50 Tons De Uchiha
30 Decisão.
Notas iniciais
Capítulo 30 – Decisão.
Parado, vestido feito um pinguim em frente a todas aquelas pessoas, Sasuke sentiu-se extremamente incomodado.
Poucas vezes em sua vida havia idealizado aquele momento, mas nas raríssimas ocasiões em que o havia feito, definitivamente nunca havia estado naquela posição: desconfortável em frente a tantas pessoas ou desconhecidas, ou sem importância real para sua vida.
O jardim da mansão Uchiha havia sido decorado de maneira majestosa.
Os vasos altos e baixos, de arranjos com flores e brancas e vermelhas – as cores do símbolo de sua família – haviam sido elegantemente espalhados pelo lugar; adornos, enfeites e até mesmo os músicos haviam sido posicionados de maneira imponente, tal como o tapete longo e vermelho que mostrava o caminho até o grande arco de flores em que Sasuke se abrigava com o juiz de paz, seus pais e seu avô, que irritantemente ocupava um lugar que deveria pertencer a Naruto ou Itachi.
Os convidados mais pareciam plateia do que qualquer coisa.
Murmuravam coisas desagradáveis, que Sasuke se esforçava para evitar ouvir.
“Ouvi dizer que a noiva é filha de uma empregada.”
“Sasuke Uchiha, casando-se com a filha de um farmacêutico...”
“Sabia que ela tem parentes golpistas?”
“Ele podia conseguir tanto...”
Sasuke tentou não se incomodar. Tentou não ouvir, nem prestar atenção nos murmúrios daquela estúpida plateia porca, mas só sua força de vontade não parecia estar sendo muito eficaz. Quando a marcha nupcial começou a soar, no entanto, ele se aprumou instintivamente, esquecendo-se de tudo.
Ergueu os olhos para o final do tapete vermelho, ansioso e esperou.
Os segundos que se passaram foram uma tortura. Os murmúrios prosseguiam tão altos quanto o som da banda, mas ainda assim Sakura surgiu na outra ponta do tapete.
Cabisbaixa, com os cabelos róseos presos de a uma tiara de ouro, com as mãos pequenas e delicadas apertando o buquê redondo feito com flores azul royal e vermelhas, ela caminhou sozinha pelo tapete longo.
Seu vestido era grande. Exageradamente grande. A cauda longa e pesada arrastava pela grama do jardim, e Sasuke perguntou-se se era graças ao peso do vestido que ela parecia andar tão lentamente...
Levou um segundo para perceber que o peso que a fazia andar devagar não tinha nenhuma relação com o vestido ou as joias exageradas – que, francamente, nada combinavam com ela.
Ela parecia... Hesitar...?
– Onde estão os pais dela...?! – Ele se perguntou em um tom murmurado, muito mal humorado. O pai dela devia estar ali, não? Ele devia estar ajudando a filha a caminhar para a nova fase de sua vida... Devia entregar sua filha ao homem que ela havia escolhido!
– Os pais inúteis estão onde devem estar. – Como um demônio maldoso, Madara sussurrou ao seu lado. – Eu os pus em seu devido lugar... Não vão nos incomodar com sua presença inconveniente.
Sasuke sentiu-se tremer. De raiva, e de surpresa. Virou-se para encarar o avô de soslaio. Madara sorria perversamente, extremamente satisfeito.
Irritado, Sasuke voltou seu olhar em direção dos pais, ansioso para demonstrar sua irritação a alguém que se importasse. Lamentavelmente, eles pareciam dar tanta importância para sua opinião quanto o avô.
Mikoto tinha a cabeça baixa e parecia abatida, enquanto Fugaku tinha o nariz empinado e uma aura de intocável.
Dois omissos imbecis!
Frustrado e furioso com sua própria família, Sasuke teve que se controlar muito para tornar a olhar na direção de Sakura, mas inexplicavelmente, percebeu-a mais distante... O tapete havia aumentado?
“Alguém dessa laia nunca se encaixaria na Uchiha”
Os murmúrios continuaram.
“Sasuke-san ainda tem chances de correr...”
Alguém falou num tom alto o bastante para fazer outras pessoas rirem de maneira maldosa, e diante das risadas, Sakura cessou os passos. Lentamente, finalmente, ela ergueu os olhos até os do noivo. Sasuke tentou repassar confiança e força em seu olhar, mas Sak piscava rápido, como se tentasse conter suas lágrimas.
– Acalme-se. – Sasuke fez um pedido mudo, mas ela recuou um passo. – Não... – Ele sussurrou, mas ela recuou mais dois passos.
E a hesitação da noiva fez a platéia explodir em risos.
– Calem a boca! – Sasuke explodiu, gritando inutilmente.
Assustada, Sakura deixou que o buquê escapasse de suas mãos. Perdida e perturbada, tudo o que conseguiu pensar em fazer foi correr... Correr para longe de tudo.
Correr para longe dele.
– Sakura! – Sasuke exclamou tenso e ansioso. Apressou-se em descer do altar, ignorando completamente as ordens que o avô dava a alguém. – Sakura! Espere! – Mas ela não podia parar de correr. – Sakura!
– Sasuke! Volte aqui! – Alguém de sua família gritou.
Fugaku ou Madara, ele jamais saberia.
Quando estavam próximos ao jardim da frente, Sakura tropeçou na barra de seu vestido. Chorando alto, parecendo machucada, ela tentou se levantar. No entanto, antes que pudesse fazê-lo – ou mesmo antes que Sasuke pudesse alcançá-la – dois homens a ergueram.
