Notas iniciais
Olá, pessoinhas queridas! Como sempre, antes de qualquer coisa eu gostaria de agradecer à Hyuuga Uzumaki pela vigésima primeira recomendação de 50TdU! Obrigada por todo o carinho e por suas doces palavras, que fizeram a tia Candy realmente feliz! n.n Também gostaria de desejar parabéns atrasados à Ana. Eu sinto muito não conseguir terminar e postar ontem para presenteá-la!... E, mais uma vez, quero agradecer à todos os que comentaram o último capítulo e fizeram meu coração derreter! Vocês são tããão lindos!... sz~ *Suspira* Quinta-feira foi o meu aniversário. A tia Candy completou 21 anos!... E sim, continuo otaku, continuo Narutard, continuo Potterhead e continuo escrevendo fanfics. Será que isso é constrangedor...? Não que eu me importe. ^-^' Amo o meu mundo! :D E ADIVINHEM SÓ O QUE A TIA LOUCA COMPROU DE PRESENTEEEE?!! ISSO MESMO!!! (?) AS FIGURES NH DE THE LAST MWAHAHAHAHAHA' Elas só devem chegar em janeiro ou fevereiro, mas... FORAM DUZENTAS FUCKING PILAS MUITO BEM GASTAS! WHAAAA! SOMOS CANON! *Bate palmas feito uma foca* Isso aí, pessoal! Canon! E BELAMENTE CANON!... Ultimamente eu ando meio com invejinha dos NH, devo admitir. Ah! Como eu queria ter me apaixonado pelo casal protagonista!... Ao invés disso, tenho que esperar e rezar para que ano que vem tenhamos algo SS! XD Mas não se irritem, NHs! É uma invejinha branca, totalmente. Eu estou francamente MUITO feliz com Naruto e Hinata! :D Eu adoro o Naruto, e a Hinata é a minha personagem feminina favorita (provavelmente só perde pro Sasuke, que é o meu favorito-mor), então estou extremamente satisfeita com o foco que sendo dado à ela... sz~ Espero que todos estejam ansiosos para assistir The Last! Eu to morrendo de lumbriga aqui!... Os spoilers não param de sair, e cada vídeo me dá mais vontade ainda de assistir! *w* Gostaria de deixar um pedido sincero aos meus queridíssimos amigos do fandom SS: não sejam toscos. Por favor. Ultimamente no facebook eu ando vendo declarações muito toscas e invejosas, que vem me envergonhando de tal forma... *Suspira* Por favor, não sejam toscos. SasuSaku é o meu OTP, e eu também queria que eles tivessem destaque, mas isso não significa que nós não podemos ficar felizes pelos NHs. Afinal, o Naruto trouxe o nosso Sasuke-kun de volta! O mínimo que podemos fazer é desejar toda a felicidade do mundo pra ele!... :) Err... Que mais eu ia dizer? Ah, sim! Hoje meu honey-honey chegaaa~!!! szszszcoraçõesszszsz Meu melhor presente de aniversário, sem dúvidas. *o* ... Na verdade o segundo melhor, porque o melhor foi o canon... Embora tenha sido um presente muito antecipado... ... Que o queridinho não leia isso... Enfim! ^-^' Eu consegui trazer hoje! XD O capítulo ficou pronto na madrugada, mas eu tinha tomado aquele xarope antialérgico do inferno, e tava grogue. Não queria postar mal postado, então preferi esperar acordar... ... E eu acordei bem cedo prum sábado... XD Capítulo de manhã! Há quanto tempo vocês não tem isso?! Bem, chega de tagarelar. Eu ainda tenho que virar uma diva pro meu namorado, e aposto que vocês estão mais interessados no capítulo. Mais uma vez obrigada por tudo, pessoal! E desejo a vocês uma ótima leitura!

Capítulo 37 – Cravos.

– Está pálida.

Sasuke observou depois de trinta segundos dentro do carro. Kasumi não o honrou com uma resposta: continuou parada, pálida, encarando o envelope branco e longo lacrado que descansava sobre seu colo.

Sasuke teve a impressão de que aqueles papéis pesavam mais do que a criança que ela carregava.

– Ficar encarando não vai ajudar em nada. – Ele murmurou baixo, um tanto incomodado com toda aquela hesitação. Se ela teve tanta pressa de ir buscá-los, porque não ver logo?!

