Notas iniciais
Eu gostaria de agradecer aos sete leitores lindíssimos que deram à 50 Tons de Uchiha suas belíssimas recomendações! DarkLady, Karura chan, Daanys, Princess Black, Orbis, minha querida Val e Lyryan, obrigada pelo carinho e pela consideração! Obrigada também à todos os lindos e/ou lindas que comentaram, mesmo que eu tenha demorado taaanto para atualizar. [Editado :3] Eu estou tão, tão, tãããão furiosa comigo mesma! Esse capítulo devia estar pronto, pelo menos, desde quarta da semana passada. Eu realmente tentei me esforçar, e tava caçando tempo do inferno, mas não conseguia arranjar... E, quando tinha tempo, ou o sono ou a falta de criatividade pesavam. Eu sinto muitíssimo, pessoinhas!... Foi um capítulo muito sofrido pra sair, porque muitas coisas aconteceram nas últimas semanas. Mas para começar eu gostaria de compartilhar uma notícia linda na minha vida. Linda, que vem tomando muito o meu tempo! XD A TIA CANDY ESTÁ NOIVA! :D Isso aí, pessoal. Noiva desde a virada do ano (já fazem três meses, mas ainda vai ser uma novidade pra alguns leitores. u.u)!... Eu e meu adorado honey-honey planejamos subir ao altar no altar no meio do ano que vem, depois de eu estar formada e estarmos em suposta estabilidade. É lindo, maravilhoso, mas também muito difícil. Por algum motivo parece que a saudades aumentaram 1000x depois que ele me pediu em casamento, então vocês devem imaginar como é difícil para mim... *Suspiro* De qualquer forma, tenho que dizer à vocês que parte da minha falta de tempo se dá ao fato de que eu estou estupidamente ansiosa com meu casamento. Faltam mais de quinhentos dias (501, para ser mais exata), mas eu não consigo parar de procurar referências, convites, orçamentos... Bem, acho que é normal pra qualquer noiva! XD Esse é um dos motivos para eu estar com o tempo reduzido. Espero que entendam e fiquem felizes por mim. Outro motivo é que, há algumas semanas, o QUERIDÍSSIMO governador do meu estado, senhor G.A., anunciou publicamente uma decisão que muito vai me prejudicar: a extinção da Fundap (Fundação de Desenvolvimento Administrativo), que é o órgão que me emprega, que paga o salário do meu estágio. Imaginem o meu desespero. Estou no último ano da faculdade, fico noiva, e de repente corro o risco de ficar desempregada! ÇÇ Foi broxante, travante, e não teve o que fazer quanto à isso. . Apesar de todas essas tretas tretosas na vida da tia Candy, eu queria deixar uma coisa bem clara pra vocês: eu NÃO VOU desistir da fanfic. Posso demorar para postar, e é bem provável que eu vá sim pisar na bola com outros capítulos, mas eu NÃO VOU LARGAR. 50 tons de Uchiha está caminhando para o final e eu já tenho absolutamente tudo planejado na minha cabeça, então não se preocupem quanto à possibilidade de não saberem nunca a conclusão da história, porque, se Deus quiser, talvez consiga terminar até o segundo aniversário!... . Espero que compreendam os motivos dos meus atrasos e me perdoem. :( É tudo uma loucura quando você se torna adulto, e acho que só agora estou conseguindo ver isso de verdade. Eu REALMENTE me esforcei nesse capítulo. Foi difícil, sofrível, mas eu consegui! E estou me sentindo muito vitoriosa!... Espero que gostem de ler tanto quanto a tia Candy! Boa leitura!

Capítulo 38 – Amargo.

Sasuke percebeu que a vida era muito injusta quando, depois de três horas trancado em uma sala de reuniões com um grupo de investidores e seu departamento de engenharia, notou que iria se atrasar.

O mais frustrante era que ele nem sabia o porquê devia estar ali!

Claro que era o CEO da Uchiha Company. Claro que devia estar presente em importantes reuniões, mas ainda assim... Muito pouco sabia – ou se queria saber – sobre os mistérios por trás dos cálculos engenhosos de sua equipe de desenvolvimento de tecnologia. E, ao que parecia, não importava o quanto implorasse para que o chefe do departamento tentasse falar em um idioma inteligível a todos durante as reuniões, o – irritantemente – intelectual Shino Aburame parecia simplesmente não compreender.

Naquele momento o Aburame demonstrava [tediosamente] qual seria a composição da nova bateria (era assim que se falava? Sasuke não estava exatamente atento às suas explicações) da nova linha de câmeras digitais. Enquanto Shino explicava que a nova bateria duraria pouco mais que o dobro da antiga (e como e o porquê, ainda que ninguém estivesse muito interessado), o senhor Uchiha dividia sua atenção entre o seu adorado relógio de pulso prateado e o número de slides mostrados (em fonte muito pequena) no canto da tela da apresentação.

Começou a se perguntar o porquê de Shino ainda trabalhar em sua empresa.

De fato, ele era um engenheiro genial, que tinha habilidades fascinantes, em especial com peças pequenas (ele parecia sempre estar rodeado de microparafusos!). Também era um funcionário excepcionalmente esforçado, mas tinha claros problemas de comunicação.

Sérios problemas.

Sasuke suspirou de uma maneira nada discreta, longamente.

Quanto tempo mais duraria aquela tortura?

Olhou para o relógio pelo que pareceu ser a quinquagésima quinta vez. Ele dificilmente teria tempo de comprar flores como havia planejado; menos ainda de escolher um presente para parabenizá-la, por mais simples que ele fosse. Sasuke fechou os olhos e tentou visualizar o caminho que teria que percorrer até o auditório onde a sua rosada se apresentaria; não se lembrou de nenhuma floricultura, mas...

Sorriu ao vislumbrar a imagem de um prédio comercial pequeno que um dia visitara com Hinata. Lembrava-se de a prima ficar encantada, e gastar uma pequena fortuna em uma lojinha simples de artesanatos.

