Notas iniciais
Eu queria comentar muitas coisas, mas estou a ponto de entrar em coma. Alguém aí já tomou paracetamol?... Ou será poralamine...? Não sei. Sei que é um remédio pra alergia. A propósito, eu ando bastante alérgica à alguma coisa nos últimos tempos... Algo que vem acabando comigo. x.x Como eu disse, gostaria de comentar muitas coisas nas notas. Mas o remédio tá me fazendo desmaiar. Eu pretendia postar esse e mais outro, mas passei o dia inteiro cochilando de tempos em tempos e por isso foi impossível terminar o 37, mas pretendo postar ainda essa semana. Eu lamento pela demora, pessoal. Mas nos últimos tempos a minha vida tá... *Suspira* Cansativa. Minhas últimas semanas foram de provas, e minha faculdade tá uma bagunça porque, aparentemente, meu coordenador só é coordenador de nome. E pra melhorar, tenho cólicas. Eu gostaria de me desculpar sinceramente pela demora, e gostaria de deixar claro que, apesar da demora, eu não vou desistir da fic. Isso nem passa pela minha cabeça, especialmente porque eu já decidi o final e estamos caminhando pra lá... Obrigada a todos! Todos os comentários, todas as recomendações. Eu prometo fazer uma nota decente no próximo capítulo, mas... O coma me chama. x.x Aos leitores NH, parabéns! Vocês devem estar em deleite com o The Last... Eu também estou, apesar de pender pro lado SS da vida. Estou ansiosíssima pelo filme e muito feliz pelo Naruto e pela Hinata! sz~ Sei que alguns SS estão decepcionados, mas vamos ter fé, pessoal! Nós somos canon! ^^ Aliás, eu gostaria de fazer uma dancinha de comemoração sobre isso, já que não posto desde o final de Naruto, mas... Deixa pro próximo. Enfim. Somos canon. Temos uma criancinha linda pra provar! sz~ Não fiquem tristes pela falta de SS em TL. Tenham fé e torçam pro tio Kishi colocar alguma coisa nos spin-offs e no novo filme... Tudo vai ficar bem. sz~ Menos a tia Candy, que tá tão bêbada de sono que já não sabe mais o que escreve. Boa leitura. x.x

Capítulo 36 – Cansaço.

Sakura não precisou de esforço para desligar o despertador na manhã que se sucedeu. Bastou que o aparelho vibrasse para ela – mais desperta do que se devia supor estar alguém as cinco e vinte da manhã – o desativasse.

Não quis olhar para o visor do aparelho simplesmente porque não queria correr o risco de deparar-se com o aviso de mensagens, ou o de ligações perdidas. Passou minutos imensuráveis no mesmo lugar, sem mover um músculo, deitada de bruços com a mão direita deitada sobre o aparelho celular, olhando debilmente para qualquer canto enquanto refletia.

Sua cabeça latejava como um inferno.

Seu peito parecia querer explodir...

E seu coração parecia sangrar.

Tentou fechar os olhos. Ainda que não quisesse, voltou a pensar em Sasuke... No quão certo ele estava quando a dissera que não era um bom homem.

Na verdade, naquele momento ela pensava que o Uchiha estava muito longe de ser um homem decente. E aquilo a estava matando, porque ainda que soubesse, ainda que tivesse total convicção de que os princípios de Sasuke eram distorcidos e suas ideias perturbadas, ela não conseguia deixar de pensar nele nem sequer por um minuto.

Mesmo que naquele momento seus pensamentos se baseassem em pura raiva, Sakura sabia que aquilo não podia ser bom. A raiva era um sentimento forte, afinal... Um sentimento quente. Sentira raiva dele no começo, tanto raiva quanto atração, e veja só a quê ponto havia chegado!... Deitada, depressiva, sem vontade de se levantar nem mesmo para trabalhar.

Tudo por alguém que ela devia ter desconfiado desde o começo que não valeria à pena... Que uma hora ou outra, cedendo ou não, iria traí-la, machucá-la, abandoná-la.

O pensamento a feriu de tal maneira que ela levou um segundo para recuperar o ar. Estreitou os olhos e odiou a si mesma por sentir aquela palavra pesar e doer tanto em seu peito. “Traição”.

Tinha que pensar no trabalho... Tinha que pensar na universidade.

Ela suspirou e grunhiu, irritada com sua postura. Revirou na cama, incomodada com seus sentimentos e com aquele irritante friozinho na barriga. Ela sorriu ao encontrar

Ela suspirou, grunhiu de maneira irritadiça e revirou na cama.

Não pôde evitar sorrir ao encontrar a amiga, que estava deitada ao seu lado, dormindo tão profundamente que mesmo as rugas de preocupação na testa – que haviam se mostrado durante todo o dia anterior – haviam sumido.