O Uchiha empalideceu.
Os homens eram altos, e estupidamente fortes. Ainda assim, o que havia apavorado Sasuke foi o fato de que ambos vestiam jalecos brancos. – Soltem-na! – Ele gritou em tom de ordem; sua voz era um misto de desespero e fúria. Finalmente conseguiu capturar a atenção da amada, que virou o rosto banhado em lágrimas em sua direção. – Soltem-na! – Sasuke tornou a ordenar, mas foi inútil.
Ele tentou correr. Tentou alcançá-la, mas quanto mais forte era sua vontade em ajudar, mais distante ela parecia ficar.
– Sasuke-kun...
Um deles mobilizou-a e o outro, sem preocupações, puxou uma seringa e um vidro pequeno do bolso do jaleco.
Não. Aquilo não podia estar acontecendo.
– Não toque nela! – Ele gritou angustiado, mas suas exclamações soaram em vão. Os sinistros homens de jaleco obrigaram-na a esticar um de seus braços, e sem gentileza nenhuma, perfuraram-na com a agulha ainda molhada com a medicação.
E a última coisa que Sasuke pôde ver foi o corpo frágil dentro de um vestido pesado demais fraquejar, e a mulher que ele amava cair nos braços de homens que a torturariam durante o resto de sua vida.
~
Os olhos negros se abriram imediatamente.
Sasuke sentiu-se estático, perturbado. Seu coração palpitava feito um louco, e ele simplesmente não conseguia respirar.
Perturbados, os olhos de ônix do rapaz percorreram o cômodo pouco iluminado, e levou cerca de um minuto para que o rapaz pudesse perceber que estava deitado no sofá do apartamento de seu irmão, coberto com um manto irritantemente quente, do qual ele se apressou em se livrar.
Mais calmo, virou-se na direção do teto. Aconchegou-se no sofá da melhor maneira possível; alisou os cabelos negros e encarou o teto de gesso fixamente, perturbado e assustado com a última visão daquele sonho terrível.
Estreitou os olhos, incapaz de apagar a imagem da Sakura de seu sonho.
Que droga tinha sido aquilo?! Resultado dos panfletos de casamento espalhados pelo escritório de Itachi?! Ou talvez da conversa idiota, que naquele momento, ele nem conseguia entender por que tinha tido com o irmão. Sasuke odiou a si mesmo por sonhar com aquele tipo de coisas.
Ele não precisava pensar naquilo. Casamento? Ele nem pensava em se casar!
Sasuke apertou as pálpebras e balançou a cabeça freneticamente, afastando qualquer resquício daquele sonho que, de todas as maneiras, era insano.
– Sasuke? – A voz sussurrada de Itachi fê-lo cair do sofá. O advogado abafou uma risada ao identificar o som do corpo caindo, fechou a porta de seu quarto e ligou a lâmpada da sala segundos após a queda do irmão. – Desculpe. Eu te assustei?
– Eu estou bem. – Sasuke mentiu, os olhos estreitos graças à incômoda luz repentina. Itachi se aproximou, sorrindo, e ajudou-o a levantar-se. – Droga... – Ele coçou os olhos. – Que horas são...?
– Só dez. – Itachi o tranquilizou. – Você acabou caindo no sono durante a tarde, achei melhor não acordá-lo. – Sasuke concordou lentamente, franzindo o cenho. – Você não parece muito bem... – O mais velho observou.
– Enxaqueca.
Não era bem uma mentira.
– Eu vou buscar algo para você. – Itachi apertou o ombro do irmão, amistoso, e se levantou. – Pode dormir aqui hoje, se quiser. – Ele falou enquanto seguia para a cozinha. – Amanhã vou acordar cedo, te levo em casa antes de ir para o escritório.
Sasuke inspirou profundamente, e pressionou as têmporas como se assim pudesse reduzir o latejar em sua cabeça. – Vou tomar seu remédio e ir para casa... – Ele exalou longamente. – Já tem problemas demais aqui.
Itachi não o respondeu.
Em um piscar de olhos estava de volta, sentado ao lado do irmão, entregando-lhe dois comprimidos e um copo pequeno com água, que Sasuke se apressou em tomar. – Pelo menos descanse um pouco. – Itachi sugeriu. – Você parece péssimo.
Sasuke deu os ombros.
– Vou ficar bem quando chegar em casa...
E houve um longo e desconfortável silêncio depois daquilo.
Nenhum dos dois sabia o que dizer, porque ambos os irmãos sentiam-se perdidos depois de tantos acontecimentos.
– Como ela está? – Sasuke finalmente sentiu coragem de perguntar. Depois de um segundo de hesitação, Itachi bufou.
– Péssima. – Murmurou irritadiço. – Eu queria saber por que o tio Obito... – Mas ele não conseguiu concluir a frase, tamanha sua irritação diante a estupidez do tio. – Bem, pelo menos conseguiu dormir. Eu não suportaria vê-la chorar a noite inteira...
– Amanhã ela vai estar de volta. – Sasuke o animou, dando um tapinha amigável em suas costas. – Kasumi é a criatura mais forte que eu já conheci na vida.
Era mesmo verdade. Kasumi era a pessoa mais forte que Sasuke havia conhecido na vida, e ainda assim, a testemunhara debruçar-se em lágrimas graças a maldade de Madara Uchiha.
Ele inevitavelmente pensou em Sakura.
