Notas iniciais
Olá, pessoinhas! :D Como prometido, eu consegui terminar e estou postando uma semana mais cedo, para sua alegria (espero eu. q). ~ Obrigada por tantos comentários (que não foram devidamente respondidos, porque eu realmente estava escrevendo, ou tentando escrever... T-T); eu leio todos com o maior prazer do mundo; vocês são muito gentis em seus elogios. sz ~ Eu sinceramente gostei desse capítulo, e espero que vocês também gostem! Portanto, divirtam-se! ;)

Capítulo 04 – Esse sujeito!

Sakura nunca na vida tinha se sentido tão grata quanto se sentia agora, graças ao vestido que Sasuke a tinha presenteado.

Com as pernas bambas, rosto corado e respiração ligeiramente nervosa, ela olhava com espanto claro para os convidados. Provavelmente cairia de cara no chão se seu braço não estivesse emaranhado ao do Uchiha, que se deliciava apenas por vê-la tão absorta.

Ainda que o planejado fosse um coquetel simples e não muito longo, apenas para que os colaboradores pudessem conhecer o novo hospital, tudo estava magnificamente organizado: desde as taças servidas por competentes garçons vestidos a rigor, aos enfeites florais espalhados por todo o refeitório.

A decoração era estonteante, mas não era isso que mais chamava a atenção de Sakura: os convidados, eram eles que a surpreendiam. Ela nunca imaginou que veria tantas pessoas que admirava em um só lugar!

Tsunade Senju era uma das médicas mais respeitadas do país. Ela era formada Toudai e hoje se mostrava uma das candidatas mais cogitadas para assumir o cargo de governadora.

Como tinha o respeito dos pobres e conexões com os ricos, Sakura tinha certeza que ela se elegeria. Aquela mulher era a pessoa mais respeitada pela jovem estudante, um exemplo a se espelhar!

Minato Namikaze também estava lá, e apesar de conhecê-lo há muito, Sakura não tinha tanta intimidade — tampouco coragem — para se aproximar e puxar conversa. Hiashi Hyuuga, o pai de Hinata, que definitivamente era um homem de trabalho admirável, assim como Hana Inuzuka, uma bióloga rica e conhecida, autora de grandes trabalhos e pesquisas. Jiraya, Kushina Uzumaki... Era quase uma lista de seus "favoritos da alta sociedade".

Todos eram pessoas tão incríveis aos olhos de Sakura que ela mal conseguia enxergar nada que fosse casual ou simples naquele meio.

Ela quase pensou que Hinata Hyuuga tivesse agido de maneira maldosa, querendo humilhá-la diante de todos, mas imaginou que não fosse aquela a situação. Eles eram ricos, e ela pobre, simples assim.

O "simples" de Hinata era diferente do simples de Sakura.

Ela concluiu isso ao notar que os vestidos das mulheres não eram longos, nem de gala, apenas chocantes. Duvidava que algum deles não fosse de marcas famosas.

Inconscientemente, levou os orbes verdes cheios de gratidão aos negros de Sasuke, que sorriu com os quentes olhos de águia.

— Vamos cumprimentar a dona da festa. – Ele murmurou num tom que apenas ela podia ouvir, depois de aproximar-se um pouco. Aquela aproximação fez o rosto da rosada corar, e ela assentiu de maneira tímida.

Claro que ela nunca imaginaria que a ação tinha o intuito de provocar Naruto, que estava ao lado da anfitriã que, embora tentasse explicar como funcionaria o lugar aos Uzumaki, não pôde deixar de se incomodar com a falta de atenção do amigo.

— Oh! Sasuke está se aproximando com uma garota! – Foi Kushina quem exclamou, sinceramente surpresa.

Definitivamente não era uma coisa normal para Sasuke Uchiha entrar em um evento com o rosto ferido, mas ainda mais incomum do que vê-lo machucado era vê-lo acompanhado.

Não que ele fosse a festas e passasse o tempo todo sozinho – não, isso era impossível para alguém como ele –, mas era a primeira vez que a senhora Uzumaki o via chegar acompanhado.

Tal fato deu à moça Hyuuga uma satisfação indescritível, principalmente por saber quem era sua acompanhante. Mas sua satisfação só durou o suficiente até notar que o seu acompanhante estava exageradamente irritado com a chegada do casal.

Quando Sasuke os alcançou, os cumprimentos foram feitos e apresentações dispensadas; afinal, assim que estava perto o suficiente, Minato e Kushina puderam reconhecer os traços de Mebuki Haruno nas faces de sua filha.

