50 Tons De Uchiha
2 Falso Cavalheiro.
Notas iniciais
Capítulo 02 – Falso Cavalheiro.
Lá estava ele, encostado na parede ao lado do elevador. Extremamente sedutor vestido naquele terno que devia ser desnecessariamente caro e com um sorriso de enorme satisfação estampado no rosto.
— Boa tarde, senhorita Haruno. É um imenso prazer revê-la.
Sakura ajeitou disfarçadamente a saia, porque ele parecia querer comê-la com os olhos.
— Boa tarde, senhor Uchiha... Desculpe fazê-lo esperar, não sabia que já tinha chegado. – O rapaz deu os ombros, ainda sorrindo. Afastou-se da parede e se aproximou.
— Vamos para o meu escritório? Estou ansioso para começar a entrevista.
Ele parecia ansioso para outro tipo de coisa. Mas assim que o pensamento passou por sua cabeça, Sakura se culpou por sentir-se tão paranoica. Não era possível que ele fosse assim tão terrível.
Ela concordou de maneira cortês e o seguiu para dentro da sala ao lado da que ela ocupara momentos antes. Sasuke foi educado a ponto de esperar que ela entrasse antes, e a convidou para se sentar em uma das cadeiras ao mesmo tempo em que se acomodava em outra.
— Espero que tenha tido uma boa conversa com Hinata.
— Sim... Ela é genial. – Sakura não pôde deixar de suspirar, cheia de admiração.
— Por favor, não me diga que você é lésbica. – Ele deu ênfase no pedido, fazendo a rosada enrubescer.
Ela ajeitou-se na cadeira, desconfortada. Apesar de não conseguir entender como sua sexualidade podia ser assunto de Sasuke Uchiha, murmurou, muito contrariada:
— Eu não sou lésbica. — O que fez com que ele suspirasse de alívio.
Sakura tentou ignorá-lo. Procurou em sua pasta as perguntas de Ino, mas parou antes de encontrá-las.
— Como é que...?
Um sorrisinho vitorioso surgiu no rosto do Uchiha, e Sakura preferiu nem concluir a pergunta. Ela o viu se levantar, ir até a mesa de trabalho e voltar para onde ela estava com um bolo de folhas, que Sakura logo descobriu se tratar de uma série de impressões do Diário de Konoha.
— “Hana Haru” não é exatamente um pseudônimo difícil de associar à senhorita. — Ele explicou, e parecia ligeiramente divertido.
Os olhos verdes se reviraram, e ele sentiu uma imensa vontade de puxá-la para cima da mesa.
— Mas admito que mexi uns pauzinhos para ter certeza se era mesmo você. É estranho ver uma estudante de medicina trabalhando na revisão de um site jornalístico.
— Então, senhor Uchiha. — Sakura tentou interrompê-lo. — Como se sente por roubar o lugar do seu irmão? – Ela começou, ignorando-o completamente.
As sobrancelhas negras se estreitaram.
— Notei que você é fã dos Hyuuga. Tudo que o Diário de Konoha publica em relação a eles é revisado ou co-autorado por você.. Fica clara a admiração.
Ela respirou fundo.
— Sim, eu gosto muito do trabalho deles. Agora, voltando à entrevista... Aos vinte e quatro anos de idade, o senhor está sentado na cadeira da presidência de uma das companhias mais importantes do país. Essa responsabilidade toda não o assusta?
Ele ficou emburrado. Ajeitou-se na cadeira e deu os ombros.
— Sempre fui treinado para isso, afinal.
— Há quem fale que você usurpou o lugar de direito do seu irmão mais velho, Itachi.
Ele riu tão alto que a assustou.
— Se meu irmão estivesse interessado na empresa, pode acreditar: ele estaria sentado nessa cadeira. — Afirmou. — Meu irmão tem outros planos... Talvez algum dia decida se tornar presidente do país, mas dessa empresa? Não acho.
As sobrancelhas róseas se ergueram, surpresas. Depois de ler algumas matérias na internet, ela imaginou que Sasuke e o irmão deviam ter uma relação extremamente competitiva e não se davam bem.