Gentilmente, Sakura encobriu os ombros de Ino com a manta rósea antes de levantar-se o mais silenciosamente possível. A pobre amiga passara parte da madrugada acordada, tentando consolá-la sobre algo desconsolável. Tinha se esforçado tanto para animá-la...

Sakura suspirou; bagunçou os cabelos e praguejou. Não devia deixar-se levar pela tristeza!... Ainda que doesse muito, não podia se dar ao luxo de fraquejar. Sakura sempre havia tido bons amigos, sempre havia se esforçado e finalmente estava a ponto de alcançar seus objetivos... Era a aluna favorita de Tsunade Senju, pelo amor de Deus!

Não. Ela simplesmente não podia ser fraca.

Sasuke Uchiha não era nada em comparação ao seu sonho de infância.

Não podia ser.

~

Sasuke havia passado boa parte da noite em claro.

Não por ser um homem bom e sensível, triste pelos mal entendidos com sua verdadeiramente querida namorada, nem por estar irritado com a teimosia e estupidez dela. Também não era porque passara o tempo inteiro refletindo sobre seus atos, arrependido de seus erros.

Ele havia passado parte da noite em claro porque, lamentavelmente, sempre que conseguia pegar no sono era acordado repentinamente por um ronco alto de Naruto. Era incrível como seu melhor amigo podia ser barulhento até dormindo.

Fazia quase cinco anos desde a última vez em que dormira na casa do Uzumaki... E, bem, agora ele conseguia se lembrar perfeitamente o porquê disso.

Estava deitado no sofá do quarto de Naruto, muito mal humorado enquanto se encolhia numa mantinha fina que a empregada havia lhe trazido na noite anterior.

E, como não conseguiu dormir, consequentemente havia passado a noite inteira resmungado sobre seu péssimo dia, reclamando a si mesmo sobre as atitudes burras e as palavras hipócritas expressadas por sua irritante – e insuportavelmente adorada – namorada.

Também passou horas se perguntando o porquê de estar ali, na casa de Naruto, deitado num sofá minúsculo – em comparação ao tamanho de sua cama –, ouvindo-o roncar quando podia muito bem estar desmaiado em seu próprio colchão.

Ele se virou na direção do amigo e amargou a imagem de Naruto Uzumaki deitado, usando apenas uma samba canção ridícula, babando agarrado a um travesseiro cumprido.

Perguntou-se como Hinata poderia desejar dormir com aquilo.

E em pensar que naquela altura poderia estar dormindo tranquilamente, agarrado ao corpo pequeno e macio de sua Sakura...

Sasuke bufou, frustrado. Sua situação era tão medíocre que ele não queria mais pensar nisso. Levantou-se furioso com Naruto. Que tipo de amigo dormia com tamanha facilidade enquanto o outro tinha tantos problemas?!

Ele era um belo filho da mãe, isso sim. E roncava feito um porco!

Embora estivesse sinceramente tentado a sufocá-lo com o travesseiro, Sasuke se limitou a sair do quarto resmungando, refletindo seriamente sobre a ideia de conhecer amigos mais sensíveis.

E menos barulhentos.

– Sasuke!

Ele mal tinha começado a descer as escadas quando a voz de Kushina o surpreendeu. – Passou a noite aqui?! Sequer o vimos chegar...!

– Subi direto. – Sasuke explicou, e bastou pôr os pés no primeiro andar para sentir aquele abraço quente e maternal que Kushina Uzumaki adorava distribuir. Embora o Uchiha não fosse dado a contatos tão facilmente, sabia que era uma mania dos Uzumakis querer tocar, pegar nas pessoas.

Depois de vinte anos de amizade com o mais barulhento e hiperativo deles, Sasuke já não se importava mais com isso.

– Devia ter dado um alô. – Ela suspirou. – Minato e Menma já não estão mais aqui para cumprimentá-lo...

– Tudo bem. Eu só vim falar com o Naruto, de qualquer jeito... Bebi um pouco, então preferi passar a noite aqui.

A ruiva anuiu, compreendendo. Apertou o rosto do moreno e deu tapinhas suaves em suas faces. – Um bom menino. – Elogiou com um ar ligeiramente debochado, que fez os olhos negros do rapaz revirarem. – Gostaria que meu filho agisse assim de vez em quando... Ah! Sabe se algo aconteceu na festa?

Ela já o estava puxando para o sofá.

– Ele e sua prima sumiram de lá juntos, mas quando voltamos Naruto já estava aqui. Ficou fingindo estar dormindo, então suponho que...

– Eles brigaram de novo. – Sasuke suspirou. – Eu estou assim – Ele fez um sinal de pouco espaço com os dedos – Para dar uma surra no seu filho idiota, de verdade. E uns tapas na minha prima teimosa.

