Notas iniciais
Para começar, como sempre, eu gostaria de agradecer a todos os que comentaram. Obrigada, leitores! Vocês sempre me dão forças! :) Bem... Sabe quando você faz uma coisa, mas não consegue gostar do jeito que ficou?... Que você sente que pode melhorar, se se esforçar mais um pouquinho? Bem, esse capítulo foi bem assim. E esse foi o principal motivo de eu estar dois dias atrasada. Na realidade, eu planejava postar ontem mais cedo, mas passei um dia de cão, rodando meu bairro atrás de um posto de saúde que tirasse dois pontinhos da minha cara! -- Aparentemente, porque um médico não deu uma carta, eu vou ter que ficar com isso até eles ficarem com pena... ¬¬ Vou tentar resolver isso amanhã, mas... *Respira fundo* Me tomou muito tempo hoje. Tanto que eu acabei faltando na aula, para vocês terem noção. e.e Enfim. Eu to morta de cansaço, gente. Tudo o que tenho a dizer é que EU GOSTEI BASTANTE DO CAPÍTULO, NO FINAL! O Ontem tava uma droga, mas depois de organizar uma coisinha ali, adicionar outra coisinha aqui... Certo. Fiquei bem satisfeita! Espero que vocês também fiquem. :) Como sempre, eu me esforcei muito. To mooorta de cansaço, então já me desculpo por possíveis erros ortográficos ou de sentido, ou palavras repetidas... Sabem como é, né? e.e Bem, sem mais delongas... Boa leitura!

Capítulo 33 – Estranhamento.

Madara não sabia explicar o porquê de estar estacionando o carro naquele momento. Sequer sabia o porquê de estar ali, mas sentia que devia estar.

Havia acordado cedo àquela manhã, muito agitado para ficar revirando na cama; por ansiedade, comeu bem mais do que estava habituado durante seu desjejum e enquanto trabalhava em seu escritório ao lado do fiel secretário, de uma hora para a outra, sem nem ao menos pensar nisso, pediu que Zetsu emprestasse seu carro por uma ou duas horas.

Foi como se sua língua soltasse a pergunta sozinha.

Zetsu não o importunou com questionamentos diante o súbito pedido: simplesmente arqueou as sobrancelhas, refletiu por alguns instantes e quase instantaneamente deu-lhe o molho de chaves.

Foi como se o corpo de Madara agisse sozinho. Ele pegou as chaves e se apressou em sair de casa, sem sequer deixar-se refletir sobre as tantas possibilidades que poderiam se dar diante aquela decisão tão repentina e completamente sem sentido.

Por que ele estava tão perturbado?

Por que não conseguia parar de pensar nas insinuações do filho?!

Não existia a menor possibilidade de o convite de Kasumi servir como uma bandeira branca de paz... Tinha que ser provocação! Ela tinha que estar fazendo aquilo para irritá-lo, afrontá-lo. Especialmente se de fato fosse a filha perdida de Obito.

Já fazia um bom tempo desde a última vez em que Madara pegara num volante, mas ele não queria que ninguém o acompanhasse. O aparelho GPS era de fácil manuseio – graças aos céus! – e ele não precisou de muito para alcançar o hotel nem pequeno, nem grande, que daria cenário a cerimônia e a recepção de Itachi e Kasumi.

Ele não queria ser visto por ninguém.

O carro de Zetsu era discreto e modesto – simples demais para um homem como Madara Uchiha –, mas ao chegar à portaria foi simplesmente impossível fugir dos olhares atentos do rapaz responsável pela lista de convidados.

– Senhor Uchiha! – O homem exclamou assim que o reconheceu.

Madara sentiu uma incômoda pontada no estômago; hesitou, mas virou-se com uma expressão de falsa tranquilidade enquanto o observava se aproximar. – É o senhor Uchiha mesmo! – Ele sorriu satisfeito por ter certeza. – Madara Uchiha! O reconheci de algumas capas de revista.

Madara conteve a vontade de praguejar, limitando-se a sorrir de maneira mecânica como resposta.

– A cerimônia do seu neto fica por aquele lado, senhor. – Ele apontou para uma direção enquanto quase no mesmo instante rabiscava um nome na lista. – Creio que todos os convidados já estejam acomodados, mas a noiva deve se atrasar um pouco... O senhor prefere ser guiado? – Ele questionou ao notar que o patrono não movera nenhum músculo.

Madara pareceu hesitar muito.

– Na realidade eu... Gostaria que minha presença não fosse avisada. – Pediu num tom sério, mas diante a surpresa expressa nos olhos – agora arregalados – do desconhecido, decidiu sorrir. – Penso em fazer uma surpresa ao meu neto, na hora do brinde. Ele não sabe que pude vir.

Aquela não havia sido sua maior mentira, mas pareceu servir para convencê-lo.

– Oh, claro! Por favor, me acompanhe. – O jovem prendeu a caneta no bloco com a lista, foi até uma moça na recepção para entregá-lo e logo se pôs ao lado do todo poderoso Uchiha. – Temos um ótimo lugar. Acho que vai gostar muito, senhor.

Madara o seguiu imediatamente.

– O lugar que seu neto escolheu para a cerimônia tem um tipo de... Plataforma mais alta. Costuma servir para dar mais espaço aos convidados, mas como há poucos na lista do senhor Uchiha, a parte superior não foi preparada. Eu não acho que alguém o perceba se ficar lá.

– Parece perfeito. – Madara concordou enquanto subiam as escadas para o segundo andar.

– Nós temos uma estrutura bastante peculiar. Nosso hotel tem uma história para cada canto desta construção!...

“Só me leve até lá!”, o velho queria exclamar, mas se conteve. Definitivamente não estava disposto a ouvir histórias sobre “a bela construção”, mas aquele empregado não parecia notar – ou se importar com – isso. Tanto que prosseguiu o monólogo tranquilamente por longos minutos, como se aquela fosse uma das histórias mais fascinantes que um dia já pudera contar. Madara de graças quando ele parou em frente a uma porta no corredor do segundo andar.

– Isso. – Ele fez uma menção para a porta com a cabeça. – Serve como uma entrada para os garçons. – Explicou enquanto abria a porta. – Dá acesso à plataforma mais alta do salão, mas a festa do seu neto vai acontecer no maior, então não precisa se preocupar. A plataforma vai estar vazia.

E sem esperar adentrou ao lugar com Madara em seus calcanhares.

Eles passaram por uma espécie de cozinha, seguiram para outra porta e finalmente alcançaram o objetivo. De onde estava Madara podia ver tudo. Era como se estivesse em um tipo de sacada – embora fosse, na verdade, uma plataforma larga e ampla. O lugar estava vazio e escurecido. E vendo os poucos convidados do casal, era fácil imaginar o porquê daquilo.

