50 Tons De Uchiha
22 Kasumi.
Notas iniciais
Capítulo 22 – Kasumi.
Kasumi não conseguiu contradizê-lo.
Não quis fazer isso.
Pelo menos uma vez na vida, ela queria que aquela mulher pagasse com a língua. – Do que você está falando? – Mikoto tinha empalidecido ao ouvir a declaração do cunhado, e só conseguiu verbalizar aquela questão minutos depois. – Sua... O quê?
– Foi exatamente o que você ouviu. Kasumi Aihara é a minha filha. – Os lábios da mulher estremeceram.
– M- Mas... É impossível... Aquela menina, ela está morta... – Balbuciou, visivelmente perturbada.
– Não, ela não está. – A voz do Uchiha soou fria e cortante. – Embora vocês tenham se esforçado para me fazer pensar isso.
Mikoto bateu as mãos na mesa de Kasumi, trêmula. – Ela não pode ser sua filha! – Exclamou, apavorada. – Sua filha está morta! O orfanato ficou em chamas, eu me lembro... – Os olhos negros da mulher começaram a lagrimar. – O orfanato foi incendiado, e sua filha acabou morrendo... – Kasumi estreitou os olhos, confusa, e perguntou-se como aquela mulher devia saber daquilo.
– Ela é a minha filha. – Obito tornou a garantir. – Posso saber, só de olhar nos olhos dela. – Kasumi sentiu o estômago revirar.
Os olhos de Mikoto piscaram rápido, e Kasumi percebeu que ela queria esconder lágrimas. A senhora Uchiha cambaleou, sem forças, pela sala, e a Aihara instintivamente levantou-se. – Mikoto-san! – Ela tentou se aproximar para ajudá-la. A mulher era a avó de seu filho, pelo amor de Deus! Mas ainda que ela estivesse tentando ser cuidadosa, a maldita se esquivou.
Ela ergueu os olhos mais uma vez para encarar Kasumi; eles estavam trêmulos, desesperados, então ela correu para fora do lugar.
Obito e Kasumi suspiraram juntos, longamente, após segundos da retirada da senhora. – Você... Você está bem? – Ele perguntou a filha depois de um instante de hesitação. Uma pergunta idiota, Kasumi pensou, mas que demonstrava sua preocupação.
– Como eu posso estar bem? – Ela estreitou os olhos castanhos. – Por favor, saia. – Ele cerrou os punhos.
– Kasumi, eu esperei meses para falar com você... Agora, que estamos sozinhos, eu não posso simplesmente ir embora.
– Por favor, só vá. – Ela sentou-se no chão, exausta. Encostou a cabeça na parede e fechou os olhos.
–... Você ouviu a conversa, e procurou a verdade. Não é possível que...
– Eu sei! – Ela exclamou agonizada, e se encolheu no chão. – Eu sei... Sei que tem mais coisas por trás do que eu descobri... Sei que, talvez, a culpa nem seja sua, no fim das contas... – A ansiedade explodiu no peito do Uchiha.
Se ele não estivesse com a perna quebrada, provavelmente voaria na filha; ele queria abraçá-la e confortá-la, queria dizer que nunca, jamais seria capaz de abandoná-la. – Eu sei que tudo o que eu posso ter pensado por anos... – Ela apertou os punhos. – Que toda a mágoa que eu senti pode ter sido passada para a pessoa errada... Mas ainda assim, por favor, saia. – Ela estava cansada. Cansada de tudo aquilo, e sentia necessidade de ficar sozinha.
– Kasumi...
– Não dá pra lidar com você agora! – Ela exclamou com um tom quase implorativo; ergueu os olhos chorosos e encarou o homem com um misto de irritação e desespero. – Eu preciso ficar sozinha, então, por favor...
–... Você não precisa ficar sozinha. – Obito sorriu desgraçadamente. – Mas é assim que você ficou a vida inteira, não é? Superando, sozinha...
– Por favor, Uchiha-san. Agora não... – Ela se encolheu em posição de feto.
Precisava pensar... Precisava respirar.
– Eu vou. – Ele concordou. – Não porque você precisa, mas porque você quer isso. – Ela não respondeu. – Mas eu vou voltar... – Ele murmurou. – E mesmo que eu tenha que derrubar esse prédio, ou qualquer outro, eu vou falar com você. – E saiu mancando, com passos apressados e irritados.
Kasumi suspirou longamente, e encarou a porta com um sorriso fraco.
Sim, ela sabia que ele voltaria. Tinha certeza absoluta que voltaria o mais rápido possível, e que quando ela menos esperasse, Obito Uchiha estaria à sua frente, com os olhos preocupados e amorosos.
Ela sabia que ele voltaria. Sabia que, quando ele voltasse, faria de tudo para ajudá-la, mas não conseguia saber como ela deveria se sentir sobre aquilo.
Kasumi Aihara nunca fora uma pessoa familiar. Não, a palavra “familiar” sequer podia ser relacionada a ela! Nunca quisera conhecer os pais, muito menos se envolver com eles! E, na verdade, também jamais desejou questioná-los pelo abandono...