Kushina abafou uma risadinha.

– Certo. Sasuke-chan está virando um rapaz ajuizado. – Ela apertou o rosto do rapaz, que fez uma careta. – Até namorando, veja só!... Eu gosto muito da Sakura-chan. É uma garota esforçada e tem uma família verdadeiramente honesta... Então fico realmente feliz por vocês, querido.

Sasuke emudeceu.

– Embora deva admitir que sempre pensei que a Karin te venceria por cansaço. – Ela riu melodicamente, mas calou-se ao notar o quão cansado e fraco havia se tornado o semblante dele. -... Algum problema?

Rugas de preocupação nasceram na testa da Uzumaki.

– Claro que não, tia. – Sasuke suspirou longamente, mas seu sorriso não se tornou mais alegre. Ele apertou as mãos da mãe de Naruto fracamente, e fitou-a de forma serena. – Eu também estou feliz.

Embora não necessariamente naquele instante.

~

Sakura chegou mais cedo do que jamais havia chegado desde que começara a trabalhar no hospital. Ela havia se aprontado mais rápido do que nunca, e pela primeira vez em muito tempo, usou o transporte público para chegar lá. Nem Tsunade, nem ninguém da turma de residentes havia chego, mas ela não se importou.

Seguiu para a área emergencial – um lugar sempre agitado – e atendeu tantos pacientes quanto necessário, algo extremamente satisfatório para sua mente, que clamava qualquer tipo de distração.

Cuidou de uma garotinha que tinha uma mãe exagerada; de um velho senhor desajeitado que havia torcido o pé, e de dois irmãozinhos terríveis que haviam caído de uma árvore depois de uma brincadeira idiota. Um deles tinha um corte superficial – para a sua sorte – no antebraço, mas o outro precisou levar três pontos na perna.

Sakura estava se despedindo dos garotinhos quando a mentora apareceu repentinamente na enfermaria, empurrando a porta sem qualquer tipo de cerimônia.

– Olha só! Realmente está aqui! – Tsunade sorriu com satisfação, aproximando-se da pupila ao mesmo tempo em que cumprimentava os pacientes e sua mãe com um aceno educado.

Ela agarrou o antebraço da Haruno e arrastou-a para fora, despedindo-se superficialmente dos pacientes enquanto os deixava nas mãos da enfermeira responsável.

– T- Tsunade-sama?!

Sakura estava surpresa e constrangida, mas Tsunade não parecia nem um pouco incomodada com suas próprias ações. Estava tensa, no entanto. Tinha uma expressão séria, incomodada e estranhamente... Ansiosa?

– Algo terrível aconteceu, Sakura.

O tom utilizado foi tão sério que a Haruno enrijeceu.

Logicamente, a primeira coisa que se passou pela mente da rosada foi a imagem de um Sasuke acidentado, ferido e... Ela apertou os olhos. Não queria pensar na possibilidade. Ainda assim, seu estômago revirou ao lembrar-se de que o celular não vibrara sequer uma vez, desde o início da manhã.

– Eu devia esperar que algo assim acontecesse, com o casamento do Itachi...

– O que houve com Sasuke-kun?!

Sakura sequer tentou conter o impulso de questioná-la. Sentia seu corpo tremer, seus olhos arderam e sua cabeça tornou a doer insuportavelmente. Pensou em uma dúzia de possibilidades, nenhuma delas exatamente tranquilizadora.

Tsunade lhe lançou um olhar surpreso, confuso, e então riu do desespero estampado nos olhos da pupila.

– Desculpe, querida. – Ela falou entre risadas, e os músculos de Sakura relaxaram instantaneamente. – Lamento tê-la assustado. Entendeu errado.

Elas pararam em frente à porta do escritório da presidência, e Tsunade baixou o tom antes de prosseguir, franzindo o cenho em direção à porta. – Na verdade, há uma senhora aí dentro. É uma velha vovó gagá.

Tsunade cruzou os braços.

– Foi minha mentora quando eu era estudante. Acredito que veio com o neto para o casamento de Itachi... – Suspirou longamente. – Se me acha cruel, tenho certeza que vai repensar quando conhecê-la. Ainda assim, é uma boa chance para você, então...

Então a porta se abriu antes que a doutora Senju pudesse concluir.

Uma senhora realmente velha surgiu, seus olhos enrugados estavam ligeiramente cerrados, e encaravam Tsunade de maneira analítica, quase com ressentimento. – Eu posso ser uma vovó gagá, — Ela bateu a bengala no chão. – Mas não sou uma velha surda. Aliás, escuto muito bem, Tsunade Hime. Especialmente quando falam de mim.

Sakura enrubesceu, mas a situação pareceu bastante natural para Tsunade, que se limitou a bufar malcriadamente em resposta.

