50 Tons De Uchiha
13 Filha.
Notas iniciais
Capítulo 13 – Filha.
Kasumi hesitou por um minuto inteiro até virar a maçaneta do apartamento de Itachi. Ela tinha posto no rosto um sorriso enorme e mentiroso, mas sabia que não precisaria usá-lo.
A jornalista havia esperado alguns dias depois da recusa, pois ansiava que ele desistisse e no fim das contas viesse procurá-la, mas ele não veio... E isso significava que Itachi havia sido tão sério no pedido quanto ela havia sido em recusá-lo. E isso era uma droga, porque se ele não a tinha procurado em cinco dias, ela teria que abrir mão da relação definitivamente. Assim era Kasumi: decidida. Se algo não ia como o planejado, simplesmente abria mão.
Após ter certeza de que ninguém além dela estava no apartamento, tirou o falso sorriso da cara e tratou de fazer o que havia ido para fazer: foi até o quarto, abriu o armário e começou a jogar seus pertences em uma bolsa qualquer.
Havia começado o processo em silêncio, estava cabisbaixa e pensativa.
Era estranho; as pessoas diziam isso, mas até então Kasumi não podia ter certeza... Mas enquanto retirava os pertences que costumavam ficar no apartamento de Itachi desde que havia sido comprado, a moça pôde perceber que a frase “quando as coisas estão no fim, começa a se pensar no começo” era de uma veracidade indiscutível.
Eles tinham se conhecido num verão, seis ou sete anos atrás, no exterior.
Ela fazia intercâmbio como bolsista e ele começava a faculdade de direito; haviam se conhecido em uma festa adolescente, proposta por um amigo dele, convenientemente na família onde ela estava hospedada, e sua primeira noite juntos foi resultado de uma das pouquíssimas noitadas que ambos frequentaram.
Depois daquilo, e de mais alguns encontros, começaram com o caso não oficial após voltarem para o Japão. E então anos se passaram... Tantos, que ela não conseguiria mais imaginar sua vida sem ele.
E de repente, Kasumi pegou-se chorando. Não um choro desesperado e escandaloso, apenas lágrimas silenciosas... Dolorosas lágrimas silenciosas, que a fizeram perceber o quanto sentiria falta daquele homem.
Após ajeitar a mala, lágrimas ainda rolavam por seu rosto; ela foi até o banheiro, limpou as faces, retocou a maquiagem e prendeu no espelho uma nota adesiva que dizia “Obrigada por tudo”.
Depois daquilo, seguiu para fora do apartamento sem nenhuma intenção de voltar, sorrindo por fora e destroçada por dentro.
Mas isso não era nenhuma novidade para Kasumi. Isso era o que ela era: uma grande mentirosa, tão grande que quase sempre conseguia esconder seus sentimentos de si mesma.
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Mikoto Uchiha era uma mulher surpreendentemente clichê para o tipo de família como a Uchiha: casou-se por amor, mas noivara por conveniência; havia abandonado sua vida profissional para se focar na família, era uma mãe maravilhosa e esposa perfeita, sempre cuidadosa, gentil, sorridente e disposta a tudo pela felicidade dos três homens de sua vida: Fugaku, Itachi e Sasuke.
Ela era o tipo de mulher que não se importava em incomodar os filhos ao se intrometer em suas vidas – e ela sempre fazia isso – então não se preocupou em pedir à secretária do caçula anunciá-la. Apenas chegou ao prédio, pegou o elevador e seguiu até a sala do presidente, adentrando sem pedir permissão. – Sasuke, querido, quando você vai decidir visitar sua mãe? – O rapaz quase caiu da cadeira ao ouvir a voz suave da senhora, que riu.
Mikoto aproximou-se e sentou em uma cadeira em frente à mesa dele, que pigarreou. – Mamãe! Que prazer revê-la. – Cumprimentou com um sorriso sem jeito.