– Aqui, senhor. Uma cadeira.

O funcionário se aproximou com uma cadeira de festa e ajeitou-a perto do mais velho. – Não é tão confortável quanto aquelas de baixo, mas...

– Serve, serve. – Madara puxou-a e se sentou rapidamente. – Obrigado, rapaz. Agora pode se retirar. Daqui para frente, eu posso me virar sozinho. – Ele garantiu. E embora o mais jovem demonstrasse pura surpresa por sua súbita mudança de humor – de um homem sorridente e tranquilo para um mandão que ansiava pela solidão –, retirou-se sem mais.

Mesmo lá de cima, Madara se sentia tenso.

Ele podia ver seu neto mais jovem ajeitando a gravata enquanto aguardava os noivos sem muitas preocupações; pôde ver seu filho mais velho ereto, com as mãos enlaçadas atrás das costas e um olhar que, embora esbanjasse tranquilidade, para ele era de clara ansiedade... E pôde ver os convidados.

Eles eram muito poucos – setenta no máximo! –, o que o surpreendeu. Afinal, Itachi sempre fora bastante popular em qualquer sociedade que frequentasse: na escola ou na universidade, no trabalho ou nas ruas... Ele tinha poucos amigos, Madara sabia, mas bastante conhecidos.

Kasumi claramente não era tão popular. Na verdade, parecia ser até um tanto odiada pela alta sociedade japonesa, uma vez que investidores e políticos definitivamente não gostavam de jornalistas metendo o bedelho onde não eram chamadas. Mesmo assim, era bastante carismática e muito extrovertida. Embora fosse uma pessoa difícil de lidar – e disso ele sabia por experiência própria –, ouvira dizer que era alguém fácil de conversar.

Ele estava entretido em seus pensamentos quando uma musica lenta soou para tomar sua atenção. Itachi e Mikoto surgiram ao fim do tapete vermelho... E Madara sentiu um aperto forte e emocionado no peito.

Assim como Fugaku, Itachi subiu com a mãe ao altar.

E ele não soube o quanto aquilo lhe era importante até vê-los juntos.

Foi impossível não se lembrar de Kaede, ou desejar que ela ainda estivesse ali... Não que ela fosse estar ali, caso ainda estivesse viva. Diferente dele, a falecida esposa não daria o braço a torcer em hipótese alguma. Ela não “se moveria sozinha”, nem agiria impulsivamente, como Madara fizera mais cedo.

Kaede não dava o braço a torcer nem pelos filhos, quem diria pelos netos!

Mas ainda assim ele pensou. Ainda assim desejou.

Madara havia se sentido realmente feliz. Apesar dos desentendimentos com a nora, estava satisfeito por vê-la ali, ao lado do filho, de braços dados com o seu primogênito. Mesmo que ele estivesse prestes a fazer a maior idiotice de sua vida – e Madara francamente acreditava que Itachi estava –, nenhum filho deveria subir ao altar sem sua mãe.

Assim como nenhuma filha devia subir ao altar sem seu pai...

Só o pensamento fê-lo sentir-se pesado. Pesado, cansado e arrependido...

E o fez concluir que definitivamente, com convite ou não, por provocação ou não, ele não devia ter ido àquele lugar. Balançou a cabeça como se censurasse a si mesmo; alisou a nuca de forma exasperada, mas não moveu um músculo para se levantar. Ao invés disso, tornou os olhos negros ao altar.

Cinco minutos haviam se passado, e Itachi continuava parado.

Quinze, e todos continuavam assim.

Vinte minutos, e os comentários começaram a soar.

Itachi estava impaciente e Sasuke parecia tentar tranquilizá-lo a todo o custo. Vez ou outra Mikoto e Fugaku trocavam olhares sugestivos e reflexivos, e Madara notou que eles pareciam conversar durante os atos. Eles estavam preocupados, talvez até ansiosos, mas não se atreveram a trocar palavras com o filho mais velho.

Madara não costumava se sentir otimista. De fato, era extremamente realista e até chegava a pender para o pessimismo. Mas aqueles trinta minutos e alguma coisa que se deram do atraso da noiva haviam sido os mais esperançosos de toda sua vida.

Talvez ela tivesse desistido, afinal.

Talvez tivesse percebido a tempo o tamanho da sandice que os dois cometiam com aquele casamento tão abrupto!... Talvez estivesse cansada de agir por impulso, apenas para provocação alheia.

Talvez fosse mais madura que o pai.

Mas todas as suas esperanças caíram em meio ao vão quando a música das damas de honra começou a soar, dando continuidade à atrasada cerimônia.

Ele soube que tudo estava acabado...

E que, de um jeito ou de outro, Kasumi se uniria à Uchiha.

Com a mente ligeiramente perdida, Madara observou debilmente as três moças de vermelho caminhar pelo tapete não muito longo. A primeira a surgir foi Temari Nara, que ele só conhecia de vista de alguns eventos sociais.

A segunda, Hinata. Sua bela, doce e adorada neta. Seu amado bibelô, a única que poderia fazê-lo sorrir diante de sua delicada beleza, mesmo em uma situação tensa como aquela.

E Sakura, que parecia simplesmente querer explodir de felicidade.

Madara notou que tal como o filho e a nora, Sasuke e a namorada haviam trocado olhares profundos, vez ou outra divertidos e estranhamente comunicativos, coisa que lhe chamou muito a atenção.

Sasuke parecia tão satisfeito!... Tão feliz! E Madara quis rir ao perceber isso.

Dentre os seus quatro netos, Sasuke sempre havia sido o mais desgarrado. Com exceção de Itachi, Madara não conseguia se lembrar de alguém com quem Sasuke realmente tivesse se afeiçoado durante sua infância.

Em certas situações, dos quatro era o mais fácil a se lidar, mas em outras...

Ele tinha orgulho de seu nome e orgulho de ser quem era, mesmo que isso significasse ter que agir de forma prepotente algumas vezes. Fazia carrancas diante de suas falhas e tinha postura assumidamente egoísta. Portanto, vê-lo encantado por uma moça tão simples era quase cômico.

A atenção sobre o casal, no entanto, não durou mais do que uns poucos instantes, pois assim que a moça de cabelos róseos alcançou o seu lugar no altar – ao lado das outras duas damas de honra – a marcha nupcial começou a soar.

Foi como se uma força da natureza puxasse seus olhos até o outro lado do tapete... E demorou mais que um segundo até que ele pudesse absorver de fato a cena à sua frente: Obito, Kasumi e Rin de braços dados enquanto seguiam para o altar.

Madara sentiu como se bombas tivessem explodido bem debaixo de seus pés.

Ele não pôde se mover. Não pôde pensar... Quase se sentiu sufocar!

