações daquela mulher odiosa. – De qualquer forma, graças aos céus, o bastardinho morreu.

– Por favor, já basta. – Aquilo era demais para Kasumi. Ela se levantou, e aportou para a porta, aguentando as lágrimas. Não conseguia entender se o motivo de seu incômodo dava-se ao instintivo sentimento de proteção à mãe desconhecida ou a ela mesma e ao seu bebê, que certamente seriam julgados da mesma forma, caso os Uchihas soubessem. – Saia. – Mikoto arqueou sobrancelhas como se não compreendesse.

– Sair? Eu? – Kasumi anuiu, e a mulher se levantou. – Pois eu só vou sair, minha querida, quando terminarmos de conversar...

– Eu já entendi o que quer dizer. – Os olhos castanhos a encararam com irritação. – Você vai me processar, vai tentar fazer com que o jornal falha, vai tentar estragar tudo pelo que eu lutei. Já entendi isso, senhora. E tudo o que posso dizer a respeito é: vá em frente! Processe, ameace, difame. Faça o que quiser, o que puder para me quebrar. – Um sorriso grande nasceu no rosto da mais velha.

– Definitivamente, quebrá-la vai ser um grande prazer, Aihara.

– Pois faça isso. – Kasumi tornou a instigar. – Tudo o que vou poder fazer é tentar me defender. – Os olhos negros da senhora Uchiha se estreitaram.

– Eu vou quebrar esse lugar. – Mikoto afirmou. – E não vai sobrar bloco de notas pra contar a história.

– Então em frente! – Kasumi praticamente gritou. – Mas eu posso te garantir uma coisa, senhora Uchiha: não importa em quantos cacos você quebre esse lugar, eu vou reconstruí-lo. Ainda que leve uma vida inteira, eu vou recuperar. – Os olhos negros da mais velha se cerraram.

– Não enquanto eu estiver viva. – Os lábios da moça se estreitaram. – Você mexeu com os Uchiha, garota. E não há como combater os Uchiha.

– Curioso você dizer isso, Mikoto. – A voz de Obito soou pelo local, e ambas se surpreenderam. Ele estava lá dentro, e só então Kasumi pôde perceber que o nervosismo a havia feito esquecer a porta entreaberta.

O senhor Uchiha aproximou-se com dificuldade – ainda não tinha muito jeito com a muleta – até a mesa em que estavam reunidas, e pôs-se ao lado da filha.

Uma sensação estranha percorreu o corpo de Kasumi, uma ansiedade nunca antes sentida... Julgando que sentia aquilo pelo pai, ela não podia evitar pensar que era um sentimento incômodo, mas manteve-se em silêncio. – Curioso, e até mesmo engraçado. – Ele sorriu provocantemente à cunhada. – Já que enquanto você não passa de uma agregada, Kasumi é uma Uchiha de sangue.

Notas finais
Eu tive que escrever a última cena duas vezes. Na primeira versão, a Kasumi era espancada... Tinha sangue, chororô e muito drama. Vocês ficariam chocados com a falta de classe da Mikoto. Mas então eu pensei: "Cara, a Kasumi não é assim. Nem a Mikoto", apaguei e refiz tudo. Não queria fazê-las descer do salto! XD Esse capítulo ficou pronto ontem... Eu até vou tentar escrever um pra ser postado no domingo, mas visto que ainda tenho que escrever TK, não posso dar certeza. D: Eu quero agradecer mais uma vez à todos os que recomendaram. Não só eles, como também os que comentam e dão combustível à essa autora! :) No próximo capítulo, prometo trazer Sasuke e Sakura, Naruto e Hinata. Então aguardem ansiosamente! ;)