– Você veio me pedir um favor, velhota. Quer a minha pupila, não é? Ela está aqui. Mas não vou enganá-la... Sakura só vai segui-la se quiser.

A residente lançou um olhar interrogativo à sua mentora, mas a atenção de Tsunade estava fixa à sua antiga professora. – Queria conhecê-la, pois bem. Ela está aqui. – Com um puxão, a loira colocou Sakura à sua frente. – O talento da turma de residentes. Tirou a nota mais alta para entrar no hospital e...

– E desde quando notas formam bons médicos?

A velhota estreitou os olhos ainda mais, e analisou Sakura como se fosse um tipo de mercadoria nova. – Coragem, determinação, sabedoria e vontade de aprender... Isso forma um bom médico.

Tsunade cruzou os braços, divertida com a expressão imponente da velha senhora desagradável.

– Não é assim que vai conquistá-la... – Cantarolou divertida. – E não saia dizendo coisas sem sequer se apresentarem, velha. – Ela olhou para Sakura como se pedisse desculpas. – Essa é Sakura Haruno. Minha melhor aluna desde Shizune... – Tocou os ombros da tímida rosada. – Sakura, está é Chiyo Akasuna. É uma velha maluca, mas tem uma boa proposta para fazê-la.

Sakura estreitou os olhos, confusa, mas notou que a velha finalmente começava a esboçar um sorriso... Ou pelo menos um quase sorriso.

– Certo, certo... – A velha concordou, assentindo lentamente. – Milagrosamente, Tsunade tem razão. – E lançou um olhar sereno à rosada. – É um grande prazer conhecê-la, Haruno-san. Será que poderíamos conversar por um momento?

~

Sasuke estava começando a se sentir um grande idiota.

Pior que isso: começava a sentir-se mal, culpado. E pensava ser especialmente imbecil por causa disso.

Sua consciência definitivamente não devia estar tão pesada. Nada acontecera com Karin, afinal de contas... A própria ruiva, mesmo magoada, o havia tranquilizado sobre aquilo, afirmando que o Uchiha não abrira a boca se não para reclamar sobre a adorada namorada.

Karin não era alguém exatamente altruísta, e Sasuke sabia que, se não estivesse tão certa dos sentimentos do moreno pela rosada, talvez não o tivesse dito a verdade com tanta facilidade... Ou pior: talvez tivesse insistido mais naquela noite, até o ponto de não precisar mentir.

O que seria definitivamente muito pior.

Sasuke estava começando a perceber o quão mal havia agido. Não devia ter aceitado o convite de Karin, mesmo estando ligeiramente alegre... Para começo de conversa, ele nem devia ter bebido a tal ponto!

E agora estava lá, perturbado com toda a situação. Sequer conseguia esquivar-se da lembrança da expressão de Sakura...! De seus olhos verdes, tão grandes e belos, exalando tristeza e dor.

Fazendo com que ele sentisse dor.

Pensar nisso fê-lo estreitar os olhos.

Sasuke Uchiha sempre havia visto a si mesmo como um bom conselheiro. Ótimo, até... Mas sabia não ser bom em lidar com seus próprios sentimentos. Ele percebeu que nunca havia se sentido tão confuso em sua vida... Estava cansado, estressado, mal humorado. Sua cabeça latejava só por pensar no assunto, e era simplesmente impossível esquecê-lo completamente.

Embora quisesse muito culpar Sakura por seu estado, era homem o suficiente para admitir que não agira da maneira correta. Tinha sido flagrado por outra, pelo amor de Deus!... Ainda que não tivessem feito nada, que mais Sakura poderia imaginar?! O que ele imaginaria, se a situação fosse inversa?

Só pensar na possibilidade o irritou.

Sasuke franziu os lábios, irritando-se cada vez mais a cada pensamento. Não podia cobrar nada, percebeu. Especialmente diante de uma situação tão delicada.

Naruto devia estar certo, no fim. Sasuke devia ser paciente e esperar. Sakura era uma mulher inteligente, afinal de contas. Madura, muito mais do que ele próprio em muitos assuntos. Uma hora ou outra sua curiosidade tornar-se-ia maior do que a frustração, e quando esse momento enfim chegasse, iria procurá-lo.

Mas “uma hora ou outra” não significava logo, necessariamente.

Sentindo-se extremamente desanimado com a conclusão, Sasuke estacionou na garagem de seu apartamento. Ele saiu do carro em silêncio, e seguiu para o elevador do mesmo jeito, sem se importar em cumprimentar o porteiro ou os vizinhos.

Os andares passaram num piscar de olhos, e ele quase se esqueceu de sair no seu. Seguiu silencioso pelo corredor, as mãos no bolso e a cabeça baixa, expressão pensativa e coração pesado.

