Notas iniciais
Boa noite! Ainda são 23:54, então tecnicamente, ainda é domingo! XD Eu sinto muito pela demora do post, eu tive um terrível bloqueio de escritora que só foi curado agora, ao anoitecer. Nem vou me prolongar muito, pois sei que as pessoas estão ansiosas... ~ Gostaria de agradecer a todos os que comentaram! sz E me desculpar pelos comentários não respondidos (vou tentar respondê-los o mais rápido possível!). ~ Divirtam-se!

Capítulo 03 – Amigos, amigos.

O barulho incômodo no celular fez Sakura estreitar as sobrancelhas róseas. Quando ele se repetiu, acompanhado do vibrar em baixo do travesseiro, os olhos verdes enfim se abriram.

Preguiçosamente, ela puxou o aparelho antigo, cor de rosa, que estava escondido em baixo da fronha e abriu-o apenas para ler a mensagem de numero desconhecido: “Seu presente foi enviado para o e-mail.”, a primeira mensagem dizia, e “Agradeça aceitando o meu outro presente. Tenha um bom dia.”, dizia a segunda.

Ela fez uma careta, confusa, mas acabou por dar os ombros e voltar a dormir. Ainda eram seis e cinquenta e quatro da manhã de sábado, pelo amor de Deus!

Por volta das oito, quando ela decidiu enfim se levantar, sequer se lembrava das mensagens estranhas. Sakura fez o que sempre fazia: foi ao banheiro fazer sua higiene pessoal, comeu o café feito por Ino – pois ela mesma não era exatamente uma chef de cozinha – e, depois de ler três capítulos do livro que lia no momento, se sentou em frente ao computador para ler os e-mails.

Só depois de ler um cujo título era “Projeto Hyuuga: País carente, Empresa Solidária” na lixeira eletrônica é que ela pôde se lembrar E entender alguma coisa.

Seu celular tocou quase ao mesmo tempo em que ela começou a fazer o download do vídeo.

Ela hesitou por um momento; o número era desconhecido e ela temeu que Sasuke Uchiha quisesse constrangê-la um pouco mais, mas... Bem, seria muito mal educado de sua parte, não é? Até porque Sasuke vinha se mostrando surpreendentemente gentil.

— Bom dia! – Uma voz doce, tímida e hesitante soou do outro lado da linha. – Eu poderia falar com a senhorita Haruno?

A voz era feminina, então não podia ser de Sasuke, o que a deixou ainda mais surpresa.

— Sou eu mesma... Algum...?

— Oh! Desculpe, senhorita Haruno. — A voz do outro lado a interrompeu. — Sou eu, Hinata Hyuuga. Desculpe ligar tão cedo, mas esqueci de fazer isso ontem... Sasuke me disse que a avisou, mas ainda acho que seria terrivelmente mal educado não convidá-la eu mesma.

Sakura sentiu seu rosto queimar de ansiedade.

— Hoje vamos inaugurar nosso hospital. É o primeiro do Grupo Hyuuga, e Sasuke me disse que poderia gostar do evento. Achei que seria uma boa ideia convidá-la... O que me diz?

— Eu vou!

Sakura se sentiu quase emocionada com o convite.

— Sem dúvidas, vou estar lá!

Estava tão animada que mal podia se conter, e Hinata, percebendo isso, sorriu do outro lado da linha.

— O evento deve começar por volta das oito. Eu vou mandar o endereço para seu e-mail, se não houver problemas.

— Claro! O meu e-mail é...

— Oh, não se preocupe... Sasuke já me passou.

Arqueando a sobrancelha rósea, Sakura se perguntou quem deveria ter passado para ele o bendito e-mail.

— Não definimos nenhum estilo de vestuário, mas as mulheres deverão usar vestidos, como um padrão. Isso foi especificado no convite que eu vou enviar com o endereço.

— Claro.

— Nós nos vemos mais tarde, Sakura-san.

— Até mais!

Sakura se despediu e ouviu o "Tum Tum" da ligação finalizada.

Ela respirou fundo; olhou para o telefone e soltou um gritinho abafado de animação.

— Eu vou ser amiga de Hinata Hyuuga! – Ela exclamou aos pulos. – Eu vou ser amiga de Hinata Hyuuga!