Como eram prudentes o suficiente, preferiram deixar a demonstração da surpresa por ela estar acompanhada por Sasuke para depois da festa, em uma conversa curiosa e particular com o filho, que era amigo de ambos.

— Infelizmente não vou poder ficar muito tempo com vocês. – Hinata lamentou-se quando os pais do loiro não estavam mais por perto. – Tenho que conversar com todos... Lamento muito, Sakura-san.

Sakura enrubesceu e negou com a cabeça.

— D-De maneira nenhuma! Eu compreendo perfeitamente, Hinata-san. Não se preocupe.

O sorriso de Hinata foi gentil e sincero, e ela estava linda dentro de um vestido azul marinho de decote discreto.

O Uchiha não gostou de ter sua atenção dividida com a Hyuuga, e tanto para não ser esquecido quanto para provocar o amigo, que estava sentado na mesma mesa, envolveu os ombros da Haruno com os braços.

Os olhos verdes imediatamente foram levados até o rosto do moreno, constrangidos.

— Pode ir, Hinata. Ficaremos bem. – Ele falou com um sorriso direcionado à Hyuuga, que balançou a cabeça como se o censurasse, mas tinha um olhar divertido quando se afastou do grupo.

Sasuke ofereceu o champanhe de sua própria taça à companheira.

— Ela não bebe nada alcoólico quando está acompanhada, Sasuke. – Naruto informou enquanto bebericava do copo com suco; ele ofereceu à Haruno que, para a frustração do Uchiha, aceitou com um “obrigada” sincero.

— Você não bebe em festas?! – Ele não pôde evitar a voz irritada; aquilo a constrangeu.

— Não gosto de beber, em geral. No máximo, coquetéis.

O Uchiha bufou.

— E como você se diverte, afinal?

Sakura deu os ombros.

— Com livros e afins. – Naruto respondeu com uma expressão de pura satisfação, que irritou Sasuke ainda mais.

— Eu pensei que você seria o acompanhante da Hinata esta noite, amigo.

O loiro deu os ombros.

— Eu nunca te disse isso, amigo.

Sakura arqueou as sobrancelhas.

— Você conhece Hinata Hyuuga?! – Ela exclamou realmente surpresa; o Uzumaki assentiu. – Mas... Ela não estava na sua festa... – A garota refletiu.

— Ela estava viajando. – Sasuke apressou-se em responder antes. – Por falar nisso, não me lembro de tê-la visto em outros aniversários dele, Sakura.

A Haruno corou mais e deu os ombros.

— Não gosto muito dessas coisas... Na verdade, eu só fui mesmo esse ano porque a Ino me obrigou.

A sobrancelha negra do Uchiha se ergueu, e ele levou um olhar curioso ao melhor amigo, pois percebera que ela era o amigo que Naruto se referira na festa; o amigo que havia trazido Ino para conhecê-lo.

— Bem... Lembra-se do projeto que eu mandei o vídeo? Hinata buscava permissões, nos países carentes. Naruto não teve consideração para esperá-la voltar.

Sakura não percebeu a provocação óbvia para Naruto, mas seus olhos brilharam com a mudança de assunto, o que fez Sasuke sorrir vitoriosamente.

— Oh! É verdade... Eu realmente queria agradecê-lo, Sasuke-kun. O vídeo é interessantíssimo... Ontem eu vi e revi pelo menos cinco vezes antes de dormir. Foi mesmo muito gentil de a sua parte gravá-lo para mim.

Os olhos azuis do outro se estreitaram.

— Suas perguntas também foram muito pertinentes... – Ela observou com o rosto avermelhado. O vídeo deixava claro que Sasuke Uchiha era realmente muito inteligente — assim como ele mesmo tinha dito naquela entrevista.

Um sorriso Dom Juan que Naruto reconhecia de longe se formou no rosto do elogiado, que se aproveitou para aproximar-se discretamente da Haruno.

— Eu te falei que era inteligente.

Ela riu, e Naruto bufou.

— Mas eu não sabia que você e o meu amigo se conheciam... – Sasuke observou só para provocá-lo. – Você tem a mesma rede de informações que eu, meu amigo. Nunca pensou em agradar sua amiga?

Sakura soltou uma risadinha.

— Nós não temos os mesmos interesses, então acho que Naruto pode não ter percebido, duvido que já tenha pensado na possibilidade de fazer algo assim...