– Talvez goste de uma agenda vermelha... – Sasuke cogitou, e pensou que era uma boa possibilidade. Sakura era organizada, e agora cheia de compromissos... Certamente usaria uma agenda se ele lhe desse; ela também parecia gostar muito de vermelho, já que quase todo o seu guarda-roupa casual composto pela cor. Além disso...

Ele enrubesceu quando, depois de um segundo perdido em seus devaneios, percebeu que os dois investidores sentados ao seu lado (provavelmente tão entediados quanto o próprio Sasuke) tinham virado em sua direção.

Ele pigarreou extremamente constrangido, e se levantou instintivamente.

– Shino, foi uma ótima apresentação.

Sorriu cordial e começou a bater palmas, ainda que faltassem três slides para que aquela desgraça enfim acabasse. Shino ficou confuso, claramente confuso, mas antes mesmo de abrir a boca para retrucar com o patrão, os investidores (possivelmente compreendendo a impaciência do Uchiha e concordando em terminar logo) também se levantaram para aplaudir.

– Uma excelente proposta! – Naruto exclamou; suas palmas eram de pura animação, embora todos ali soubessem que não havia compreendido sequer uma palavra do engenheiro. – Realmente gostaria de usar uma dessas! Vou comprá-las assim que estiverem no mercado!

– Bem, isso ainda vai demorar um pouco, senhor Uzumaki. Nossa equipe ainda está desenvolvendo a bateria. Mas se a sua empresa...

– É um ótimo, ótimo investimento, Aburame. Acho que todos os senhores concordam. – Sasuke sorriu mecanicamente e apertou o ombro de Naruto, implorando silenciosamente que ele simplesmente calasse a boca. – Digo... Uma bateria com potência de dez horas? Quem não ia querer isso?

– Quinze, senhor.

Sasuke ficou muito tentado a exclamar “foda-se!”, e imaginou que os demais tinham uma vontade igual, ou pelo menos semelhante àquela.

– Que seja! – Preferiu, soltando uma risada forçada. – Tenho certeza de que os senhores vão pensar bem. – Ele apontou para a tela. – Nos mande esses slides e em quinze, no máximo vinte dias terá sua resposta.

Shino anuiu lentamente, mas ainda parecia bastante perdido diante da súbita interrupção do chefe.

– Imagino que está reunião está encerrada, companheiros.

.

Sasuke desceu as escadas como se sua vida dependesse disso. Optara por elas, uma vez que o elevador pareceu levar uma eternidade para aparecer no andar de seu escritório – onde ele teve que voltar, em busca do convite e a carteira.

Chegou ao térreo ofegante e ligeiramente suado, então parou para se recompor antes de transpassar pelas portas que dariam na recepção. Ajeitou os cabelos, o terno e respirou fundo para recuperar o fôlego... E no instante em que abriu a porta, as portas metálicas do elevador – que ficava exatamente na frente da porta das escadas – se abriram, tornando inútil todo o esforço do presidente.

Sasuke nunca imaginou que um mero elevador pudesse frustrá-lo daquela forma.

– Eu preciso falar com Madara Uchiha!

Alguém exclamou alto o suficiente para chamar a atenção do jovem Uchiha apressado. Sasuke estreitou os olhos e levou sua atenção até a recepção, onde uma novata loira parecia desajeitada e constrangida.

– Por favor, senhor, fale um pouco mais baixo... – Ela pediu quase aos sussurros, extremamente envergonhada. – O senhor Madara...

– Escute, mocinha! Não me mande calar a boca! – O desconhecido rugiu, mostrando-se revoltado com a suposta falta de modos da recepcionista. – Estou aqui para falar com Madara. Falar sobre algo do interesse do seu patrão, então o traga até aqui, ou leve-me até ele agora!

Sasuke sequer percebeu quando decidiu se aproximar.

Ele não costumava se meter nos assuntos de seu avô. Na realidade, detestava envolver-se com os problemas de qualquer um, mesmo que dentro de sua família, mas aquele homem estava na empresa, afinal. Portanto...

– Posso ajudá-lo? – O Uchiha interrompeu a conversa, salvando a pobre mocinha, que chegou a suspirar de alívio. O homem mal educado se virou em sua direção de maneira abrupta, com uma cara fechada que simplesmente se desfez após reconhecê-lo.

– Madara dificilmente visita o prédio, senhor. Ele trata dos assuntos da empresa em seu escritório particular, na mansão Uchiha. – Sasuke soou cordial, mas cruzou os braços e lançou ao homem um olhar puramente analítico.

Ele era um alto e magro; tinha cabelos e olhos castanhos e, apesar da idade claramente avançada, tinha feições consideravelmente atraentes. Notou que ele se vestia muito mal, quase como um maltrapilho, mas ainda assim...

Sasuke estreitou as sobrancelhas.

Aquele homem parecia estranhamente familiar aos olhos do Uchiha.

–... Eu sou o responsável pelos assuntos da empresa, senhor... – Sasuke prosseguiu, tentando inutilmente lembrar-se quem aquele velhote o lembrava. – Sasuke Uchiha, ao seu dispor... – Sorriu. – Meu avô mal sai de casa, então creio que, seja lá o que quer com ele, pode resolver comigo.

Hiroto Nohara fez uma careta de puro desagrado: franziu o cenho e estreitou os lábios, obviamente insatisfeito com a nova informação. Então o velho turrão realmente havia se aposentado!... Certamente o fizera para dar o cargo ao neto, mas isso não importava.

Como é que ele faria para encontrar o maldito ricaço agora?!

Isso é que importava.

Hiroto obviamente não podia aparecer na mansão Uchiha, especialmente agora que Obito retornara ao país. Duvidava que aquele garoto teimoso algum dia fosse perdoar aos seus pais, mas também havia passado muitos anos duvidando sobre a possibilidade de Obito voltar a ver Rin.

Ele franziu os lábios.

Talvez...

Talvez...!

– Senhor?

– Bem, não é com você garoto! – O velho soltou, irritado. – Tsk...

Tentou pensar em uma desculpa boa o suficiente para se livrar de Sasuke.

– Eu tenho uma dívida com seu avô, rapaz. Uma dívida longa, mas que pretendo pagar aos poucos. – Resolveu inventar. Sasuke estreitou as sobrancelhas; não parecia muito acreditado, mas ao menos estava ouvindo. – Eu posso ser pobre, meu senhor, mas sou honrado!