Levantou-se para abraçá-la, e a mulher retribuiu ao carinho saudosamente. – Você ainda não respondeu. – Tornou a questionar quando ele sentou-se ao seu lado.
– Desculpe-me, mamãe. Eu estava sem tempo, e... – Ela bufou.
– Balela. – Ele sorriu; vez ou outra a senhora Uchiha escorregava em termos ultrapassados. – Sei que está com medo de que eu veja esses machucados. – Ela deu um tapinha no rosto de seu garoto, que fez uma careta. – O que é inútil, já que o país inteiro já viu. – Ele assentiu. – É verdade? – Ele travou; ergueu os olhos negros lentamente e fitou o rosto sério da mãe.
Sabia do que ela estava falando: falava sobre as especulações. – Você está mesmo saindo com alguém? – Foi direta, e o rapaz suspirou.
– Não. – Não era mentira. – Não estou saindo com ninguém, mamãe. – E deu um de seus meio sorrisos. – Tudo intriga da imprensa. – Ela suspirou longamente.
– Sim, sim. Malditos sejam esses curiosos! – Sasuke levantou-se e ofereceu uma xícara de café à mãe, que aceitou. – Mas diga-me, como vai seu irmão? – Ela quis saber enquanto bebericava. Sasuke arqueou a sobrancelha.
Definitivamente mencionar Itachi após falarem sobre a imprensa só podia significar uma coisa... – Ainda saindo com a jornalistazinha? – Ele sabia. Sentou-se novamente ao lado da mãe, e fitou-a com reprovação.
– Não fale assim da Kasumi, mamãe. Itachi ficaria magoado. – Lembrou-a, mas a mulher deu os ombros.
– Por causa daquela moça, meu filho quis sair de casa. Nunca vou gostar dela. – Os olhos negros do rapaz reviraram. – Não faça esse tipo de careta para mim, Sasuke Uchiha! – Ela exclamou com tom reprovativo.
– Desculpe.
– Então, eles estão ou não saindo? – Ela tornou a beber, e percebeu que Sasuke havia hesitado demais.
– Não sei. – Era mentira, ela sabia. Arqueou a sobrancelha e esperou que o filho entendesse. Assim que o fez, o rapaz suspirou. – Não é assunto nosso, mãe. – Lembrou-a, mas Mikoto simplesmente deu os ombros.
– Tudo que se relaciona com meus filhos é de meu interesse, principalmente quando estão prontos para serem enganados pelas “inhas” espalhadas pelo mundo. – O rapaz bufou.
– Kasumi pode ser tudo, menos uma aproveitadora. Ela não liga pra nossa grana, mãe. Não seja paranoica. – Ela cerrou os olhos.
– Não vai mesmo me contar? – Ele negou, e com a birra de uma criança de três anos de idade, Mikoto levantou-se com o nariz empinado. – Já que é assim, até mais ver. – Deixou a xícara sobre a mesa de trabalho e saiu em passos largos até a porta.
Sasuke não tentou fazê-la ficar, ainda que mais tarde soubesse que a mãe ficaria magoada... Afinal, era bom mesmo que ela pensasse que Itachi estava ocupado com Kasumi, porque só Deus sabia o que aconteceria se sua família descobrisse o que ele estava aprontando.
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Obito Uchiha sempre foi conhecido como a “ovelha negra” de sua família. Desde rapaz era honesto, ansiava pela independência financeira e sonhava com uma grande família unida.
Entretanto, esses pensamentos não eram exatamente bem aceitos por seus pais, que como a grande maioria dos pais em suas posições, traçaram um brilhante futuro ao filho: ele cresceria com a melhor educação possível, e depois disso, ajudaria Fugaku, seu irmão mais velho, a cuidar da empresa, e continuaria aumentando o legado da família Uchiha. Quando tivesse idade e maturidade suficiente, se casaria com uma mulher qualquer que tivesse dinheiro e sobrenome, ou um dos dois; geraria um herdeiro e ficaria bem visto pela sociedade como um bom pai de família.
