50 Tons De Uchiha

1 Desejo à Primeira Vista.


Notas iniciais
Olá, queridos leitores! Primeiro gostaria de esclarecer que esse será um projeto secundário, apenas para me divertir. Será postado de duas em duas semanas (mas eu vou tentar fazer posts semanais, como nas outras fanfics). ~ Essa fic foi simplesmente para expressar todas as minhas frustrações com 50 tons de cinza. Eu não a consideraria apenas como uma adaptação, ela é mais uma paródia, onde eu vou fazer a Sakura fazer com o Sasuke tudo o que eu quis que a Anastácia fizesse com o Christian na trama de E.L. James! ~ Eu espero que se divirtam!

Capítulo 01 – Desejo à Primeira Vista.

Sakura Haruno não estava acostumada a nada daquilo. Luzes, apertos de mãos, vestidos bonitos... Era tudo tão surreal que ela mal podia acreditar que estava ali.

O vestido que ela usava era um pretinho básico muito simples para qualquer um que não usasse shorts negros e camisetas de algodão todos os dias. Para Sakura, que era uma dessas pessoas, era quase um vestido de baile. Claro que não era dela, mas sim de sua melhor amiga, Ino Yamanaka, que nesse momento dançava loucamente com um dos convidados – ou seriam dois? – bem no meio da pista de dança que era alvo das insuportáveis luzes piscantes.

Ela se perguntou se não seria melhor prevenir a amiga das DST que poderiam ser transmitidas diante de todo aquele contato desnecessário com desconhecidos, mas pôde até mesmo ouvir as ofensas que a loira diria a ela caso se intrometesse, então, como uma boa menina, continuou sentada na mesa enfeitada observando a todos com o seu aguçado senso crítico.

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Sasuke Uchiha estava muito acostumado com tudo aquilo. O pisca-pisca das luzes coloridas no salão, os corpos de homens e mulheres delirando ao som da musica, dançando com os mais apelativos movimentos; pessoas bem vestidas e belas beldades retribuindo seus olhares cheios de segundas intenções. Tudo aquilo era tão normal, tão rotineiro e tão delicioso que ele se apressou em terminar as formalidades.

Ele andou por toda a extensão do salão, vez ou outra erguendo a taça que segurava para algumas garotas quentes, mas com o foco de cumprimentar o aniversariante em primeiro lugar.

Naruto Uzumaki era o nome do melhor amigo de Sasuke, e hoje, ao badalar da meia-noite, ele completaria vinte e quatro anos.

Mesmo que não fosse tão apelativo quanto o amigo, Naruto também não era nenhum santo, e até muito menos discreto que Sasuke. Naquele momento, por exemplo, estava sentado em sua mesa VIP, rodeado por garotas que estavam muito dispostas a conhecê-lo mais... "Profundamente".

O aniversariante levantou-se assim que viu o amigo se aproximar, e eles se cumprimentaram com um abraço amigável.

— Vim desejar meus sinceros parabéns antes de ir à caça. – O moreno teve que falar alto pela musica ensurdecedora.

— Ah, você vai adorar isso aqui. – Naruto riu, e apontou para uma garota loira que saía com passos dançantes da pista de dança em direção a uma mesa, toda sorridente. – Aquela é Ino Yamanaka.

— Quente. – Sasuke examinou com um sorriso de canto.

— É amiga de infância de um amigo meu lá da faculdade. – Eles observaram enquanto ela puxava uma garota sentada na mesa; a garota ria, mas não parecia nada disposta a se levantar. – Ouvi dizer que ela está toda interessada em entrevistar o Grande Sasuke Uchiha, que passou a perna no irmão para herdar o Império da família.

Sasuke riu e brindou com o amigo.

— Vamos ver o que ela acha dele, então. – Naruto riu, bateu no ombro do melhor amigo que quase imediatamente se afastou, oferecendo ao Uchiha a liberdade necessária para ir atrás de seu novo interesse.