Seu coração bombeou tão forte que o homem chegou a cogitar estar enfartando, mas nem a possibilidade conseguiu distrair seus pensamentos. Seus olhos estavam petrificados... Fixos à imagem daqueles três juntos.

Madara sabia que Kasumi era uma mulher bonita, mas agora era parecia tão linda quanto Hinata era aos seus olhos. Ele francamente não acreditava que o vestido ou os cabelos ajeitados tivessem alguma relação com aquele fato.

Ela estava linda porque estava feliz, radiante. E se estava feliz, era porque aqueles dois estavam ao seu lado.

Ela se parecia muito com Obito.

Madara já havia notado que seus olhos castanhos possuíam o mesmo formato que os do filho problemático. Mas ali de longe ele pôde perceber que mais do que os olhos, a garota possuía traços firmes e memoráveis claramente herdados da família do pai.

Graças ao andar lento e vacilante de Rin os três demoraram mais do que o necessário para alcançar o altar, mas ninguém pareceu se importar com isso. Todos pareciam surpresos, estáticos.

A senhora Uchiha havia empalidecido muito e quase desfaleceu. Sentiu suas pernas bambas e sua mente zuniu insuportavelmente. Suas mãos tremerem, e ela apertou o antebraço do esposo. – Controle-se. – Ele sussurrou discretamente ao pé do ouvido dela.

Mas aquilo era impossível.

Atônita, Mikoto não conseguiu desviar os olhos da frágil mulher cuja vida havia destruído. Cada passo vacilante de Rin fazia com que sua garganta fechasse e cada sorriso de Kasumi a fazia sentir pontadas no estômago, uma mais incômoda do que a outra.

Juntos eles realmente pareciam uma família... Uma família feliz!

Mikoto não pôde deixar de pensar que talvez tivessem sido, caso ela guardasse para si a gravidez da cunhada e consequentemente evitasse todas aquelas desgraças...

Ela se lembrou de Rin, a jovem inocente Rin Nohara vinte e tantos anos atrás. A doce mulher que a havia recebido tão bem naquele pequeno apartamento alugado numa área pobre, embora respeitável... A gentil garota que lhe aceitara de braços abertos, ainda diante a ameaça que Mikoto podia significar.

Lembrou-se dos sorrisos e das confissões.

Lembrou-se dos sorrisos e das confissões, de seus planos e desejos... Dos sonhos de mãe que ele nunca teve – e até onde Mikoto sabia, nem teria – a oportunidade de realizar.

Lembrou-se do pequeno bebê que levara ao orfanato, ao lado das matronas Uchiha e Nohara, naquela tarde ligeiramente chuvosa... Pensou nos dedinhos que haviam segurado os seus tão firmemente; nos grandes olhos castanhos que haviam fitado o seu rosto cheios de curiosidade...

Sentiu seu coração parar de bater quando os olhos de Rin focaram seu rosto. Ela sorriu levemente, mas em seus olhos, por trás das lágrimas emocionadas, foi impossível não identificar as mágoas guardadas.

Inevitavelmente, Mikoto sentiu as lágrimas rolarem por seu rosto.

A dor e o arrependimento trucidaram seu peito. Lentamente, cruelmente... E ela pensou que aquela agonia poderia matá-la.

Ela precisava pedir desculpas... Precisava ir até eles, ajoelhar-se e implorar por perdão, ainda que tivesse completa ciência de que em papéis invertidos jamais a perdoaria.

Ainda assim ela precisava dizer... Precisava falar, desabafar.

Mas tudo o que pôde fazer foi manter-se parada, pálida como um fantasma, olhando na direção dos três como se ela fosse a vítima da história, quando na verdade era a grande traidora.

Obito não olhou para ela, nem para o irmão. Limitou-se a entregar Kasumi à Itachi assim como mandavam as tradições. Beijou-lhe a testa demoradamente, parecendo querer prolongar aquele momento para sempre... E recuou lentamente, hesitante.

Desejava continuar ao lado dela, mas decidiu que o mais correto e sensato a se fazer, apesar de tudo, seria guiar a frágil e emocionada esposa até a primeira fileira de cadeiras e sentar-se ao lado dela.

Por agora aquilo era o suficiente.

Mikoto se surpreendeu imensamente por vê-los se afastar, mas nada foi maior do que o alívio profundo que se espalhou por todo o seu ser, como se ela tivesse tido sucesso em uma fuga desesperadora.

E ela percebeu que devia ser a mais covarde das mulheres.

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A cerimônia se passou tranquilamente e sem surpresas adicionais.

O cerimonialista foi curto, claro e objetivo. Os votos trocados pelos noivos soaram românticos, íntimos e carinhosos, mas ninguém parecia disposto a delongas e quando Sasuke entregou as alianças para o irmão, mal haviam se passado dez minutos.

Uma cerimônia rápida e bonita, que não poderia ter sido mais perfeita para uma noiva que até então nunca havia sonhado em se casar.

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A cerimônia foi tão curta quanto a festa prometia ser longa.

Embora a recepção propriamente dita, onde Itachi e Kasumi – com a ajuda de Sasuke e Fugaku – conversaram e cumprimentaram um seleto grupo de convidados que só estavam lá por serem importantes não tivesse durado mais do que três horas, todos pareciam muito dispostos a continuar.

Naturalmente, a banda escolhida pelo casal para dar som à comemoração fora a Time Oito. Kiba estava no centro do palco àquela noite e, consequentemente, também era o centro da atenção feminina.

O publico teen do casamento era bem escasso, mas não precisava ser uma garotinha de quinze anos para se interessar por um cara bonito, com voz de veludo, cantando músicas românticas vestindo social.

– Você vai sair daqui com uma dúzia de rivais, Hinata.

Sakura comentou quando as duas se viram sozinhas na mesma mesa.

Hinata escondeu com o copo um sorrisinho, mas deu de ombros. Se não tinha se importado com as admiradoras de Kiba nem durante o relacionamento, quem diria agora!

– Ele sabe se comportar. – Decidiu comentar. – Há profissionalismo, mesmo em bandinhas teen.

Quase ninguém sabia sobre o rompimento com Kiba. Eles continuavam amigos, frequentavam os mesmos lugares, saiam e trabalhavam juntos. Na realidade, com exceção dos beijos e das vantagens adquiridas pelo relacionamento, nada havia mudado realmente no relacionamento dos dois.

O que claramente criava abertura para comentários como os de Sakura.

Francamente, Hinata não se importava. De fato, até era engraçada a sensação de estar escondendo algo. Afinal, como uma figura pública, Hinata dificilmente conseguia manter privacidade em qualquer coisa que decidisse fazer.

– Ele não vai te tirar para dançar? – Sakura voltou sua atenção à morena, sorrindo. Seus olhos pareciam ligeiramente preocupados, e Hinata imaginou que aquilo se desse ao fato de que ela desejava ser tirada para dançar pelo namorado.