Mas apesar de defendê-lo com o argumento, o loiro não gostou daquilo. Então fechou a cara e ficou encarando Sasuke e Sakura trocarem risos e sorrisos enquanto conversavam alegremente sobre qualquer interesse que tivessem em comum.

Estranhamente, eles tinham muito a conversar.

Quando Hinata retornou à mesa, o loiro deu graças aos céus. Pelo menos assim finalmente a atenção de Sakura estaria presa à outra coisa que não fosse os olhos negros do Uchiha.

Mas Sasuke também percebeu isso.

Então, inteligente como era, logo ofereceu que eles seguissem até o centro do refeitório, onde uma pista de dança havia sido improvisada.

— Dançar? Oh, não. Eu não danço. – Foi a resposta da Haruno. – Sou muito envergonhada para essas coisas, Sasuke-kun... – O murmúrio dela foi tímido.

— Não é possível que não dance. – Sasuke ponderou. – Na sua idade, com a sua energia...

Com o seu corpo, adicionou mentalmente.

— Não é possível que não dance. Nem mesmo no banheiro?

Em sua mente suja, ele podia imaginá-la.

— As pessoas não dançam no ofurô, Sasuke. – Hinata riu ao notar a expressão criativa do rapaz, que lhe deu um olhar contrariado depois do comentário.

— Então o que acha de você dançar com a Hinata? – Sugeriu olhando para o loiro, que deu os ombros.

— Não quero dançar.

Naruto parecia um garotinho irritado, e Sasuke se arrependeu no mesmo instante. Não pelo loiro insensível, mas por Hinata; seu rosto ficara pálido ao com a quase-rejeição, mesmo o pedido não tivesse partido dela.

— Por que você não dança com a Hina?

A vontade de devolver o soco de mais cedo ficou notável na expressão do Uchiha, que chegou a apertar os punhos.

— Tudo bem. – Sasuke disse entre dentes.

Ele não queria que Hinata fosse rejeitada mais uma vez, e se levantou, esquecendo-se momentaneamente de sua própria acompanhante.

O moreno aproximou-se da moça Hyuuga.

— Vamos, Hinata? – Ele murmurou com revolta; e Hinata, com um sorriso meio triste, meio constrangido, aceitou.

O loiro observou com prazer os morenos se afastando para o centro do local, e se apressou em sentar-se ao lado da rosada, que parecia entristecida pelo fato de ter sido deixada de lado.

— Sakura-chan, me escute! – O Uzumaki pediu, cheio de tensão. – Não caia na lábia desse sujeito! Você é inteligente demais para isso, eu sei; mas também sei o quanto aquele cara pode ser terrível!

Sakura estreitou a sobrancelhas, surpresa e incomodada pelas ofensas ao seu acompanhante.

— Até agora ele foi muito gentil comigo. – Ela pontuou, ignorando a lembrança do primeiro encontro. – Embora realmente tenha demonstrado algum interesse, nunca avançou sinal nenhum. – Incomodada, ela puxou a taça de Sasuke e bebeu do champanhe sem pensar.

— Não beba! – O amigo exclamou, arrancando das mãos da moça a taça. – Ele é perigoso, Sakura-chan!... Estou te avisando! Pode tirar sua virgindade só com o olhar!

O rosto dela enrubesceu.

— Qual é o seu problema com a minha virgindade?!

Ela estava tão nervosa que não conseguia pensar em nada concreto, então o empurrou com irritação.

— Acha que eu me guardei até os vinte porque quero me entregar ao primeiro magnata bonitão que der em cima de mim?!

Os olhos verdes, inconscientes, seguiram até Hinata e Sasuke, que bailavam animados — e próximos demais, na opinião dela.

— Além disso, ele parece ter uma companhia muito mais agradável. Hinata certamente é mais interessante do que eu.

Não conseguiu evitar o rancor no tom de voz, e Naruto bufou ao notar isso.

— Eles não têm nada. – Garantiu despreocupado. – Hinata é inteligente demais pra cair na conversa do Sasuke.

Os olhos verdes se cerraram, e Sakura levantou-se.

— Se você me acha burra suficiente pra cair em papinho de garanhão, acho que não me conhece direito, Naruto. – Ela falou entre dentes, e Naruto suspirou.

— Mas você não o conhece...

A expressão de Sakura continuava não muito amigável.

— Eu vou comer alguma coisa. – Murmurou antes de ir, com pisos fortes, em direção às mesas.

E enquanto seguia pra lá, seus olhos verdes mais uma vez observavam, curiosos, o definitivamente casal mais bonito da pista de dança.