No fim, nenhum dos projetos se realizou.
O senhor Uchiha sempre procurou viver de maneira correta, de maneira justa: casou-se com a mulher de sua vida, trabalhou, sustentou sua esposa e fez tudo o que podia por ela, que julgava ser sua única família.
Ainda assim, o destino lhes foi cruel...
Rin estava internada há cinco dias quando Itachi foi visitá-la no hospital. – Bom dia, senhora Rin. – Ele lhe disse gentilmente quando chegou ao local. O rapaz havia lhe levado um ramalhete de tulipas coloridas; a nova senhora Uchiha – pois Obito havia feito questão de registrá-la com seu nome – sorriu ternamente quando recebeu as flores, e ajeitou-as ela mesma num vaso ao lado da cama, mas nada disse.
Ela não falava desde o primeiro dia. Segundo Inoichi, aquela reação poderia se dar graças aos traumas vividos nas clínicas; ela devia temer ser considerada como louca e, portanto, preferia não dizer nada.
A cada dia que se passava, Itachi sentia-se mais compadecido de sua tia. Especialmente porque ele sabia que de louca, ela não tinha nada. – Tio Obito, eu posso falar com você por um instante? – Ele pediu discretamente, quando a mulher parecia distraída demais borrifando um litro de água no ramalhete. O outro concordou e após avisar a amada que buscaria café, ambos retiraram-se do quarto.
Foram direto à praça de alimentação, pediram um bom café forte e sem açúcar, do jeito que os Uchihas gostavam e assim que servidos, o mais velho questionou: — Por acaso aconteceu alguma coisa? – Por um segundo, Itachi hesitou.
Ele havia passado os últimos cinco dias investigando sobre o passado da filha de Obito. Sua prima nunca havia sido adotada, mas em compensação, havia sido mandada de um orfanato para o outro, sem nenhuma expectativa de família ou felicidade... E tudo graças ao egoísmo de uma família rica e estúpida, que ligava mais para as aparências, mais para o poder do que para o seu próprio sangue. – Itachi? – Obito tornou a questionar, um tanto preocupado. Os olhos negros do filho mais velho de Fugaku ergueram-se e fixaram-se nos do tio.
– Sua filha está viva. – Disse com firmeza, e por um instante, o tio sentiu o sangue sumir de suas veias.
Ele riu sem humor, o corpo inteiro tremendo. – Não diga bobagens, Itachi. – Disse depois de um minuto de silêncio desconfortável, e bebeu do café há pouco servido. – Eu não posso ter uma filha, já que a Rin perdeu a criança.
– Não, ela não perdeu. – A voz do rapaz soou cuidadosa. Aquele, afinal, era um assunto delicado. – Rin deu a luz aos vinte anos, mas o senhor Nohara conseguiu forjar para que ela fosse considerada menor de idade, provavelmente com a ajuda do Madara... Foi o senhor Nohara quem assinou a ordem de adoção. – Obito riu.
– Não, isso não pode estar certo... – Ele falou, mais para si mesmo, mas estava suando frio. – Itachi, essa história parece loucura, mesmo dentro da nossa família! – Exclamou alto, encarando o sobrinho, agora furioso. – Eu não posso ter uma filha! Meu bebê morreu quando Rin deu a luz! – Aquilo precisava ser verdade.
As sobrancelhas do mais jovem se juntaram. – Então existe a possibilidade de sua esposa ter dado a luz à uma garotinha dois anos antes de ser sequestrada?! – A voz do rapaz soou um pouco mais alta do que o normal.
– Não, impossível! Você certamente se enganou... Ou talvez os registros estejam errados! Não é comum pessoas terem o mesmo nome?! – Os lábios de Itachi se espremeram em uma linha reta.
– Tio... – Ele falou cuidadosamente, tentando ao máximo parecer calmo. – Eu sei que parece loucura... Mas você sabe que sou uma pessoa competente, eu jamais lhe diria essas coisas se não tivesse certeza de que sua filha está viva...