– Você tem razão. – Itachi murmurou com incerteza. – Amanhã ela vai estar em pé, mas... Ainda vai estar ferida. – Ele baixou a fronte e encarou o tapete. – Ela vai se fingir de forte, por mim... E não vou poder fazer nada sobre isso.
–... Você devia levá-la ao hospital. – Sasuke sugeriu repentinamente. Itachi arqueou uma das sobrancelhas e encarou o irmão com estranheza. – Não conseguiram ver o sexo do bebê no último ultrassom... Talvez consigam agora. Ela pode ficar mais animada.
–... É uma ideia a se considerar. – Itachi concordou e Sasuke anuiu. – Eu vou ligar para Tsunade para pedir autorização...
– Ótimo. – Sasuke se levantou, animado por conseguir ajudar em alguma coisa. Puxou o paletó do ombro do sofá e se vestiu.
– Realmente devia ficar aqui para dormir. – Sasuke deu os ombros.
– Prefiro meu ninho solitário. – Itachi arqueou as sobrancelhas.
– Solitário mesmo?
Ele preferiu ignorar aquela insinuação. Vasculhou os bolsos e agradeceu aos céus pelas chaves do carro ainda estarem no terno. – Nos vemos, irmão. – Acenou enquanto seguia a caminho da porta. Itachi o acompanhou.
– Amanhã. Já que você deu a ideia, nada mais justo do que nos acompanhar, tio Sasuke.
Sasuke fez uma careta, mas não parecia disposto a recusar.
– Eu vou fazer uma simpatia para ser um menino. E, se for, vai dar meu nome a ele. – Itachi franziu o cenho. – Eu não vou ter filhos, e preciso passar o meu legado...
– Você vai ter uma filha, Sasuke. – O mais velho profetizou. – Uma filha estupidamente bonita. E vai pagar suas ações. – Sasuke simulou um calafrio e retirou-se do apartamento.
Itachi observou-o se afastar, ora mexendo no celular, ora ajeitando o terno. – Ei, Sasuke! – O mais jovem virou-se de soslaio. – Obrigado pela preocupação.
Sasuke sorriu. Deu os ombros, como se não pudesse fazer outra coisa além de se preocupar, e entrou no elevador.
~
Sakura não tinha conseguido dormir na última noite.
Pior que isso! Havia passado o dia anterior inteiro – e aquele realmente havia parecido ser o maior e mais longo dia de sua vida – agitada. Ela não sabia o que fazer, não sabia o que pensar e muito menos em como reagir, caso Sasuke decidisse agir!
Mas ainda que não conseguisse pensar em como reagir ao Uchiha, havia passado as várias horas de seu último dia encarando o celular, esperando qualquer sinal de vida do dito cujo que, a propósito, não havia dado nenhum.
E aquilo a fazia se sentir ainda mais idiota.
O que deveria pensar, afinal? Ele realmente só estava esperando a hora H para se livrar dela?
– Sakura Haruno, você ao menos está tentando prestar atenção? – A voz de Tsunade soou com puro desagrado, e Sakura quase saltou ao ouvi-la. Sua tutora suspirou longamente, decepcionada pelo deslize da pupila. – Não me parece muito bem hoje também. – Sakura encolheu-se, extremamente constrangida.
De fato, ela não havia agido bem na tarde anterior. Havia sido – e estava sendo – extremamente distraída, coisa que nunca havia feito até então.
– Por acaso se sente doente?
– Não, mestra. – Ela se apressou em garantir. – Não estou doente, só...
Ansiosa.
– Indisposta. – Ela decidiu. – Tenho uma apresentação na próxima semana. Toda a minha classe vai estar lá, então... – Ela se calou ao ouvir mais um suspiro da mentora. – Desculpe, senhora... – Tornou a repetir.
– Tudo bem. Eu posso entender seus sentimentos... É a primeira aluna de sua classe, afinal. Os professores e colegas esperam muito de você. – Sak sentiu o rosto queimar. – Mas não devo dispensá-la hoje, já que ontem só ficou aqui por meio período.
– Naturalmente! – Ela definitivamente não estava pedindo isso. Só a ideia de ficar parada em casa, ruminando em possibilidades do que Sasuke devia estar pensando, ou deixando de pensar deixava-a apavorada.
– Mas não tenho tempo de falar com uma aluna desligada.
Dura e sincera. Sakura sentiu seu corpo encolher diante daquelas palavras.
– Deve se retirar. Descansar até se sentir mais disposta... – Sakura anuiu lentamente, e levantou-se um tanto cabisbaixa. – Já tem conhecimentos suficientes para se automedicar, caso precise. – Tsunade murmurou enquanto se sentava a mesa e abria um livro qualquer.
Um sorriso tímido brotou dos lábios da Haruno ao perceber o elogio.
– Sim... Obrigada, senhora. – Ela se curvou educadamente e retirou-se.
Enquanto seguia caminho até o refeitório, ansiosa para morder qualquer coisa que estivesse a venda por menos que as moedas que tinha no bolso, Sakura não conseguiu parar de pensar no quão idiota estava sendo.
E daí que ele não tinha ligado?!
Sasuke era um empresário, ora essa! Um homem ocupado!... E daí que nos meses em que estavam juntos, não havia tido um mísero dia em que não havia se falado? Ele podia ter seus deslizes, não?
Podia esquecê-la por causa do trabalho.
Claro, disse para si mesma. Claro que ele pode esquecê-la, principalmente num domingo, depois de transarem!
Sakura soltou um gemido, irritada com seus pensamentos, e bateu freneticamente na cabeça com uma das mãos, sem sequer pensar que estava no meio do corredor do hospital em que estudava e possivelmente trabalharia no futuro.