~

A música contagiante soava ensurdecedoramente por todo o salão, e Sakura estava realmente disposta a ir para casar, ler alguma coisa ou fazer o dever de casa... Mas Ino dificilmente lhe devolveria a carona.

Na verdade, naquele momento, ela estava tentando forçá-la a ir dançar, o que pelo menos na cabeça de Sakura era uma coisa inconcebível de se imaginar.

— Eu não vou me atracar com aqueles montes de desconhecidos! – Argumentou risonha. Ino fez um beicinho, mas não parou de puxá-la.

— Então vem se atracar comigo, oras! Sabe que eu não vou te beijar, nem te bulinar, nem nada parecido. E também sabe que eu não tenho nada transmissível pelo toque.

Sakura revirou os olhos.

— Posso apostar que você quer dançar com aqueles rapazes tão interessantes. Vai lá, Ino! Você parecia estar se divertindo, não hesite só porque sua amiga não é sociável.

— Eu não te arrastei pra cá pra te ver sentada na cadeira como fica em casa! – A loira exclamou, parecendo frustrada.

Mas naquele momento, um rapaz que Sakura não conhecia encostou um copo de vidro nas costas dela. A Yamanaka se virou, pronta para mandar quem quer que fosse para o quinto dos infernos, mas suas palavras simplesmente sumiram ao ver o desejável Sasuke Uchiha bebericando do mesmo copo que antes a irritou tanto.

— Eu soube que queria me conhecer. – Ele falou alto, e Ino sentiu todo o sangue do seu corpo subir para a cabeça.

Os olhos negros de águia analisavam cada movimento de seu alvo, mas ele não parecia nem nervoso, nem tímido. O sangue dele, Sakura imaginou, estava na cabeça errada.

— Sasuke Uchiha?! – Ela exclamou toda assanhada. Sakura conteve uma gargalhada e bebeu do seu coquetel de morango. – Estou surpresa por vê-lo aqui!

Sasuke riu e negou com a cabeça.

— Pelo que o meu amigo disse, parece que você veio exatamente para me conhecer. Não tente me enganar, senhorita Yamanaka.

O rosto dela enrubesceu, mas Ino deu os ombros e soltou uma risadinha.

— Acho que me pegou. – Ela confessou.

Sasuke se aproximou perigosamente e sussurrou algo ao pé da orelha da loira. Logo depois, Sakura viu sua amiga assentir timidamente, pegar o braço dele e seguir o estranho a caminho da pista de dança.

A Haruno suspirou enquanto os observava se afastar; balançou a cabeça e tinha o pensamento “ela é impossível” estampado nas faces.

Enquanto pedia mais uma porção de batatas fritas ao garçom, perguntava-se porque diabos estava naquela festa maldita cheia de pessoas que só queriam sexo ou amasso, quando ela não estava em nenhuma das categorias. A resposta surgiu de repente, do meio da multidão, e se sentou ao lado dela.

Naruto enlaçou seus ombros carinhosamente — demais, na opinião dela. Era uma aproximação que exalava sedução, mas por mais loiro de olhos azuis que Naruto Uzumaki pudesse ser, Sakura sempre fora imune ao seu charme.

Então revirou os olhos, muito divertida com mais uma tentativa falha.

— E então? Hoje vai me aceitar?

— Eu não vou ficar com você, Naruto. – Ela garantiu aos risos.

Naruto fez uma careta, e ofereceu o copo com algum tipo de bebida alcoólica.

— E nem tente me embebedar! – Ela avisou e o empurrou, mas aquilo não pareceu muito eficaz, já que ele tornou a enlaçar seus ombros.

— Vamos lá, você sabe que eu não faria isso com você. – Ele ponderou, e bebeu do copo que antes tinha oferecido. – Não estou tão bêbado para uma atitude tão baixa.

Sakura gargalhou.