— Você é gay?
Ela teve que controlar o impulso de rir ao ler a pergunta destacada em negrito por Ino, mas conseguiu dizê-la num tom sério e desinteressado.
— Acho que a manhã em que nos conhecemos, depois de eu ter dormido com sua amiga tivesse deixado a minha masculinidade muito clara para a senhorita.
Ele pareceu irritado, e Sakura engoliu mais uma risada.
— Não tão claro, pelo jeito. A própria Ino escreveu essas perguntas. – Ela ergueu a papelada, e Sasuke bufou.
Depois de um instante com expressão de revolta, no entanto, o Uchiha sorriu. Ele se apoiou no braço da cadeira e aproximou-se perigosamente, como se estivesse a ponto de atacar uma pobre ovelhinha indefesa.
— E você, Sakura? O que acha da minha masculinidade?
A aproximação fez o rosto dela queimasse, então Sakura recuou e deu os ombros. Rabiscou a pergunta e conteve-se para não empurrá-lo.
— Você investe muito em novas tecnologias, se aventura muito. Não acha que isso é um pouco imaturo da sua parte? Afinal, acabou de entrar no mundo dos negócios e já está revolucionando.
O moreno voltou a se ajeitar na cadeira.
— Eu sei que é estranho, mas não eu tenho medo de inovar. O mundo gira em torno das novas ideias, principalmente o mundo de hoje. Logo, não me considero imaturo. — Ele sorriu, apontou pra própria cabeça e deu uma piscadela. — Me considero inteligente.
— O senhor é narcisista ou só egocêntrico?
Ela não leu aquela pergunta, e Sasuke riu quando notou isso.
— Talvez um pouco dos dois. – Ele confessou.
— Por que me chamou aqui?
O sorriso de canto dele a fez corar.
— Porque eu queria vê-la, oras...
Ele respondeu num tom baixo, sedutor o suficiente para arrepiar os cabelos da nuca de Sakura, que se levantou instintivamente, quase em choque pela reação de seu corpo.
— Escute, — Ela pediu com tom cauteloso — Você dormiu com a minha melhor amiga. Eu não vou magoá-la, então pare de flertar comigo!
Sasuke ergueu a sobrancelha e balançou a cabeça com censura.
— Senhorita Haruno, estamos no meio de uma entrevista.
— Se você for profissional, eu vou ser também.
Ela estava decidida, e por isso, ele suspirou e deu os ombros. No fim das contas, ele queria continuar deleitando-se da companhia dela, então assentiu e sugeriu que Sakura voltasse a se sentar.
A partir de então, a entrevista se passou completamente profissional. Ela preferiu ignorar as perguntas de vingança escritas por Ino e focou-se apenas nos interesses empresariais — que eram o foco do artigo, afinal.
A conversa durou por volta de uma hora e meia e eles se cumprimentaram com um aperto de mão firme ao término.
— Obrigada, senhor Uchiha.
Ela realmente estava mais confortável com aquele clima profissional, mas ele estava incomodado.
— O prazer foi todo meu... – Foi o que ele respondeu, apesar de se sentir absolutamente contrariado.
Não podia acreditar que ela havia conseguido fazê-lo agir "profissionalmente", quando sua intenção ao chamá-la era deixá-la de quatro sobre a mesa de escritório.
Sakura terminou de guardar a papelada e reverenciou-o educadamente.
— Até mais ver, senhor Uchiha. – Ela despediu-se cordialmente, vibrando internamente por nunca mais ter que ficar próxima daquele homem estranho.
Minutos depois, ao entrar no carro, Sakura deu graças aos céus por ter se livrado daquela companhia intensa. Mal sabia que ele estava se certificando para que seu reencontro acontecesse o mais cedo que a moça podia imaginar.
A semana se passou.