Quando Ino abriu a porta do escritório, tinha uma escova de dente na boca e uma expressão assustada no rosto: uma cena tão engraçada que fez Sakura gargalhar.

— Para onde você vai? – Ela perguntou assim que notou que a loira trajava social.

Ino se livrou da escova.

— Eu estou indo pra sede. Tenten precisa de ajuda pra terminar a edição da próxima semana. – Explicou. – E você? Por que tanta felicidade? O novo emprego é tão bom assim?

Os olhos verdes se arregalaram, e Sakura checou o relógio, assustada.

Quinze minutos! Ela tinha quinze minutos para se arrumar E sair para o novo emprego!

— Eu te conto depois! – Levantou-se num pulo e correu para fora do cômodo em direção ao banheiro. Precisava se arrumar agora!

— Sakura! – Ino chamou da porta. – O que está acontecendo? Desde quando você tem segredinhos comigo?!

De dentro do Box, os olhos verdes da Haruno reviraram. Ela não tinha...

Mas de repente ela se lembrou de Sasuke, sua mente se calou e ela sentiu-se culpada. Tinha segredinhos, afinal. Não que se orgulhasse disso.

— Não estou escondendo nada. – Mentiu com constrangimento. – Só estou cansada, e nesse momento, atrasada. Pode pegar as roupas que eu deixei pendurada na poltrona do meu quarto, por favor?

Ino bufou.

— Você não me engana. Acaba de chegar uma encomenda estranha pra você.

Sakura estreitou as sobrancelhas, confusa.

— Se não está escondendo nada, significa que eu posso abrir.

— À vontade!

Foi o que Sakura respondeu, com bastante naturalidade, até. Realmente não fazia ideia do que podia ser.

Ino saiu do banheiro e voltou o mais rápido que pôde; deixou as roupas que Sakura pedira sobre o cesto e correu para a sala no intuito de abrir a entrega misteriosa.

Sakura ficou aliviada quando se vestiu, ainda tinha uns minutinhos pra tomar café, o que era ótimo.

Quando chegou a sala, no entanto, deparou-se com a amiga sentada no sofá, erguendo um vestido de festa curto tomara-que-caia, rosa e lindo. De cetim rosa e renda brilhosa.

Sakura estreitou as sobrancelhas e se aproximou lentamente. Ela puxou o vestido das mãos de Ino; o vestido era realmente maravilhoso, mas ficaria curto demais em qualquer criatura que tivesse mais de um metro de altura.

Os olhos verdes se arregalaram quando Sakura finalmente se lembrou da segunda mensagem de Sasuke, do pedido e do aviso sobre o seu "segundo presente", que ela esqueceu completamente.

— Não está assinado. Você e o Naruto por acaso estão saindo?

O rosto de Sakura enrubesceu, e ela negou quase instantaneamente.

— P- Por que eu sairia com Naruto?!

Ino deu os ombros e exibiu a marca do vestido na caixa.

Não que Sakura fosse lá muito fã de marcas famosas, mas só de olhar para a caixa pomposa dava para ver que não era algo que o salário de uma freelancer de jornal podia pagar.

— Não, eu não estou saindo com ninguém.

Tecnicamente, não era uma mentira.

— Também não sei por que me mandaram isso... Só que hoje eu fui convidada para a cerimônia de abertura de um novo hospital, então faço questão de usá-lo.

Com um sorriso constrangido e ligeiramente animado, Sakura colocou o presente de volta na caixa e o levou para o quarto enquanto era perseguida pela melhor amiga.

— Viu só o que digo? Está estranha! Como assim, foi convidada para a abertura de um hospital?!

Sakura deu os ombros.

— Eu te disse que conheci a senhorita Hinata na empresa do Uchiha; talvez ela tenha se lembrado da pobre estudante de medicina que admira tanto o trabalho da família. Talvez ela esteja querendo ser gentil... Ela pareceu bastante gentil.

Pela expressão da loira, ela não parecia comprar aquela história.

— Escute, Ino... Eu fui convidada e pronto.

Abraçou a companheira de sempre.

— Estou muito feliz, então não fique com essa cara brava! Vamos! Tem que ficar feliz por sua melhor amiga, não acha?

Ino fez uma careta, mas acabou rindo e retribuindo ao abraço da Sakura, apertando-a o mais forte que conseguiu.