Porque ela estava sendo tão idiota?!
Porque estava agindo de forma tão desesperada?!
– Eu sempre suspeitei que você gostasse de garotas masoquistas, Sasuke. Mas acho que isso é um pouco demais. Sakura não era assim antes de te conhecer. Por acaso fez algo com ela?
Sakura virou-se instantaneamente na direção do som da voz de Kasumi.
Ela estava no meio dos dois irmãos Uchiha; Itachi ria, mas Sakura não soube se era pela piada, ou pelo constrangimento que Sasuke demonstrava. – Sei que é difícil, Kasumi, mas será que você pode parar de ser idiota? Ao menos em público? – Sasuke tentou sugerir.
Kasumi riu, assim como Itachi. Eles prosseguiram as piadas – muito estúpidas, na opinião do Uchiha mais jovem –, mas Sakura não conseguiu lhes dar atenção, já que seus olhos estavam fixos no namorado.
Sasuke cruzou os braços, e respondeu aos desaforos do casal. Ele parecia estar contrariado, mas Sakura percebeu que mais tentava aparentar do que sentia irritação de fato. Ele parecia... Bem. Desperto e animado, muito agitado e disposto a fazer com que os irmãos se divertissem, mesmo que fosse às suas custas.
Sakura não conseguiu evitar o sentimento de incômodo ao perceber.
Quando, por mero acaso, levou os olhos até o rosto da rosada, enrubesceu ao perceber que ela o fitava com tanta intensidade.
– Oh, eles estão trocando um olhar apaixonado. – Kasumi zombou, cochichando alto para o noivo, que revirou os olhos.
– Vamos deixá-los em paz. – Ele enlaçou a cintura da morena. – Sasuke, nós voltamos logo. – E guiou a decepcionada futura esposa pelos corredores.
Sakura enrubesceu ao notar um sorrisinho filho da mãe brotar no rosto do empresário, e imediatamente desviou o olhar. – É verdade que a minha futura irmã não tem limites, mas aquilo foi mesmo demais... – Ele se aproximou furtivamente, divertido com a tensão da rosada. – No que está pensando, Sakura? – Ele murmurou próximo à orelha dela, só para provocar.
Sakura se aprumou, e voltou-se para ele no mesmo instante. Extremamente constrangida, ela se encolheu. – Eu fiz besteira, fui dispensada da aula pela Tsunade.
Não era exatamente mentira.
– Compreendo... – Sasuke murmurou pensativo. – Ela é bem durona, às vezes...
E um momento de silêncio se fez.
Longo e extremamente incômodo.
– Quer um café? – Sakura sugeriu, pigarreando logo em seguida. – Eu não comi nada, estou faminta... Podemos conversar sobre o que você está fazendo aqui.
Sasuke hesitou.
Demais, na opinião dela.
– Claro. – Ele murmurou, por fim. Seu sorriso era forçado e tenso. – Vamos. – E, sem encostarem um no outro, seguiram na direção da cafeteria.
– Então...? – Sak murmurou, e ele lhe lançou um olhar interrogativo. – O que você faz aqui? – Perguntou efetivamente.
– Ah! Eu só vim acompanhá-los. – Deus ombros e então sorri. – Fiz uma série de simpatias interessantes que encontrei na internet, para que o bebê seja um garoto.
Sakura riu.
– É verdade. – O Uchiha garantiu, sorrindo, ligeiramente animado com o assunto. – Eu não vou ter filhos, então...
Então ele percebeu como era estúpido por dizer aquilo à sua namorada.
Quis bater a própria cabeça na parede por tamanha imbecilidade, mas imaginou que contornar ou distorcer o assunto só faria com que Sak começasse a pensar em possibilidades.
Ou pior: pensar que ele pensava em possibilidades.
Não. Definitivamente, o melhor era prosseguir daquele jeito.
– Eu não vou ter filhos. – Ele repetiu, pigarreando. – Então preciso de um garoto forte e robusto para quem eu possa passar o meu legado.
Uma das sobrancelhas finas da médica se estreitou, mas Sak ainda sorria. Parecia achar muita graça, tanto no assunto quanto na postura do namorado, e Sasuke notou que ela sequer havia percebido seu deslize.
– Eu acho que seu irmão prefere uma menina. – Ela refletiu, e Sasuke anuiu.
– De fato. Mas tenho a Kasumi no meu time, e Kasumi sempre vence Itachi. – Sak abafou mais uma risada, e ele se sentiu satisfeito ao vê-la sorrir. – Pode se sentar. – Ele ofereceu, fazendo uma menção com a cabeça em direção às mesas. – Eu posso buscar a comida. Café para mim, aquela coisa gosmenta de caramelo para você e um pedaço de bolo para nós dois. O que acha?
– Ótimo. – Ela anuiu, alegre com o fato de ele parecer tão solto. Num impulso, pôs-se na ponta dos pés, segurou o rosto do rapaz e roubou-lhe um beijo rápido. – Mas vá logo.
Por algum motivo muito idiota, Sasuke se sentiu estático diante a ação dela. E por um segundo, não conseguiu desviar seus olhos dos grandes orbes verdes. – Rápido, Sasuke-kun! – Ela exclamou, e o empurrou, parecendo divertida com a distração do Uchiha, que finalmente se afastou. Muito desajeitado, na opinião dela.
Inexplicavelmente alegre, Sakura seguiu para uma mesa qualquer, contendo-se para não dar saltinhos de felicidade durante o caminho.