Quando Sakura entregou à Ino o conteúdo da entrevista de Sasuke, a amiga — com muitos motivos — gargalhou deliciosamente ao ler os exageros que ela sabia que a Haruno tinha colocado nas respostas dele. Apesar de todo o mal humor que ainda a assolava, Ino se esforçou muito, e Sakura estava orgulhosa quando leu seu trabalho, depois de a loira devolvê-lo para a revisão.
Sakura editou toda a matéria de Ino sobre a Uchiha, redigiu seu próprio artigo sobre a conversa que tivera com a senhorita Hyuuga, e entregou ambos os trabalhos nas mãos de Tenten Mitsashi.
— Não acha que foi muita sorte você encontrar Hinata Hyuuga no escritório da Uchiha?
A chefe observou certo dia. A edição final estava pronta, e logo seria publicada, mas Tenten era o tipo de pessoa curiosa, que ficava remoendo tudo o que considerava estranho.
— Não que eu esteja reclamando... Ficou ótimo, mas foi muita sorte.
— Obrigada, Tenten... Foi mesmo muita sorte.
Sakura concordou, extremamente constrangida. Era desconsertante se lembrar de que uma conversa tão agradável jamais teria acontecido se não fosse a gentileza de Sasuke Uchiha.
— Eu te daria um aumento, mas ao invés disso... – Puxou do bolso da camiseta um cartão verde e entregou à subordinada. – Você me disse que precisava de mais um bico, não é?
Os olhos esverdeados da Haruno até chegaram a brilhar.
— É a academia de um velho amigo. Eles estão organizando uma competição, e sei que você é uma ótima organizadora, então a indiquei. Pagam muito bem, até, e o trabalho em si não é tão difícil. Digo por que já trabalhei lá.
— Obrigada, Tenten!
Ela agarrou a chefe sem hesitação, feliz demais para se conter. A alegria diante a ideia de ter dinheiro extra era tanta que ela não podia conter suas ações.
— Tudo bem, tudo bem... Só não me faça passar vergonha, hein? – A morena se afastou. – Como eu disse, é um grande amigo.
A mais jovem concordou animadamente, segurando-se apenas um minuto antes de agarrá-la novamente.
~
— A família Hyuuga disponibilizou dois cargueiros especialmente para essa operação, como podem ver.
Nos slides, a imagem dos dois aviões descritos surgiu. Hinata desfilou pela sala com um sorriso calmo e suas rotineiras vestes sociais.
— Como informado aos colaboradores, os suprimentos serão enviados para o país adotado por cada uma das empresas.
Um mapa do mundo com algumas áreas demarcadas surgiu às costas da apresentadora.
Um grupo de pelo menos dez espectadores estava reunido; sentados à mesa grande da sala de reuniões do prédio da Uchiha Company, eles observavam a jovem empresária atentamente.
— Cada um de vocês serão informados os detalhes de todo o processo: desde a saída dos cargueiros até a entrega para as famílias carentes, que terão muito a agradecer. — Hinata sorriu. — Para nós, do Grupo Hyuuga, cuidar das pessoas é cuidar do mundo. E nesse natal queremos fazer um esforço ainda maior. Portanto...
Ela os reverenciou.
— Seremos gratos aos que entrarem conosco nessa empreitada!
Uma salva de palmas soou quando a palavra “Fim” apareceu nos slides. e Hinata se obrigou a ficar mais um tempo agachada, extremamente constrangida.
A apresentação rápida do projeto País Carente, Empresa Solidária deu ainda mais resultados do que os Hyuuga esperavam, já que apenas duas das empresas convidadas para assistir a apresentação decidiram não aderir ao projeto.
Não houve muitas perguntas após a apresentação de Hinata, então quando ela finalmente cumprimentou o último convidado, sentiu que podia relaxar.
Sentou-se exausta em uma das cadeiras acolchoadas e bocejou, sem se importar com os últimos dois rapazes presentes.
— Você foi genial, Hinata!
Naruto exclamou alegremente.
— Meu pai nem pensou em recusar... Ele ficou muito feliz com seu desempenho. Você finalmente está começando a vencer a timidez!