— Você está certa! – Ela concordou. – Desculpe, acho que ando meio paranóica... Vá, vá! Aproveite a festa!

Sakura assentiu, sorridente.

Elas se despediram com beijos e abraços, e depois daquilo cada uma seguiu para a direção oposta da outra.

.

Não tardou até que Sakura enfim alcançasse a academia.

Hoje o senhor Lee explicaria um pouco melhor o que ela deveria fazer como organizadora do evento... Mas para sua sorte, Lee estava muito ocupado com o que quer que fosse, e a Haruno teve a felicidade de descobrir que a pessoa que explicaria tudo e lhe entregaria os materiais necessários para fazer seu trabalho era Ayane Ichiraku, a gentil secretária de Maito Gai.

A senhorita Ichiraku lhe explicou com muita cautela como mexer no computador da empresa e em quê mexer; ensinou as senhas e os códigos necessários, entregou os telefones dos contribuintes e dos competidores.

— Creio que para apresentar o projeto você vai ter que visitar alguns dos competidores... – Ela murmurou ao analisar a lista de nomes. – Veja esse competidor, por exemplo. Ele é o tipo de pessoa que você vai ter que insistir, ou não comparecerá.

Ela assentiu, compreendendo.

— Os colaboradores dificilmente vão chamá-la. Mas se acontecer qualquer imprevisto vou avisá-la por e-mail. De acordo?

Sakura acenou positivamente, e viu a morena se levantar com um sorriso calmo.

— Se entendeu tudo, vou deixá-la trabalhando. Qualquer coisa pode me chamar, estarei na minha mesa.

— Obrigada!

Sakura agradeceu sinceramente, e viu a outra se afastar de maneira tão elegante que a fez suspirar. Ela realmente admirava mulheres elegantes, e mesmo que Ayane não fosse nem de longe rica como Hinata Hyuuga, esbanjava tanta fineza quanto ela; talvez até mais, por ser mais madura.

Pensando bem, Sakura conhecia pouquíssimas mulheres realmente elegantes. Ino e Tenten, embora viessem de famílias consideravelmente abastadas, não nada parecidas com Hinata, por exemplo. Ino era desesperada, ansiosa e escandalosa. E embora Tenten tivesse juízo e maturidade, às vezes parecia uma criança. Principalmente quando as coisas não saiam como ela desejava.

Quantas vezes Sakura não tinha presenciado seus ataques de birra?

Enquanto redigitava os documentos necessários, a senhorita Haruno não pôde evitar um pensamento maldoso de comparação entre Sasuke Uchiha e Naruto. Eles tinham sido criados praticamente juntos, tinham o mesmo círculo de amizade, frequentavam os mesmos lugares, e mesmo assim..

Bem, Sasuke Uchiha esbanjava charme em seus ternos caros e com os olhares cálidos. Ele certamente sabia que era capaz de tirar o fôlego de qualquer uma que colocasse os olhos em sua figura.

Naruto certamente era um dos homens mais bonitos que Sakura conhecia, ele era charmoso,mas não tinha a aura sedutora de Sasuke. Claro que Naruto sabia ser sedutor quando queria, e certamente era o único homem a vestir bem um moletom laranja, mas a mente de Sakura não conseguia deixar de considerá-lo inferior ao Uchiha.

— O poder do terno...

Ela refletiu para si mesma, e deu um pulinho assustado quando o celular vibrou em sua calça, como se alguém a tivesse flagrado dizendo algo constrangedor. Que tolice!

Ela atendeu, apressada e constrangida.

— Haruno.

— Creio que esteja na academia a essa hora.

Aquela voz era inconfundível.

— Senhor Uchiha, bom dia... Eu poderia saber se aquele vestido que recebi esta manhã por ventura é uma de suas brincadeiras? – Ela soou extremamente formal, mas realmente estava curiosa sobre aquilo.

Sasuke riu.

— Curiosa escolha de palavras. – Ele observou. – Só pelo seu vocabulário, imagino que leia mais literatura antiga do que livros de medicina.

Ela fez uma careta.

— Garanto que meu curso não me dá esse tipo de liberdade. — Ela resmungou, incomodada com a insinuação. – Eu leio e gosto muito dos livros da senhora Senju. E tenho que ler muito sobre meu curso.

Ele riu de novo.