Em geral, o próprio Sasuke era responsável por fazer coisas constrangedoras em público. E embora fosse extremamente embaraçoso, Sakura sentia-se satisfeita por revidar ao menos uma vez.
Ele chegou à mesa poucos minutos depois; colocou a bandeja sobre ela e distribuiu os pratinhos com bolo e os copos de café. Tentou não se sentir tão ansioso quando viu Sakura aproximar a cadeira da dele, mas enrubesceu quando, ao se sentar, sentiu-a acomodar a cabeça em seu ombro.
– Eu não consegui dormir ontem... – Ela murmurou em tom de confissão, pegando um pedacinho de bolo. – Fiquei pensando... – Enrubesceu. – Fiquei imaginando o que você devia estar fazendo... – Para não me ligar o dia inteiro depois de nossa primeira noite de amor, ela completou mentalmente.
Perceber a timidez implícita na voz dela fê-lo relaxar um pouco. Com o copo de café, ele escondeu um meio sorriso tranquilo, e deu os ombros. – Passei o dia com Itachi. – Explicou cuidadosamente. – Problemas de família, sabe.
Lentamente, Sakura anuiu. Ela sentiu o rosto queimar mais – se é que aquilo era possível – quando os lábios dele roçaram em seu cabelo. – Mas eu devia ter ligado... Desculpe por isso. – Murmurou baixo, e ela sentiu um comichão no estômago.
– Tudo bem...
Sasuke sentiu-se muito bem por perceber que não era o único a se comportar – e se sentir – como um completo idiota, dadas às circunstâncias. Então simplesmente deixou-se levar pelo momento. Relaxado, envolveu-a gentilmente com um dos braços e alisou sua cintura com carinho, enquanto bebia café com a mão livre.
Sak se encolheu mais, envergonhada.
– Pareço muito idiota por ter me sentido incomodada? – Ela perguntou baixo, e Sasuke sorriu.
– Consigo pensar em algumas de suas atitudes que possam ser consideradas como “idiotas”. – Ela o cutucou, embicando os lábios. – Mas essa não é uma delas.
Ele havia sido completamente sincero, e Sak suspirou por perceber isso.
– É extremamente grosseiro de a sua parte falar isso com tanta naturalidade, sabia?
Ele deu os ombros, indiferente.
– Eu... – Sakura hesitou. Ajeitou as madeixas róseas desnecessariamente e encarou o pedaço de bolo à sua frente. – Senti sua falta. – Seu murmúrio foi baixo e tímido, e por um segundo, Sasuke não soube como reagir.
Lentamente, os olhos negros se fixaram na figura encolhida ao seu lado. Sak tinha a cabeça deitada em seu ombro direito e os olhos fixos à mesa.
O fato de os olhos dela estarem presos a um pedaço de bolo, ao invés de presos aos seus olhos o incomodou inexplicavelmente.
Ele também havia sentido falta dela. Muita falta.
De fato, durante toda a noite havia revirado na cama, incomodado por sentir falta do peso de Sakura do outro lado do colchão. Não havia conseguido pregar os olhos, tanto por ruminar horas e horas as palavras de Itachi, quanto pelo fato de simplesmente não conseguir tirar as imagens de seu sonho da cabeça.
Lembrar-se do pesadelo o desarmou completamente.
Lentamente, timidamente, os grandes olhos verdes de Sakura se ergueram para fitar o rosto do amado, que parecia absurdamente sério. Sasuke não costumava agir com seriedade quando estavam juntas, então Sak se sentiu estranha diante daquele olhar.
Como ela podia estar tão furiosa com ele e, de uma hora para a outra, estar completamente entregue? Tudo por um olhar sério e caloroso!
Sakura sentiu seu interior queimar ao mesmo tempo em que seu estômago congelava, e as sensações a fizeram sorrir.
Timidamente, enlaçou os dedos na gravata escura do empresário e furtivamente puxou-o para mais perto; ela enrubesceu, quando sentiu as respirações mesclarem, e quase explodiu de felicidade quando Sasuke, sem se importar com o fato de estarem em público, roçou os lábios nos dela.
– Sei que também sentiu minha falta... – A coragem permitiu-a murmurar, e por alguma razão, Sasuke não conseguiu deixar de escorrer. – Eu acho que posso escapar por uma ou duas horas... Talvez três.
Ele sentiu o peito queimar quando os olhos verdes e brilhantes encararam os seus, visivelmente ansiosos.
–... Meu carro está lá fora.
~
Kasumi se sentiu muito estranha com aquela situação.
Lá estava ela, deitada a uma maca com um Itachi muito ansioso ao seu lado, segurando suas mãos. Ela sentiu a moça espalhar o gel frio por sua barriga e encolheu-se, estupidamente animada com tudo aquilo. – Estão prontos? – A doutora perguntou com um sorriso gentil.
– Há semanas. –Itachi confessou, e a esposa riu.
– Certo, vamos ver o que temos aqui...
Ela ligou os aparelhos e Kasumi soltou um “kyah” ao sentir a máquina gelada sobre a barriga. A imagem do bebê surgiu na tela, e Itachi pareceu parar de respirar, tamanho seu encantamento.
– Hum... Vamos ver, vamos ver... Veja só como é bonzinho, está na posição certa...
Kasumi franziu o cenho. Não importava quantos ultrassons fizesse, nunca conseguia enxergar nada além de um monte de borrões na tela. – Estão vendo isso aqui?