O rosto dela não saia de sua mente.

Os olhos dela não paravam de torturá-lo...

A dor dela ainda estava encravada em seu peito.

– Ah!

Uma exclamação tímida, feminina soou, e Sasuke ergueu os olhos para encontrar Hinata parada em frente à sua porta, parecendo muito envergonhada.

– Você chegou agora?... – Ela estava ligeiramente corada, mas a conclusão a fez se abater. – Pensei que tinha passado a noite em casa... – Murmurou baixo.

Sasuke não demorou nem um segundo para entender a presença da prima.

Ela estava preocupada com Naruto. Mesmo depois de discussões, era do feitio da prima se preocupar com as pessoas, especialmente seu amado. Sasuke não havia pedido detalhes, mas imaginou que a despedida dos dois não tivesse sido nada agradável, e Naruto, obviamente, tal como Sakura, não se dera ao trabalho de retornar suas ligações ou mensagens de texto.

Sasuke estava cansado e mal humorado, mas não pôde deixar de sorrir a prima, ainda que fosse um sorriso fraco e tristonho. – Ele não veio para cá... – O moreno garantiu tranquilamente. – Na verdade, eu fui para lá. Vamos, não faça essa cara, Hinata... Ele está bem.

Sasuke envolveu os braços da prima gentilmente, e após abrir a porta do apartamento, guiou-a para dentro.

– Foi para lá...? Algo aconteceu?

Diferente de Naruto, que adorava vomitar seus problemas para qualquer um que estivesse em sua frente [e a pessoa sequer precisava estar disposta a ouvir], Sasuke era reservado e sensível...

Ou ao menos sensível o bastante para entender quando uma pessoa está com problemas suficientes para aguentar ouvir problemas alheios. – Eu estou bem. – Ele mentiu calmamente. – Sente-se...

– Você está com olheiras... – Ela observou antes que ele se afastasse para seguir até a cafeteira. – Sasuke, se algo aconteceu...

– Eu estou bem. – Sasuke garantiu, e Hinata franziu o cenho. – E você também tem olheiras... Não devia. Se você quer saber, acho que o que fez foi bastante racional. – Ele retornou com duas xícaras com café nas mãos, e entregou o adoçado à morena. – Eu gosto disso, Hinata. – Ele tomou um gole de café e depois apontou a xícara na direção dela. – Gosto de te ver seguir seu caminho, sabe? Independente das outras pessoas.

Hinata suspirou; assoprou o líquido e tomou um gole cuidadosamente.

– Mas você sabe que está sendo cruel com o Naruto.

Ela queimou a língua e praguejou baixinho.

Sasuke a ignorou.

– Você sabe melhor do que ninguém o que é ter seus sentimentos ignorados. Francamente, se isso tudo fizer parte de um grande plano de vingança... – Ele sorriu maliciosamente. – Eu darei todo o meu apoio. Sabe? Fazer com que ele sinta o que você sentiu por quase quinze anos.

– Sasuke!

– Mas eu sei que não faz parte. – Sasuke prosseguiu, ignorando-a. – Você não quer se vingar, só quer fingir que ele não tem sentimentos por você. – Ele franziu os lábios. – O que é exatamente a mesma coisa que ele te fez por...

– Deus! Será que eu simplesmente posso não querer ter um namorado no momento?! – Ela soou irritadiça, e aquilo divertiu Sasuke imensamente.

Diversão. Num dia como aquele, esse momento pareceu sua salvação.

– Toda garota quer ter um namorado, independente do momento. Especialmente se for o cara por quem ela é apaixonada desde o primário.

Hinata bufou.

– Ou seria antes disso...?

– Você quer parar de zombar? – Ela suspirou longamente, e tomou outro gole, dessa vez mais gordo. – De qualquer forma, não vim falar do Naruto...

Sasuke lhe ofereceu um olhar sugestivo.

– Queria saber se ele estava aqui. – Hina admitiu um tanto envergonhada, e então pigarreou. – Mas não vim falar sobre isso...

– Certo... – Sasuke sorriu calmamente. – Então, por que veio?

Ela pareceu desconfortável. Rodou a xícara na mão e tomou dois goles antes de tomar coragem para prosseguir com o assunto.

– Bem... Já que está abatido, imagino que deva saber o que houve com a sua mãe na festa do Itachi... – Sasuke estreitou as sobrancelhas, mas nem teve tempo de ficar confuso.

Repentinamente, o rosto de Hinata se ergueu.

– Na verdade, — ela começou. – Eu estou muito irritada com vocês! Você e o Itachi! – Ela começou a falar rápido. – Como tudo isso pôde acontecer sem que vocês se lembrassem de mim?! Também faço parte da família! Minha mãe ama o tio Obito! Ela merecia saber que tinha uma sobrinha, assim como eu merecia saber que Kasumi era a minha prima! Eu fiquei tão confusa na cerimônia, e me senti tão idiota quando me dei conta!... – Ela bufou. – Como puderam fazer isso?! Esconder de nós?! Meu pai ser um Hyuuga me torna menos Uchiha que vocês?!