– Se está com medo, enfrente. – O Uchiha sugeriu. – Sempre foi assim, não é?

– Não. – Foi a única resposta que ela lhe deu.

Sasuke fechou a cara, irritado. Aquela nem parecia a Kasumi que ele conhecia!

Ele bufou irritadiço e puxou o envelope sem cerimônias, finalmente conseguindo uma reação da prima em potencial. – Sasuke! – Ela exclamou com tom de aviso, parecendo furiosa com a atitude do mais jovem. Quando ele fez menção de rasgar o envelope, ela pareceu desesperada. – Pare! Por favor!

– Se você quer abrir, simplesmente abra. Por que está tentando fugir?!

Os olhos castanhos da mulher se estreitaram, magoados.

– Fugir...?! Pelo menos tem idéia do significado que esse exame tem na minha vida?! Não na minha vida... O que vai ser daquela mulher, caso eu não seja a filha dela?... O que vai ser da Rin se perder a filha mais uma vez?!

– Kasumi...

– Eu estou com medo, Sasuke. Nunca estive tão assustada na minha vida. Sinto mais medo do que quando seu tio apareceu, mais medo do que quando descobri que ia ser mãe... Mais do que qualquer coisa, porque eu quero que eles sejam meus pais!... Quero mais do que tudo que já quis na vida!

Kasumi odiava chorar, mas sabia que isso aconteceria desde que recebera a ligação do hospital. Mesmo não querendo admitir, aquele era um medo que a acompanhava desde que ouvira Rin.

Ela limpou as lágrimas que escorriam por suas faces; passou o polegar pelas manchas de lápis derretido e apertou as pálpebras. Baixou o rosto, coçou a testa com uma das mãos e tentou controlar sua respiração e seus nervos.

– Acho que você tem uma ideia muito errada dos meus tios... – Sasuke falou suavemente. Kasumi sabia que ele não devia estar olhando para ela, então não se moveu. – Do jeito que fala, parece que eles simplesmente vão se livrar de você, se esquecer de você, caso não seja mesmo filha deles.

Ela franziu o cenho. Não era assim que devia ser?... Só pensar naquilo a feria.

Kasumi sentia seus olhos queimarem irritantemente, mas respirou fundo para que as lágrimas não tornassem a escapar.

– Eles não são assim, Kasumi. – Sasuke garantiu. – Você já é filha deles, independente desse exame idiota. Meu tio sente que é, assim como a Rin. —
Tentou olhá-la de soslaio, mas só a ideia de ver Kasumi Aihara depressiva era irritante. – Isso dar negativo, — Ele ergueu o envelope. – Não quer dizer que você perdeu seus pais. Não significa que eles perderam a filha... Quer dizer que vocês ganharam uns aos outros.

Kasumi apertou os olhos e se encolheu no banco, escondendo o rosto com as mãos. Sua cabeça parecia flutuar, e seus músculos estavam moles, sedados. Sasuke pensou em se aproximar, em acolhê-la e consolá-la, mas conteve seu impulso.

Gostava de Kasumi. Adorava-a, mas não queria se envolver demais... Pelo menos não mais do que já estava envolvido nos assuntos de Obito e sua família, porque toda aquela situação o magoava profundamente.

– Vou te buscar uma água. – Ele murmurou. Apressou-se em sair do carro, mas ainda assim pôde ouvir os soluços baixos do choro dolorido de sua cunhada.

Sasuke bufou. Praguejou.

Enquanto seguia para dentro do hospital, dobrou as mangas da camisa social até os cotovelos, exasperado e frustrado. Perguntou-se o porquê de estar ali, passando por uma situação tão delicada ao lado de uma mulher que nem era sua.

O sofrimento de Kasumi, de Rin e de quem quer que fosse não era de sua conta. Não devia ser e ele não queria que fosse, mas era impossível pensar nelas – qualquer uma das duas – sem lembrar-se dos pecados da mãe.

– Temi que ela se tornasse como Rin... Ou pior: como eu.

Naquele momento, Sasuke percebeu que jamais se esqueceria daquelas palavras. Percebeu que elas o perseguiriam como uma praga, que o atormentariam até o último dia de sua vida.

Tudo o que mais queria naquele momento era esquecer-se de tudo, entrar na maldita lanchonete e buscar qualquer coisa que pudesse fazer com que os nervos da cunhada voltassem ao normal, mas ele não conseguiu parar de pensar no assunto.