Exclamou rabugento, aparentemente muito ofendido com o olhar do rapaz.

– É uma dívida de muitos anos, mas eu finalmente consegui juntar!...

– Sasuke! Você ainda está aí?! – Naruto exclamou; vinha do elevador e parecia tão apressado quanto o próprio Sasuke, instantes atrás. – Não, não! Vamos logo! A Sakura-chan vai ficar uma fera se entrarmos no meio da palestra.

Sasuke fez uma careta.

Naruto tinha razão, o que era muito raro.

Sakura definitivamente não tomaria sua presença atrasada como uma atitude positiva, ainda que ele lhe levasse um carro de rosas. Sua amada era dedicada, e com certeza ficaria feliz – pelo menos surpresa! – se o visse em uma das fileiras da frente, sentado e quieto, oferecendo todo o silêncio e atenção que um leigo poderia.

Sabia que ela ficaria feliz só por Sasuke estar lá para prestigiá-la, mas isso não funcionaria se ele chegasse atrasado e tomasse não só a atenção de Sakura, como também – provavelmente – de boa parte de seus ouvintes.

– Hotaru, faça a gentileza de anotar o endereço da casa dos meus pais para esse senhor. – Instruiu à recepcionista e logo depois se voltou para a presença indesejada que era aquele velho homem. – Se é mesmo amigo do meu avô, ele irá recebê-lo. – Ele garantiu calmamente.

E, sem mais uma palavra, seguiu com Naruto em direção ao estacionamento.

~

Os olhos de Kasumi se estreitaram por trás dos óculos grandes. Itachi observou seu cenho franzir aos poucos, curiosamente; notou que ela parecia muito concentrada com qualquer coisa que estivesse lendo no computador, pois chegou a mordiscar os lábios – coisa que só fazia quando se sentia impaciente.

O Uchiha olhou para as quatro caixas grandes lacradas com fita adesiva, cruzou os braços e tornou sua atenção a esposa. De fato, ele mesmo havia pedido que ela descansasse um pouco depois de horas e horas ajudando-o a empacotar as coisas para a mudança... Mas desde quando Kasumi o ouvia?

Talvez estivesse preocupada, ele cogitou. Talvez estivesse ansiosa...

Itachi sabia que aceitar a proposta de Obito sem pensar não era uma ideia muito boa. Eles eram recém-casados, afinal!... E tinham dinheiro suficiente para comprar uma boa casa para a nova família.

Mas como dizê-lo à Obito?... Como dizê-lo a Rin?!

A pobre mulher havia ficado radiante com a possibilidade de ter a filha por perto, e mesmo que a ideia de morar com seus tios incomodasse Itachi profundamente, ele não teve coragem de contra argumentar.

Com um suspiro longo ele tornou a atenção à sua esposa. Kasumi estava tão distraída, tão focada que sequer fez menção de perceber quando o marido começou a se aproximar – ainda que Itachi não estivesse tentando ser furtivo.

– Não está trabalhando agora, não é querida?

Ele a envolveu repentinamente e afundou o rosto no ombro dela. Notou que a esposa – bastante surpresa, por sinal – apressou-se em minimizar a janela do navegador, mas nada disse.

– Não estou! – Ela rapidamente replicou. Fechou a tampa do notebook em uma velocidade chocante e virou-se na direção do amado simulando tranquilidade. – Já terminou?... – Ele negou. – Então...

– O que estava fazendo? – Questionou sem devaneios, a voz irritadiça.

Kasumi corou levemente.

– Kasumi... – Seu tom era de advertência.

A Uchiha suspirou longamente, vencida, e baixou a fronte ao mesmo tempo em que tirava os óculos. Seus olhos se estreitaram novamente, agora em agonia, e sua hesitação foi tão óbvia que Itachi se preocupou.

– Você...

Ela mordeu o lábio inferior, parecendo ansiosa por escolher as palavras certas.

– Já sentiu... Que devia fazer algo? – Lentamente os orbes castanhos ligeiramente aflitos se ergueram na direção do espantado Uchiha. – Já sentiu que precisava ver... Que precisava saber?... Que precisava entender alguma coisa?

–... Do que está falando? – Ele sorriu e tentou soar gentil; ajeitou os cabelos ondulados carinhosamente e deslizou o polegar pelo rosto da amada. – Não precisa de tantos devaneios comigo, querida...

Kasumi permaneceu em silêncio.

–... Meu bem...

– Não é nada. – Ela o interrompeu, tornando a sorrir. – Sabe como eu sou. Qualquer pista de qualquer coisa e fico ansiosa para descobrir o que é... Tenho alma de jornalista, afinal.

Itachi conhecia muito bem a fome de curiosidade de sua esposa, mas sabia que ela estava omitindo alguma coisa só de olhar para os olhos dela. Seu olhar era de aflição e hesitação, de ansiedade, de... Agonia.

Kasumi segurou o rosto dele com ambas as mãos, e depositou um beijo estalado, longo e carinhoso demais. – Eu tenho que ir.

Ela sorriu ao dizer, e levantou-se num pulo, sem dar tempo para qualquer reclamação que Itachi pudesse ter diante sua súbita decisão. – Tenho que levar uma papelada para Tenten. – Ela avisou. Arranjou uma bolsa, um casaco e as chaves do carro, mas não procurou nenhum envelope, nenhuma pasta.

– Se terminar antes das nove, me ligue pra jantarmos fora... Até mais! – Ela se despediu acenando, e simplesmente deixou o apartamento.

Itachi observou o celular esquecido na cama e suspirou longamente.

Kasumi nunca, em hipótese alguma esquecia o celular em casa.

– E lá vamos nós...

~

Sakura respirou fundo e olhou para o chão.

Ela não devia estar tão nervosa, devia? Aquela era sua o quê? Terceira... Quarta apresentação? Mesmo assim o incômodo frio na barriga não passava. Na verdade sentia-se ainda mais ansiosa do que nunca enquanto esperava ser chamada, sentada naquela cadeirinha de ferro prateada que ficava no fundo do palco.