— Eu não estava tentando ofendê-la, então não se preocupe. Sobre sua pergunta... Sim. Se está falando do vestido, fui eu quem mandou sim. Imaginei que pudesse gostar de coisas daquele estilo...

— Não tinha necessidade. — Sakura o interrompeu. — A senhorita Hyuuga me ligou esta manhã para dizer que não tinha problema comparecer com um vestido simples. Você mesmo disse isso ontem.

Ele suspirou.

— Pensei melhor. Todas as mulheres vão estar vestidas para matar está noite. Principalmente a sua doce Hinata, uma vez que sua... Rival... Vai estar presente.

Ele teve que abafar sua própria risada para que ela não desconfiasse, e Sakura não conseguiu entender nada.

— Eu só liguei para confirmar o horário. — Sasuke prosseguiu — Posso buscá-la meia hora antes da festa?

Ela sentiu o rosto queimar; só a possibilidade de Ino flagrá-la... Mas seu coração se acalmou quando se lembrou que a Yamanaka provavelmente trabalharia até tarde enquanto ajudava a chefe nas atualizações da página na web.

— Tudo bem... Mas, por favor, seja discreto. Não quero arrumar problemas com a Ino por sua causa.

Ele bufou.

— Medrosa. – Murmurou antes de desligar, deixando-a chocada.

— Esse...!

~

Sasuke Uchiha não era exatamente o homem mais tranquilo do mundo. Por tanto, a atitude da senhorita Haruno estava começando a irritá-lo. Ele desligou o celular e pisou no acelerador, ansioso para chegar logo em seu apartamento.

Só não esperava era que lá poderia ter ainda menos sossego do que na empresa, já que Naruto estava fazendo uma de suas incômodas visitas surpresa.

Ele chegou apressado, louco para trocar de roupa.

E encontrou seu melhor amigo lá, deitado no sofá enquanto jogava um de seus games, tão à vontade quanto estaria se estivesse na própria casa.

— Oi...

Sasuke o cumprimentou sem muita animação, e seguiu para a cozinha a fim de preparar qualquer coisa industrializada que fosse comestível. Escolheu um prato congelado de qualquer coisa e colocou no microondas.

O loiro se apressou para alcançá-lo.

— Você vai mesmo com a Sakura-chan pra festa?... Mesmo sabendo que já fui apaixonado por ela?

O Uchiha suspirou.

— Sei bem que não é mais, então o que me frearia?

Os olhos azuis se reviraram.

— Que tal consideração para com seu melhor amigo?

Sasuke respirou fundo.

Puxou o almoço do microondas quando ouviu o bipe e seguiu para a bancada para comer. Estava faminto!

— Francamente, Naruto... Estou sem tempo para suas palhaçadas. Você é que devia parar de se preocupar: não é como se eu estivesse indo atrás da sua irmã. É só uma garota, nada demais... Não é como se eu fosse casar com ela.

Mas o Uzumaki bateu as mãos no balcão, revoltado.

— Antes fosse! – Exclamou. – Já te disse que ela é uma boa garota! Não quero saber de você se aproveitando...

Os olhos negros do Uchiha se reviraram. Naruto era tão exagerado...

— Ela é uma garota direita, falo sério! Você vai acabar corrompendo ela!

— Não que você possa falar muito, não é? – A voz de Sasuke soou um pouco mais rude do que o necessário, mas ele não se arrependeu. Suas palavras finalmente tinham calado a boca de Naruto.

— Você sabe como eu ajo. – Juntando as sobrancelhas, ele encarou o loiro com irritação palpável. – Eu jamais faria algo que ela não quer, então, por favor, pare de se preocupar como se eu fosse estuprá-la no carro ou coisa parecida.

— Não! Você vai seduzi-la, iludi-la e depois descartá-la, como fez com muitas! Eu não aceito isso! Se soubesse que você seria bom com ela...

O moreno coçou a nuca, impaciente, e se levantou.

— Escuta, bom samaritano. – Ele peitou o loiro. – Eu não sei se lembra, mas você não é exatamente a melhor pessoa para falar que eu não posso me aproveitar de uma garota, não é? Afinal, você conseguiu corromper a mais pura das garotas, e depois a descartou.

O sorriso cruel de Sasuke era sempre impactante, mas Naruto continuou a encará-lo como se fosse implacável.