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Sasuke tinha as mãos envoltas à cintura de Hinata, que bailava guiada, com a expressão calma e olhos pensativos. É claro que Sasuke a conhecia o suficiente para saber que aquela era sua maneira de ficar chateada.

Então, com um sorriso divertido, apertou a cintura da Hyuuga, que pareceu despertar, corando intensamente.

— Sasuke! – Ela censurou; o Uchiha riu.

— Não fique pensando nisso. Naruto sempre foi um idiota.

Ela sorriu sem humor, e seus olhos caíram ao chão.

Sim... Ela, melhor do que ninguém, sabia como Naruto Uzumaki podia ser idiota. Inconscientemente, seus pensamentos foram levados a memórias distantes, de anos atrás, num dez de outubro distante.

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Era o aniversário de dezessete anos de Naruto, e a casa estava vazia de qualquer alma viva que não fosse ela, o aniversariante, Hanabi, Menma – a irmã mais nova de Naruto, que hoje estudava artes no exterior – e Sasuke.

Os últimos empregados tinham se retirado logo depois de levar a Hana e a Menma para cama.

Naruto e Sasuke estavam caídos, bêbados, nos dois sofás da biblioteca. E como a governanta duvidava que qualquer terremoto acordaria aqueles dois, ela não se importou em deixar a Hinata lendo no mesmo lugar.

A pobre senhora Chiyo, agora falecida, jamais se perdoou por tamanha irresponsabilidade.

Assim como muitas garotas de dezesseis da época, Hinata estava muito interessada em um livro popular, e não pensava em parar de ler até que seus olhos a vencessem. Mas toda sua atenção foi distraída quando Naruto se levantou cambaleando do sofá.

Ela imediatamente se levantou no intuito de ajudá-lo a se sentar de novo, mas o loiro riu daquela ação.

— Hinata! Você está aqui!

Ele abraçou a cintura dela sem pudor algum, e beijou seu rosto continuamente, causando um rubor enorme à garota, que não era forte o suficiente para se esquivar.

— Hinata-chan, você é tão linda... – Ele murmurou risonho, aos pés do ouvido dela, que enrubesceu ainda mais.

— N- Naruto, você bebeu demais! – Ela murmurou constrangida, mas ele pareceu não ligar. – Eu sei que está magoado porque seus pais não estão aqui, mas não deveria ter bebido tanto...

Ela tentou usar um tom de censura, mas sua voz pareceu mais um gemido diante os lábios dele, que passeavam por seu pescoço.

— Vamos, Hina... Você também devia beber um pouco, se divertir... – Ele riu contra a pele dela, e lhe entregou uma garrafa vazia. – Vamos, abra os lábios...

A voz dele era soara tão sedutora que ela não conseguiu desobedecer. Mas ao invés da garrafa, Naruto colou seus lábios aos dela, beijando-a com uma intensidade que beirava a violência.

Hinata Hyuuga definitivamente não era o tipo de pessoa que se entregaria a qualquer pessoa por nada, mas ela realmente amava Naruto. Amava tanto, que não conseguiu resistir quando ele ergueu sua saia, mesmo que o filho caçula dos Uchiha estivesse dormindo no sofá ao lado.

Amava tanto que permitiu que ele a possuísse por baixo das cobertas, naquele mesmo sofá, ainda que doesse tanto e fosse tão desconfortável.

Por sorte, Sasuke não moveu um músculo, ainda que os murmúrios de Hinata não fossem exatamente baixos.

Na manhã seguinte, a garota acordou sozinha no mesmo sofá. Estava cuidadosamente embalada, e ainda que se sentisse dolorida, sorria timidamente com as lembranças da noite passada.

Nenhum dos rapazes estava mais na biblioteca, mas ao se levantar, ela podia ouvir murmúrios vindos do lado de fora. Se aproximou da porta por pura curiosidade, e então.

—... não posso ter feito isso!

Era a voz de Naruto, e ele estava angustiado.

— Você realmente não se lembra de nada? – Sasuke não estava exatamente contente. – Como você fez isso com ela, cara? Justo com ela! –

O rosto de Hinata enrubesceu ao perceber que estavam falando dela.

— Eu não estava em mim, juro!

A expressão ansiosa de Hinata se desfez, e os olhos perolados perderam seu brilho diante tais palavras.

— Eu não faria isso se estivesse... Ah, droga... Hinata vai me odiar!