– Hinata. Respire. – Sasuke sugeriu.

Ele também precisava respirar. Se ajeitou na poltrona, aproximando-se dela com um olhar sério. – Para começar... O que houve com a minha mãe?

~

– Isso é fantástico! – Ino exclamou alto, exageradamente animada enquanto apertava o volante do carro. – Finalmente conseguiu, Sakura! O seu esforço por todos esses anos... Finalmente vai ser recompensada!

Sakura anuiu com lentidão, mas não parecia concordar realmente. Suspirou lenta e longamente antes de recostar a testa no vidro do carro e fechou os olhos, numa inútil tentativa de relaxamento.

Ino franziu o cenho. – Que cara é essa? – Ela fez um beicinho; dividia seus olhares entre a estrada e a amiga irritantemente chateada. – Sa-ku-ra! – Exclamou. – Eu a proíbo de fazer essa cara!... Vamos lá! Não é todo dia que uma residente é convidada para ajudar a doutora Akasuna em palestras.

A rosada concordou com um assentir fraco, mas não parecia disposta a falar.

– Sakura! – Ino insistiu. – Palestras. Essa palavra costumava te dar orgasmos, lembra? Desde menina você adora ficar sentada ouvindo os outros explicarem alguma coisa em cima de um palco.

Sakura tornou a suspirar, agora soando exasperada. Será que querer um pouco de silêncio era pedir demais?... Estava cansada! Sequer dormira e havia passado o dia inteiro trabalhando em pé.

– Não me ignore!

– Não estou ignorando! – Sakura finalmente respondeu, erguendo os olhos irritadiços até a melhor amiga. – Só estou tentando cochilar, Ino. Dormir. Coisa que não fiz nas últimas vinte e oito horas. Pode colaborar?!

Ino estreitou os lábios.

– Só estou tentando te animar...

Sakura ficou em silêncio. Cruzou os braços e tornou a encarar a janela.

– Você vai, não vai?... São só algumas semanas, Sakura. E você precisa se afastar, pensar no que vai fazer daqui pra frente.

Sakura percebeu que Ino era incapaz de passar vinte segundos em silêncio enquanto estava preocupada.

– Eu vou.

Ela foi direta, firme.

E rezou para que fosse a última frase daquela conversa tão desnecessária.

~

Franzindo o cenho, Sasuke encarou o relógio do painel do carro.

Cinco dias.

Já fazia cinco dias que sua vida se tornara um inferno, dentro e fora de casa.

Há cinco dias Mikoto, sua amada mãe, estava trancada dentro de um quarto grande e exageradamente escuro, tentando evitar a ajuda dos filhos e dos amigos com fervor, ainda que claramente precisasse conversar com alguém.

Há cinco dias Naruto decidira se tornar um idiota ainda maior, trocando os amigos pelo trabalho excessivo, só para provocar Hinata... Mesmo que Sasuke necessitasse de companhia.

E, como se não bastasse, a empresa repentinamente decidira demonstrar queda nas vendas. Eram baixas, e ainda que isso fosse natural para a época do ano, Sasuke se sentia frustrado. Sempre se sentia quando enxergava queda nos números.

Ele estava cansado, exausto e triste.

Seu coração estava despedaçado, os problemas só pareciam aumentar e ele simplesmente não sabia como reagir a nada disso.

Já fazia cinco dias inteiros desde a última vez em que havia falado com Sakura, e o Uchiha francamente pensava que estava a ponto de enlouquecer. Ele não a havia procurado nem uma mísera vez, embora tivesse mandado uma ou duas (ou quinze) mensagens de texto – que haviam sido claramente ignoradas – perguntando como ia sua viagem com a velha Akasuna.

Uma coisa estúpida, ele sabia. Mas o que mais poderia fazer? Não podia ir atrás dela, mas também não podia simplesmente deixá-la de lado. Era incapaz de ignorá-la, e incapaz de ignorar a si mesmo, seus sentimentos e a vontade de demonstrar à Sakura que pensava nela.

Ele afrouxou a gravata e exalou longamente, irritado.

Por quanto tempo ela ia continuar essa teimosia?!

– Desculpe a demora. – Kasumi pediu ao entrar no carro. Ela fez uma careta, ajeitou o banco do passageiro para dar mais espaço a barriga e colocou o cinto com uma cara desagradada.

– O carro é pequeno demais, madame? – Sasuke fez graça, sorrindo de canto.