Sak arriscou erguer os olhos em direção aos convidados e se arrependeu quase no mesmo instante. Tinha tanta gente!... Tsunade certamente exercera toda a sua influência para arrastar os residentes até aquele auditório. Sakura pensou ter conhecido alguns rostos, mas estava tão nervosa que não podia ter certeza.

Tsunade estava lá, isso ela tinha certeza.

Shizune estava lá, Hinata estava lá, Ino e Tenten estavam lá... Até mesmo Inoichi-san ela havia convidado! Eram pessoas queridas, pessoas que Sakura sinceramente admirava. Pensando agora, francamente não compreendia o porquê antes havia pensado que se sentiria mais à vontade com suas presenças. Não conseguia pensar em algo mais constrangedor do que passar vergonha na frente deles!

–... gostaria de dar a palavra à uma aluna brilhante...

Bem, talvez existisse coisa mais humilhante...

Como passar vergonha na frente de Sasuke Uchiha.

–... e um grande coração, que certamente pode falar com propriedade sobre o assunto da noite: a humanização na medicina... Eu gostaria de apresentá-los à genial residente, autora do trabalho “Todos Somos Gente”: Sakura Haruno!

Sakura piscou três vezes quando os aplausos soaram, e levou quase meio minuto para perceber que aquela era sua deixa. Levantou-se num salto, colocou um sorriso no rosto e, tal como das outras vezes, seguiu até o microfone.

Para sua desgraça, não precisou nem de um segundo para encontrar os olhos negros de Sasuke Uchiha fixos nela. Ele estava na quinta fileira, e ainda assim, de algum jeito – certamente desonesto! – havia atraído o olhar da Haruno como se fosse um maldito imã!

Sakura sentiu uma súbita pressão na cabeça. Seu rosto queimou violentamente, tanto de raiva quanto de constrangimento, e o espanto a distraiu de tal maneira que sequer pôde notar os fios que ligavam as caixas de som espalhados em seu caminho.

Como era de se esperar, ela tropeçou. Um tropeço desastroso, que a fez desabar na frente de todos, de um jeito nada elegante.

Como futura médica e aluna brilhante, Sakura Haruno tendia a ser uma pessoa lógica e realista, mas naquele instante se questionou sobre o nível de veracidade presente na Lei de Murphy.

Maldito Sasuke Uchiha!

.

Sasuke não havia se atrasado, mas chegou tarde o suficiente para perder seu tão desejado lugar na primeira fileira de cadeiras. Ele foi surpreendido quando, ao chegar ao auditório do hospital, notou o lugar surpreendentemente cheio; acabou sendo obrigado a se acomodar na quinta fileira de cadeiras!...

Bem... Pelo menos, ele refletiu, havia pegado um assento que ficava exatamente na mesma direção da bancada de microfone, o que significava que uma hora ou outra, cedo ou tarde, Sakura teria que olhar para ele.

O Uchiha teve que esperar por quase quinze minutos até que os palestrantes aparecessem. Não soube bem o porquê, mas prendeu a respiração quando Sakura apareceu ao lado de três médicos, tensa e ereta.

Ele esperou.

Esperou ansiosamente, desesperadamente pelo momento em que os olhos verdes encontrassem os seus... Mas nada. E depois de meia hora do discurso de uma velha – que Sasuke mais uma vez não se lembrava de onde conhecia – é que ele percebeu que não aconteceria.

Ela não olharia para ele.

Certo, pensou. Sakura está nervosa.

Ela obviamente devia estar se sentindo muito mais ansiosa por ter que falar para todas aquelas pessoas de uma vez do que ele, só por uma troca de olhares.

Era claro.

Era óbvio.

Sakura passou o tempo inteiro sentada, brincando timidamente com suas próprias mãos, e nas poucas vezes em que levantara o rosto – ou os olhos –, fora em direção à palestrante.

Sasuke não se sentiu nem um pouco decepcionado, o que foi um choque para ele próprio. Na verdade ficou o tempo inteiro observando as ações da amada, divertindo-se com cada suspiro discreto, cada franzir de lábios e estreitar de olhos enquanto sorria de maneira pouco digna para um homem com a sua reputação.

Surpreendeu-se ao notar que, mais do que qualquer coisa, estava feliz por ela.

Feliz de verdade, porque Sakura havia alcançado algo que ansiava há muito: o reconhecimento verdadeiro. E ela tinha se esforçado tanto para consegui-lo!... Estudando todos os dias, trabalhando a todo tempo.

Quando a velhaca começou a anunciá-la, Sasuke sentiu-se idiotamente contente. Seu peito queimou de orgulho como nunca antes, inexplicavelmente.

– Portanto, — A mulher disse. – Depois dessa pequena introdução a um assunto tão sério, gostaria de dar a palavra a uma aluna brilhante, dona de uma mente excepcional e um grande coração, que certamente pode falar com propriedade sobre o assunto da noite: a humanização na medicina... Eu gostaria de apresentá-los à genial residente, autora do trabalho “Todos Somos Gente”: Sakura Haruno!

Sakura levou um segundo para notar sua deixa. Aparentemente as palmas haviam-na despertado de seus devaneios. Ela se levantou num pulo, parecendo constrangida pela falta de atenção; colocou um sorriso docemente constrangido no rosto e seguiu em direção à bancada.

Sasuke sorriu.

Não podia deixar de fazê-lo.

Estava tão orgulhoso!... Como gostaria de subir lá agora! Abraçá-la na frente de todos e enchê-la de beijos enquanto exclamava contínuos “parabéns”. Queria mostrar a todos que a “genial residente” era sua, e que seu grande coração pertencia a ele, e a mais ninguém. Se pudesse...!

E, como se tivesse ouvido seus pensamentos, os olhos verdes e estupidamente brilhantes fixaram-se nos seus. Sasuke sentiu o estômago revirar, e só então percebeu o quão constrangedores eram seus devaneios.

Que droga ele estava pensando?!

Claro que não faria isso, mesmo se pudesse.