– Eu não tenho filha nenhuma! – Obito enfim gritou, levantando-se e batendo na mesa como se pudesse ser o dono da verdade ao fazer aquilo.
Foi o suficiente para esgotar a paciência do sobrinho.
Itachi se levantou, puxou-o pela gola da camisa e encarou-o. – Eu já tinha lhe dito sobre o médico que ela frequentava enquanto o senhor estava no exterior. Ela esteve grávida, isso é um fato. – Obito estava pálido, mas o outro estava muito nervoso para parar, ou tentar ser cuidadoso. – Os Nohara deram a menina para a adoção. – Tornou a pontuar. – Provavelmente Madara – ele se recusava a chamar aquele monstro de “avô” – conseguiu convencer o hospital e o orfanato. O registro de sua filha foi adulterado para parecer que ela havia nascido dois anos antes, como se a Rin tivesse dado a luz aos dezessete. – Imaginou que, explicando detalhadamente, o tio poderia digerir melhor, entender melhor. – Considerada menor de idade, os pais tinham controle sobre ela, e entregaram a sua filha viva à adoção. – Encerrou, falando lentamente, como se isso pudesse facilitar o entendimento.
– Isso... Não pode... – Obito parecia ter envelhecido dez anos só naqueles cinco minutos, mas ele e a filha mereciam saber toda a verdade. — Eu não posso ter uma filha... – Ele tornou a insistir, e Itachi ficou furioso.
– Eu sempre o admirei, tio, mas o senhor está agindo como um belo covarde, isso sim! – Ele exclamou impiedoso. – Ela é sua filha, então vá procurá-la! – Apertou os punhos. – Ela merece isso... – Cerrou os olhos. – Sua esposa também... E você precisa disso. Precisa vê-la... Olhar nos olhos dela, e saber que é verdade. – Desolado, o homem caiu sobre a cadeira do refeitório; escondeu o rosto com as mãos e chorou dolorosas lágrimas silenciosas.
– O que eu vou dizer à Rin...? – Ele enfim parecia ter aceitado, e isso aliviou o sobrinho.
Itachi aproximou-se, tirou do bolso do paletó um pedaço de papel e anotou um endereço que entregou ao tio. – Procure-a. – Aconselhou. – E quando encontrá-la, traga-a até a mãe. – Seu rosto estava mais sério do que nunca.
Lentamente, Obito se levantou. – Fique com a Rin... – Ele pediu debilmente; tateou a roupa e aliviou-se ao sentir a carteira no bolso. – Eu vou pegar um taxi... – Murmurou perturbado. – Eu volto logo... – E saiu.
Itachi apertou os punhos, tenso enquanto o via se afastar. – Boa sorte, tio.
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Sakura encarou o pé enfaixado com desgosto. Segundo seu médico, ela deveria começar as sessões de fisioterapia tão logo, mas se tinha uma coisa que Sak não gostava era de sentir dor. E ela definitivamente sentiria, quando fosse mexer o pé novamente.
Ela suspirou longamente. Maldito fosse Sasuke Uchiha, o causador daquela dor indesejável... Tudo bem que foi ela quem não havia prestado atenção no estacionamento, no dia do ocorrido, mas isso porque estava pensando justamente nele. Além do mais, os motoristas não deviam ficar atentos por si e pelos outros? Pelo menos sempre foi assim que a rosada agia: com cuidado para não ser uma irresponsável, e nem por tombar com um irresponsável...
Sakura bufou. Lá ia ela, pensar naquele cafajeste de novo.
Afinal, porque diabos aquele homem não lhe saía da cabeça?! Ela mal o conhecia, e se recusava a aceitar que se sentia atraída por sua beleza, ou por seu poder... Ela se recusava a ter sentimentos desse tipo, tão frívolos. – Sou uma pessoa profunda. – Disse a si mesma, decidida a não voltar a pensar no calhorda. Mas claro que tal pensamento só a fez pensar ainda mais nele.