O rosto da Hyuuga, como em piada ao elogio do Uzumaki, enrubesceu. Por sorte, sua atenção foi levada à Sasuke, que acabava de desligar a câmera do celular.
— O que é isso? – Ela perguntou com um tom de voz nervoso.
Sasuke riu daquilo.
— É para uma amiga. – Ele guardou o aparelho no bolso e Hinata ergueu a sobrancelha, desconfiada.
— O que? Não quero minha voz sendo usada nas suas sacanagens...
O loiro gargalhou, e ergueu o copo com água como um brinde às palavras de Hinata, que sorriu, satisfeita pelo gesto.
— Não é isso. – Sasuke garantiu com um sorriso de canto. – Você sabe, é aquela garota que você conheceu um tempo atrás. Ela sente certa... Admiração pela sua família.
— A senhorita Haruno?
O nome despertou os sentidos de Naruto.
— Fico feliz que você só a considere “uma amiga”. Ela é adorável, odiaria vê-la magoada por suas maldades.
A expressão do moreno tornou-se maliciosa.
— “Uma amiga”, por enquanto. — Ele soou divertido, e Hinata soltou um suspiro de lamentação.
— Ela é esperta... — Então ela voltou a sorrir e bebeu da garrafa d'água pousada sobre a mesa. — Pode acabar sendo a garota que vai te botar nos trilhos.
— Espere, espere. — Naruto pediu. — Que papo é esse de “Senhorita Haruno”? – A tensão do loiro era quase palpável.
— Acho que era... Sakura Haruno?.. — Hinata estreitou as sobrancelhas enquanto tentava se lembrar. — Sasuke pediu que eu desse uma entrevista para ela há algumas semanas. Acho que até já foi saiu no jornal em que ela trabalha.
Ela mexeu no tablet que estava à sua frente e entregou ao Uzumaki, que se apavorou ao ler o nome “Diário de Konoha” em destaque.
— Ela não, Sasuke! – O loiro praticamente berrou. – Por favor, ela é uma garota direita!
Tanto a Hyuuga quanto o Uchiha se surpreenderam.
— Você a conhece?! – O Uchiha exclamou, e Naruto suspirou longamente.
— Ela é filha da Mebuki-san...
— A senhora que trabalha na casa dos seus pais?! – Sasuke ainda soava surpreso, e sentiu-se ainda mais quando Naruto assentiu.
— Filha da mulher que cuida da sua casa de campo?... Aquela que foi o seu primeiro amor platônico?
Sasuke se remexeu na cadeira com uma expressão de curiosidade sincera, e os olhos azuis se reviraram.
— Sim, minha primeira paixão platônica, da qual não resultou nem meu primeiro beijo.
E suspirou, lamentando-se.
— Enfim. Eu duvido que vá conseguir dobrá-la, mas por via das dúvidas... Deixe-a em paz. Ela definitivamente não merece ser perseguida por um sujeito como você.
Hinata desviou os olhos perolados; estava visivelmente desconfortável com o assunto, mas apenas Sasuke conseguiu perceber isso.
Ele coçou a nuca, irritado.
— Eu tenho que ir agora... E tudo bem, Naruto. Eu não vou atrás dela.
Sasuke anotou algo em um cartão e jogou na direção de Hinata antes de se levantar.
— Mas Hinata, você realmente deveria convidá-la para a abertura do novo hospital. — Ele sugeriu com um tom desaforado.
Hinata provavelmente riria se o comportamento enciumado de Naruto não a machucasse tanto. Ao invés disso, ela apenas concordou com um assentir e guardou o cartão na bolsa.
— Não vejo problema nisso. — Murmurou desinteressada.
Mas Naruto via, aparentemente. E lançou um olhar mortal para os amigos de infância, que simplesmente o ignoraram.
~
Sakura caminhou lentamente, hesitante, em frente às vidraças da maior academia que ela já tinha visto na vida. Definitivamente aquela cidade era o centro de tudo!