Afinal, de que serviria saber a resposta? Eles a haviam abandonado, de qualquer forma.
Kasumi havia se esforçado como uma louca nos estudos, e jurava a si mesma que nunca, jamais precisaria de ninguém além de si mesma. Mas ainda assim...
Ainda assim, gostou quando Obito adentrou no escritório. Ainda assim, deliciou-se quando ele encheu a boca para jogar nas fuças da cunhada de que ela, a órfã que a senhora Uchiha tanto dizia ser uma ninguém, também era uma Uchiha.
Bem, talvez ela não fosse. Talvez Mikoto estivesse certa, talvez a tal Rin fosse mesmo uma golpista... Talvez nem fosse a criança certa! O incêndio no primeiro orfanato em que havia estado certamente tinha perdido muitos registros. Quem sabe não a haviam confundido com outra pobre criança ainda menos afortunada?
– Posso saber, só de olhar nos olhos dela.
Lembrar-se das palavras de Obito fê-la estremecer, e essa sensação a fez estreitar os olhos, irritadiça. – Que droga você está pensando...? – Murmurou para si mesma, frustrada.
Não era hora para pensar naquilo! Os Uchihas fariam picadinho dela o mais rápido que pudessem; fariam com que seu jornal fosse reduzido a nada, na primeira oportunidade que tivessem.
Kasumi não poderia ficar ali, sentada em posição de feto, refletindo sobre a vida enquanto Tenten se descabelava, desesperada e apavorada com as consequências de sua matéria estúpida.
Por um minuto, a imagem de Tenten chorando no cantinho de sua sala, lamentando-se por sua própria idiotice fez com que Kasumi sorrisse.
Ela bem que merecia, a imbecil.
E foi então que Kasumi ouviu o barulho da porta se abrindo.
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Enquanto descia as escadas até a portaria, Obito pensou que nunca havia sido tão irritantemente paciente em toda a sua vida. Ele não deveria ter descido... Deveria ter ficado lá, deveria ter se sentado ao lado dela, e contado toda a verdade.
Mas ver os olhos da sua única filha tão agonizados, como se ela fosse quebrar a qualquer palavra dita... Foi impossível ser insistente.
Ela estava cansada e machucada, e saber disso o fez sentir muita raiva de Mikoto. O que ela teria dito a ela? Pelo que conhecia de Mikoto, certamente fizera insinuações maldosas sobre as intenções da jornalista sobre Itachi.
– Tio? O que faz aqui? – A voz de Itachi tirou-o de seus devaneios.
– Itachi... Onde é que você estava? Liguei para seu celular e casa a manhã inteira! – Itachi suspirou.
– Se me ligou a manhã inteira, e está aqui... Já sabe da matéria?
– Sim...
– O avô me chamou de manhã, para resolver isso. – Itachi bocejou. – Mas é claro que eu dispensei o caso... – Ele coçou a nuca. – Na verdade, vim dar instruções à Kasumi, sobre o que deve fazer para amenizar o problema.
– Sua mãe acabou de sair daqui. – Itachi enrijeceu. – Ela não quer falar com ninguém... – Ele conseguiu sentir mágoa na voz do tio.
–... Sinto muito, tio... – O mais velho deu os ombros.
– Estou te alertando para evitar que seja pego de surpresa.
– Sobre o que elas conversaram? – Mais uma vez, Obito deu os ombros.
– Não faço ideia... Mas eu contei que ela era minha filha. – Itachi estreitou os lábios, e anuiu.
– Para ser sincero, também contei ao meu avô... Pensei que, se soubesse, talvez desistisse de processá-los. – Obito riu como se aquela fosse a piada do século.
– Possivelmente só serviu para agravar a situação da sua prima. – Itachi fez uma careta. – Bem, ainda que eu te avise, você vai do mesmo jeito, não é? – Ele sorriu ao sobrinho, que desviou os olhos, desconfortável. – Mas, Itachi... Cuidar dos problemas da Kasumi pode te trazer problemas. Sabe disso, não é?
– É claro que eu sei... – Ele teria que ser muito idiota para não saber, mas cuidar de Kasumi não era mais uma escolha. Tinha deixado de ser escolha há anos. – Mas... – Ele não conseguiu concluir seu pensamento. “eu a ajudei a construir este lugar, e não posso ignorar o sonho da mulher que amo”, aquela era a resposta, mas como ele diria ao pai dela?
Para a sua sorte, Itachi não precisou concluir a frase. Obito pôde compreender, pelo olhar do sobrinho, que ele simplesmente queria ajudá-la, estando ao lado dela.
Talvez Itachi conseguisse... Talvez ela o quisesse ao seu lado.
Por um segundo, a ideia o incomodou. Uma dor terrível no peito, que o faria se encolher se não se controlasse a tempo. Ele obrigou-se a sorrir. – Então vá... Oriente-a, cuide dela... – O mais jovem anuiu.