Irritada consigo mesma, a estudante jogou as costas no colchão e encarou o teto.
Mais de uma vez Ino a havia aconselhado a seguir seus instintos – instintos, porque ela se recusava a chamar aquilo de sentimento – e talvez, mas só talvez, fosse bom sair da linha de vez em quando...
Não que ela fosse se entregar a ele, de maneira nenhuma. Era idealista demais para algo assim. Havia decidido se entregar a um único homem na vida e nenhum ricaço metido a gostoso tiraria isso dela. – Mas talvez... – Ela refletiu consigo mesma, o rosto avermelhando-se. – Só alguns beijinhos... – Mordeu o lábio inferior, ansiosa por se lembrar dos beijos do senhor Uchiha.
Certamente ele era muito bom no que fazia.
Alguém bateu na porta e a moça sentou-se num pulo, como se estivesse sendo pega no flagra – embora não fizesse nada de mal no momento. – Sakura? – A voz de Ino chamou. – Eu posso entrar? – A rosada arqueou a sobrancelha.
– E desde quando pede? – Questionou com a voz debochada. Podia imaginar os olhos azuis de sua amiga revirando do outro lado da porta. – Entre. – Permitiu, e a Yamanaka assim o fez.
– Bem, eu não queria atrapalhar, caso estivesse fazendo algo constrangedor. – Os olhos verdes da futura doutora reviraram, e Ino sorriu. Ergueu um pote de gel massageador e exibiu à melhor amiga. – Vim ajudá-la. – Sak sorriu, agradecida, e esticou a perna sobre a cama, na direção da loira, que se aproximou.
Após soltar a gaze do pé da amiga, a Yamanaka cuidadosamente começou a tratá-lo; parecia um pouco vermelho, e a parte fraturada, antes arroxeada, agora estava verde. Ela fez uma careta. – Ainda dói? – Sak deu os ombros. – Eu vou tentar não fazer muita força. – Tentou tranquilizá-la, e mais uma vez, a Haruno deu de ombros.
Ainda assim, bastou Ino tocar seu tornozelo pra ela soltar um grito de dor. – Eu sinto muito.
– Eu vou morrer na fisioterapia! – A rosada choramingou. – Não quero pisar nunca mais... – Ino riu, e mesmo com os protestos da amiga, prosseguiu com a massagem. – Ino, isso dói!
– Bem, é o que você ganha por não prestar atenção enquanto dirige. – Sakura não argumentou, porque não tinha argumentos. E como calar a amiga era algo quase inédito para a Yamanaka, ela aproveitou muito os minutos de silêncio que vieram a seguir... Mesmo que fossem poucos. Porque ainda que Ino adorasse calar Sakura, ela não conseguia calar a boca por muito tempo. – E então? Já decidiu o que vai fazer sobre o Sasuke? – Embora já tivesse ficado muito claro que a curiosidade de Ino não tinha segundas intenções, e que ela simplesmente queria implicar com Sak, a Haruno ainda se incomodava de falar sobre o senhor Uchiha com a amiga. Talvez porque ela parecia conhecê-lo muito mais do que a própria Sakura.
– Acho que... Eu vou fazer o que você me disse... – Ela assegurou antes de suspirar. – Vou falar sobre meus sentimentos... Vamos ver no que dá. – E deu os ombros. Ino gargalhou.
– Minha querida amiga, eu já disse que a conheço melhor do que você mesma. Não precisa fingir indiferença pra mim, sei que está fervendo de ansiedade por dentro. – O rosto da Haruno corou, e ela desviou o olhar. – Mas fico feliz por isso. – Ela confessou. – Você precisa sair mais, se descontrair... Conhecer pessoas. Ficar trancada dentro de casa não é de todo ruim, mas também não é muito bom. Você devia saber disso, Sak, já que é tão inteligente. – Sakura não respondeu, e depois de mais alguns minutos de silêncio, Ino voltou a falar: — Quando você vai falar com ele?