– Eu já falei que você devia comprar uma caminhonete. – Ela suspirou. – Por que nunca me escutam? A vida de todos seria mais fácil se me escutassem. – Ela resmungou enquanto alisava a barriga saliente.

Sasuke sorriu.

Sempre sorria quando estava perto da sobrinha.

Ajeitou o cinto e ligou o carro. – Eu sei que sou um irmão legal, Kasumi. Mas estou sacrificando meu horário de almoço graças a um pedido repentino. Onde está o seu marido, hein?

– Ora, vamos lá presidente. Sei que seu horário de almoço pode ser de cinco horas, se assim desejar.

– Não quando tenho que me reunir com os acionistas.

Kasumi fez uma careta.

– Akane é muito mais importante do que os acionistas. – A Uchiha resmungou baixo, contrariada, e Sasuke tornou a sorrir de canto.

– Akane? – Ele fez uma careta fingindo desagrado. – Quem diria!... Kasumi vai nomear a filha só para agradar aos pais...

– É um nome bonito. – Ela argumentou. – Consegue pensar em um melhor?

Sasuke deu os ombros.

– Eu gosto de Sarada.

Kasumi permaneceu em silêncio por um segundo, antes de explodir em gargalhadas, tão alto que Sasuke sentiu-se como um menininho zombado pela irmã mais velha. Nada muito diferente do normal.

– Ninguém fala inglês fluente e batiza a filha de “Sarada”, Sasuke!

Sasuke fez uma careta.

– É um nome bonito... – Resmungou. – “Sarada Uchiha” soa muito melhor do que “Akane Uchiha”.

– Então chame a sua filha assim. – Ela sugeriu, e Sasuke simulou um calafrio.

– Ainda não me respondeu. – Ele tornou a falar depois de um instante de silêncio. – Onde está o seu marido pateta? Sei que o meu irmão facilmente abdicaria duas ou três horas de seu expediente para acompanhá-la até o hospital, então porque me chamou?

–... Não queria que ele viesse... – Kasumi confessou em tom baixo, forçando um sorriso. – Sinto muito, Sasuke. Não consigo pensar em ninguém melhor do que você para me acompanhar agora.

Sasuke a olhou de canto.

– Não é sobre o bebê, é? – Ela negou com a cabeça. – Então sobre o exame?

Depois de um segundo de hesitação, Kasumi anuiu. Sasuke suspirou longamente; puxou o nó da gravata, desfazendo-o e acelerou o carro.

– Seu pai devia estar aqui, não eu. – Começou a reclamar, sentindo-se extremamente irritado – Dentre todos, sou quem menos está envolvido nesse assunto, Kasumi. – A moça se remexeu ao seu lado, obviamente incomodada com a reação do cunhado. – Kasumi, é um assunto sério e de família. Não entendo porque eu...

– É o mais próximo que eu tenho de um irmão, Sasuke... – Ele a encarou de lado, ainda incomodado. Kasumi estava encarando a janela. – Sei que se preocupa comigo, mas também sei que não morreria se me visse chorar. Se o resultado for negativo... – Ela espremeu os lábios, tensa. – Se der negativo, — Tentou prosseguir. – Eu não quero que o Itachi esteja lá.

– Ainda assim...

– Se te incomoda tanto, deixe-me com a Sakura quando chegar lá! – Ela foi curta e grossa, claramente frustrada com a maneira como o cunhado parecia interpretar seus sentimentos. – Tenho certeza que ela não vai...

Mas quando encarou o Uchiha, notou-o abatido.

–... Sakura não está na cidade.

Foi a única coisa que ele conseguiu dizer diante do olhar inquisidor da esposa de Itachi, mas Kasumi continuou lá, na mesma posição, com os mesmos olhos, que ordenavam que ele prosseguisse.

– Não é nada... – Sasuke suspirou longamente.

– Chutou ela. – O Uchiha franziu o cenho.

– Ela me chutou. – Murmurou com ressentimento.

Kasumi pareceu perdida, confusa.

– Mas ela gosta de você!

– Aparentemente, não o suficiente... Kasumi, será que você pode parar de me encarar como se fosse a minha mãe?!

– Mãe não. – Tinha calafrios só por imaginar bancar a Mikoto Uchiha. – Irmã. E te conheço muito bem, senhor Uchiha... Vamos! Fale! O que você fez para ela te chutar?

– Eu não fiz nada...

– Mentiroso.

– Certo! – Sasuke bufou. – Nós discutimos na noite do seu casamento por causa do... Por coisas.

Não havia mencionado a presença de Madara no casamento para ninguém além do pai, que sabia ter agido de maneira igualmente discreta. O patrono da família também não havia dado motivos para nenhuma reclamação, uma vez que vinha ficando mais tempo trancado em seu quarto do que qualquer coisa.