A Haruno tinha demorado pouco mais de quarenta minutos para alcançar seu novo local de trabalho em potencial, mas agora já não tinha tanta certeza se deveria ou não se apresentar, principalmente com roupas tão simplórias como as que ela usava.
Como buscavam uma organizadora de competição, ela imaginou que deveria se apresentar de maneira despojada, mas agora que estava em frente do que parecia um império...
Estava parada em frente à entrada quando alguém a surpreendeu.
— Senhorita Haruno?!
A voz de Sasuke Uchiha soou sinceramente surpresa, e Sakura pulou para trás, assustada com a voz e a imagem do homem que não pretendia ver nunca mais na vida.
Sasuke ainda estava usando o terno costumeiro, mas tinha presa as costas uma mochila que certamente deveria ter roupas mais confortáveis.
— O que faz aqui?!
— E- Eu... – Ela ergueu a pasta transparente com o currículo, constrangida demais para dizer com palavras.
— Um emprego? – O sorriso do rapaz foi maior do que ela esperava. Só o pensamento da senhorita Haruno dando ou participando de alguma aula física era excitante. – Jornalista, aluna de medicina e personal trainer?
Ela negou imediatamente, com veemencia.
— Para começar, eu não sou "jornalista": só trabalho na revisão, e de vez em quando— ela deu ênfase — deixam que eu ajude a escrever alguma coisa. E é claro que não sou personal de nada... Na realidade, a Poder da Juventude...
Ela suspirou longamente; aquele nome ridículo era o da academia em questão.
— Está procurando alguém para organizar uma maratona. Como eu tenho algumas experiências...
Sasuke arqueou uma das sobrancelhas negras.
— Estudando medicina na Toudai... Você tem tempo pra isso?
Sakura sorriu timidamente. Ela mesma costumava se perguntar como conseguia dar conta de tanto trabalho, mas de alguma forma sempre conseguia.
— É em um final de semana e... Espera, — Ela estreitou as sobrancelhas — como sabe que eu estudo na Toudai?
O rapaz sorriu de um jeito debochado.
— Oh... Ino. – Ela concluiu por si só, lembrando-se da manhã em que eles haviam se conhecido.
— Não vai entrar? — Ele desconversou.
Sakura lançou um olhar assustado em direção as vidraças.
— Acho que não estou... Vestida à caráter... – Ela voltou os olhos a Sasuke, e com eles, comparou suas vestes com as do Uchiha.
Mas Sasuke riu. Riu tanto, e tão alto que a assustou.
— Não se preocupe! Você está ótima!
Ele a tranquilizou quando o fôlego lhe permitiu. Sem hesitação nem cerimônias, ele envolveu os ombros da Haruno e a guiou academia à dentro. Teve que pigarrear para voltar a calma habitual.
— Eu acabo de sair de uma reunião... Um dos projetos da sua companhia favorita, a propósito. Por isso estou vestido assim.
— Os Hyuuga já tem outro projeto em mente?
— Não só em mente, como em funcionamento.
Ela suspirou, cheia de admiração, e Sasuke soube que tinha capturado sua atenção.
— A propósito, eu gravei toda a apresentação da Hinata. Achei que você podia gostar.
Ela corou um pouco.
— Fez isso... Por mim?
— Claro... Eu podia fazer, sabia que você se interessaria. – Ele puxou o aparelho celular do bolso e exibiu à moça. – Além disso... – O sorriso dele aumentou. – Acabo de falar com Hinata, e ela adorou a ideia que eu dei— Ele pontuou sua participação – Para que você fosse convidada para a abertura do novo hospital.
Sakura provavelmente nunca tinha ficado tão envergonhada e feliz ao mesmo tempo.
— Eu?! Na abertura do novo hospital?
Os olhos negros de águia revelavam que ele sabia que estava a ponto de capturar sua presa.
— Será um coquetel simples, então não precisa se preocupar com vestidos longos. Até porque ostentação não combina com o trabalho dos Hyuuga. – Ela assentiu, compreendendo. – Eu gostaria muito de levá-la.
— He?
O corpo dela travou de repente, e eles pararam de andar.