– Quem sabe... – A Hyuuga mordiscou um dos petiscos sobre a mesa. – Foi um belo casamento, não acha? – Pensou ser melhor mudar de assunto.

Hinata não era uma boa mentirosa, afinal de contas. Quase nunca tinha sucesso em mentir ou omitir qualquer coisa e, por um motivo bem óbvio, que tinha cabelos loiros e olhos azulados, não queria que Sakura soubesse sobre sua situação.

– Foi adorável. – Sakura suspirou sonhadora. – Eu não costumo ir a casamentos, mas acho que estou ficando mole. Quase chorei ao vê-los entrar... Foi emocionante, não é? Enfim eles parecem estar se tornando uma família.

Hinata sorriu.

– Tio Obito costuma ser muito sozinho... Eu estou feliz por ele ter encontrado uma esposa. E ainda mais feliz por ele parecer tão próximo de Itachi... Fiquei um pouco surpresa, admito. Eu soube que ele ajudou Kasumi com os problemas no Diário de Konoha, mas não sabia que tinham ficado tão próximos.

Sakura não precisou ser muito inteligente para concluir que Hinata não devia saber nem metade da história por trás daquilo... E sentiu-se extremamente constrangida ao perceber que ela, que era uma completa estranha para a família Uchiha, sabia tão mais do que ela, que tinha o sangue de Madara correndo em suas veias.

A rosada se ajeitou na cadeira, claramente desconfortável. Bebeu um gole gordo do coquetel vermelho à sua frente e sorriu de um jeito envergonhado à outra, que claramente não havia notado seu embaraço.

– Eu adoro quando vocês tocam musicas lentas!

Ela tentou mudar de assunto.

– Não gosto muito de musicas agitadas. – E sorriu à morena, que lhe retribuiu prontamente. – Quando você cantou Blue Moon durante o primeiro show... – Ela suspirou. – Foi lindo. Fiquei sem ar.

Hina abafou uma risadinha.

– Não me leve a mal. – Ela corou um pouco. – Você tem uma linda voz... Mas para mim tudo fica mais evidenciado quando o som é suave... Não você brilhe quando começa a pular no palco...

– Tudo bem, Sakura-san. – Hinata a interrompeu, rindo. – Eu entendi o que quis dizer. Não faria nenhum sentido me sentir ofendida por você preferir músicas calmas, faria? – Sak deu os ombros e ajeitou as madeixas róseas. – Particularmente eu prefiro ficar “pulando no palco”... – Ela estreitou os olhos de maneira divertida ao repetir aquilo. – Mas como ouvinte eu também prefiro as mais calmas.

Sakura assentiu.

– Bom... Faz um tempo desde a última vez em que nos falamos. Como vão as coisas com... – Mas a própria Hinata se interrompeu ao ver o objeto de sua frase se aproximar. Ela sorriu ao primo, que lhe cumprimentou com uma piscadela animada antes de puxar namorada pelos pulsos.

– Eu quero te apresentar uma pessoa importante. – Sasuke explicou mesmo antes que Sakura pudesse questioná-lo.

– Mas sua prima...

– Eu estou bem. – A Hyuuga garantiu, dando de ombros. – Logo, logo os pés dos meus pais vão cansar e eu vou estar rodeada com a boa companhia familiar.

Sakura lhe lançou um olhar penoso.

– Não, ela não está brincando. – O namorado a explicou, divertido com a expressão da amada. – Realmente acha boa a companhia familiar.

– E você fala como se não achasse... – Hinata murmurou, cruzando os braços com uma expressão de falsa chateação.

– Até mais, Hinata. – E sem esperar resposta da prima ou despedida da namorada, saiu arrastando Sakura pelo salão.

Hinata suspirou longamente; puxou o coquetel de Sakura e bebericou discretamente, quase hesitante. – Eu pensei que você fosse maior de idade.

Ela quase pulou quando a voz de Sai surgiu às suas costas. O colega lhe sorriu antes de sentar-se ao seu lado.

– Sai! Você me assustou!

Ele deu de ombros.

– Eu sei... Ei, não precisa por o coquetel na mesa. Você é maior de idade, não? Pode beber sem estar escondida. – O rosto dela enrubesceu ligeiramente.

– Ela não lida muito bem com álcool.

Foi Naruto quem respondeu.

Ele havia começado a se aproximar no mesmo instante em que vira Sakura e Sasuke se afastar, e teve que se controlar muito ao ver o coleguinha de banda alcançar a mesa antes dele.

Sem cerimônias, o Uzumaki arrastou uma das quatro cadeiras que rodeavam a mesa para mais perto da Hyuuga e sentou-se nela. Sem permissão, puxou a taça de vidro recém-bebericada das mãos dela e roubou um gole modesto.

Ele fez uma careta de reflexão, anuiu lentamente e tornou a pôr nas mãos da morena. – É fraco. Pode ir com fé. Nem você deve ficar alta com isso.

Ela lhe estreitou os olhos, mas sorriu com satisfação.

– É mesmo, Sai. – Bebendo da taça, virou-se para o colega. – Não era ele quem você queria conhecer?... – Sai sorriu de um jeito estranho, e Naruto conteve a vontade de franzir o cenho. – Sai, esse é Naruto Uzumaki. – Hinata apontou a cabeça na direção do loiro. – Cuida da empresa da família e é um dos meus melhores amigos de infância. Minhas indicações são: não fique perto dele quando um dos dois estiver bêbado, nem entre em apostas contra. Ele é muito competitivo e costuma ganhar usando a força.

Sai riu; chamou um dos garçons com um gesto e puxou dois copos com bebida da bandeja servida. – Pois farei tudo isso agora, Hinata. Então, Uzumaki? – Ele lhe lançou um dos copos. – Uma competição de tequila no bar do restaurante do hotel. Duzentos dólares, o que acha disso?

Naruto aceitou a bebida, mas fez uma menção negativa à proposta.

– Embora seja uma proposta tentadora, vou ter que recusar. Mal tenho ienes no bolso, quem dirá dólares. – Ele deu os ombros. – E seria muito deselegante sair da festa de um amigo de infância para ir para um bar competir... – Se virou para Hinata com um sorriso. – Ouviu isso? Eu disse “deselegante”.

Hinata revirou os olhos e voltou a beber.

– Mas ia ser mesmo. – Ele voltou sua atenção a Sai. – Meus pais estão aqui. Minha mãe me espancaria em pleno bar. – Hinata quase cuspiu a bebida só de imaginar a cena. – Além disso, alguém precisa cuidar da nossa querida garotinha. – Ele pousou o braço nas costas da cadeira da morena, sorrindo-lhe provocantemente. – Já que o cachorrinho não quer cuidar.

– Eu pensei que não tivessem nada... – Sai observou, realmente confuso com a proximidade do casal.