A mulher apontou, e a mãe estreitou os olhos.
– Não. – Ela foi franca, e a mulher riu ao notar a frustração em sua voz.
– Exatamente! – A mulher virou-se para o casal com um sorriso radiante. – É uma garotinha! Parabéns, papai e mamãe!
Kasumi levou um segundo para absorver a notícia, mas Itachi foi muito mais rápido. Ele riu, tão alto que a enfermeira assistente lhe chamou a atenção, e beijou Kasumi com tanta vontade que a noiva precisou pedir calma.
– Eu não consigo pensar desse jeito! – Ela exclamou aos risos.
– Não precisa pensar, amor. Eu sempre disse que era uma menina, você devia ter se acostumado com a ideia. – Ele roubou mais um beijo. – Agora é definitivo: precisamos e uma casa. Se fosse um menino, podia dormir no sofá, mas uma menina? Não. Minha princesa vai ter um quarto majestoso.
Ele cruzou os braços e assentiu para si mesmo, mais parecendo um grande imbecil do que o Grande Itachi Uchiha.
– Sasuke vai ficar decepcionado.
– Tanto quanto você. – Itachi garantiu, e Kasumi fez uma careta.
Nem de longe se sentia decepcionada!
– Aliás, onde está o grande idiota? Perdeu a notícia do século!
Kasumi suspirou e sorriu, divertida com as ações do noivo.
– Deixe-o em paz. – Aconselhou. – Para começo de história, Sasuke só veio porque estava preocupado comigo. – Itachi franziu o cenho de maneira duvidosa. Na realidade, acreditava que o irmão estava tão ansioso quanto ele próprio para saber o sexo do novo membro da família. – Eu estou bem agora, então prefiro que ele se divirta com a namorada.
Itachi deu os ombros, francamente indiferente.
– É ele quem perde.
Sentou-se ao lado da noiva e envolveu-a, carinhoso. Seus olhos estavam fixos à tela, fascinados. – Eu posso tirar uma foto disso?
A médica riu.
– São mesmo pais de primeira viagem!... – Ela balançou a cabeça, achando graça da reação do novo papai. – Eu vou te enviar uma imagem.
– Duas.
– Uma. Pode tirar trinta cópias e mandar para toda a sua família, senhor Uchiha, mas só vou te dar uma. – Itachi sorriu.
– É exatamente isso o que eu vou fazer. – Ele garantiu, orgulhoso.
E foi ali, encolhida nos braços do amado, ouvindo Itachi se encher de orgulho para exibir-se dos rabiscos que formavam sua filha que Kasumi percebeu que não devia existir maior felicidade no mundo.
E chegar nessa conclusão fê-la inevitavelmente lembrar-se do rosto de Rin.
~
Aquele possivelmente era o segundo melhor quarto – isso se não fosse o melhor – da mansão Uchiha. Era grande, elegante, com mobília luxuosa e confortável, mas Mikoto nunca gostou muito dele.
Achava frio e vazio, muito similar ao resto da mansão.
Já passava do meio dia, mas cortinas estavam fechadas e as luzes do cômodo, com exceção de um moderno abajur próximo à escrivaninha, ainda estavam apagadas.
Mikoto estava encolhida abaixo das cobertas, sentada à frente da escrivaninha originalmente de seu marido. Tinha os olhos fixos a um envelope cumprido que havia sido endereçado à “Ilustríssima família Uchiha”.
Como remetente, apenas as letras “I&K” estavam destacadas, mas a senhora não precisou ser muito inteligente para imaginar do que se tratava. Tomando coragem, Mikoto procurou o canivete guardado em uma das gavetas e abriu o envelope; com cuidado, puxou de lá outro envelope, que devia ser um pouco maior que sua própria mão.
Observou aquilo por um longo instante.
Era um convite elegante, bonito e de muito bom gosto. Bege, com detalhes rendados e selado com um laço de fita fina, extremamente delicado.
Com um pouco de hesitação – e uma parcela de medo, tinha que admitir – a senhora Uchiha abriu-o e, com as mãos quase trêmulas, puxou o papel grosso e gracioso que servia como convite para o casamento de Itachi e Kasumi.
Um sorriso tristonho estampou seu rosto. Eles realmente a haviam convidado!... Mesmo depois de tudo.
Mikoto suspirou longamente e deslizou, saudosa, os dedos pelas letras prateadas em relevo que formavam o nome de seu filho. Nunca, nem em seus piores pesadelos, Mikoto pensaria estar naquela situação.
Uma série de vezes havia idealizado o casamento dos filhos: uma grande cerimônia, organizada por ela e a nora em questão.
Mesmo que não gostasse nem um pouco de Kasumi, já havia se imaginado trabalhando ao seu lado. Elas brigariam muito, sem dúvidas, mas Mikoto suspeitava que fariam um grande trabalho juntas. Afinal, não importava o quanto não suportasse a futura nora, Mikoto amava o filho.
Mais do que qualquer coisa no mundo.
E mesmo que fosse de seu desagrado, no fim das contas sempre estaria lá por eles, tanto por Sasuke, quanto por Itachi.
Ela suspirou longamente, e limpou as lágrimas que os pensamentos melancólicos lhe fizeram derramar. Tentou respirar fundo, e puxou o envelope maior com o intuito de descartá-lo. Com as mãos, rasgou-o, mas estranhou ao sentir uma parte do papel mais grossa que a outra.
Surpresa e confusa, a Uchiha tirou de lá um pequeno bilhete escondido, e os olhos negros deslizaram pelas duas únicas palavras, muito bem expressas pela caligrafia bonita que Mikoto suspeitou pertencer a Kasumi.