Obito ficou mais um tempo parado, observando o rosto do sobrinho, engolindo seu orgulho, e a terrível sensação de perder a filha sem nem mesmo tê-la tido algum dia; ainda assim, reunindo todas as suas forças, ele acenou com a cabeça e seguiu em frente.
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Kasumi pôde ouvir o barulho da porta do escritório se abrir, e seus pensamentos foram interrompidos. Imaginou ser Tenten, então, pela raiva que sentia no momento, não conseguiu erguer os olhos.
Os passos se aproximaram, e ela percebeu que, no fim das contas, não devia ser a Mitsashi. Os saltos dela fariam barulho. Também não devia ser Obito, já que as muletas fariam barulho.
Lentamente, cansados, os orbes castanhos se ergueram e ela pôde ver Itachi sorrindo em frente à ela.
Ele usava uma camisa social de mangas longas, vermelho rubro, uma gravata negra fina e uma calça de linho preto. Suas mãos estavam no bolso, e o paletó, pendurado no braço.
Itachi sentiu o peito queimar, ao sentir os olhos dela sobre si, e quase inconsciente se aproximou; baixou à sua altura, sempre sorrindo, e afagou a cabeleira castanha levemente desalinhada. – Você está péssima. – Ele observou com um olhar bem humorado.
“Estou péssima por causa da sua mãe, do seu tio e do seu filho, seu maldito ingrato!”, era o que ela queria dizer, mas ao invés disso, estreitou os lábios para conter um sorriso. – O que está fazendo aqui? – Ela, na verdade, sabia o porquê de ele estar ali. Só podia significar uma coisa, e só de pensar naquilo fazia seu coração acelerar.
Itachi deu os ombros, como se fosse simples. – Sou o melhor advogado que você não precisa pagar. – Foi o que ele disse, mas Kasumi sabia que ele havia enfrentado um inferno para estar ali, ao lado dela.
~
Como todas às tardes de quinta feira, após o expediente no hospital, Sakura juntou suas coisas e seguiu para a reservada casa, nem muito grande, nem muito pequena, localizada em um bairro de classe média, que pertencia à Obito Uchiha.
Como sempre, foi muito bem recebida pela empregada; uma senhorinha gentil, que devia ser um bocado mais velha que sua mãe, mas diferente do habitual, o “patrão paciente” não estava lá.
Ela ficou inicialmente surpresa, mas depois se lembrou da reunião com Sasuke, naquela manhã. Foi só então que pôde recordar dos problemas no Diário de Konoha.
Como havia tido um dia cheio – como sempre, nas mãos de Tsunade – ela não teria como verificar o site do jornal até então.
Quando a senhora, depois de deixar uma bandeja com biscoitos e uma xícara de chá para a residente, retirou-se da sala de estar – onde as visitas costumavam a esperar – , ela puxou o celular do bolso da calça e automaticamente digitou o endereço no navegador do aparelho, mas nenhuma bomba estava presente nas atualizações.
Apenas uma pequena retratação, com o título “Desculpas à família Uchiha”, aparentemente redigido pela senhorita Aihara. Ela abriu o comunicado, mas não conseguiu enxergar nada de muito importante.
Curiosa e abismada, a Haruno se apressou em ligar para a melhor amiga, e se surpreendeu quando não foi atendida – claro, ela não podia saber que a sede do antigo emprego estava um caos. Resolveu, então, ligar para Sasuke, mas foi interrompida com o som da porta da entrada.
Era Obito, e Sakura surpreendeu-se com o fato de ele estar na companhia de Inoichi Yamanaka. – O tratamento da Uchiha-san vai indo bem... Mas é necessário muito tempo e paciência, Obito-san. – O pai de Ino dizia a ele; nenhum dos dois reparara na presença da Haruno, ainda que ela tivesse se levantado no instante em que haviam adentrado à sala. – Particularmente, acredito que sua esposa está parcialmente consciente dos ocorridos... Mas prefere se fechar. É como se sua mente se protegesse do choque... Como se tivesse medo do tempo que passou.
Obito estreitou os lábios e franziu o cenho; eles dois estavam parados na frente da porta de entrada da casa, esperando o ajudante do Uchiha terminar de estacionar o carro. – Medo do tempo que passou... – Ele amargou as palavras, e então suspirou. – Eu posso dizer que entendo perfeitamente os sentimentos da Rin. – Embora reconhecesse o nome instantaneamente, em primeiro momento, Sak não viu motivos para ligar Rin Nohara à Obito Uchiha.
Ela pigarreou, e os mais velhos olharam em sua direção. – Obito-san, você está atrasado. – Ela sorriu ao tio de Sasuke, e fez uma mesura educada.
– Sakura-chan! – Inoichi não pôde deixar de exclamar, e a Haruno lhe sorriu.
– Eu não sabia que trabalhava para o senhor Uchiha, tio.
– Ah, sim. A esposa dele... – Mas calou-se quando a empregada tornou ao cômodo. – Oh, bom tarde.