Ele pensou em Mikoto e Fugaku, e na relação que tinham.

Sasuke nunca havia duvidado do amor que seus pais sentiam um pelo outro. Sempre haviam sido muito discretos, é claro... Mas ainda que dificilmente fossem pegos trocando beijos, mesmo pelos corredores estreitos da mansão Uchiha, qualquer um que os visse trocando um olhar podia ter certeza sobre seus sentimentos.

Eles se amavam, sem dúvidas, mas... Isso era o suficiente?

Mikoto havia sido privada de seus amigos, de sua família, de suas origens no momento em que havia se tornado uma Uchiha. Era como se ela nunca tivesse feito parte de outro lugar. Ela havia sido privada da liberdade de suas escolhas, e por anos havia agüentado calada a dor de seu pecado, do crime cruel, terrível que o frio Madara a havia envolvido.

O rapaz Uchiha francamente não conseguia compreender, entender... Como Fugaku poderia permitir que algo assim acontecesse bem debaixo de seu nariz? Especialmente amando a esposa!...

Se Sasuke tinha uma certeza na vida era de que não o faria.

Jamais privaria ninguém de nada, e muito menos permitiria que alguém ficasse preso sobre a influência de Madara. Sasuke estava condenado àquilo desde o dia de seu nascimento, e só ele já bastava.

Havia tomado aquela decisão há muito, embora evitasse pensar no assunto. Sempre que o fazia, sua mente inevitavelmente o fazia se lembrar da imagem do rosto dela... Daqueles dois grandes orbes belos, brilhantes e esverdeados, do sorriso doce e provocante posto nos rosados lábios finos...

Uma doce e torturante lembrança de que havia se apaixonado.

Suspirando, ele fechou os olhos. Quase podia sentir o cheiro do perfume primaveril, a maciez de sua pele... E os sons da risada de sua Sakura.

– Dormir.

Estreitou os olhos.

– Dormir muito.

Sasuke coçou a testa, confuso ao perceber que a voz parecia próxima e alta demais para estar só em sua cabeça. Apressou o passo, e pôde perceber que na medida em que se aproximava de seu destino, o tom do som das risadas aumentava.

– Acho que passei as últimas trinta e duas horas acordada, revisando meu trabalho para amanhã... – Sakura prosseguiu, e bastou Sasuke colocar botar os pés na lanchonete do hospital para encontrá-la.

Ele nem precisou procurar muito, visto que a irritante criatura de cabelos róseos por quem estava apaixonado encontrava-se na primeira mesa perto da entrada, sentando à frente de sua mentora e de costas para Sasuke, comendo qualquer coisa que realmente não importava ao Uchiha.

– Então – Ela continuou, rindo melodicamente. – Hoje eu vou dormir muito. Só pensar nisso me deixa extremamente feliz.

Tsunade abafou uma risada, e Sasuke quase podia vislumbrar o rosto de Sakura. Um sorriso divertido, os olhos verdes brilhantes e ligeiramente estreitos, faces levemente avermelhadas...

Ele se empertigou quando os olhos uísque de Tsunade se cruzaram com os seus. Não notara que ela o havia percebido. Com a cabeça, a loira apontou em sua direção e um milésimo depois, antes mesmo que o Uchiha pudesse pensar em recuar, praguejar ou qualquer coisa, Sakura se virou.

E, inferno! Foi como se o coração dele tivesse alcançado a garganta!

– Ouviu isso, Sasuke? Sua namorada está de volta, e pretende dormir.

Ele não conseguiu reagir. Para falar a verdade, quase não ouvira Tsunade, uma vez que estava focado no rosto de sua garota.

O rosto dela estava um pouco pálido. Se era pelo encontro ou pelo cansaço, Sasuke não sabia dizer. Ainda que carregasse profundas olheiras – que tentava esconder com a fraca maquiagem –, Sasuke pensou que ela estava mais bonita do que nunca. Usava um vestido rosa e comportado que devia chegar aos joelhos e sandálias baixas, casuais cor de rosa.

Ela estava linda, mas o vestígio de sorriso que carregava no rosto se desfez no instante em que seus olhares se cruzaram. O silêncio provavelmente se estenderia, longo e agonizante, se Tsunade não tivesse gargalhado com a cena.

– Entreguei você?