“Por ele.”.
Era tudo o que o bilhete dizia.
~
Bastou que a porta do elevador se fechasse para que Sasuke se aproximasse repentinamente, e a encurralasse contra a parede.
Com o estômago gelado pela ansiedade, e o rosto rubro por constrangimento, Sakura puxou-o pelo terno, e permitiu que seus lábios fossem abocanhados por um beijo intenso, subitamente necessitado.
Como ela podia ser mais feliz?!
Estremeceu ao sentir as mãozinhas sem vergonhas abrindo seu jaleco, e enrubesceu quando o pervertido arranhou sua cintura por baixo da camisa social. Sakura sentia-se estática e ansiosa. Temia a possibilidade de serem flagrados, mas – tinha que admitir – o misto do medo e da ansiedade era extremamente estimulante.
Quando finalmente alcançarem o andar – graças a Deus, sem serem flagrados por ninguém, a não ser as câmeras de segurança das quais sequer se lembravam àquela altura – Sasuke agarrou-a pela cintura. Ele a ergueu repentinamente, e Sakura soltou um gritinho assustado enquanto se pendurava nos ombros largos, rindo enquanto o Uchiha corria na direção do apartamento.
– Ria enquanto pode, senhorita Haruno. Não dou vinte minutos até estar gritando. – ele ameaçou, mas parecia tão animado com a situação quanto a própria Sakura.
Apressado, ele abriu o apartamento; adentrou, fechando a porta com um chute e simplesmente jogou-a no sofá, satisfeito com as gargalhadas da rosada.
Ela parecia iluminada de felicidade, e isso fazia com que ele se sentisse feliz.
Quase sem pensar, ele colocou seu corpo sobre o dela e a beijou.
Os beijos foram entusiasmados e brincalhões. Eles roçaram os narizes, rindo e sorrindo um para o outro, e Sasuke apertou uma parte sensível em sua cintura, de modo que ela se contorceu de cócegas.
Mas gradativamente, a as cócegas de Sasuke se transformaram em carícias; os leves apertões na cintura tornaram-se mais firmes e intensos. Aos poucos, os beijos doces e brincalhões, rápidos e carinhosos, tornaram-se profundos e demorados... Tão intensos que Sakura mal podia respirar.
Os narizes continuaram a roçar um no outro, e as respirações quentes e pesadas fizeram com que o pensamento de ambos nublasse.
Sasuke sentou-se ao sofá, puxando-a durante o processo. Sak acomodou-se sobre seu colo, sem querer desgrudar os lábios dos dele, e apoiou-se firmemente em seus ombros.
Sentia seu corpo queimar.
Sentia seu coração vibrar.
Mais uma vez, o desejo de ficar lá, encolhida nos braços do Uchiha para sempre surgiu.
Permitiu que ele deslizasse o jaleco por seus ombros, e livrou-se da peça em um instante; agarrou a gravata fina e com lentidão, olhando fixamente nos olhos negros, desatou-a.
Sasuke se sentia perdido. Sentia-se a deriva.
Não conseguia deixar de olhar para os olhos dela, e ficou satisfeito ao perceber que ela se sentia da mesma maneira. Enquanto observava Sakura deslizar os dedos finos por sua camisa, desabotoando botão por botão com uma lentidão propositalmente sedutora, Sasuke não conseguiu conter seus impulsos: segurou-a pelos cabelos da nuca, firmemente, e roubou-lhe um beijo cálido, que fez ambos estremecerem.
Sakura afastou-se vagarosamente, e sorriu ao fitar os olhos negros tão aparentemente perturbados. Sem reservas, ela puxou-lhe o paletó. Sasuke ajudou-a a arrancá-lo, e sorriu quando a viu jogá-lo ao chão. Ele se aproximou mais, agarrando-a pela cintura e fazendo com que os corpos se tocassem. Deslizou os lábios por seu pescoço suavemente, beijando milímetro por milímetro da pele dela, extasiado pelo perfume que exalava.
Seus lábios desceram aos poucos, e Sasuke se apressou em livrá-la da regata branca surpreendentemente simples. Ele agarrou seus seios e deslizou o rosto sobre a pele clara, beijando-a, mordendo-a.
O corpo de Sakura se sobressaltou sobre o seu, e ele arfou ao sentir as unhas dela agarrarem suas costas, firmes. – Sasuke-kun...! – Murmurou, tão perdida quanto ele próprio. – Por favor...
O murmúrio o fez sorrir. Ele se levantou, segurando-a firmemente pelas pernas; Sakura o abraçou instintivamente, e ele sentiu o coração acelerar ao sentir o corpo dela tão próximo.
Eles seguiram até o quarto, mas Sasuke não se preocupou em fechar a porta. Simplesmente deitou-a sobre a cama, pôs-se sobre ela e limitou-se a beijá-la. Seus lábios, seu rosto, seu pescoço... Seus ombros, seus seios, e cada milímetro de seu tronco, até que ela resfolegasse.
Com as mãos trêmulas, Sakura terminou de tirar sua camisa; jogou-a de canto, tensa e ansiosa, e puxou-o pela nuca, sentindo a estúpida necessidade de beijá-lo.
Sasuke retribuiu de bom grado, e aproveitou-se do momento para posicionar-se estrategicamente entre as pernas já flexionadas da Haruno.