– Boa tarde, Yamanaka-san. – A mulher o reverenciou. – Devo trazer a senhora Uchiha? – Obito anuiu.
– Sim. Obrigado, Koharu. – A mulher assentiu, e tornou a se afastar. – Vocês se conhecem? – Ele olhou para Inoichi quando perguntou.
– Sakura é a melhor amiga da minha filha desde o colégio. – O loiro respondeu-o com um sorriso de satisfação. – Estou ficando na casa delas por um tempo. – O moreno anuiu, compreendendo.
– E por falar na Ino, o senhor sabe se algo aconteceu... – Mas ela se calou quando a porta tornou a se abrir.
A velha senhora tornou a entrar no cômodo; desta vez, trazia consigo uma mulher não muito jovem sobre uma cadeira de rodas; com seus cabelos castanhos longos, ondulados e bem tratados, Sak quase não pôde reconhecê-la. Mas bastou enxergar o rosto bonito e suave para reconhecer todos os traços da perturbada Rin Nohara que Sakura conhecia desde a infância.
E então ela se lembrou.
Sakura lembrou-se daquela fatídica tarde, no último natal, alguns meses atrás; lembrou-se daquele homem que invadira a casa dos Nohara; o homem que instantaneamente havia considerado bastante parecido com Sasuke. – Rin-san, como vai?! – O psicólogo se apressou em aproximar-se, sempre sorridente, mas a Haruno não pôde se mover.
Ela observou Rin, aquela Rin Nohara, ser acariciada e posteriormente, beijada por Obito Uchiha; ouviu aquela Rin Nohara, que todos julgavam ser uma louca e incapaz, sorrir fracamente para o tio de Sasuke e murmurar “seja bem vindo de volta”.
E simplesmente não conseguiu acreditar no que via. – Sakura-san, esta é a minha esposa, Rin. – O Uchiha apresentou-a, mas tudo o que a rosada pôde fazer foi sorrir, timidamente, à mulher que parecia ainda mais frágil do que da última vez em que a vira, há uns cinco ou seis anos. – Ela está me ajudando com a perna, querida.
– Eu fico grata por cuidar do meu marido. – A mulher baixou a fronte educadamente; aparentemente, não se lembrava dela. Sak não soube como reagir.
Não, ela não devia reagir. Nem sabia se realmente era a Rin parenta.
Quantas Rins morenas, bonitas, na faixa dos quarenta e loucas podiam existir em Tóquio, afinal? Uma centena, sem sombra de dúvidas.
O pensamento a fez pensar que definitivamente era uma idiota, mas mesmo assim, Sak sorriu à esposa de Obito e curvou a fronte. – É um prazer conhecê-la, senhora Uchiha.
~
Com as mãos apertando o volante do carro que ultrapassava a velocidade permitida na estrada em questão, Mikoto não conseguia parar de pensar nas palavras de Obito, nem no olhar de Kasumi.
Como estava dirigindo feito uma louca, chorando como uma desesperada, foi um milagre divino chegar à Companhia Uchiha com vida, e sem se acidentar.
Ela deixou o veículo trêmula, e não se preocupou em trancar as portas; seguiu, com o rosto manchado da maquiagem derretida pelas lágrimas, sem se preocupar com os olhares assustados que recebia, e foi até a recepção. – M- Mikoto-sama! – A recepcionista exclamou, assustada demais para a opinião da matrona da família Uchiha. – O Sasuke-san...
– Onde está meu marido? – Ela cortou a moça sem cerimônias. A garota pareceu perdida, pois dificilmente alguém procurava Fugaku na empresa. – Onde está meu marido? – Ela tornou a questionar, com frieza palpável na voz; e a mocinha, constrangida, instantaneamente começou a procurar os registros.
– Na sala de reunião dois, senhora. Está se preparando para um encontro de negócios com... – Mikoto sequer esperou o resto da explicação; apenas virou-se, e andou rapidamente em direção aos elevadores.
Pareceu uma eternidade até ele chegar, e um tempo ainda maior até que alcançasse o quinto andar, onde precisava estar.
Durante o percurso, a dor latejava em seu peito.
A dor, e o alívio.
Ela limpou o rosto, porque não queria bancar a maluca justamente naquele prédio, que estava cheio de gente que poderia reconhecê-la, mas o nervosismo impediu-a de verificar o rosto no espelho. Quando a porta se abriu, em meio segundo ela estava fora, seguindo em passos firmes e nervosos até a sala identificada com uma placa de número dois.
Ela entrou sem cerimônias.
Tanto a secretária quanto Fugaku foram surpreendidos ajeitando as mesas da reunião, mas bastou notar o estado de espírito da esposa para o Uchiha dispensar a moça, que se retirou discretamente, fechando a porta.
– Mikoto, o que você-...
– Você sabia? – A voz dela soou quase tão culposa quanto furiosa, e Fugaku estreitou as sobrancelhas, confuso.
– Do que você...