— Eu gostaria que fosse meu par durante o coquetel. – Ele explicou.
E Sakura negou imediatamente.
— Não poderia, senhor Uchiha. Sinto muito, mas eu-...
Ele balançou o celular sugestivamente. “Meu encontro, sua gravação”, era o que os olhos negros diziam. Ela mordeu os lábios róseos, contrariada, e Sasuke sorriu de canto.
Ele segurou o queixo da moça, que enrubesceu ainda mais.
— Se fizer isso de novo, eu vou acabar te beijando. – Ele a alertou.
Sakura recuou três passos diante da ameaça, tão rápida que Sasuke fez uma careta de claro desagrado.
— Vamos. – Ele ergueu o celular. – É só deixar eu te buscar e conversar comigo, então a gravação será toda sua.
— Sakura Haruno. – Uma terceira voz a chamou, e só então a estudante lembrou-se do verdadeiro motivo de estar ali.
Ela se virou na direção da recepcionista, que sorriu gentilmente.
— Eu sou Ayame. O senhor Lee está esperando.
A mulher tinha um estilo esporte fino; usava uma calça social, saltos bonitos, uma camiseta despojada branca e um casaquinho bonito. Sak assentiu, e apressada, ajeitou suas próprias vestes, que não estavam lá muito diferentes das da secretária em estilo.
— Senhor Uchiha. – A secretária cumprimentou-o educadamente; mesmo que estivesse contrariado com o adiamento de sua resposta, ele sorriu de forma gentil. – Vamos, senhorita Haruno.
Ela se virou na direção da sala fechada, e elas entraram lá juntas.
Sakura realmente se assustou ao ver quem seriam seus entrevistadores.
Eram dois homens, um mais jovem e um mais velho; como tinham o mesmo rosto com olhos redondos, o mesmo cabelo em corte tigela e as mesmas sobrancelhas, absolutamente enormes, ela imaginou que fossem pai e filho.
O que a surpreendeu, entretanto, não foi a semelhança física, e sim o fato de ambos estarem usando um collant horrível, verde musgo, que escondia suas pernas e seus braços.
Sakura concluiu que aquele colete devia explicar o as gargalhadas de Sasuke, minutos atrás. Na verdade, ela quase sufocou enquanto segurava a própria vontade de rir.
Ela se sentou hesitante, já se arrependendo. O sorriso em seu rosto era automático, mas a verdade é que ela queria rir quase tanto quanto queria chorar.
Aqueles dois sem duvida eram os seres humanos mais incomuns que ela conheceria na vida.
— Eu sou Gai Maito, senhorita Haruno. – O mais velho se apresentou com um sorriso grande. – Esse é meu sócio, senhor Rock Lee. – O mais jovem tinha os olhos fixos nela.
O tal Rock Lee parecia chocado com alguma coisa, e Sakura temeu que, de fato, suas vestes estivessem simplórias demais — mesmo para aqueles dois.
Mesmo apreensiva, ela apertou a mão dos dois com cordialidade.
— A senhorita se interessa por esportes?
Sakura riu, nervosa.
— É claro... — Mentiu. — Faço caminhadas todas as manhãs. – Bem, ao menos aquilo era verdade. – Nunca se é saudável demais, não é?
Gai riu alto, tão alto que a assustou.
— Está certa, menina! Veja, Lee! – Ele apontou para a moça. – Uma bela jovem com espírito cheio de energia! Não é tudo o que procuramos?! – A rosada se perguntava como ele poderia concluir isso apenas depois de uma frase dita.
— E- Está contratada. – O dito Lee falou de repente, gaguejando, com os olhos ainda fixos em Sakura.
Sakura mal pôde acreditar.
— Mas vocês não querem nem ver minhas qualificações? – Ela perguntou um tanto hesitante, um tanto nervosa.
Puxou o currículo da pasta transparente e entregou à Rock Lee, que pegou, moveu a cabeça como se estivesse lendo – embora não tivesse, nem por um segundo, tirado os olhos da Haruno – e exclamou com ainda mais convicção:
— Contratada!