— Nem um beijinho de feliz aniversário? – Ele pediu com um beicinho.

A rosada o fitou com uma expressão pensativa, mas no fim deu os ombros. Aproximou os lábios róseos e beijou carinhosamente o rosto do amigo de longa data, que bufou com o ato inocente.

— É por isso que você ainda é virgem. – O loiro reclamou, ainda tinha um beicinho adorável formado nos lábios, mas Sakura o respondeu com uma cotovelada no estômago que o fez engasgar.

— Ei!

Ela piscou para ele e tornou a focar em sua bebida.

— Vai lá, Naruto. – Ela deu uma palmada leve na perna dele. – Aproveita seu aniversário. Pega todas as gatinhas! – Exclamou cheia de ironias.

O Uzumaki balançou a cabeça com reprovação, mas riu. Beijou a testa sem franja e se levantou. E com isso, Sakura Haruno retornou a sua posição de espectadora, com seus pré-julgamentos que eram tão divertidos em sua opinião particular.

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Ino Yamanaka era muito mais apelativa do que Sasuke poderia imaginar.

Eles estavam dançando juntos a menos de cinco minutos, e os movimentos da garota já estavam sendo feitos a milímetros de distância do seu corpo.

Não que aquilo o incomodasse...

— Quer dizer que você estava tentando convencer sua amiga a dançar... – Ele comentou alto, e Ino assentiu.

— Ela não gosta muito dessas coisas, só veio porque é amiga do aniversariante. – Sasuke concordou com um aceno.

Aproximou-se um pouco mais, puxando-a pela cintura sedutoramente, e roçou os lábios na orelha dela.

— Se eu soubesse que iriam dançar juntas, teria ficado observando por mais um tempo. – Murmurou com um tom absolutamente sedutor. – Mal posso imaginar o quão sexy seria...

Ino riu, toda envergonhada; deslizou as mãos pelos braços longos escondidos pelo terno moderno.

— Então os rumores são verdadeiros... Você gosta mesmo desse tipo de coisa, não é senhor Uchiha?

Deslizou o indicador sobre as costas da mão esquerda do rapaz, que lhe respondeu com um meio sorriso agradado.

— Não há rumores sobre mim, senhorita Yamanaka. — Ele garantiu. — Eu sou muito discreto.

Ino soltou uma risadinha, e ambos diminuíram o ritmo da dança para algo mais calmo e sedutor.

— Infelizmente, creio que não possa responder por suas parceiras, senhor Uchiha.

Ele sorriu.

— Acredite quando eu digo que posso...

E sem esperar nem resposta, nem reação, abocanhou os lábios pintados de vermelho de Ino Yamanaka.

*~*

Sakura acordou com o som alto do despertador.

Puxou o celular cor-de-rosa debaixo do travesseiro e estreitou os olhos para enxergar o relógio, que marcava sete e quinze da manhã. Ela desligou o alarme preguiçosamente e se levantou sonolenta. Quase sem enxergar nada, procurou as pantufas que combinavam com seu pijama fofo branco e rosa, e saiu do quarto se esticando preguiçosamente.

Seguiu para o banheiro e enquanto fazia sua higiene matinal, tentava incansavelmente lembrar-se de como havia chegado ao seu quarto na noite passada – nessa manhã, na realidade.

— Ah...

Ela murmurou com a escova de dente dentro da boca ao se lembrar de que Naruto a havia trazido depois de Ino abandoná-la à própria sorte para sair com o tal magnata.

Os olhos verdes se reviraram com as memórias da apelativa demonstração de afeto entre eles.

Depois de lavar o rosto e ajeitar a cabeleira longa, seguiu caminho para a cozinha. Ela quase tropeçou no carpete após ver o – ela tinha que admitir – belo exemplar de homem sentado em uma das quatro cadeiras da mesa redonda que usavam para o café da manhã.

Ele parecia entretido lendo o jornal, então Sakura preferiu ignorá-lo: passou reto em direção à cafeteria e serviu-se do café já feito.