– Você sabia que a filha do Obito estava viva?! – Ela praticamente gritou; sentia o coração palpitar, e cada membro de seu corpo tremia. – Você sabia que ela estava viva, e nunca me contou?! – E então tornou a chorar.
Fugaku estreitou os lábios, e lentamente, aproximou-se; viu-a agachar, encolher-se, como se pudesse conter a dor daquela maneira. Ele se ajoelhou, e envolveu-a num abraço terno na tentativa de tranquilizá-la. – Por que você nunca me contou?! – Ela questionou com a voz embargada. – Tem ideia do quanto eu me senti culpada pela morte dessa menina, por todos esses anos?! – Ela ergueu os olhos negros, trêmulos, até os do marido, que a fitava com preocupação. – Por que não me contou, Fugaku...? Por quê...?!
– Desde o começo, o meu pai nunca devia tê-la envolvido nesse assunto... – Ele alisou suas faces amorosamente. – Nós só pensamos que assim, você pararia de se sentir culpada... – O riso dela foi alto e forçado, provando que ela não acreditava em nada daquilo.
– Por vinte anos, Fugaku. – Ela encarou-o com mágoa. – Por vinte anos, eu pensei que era responsável pela morte de uma garotinha! – Gritou. – Uma garotinha com a mesma idade do meu filho!
– Mikoto...
– Você sabia dos meus sentimentos! Você me viu, quando descobri a notícia! – Ela agarrou a própria camisa, como se sufocasse. – A culpa estava me matando, sempre esteve! Desde que eu a levei para aquele maldito orfanato... – Sentia seus olhos queimarem. – Desde que eu a levei para lá, sempre quis...
– Voltar atrás? – A voz de Madara soou fria, impassível. – Foi exatamente por isso que você nunca soube que a menina continuava viva, Mikoto. Por que você é uma covarde, que poderia por tudo a perder.
Lentamente, os olhos da Uchiha se ergueram até o sogro; sua respiração estava entrecortada, acelerada. O patrono da família Uchiha sorriu, ao sentir o olhar de desprezo dela.
Exatamente o mesmo olhar que Itachi havia lhe oferecido, àquela mesma manhã.
– Quando a escolhi para se casar com Fugaku, Mikoto, realmente esperava mais de você. – Ele sorriu afetado. – Mas eu devia ter procurado mais... – Murmurou com desdém.
– Eu que deveria ter procurado mais antes de decidir me tornar da mesma família que um monstro como você! – Ela gritou furiosa, trêmula, e surpreendeu a todos ali.
Os anos de respeito, os sentimentos de agradecimento, tudo havia sumido naquele momento, e ela só sentia raiva. – Ora, mas foi você quem quis se envolver, não é? – Sasuke encarou o avô de canto; ele estava presente, mas embora compreendesse a base do assunto, não conseguia acompanhar a conversa. – Você queria provar a todos que seria uma boa Uchiha... Fria o suficiente para enganar uma pobre garota solitária, e tomar sua filha...
– Cale a maldita boca! – Ela se levantou agitada, pronta para espancar o velho maldito, mas foi parada por Fugaku, que a agarrou pela cintura.
– Ora, mas eu não estou certo?
– Papai, chega! – Fugaku exclamou, mas era tarde demais. Madara também não estava em seus melhores dias.
– Lembro-me de ter ido até a minha sala e dito que havia encontrado Rin Nohara em uma loja qualquer, enquanto comprava o enxoval de Sasuke... Não foi você quem me disse que a garota estava grávida? – Foi como se uma faca atravessasse o peito de Mikoto, mas ela não queria recuar.
– Grávida. Do seu filho! – Exclamou, furiosa.
– Grávida de uma bastarda. – Sasuke quis socá-lo ali mesmo, mas a frieza do sangue que carregava nas veias fê-lo ficar no mesmo lugar. – Eu hesitei muito, Mikoto, em deixá-la se aproximar da moça... Hesitei, porque sempre a considerei uma fraca, fraca demais para nossa família. – Ele se aproximou ameaçadoramente. – E então, no momento em que entregou a menina ao orfanato... – Ele suspirou como se lamentasse o fato. – Ficou tão abatida... – Balançou a cabeça. – Foi deplorável. Eu soube imediatamente que contaria ao Obito assim que o visse. – E então tornou a encarar a nora. – E é por isso que, quando o incêndio aconteceu no tal orfanato, lhe disse que a menina havia morrido.
Embora todos estivessem tensos e nervosos, contrariando todas as expectativas, Mikoto riu. Uma gargalhada alta, que misturava o alívio e a alegria. – Eu sempre temi as coisas que fiz, desde que me tornei uma Uchiha... Eu sempre tive medo do que eu tinha me tornado, mas... – Ainda rindo, ela encarou o mais velho. – Mas não importa o quão ruim eu tenha sido, eu nunca vou chegar aos pés da sua monstruosidade. – Madara enrijeceu. – E, sabe? O que torna você essa coisa não é nem o fato de você ter rejeitado o seu filho por um mau casamento... – Ela deu os ombros. – Nem o fato de ter chamado a filha dele de bastarda, ou tentar afastá-lo da família... O que te torna um monstro, Madara, é você não sentir absolutamente nada, mesmo depois de ter feito tanta coisa ruim. – O patrono ergueu a mão, mas antes que pudesse acertá-la, Sasuke o segurou pelo antebraço.