– Nós brigamos... – Sasuke franziu os lábios. – E ela me chutou.

– Sakura não parece o tipo de garota que termina um relacionamento sério por causa da primeira briga... – Kasumi cruzou os braços, encarando-o com um olhar cheio de suspeitas. – O que você fez, Sasuke?

Sasuke suspirou.

– Bebi.

– E o que mais?

– Não tem mais... Só que... – Ele exalou o ar dos pulmões – Eu acabei dormindo com a Karin e... Ei! – Ele se encolheu ao sentir uma bofetada na cabeça. – Kasumi! – Mas ela não parou os golpes nem por um instante.

– Você chifrou a garota, traiu-a com a primeira vadia e ainda tenta por a culpa do término nela?! Seu grande filho da...

– Eu não chifrei ninguém! – Sasuke a contradisse. – Só dormimos. Deitamos na cama juntos e dormimos. Nada de sexo... Caramba! Eu vou acabar batendo o carro, mulher estúpida!

– Em que mundo você acha que eu vou acreditar nisso?!

Ela soou alta e estridente, e Sasuke bufou com irritação.

Quantas pessoas iam perguntar a mesma coisa?!

.

Sasuke cruzou os braços e recostou-se na mesa numa das paredes. Kasumi estava em frente a um balcão, com cara de poucos amigos, roupa ligeiramente amarrotada e os cabelos castanhos desalinhados.

Eles haviam passado toda a viagem discutindo até a Uchiha finalmente se render, aceitando a explicação do cunhado. Sasuke francamente não conseguia compreender o porquê de tanta desconfiança quando sempre havia sido sincero.

Às vezes até cruelmente sincero.

Ele observou a cunhada conversar com a moça do balcão e esperar enquanto ela entrava num tipo de sala atrás dele. Kasumi ficou séria, e embora estivesse bastante irritado com ela, Sasuke se compadeceu de sua situação.

Depois de suspirar longamente, ele decidiu se aproximar. Pousou uma das mãos sobre o ombro tenso da jornalista, fazendo Kasumi se assustar.

– Tudo vai dar certo.

Ele tentou soar gentil, e a moça anuiu lentamente.

– Aqui está, senhora Uchiha.

A moça do balcão retornou pouco tempo depois, estendeu aos Uchiha um envelope branco e longo. Kasumi o encarou, mas não foi capaz de estender as mãos para pegá-lo.

Sasuke esperou até que ela tomasse coragem, mas não aconteceu.

Então ele o fez em seu lugar.

.

– Não sobreviveu nem uma semana? Eu estou decepcionada.

Sakura riu, balançou a cabeça e serviu-se de mais um biscoito.

– Tóquio também está na agenda. – Esclareceu à mentora. – Você vai estar lá, não vai shishou? Eu queria que tivesse estado lá nas outras duas apresentações... Foi bem constrangedor, mas acho que consegui falar bem.

Tsunade lhe sorriu.

– Estou certa que sim. – Ela bebericou o chá fraco da cafeteria do hospital e fez uma careta. – Eles realmente deviam vender saquê por aqui... – Resmungou baixo, irritadiça, e Sakura tornou a rir.

De fato, ela parecia muito risonha.

– Algo aconteceu durante a viagem? Parece mais feliz, mais solta.

Sakura deu os ombros. Realmente se sentia mais feliz, mais solta. Especialmente diante da admirável senhora à sua frente, tudo pelo simples fato de que ela havia lhe imposto mais confiança do que Sakura jamais podia esperar, ao recomendá-la para ajudar Chiyo com as palestras.

– Talvez tenha planos para essa noite... – A loira sugeriu com um sorriso ligeiramente malicioso.

– Dormir. – Sakura garantiu. – Dormir muito. Acho que passei as últimas trinta e duas horas acordada, revisando meu trabalho para falar amanhã. Então hoje eu vou dormir muito... Só pensar nisso me deixa extremamente feliz.

Tsunade abafou uma risada, ergueu os olhos para um ponto além das costas de Sakura e, com a cabeça, apontou para que ela seguisse o seu olhar. Sak estreitou os olhos e virou-se, confusa.

Arrependeu-se no mesmo instante.

– Ouviu isso, Sasuke? Sua namorada está de volta, e pretende dormir.

Notas finais
Nesse momento em especial eu não sei o que sentir sobre o capítulo. Sequer fui eu que betei ele, já que meu estado não permitiu... q Mas eu espero que esteja satisfatório. O próximo vai sair antes do final de semana! Tia Candy vai se esforçar muito para que saia o mais rápido possível. Mais uma vez obrigada por tudo, seus leitores lindos! sz~ E mais uma vez peço desculpas pela demora. x.x Sinto muito por estar praticamente inconsciente, pessoal... Mas... O sono vai me... Venceu.