– Quando conseguir voltar a dirigir... Ele mesmo disse que ia se afastar até que eu pudesse pensar direito sobre nós... – Ela enrubesceu ao usar o termo, e a amiga, percebendo, ofereceu-lhe um sorriso malicioso. – E- Então... – A rosada pigarreou. – Eu vou vê-lo assim que puder me virar completamente sozinha. – A loira concordou.
– Odeia se sentir dependente, não é? – Questionou com uma risadinha, Sak assentiu, suspirando.
– Odeio. – E Ino se levantou; esticou as mãos na direção da amiga com um sorriso confiante no rosto, e disse-lhe:
– Vamos! Você tem que voltar a andar o mais rápido possível, então eu vou te ajudar na fisioterapia.
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Naruto bocejou longamente, e olhou para o relógio.
Eram quatro da tarde, mas ele estava ali desde as seis da manhã. Aparentemente, o voo da irmã havia atrasado dez horas, graças à chuva forte de algum lugar, e lá estava ele, desde o amanhecer, esperando sua adorável e insuportável irmã caçula, pois Minato estava fora do estado, e não poderia fazê-lo.
Quando o telão de desembarque informou o pouso do avião, ele levantou-se da cadeira de cafeteria onde havia passado o dia inteiro, pagou sua conta e seguiu para os portões indicados.
Embora estivesse exausto, fez questão de colocar um sorriso no rosto, pois há muito não via Menma, e sua irmãzinha merecia as melhores boas vindas possíveis.
Ele queria recebê-la do melhor jeito, mas ao que parecia, a hora não era sua única inimiga.
Naruto estava tão ansioso para rever a irmã, e posteriormente tão cansado para qualquer coisa que sequer lembrou-se do fato de que Hanabi, a irmã de Hinata, amiga fiel de Menma estaria no mesmo voo que sua irmã, portanto, por um segundo surpreendeu-se ao ver a amiga de infância em pé em frente o portão de desembarque, visivelmente nervosa.
O loiro sorriu, ajeitou os cabelos, pôs as mãos no bolso e se aproximou. – Hinata? – Sua voz saiu rouca, não de propósito, mas por falta de uso. Ainda assim, a mocinha sentiu os pelos na nuca eriçarem, e virou-se rapidamente, perdendo o fôlego ao ver o amado.
O último encontro não havia sido muito agradável, então ouvi-lo falar tão naturalmente era realmente estranho... E era ainda mais estranho o fato de ele estar lhe sorrindo de maneira tão amigável.
As marcas deixadas pela confusão de seu aniversário ainda estavam ali, no rosto dele. Uma lembrança desagradável de um dos dias mais desagradáveis de sua vida.
Ela pigarreou. – Olá. – Cumprimentou, tentando não parecer tensa, e tornou a olhar as vidraças, ainda que não fosse ver mais absolutamente nada.
Naruto estava ciente da tensão que causava na mocinha quando se aproximava, então fez questão de pôr-se ao seu lado, os ombros dela roçando em seu braço. – Veio no lugar de Neji? – Ele tentou parecer desinteressado. Hinata deu os ombros.
– Ele e meu pai estão viajando, lembra? – Ele assentiu, e bocejou. Hinata estreitou os lábios, incomodada.
– Uma noitada e tanto, imagino... – Murmurou, e Naruto sorriu.
– De fato. – Concordou antes de se esticar; quando o fez, os ossos das costas pareceram estalar. – Embora pudesse ter sido melhor se eu estivesse dormido em uma cama, ao invés de ficar esperando na cafeteria. – Hina arqueou a sobrancelha.
– Está aqui desde as seis? – Ele assentiu.
– Você não?
– Nós demos uma passada no "hotel" aqui perto. – Não foi Hinata quem respondeu, e Naruto sentiu-se imensamente incomodado com a voz do cantorzinho, que se aproximou, enlaçou a cintura de sua Hinata possessivamente e beijou-lhe o rosto.