– Solte-me. – Ele ordenou ao neto.
– Se você tocar um dedo na minha mãe, eu juro que vou te matar. – Os olhos negros do mais velho se estreitaram, mas aos poucos, ele baixou a mão.
Sasuke só o soltou após vê-lo afastar-se, e então foi até a mãe, envolveu-a, sem olhar para o rosto do pai e tirou-a dali.
Eles caminharam juntos pelos corredores da companhia, sem se importar com os olhares curiosos. Pegaram o elevador, e Sasuke guiou-a até sua sala.
Sem sequer lembrar-se da reunião que deveria estar participando naquele momento – porque mesmo depois daquela cena, Fugaku e Madara certamente prosseguiriam com seus planos – ele acomodou a mãe numa das cadeiras acolchoadas.
– Sasuke... – Ela começou com a voz fraca; sabia que ele precisava de uma explicação plausível, mas calou-se quando o viu negar com a cabeça.
O empresário afastou-se, seguiu até a cafeteira e preparou um cappuccino quente e doce para levar à mulher. Mikoto aceitou, e bebeu-o encolhida na cadeira.
Observou Sasuke puxar outra cadeira, sentar-se a frente dela e observá-la, como se estivesse esperando uma explicação.
Aquela pequena ação a fez perceber o quanto seu menininho havia crescido... E então a imagem de Kasumi pesou sobre sua consciência. – Então você também fez parte disso. – Ele murmurou com clara decepção, e ela sorriu tristemente.
– Eu era jovem... – Murmurou como se estivesse cansada. – Jovem e tola... E queria agradar o seu avô... – Tomou mais um gole da bebida.
–... O que você fez mãe? O que fez, exatamente?
Ela hesitou. Muito, na opinião dele. E então tornou a sorrir; segurou a xícara com as duas mãos e observou o chão com muito interesse. – Quando eu e seu pai nos conhecemos... Mesmo quando nos casamos... Eu era jovem e tola... – Ela respirou fundo. – Toda minha família queria que nos casássemos... Todos eles nos apoiaram, e eu quis fazer com que Madara gostasse de mim...
– Quando Kasumi nasceu, você e papai já eram casados. Então...
– Eu queria que seu avô gostasse de mim. – Ela apertou a xícara nas mãos, nervosa. – Eu queria que ele me visse como uma Uchiha... Como uma filha... – Sua voz tremia. – Eu o respeitava, e queria que ele me admirasse...
–... Mãe, o que você fez? – Ela franziu os lábios, como se aquilo pudesse segurar suas lágrimas.
– Eu o ajudei... – Ela confessou num murmúrio. – Eu contei que Rin estava grávida, e depois o ajudei... Ajudei no sequestro, paguei os médicos, paguei os pais dela... – Ela tremia. – E eu mesma levei a menina para o orfanato... – Ela cerrou os olhos, e fungou. – Na época, estava à sua espera... – Alisou o rosto do filho. – Eu me senti tão culpada... Mas tinha que ser forte, por você...
– Mas, você... – Ele estreitou os lábios, pois não queria gritar. Não com ela naquele estado. – Você tirou uma criança de uma mãe apenas para satisfazer o meu avô?! – A decepção na voz dele era palpável, e a machucou.
– Na época, parecia tão certo... – Ela piscou rápido. – Realmente pensei que ele estava cuidando de seu tio, mas então... – Sentiu o coração sangrar, apenas por se lembrar. – Ele prendeu a Rin naquele lugar... – Apertou ainda mais a xícara. – Foi aí que percebi o quão tudo aquilo era errado...
– Você devia ter procurado o tio Obito. Devia ter contado a ele...
– Eu pensei em fazer isso... – Ela mordeu o lábio inferior. – Mas então, seu avô chegou ao meu quarto, pouco após o seu nascimento... E me disse: “a menina está morta”. – Encolheu-se à cadeira. – Só Deus sabe, meu filho... Só Deus pode saber o que eu senti, quando o ouvi dizer isso...
– E então você não fez nada?! Rin ainda estava no hospital, mãe! Mesmo que o bebê tivesse morrido, você ainda poderia salvá-la! – Mikoto negou.
– Depois daquilo, não soube de nada dela... – Sasuke calou-se, porque não tinha mais o que falar. Se ele havia se envergonhado antes dos pais, por imaginá-los omissos, agora sentia que podia desprezá-los.
Mas lá estava ele, em frente à Mikoto, e não conseguia desprezá-la. Não conseguia odiá-la... Não conseguia sentir nada, além de pena.