O coração de Hinata doía ainda mais que seu corpo, mas por algum motivo ela sentiu vontade de rir de si mesma. Como podia ter sido tão estúpida?...

Belo jeito de perder a virgindade, disse para si mesma. Com um de seus únicos amigos, bêbado e carente, num sofá de biblioteca.

— O que houve aqui? – A voz da governanta soou, parecendo preocupada.

Ela abriu a porta da biblioteca repentinamente, e Hinata recuou três passos, completamente chocada; seu corpo nu estava enrolado às cobertas.

— Oh, menina!... – Ela exclamou, escondeu a boca como se tentasse abafar um grito e com os olhos se encheram de lágrimas. – O que eles fizeram com você?!

Hinata também queria chorar, mas ao invés disso, deu à senhora um sorriso cheio de constrangimento.

— Acho que eu fui longe demais, senhora. – Murmurou com timidez.

Seus olhos tremeram com lágrimas, mas Naruto não pôde notá-las.

Não era capaz de encará-la.

— Não se preocupe, ninguém fez nada que...

— Como não?! – A mulher exclamou com desespero, e apontou para o sofá manchado de sangue. – Quem foi? Foi você, não é?! – Ela se aproximou de Naruto, que tinha manchas de sangue na calça. Puxou-o pelas orelhas sem dó nem piedade e o colocou diante do estrago que havia feito. – Não tem vergonha do que fez?! Justamente à sua amiga! Como pretende consertar isso?! Como pretende explicar aos pais dela?

Os olhos azuis arrependidos se ergueram, angustiados, na direção da amiga, que não conseguiu fazer nada além de sorrir desgraçadamente.

— Ninguém precisa saber.

Foi ela quem disse.

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Hinata balançou a cabeça, afastando a pior lembrança de sua vida.

— Sim. Ele é um idiota. – Preferiu concordar em voz alta.

— Eu a admiro, Hinata... Sabe disso; então, realmente sinto muito por você amá-lo tanto.

Aquilo a fez rir, mas sem sinceridade.

— Com tão poucos amigos, não tinha muitas chances de me apaixonar por outro... E... Sem ofensas, querido... Mas eu não estaria em uma situação melhor se estivesse apaixonada por você.

Sasuke deu os ombros.

— Se tivesse sido apaixonada por mim, já estaria curada, e buscando outro que a merecesse mais. Afinal, eu sou extremamente desprezível. Especialmente com mulheres que me amam.

Hinata riu.

— Não posso discordar...

O Uchiha suspirou.

— Você devia mesmo achar alguém que a mereça.

Hinata sabia que os olhos dele estariam sérios, então preferiu não fitá-los, o que fez o moreno suspirar mais uma vez, dessa vez com exasperação.

— Embora você seja de longe a mulher mais poderosa dessa festa, eu devo voltar ao meu par. Não gostaria que o seu queridinho se assanhasse com ela antes que eu pudesse fazê-lo. – A Hyuuga revirou os olhos, mas assentiu.

— Vamos...

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Sakura realmente se sentiu aliviada quando aqueles dois se separaram; e francamente, sentiu uma pontinha de felicidade ao ver Sasuke seguindo em sua direção sem hesitação.

— Desculpe por isso. – Ele disse quando a alcançou. – Mas eu tinha que consertar a besteira que nosso amigo fez.

Os olhos verdes estavam perdidos e confusos, e Sakura parecia tão adorável com aquela expressão que ele não conseguiu não sorrir.

— Veja bem, não se dispensa a anfitriã da festa como se ela fosse qualquer uma. Principalmente se ela é apaixonada por você. – Ele explicou cuidadosamente, com um tom ligeiramente divertido.

Sakura arregalou os olhos, surpresa.

— Hinata Hyuuga é apaixonada por você?!

Ele riu e negou.

— Pelo seu amigo estúpido, Naruto.

Ela ficou boca aberta diante o choque, e sorrindo, o Uchiha fez uma aproximação perigosa, que a fez imediatamente recuar.

— De qualquer forma... – Ele preferiu ignorar a recusa e se aproximou mais. – O que está achando do coquetel?

O rosto dela estava rubro.

— É lindo. Obrigada por me trazer... – Praticamente havia sussurrado.

— Você quer conhecer os convidados?

A ideia parecia tão atraente que os olhos da estudante brilharam.

Sasuke riu mais uma vez, um som agradável aos ouvidos... E a puxou gentilmente pelo braço.

— Vamos...