Sasuke não teve muito tempo parar pensar em sua própria vergonha, pois viu o sorriso de Sakura se desfazer em um piscar de olhos; sua expressão tímida e contente se transformar em puro desconserto. Só Deus sabe como, mas ela conseguiu tropeçar nos fios discretamente amontoados perto da bancada, e caiu de quatro em cima do palco, completamente desajeitada.

Sasuke estava a cinco fileiras de distância, mas mesmo assim se levantou com inocente impulso de querer ajudá-la. Sakura parecia muito mais preocupada do que com o tombo em si, mas sorriu de forma agradecida ao médico que a ajudou a se levantar.

Ela ajeitou o vestido e o jaleco quando em pé, respirou fundo e, com um sorriso envergonhado e as sobrancelhas estreitas, foi até o palanque.

– Um bom título para o meu próximo trabalho: “Futuros Médicos Tropeçam.”.

Alguns convidados riram e Sasuke se tranquilizou ao nota-la bem; ele tornou a se sentar e durante toda a palestra se manteve em silêncio (o que era um milagre, considerando que estava sentado ao lado de Naruto), seus olhos negros fixos na amada...

Mas Sakura não tornou a olhá-lo.

Nem sequer uma vez.

Nem durante todos os vinte minutos em que teve a palavra, nem depois.

~

Hinata não estava habituada àquele tipo de evento.

Embora sua família de fato fosse muito envolvida em projetos na área de saúde, e apesar de a empresa do pai ser pioneira no ramo farmacêutico, a jovem Hyuuga pouco se interessava sobre o assunto. Ela tinha um tio médico, uma avó medica e uma mãe que adoraria sê-lo, e mesmo assim... Nunca havia se interessado realmente.

Aceitara o convite da senhorita Haruno por respeito, carinho e cortesia, mas tinha tanto a fazer!... Tanta coisa para empacotar, tanta coisa nova a comprar! Esperava já estar no novo apartamento em duas semanas, no máximo, e não queria perder tempo!

Mesmo assim, tinha que admitir que para uma primeira palestra – sobre um assunto que não chamava nem um pouco sua atenção – havia sido bastante interessante. Sakura era uma ótima oradora!

Decidiu que devia ir até a namorada de Sasuke e cumprimentá-la pelo bom trabalho feito. Deveria agradecê-la pelo convite e elogiar sua performance... Mas quando se levantou disposta a seguir à procura da senhorita Haruno, percebeu o corpo de um homem alto e desconhecido que a impedia de seguir em frente.

Hinata estreitou os lábios; ergueu os olhos, tentando não parecer tão incomodada, e foi surpreendida quando percebeu que ele sorria em sua direção.

– Parece que finalmente nos encontramos! – O desconhecido exclamou, parecendo bastante satisfeito com a situação. Hinata estreitou os olhos e tentou reconhecê-lo... Ele era uma cabeça mais alto que a jovem Hyuuga; tinha cabelos e olhos claríssimos e vestia-se muito bem, mas Hinata não se lembrava de tê-lo visto alguma vez antes.

– Não nos conhecemos, senhorita Hyuuga. – Respondeu às mudas questões da jovem, que corou ligeiramente ao notar que tinha o cenho franzido. – Pelo menos até agora. – Ele puxou a mão dela cordialmente e depositou um beijo exageradamente demorado em suas costas. – Sou Toneri. Toneri Otsutsuki. – Se apresentou. – Sócio de um de seus familiares.

Hinata não reconheceu o nome.

– Ah, sim!... Agora faz sentido. – Ela sorriu. – Sou Hinata, é um prazer.

Não fazia nem ideia de quem era, ou de onde aquele homem tinha aparecido, mas se Toneri realmente tinha alguma conexão com sua família, ela ao menos devia se mostrar receptiva. Ela praguejou internamente. Queria tanto sair de lá rápido...!

– Creio que podemos ter alguns interesses em comum...

“Não!”, sua mente gritou, ainda que o sorriso doce estivesse preso ao rosto.

– Se não for pedir demais, poderia me acompanhar durante a recepção?

Droga.

– Bem...

E se ele fosse um sócio importante?... E se sua família fosse essencial para algum negócio de Hiashi? Hinata não poderia simplesmente dispensar aquele homem quando nem sabia quem ele era.

Se ao menos se lembrasse do bendito sobrenome...!

Ela fechou os olhos e suspirou discretamente, depois ergueu o rosto com o sorriso mais encantador do universo, pronta para assumir a posição de filha da família Hyuuga quando disse:

– Problema nenhum, Ötsutsuki-san.

~

Sakura espiou por cima do copo d’água de maneira furtiva.

Discretamente olhou para cada canto à sua volta, observando como um gato acuado a cada pessoa ao seu redor. Aquilo era ridículo, ela decidiu. Ridículo e medíocre, mas que poderia fazer?!

Sasuke certamente surgiria na sua frente uma hora ou outra, muito provavelmente quando ela menos esperasse. Sakura sabia que o Uchiha daria um jeito de isolá-la do resto do mundo e que assim que estivessem a sós, voltaria a pressioná-la.

Desejou poder fugir dali com todas as suas forças!... Mas o bom senso a impedia. Sabia que Tsunade havia se esforçado para organizar aquela recepção; sabia que devia se mostrar mais grata, mas... Estava tão cansada!...

Não queria ter que lidar com Sasuke. Nunca mais! Ela já havia tomado sua decisão, e não estava nem um pouco inclinada a voltar atrás... Não queria ter que lidar com ele, não queria ter que falar com ele, não queria nem ter que olhar para ele!...

Por que aquele imbecil estava ali, para começo de conversa?! Sakura duvidava que Tsunade, com tudo o que teve que organizar, tivesse se lembrado de convidá-lo e ela com certeza não o tinha feito.

Sakura sequer percebeu quando, de uma hora para a outra, viu-se sendo erguida no chão. – Sakura-chan! – A voz energética [e escandalosa] de Naruto soou alegremente. – Você estava ótima!... Tão linda e inteligente!

Sakura constrangeu-se e enrubesceu, só para dois segundos depois empalidecer.