A médica parecia estar se divertindo e rapaz Uchiha pôde facilmente concluir que ela não fazia ideia da repentina decisão estúpida de sua pupila, coisa que, tolamente, o deixou extremamente aliviado.

–... Sim... – Sakura confessou, um tanto desconsertada. Ela baixou a fronte.

– Não acredito que voltou para a cidade sem contar ao seu namorado. – Tsunade fez uma careta, e Sakura a respondeu com um desanimado sorriso constrangido. – Por acaso estavam brigados?

– Sim.

Foi Sasuke quem a respondeu.

– Por uma tolice, Tsunade. – Ele sorriu à Senju. Seu estômago estava revirando de ansiedade, mas mesmo assim ele roubou um biscoito e tomou o lugar ao lado de Sakura exibindo a maior tranqüilidade do mundo. – Não acreditaria o porquê.

Sakura o lançou um olhar irritadiço e ele sorriu provocante em resposta. Incapaz de conter seus impulsos, ergueu a mão para acariciar o rosto da amada.

O coração de Sakura disparou.

A alma de Sasuke se acalentou.

–... Diga que a saudade a fez pensar melhor... – Ele pediu num murmúrio ligeiramente magoado, até um pouco quebrado. Encostou a testa na dela, e embora Sakura quisesse muito empurrá-lo, levantar e correr para longe dali, não pôde mover um músculo.

Era engraçado. Ela até tinha se esquecido de como a presença daquele conseguia fazer todo o seu corpo paralisar... Como o toque dele queimava.

Sakura estreitou os olhos, incomodada com a sensação que aflorava em seu peito. Ela desviou o olhar e torceu para que aquela pequena rejeição o fizesse desistir, recuar... Pelo menos parar de tocá-la!

– Acho que já vou.

– N- Não precisa! – Sakura exclamou imediatamente, apavorada com a ideia de ficar só com o amado. – Tsunade-sama!

Devia ter contado à ela.

Devia, devia, devia... Mas não havia podido. Se apenas lembrar a traição a machucava, falar sobre era tão ruim quanto tortura. Para falar a verdade, se Ino não tivesse concluído por si própria, talvez nem ela soubesse àquela altura.

Nas últimas semanas, fingira esquecer-se completamente da existência do amado. Ignorava suas mensagens tanto quanto costumava a ignorar às da operadora, e quando a perguntavam sobre a vida amorosa em uma ou outra reunião, ela ria e desconversava, simplesmente.

Perceber o pavor dela o fez sorrir, embora fosse um sorriso fraco. Era bom saber que a ideia de ficar a sós com ele a assustava... Mas terrível perceber que, no fim, não era o que ela desejava.

– Tudo bem, Tsunade. – Sasuke a tranqüilizou, afastando os rostos, virando-se para encarar a loira enquanto se levantava. – Eu tenho que ir, de qualquer forma. Tenho uma reunião, só vim trazer a Kasumi.

Sakura sentiu seu coração se aliviar.

De fato, teve que se conter para não suspirar com a sensação.

Mas todo o seu alívio foi em vão. Sasuke tornou a se agachar; pegou o rosto arredondado da rosada cuidadosamente, segurando-o com as duas mãos, e puxou-o com uma firmeza cautelosa antes de repentinamente selar os lábios dela.

Bem, talvez aquilo só tivesse sido repentino para ela, que tinha a cabeça girando.

Sakura desejou ter forças para se esquivar, mas sentia falta dele. Insuportavelmente. E o máximo que pôde fazer foi pousar as mãos no peito largo, impulsioná-lo fracamente, exibindo o desejo de afastá-lo.

Ela não queria retribuir ao carinho, mas como rejeitar um beijo que não passava de um roçar de lábios?... Tão doce, tão macio, tão carinhoso e amoroso... Ela apertou os olhos, irritada com Sasuke, com seu coração e consigo mesma.

Ele se afastou da mesma forma que havia se aproximado: lentamente, sorrindo de maneira provocativa. Eles se encararam por um instante que pareceu eterno. Ela irritadiça, com os olhos estreitos e claramente ressentidos, ele com uma expressão séria e reflexiva.

–... Até mais, Sakura.

E simplesmente se afastou.

~

Itachi era um homem responsável e ocupado, apesar de ter liberdade o suficiente para decidir quando devia ou não estar no escritório. Ele tinha bons clientes, clientes sérios, que lhe davam liberdade o suficiente para ele não ter que se estressar com crises de ansiedade ou preocupação antecipada.