E sem esperar um assentir, Sasuke a puxou na direção das mesas ocupadas.

Ele a apresentou aos Hyuuga antes de qualquer coisa; ela pôde concluir que tanto o patrono, Hiashi, quanto seu sobrinho, Neji, eram homens muito quietos e até mesmo constrangidos.

Depois foram até os Inuzuka, aos Uzumaki. Ele a apresentou a todos, com exceção de um convidado, que observava cada movimento do casal com um silêncio que chegava a ser assustador.

— Está é Tsunade Senju. – Foi a apresentação final, e a mais importante.

Sakura realmente adorava Tsunade Senju: ela era brilhante! A estudante estava tão animada afirmou mais de uma vez que a senhora era sem duvidas sua candidata favorita. Falou sobre pesquisas e livros em que a Senju trabalhara, e falou sobre eles com tanta propriedade que Tsunade se encantou. Ela realmente a achou uma garota muito interessante, e Sasuke podia adivinhar isso só pelos expressões da loira, que lembravam muito os da própria Sakura.

Até o momento em que Sasuke a guiou para o carro, Sakura ainda estava nervosa, tremendo um pouco e sorrindo como uma boba, como uma adolescente que acabava de conhecer seus ídolos.

Eles nem chegaram a se despedir de Naruto, e à Hinata, só ofereceram apertos de mãos e sinceros parabéns pelo local e pela festa.

— Acho que estou sonhando. – Sakura murmurou assim que o Uchiha adentrou do lado do motorista. – Quem era o rapaz que você estava evitando?

Ela perguntou depois de ele dar marcha, estava realmente curiosa.

— Meu irmão. Ele provavelmente faria piadinhas o mês inteiro.

Sakura riu.

— Por que ele faria isso? – O Uchiha deu os ombros.

— Possivelmente porque eu nunca entrei em nenhum evento acompanhado.

Como não fazia ideia daquilo, a informação fez o rosto de Sakura corar. Ela ficou muda e seus olhos seguiram até o retrovisor. Mas embora ela olhasse para fora, não conseguia enxergar muita coisa além do reflexo do motorista, que olhava fixamente para a estrada.

Sua resposta se limitou a um “Oh” aparentemente desinteressado.

O caminho se passou a ser silencioso depois disso.

Para o desespero de Sakura, o rapaz fez questão de estacionar em frente à sua residência, justamente do lado do carro de Ino. O medo de ser pega pela amiga fez o seu rosto queimar, e ela se apressou para sair do carro. Mas... Bem, as portas estavam trancadas.

E ela não fazia ideia de como abrir.

— Abra! – Pediu com a voz apavorada, mas o Uchiha sorriu como uma criança má diante do desespero de outra.

— Vamos, Sakura... Eu te levei a uma festa, te dei um vestido e te enviei uma gravação. Mereço uma recompensa.

O maldito estava afrouxando a gravata e se aproximando; o rosto dela enrubesceu com o desespero. Empurrou-o quando chegou perto demais.

— Eu não pedi pra fazer nada disso! – Cochichou em resposta; embora quisesse gritar, temia ser percebida pela Yamanaka.

Sasuke deu os ombros.

— Também não esperava que fizesse isso só por ganhar. Entretanto... Sua amiga sairia, se eu buzinasse. Você não quer que isso aconteça, quer?

Os olhos verdes se arregalaram, apavorados com a ideia.

— Vamos, não estou te pedindo nada demais... – E tornou a se aproximar, fazendo-a corar ainda mais. – Só um beijo... – Sussurrou quando os rostos estavam próximos demais.

Embora estivesse irritada e borboletas insuportáveis incomodassem seu estômago, ela fechou os olhos, dando uma permissão muda para o beijo, que aconteceu assim que permitido.

Notas finais
Prevejo pessoas mandando o Naruto ir pra esquina infernal depois da lembrança da Hinata (bem, eu mandaria). Bem, ele e o Sasuke completam bem o que eu creio que seja o quadro dos jovens ricos adolescentes: irresponsáveis, sem medo de fazer besteira. ~ Eu AMEI o beijo SasuSaku. Não tinha planejado, mas convenhamos que ficou bem divertido! q Foi muito a cara do Sasuke, e é um jeito de avançar o... Hm... Relacionamento (?) deles. ~ Eu espero que vocês estejam gostando de acompanhar como eu estou de descrever. :) ~ Dúvidas? Críticas? Sugestões?! Estou sempre disposta! Obrigada por acompanharem! Até o próximo capítulo! *-*