— E ainda que você fosse um exemplo de homem respeitoso, eu não te escutaria. Sabe por quê?

O outro não respondeu, mas mesmo assim ele prosseguiu:

— Porque eu sou maior de idade e dono da minha vida. Se sua amiguinha quiser abrir as perninhas gostosas, eu vou aceitar de bom grado; se não, não serei eu a forçá-la.

Os punhos de Naruto se cerraram, e Sasuke notou que tinha passado dos limites.

— Às vezes você é um porco. – O loiro murmurou com raiva.

— Saia daqui logo. Não quero que nossa amizade acabe por uma garota que eu nem tracei ainda.

Ele se afastou, mas foi parado pela mão de Naruto, que segurou seu ombro. Sasuke virou-se para ouvir o amigo, mas o que quer que fosse o loiro quisesse dizer, disse com o punho, que acertou sem pena a maçã do rosto do Uchiha.

— Seu...!

Sasuke puxou-o pelo colarinho. Por um instante, considerou seriamente em continuar com a briga, mas um dos dois tinha que ser razoável e parar antes que algo pior acontecesse.

Sasuke sentia as mãos tremerem, mas apenas empurrou Naruto.

— Vamos! Saia! — Ele comandou, furioso. — Temos que nos arrumar para a festa da Hinata.

E sem esperar resposta, seguiu para seu quarto.

~

Sakura saiu da “Poder da Juventude” julgando-se uma garota muito sortuda por não ter que lidar com Lee e Gai – que ela havia descoberto, depois de algumas pesquisas, que não eram pai e filho.

Embora não parecessem más pessoas, eram muito, muito estranhos. E Sakura em geral não gostava muito de se envolver com pessoas estranhas — ela já era bem estranha por si só.

Talvez por achar seu senso crítico tão aprimorado, Sakura era um tanto prepotente com algumas pessoas, e extremamente preconceituosa com desconhecidos.

Bastava bater os olhos em uma figura nunca antes vista para tecer todo um julgamento de seu passado, presente e futuro; de suas manias, suas preferências e seus hobbies. Vez ou outra ela até conseguia acertar, como tinha acontecido com Tenten, Ino e mais alguns conhecidos.

Como dificilmente seu instinto a enganava sobre a base da personalidade de desconhecidos, ela estava tranquila com o fato de sair com Sasuke Uchiha.

Quando chegou em casa teve que correr para se preparar para a festa: ela tomou um banho rápido e depilou qualquer pelo que fosse minimamente visível; fez cachos nos cabelos róseos e vestiu o presente que havia ganho naquela mesma manhã.

Sentiu-se extremamente desconfortável com aquele micro vestido, então colocou uma meia-calça de renda branca que combinava com sua bolsa-carteira e os sapatos beges de saltos brilhosos, que pertenciam à Ino.

Pegar os sapatos da melhor amiga quando ia sair com um cara que a interessava era no mínimo insensível da parte dela... Mas como Sakura não planejava fazer nada que fosse do desagrado da loira, ela achou que não devia dar tanta importância a esses detalhes.

Como tinha um conhecimento muito escasso sobre maquiagem, colocou só um pouco de pó de arroz no rosto, uma sombra rosa nos olhos e abusou no rímel, imaginando que dessa forma pudesse destacar seus adorados olhos verdes.

Não gostava muito de batom, mas forçou-se a colocar o rosa pálido que Ino lhe dera de presente no natal no último ano. Aquele batom provavelmente era a única coisa que Sakura Haruno tinha de marca – pelo menos antes do vestido de Sasuke.

Às exatas sete e vinte e três, ouviu alguém bater na porta.

Mais ansiosa do que deveria estar, Sakura se apressou para atendê-lo, e surpreendeu-se ao vê-lo com uma mancha roxa de tamanho considerável perto do olho.

— Mas... O quê...?! – Ela se aproximou, preocupada, e Sasuke suspirou; encolheu-se quando ela tocou o inchaço e a olhou com censura.

— O que você fez?!

— Um problema com um amigo. – Ele suspirou de novo. – Está pronta?

Ela assentiu lentamente.

— Mas. Mas você não pode sair com o rosto assim!

O Uchiha deu os ombros.

— Some em uns três dias. Não vai ter muita imprensa no lugar, então estou tranquilo. É só exigir que eles usem muito photoshop.