Ele acreditava que essa era a maior vantagem de trabalhar exclusivamente com o executivo. Liberdade e considerável tranqüilidade era uma vantagem daquela área. E embora ele estivesse lidando com dinheiro pesado de outros, tinha total ciência de que definitivamente sua vida era muito mais fácil que a dos sócios que tratavam de assuntos familiares e divórcios.

Naquela tarde, ele saiu cedo do escritório da Akatsuki. Havia marcado uma reunião com um potencial comprador de seu apartamento pequeno e luxuoso. A ideia de vendê-lo lhe era de doer o coração, mas Itachi sentia necessidade de arranjar uma casa.

Um lar grande, como nos filmes. Só para mostrar à Kasumi que os sonhos que ela havia negligenciado por tantos anos poderiam ser reais.

Só para vê-la feliz.

O comprador em potencial havia feito uma proposta generosa, que certamente agilizaria a busca do lar perfeito à nova família Uchiha.

Ele já podia vislumbrar a casa... Grande, mas não expansiva. Teria uma sala grande e elegante; uma cozinha espaçosa e clara... Além de quatro quartos, é claro: um para o casal, outro para Sasuke ou qualquer outra visita e dois para as crianças.

Talvez três, para três crianças.

Ele sorriu com o pensamento, realmente satisfeito com suas possibilidades.

Entrou no elevador, tocou o número do seu andar e esperou ansioso.

Revirou os bolsos enquanto isso, e estreitou os olhos, quando sacou o celular, ao notar que o led do aparelho piscava chamativamente. O celular havia ficado acidentalmente no modo silencioso, e o Uchiha franziu os lábios ao ver a mensagem de texto enviada por Sasuke há quase uma hora e meia.

“Por que não pode levar sua esposa no hospital?” ele perguntava, provavelmente mais para caçar assunto do que para reclamar, mas Itachi ainda assim se preocupou.

Que soubesse, Kasumi não tinha nada marcado para hoje... E Itachi era realmente cuidadoso com a agenda de sua esposa, especialmente em relação às consultas no hospital.

Ele franziu os lábios, irritado.

Kasumi tinha um corpo frágil, e a doutora mais de uma vez lhe recomendara cuidados especiais para a gravidez, atenções especiais, e nos últimos tempos ela havia estado sobre muita pressão. O casamento, Obito, Rin... Madara.

Itachi sabia que era difícil, embora sua esposa parecesse lidar muito bem com tudo que a cercava. Mesmo assim, cada enjôo, cada mal estar, cada queda de pressão era motivo de preocupação para o futuro papai.

Ele pedira um milhão de vezes para que sua teimosa e adorada esposa o avisasse a qualquer sensação incômoda, independente do momento, da hora, da circunstância. Mas ao que parecia aquilo era o mesmo que ficar em silêncio.

Não era difícil imaginar Kasumi, calculista como era, deixar de avisá-lo graças ao encontro com o possível comprador. Ela estava ansiosa para se livrar do apartamento que, segundo ela “só servia para acumular contas e poeira”, uma vez que Itachi se mudara efetivamente para o apartamento dela – mais simples, mas muito maior. Ela o achava exageradamente caro (o condomínio e as despesas), e diferente do marido, não via a hora de vendê-lo.

Itachi suspirou longamente. Coçou a testa, irritadiço e começou a perguntar à Sasuke o que a esposa tinha para decidir ir ao hospital.

Era claro que ela chamaria Sasuke. Aquela teimosa!

E tanta irresponsabilidade para nada. Afinal, que homem teria cabeça para se concentrar em negócios quando sua esposa e filha poderiam estar em risco?!... Era simplesmente impossível não pensar o pior.

Embora, se fosse o pior, Sasuke certamente já o teria dito.

Ele saiu do elevador exasperado, praguejando e procurando sinal erguendo o celular de uma maneira quase idiota. Uma risadinha doce surgiu, e Itachi levou sua atenção até ela.

Hinata lhe estava sorrindo, lindíssima em um vestido azul social curto, mas discreto.

– Hinata!... E Neji!

Ele quase não tinha reparado a presença do primo dos Hyuuga. A mocinha o cumprimentou com um sorriso e uma mesura, mas Neji se contentou com um acenar rápido e tranqüilo.