Viu-a sorrir. O sorriso mais triste que já havia visto em toda sua vida. – Você sabe o porquê de eu perseguir suas namoradas? – Ele não respondeu. – Eu temo por elas. – Ele continuou em silêncio, então ela prosseguiu. – Quando conheci Kasumi... De fato, não gostei dela... Era a primeira mulher que meu primeiro filho tinha, então me senti enciumada... – Ela riu, mas não estava feliz. – Mas ainda que não gostasse dela, eu a admirava... Sempre admirei.
Sasuke tentou sorrir. – Mamãe, você a odeia...
– Talvez odiasse um pouco. – Ela admitiu. – Mas... O motivo de eu fazer de tudo para separá-la do Itachi... – Ela parou de falar; seu estômago revirava, e sua cabeça latejava. – O motivo de eu querer afastá-los, foi porque eu tive medo...
–... Medo? – Ela anuiu.
– Eu sabia que Itachi a amava... E sabia que ela o amava... Mas aquela garota não parece ser o tipo de pessoa que fica presa à imagem da família... Kasumi é livre, assim como Obito. – Ela respirou fundo. – Kasumi não conseguiria ser parte da Uchiha... E, por isso, temi que ela se tornasse como Rin... – Ela estreitou os olhos chorosos. – Ou pior: – Sua voz estremeceu. – como eu.
~
Kasumi suspirou longamente, e se esticou na cadeira do escritório. – Pois é! – Itachi exclamou sorridente. – A noite caiu, e nenhum advogado entrou em contato.
– Talvez o vovô – a ironia da voz dela o fez sorrir. – tenha desistido? – Itachi franziu o cenho de maneira duvidosa, mas então deu os ombros.
Foi até o pequeno armário de canto e pegou uma das garrafas de vodca que sabia sempre estar bem guardada ali; puxou duas taças, foi até a mesa e serviu-as sem perguntar. – Eu não quero beber, obrigada. – Ela dispensou de maneira indiferente, e aquilo o surpreendeu.
– Por quê? – Questionou com a sobrancelha arqueada. – Você deve estar nervosa, mas já temos um dia em paz. Precisa brindar por isso. – Ela riu, mas negou. – Kasumi Aihara dispensando bebida. Eu estou pasmo. – Ele brincou com um sorriso divertido, e bebericou de seu próprio copo. – Eu posso procurar algum refrigerante pra misturar, ou então...
– Itachi, pare de querer me embebedar.
– Bom, talvez beber ajudasse para a conversa que nós temos que ter. – No mesmo instante, ela parou de mexer na papelada sobre a mesa. – Na verdade, eu esperava que você ficasse bêbada antes de entrarmos no assunto... Geralmente você é mais sincera quando bebe. – Ela revirou os olhos.
– Você enlouqueceu.
– É verdade. Sabia que uma vez disse que me amava? – Ela sentiu o rosto enrubescer. – Quando não está bêbada, só diz que me ama enquanto fazemos amor. Mas não vamos poder fazer amor enquanto não conversarmos, então...
– Pare de brincar comigo. – Ela pediu num suspiro, e ergueu os olhos castanhos até os negros, séria. – Eu pensei que tinha vindo aqui como um amigo, para me ajudar.
– E vim. – Ele anuiu. – E vou te ajudar, ainda que você me chute do terceiro andar. Mas eu te amo, e você me ama. Nós tivemos um mal entendido, então eu não vou sair daqui até esclarecê-lo.
– “Mal entendido”? – Ela riu, mas estava nervosa. – Pegar você na cama com outra agora virou “mal entendido”?
– Você não me pegou na cama com outra. – Ela estreitou os olhos com um sorriso forçado.
– Ótimo, então o que ela foi fazer na sua casa?
– Sexo. – Ela o encarou, séria, segurando-se na cadeira para não voar no pescoço do maldito cínico.
Ele respirou fundo, e tomou o resto da bebida num só gole. – Kasumi, não me olhe como se eu tivesse te traído. – Pediu com a voz irritada. – Você mesma sempre fazia questão de me lembrar que o que tínhamos não era oficial. – Apontou-lhe o dedo, nervoso. – Mesmo assim, eu te honrei por todos aqueles anos.
– Eu percebi o tamanho da honra. – Ela revirou os olhos e fingiu fazer alguma coisa no computador. O tom dela o irritou, profundamente.
– Kasumi, eu te pedi em casamento, e você me rejeitou! – Ele espalmou a mão sobre a mesa dela, assustando-a. – Eu te pedi em casamento nessa mesma sala, e você me disse “não”. Mesmo assim, eu te procurei. Tentei ajudá-la com o pobre do seu pai, e o que você fez? Ofereceu-me desprezo, ódio! Quando eu saí da sua casa, naquela noite, soube que nunca mais ia te ver. Soube que você nunca mais ia querer me ver!
– Eu entendi, Itachi. Você não me traiu. – Ela se levantou, tensa, e começou a juntar as coisas e jogar na bolsa. – Você é um homem livre, e saiu com uma mulher livre. Tudo bem, eu só cheguei em uma péssima hora, e... – Calou-se quando o sentiu segurá-la pelo antebraço.