– Não temos. – Hinata resmungou mal humorada.

Naruto deu os ombros, afastou as mãos e estreitou os lábios.

– É... Acho que não temos.

Era tudo o que o outro precisava ouvir.

– Então acho que podemos continuar com o assunto... – Lançou à Naruto um sorriso claramente sugestivo, que o loiro não entenderia nem em um milhão de anos. – Soube que está à solta, Uzumaki.

Naruto deu os ombros mais uma vez, erguendo o copo. – Já que ninguém me quer. – E tomou um gole. O sorriso de Sai se alargou.

– Não posso nem pensar nessa possibilidade. – O tecladista afirmou. – Me parece um cara interessante... Suas ações trazem muita visibilidade.

– Oh... É mesmo? – O loiro coçou a nuca, um pouco confuso. – Quem bom, né?

Hinata escondeu um sorriso.

– Quais são os seus interesses, hum?

Ele pareceu confuso.

– Interesses?

– Sim. Você topa só com mulheres, ou já tentou sair com alguns homens?

Por um segundo, ele não pôde compreender. No outro, sentiu seu rosto queimar gradativamente... Ele sentiu seu estômago congelar e respirou fundo para não beliscar Hinata, que claramente se divertia com sua situação.

Ela devia estar inteirada do assunto desde o começo, a traidora!

Naruto pigarreou, tentando sem muito sucesso não transparecer seu desconserto.

– Mulheres, cara. – Ele sorriu como se pedisse desculpas. – Na verdade, gosto muito de mulheres. – E riu, sem graça.

– Tudo bem. – Sai fez um gesto banal e despreocupado. – Mas isso quer dizer que você nunca tentou nada com outros caras, não é? – Ele parecia animado com as possibilidades. – Acho que se nunca tentou, nunca vai poder saber realmente... Ao menos foi assim comigo. – Ele deu os ombros. – Não sente nenhuma curiosidade pelo novo?

Naruto não conseguiu evitar um sorriso.

– Até sinto. Fiz muitas coisas novas na minha vida... Embora homens não estivessem envolvidos em nenhuma delas. – Sai riu no mesmo instante em que Hinata fechou a cara. – Mas acho que eu estou tentando ficar na linha, sabe? – Ele apoiou os cotovelos na mesa redonda. – Talvez você esteja certo: eu nunca vou poder saber realmente se nunca tentar. Mas... – Ele deu os ombros. – Bem. Já existe alguém, entende? Minha menina dos olhos.

Sai não precisou se esforçar muito para entender a postura corporal de Hinata, muito menos o sorriso de Naruto, que era um misto de divertimento, provocação e sinceridade.

– Quando eu faço coisas novas, ela costuma ficar magoada...

Os olhos perolados da mocinha caíram à mesa, reflexivos.

– E embora ela pareça muito disposta a me magoar ultimamente... Eu já decidi me concentrar em outro tipo de “novo”, entende?

Sai sorriu. Não pôde evitar sorrir.

– Perfeitamente... Espero que consiga o que quer, então.

Hinata suspirou longamente.

– Com licença. – Levantou-se sem esperar resposta, deixou os copos de lado, pegou a bolsa carteira e seguiu na direção do banheiro.

Ambos souberam que ela não voltaria.

– Sinto muito.

Naruto deu os ombros.

– Eu estou acostumado às esquivas dela... – Os olhos azuis que antes a seguiam tornaram a atenção ao rapaz. – Sei que uma hora ou outra ela vai parar. – Sorriu. – Não vai resistir ao meu charme por muito tempo.

Sai riu; apoiou a cabeça na palma da mão e observou o empresário.

– Você tem charme. – Ele afirmou e, diante o constrangimento causado, prosseguiu com um assunto novo: — Bem que eu estranhei a reação dela quando perguntei se podia nos apresentar... Ela também gosta de você, não é?

– “Ela me ama”... É o que eu gostaria de dizer. – Ele suspirou. – É claro que ela gosta de mim. – Deu de ombros. – Fui o primeiro amor, ou qualquer coisa do tipo... Mas agora quase não nos vimos. Quando começou a sair com Kiba, estava decida a superar, sabe?... Talvez esteja conseguindo.

Sai bufou.

– Só se for sozinha. Eles já terminaram... – Naruto estreitou os olhos e lhe lançou um olhar de estranheza. – O que? Você não sabia?

– Dá pra saber?! – O Uzumaki soou irritadiço. – Ela fica toda hora com vocês!

Sai gargalhou diante o tom acusador.

– Pare de rir! Me conte isso direito!

– Eu não sei “te contar direito”. Só sei que, de uma hora para a outra, eles terminaram. Já faz algum tempo... Umas semanas. Não rola nenhum constrangimento, nem nos ensaios, então acho que foi um rompimento tranquilo... Talvez eu nem tivesse percebido se eles não tivessem nos contado.

Naruto levantou subitamente, irritado demais para se despedir. E se afastou da mesa resmungando enquanto seguia o mesmo caminho traçado por Hinata minutos antes. Sai ergueu a taça em sua direção.

– Boa sorte.

~

A “pessoa importante” a quem Sakura foi apresentada, na verdade, era uma dúzia de pessoas diferentes. Sócios, amigos, meros conhecidos e, claro, a família. Ela estava tão nervosa por ser apresentada como “a namorada” ao invés de uma amiga que devia estar se comportado feito uma grande estúpida na frente dos pais de Sasuke.

– Quer dizer que você é uma das residentes da Tsunade?... Me espanta ter tempo para sair. Eu a conheço bem, sei que a mulher pode ser terrível... – Fugaku estava se esforçando para ser gentil. – Quando entrou para o curso de enfermaria, minha irmã frequentava muito a casa dela. Como irmão mais velho, acabei sendo abusado.

Sasuke sorriu e Sakura riu de forma constrangida.

Por que era tão difícil lidar com os pais de Sasuke?!... Ela não costumava ficar nervosa desse jeito, quando estava com os tios dele.

– Ela empurrou tanta teoria para Suzuki que às vezes minha irmã balbuciava enquanto dormia. Lembra-se, Mikoto? Aquilo nos rendeu boas piadas por meses.

Mas Mikoto estava ocupada demais enquanto olhava discretamente uma mesa distante em que Obito e Rin haviam sido acomodados, onde Kasumi se aproximava periodicamente para oferecer algo ou simplesmente conversar...

Como naquele momento.

Eles estavam sentados juntos há uns bons quinze minutos, mas não pareciam tratar de nada sério. Kasumi e Rin riam e sorriam uma para a outra, e embora a noiva claramente tentasse animar o pai, Obito parecia... Distante. Um pouco abatido, talvez.