– Há quanto tempo!... Mas não podemos conversar agora, sinto muito. – Ele sorriu, guardou o celular quando o aviso de “mensagem enviada” surgiu. – Estou vendendo o apartamento. – Ele apontou para a porta com a cabeça. – Vou conhecer um comprador em potencial.

Hinata e Neji trocaram um olhar confuso, e a garota tornou a rir ao perceber alguma coisa. Itachi estreitou a sobrancelha.

– O que?

– Para um advogado, você anda bem desatento. – A Hyuuga fez graça, aproximando-se. Estendeu a mão de uma maneira cordial, confundindo completamente o primo mais velho. – Eu sei que o apartamento está à venda, Itachi. Sou eu quem quer comprá-lo... Podemos começar?

~

Sasuke se manteve em silêncio durante toda a viagem.

Em silêncio e com uma carranca muito grande e irritadiça.

Kasumi não tinha certeza se isso se dava à discussão ou à sua própria carranca, mas tinha a leve impressão de que algo acontecera no meio tempo em que ele havia decidido buscar-lhe algo para se acalmar. Não tinha voltado com nada, afinal...

Embora, falando francamente, naquele momento ela não se sentia nem um pouco curiosa sobre o mau humor do cunhado.

Kasumi Uchiha havia passado metade da viagem olhando para o envelope, e a outra metade olhando para fora, pela janela, enquanto pensava no envelope, então só pôde perceber para onde Sasuke a estava levando quando o Uchiha estacionou em frente à casa de Obito e Rin.

–... Sasuke... – Ela suspirou longamente, cansada.

Queria ficar sozinha... Abrir aquilo sozinha. E lidar com os sentimentos que o resultado daquilo traria sozinha.

– Isso não é da minha conta. – Sasuke murmurou lentamente, quase frio. – E para falar a verdade, nem é da conta do meu irmão. – Ele virou para fitá-la de soslaio. – Você e eles – Apontou para a casa. – É um assunto que só interessa a você e eles.

–... Não quero estar lá dentro. – Kasumi baixou a cabeça. -... Pensei em mentir, sabe...? Ainda que desse negativo, dizer à Rin que eu sou a filha dela... Não por mim – Apressou-se em explicar, sorrindo envergonhada. – Mas por ela. Acho que o seu tio ia concordar.

– Eu também acho. – Sasuke anuiu; estava assustadoramente sério. – Por que os dois são grandes imbecis. O que só me faz pensar que realmente devem ter o mesmo sangue nas veias.

Kasumi estreitou as sobrancelhas.

–... Aquela mulher não é louca. Ela não é doente. – O Uchiha afirmou lentamente, depois de um instante de hesitação. – Ao menos não deveria ser. – Ele encarou a morena. – Parem de tratá-la assim, e talvez ela melhore... Parem de tratá-la como se fosse feita de vidro, e talvez ela se torne mais forte.

Kasumi não o respondeu, mas pôde entender perfeitamente.

Ela sorriu. Um sorriso fraco e frágil. Soltou o cinto do carro, apertou o envelope contra o corpo e deixou o veículo sem se despedir.

~

Sakura havia sonhado com Sasuke àquela noite.

No sonho, estavam juntos no quarto dela, encolhidos em posição de conchinha. Ela ainda podia sentir a sensação tranquila causada pela lembrança dos braços fortes envolvendo sua cintura... Ainda podia sentir o ar quente em sua nuca, os beijos suaves, os arrepios ocasionados pelos murmúrios extremamente constrangedores ao pé de sua orelha.

Tudo parte de um sonho intenso e frustrante.

Sakura sentiu-se fraca, estúpida... Sozinha. E odiou a si mesma. Por pensar nele, por desejar que estivesse ao seu lado, ainda que a tivesse traído, machucado e mentido. Maldito fosse Sasuke Uchiha! Malditos fossem os sentimentos ocasionados por seu beijo, tão doce, carinhoso e...

Ela praguejou alto.

Remexeu-se na cama, xingando baixinho enquanto bagunçava os cabelos róseos curtos e chutava o ar. Como podia ser tão estúpida?! Tudo tinha acabado! Ela mesma decidira isso.

Balançou a cabeça freneticamente.