Que Naruto fazia lá, afinal?!... Obviamente não o tinha chamado. Por mais que o adorasse (e ela realmente o adorava!), Naruto era barulhento e um leigo completamente desinteressado. Sakura não havia visto nenhum motivo para convidá-lo, especialmente porque sabia que se Naruto soubesse, Sasuke saberia.

Naruto.

Naruto era a resposta.

Ele com certeza...!

– Na verdade eu não entendi nada do que disse, mas você estava linda e parecia muito inteligente. – Depois de tornar a colocá-la no chão Naruto ajeitou o jaleco nos ombros da amiga. – Isso fica muito bem em você, Sakura-chan. – Ele elogiou, e ofereceu-a um de seus sorrisos radiantes. – De verdade, estou muito feliz por estar conseguindo chegar lá aos poucos.

Sakura sentiu o estômago contrair. Sentiu-se péssima, terrível por excluir Naruto (justo Naruto!) de um momento importante em sua vida apenas para evitar o estúpido Sasuke Uchiha.

– Obrigada... – Ela disse fracamente, constrangida consigo mesma.

Estava a ponto de se desculpar por não mandar o convite ela mesma quando algo muito estranho aconteceu. Num segundo Naruto estava lá, parado à sua frente, olhando para Sakura como um irmão orgulhoso faria, e no outro...

Estava virado de lado para Sakura, sendo agarrado por uma garota loira que a Haruno nunca havia visto na vida. A rosada notou que o amigo parecia tão surpreso quanto ela pela repentina ação da loira desconhecida, mas em um instante estava sorrindo, enlaçando a cintura magra e chocando – e envergonhando – sua agora solteira amiga.

Extremamente constrangida, Sakura tornou a bebe do copo d’água. Esforçou-se para desviar sua atenção para qualquer coisa que não fosse os dois, absolutamente perdida diante a situação. Para sua sorte, Naruto logo se esquivou. Ainda tinha aquele sorrisinho malandro no rosto, mas parecia mais divertido do que animado.

– Shion, não estamos numa praça em Nova Iorque. Estamos no Japão. Numa recepção da Tsunade.

A dita Shion soltou uma risadinha; deu um tapinha amigável nas faces do loiro e lhe piscou. – Só queria um cumprimento memorável, sweetheart... Eu o vi aqui, de bobeira, e me aproximei. – Ela deu os ombros. – Só isso.

Naruto arqueou a sobrancelha.

– Só isso... – Sakura balbuciou feito uma estúpida, procurando desesperadamente um jeito de sumir dali. Olhou discretamente para Naruto, e notou que Uzumaki sequer lembrava-se de sua presença...

O que não era muito anormal, ao menos quando ele estava flertando.

– Você continua terrível. – Bagunçou os cabelos da moça, que fez um beicinho de suposto desagrado. – O que faz aqui?... Por que não me contou que vinha? Eu teria ido buscá-la.

– Ah, eu vim a trabalho. – Ela deu os ombros. – Com meu produtor... – Shion fez uma careta. – Parece que ele acha que eu vou ajudar em alguma coisa, então tive que vir. – Explicou.

Naruto ergueu ambas as sobrancelhas, surpreso.

– Por falar nisso, você viu a Hinata? Eu preciso encontrá-la logo para me livrar daquele insuportável. – O sorriso de Naruto se desfez imediatamente.

–... Hinata?

Shion anuiu.

– Eu soube que ela também está cantando, você não ouviu nada parecido por aqui?... Ao que parece, o meu produtor gostou da voz dela, e agora quer tentar convencê-la a assinar um contrato. – Ela soltou uma risadinha. – Vai tentar arrastá-la, assim como fez comigo.

Naruto não conseguiu rir.

Não conseguiu nem mesmo simular um sorriso.

– Ah, droga! Ele a encontrou antes de mim!... Vai reclamar horrores! – Ela resmungou baixo, fez um beicinho e roubou um beijo que Naruto não sentiu nenhuma vontade de retribuir.

Ele ouviu o som de algo se quebrando.

– Hinata! – Shion exclamou surpresa e preocupada, e se afastou do Uzumaki em um instante. Lentamente, quase debilmente, os olhos do Uzumaki se ergueram na mesma direção em que sua ex- havia seguido.

– Senhorita Hyuuga...

Naruto observou o homem que cogitou ser Toneri Otsutsuki (o mesmo homem que arrancara Shion de sua família e amigos para se aventurar em terras distantes) erguer sua Hinata com cuidado demais.

– Estou bem. – Hinata afirmou com uma risadinha falsamente constrangida.

A mesma que costumava dar quando Naruto fazia algo estúpido.

A mesma que costumava dar quando estava magoada.

– Corre lá, seu idiota! – Sakura sussurrou irritadiça, beliscando Naruto discretamente, mas de um jeito nada gentil. O loiro lhe lançou um olhar furioso, que ela correspondeu com irritação equivalente. – A culpa é sua, por se agarrar com aquela garota quando devia saber que a Hinata-san estava aqui!

Naruto franziu os lábios.

– Como é que eu...?!

– Só vá lá! – Sakura rugiu entre dentes.

Naruto definitivamente não estava disposto a obedecê-la. Já tinha decidido que se afastaria de Hinata... Não iria voltar atrás só porque ela estava sozinha, encurralada por duas pessoas que mais pareciam lobos famintos ao seu redor.

Não iria voltar atrás só porque um idiota qualquer ia oferecê-la um contrato no exterior, até porque Hinata jamais deixaria o país... A família, a irmã, o primo e os amigos. Ela não era como a prima, completamente dada a aventuras.

– Vivendo por mim...

As palavras ecoaram pela mente de Naruto.

– Brilhando por mim...

.

Sakura sentiu-se verdadeiramente satisfeita quando Naruto se afastou, seguindo na mesma direção em que se encontrava a senhorita Hyuuga. Sentiu-se feliz e muito orgulhosa ao perceber que, de alguma forma, por mais simples que tivessem sido as suas ações, havia conseguido empurrá-lo, ajuda-lo.

Ajudá-los, na verdade. Porque embora Hinata tivesse fechado o semblante quando o loiro a alcançou, sua postura corporal havia relaxado quase instantaneamente, como se apenas a presença de Naruto fosse o suficiente para acalmá-la.