Mikoto se perguntou se aquilo se dava ao casamento que lhe tiraria para sempre a filha que nunca pôde ter, ou simplesmente era o resultado do cansaço e stress de um dia longo e cheio de emoções.

– Querida?

– Sim? – Ela se virou abruptamente, constrangida. – Desculpe, eu não...

– Você está bem, mamãe? – Sasuke arrastou a cadeira para mais perto. – Parece um pouco pálida... Já está ficando tarde, talvez queira ir.

Ele parecia realmente preocupado, e aquilo fê-la sorrir.

– Eu estou bem, querido. – Ela garantiu, dando um tapinha nas costas das mãos do filho. – É você quem não parece bem. – Fez uma careta. – Por que está aqui parado, falando bobagens com seu pai quando devia estar tirando sua namorada para dançar? A pobrezinha vai ficar entediada.

Sakura enrubesceu.

– De maneira nenhuma! – Se apressou em esclarecer. – Eu estou bem...

Diferente do marido, Mikoto não parecia nada disposta a dar atenção a namorada do filho. Na realidade, não se sentia capaz de dar atenção à absolutamente nada, uma vez que todos os seus pensamentos e sentimentos estavam voltados à mesa tão distante da sua.

Sasuke pareceu compreender as vontades da mãe, e embora se sentisse ligeiramente negligenciado diante a falta de consideração da mulher, concordou em se afastar. – Vamos, Sakura.

Embora tivesse se esforçado, não conseguiu evitar o tom de ressentimento na voz... O que fez Sakura hesitar.

– Por favor, senhorita Haruno. Não se preocupe. – Fugaku lhe lançou um sorriso sincero. – Minha esposa está certa. Vocês são jovens, devem se divertir.

Mas a esposa em questão já havia voltado sua atenção ao que a interessava.

Kasumi e Obito pareciam estar em uma conversa tranquila, mas pela expressão chateada da nora, Mikoto cogitou ser um assunto sério. Quando pareceu perceber os olhos tristes da filha, Obito puxara suas mãos gentilmente, beijou seus dedos e disse alguma coisa antes de se levantar, sendo instantaneamente imitado pela mais jovem.

Eles se abraçaram longamente, e continuaram ali por instantes longos... Até se afastarem. Rin e a filha trocaram um abraço ainda mais longo, e Mikoto notou a noiva se encolher nos braços da cadeirante.

Obito parecia muito satisfeito com aquilo.

Ele ajudou a filha a se erguer novamente, beijou-lhe a testa tal qual fizera durante a cerimônia e depois de uma piscadela afastou-se com a esposa.

– Eu volto logo. – Mikoto falou apressada e quase sem pensar, levantou-se.

Sasuke fez uma cara de desagrado ao diante as reações da mãe e Sakura se sentiu constrangida por perceber que o descontentamento do namorado dava-se graças a falta de atenção sobre ela.

– Vamos, Sakura.

Ele murmurou com uma falsa voz tranquila, puxando-a pela mão.

O casal seguiu de mãos dadas até próximo ao palco e depois de ter sua cintura envolta, se apoiar nos ombros do namorado e aproxima os corpos ligeiramente, o casal bailou ao som de Kiba e Shino.

Sasuke prosseguiu silencioso e taciturno por um bom tempo. Ele parecia irritado e magoado, e especialmente por saber que era uma das causas, aquilo a incomodou profundamente.

– Eu me comportei feito uma idiota... – Ela murmurou de repente, torcendo para que ganhar sua atenção.

– Você não se comportou feito uma idiota. – Ele garantiu, voltando sua atenção aos olhos verdes com um sorriso tranquilo e sincero.

– Eles devem ter pensado que você namora uma boneca inflável, porque eu me portei como se não tivesse cérebro. – Ela insistiu. – Por que não me contou antes?! Eu teria preparado psicologicamente!...

– Bem, é o casamento do meu irmão. – O sorriso dele se tornou divertido. – Não é natural que meus pais estejam presentes? – Ela fez uma careta, embora concordasse. – E, logo... Se meus pais estão aqui, me vendo com uma garota que não conhecem... De um jeito ou de outro, não concluiriam que você é minha garota?

De fato.

– Você ainda podia ter me avisado. “Pais” é um assunto em que eu costumo pensar muito...

Por um minuto Sasuke se perguntou se aquilo se dava a traumas de namoros anteriores... Mas ele tratou de afastar os pensamentos rapidamente. Definitivamente não estava disposto a se sentir enciumado!

– Sakura, você se comportou bem. Quase não falou nada, então não tinha como parecer idiota. – Ela fez uma careta, e Sasuke suspirou. – Eles já sabiam que eu estou saindo com uma garota... Não fique envergonhada. Eles não deviam estar esperando que você agisse como um poço de confiança.

– Bem que eu gostaria de ser um...

Ele tornou a sorrir; puxou-a pela cintura discretamente e roçou o nariz na orelha dela. – Esqueça isso... – Pediu com a voz suave. – Escuta... Nós dois já cumprimentamos quem deveríamos cumprimentar... Vamos relaxar...

E gradativamente ele sentiu-a relaxar em seus braços.

– O que acha daquele quarto, hein? – Sua voz era um sussurro sedutor.

– Meus pés estão me matando... – Ela murmurou. – Mas talvez devêssemos ficar um pouco mais... Seu irmão pode precisar de ajuda... – Sasuke fez uma careta. Ergueu o rosto para olhá-la nos olhos e roubou um beijo ao notar sincera preocupação expressa nos orbes verdes.

– É pra isso que eles contrataram tanta gente, querida. – Os olhos dele pareciam divertido por afirmar o óbvio. – Podemos ir para o nosso refúgio... – E roubou outro beijo. – Eu duvido que notem nossa ausência.

Sakura suspirou.

– Eu não duvido. Ino está aqui.

Sasuke sorriu.

– Sua amiga é a minha santa particular, lembra? Ela vai acabar camuflando nossa fuga. – Sakura riu com a possibilidade. – Vamos... – Ele tornou a insistir com a voz ainda mais baixa, trilhando beijos suaves pelo rosto macio da mocinha, que acabou por concordar.

~

Hinata fez uma careta para os seus sapatos enquanto seguia pela garagem subterrânea do hotel. Ela tentou ser rápida para alcançar o seu duas portas simples e prateado ao mesmo tempo em que vasculhava a bolsa carteira preta em busca de suas chaves.

Apressou-se para abrir a porta do motorista; sentou-se no banco e soltou um gemido de prazer ao livrar-se dos saltos.

Ela ouviu o clique da outra porta se abrindo ao seu lado, e ergueu os olhos a tempo de ver Naruto adentrar ao automóvel sem aviso prévio. Tão repentino que ela nem conseguiu pensar no que dizer.