Pela expressão de Sakura, ela não havia entendido que era uma piada.

Sakura puxou-o pelo pulso sem cerimônias, e o colocou no sofá.

— Você fique aí; vou buscar algo para esse inchaço... – E se apressou para entrar no banheiro.

Sasuke fez uma careta.

— Não precisa se preocupar... Vamos logo! Sei que não quer se atrasar.

Mas ela não respondeu, o que o irritou um pouco.

Sakura voltou pouco tempo depois; entregou uma bolsa de gelo que o obrigou a colocar sobre o inchaço e começou a fuçar sua maleta de primeiros socorros, separando uma pomada, uma cartela de antiinflamatórios e curativos.

Ela lhe entregou um copo de água e dois comprimidos.

— Não precisa exagerar. – Ele murmurou com uma careta, mas ela ignorou mais uma vez: puxou a bolsa de gelo, afastando-a do machucado e deslizou a pomada cuidadosamente pelos três centímetros de vermelhidão que estavam na lateral do rosto antes pálido do rapaz.

Depois da pomada ela pregou um curativo grosso que tampou o local.

— Sério, para quê tudo isso?!

Ele normalmente não estaria irritado com os cuidados dela, mas era normal se revoltar com qualquer coisa depois de ser socado pelo melhor amigo.

— Assim você pode dizer que caiu da escada.

Sakura riu da expressão dele.

— Você vai me dizer quem fez isso ou o porquê? Prometo não colocar no jornal da manhã.

Mas ele negou.

— Eu prefiro morrer a contar quem foi o culpado.

E se levantou, estendendo o braço para ajudá-la a fazer o mesmo.

— A propósito, senhorita Haruno... Está linda.

Sakura corou um pouco, e desviou os olhos do rosto dele, tentando evitar os olhos negros de águia.

— Vamos?

Ela se apressou em afastar-se, e ele, dando os ombros, aceitou.

Ambos seguiram para o sedã preto do rapaz e, cada um ansioso com algo diferente, seguiram em direção à festa dos Hyuuga.

.

Eles ficaram um tanto silenciosos dentro do carro, mas a viagem não foi exatamente desagradável. Passaram-na ouvindo musica clássica enquanto cada um pensava em sua futura aquisição: ela, na amizade com a sempre admirada senhorita Hyuuga; ele, um corpo nu e suado deitado em sua cama.

Sasuke estava especialmente ansioso para conseguir agarrar Sakura... Seria uma vingança deliciosa contra Naruto, certamente muito melhor do que revidar o soco que o amigo tinha dado mais cedo.

O carro estacionou no grandioso prédio, e Sakura ficou espantada com o hospital: era uma construção admirável, absolutamente maravilhosa!

Eles estavam atrasados, então mesmo que tivessem se apressado para entrar no evento, só puderam chegaram a tempo de ver Hinata e sua mãe em frente às portas altas de vidro, cortando a fita vermelha da inauguração.

Uma salva de palmas se seguiu à cena.

Depois disso, todos os convidados — Sakura chutava uns cinquenta — seguiram os Hyuuga hospital adentro, e foram guiados até o refeitório do lugar, aonde seria feito o coquetel.

Sasuke ofereceu o braço à Sakura com um sorriso adorável, e ela, inocente aos verdadeiros sentimentos dele, aceitou de bom grado, com um sorriso tímido e uma expressão ansiosa.

— Vamos nos divertir, Sakura.

Ouvi-lo falar seu nome fez com que o coração dela palpitasse.

— Vamos, Sasuke-kun. – Ela também sorria.

E por algum motivo, pela primeira vez, Sasuke Uchiha sentiu um incômodo estranho no peito ao ouvir seu nome sendo dito pelos lábios de uma mulher.

Era uma pontada estranha, mas agradável... E ele julgou que seria muito mais inteligente ignorar.

Notas finais
No fim, eu realmente gostei do resultado do capítulo! Ficou muito agradável. :) Como minhas provas acabaram, eu vou tentar (veja bem, eu vou tentar...) postar ainda essa semana. ~ Dúvidas? Críticas? Sugestões? Obrigada por acompanharem 50 Tons de Uchiha! Espero que todos estejam gostando de ler como eu estou, de escrever! *-* ~ Até!