– Sorria.

O sussurro grave [que soou irritantemente divertido] veio de trás da Haruno, e arrepiou até o último fio de cabelo da pobre residente.

Assim como imaginou, Sasuke a tinha pego desprevenida.

Tão desprevenida que ela sequer conseguiu reagir antes de ter sua cintura envolta pelos braços firmes do maldito. Ela queria se esquivar, recuar... Mas sua cabeça girou de tal forma que ela sequer pôde reagir quando ele se aproximou, de maneira íntima e incômoda, tão repentino e rápido que Sakura não teve tempo de raciocinar.

O rosto dela queimou, mas não sabia dizer se era resultado da raiva ou da vergonha. Quando sua mente parecia a ponto de reagir, um flash repentino fê-la cambalear.

– Valeu, Uchiha! – Alguém exclamou. – Eu te devo uma!

Um rapaz com uma câmera acenou sorridente. Sasuke meneou a cabeça ligeiramente enquanto esboçava um de seus insuportavelmente charmosos sorrisos de canto. Sakura estreitou os olhos, irritada com toda aquela intimidade. O rapaz da foto mal havia se afastado quando ela se virou de maneira abrupta na direção do ex-, furiosa com a falta de bom senso do Uchiha.

– Parabéns! Você foi ótima.

Ele sorriu como e, como se nada tivesse acontecido, simplesmente estendeu um embrulho bonito na direção dela.

Sakura o fuzilou com os olhos.

– Estava linda. – Ele tentou continuar, esforçando-se para não se abalar com o óbvio desprezo que parecia exalar dos adorados orbes verdes. – E foi muito interessante, ainda que eu não tenha entendido metade.

Sakura não disse nada. Continuou a encará-lo, como se Sasuke Uchiha fosse o ser mais descarado do universo, e... Bem, talvez fosse.

Era estranho, ele pensou. O brilho nos olhos de Sakura, antes responsável por aquecer o seu coração, agora parecia capaz de congelar sua alma.

Capaz de fazê-lo sentir-se estúpido e maldoso.

– Você vai gostar. – Embora difícil, ele manteve o sorriso no rosto; ergueu o embrulho de maneira sugestiva e em seu íntimo rezou para que ela não o ignorasse.

Os lábios de Sakura se espremeram até perderem cor e formarem linha reta.

O coração dela pesou insuportavelmente e, de repente, como num flash, a memória da foto maldita estampou sua mente; com ela, toda a raiva, todo o rancor, toda a amargura que ela tinha se esforçado muito para esconder de todos, inclusive de si mesma, pareceu finalmente vir à tona.

O que aquele imbecil queria, afinal de contas?! Já não a tinha magoado o suficiente?!... Quanto mais precisava pisar nela para se sentir satisfeito?! Quanto mais precisava machucá-la?!

Sem pensar, Sakura agarrou seu antebraço. Surpreendendo ele e a si própria, a Haruno arrastou-o com passos firmes e pesados na direção de um local reservado, sem parar para lembrar-se dos convidados (os seus e os de Tsunade) que consequentemente teria que negligenciar. Ela andou o mais rápido que podia, trêmula, e só parou ao alcançar um corredor vazio.

– O que você está fazendo aqui?

Quis saber, fria e direta. Nada surpresa, nada abalada... Apenas fria.

Sasuke se sentiu horrível.

– Não é óbvio? – Ele desviou do olhar dela. – Eu vim ver você... Homenageá-la.

– Não quero ver você. – Sasuke franziu os lábios. – Muito menos quero que venha me homenagear. Será que é tão difícil entender o significado da palavra “suma”?

O moreno sentiu o estômago congelar; sentiu-se sufocar.

E Sakura notou que queria machucá-lo. Magoá-lo, quebrar seu coração...

Exatamente como ele havia feito com o dela.

– Você... – Os lábios róseos franziram. – Você... Você me traiu! – Acusou aos sussurros, a voz irritantemente embargada e os olhos fagulhando de raiva e desprezo. – Não se envergonha por ficar o tempo inteiro atrás de alguém que só quer te esquecer?!

Envergonhava.

Absurdamente!... Mas ele não podia evitar.

– Não quero que me esqueça. – Foi sincero; fez menção de se aproximar, mas Sakura o empurrou mesmo antes de dar o primeiro passo. – Sakura... – Suspirou longamente. – Quantas vezes eu tenho que te falar isso?! – Sua voz finalmente soou alterada. – Eu não te traí, porra! E não mentiria se tivesse traído! Será que é tão difícil acreditar que eu sou homem o bastante para assumir as minhas burradas?!

– Dormiu com ela! – A rosada acusou, erguendo o dedo na direção dele. – No quarto que alugou pra dormir comigo!

– Realmente dormimos juntos. – Ele concordou. – Dormimos. Dor-mi-mos. Eu não transei com ela, inferno!... – Irritado, ele agarrou a cabeça dela com ambas as mãos – Quantas vezes será que eu vou ter que falar isso pra você colocar nessa sua cabecinha?!

Sakura recuou como se o toque a tivesse queimado.

– E o que você pensaria de mim, se eu tivesse dormido com outra pessoa?... Naruto, por exemplo! O que pensaria se eu simplesmente te contasse que só dormi – Ela simulou aspas com os dedos – Com ele?!

– Depois dessa sua novela?!

– Eu te falo o que você faria! Me mandaria para o inferno e daria uma surra no Naruto, porque ninguém pode tocar no que é seu, não é? O Grande Sasuke Uchiha coleciona mulheres, mas ai de quem ousar brincar com ele!

Sasuke estreitou os olhos, desconsertado com as acusações.

Era isso o que ela via nele?

Realmente era isso que pensava?!

– Que tipo de homem você acha que eu sou?!

– Controlador. Egocêntrico. Prepotente.

Ela cuspiu cada uma das palavras.

– Você pensa que o mundo gira ao seu redor, Sasuke. Mas não gira. Eu não vou voltar a ser sua bonequinha estúpida só porque você quer... Não vai ser difícil pôr outra no meu lugar, não é? Aposto que aquela ruiva adoraria! Aposto que até ia topar um tour naquele seu quarto de jogos. Aposto que...