– Faz bem a sua cara sair assim de uma festa que só está começando. Especialmente depois de sair da mesa daquele jeito. – Ele cruzou os braços. Como parecia preferia olhar para a janela ao invés dela, Hinata imaginou que estivesse irritado. – É muito espertinha, mas nós temos que conversar.

Ele virou o rosto parcialmente, encarando-a com tanta seriedade que Hinata sentiu seu estômago contrair de maneira incômoda. Por que todas as expressões dele tinham que causar alguma reação nela?!

Com o rosto queimando e os olhos estreitos, a Hyuuga encarou o painel do carro, fingindo ajeitar alguma coisa.

– Não precisamos conversar... – Mesmo para ela sua voz parecia soar como a de uma criança medrosa, o que só serviu para deixá-la ainda mais constrangida.

– Precisamos sim. – Ele afirmou, cruzando os braços. – Solteirona.

No começo ela não soube o que pensar. Então ergueu os olhos lentamente na direção dos dele, que sorria com profunda irritação. – Por mais quanto tempo achou que podia me esconder isso?

Os dentes dele estavam trincados.

– Não vejo como isso pode ser assunto seu.

Hinata tentou contornar, esforçando-se para manter uma postura indiferente, mas falhando miseravelmente. Exasperada, jogou os saltos no banco traseiro. – Agora saia do meu carro.

– E desde quando precisa ser assunto meu? Nós somos amigos, não? Foi você mesma quem disse, lá em cima... Uma amiga não conta ao outro que ficou solteira? – Ele tentou insistir. Hinata suspirou longamente. – Para os seus amiguinhos da banda você contou. – Ele murmurou em tom acusativo.

– Eles não dão em cima de mim descaradamente. – Ela esclareceu. – Saia.

– Estou curioso. Por que começou a pensar assim? O fato de eu querer te jogar no banco de trás do carro neste momento me faz menos amigo seu? – O rosto dela enrubesceu. Hinata o encarou com incômodo, mas Naruto não pareceu se importar. – Eu não fiz isso com você quando a situação era inversa.

Ela suspirou longamente.

– Por que você fingia não ser.

Colocou os cintos, começando a ficar nervosa.

– Saia do carro.

– Você não vai dirigir depois de beber... – Ela bufou.

– Naruto, saia já...

– Obito!

A voz de Mikoto ecoou pela garagem, alta e esganiçada. – Obito, espere!

Mesmo que fosse algo idiota a se fazer – especialmente porque os vidros do carro de Hinata eram escuros – os exclamares de Mikoto fizeram com que os dois se abaixassem, escondendo-se atrás do painel do carro como se tivessem dez anos de idade.

Eles viram a mãe de Sasuke correr desajeitada com o longo vestido e os saltos altos demais, desesperada para alcançar o cunhado carrancudo – que a cada exclamar, parecia apressar o passo – que arrastava a própria esposa pela cadeira.

– Rin!

Mikoto decidiu optar.

– Rin! Por favor!... Rin!

De lá, eles não conseguiam ouvir o que a esposa de Obito dizia ao marido, mas perceberam que vez ou outra, a morena lançava um olhar penoso e preocupado em direção à senhora Uchiha.

– Por favor!... Eu preciso falar! – Mikoto gritou e Obito enfim explodiu.

– Que droga você pode querer conosco?! – Ele perguntou aos berros, assustando aos demais. – Escute Mikoto: eu ignorei sua existência naquele salão... A sua e a daquele homem – que eu me recuso a chamar de irmão – em respeito aos nossos filhos. Mas não vou me segurar aqui!

Naruto e Hinata trocaram olhares abismados.

Por que toda aquela tensão?!

– Rin... – Mikoto sequer olhava na direção do cunhado. – Rin, por favor... Eu preciso falar...

Rin estreitou os olhos de maneira tristonha, mas não pôde respondê-la.

– Não tem nada para falar com a minha esposa. – Obito decidiu friamente, furioso com a situação. – Não basta todo o mal que permitiram fazer conosco?!... Todos vocês foram cúmplices do meu pai! Coniventes com a nossa desgraça!

– Por favor, Rin... – Mikoto caiu de joelhos e baixou a cabeça, chorando pesadamente. – Eu sei que não mereço... Sei que não quer me ouvir, mas... Eu preciso falar...

Ser ignorado piorou ainda mais o humor de Obito.

Grosseiro, Obito se aproximou. Puxou a cunhada com força e brutalidade, apertando seu abraço com força desnecessária. – Pare com isso. – Ele murmurou friamente. – Pare de se fazer de vítima. Vá lá para cima. – Ele apontou com a cabeça na direção das escadas. – Fique na maldita festa e aja como a anfitriã que seria, caso não tivesse humilhado a minha filha... Como se ela precisasse do seu filho para alguma coisa!

Mikoto estreitou os lábios trêmulos, mas não quis desistir.

Agora que estava lá, iria até o fim!

– Rin! – Ela tentou se esquivar do aperto do cunhado, e aquilo só serviu para que ele forçasse mais o aperto, fazendo-a soltar um gemido de dor.

– Droga! – Hinata se apressou em tirar o cinto, extremamente preocupada com a cena e disposta a acabar com aquele circo antes que algum segurança os flagrasse.

– Eu vou até lá. – Naruto decidiu, já abrindo a porta.

– Tia Mikoto! – Os dois exclamaram ao mesmo tempo, e o olhar dos três seguiu em sua direção. Hinata forçou um sorriso, mas Naruto estava sério.

– Tia Mikoto!... Eu estava mesmo te procurando para ir embora. Bebi um pouco, ia pedir que dirigisse.

Mikoto não tentou respondê-la, porque aquela era uma mentira óbvia, mas pelo menos serviu para Obito soltá-la. Ele voltou a segurar a cadeira da esposa e ignorando os olhares repreensivos de Naruto, e seguiu seu caminho.

Mikoto estava exausta. Teve que se apoiar em uma das paredes para não cair, e o Uzumaki se apressou para acudi-la. – Ele não me deixou dizer... Não me deixou pedir desculpas... – Ela murmurou com fragilidade, e o jovem loiro estreitou os olhos.

– Vamos levá-la para casa, tia. – Hinata murmurou gentilmente. Uma vez que os outros dois haviam se afastado, também se apressara para alcançá-los.

– Não se preocupe, tia.... – Naruto tentou sorrir gentilmente, mas a mãe de Sasuke parecia desolada.

– Eu preciso dizer... – Ela estreitou os olhos chorosos. – Droga, Rin!...

~

Madara estava desolado, e nem conseguia entender bem o porquê.

Há horas sentado no balcão do bar-restaurante daquele mesmo hotel, ele se sentia um trapo. Um homem velho quase a beira da morte, sem objetivos, sem sonhos e repleto de arrependimentos...