O loiro desviou os olhos ao ver Hinata enrubescer. – Deveria ter feito o mesmo. – O Inuzuka sugeriu com um olhar inocente, e Naruto conteve a vontade de espancá-lo; apenas continuou a olhar para o portão de desembarque, em silêncio, tentando ao máximo ignorar a presença daquele intruso.
Para sua sorte, as garotas apareceram nem dois minutos depois. – Onii-chan! – Menma exclamou, e correu para os braços do irmão.
Menma Uzumaki tinha dezessete anos, e era uma cópia exata, versão feminina e com cabelos longos, de seu irmão; assim como Hanabi e Hinata, ela e Naruto tinham quatro anos de diferença de idade, mas sempre haviam sido muito apegados.
A senhorita Uzumaki era uma amante de arte, e atualmente estudava fotografia, cinema e artes plásticas, no exterior. Ela e Hanabi Hyuuga frequentavam o mesmo colégio na América, dividiam o mesmo quarto e eram quase irmãs; como Hana sempre teve muito apreço pelos Uzumaki, não gostou nada ao ver um rapaz desconhecido por ela agarrando sua irmã.
Claro que o sentimento foi contido logo que ela o reconheceu.
Hanabi arregalou os olhos, e num piscar de olhos estava na frente do novo casal. – V- você é Kiba Inuzuka! – Ela tentou se conter para não gritar, e o cantorzinho riu.
– Você deve ser a Hanabi. – Ele esticou a mão para a caçula de Hinata, e se cumprimentaram. – Sua irmã fala muito de você.
– Onee-san! Você está saindo com um integrante da Time Oito! – Ela exclamou, chocada; Naruto revirou os olhos e Menma, até então agarrada em sua cintura, conteve a vontade de rir.
– Hanabi os escuta desde seu lançamento. – Hinata explicou com um sorriso gentil.
– Mas meu integrante favorito é o Shino. – A mais jovem explicou. – Então não precisa se preocupar, não vou tentar separá-los. – E piscou. No mesmo instante, lembrou-se da presença dos irmãos Uzumaki, e enrubescida, ela virou-se na direção deles. Mordeu o lábio inferior, envergonhada, ao perceber a expressão magoada do loiro. – N- Naruto-nii! – Ela tentou consertar a situação com um sorriso, e o abraçou. – Há quanto tempo! Vocês três vieram juntos? – Ele se limitou a negar balançando a cabeça, e a caçula dos Hyuuga sentiu-se ainda mais constrangida.
– Vamos, Menma. Eu estou com sono. – Ele murmurou com a voz grossa, tanto pelo sono quanto pela irritação. Sua irmã concordou imediatamente; desde sempre ela adorava a ideia de ter Hinata e Hanabi como suas parentas, então ver sua potencial futura cunhada agarrada com outro também não lhe era lá muito agradável.
Ainda assim, ela foi educada o suficiente para sorrir, dizer “prazer em conhecê-lo”, referindo-se ao ídolo juvenil e despedir-se de todos – coisa que Naruto não fez – antes de sair do lugar no encalço do irmão. – O que você vai fazer sobre isso? – Ela questionou quando eles enfim entraram no carro preto.
–... Estou tentando digerir essa história. – Ele confessou enquanto ligava o carro.
– Pois não devia tentar digerir. – A loirinha disse emburrada; apoiou o rosto na palma da mão e ficou a encarar a janela. – Deveria partir para cima. – Naruto fingiu não ouvi-la, e ligou o carro. Mas ainda que estivesse se segurando... Não deixou de pensar na possibilidade da mais nova estar certa nem por um segundo.
~
Que criatura em sã consciência dispensaria Itachi Uchiha? O belo, romântico, rico e inteligente advogado, Itachi Uchiha.
Enquanto estacionava seu carro em uma vaga medíocre de um prédio de classe média, depois de um longo dia de trabalho, Kasumi pegou-se pensando nisso.