Lentamente os olhos castanhos ergueram-se, e ela sentiu o coração se partir ao vê-lo fitá-la com aqueles olhos tristonhos. – Não faça isso... – Ele implorou. – Não se afaste de mim... – Envolveu-a pela cintura e roubou-lhe um beijo longo e saudoso, que foi retribuído com muita hesitação.
–... Eu sei que você não é o culpado... – Ela murmurou lentamente. – Eu não devia ter me comportado daquela maneira, com sua amiga. Só estava um pouco... Agitada... – Suspirou. – Peça desculpas por mim e... – E foi calada por mais um beijo.
Por que aquela mulher tinha que ser tão complicada? Isso era tudo o que Itachi podia se perguntar, enquanto sentia-a alisar seus cabelos. Lentamente, ele adentrou as mãos pela camisa social, e arranhou a pele de sua cintura.
Kasumi estremeceu, mas conseguiu forças para se afastar. – Itachi, por favor...
– Kasumi, ela não era ninguém... Uma antiga colega de classe, que eu reencontrei numa reunião de amigos... Eu estava sozinho, e então simplesmente aconteceu, mas pelo amor de Deus, se eu sonhasse que você ia aparecer no nosso apartamento... – Ela alisou o rosto dele.
– Seu apartamento. – Corrigiu-o. – Tudo bem... Você não me devia nada, eu sei disso. Não devia ter me comportado daquela forma, e também não devia ter ficado irritada agora, é só que... – Ela sentiu o estômago revirar. – São tantas coisas acontecendo, e tudo ao mesmo tempo... – Suspirou longamente.
Ele a abraçou, carinhoso, e beijou a cabeleira castanha. – Mesmo assim, eu sinto muito... – Ele sussurrou com sinceridade, e beijou-lhe a testa, o nariz e os lábios. – Eu te amo, mulher... – Alisou suas faces. – Se eu não tivesse certeza de que você estava me odiando, teria te esperado até a morte... – Ela riu, sem humor.
– Isso não tem importância.
– Não, tem sim... – Ele ergueu o rosto dela, e encarou os grandes orbes cor de chocolate. – Você disse que ia me aceitar... – Aproximou o rosto, e roçou os narizes carinhosamente. – Mas você não faria isso sem algum motivo... – Ele sorriu, e fitou-a.
Kasumi sentiu o coração palpitar, e o rosto enrubescer. – Você teve uma epifania? – Ela estreitou os lábios. – Porque simplesmente não consigo imaginá-la indo até o meu apartamento para me pedir em casamento... – Ela suspirou, e ele sorriu. – Talvez tenha descoberto uma doença terminal? – Kasumi não respondeu. Continuou calada, e o silêncio dela fez o rosto dele empalidecer.
Ele abriu a boca para dizer algo, mas não conseguiu encontrar palavras; sentia o sangue fugir da cabeça, e então ela fitou-o novamente. – Eu não estou doente. – Murmurou, e enfim Itachi pôde respirar. – Estou grávida.
~
Quando Madara Uchiha faz ameaças, elas não costumam ser vazias.
Ele havia jurado para Itachi que quebraria o maldito jornal, e nem que fosse a última coisa que fizesse na vida, ele quebraria o maldito jornal.
Na tarde do mesmo dia em que fora publicada a matéria, uma pequena retratação fora assinada pela própria Kasumi Aihara, que dizia “lamentar-se pelas ambiguidades que poderiam ser subentendidas no texto de Tenten Mitsashi”, e que “o Diário de Konoha tinha pela família Uchiha, como um dos maiores e mais tradicionais clãs japoneses, o maior respeito e admiração possível” e “que a matéria, sem sombra de dúvidas, não desejava expressar o que havia sido expresso”; “sentiam muita pela falta de profissionalismo; o caso não tornaria a se repetir”.
Ele estava ciente de que aquilo não passava de pura balela; Itachi certamente a havia instruído a escrever, ou talvez tivesse escrito por ela.
Bem, de qualquer forma, ele simplesmente não se importava. Ele não deixaria nem mais um segundo passar; iria quebrar aquele jornal, nem que fosse a última coisa que fizesse na vida.
Iria fazer aquela garota arrepender-se de ter nascido e lhe causado tantos problemas. – Aqui está, senhor. – Zetsu, seu secretário, entregou-o uma lista curta com nomes, telefones e endereços. – Aí estão todos os acionistas e patrocinadores do Diário de Konoha. – O Uchiha analisou a lista. – E esta, — ele entregou outra folha de papel. – É uma lista de advogados em potencial. – Madara ergueu a mão, dispensando a segunda lista, e continuou analisando a primeira.
– Não vamos precisar de advogados para isso. – Ele murmurou desinteressado, surpreendendo ao outro. – Ao invés de processá-los, tive uma ideia melhor. – Um sorriso brotou em seu rosto. – Quero que me ponha em contato com todas essas pessoas, Zetsu. – Ele entregou a folha de volta ao rapaz. – Ninguém mais vai investir nem um centavo naquela porcaria.
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