Tomou um gole de sua segunda taça de vinho – porque embora desolado, ele não era idiota para pensar em se embebedar naquele lugar – e refletiu sobre Obito e toda a sua criação.

Madara amava os três filhos, mas nenhum deles era tão especial quanto Obito. Talvez exatamente pelo fato de ele ter sido o único, dentre os três, que era impossível se domar por completo.

Obito havia sido uma criança travessa. Como o filho do meio, era natural demonstrar carência de atenção, mas ele era carente demais. Costumava quebrar vasos ou levantar as saias de professoras na escola só para passar vinte minutos inteirinhos na sala do pai ouvindo sermão.

Embora essas fossem atitudes inaceitáveis para um futuro herdeiro Uchiha, Madara se sentia feliz, satisfeito por ser amado e tão requisitado por pelo menos um de seus filhos.

Num pensamento depressivo, o velho se perguntou se Kasumi teria sido uma criança como Obito.

Ela parecia bem mais inteligente do que o pai jamais tinha sido, mas suas personalidades eram parecidas... E Madara se perguntou se ela seria a netinha de seus olhos, se assim tivesse percebido.

Ele suspirou longamente, e ergueu a mão para chamar o garçom.

Definitivamente precisava dormir.

.

– Vamos buscar um champanhe no bar. – Sasuke sugeriu enquanto eles seguiam de mãos dadas pelos corredores do hotel. – Um bem gelado, que adoce a nossa noite.

Sakura fez uma careta e com os olhos apontou para os saltos em suas mãos.

– Não posso entrar descalça no bar de um hotel como esse.

– Você está com Sasuke Uchiha. Pode entrar no bar que quiser, do jeito que quiser. – Ele deu uma piscadela que a fez rir. – É sério. Ou, caso se sinta mal... Ponha os malditos sapatos, oras!

– Pedir isso é o mesmo que pedir para eu pregar uma estaca nos peitos dos meus pés. – Ela pareceu tão sincera que ele abafou uma risada. – Não dá pra simplesmente chamar o serviço de quarto?

– Não existe pré-provação para o serviço de quarto.

Sakura suspirou.

– Pelo amor de Deus, é só um champanhe! Desde que venha com um balde de gelo onde eu possa enfiar o meu pé, não ligo se for de 19, 99.

Sasuke lhe lançou uma expressão reprovativa.

– Você sai comigo há meses, senhorita Haruno. Seu gosto já devia estar apurado, especialmente com bebidas. Vamos lá, é caminho. Ali naquela... – Mas ele se calou de repente, antes mesmo de apontar para a porta em questão.

Confusa, Sakura seguiu o olhar do namorado e sentiu seu rosto avermelhar-se ao identificar Madara Uchiha saindo do bar restaurante do hotel sozinho e cabisbaixo.

– Aquele não é o seu avô? – Sakura não pôde deixar de questionar.

Sasuke estreitou os lábios em puro desagrado; soltou as mãos da namorada e em passos firmes seguiu na direção do avô. Aquela reação o surpreendeu, mas não tanto quanto ouvir seu namorado frio e calculista tão claramente fora de si.

– O que demônios você faz aqui?! – Ele questionou ao avô em voz alta e autoritária. – Por acaso pensou que poderia atrapalhar mais?... Eles já estão casados, se você quer saber. Não tem mais casal feliz para estragar.

Madara, ainda mais do que Sakura, sentiu-se confuso com a reação do neto. Ele de repente parecia mais alto, mais ameaçador. – Eu fui convidado... – O avô murmurou lentamente, atônito com sua própria surpresa. – Kasumi me enviou um convite... – E ele começou a vasculhar os bolsos em busca do cartão.

– Você podia ter sido convidado pelo Papa, velho maldito! E ainda assim não teria o direito de estar aqui!... Especialmente depois de ir infernizar o meu irmão ontem!

Madara não o respondeu. Manteve-se cabisbaixo e tristonho, tão acuado que Sakura não pôde conter o instinto de se aproximar. – Sasuke-kun, já chega... – Ela tentou ser sensata e afastá-lo do avô.

Para sua surpresa, Sasuke a afastou tão rudemente quanto agia com o avô.

– Não se meta nos assuntos da minha família. – Ele avisou com os olhos fagulhando, fazendo com que Sakura se sentisse acuada...

Acuada, magoada... Confusa e um tanto humilhada.

Ele realmente precisava tratá-la assim na frente dos outros?!

– Ele é seu avô. É um senhor de idade... Não devia tratá-lo assim, especialmente com a possibilidade de que pessoas os vejam. – “Nem a mim!”, ela adicionou mentalmente, tentando controlar seus sentimentos negativos.

Por que aquele idiota estava agindo dessa forma, afinal?!

Não fora ele quem a havia apresentado para família há minutos?! Não havia sido ele próprio que tinha agido como se eles fossem companheiros?!...

– Vá para o maldito quarto, Sakura. – Ele praticamente arrancou o cartão do quarto do bolso e esticou na direção dela. – Eu vou arranjar um taxi pro meu avô.

Mas Sak não moveu um músculo para pegar o cartão.

Sasuke tentou lançar um olhar de aviso, tentou demonstrar toda sua irritação... Mas foi completamente desarmado pelos olhos tristonhos dela. – Droga, que é que há?! – Ele exclamou, claramente irritado.

– Nada. – Sakura esclareceu, e se apressou em colocar os sapatos. – Só pode ficar com as chaves do “maldito quarto”. Eu vou chamar a Ino para ir para casa.

E sem esperar uma resposta, tornou a caminhar para o salão.

Notas finais
"Todo o casal que fica junto na metade da novela sofre alguma coisa". Eu li isso em algum lugar, há algum tempo... E acho que é verdade. Não tem graça se não tiver treta entre os casais, né? E, apesar do nome, isso não é 50 tons de Cinza pra história ser sustentada a base do sexo capítulo sim, capítulo não! XD Acho que esse foi um capítulo interessante a se escrever. Espero que seja também de se ler... e.e Eu foquei nos principais "antagonistas", nos sentimentos de cada um. Francamente não faço ideia do que vocês vão pensar sobre isso... Prevejo alguns "Nossa! Que hipócrita!" ou "Esse merece sofrer..."... Mas como os leitores costumam me surpreender, estou mesmo curiosa! XD às vezes, quando penso na história da Rin, do Obito e da Kasumi, penso que ficou algo bem forçado... Talvez a história inteira de 50tonsU seja forçada, mas eu realmente me divirto escrevendo. Espero que vocês se sintam da mesma forma enquanto leem! :) Gente, estou morrendo de sono. Quero desmaiar, e amanhã vou ter que acordar seis horas da manhã pra tentar resolver essa treta do ponto... Desejem sorte para a tia Candy! Mais uma vez obrigada por toda a força, pessoal! Obrigada por estarem comigo até aqui. :) Até mais! :D