Não que ela se envergonhasse de morar ali: tudo o que tinha conseguido em sua vida, seu reconhecimento, seu trabalho, sua casa... Tudo havia sido conquistado por seus próprios méritos, sem a ajuda de ninguém além de si mesma. E ainda que fosse moderado, orgulhava-se, e tinha esperanças de que tão logo conseguiria mais.
Puxou as sacolas de mercado, estavam cheias de sorvete, e saiu do carro, preocupando-se em ativar trancá-lo e ativar o alarme – coisa que, observou, nunca precisava fazer quando visitava o prédio de Itachi.
Ela suspirou longamente, bateu na própria testa, soltou um resmungo e se apressou em direção às escadas. Seu apartamento ficava no quarto andar, então ela teria um bom tempo de caminhada para amargar sua atitude.
Qualquer pessoa que não conhecesse Kasumi e o tamanho de sua teimosia e necessidade de independência a julgaria uma tola por chutar Itachi. Mas ele a conhecia, e deveria saber que ela o recusaria, o que significava que ele já tinha chegado ao limite do que podia aguentar.
Como era inteligente, a jornalista sempre soube que esse momento chegaria. Itachi era um homem de família, no fim das contas, havia sido criado dentro de um mundinho perfeito com pai, mãe e irmão. Amava, e era amado por toda a sua família, e só isso o tornava completamente oposto à ela.
Geralmente, crianças órfãs sonhavam em criar a família que não puderam ter, mas essa definitivamente não era a situação da senhorita Aihara. Enquanto suas amigas no orfanato sonhavam com o Dia D, com seus vestidos de noiva, com futuras casas e futuras famílias, Kasumi costumava se focar em planos profissionais para o futuro.
Ela não queria depender de ninguém.
Em sua cabeça, se seus pais, que em tese deviam amá-la mais do que suas próprias vidas puderam abandoná-la, o que poderia esperar de um marido? Não que julgasse Itachi mau, de maneira nenhuma... Só que nunca havia sequer pensado na possibilidade de constituir família. Se pudesse ser alguém, definitivamente seria ele.
Mas... Algumas pessoas, ela pensava, não nasceram para isso. Algumas pessoas estavam fadadas à solidão de um apartamento pequeno com pilhas de trabalho para organizar.
Desde menina, já tinha decidido que seria sozinha e bem sucedida pelo resto de sua vida, e estava satisfeita com sua ideologia. Mas, por algum motivo... Ela não podia deixar de se lamentar pela falta que certamente sentiria do Uchiha.
“- Um casamento é uma festa de família, então eu não posso me casar.”
Ela havia pronunciado essas palavras aos oito anos de idade, mas era incrível como ainda se sentia da mesma maneira. Poderiam julgá-la por tola, mas um sentimento que se carrega por anos e anos não pode simplesmente sumir com a por uma proposta de casamento feita por um ricaço... Pelo menos não para a teimosa senhorita Aihara.
Adentrou no apartamento, trancou a porta e seguiu para a cozinha. Estava no meio do caminho quando ouviu alguém bater furiosamente na pobre madeira frágil que fechava a entrada de sua casa.
Quis praguejar, gritar que não estava em casa, mas a boa educação que havia recebido não permitiu tal coisa. Além do mais, poderia ser Itachi... E ainda que ela tivesse certeza de que ele não esqueceria o pedido de casamento, ainda tinha esperanças de convencê-lo a viver como sempre.
Mas quando abriu a porta, não era Itachi quem estava lá.
Era um homem desconhecido, com um terno caro, mas expressão de cansada. Ela estreitou as sobrancelhas. – Eu posso ajudar? – Perguntou com hesitação; quando o homem ergueu o rosto para olhá-la, parecia chocado. – Eu posso ajudar? – Ela repetiu, um pouco temerosa.... Mas então o reconheceu.
Arqueou as sobrancelhas bem feitas, realmente surpresa. Afinal de contas, que diabo Obito Uchiha estava fazendo parado na porta de sua casa?!
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