Não ia procurá-lo. Não ia remexer naquela bendita história, pois não desejava machucar-se ainda mais. Sakura iria se levantar, botar um sorriso no rosto, sair para tomar um café forte ao lado de Ino e Inoichi e estudar para a apresentação daquela noite.

E não pensaria em Sasuke Uchiha.

~

Madara despertou cedo, como sempre.

Ele se levantou, vencendo a preguiça e a vontade de permanecer na única coisa acolhedora dentro daquela mansão fria (que, no caso, era sua cama) e se banhou. Colocou uma camisa de tecido mole social – como todas as roupas em seu armário – e buscou a calça negra lisa mais confortável que pôde encontrar.

Seguiu para a mesa sozinho, em silêncio e lá foi servido.

Sozinho e em silêncio.

Como sempre.

Comeu pouco, pois já não tinha tanta fome há algum tempo. Um pouco de arroz, um pedaço de peixe e uma fatia de fruta foram suficientes para sustentá-lo, mas ele passou bastante tempo à mesa, amargando o silêncio...

Amargando a frieza.

Decidido a ignorar a solidão que parecia preencher seu coração, o grande Madara Uchiha seguiu rumo ao escritório, onde poderia se fechar e fingir estar trabalhando o dia inteiro.

Estava pensando em um jeito de tentar pedir o esboço de alguns projetos para Sasuke sem que o neto se visse desafiado, ou se sentisse acuado, como sempre acontecia. Ele checou o celular, só para ter certeza que Zetsu não o contatá-la para qualquer coisa... Mas nada.

O velho suspirou.

Não gostava daquela sensação... Não gostava de sentir-se velho, muito menos desnecessário. Ele estava franzindo o cenho quando abriu a porta, mas sua expressão mudou no mesmo instante.

Sobre sua mesa pousava um arranjo de tamanho considerável [embora não muito grande] elegantemente enfeitado com cravos, Amarílis e mais um ou dois tipos de flores que Madara não reconhecia.

Ele se aproximou lentamente, desconfiado e desprendeu o envelope – que devia ter mais ou menos o tamanho de sua mão – preso ao arranjo. Ele o violou lentamente, retirou uma folha A4, aparentemente uma Xerox...

E sentiu cada músculo de seus nervos paralisarem.

Era um exame, ele percebeu. Ele não entendia os termos técnicos, mas não foi difícil imaginar do que se tratava quando vislumbrou os nomes de Kasumi e Obito, e a frase ao fim que, basicamente, confirmava o que todos já suspeitavam.

Madara levou mais de um minuto parado, com aquela folha pesada em suas mãos, lendo atentamente cada item, cada frase, cada... Ele suspirou, exasperado. De que adiantava aquilo, se não compreenderia?

Dobrou a folha e retirou a segunda folha dentro do envelope.

Era menor, muito menor, mas também muito mais irritante.

Orgulho, altivez, elegância e graça. Esses são os significados que acompanham a flor de Amarílis. Talvez seja a flor Uchiha.

Imagino que não deva explicar sobre os cravos, não é?

De sua primeira neta, com tanto carinho quanto recebo.

Kasumi Uchiha

~

Sasuke dormiu mal e bêbado.

Por Sakura e sua teimosia, por Mikoto e sua depressão.

Ele não se lembrava muito bem do sonho que surpreendentemente havia invadido sua mente durante a madrugada, mas tinha a impressão de que era, se não igual, muito semelhante àquele que tivera antes do casamento de Kasumi e Itachi.

Acordou mais cansado do que estava quando foi dormir, com o estômago tão embrulhado que o impediu tomar o desjejum. Agora, no escritório, quase duas horas depois e praticamente sem memória do que o havia atormentado tanto de manhã, Sasuke começava a sentir a fome incomodá-lo.

Suspirou longamente; ajeitou a gola da camisa social e imaginou o que devia pedir para Karin trazer...

Não estava disposto a comer muito. Talvez só um café, ou talvez alguns bolinhos de arroz...

Estava pensando nisso quando abriu a porta de sua sala.

– Itachi? – Ele estreitou os olhos, confuso. – Kasumi!

O casal Uchiha trocou olhares divertidos antes de encarar o mais jovem.

– Que houve...?

Kasumi não o respondeu, é claro. Ao invés disso, andou rápido [quase correndo!] na direção do cunhado, e o abraçou com tanta força e espontaneidade que Sasuke sentiu o rosto queimar.