O mais velho parecia ter estranhado por um segundo, mas acabou por dar os ombros.
— Adoramos sua aparência, suas recomendações e qualificações. – Ele explicou com um sorriso feliz. Fez algumas anotações no bloco de notas e entregou à moça. – É o salário, com alguns benefícios. Como vê, mesmo que seja só uma colaboradora temporária, tem direito às aulas que quiser, nos horários que melhor lhe caberem. Poderá se exercitar gratuitamente em qualquer academia da nossa rede!
A cada segundo que se passava, mais assustada Sakura ficava. Mas quando seus olhos pousaram sobre os números estampados na pequena folha que lhe fora entregue, não tinha como recusar.
“Pense nos seus livros”, ela disse para si mesma em pensamento. “Pense que seus livros poderão ser pagos sem a ajuda do papai”, e por fim, com um sorriso profissional, ela assentiu.
— Quando eu começo?
.
Quando Sakura conseguiu sair da sala de reuniões, exausta com as perguntas – que foram feitas mesmo depois de ela assinar o contrato de funcionária temporária – estúpidas de “quantas vezes por semana ela fazia exercícios?” ou então “quantos exercícios ela sabia fazer com de fato?”.
As perguntas soavam tão idiotas que ela só se obrigou a respondê-las por respeito.
Ela sequer se lembrava de Sasuke... Mas ele se lembrava dela.
Assim que viu sua vítima caminhando para a saída, o Uchiha saiu da esteira e se apressou para alcançá-la.
— Senhorita Haruno! – Ele exclamou antes que ela fosse.
Sakura praguejou baixo, mas não conseguiu ignorá-lo. Virou-se para admirá-lo dentro de uma camiseta casual de algodão cinza e calças negras com um tecido mole que ela não reconhecia. O estilo lhe caía muito bem.
— Não ia embora sem me responder, não é? – Ele sorriu como uma criança perto de abrir seu presente de natal.
— Na realidade, sequer me lembrava. Mas... Eu não poderia fazer isso com Ino, senhor Uchiha. Sinto muito.
Os olhos dela eram tão sinceros...
Mas ele não ia perder assim tão fácil.
— Então prefere ir à um coquetel onde não conhece ninguém sozinha, quando poderia, além de ter a honra da minha companhia, ganhar uma gravação em HD da apresentação de um projeto que nem mesmo foi revelado à imprensa? Notícia de primeira mão, senhorita Haruno... Onde está seu espírito de jornalista? – Ela riu.
— Desculpe, a curiosa é a Ino. – Lembrou-o.
Sasuke fez um beicinho desapontado.
— Vamos, Sakura. Sua amiga não precisa saber que vai comigo.
Ela suspirou. Olhou para o celular; estava tentada a puxá-lo e correr para as colinas com o aparelho, embora soubesse que ele ganharia facilmente se ela tentasse fazê-lo usando saltos.
Olhou fixamente nos olhos negros.
O rosto dele estava tão... Ansioso. Era realmente como uma criança. Ela mordeu o lábio inferior inconscientemente, e Sasuke se conteve para não repetir a mesma coisa que fizera mais cedo.
Ele estava sendo gentil.
Mesmo depois de semanas, teve a consideração de gravar toda uma apresentação provavelmente maçante; tinha-lhe feito favores, como possibilitar a conversa com Hinata, e graças à sua boa vontade, ela seria convidada para um evento que muito lhe interessava.
— Tudo bem... – Concordou, ainda com hesitação. – Mas não vou dormir com você. – Ela pontuou, e ele riu.
— Senhorita Haruno, não farei nada que você não queira. – Ele garantiu num murmúrio baixo; puxou a mão pequena e beijou-a delicadamente, como um cavalheiro – Até lá, então.
Sakura sentiu o rosto queimar mais uma vez, mas não conseguiu pensar em nada para responder. Então assentiu lentamente, se esquivou de maneira tímida e se despediu com um aceno antes de sair do local.
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