— Eu bebo sem açúcar. – A voz dele era deliciosa... Grave, sedutora...

— Obrigada. – Sakura se apressou em agradecer, e tentou ignorar a sensação quente em seu rosto.

Colocou um pouco de açúcar na xícara aonde tinha se servido e se sentou em uma cadeira distante.

Os olhos negros de Sasuke Uchiha se ergueram do jornal em direção a moça desconhecida, a fim de analisá-la.

Os shorts curtos do pijama de algodão rosa exibiam pernas brancas – provavelmente por falta de sol – e lisas; ele podia apostar que eram macias e suaves como pêssego. Pôde se imaginar beijando-as, e mordeu o lábio inferior.

Também notou que a cintura da amiga de Ino era muito fina, e seus seios deviam ser tarja 38. Seus quadris, entretanto...

— Algum problema? – Ela questionou ao notar os olhos de gavião sobre si. Sasuke deu um sorriso de canto.

— Se eu soubesse que a senhorita Yamanaka tinha uma amiga tão interessante morando com ela, poderia tê-la convidado.

A sobrancelha rósea se arqueou.

— Eu dispensaria. – Sakura levantou-se exasperada, e Sasuke a imitou.

— Peço que me perdoe, senhorita. O efeito da festa na noite passada me fez agir como um idiota...

Ele deu uma risada, mas parecia mais divertido do que constrangido. Viu Sakura balançar a cabeça de um jeito que deixava claro que a brincadeira não a tinha agradado.

— Sou Sasuke Uchiha, ao seu dispor.

Ela nem tentou corresponder ao sorriso dele.

— Sakura Haruno. — Foi só o que disse.

Sasuke se aproximou lentamente, mas não ultrapassou nenhuma distância perigosa; ele puxou a mão da desconfiada Sakura e beijou-a docemente, mantendo seus olhos sempre presos aos dela.

— O prazer é todo meu, senhorita Haruno. – Ele brincou.

Sakura não pôde deixar de enrubescer; o olhar dele parecia queimar em sua pele, e ele exalava desejo. Ela se afastou abruptamente, desviou-se daquele olhar e se afastou para lavar a única xícara que tinha sujado.

Sasuke sabia que, para uma moça inocente, aquele era um ótimo sinal.

— Por curiosidade, você era a garota reservada da noite passada?

Ela respondeu com um assentir.

— Não pude nem mesmo notá-la... – Ele se lamentou.

— Sim. – Sakura concordou, e o olhou de lado com uma expressão maldosa. – Estava ocupado demais flertando com a minha melhor amiga. – Ela pontuou com um sorriso provocante que o provocou muito mais do que ela podia imaginar.

Depois de lavar a caneca, ela se afastou.

— Foi ótimo conhecê-lo, senhor Uchiha... Mas tenho trabalho a fazer.

Ela fez uma reverência educada e se afastou.

— Imagino que trabalhe com a senhorita Yamanaka...

— De certa forma... – Ela fez uma careta. – Até mais ver, senhor Uchiha.

Depois de um aceno que podia se considerar amigável, Sakura Haruno seguiu de volta para o quarto com a ideia de que nunca mais o veria na vida.

Ela não podia estar mais errada.

*~*

Os motivos para Sakura e Ino trabalharem no mesmo jornal regional eram completamente diferentes.

Sakura era uma freelancer, e escrevia para O Diário de Konoha por puro interesse capitalista: ela precisava de dinheiro para sobreviver sem dar gastos aos pais pobres que já lhe faziam o favor de pagar os caros livros que ela precisava para continuar cursando a faculdade de medicina.

Ino cursava jornalismo, e tinha um enorme prazer em questionar tudo o que podia. Ela gostava ainda mais de publicar seus textos, mesmo que para fazer isso, antes eles precisassem ter a aprovação de sua supervisora, Tenten Mitsashi.