– Q- Que droga...?

Ótimo.

Agora ele estava com sono, cansado, com fome, irritado e confuso.

Kasumi riu, segurou o rosto do mais jovem e lhe deu um íntimo e constrangedor beijo estalado no rosto. – Droga, Kasumi...

– Ao meu adorado primo, minha gratidão.

Ele a encarou de um jeito que evidenciava sua confusão. Percebeu que ela estava exuberante, feliz e radiante... E só ficou mais confuso.

– Por sua sinceridade, e até pelo seu jeito direto e grosseiro de dizer as coisas... Obrigada, Sasuke.

Ele ainda tinha um olhar perdido, Kasumi percebeu que ainda não havia percebido. A Uchiha riu, mas não zombeteira como costumava rir: ela riu alto, com tanta alegria que mesmo Itachi, que mais parecia um mero observador, sentiu seu peito acalentar.

– Será que pode falar coisas inteligíveis? Só dessa vez, por favor. Minha noite realmente não foi das... – Ele se calou quando ela ergueu repentinamente um tipo de convite. -... O que é isso?

Mas ele já desconfiava.

Kasumi era muito boa em conseguir aquele tipo de coisa.

– Uma vez que ajudou a resolver minha vida, estou disposta a ajudá-lo resolver a sua. Suspeito que talvez esteja interessado em certa palestra...

~

Em um apartamento pequeno e desajeitado, um homem descansava. Estava sentado de maneira preguiçosa na mesa baixo, encoberto por um edredom elétrico. O tempo não estava ruim, nem chovia... Mas ainda assim o apartamento era frio.

Colocou os cotovelos sobre a mesa e apoiou a cabeça sobra uma das palmas da mão. Ele puxou mais um biscoito frio da tigela que estava ao alcance da mão livre, e despedaçou-o sobre a revista. Era a edição da semana passada, mas ele a lia com tanto interesse que quase não piscava.

– Hiroto?!

A voz de sua esposa soou, escandalosamente surpresa.

Ele suspirou como se estivesse cansado.

– Que faz aqui?! – Ela ainda falava alto, embora parecesse desanimada. – O Fuku-san não te arranjou algo no mercadinho?... Pensei que estivesse no trabalho...

Hiroto bufou e deu os ombros, simplesmente. Virou-se de soslaio para a mulher e sorriu divertidamente com um biscoito entre os lábios. – Quem precisa do Fuku? Aquele velho gordo... – Revirou os olhos. – Tenho mais que isso, amor. É muito melhor que aquela mixaria!... Quem precisa pegar no batente quando se tem algo assim?!

Ele ergueu a revista que lia anteriormente.

A velha senhora precisou estreitar bem os olhos para enxergar as páginas que anunciavam alegremente a notícia do casamento de Kasumi Aihara e Itachi Uchiha, trazendo uma série de fotos da festa.

– Sakura-chan...?

Notas finais
Eu não sei se a nomenclatura ficou boa.. Na verdade, tem um título que eu to querendo colocar já faz uns três capítulos, mas sempre acabo pensando "melhor no próximo...", e improviso um! XD Particularmente eu gostei bastante do capítulo. Meu namorado ficou revoltado quando eu disse que ia pular a leitura do resultado, mas verdade seja dita: já há muito drama nessa história. Acho que alguns de vocês não aguentam mais ver a Kasumi, a Rin e o Obito chorando e se abraçando! XD Além disso, eu queria muito dar a afirmação na cena do Madara. Já tinha planejado há teeeempos! E, bem... Eu acho que é isso. Não tenho mais o que dizer, já que vomitei tudo lá em cima, já! XD WEEE ARE CANONS, MY FRIEEENDS *Música da minha vida* Parabéns para todos nós, SS e NH, que suportamos a agonizante dúvida por anos e anos!... Nós finalmente fomos vencedores! Que Sarada, Boruto e Himawari sejam tão amados quanto seus pais foram e que os spin-offs, filmes, LN e ovas caiam sobre nós, cada vez mais! sz~ Acho que nunca vou parar de escrever, e espero francamente que vocês não percam a vontade de ler! XD Obrigada por todo o apoio, pessoal. Obrigada por cada comentário, por cada recomendação, por cada visualização... Por cada palavra de força que vocês enviam para essa esforçada aspirante à escritora. Obrigada por tudo e até o próximo capítulo!