Ele deslizou os dedos por sua panturrilha, fazendo a pobre moça tremular; arranhou levemente sua pele, arrancando-lhe um suspiro e finalmente afastou-se. Um pouco desajeitado, apressou-se em livrar-se da calça. Sakura observou nervosa, mas não conseguiu pensar em nada para dizer.
Nu, ele se ajeitou na cama. Ajoelhou-se em frente a ela, majestoso, e Sak suspirou com ares de veneração, arrancando um sorrisinho filho da mãe, muito malicioso do maldito narcisista.
Como um homem podia ser tão bonito?!
Sasuke ajudou-a a livrar-se do resto de suas peças. E embora Sakura se sentisse a criatura mais medíocre do mundo, com seus seios pequenos e corpo franzino, ele parecia adorá-la.
– Você é tão linda... – Ele suspirou, aproximando-se para beijá-la novamente. Afastou-se milimetricamente e sorriu ao olhar para o rosto dela. – O que faz com um cara como eu?
Sakura estreitou os lábios e sorriu timidamente.
– O que você faz com uma garota como eu? – Ela perguntou, parecendo bastante corajosa, e Sasuke definitivamente pôde perceber.
Droga. Droga. Droga.
Estava apaixonado por ela.
Ele arfou ao sentir os lábios dela, tímidos, beijarem seu queixo, e enrubesceu, perdendo-se em seus pensamentos, animado quando ela o empurrou para o lado e rapidamente sentou-se sobre o seu corpo.
Sakura estava rubra, mas parecia decidida a demonstrar seus sentimentos.
Segurou-o pelo rosto firmemente, e beijou-o longamente. Ajeitou-se de uma maneira incômoda, e encolheu-se ao senti-lo penetrá-la. Se não estivesse tão perturbado, confuso e extasiado, Sasuke teria rido da expressão dela.
Mas, naquele momento, tudo o que ele pôde fazer foi agarrar sua cintura e impulsioná-la.
.
O relógio despertador que descansava sobre o criado-mudo ao lado da cama apitou alto, denunciando a meia noite. Ainda assim, Sasuke não conseguiu se mexer.
Seu quarto estava completamente escuro, mas ele não se importava... Seus olhos já estavam abertos há tanto, que ele havia se acostumado com a escuridão. Estava naquela mesma posição há horas, com Sakura recostada em seu peito, dormindo profundamente, extremamente cansada pelas horas e horas de amor incessante.
Ele também se sentia exausto, mas não conseguia desligar a mente.
Definitivamente, amar era muito perturbador... Ele fitou o corpo da namorada, tão frágil e feliz, e desejou que continuassem deitados ali até o resto de suas vidas...
Precisava disso.
– Ela não conseguiria ser parte da Uchiha... E, por isso, temi que se tornasse como Rin... Ou pior: como eu.
As palavras de Mikoto ecoaram na mente de Sasuke como uma tortura, e ele suspirou longamente, frustrado com seus próprios sentimentos; esquivou-se de Sakura cuidadosamente. Ela se encolheu, se remexeu, virou-se para a parede, mas não fez menção de acordar.
Ele sorriu. Aproximou o rosto do corpo dela, e alisou a cabeleira rósea; depositou um beijo doce, carinhoso em sua nuca, e Sakura se encolheu.
– Como você pode ser tão linda...? – Ele suspirou, e balançou a cabeça, perturbado com seus próprios sentimentos.
Por um segundo, Sasuke pensou na Sakura de seu sonho.
Imaginou a possibilidade de, de fato, ela tornar-se sua noiva, mas não conseguia deixar de pensar que tudo seria muito semelhante àquele pesadelo.
Sasuke raramente se via insatisfeito sobre o fato de ser um Uchiha. Ele havia nascido em uma família rica e poderosa, e sua personalidade havia sido moldada de acordo com seus próprios interesses.
Havia tido suas crises de rebeldia durante sua adolescência, mas mágoa por se sentir excluído das conversa familiares, negligenciado pelos pais ou desprezado pelo avô não eram nem de longe tão terríveis quanto a dor que agora tomavam conta de seu peito.
Ele a amava.
Definitivamente a amava...
E, por amá-la, não podia condená-la a uma vida semelhante à de Mikoto, que se tornara prisioneira de sua própria consciência, Rin, que havia perdido toda sua vida ou Kasumi, condenada a eterna rejeição.
Por amá-la, ele sabia que Sakura devia ser mais feliz sem ele.
~
Era manhã. Uma manhã tranquila e chuvosa.
Obito estava sentado, acomodado na sala de estar, lendo casualmente um de seus livros favoritos quando a campainha soou.
Por saber que a única empregada da casa estava bastante ocupada ajudando Rin com o jardim, não se preocupou em levantar-se e seguir para atender as visitas repentinas. Mas bastou abrir a porta para que o sangue fugisse de seu rosto.
– Kasumi! – Ele não conseguiu deixar de exclamar, francamente impressionado com a presença da filha. Ela estava séria e tinha os olhos decididos, mas Obito pôde perceber que ela apertava a mão do noivo ao seu lado.
– Desculpe incomodá-lo, tio... – Itachi parecia... Desanimado?
Não, talvez só preocupado.
– Não é incômodo! – Obito se apressou em sair do caminho, ansioso. Kasumi hesitou por um instante, mas enfim adentrou a casa. – Querem um chá? Um café? Talvez uma água... Kasumi sente-se!
Ele estava tão... Ansioso.
– Obito. – Ele parou de se mover no instante em que ela falou. – Eu acho que... Podemos ter aquela conversa agora...
Fale com o autor