A senhorita Mitsashi era uma bela mulher, dona de atributos muito atrativos e uma energia invejável. Também era muito inteligente, e fora uma das primeiras a adentrar ao grupo editorial do jornal.

O Diário de Konoha não era exatamente um grande empreendimento. Ele tinha sido fundado há três anos, e tinha poucos funcionários, mas Sakura realmente gostava de trabalhar ali. O Diário de Konoha escrevia um pouco sobre tudo, mas faziam as coisas de maneira transparente, tentando utilizar todas as brechas permitidas ela liberdade de imprensa.

— Ótimo, ótimo...

Tenten murmurava em uma reunião pequena, onde apenas as três estavam presentes. O comentário era sobre o rascunho de Ino sobre uma matéria de título “Sasuke Uchiha: A tênue linha entre genialidade e loucura”, uma síntese que falava dos mais recentes projetos do presidente da Uchiha Company.

— Sempre gosto muito das suas observações, Yamanaka.

A líder sublinhava algumas frases, e sorria em meio ao trabalho.

— Como era de se esperar de uma apaixonada por jornalismo.

Sakura revirou os olhos e escondeu um sorriso, pois sabia que a amiga se gabaria do elogio por toda a semana.

— Então quer dizer que eu vou poder entrevistá-lo?! – A loira estava claramente ansiosa. O rosto estava um pouco corado e os cabelos loiros, geralmente impecáveis, estavam um pouco desalinhados.

Tenten fez uma careta e elas sabiam que não era uma boa notícia.

— Infelizmente, não. – Ela suspirou ao dizer.

Deixou a papelada e lado e resolveu olhar nos olhos das mais novas.

Ino estava chocada.

— Escute, Ino. Você fez um trabalho incrível, maravilhoso. Como eu esperava. Mas o senhor Uchiha é um homem ocupado, e é quase um milagre aceitar uma entrevista, ainda mais para nós, que somos tão pequenos... Temos que fazer como ele mesmo instruiu, entende?

O rosto da Yamanaka empalideceu.

— Quer dizer que... Ele não quer ser entrevistado por mim?

Só faziam quatro semanas que eles tinham dormido juntos, e ele não queria nem mesmo revê-la? A ideia era horrível.

— Não é que ele não queira ser entrevistado por você. – A morena deu uma pausa, e olhou para a Sakura com um olhar confuso. – Na verdade, ele fez questão nos instruir a mandar a senhorita Haruno para entrevistá-lo...

Tanto Ino quanto Sakura se exaltaram naquele instante.

— Como assim, ele quer que eu vá?! – A Haruno praticamente gritou.

— A matéria é minha! Não pode fazer isso! — Ino vociferou. E Tenten se encolheu, porque elas falaram tão alto que seu ouvido latejou.

Depois de um instante de reflexão, a Mitsashi fez uma careta, suspirou e ergueu os rascunhos na direção de Ino.

— A escolha é sua. Não menosprezando seu trabalho, querida, mas posso criar outro projeto para colocar no lugar do seu. Se for porque você escreveu, guarde os seus rascunhos, eu faço a síntese e mando a Sakura ir.

— Eu não quero! – Sakura exclamou, e virou-se para a amiga com uma expressão de pânico. — Quer dizer, isso nem é pra ser meu trabalho! Eu só reviso os textos, lembra?... E eu não gosto de toda essa bobagem de gente rica!

E então os olhos verdes se estreitaram quando ela es deu conta de um pequeno detalhe.

— Espere! — Ela exclamou. — Como é que ele sabe quem sou eu?... Nunca usei meu nome. — Ela olhou para Ino com censura, mas a loira pareceu tão confusa quanto ela.

— Eu não faço ideia de como ele descobriu, mas descobriu. – A supervisora deu os ombros e bebericou do café enlatado. – Não podemos negar nada a esse homem. E isso é tudo.

Nenhuma das amigas ficou feliz com aquela palavra final.

Sakura jogou malcriadamente seu trabalho sobre a mesa; eram rascunhos sobre a história e luta de Tsunade Senju, que seria uma das candidatas às eleições daquele ano, sobre a mesa de Tenten. Ela muito raramente escrevia textos — estava lá para revisar, afinal -, mas vez ou outra a chefe permitia que postasse coisa ou outra.

Tenten soltou uma risadinha; tanto Ino quanto Sakura pareciam duas crianças mal-criadas que acabavam de ser contrariadas.

— Se querem tanto se vingar, porque não colocam algumas perguntas ácidas? — Ela sugeriu.

Ino nem a honrou com um olhar, mas Sakura virou-se de canto, e encarou a chefe com os olhos estreitos. Tenten sorriu, ergueu o copo de café na direção delas e piscou.

— Afinal, é a nossa especialidade.

~

Sakura colocou os sapatos de salto com um pouco de dificuldade. Ajeitou a franja recém cortada e o vestido que, embora não fosse nem curto, nem longo, ela considerava um pouquinho vulgar por ser parecer tão justo em seu corpo magro.

A maquiagem era leve e simples – porque maquiagem não era exatamente o maior conhecimento daquela pobre estudante de medicina.

A bolsa preta que usaria era pequena; nela cabiam apenas o gravador, algumas canetas e coisas que toda mulher deve ter dentro de uma bolsa. Sakura também levaria uma pasta, que continha papeis com perguntas feitas por Ino – que tinha dado o braço a torcer, no fim das contas, e se recusava a ter um trabalho jogado fora.

Ela respirou fundo, porque não podia negar que estava um pouquinho nervosa, já que não era todo dia que um homem rico e lindo demonstra claramente que quer te ver.

Claro que Sakura fez questão de se livrar daquele nervosismo ao ver a melhor amiga deitada no sofá, comendo sorvete e com cara de poucos amigos.

— Eu estou indo... – A Haruno avisou hesitante, e a loira deu os ombros. Ela estava de mau humor desde que elas foram avisadas das condições do Uchiha. – Prometo dar um soco nele em seu nome.

A promessa fez a Yamanaka dar um sorrisinho gasto, mas que aquilo bastava por ora.

Sakura pegou as chaves do carro que elas haviam comprado em suposta "sociedade" – Ino pagava, Sak limpava – e seguiu para o sedã negro simples.

Demorou cerca de duas horas e meia até que ela alcançasse o maldito escritório. Por sorte, ela dirigia descalça então o chulé dos sapatos não era problema. Pelo menos não por hora.

Antes de descer, ela deu uma última ajeitada no cabelo, passou um brilho labial simples e calçou os sapatos. Desceu desajeitadamente, pegando a pasta e a bolsa e inspirou e expirou fundo — três vezes — antes de prosseguir.

O prédio da Uchiha Company era enorme e visualmente incrível, tanto por fora quanto por dentro; ele fora projetado para ser eficiente e absolutamente sustentável.

Ela praguejou por levar quinze minutos até alcançar a recepção, onde uma mulher ruiva a atendeu com uma expressão de desgosto – talvez pelo vestido de Sakura, que estava visivelmente gasto pelos anos de uso.

— Deseja alguma coisa? — Ela perguntou educadamente.

Sakura assentiu.

— Eu sou Sakura Haruno, — apresentou-se com um sorriso. — do Diário de Konoha. Tenho uma entrevista marcada com o senhor Uchiha.

O sorriso da mulher foi extremamente profissional.

— Um minuto, por favor. – Ela puxou o telefone, teclou algum número e pareceu levar apenas um instante para ser atendida. – Bom dia!... A senhorita Haruno está aqui para a entrevista.

Sakura não pôde ouvir a resposta de quem quer estivesse falando do outro lado da linha, mas a ruiva logo desligou.

— O senhor Uchiha ainda não chegou, mas pode se sentar.

Sakura obedeceu, sem parar de pensar em mais e mais críticas para aquele desaforado. Ele mesmo havia marcado o maldito horário que ela devia comparecer! Ela não chegou nem um minuto atrasada, mas ele... Claro! Ele, rico e dono do mundo... As pessoas podiam esperar por ele.

O titubear de saltos fez Sakura voltar à órbita; e ela se levantou imediatamente quando uma mulher bonita, uniformizada parou à sua frente. Ela sorria gentilmente e a cumprimentou de maneira educada.

— Olá, eu sou Hinata Hyuuga.

Sakura se lembrava bem daquele nome.

— H-Hinata Hyuuga? — Ela mal podia conter o ânimo. — Da Companhia Hyuuga?!

Os Hyuuga eram uma família muito conhecida, donos de fazendas e X empreendimentos; eles também não economizavam investimentos em saúde e educação, e Sakura admirava muito seu trabalho.

Hinata corou um pouco diante a animação da desconhecida, mas continuou sorrindo.

— Eu mesma... Podemos conversar em uma sala reservada?

Sakura nunca hesitaria diante de um convite daqueles. Naquela altura do campeonato, ela sequer se lembrava da entrevista que devia ter com Sasuke Uchiha.

No fim das contas, uma entrevista de dez ou quinze minutos acabou acontecendo com a senhorita Hyuuga, que respondeu algumas perguntas de Sakura e explicou os futuros projetos de sua família em relação à tecnologia – era por isso que ela estava naquele lugar, no final das contas.

— Então vocês vão fazer uma fusão com o Império Uchiha?

A Hyuuga franziu o cenho.

— Não exatamente. Nós vamos colaborar com algumas ideias do presidente, mas não se trata apenas da Uchiha Company. O senhor Minato Uzumaki, por exemplo, será um dos grandes investidores desse projeto de integração social e tecnológica. A ideia é a seguinte: Os Hyuuga vão fornecer infraestrutura, os Uchiha, tecnologia e os Uzumaki vão providenciar o projeto.

— Então é como se fosse uma escola?

— Isso. – Hinata concordou. – Um tipo de escola profissionalizante. Queremos investir em criatividade, investir no melhor funcionário possível. Acreditamos que educação é a essência de tudo, então é um projeto importante.

Sakura suspirou.

— Isso é... Incrível! – Exclamou. A morena riu.

— Na verdade, é um pouco louco. São três empresas tentando enfiar algo na guela do governo. Estamos apostando na vitória da senhora Senju para facilitar as coisas. Ela gostou da ideia, então provavelmente teremos seu apoio.

Sakura concordou. Hinata olhou para o relógio e pareceu se surpreender.

— Foi uma conversa agradável. — Ela sorriu e voltou a olhar para Sakura. — Nem vi a hora passar.

Ambas se levantaram e cumprimentaram-se cordialmente.

— Foi um prazer enorme conhecê-la, Hyuuga-san. Eu realmente admiro o seu trabalho.

Hinata assentiu lentamente, e seu rosto tornou-se ainda mais avermelhado. Sakura notou que ela corava com facilidade, e achou isso adorável.

— Me chame de Hinata. O prazer foi todo meu... É uma ótima ouvinte, Haruno-san.

— Sakura.

Sakura a corrigiu com um sorriso, e elas se despediram com um aperto de mãos.

Sakura provavelmente só se lembrou de Sasuke Uchiha porque, ao se separar da outra, quando estava pronta para retornar ao saguão, deu de cara com o dito-cujo bem ao lado da porta do elevador.

Ele ficava muito bem de terno.

— Boa tarde, senhorita Haruno... É um imenso prazer revê-la.

Notas finais
Enfim, lá vamos nós para um novo começo! Espero que alguém leia, e que alguém, além de mim, goste da ideia! :) ~ Dúvidas? Críticas? Sugestões? Eu estou aqui para isso! :D