Calou-se quando Sasuke, repentinamente, agarrou seu antebraço.

O aperto doeu, mas ela não fez mais que estreitar os olhos.

Por que ele estava lá?... Aquele devia ser um dia feliz para Sakura! Um dia de alegrias! Um dia em que ela devia se sentir orgulhosa de si mesma!... Ela tinha trabalhado tanto!... Tinha se esforçado tanto!...

– Eu não sou de ferro, Sakura.

A voz dele soou ligeiramente quebrada.

– Eu não sou uma boa pessoa... – Ele ergueu os olhos negros magoados. – Mas nunca pensei que alguém... Justamente você, me visse dessa maneira.

Sakura sentiu os olhos queimarem.

– Será que eu sou tão ruim assim?... Será que fui uma companhia tão terrível?

Ela piscou rápido.

– Lamento se fui um companheiro horrível... Também lamento por insistir tanto em continuar uma relação obviamente tão desagradável pra você. Até agora eu realmente não fazia ideia do quanto era desprezível aos seus olhos.

Sakura apertou os olhos.

Por que estava chorando?!... Era isso o que queria! Machucá-lo! Afastá-lo!

Sasuke lentamente afastou as mãos e aos poucos recuou. Por um instante que pareceu eterno, tudo o que se podia ouvir era o barulho da recepção ao fundo e o contido choro de Sakura.

Sasuke se perguntou o porquê de ela chorar quando o coração dele é que havia sido esmagado.

– Obrigado por tudo até agora. – Ele baixou a cabeça educadamente. – Não se preocupe... Não tornarei a atormentá-la.

~

Madara Uchiha se espantou quando, ao retornar para o escritório depois de sua costumeira bateria de exercícios, deparou-se com um envelope pardo grande e gordo, selado de um jeito muito mal feito sobre sua mesa.

Sabia que não tinham mais entregas àquela hora da noite. Mesmo que chegassem, Zetsu já tinha sido dispensado fazia uma hora, e era ele quem direcionava tudo ao escritório do patrono Uchiha.

Curioso, Madara remexeu o envelope.

Estava endereçado ao “Presidente Madara Uchiha”, mas não havia nenhum sinal de remetente. Dando os ombros, o velho se sentou. Puxou o canivete que usava para abrir as cartas e rompeu o envelope sem problemas. Puxou de lá um curioso bolo de fotos que pareciam pertencer a um álbum de família muito velho.

Estreitou os olhos, realmente confuso. Observou as fotos em ordem, e não tardou a reconhecer Rin Nohara e sua mãe na maioria delas. As duas pareciam muito felizes ao lado de uma mulher loira que o Uchiha nunca havia visto.

Na medida em que as imagens avançavam, as moças pareciam ficar mais velhas e em certo ponto Rin deixou de aparecer. No lugar dela, um bebê surgiu... Uma garotinha, Madara notou depois de duas fotos. Uma garotinha sorridente, com cabelos curiosamente rosados e olhos verdes e brilhantes.

.

Hiroto subiu as escadas dançando e cantarolando.

Como era bom estar diante de um pote de ouro!...

Como era bom ser mais esperto do que a maioria das pessoas!

Perguntou-se se Madara já teria aberto o envelope. Não podia nem imaginar como o velhote estúpido reagiria diante dos retratos, mas sentia uma imensa vontade de gargalhar ao vislumbrá-lo lendo sua curta e objetiva carta.

Se lesse, é claro.

Hiroto sabia que Madara o odiava e, para ser bem sincero, também não era um dos maiores fãs do Uchiha. Mas aquele homem havia sido sua mina de ouro por anos!... E ele não podia deixar a fonte secar assim, sem mais nem menos.

Por mais de vinte anos Madara Uchiha havia sustentado os Nohara.

Ele não havia só bancado todos os anos de tratamento de Rin, como também depositou mensalmente uma gorda pensão aos pais dela que, aos olhos do senhor Nohara, compensava em muito a falta da filha.

A mordomia de Hiroto obviamente havia sido findada quando o estúpido Obito tirara Rin da clínica, e fazia meses que a família Nohara não via um tostão que fosse.

A senhora Nohara, claramente movida pelo desespero, começara a implorar que o marido que começasse a trabalhar. Veja só! Só a possibilidade lhe parecia absurda.

Hiroto não tinha nada contra pessoas trabalhadoras. Na verdade, ele não era contra a ideia de trabalho, mas simplesmente não conseguia ver a si mesmo como subordinado de alguém, fosse quem fosse.

Ele tendia a ser mais inteligente que os tantos comerciantes do bairro e, em sua mente, era impossível trabalhar para alguém burro, ou de intelecto inferior ao seu. Também era absurda a possibilidade de trabalhar em qualquer lugar que o obrigasse a se locomover para uma longa distância!

Impensável!

Ele, velho como era, sendo obrigado a pegar qualquer tipo de condução lotada todas as manhãs, por algum trabalhinho micho por aí!... Não, sequer era uma possibilidade a se pensar!

A pensão de Madara tinha que voltar...

Tinha que fazê-lo pagar por sua distância, por seu silêncio.

Rin já não era mais útil. Hiroto sabia que agora que a filha estava aos cuidados do marido, seria impossível afastá-la de Obito. Mas Sakura...

Ele sorriu.

Sakura era uma possibilidade a ser explorada.

– Estou de volta! – Ele exclamou ao entrar em casa, mas parou na soleira da porta, surpreso ao notar que a esposa tinha visitas.

Uma moça bonita e muito bem vestida virou-se na direção dele. Ela sorriu timidamente e fez uma curta e educada reverência.

Hiroto estreitou os olhos, pensativo. Sabia que conhecia aquela mulher de algum lugar...

– Bom dia, senhor Nohara.

Ela tinha um sotaque estranho, apesar dos traços orientais.

– Sou Kasumi Uchiha.

Notas finais
Altas tretas, eu sei. Mas gostei bastante!... Aqui temos o ponto final de uma história importante e o início do parágrafo de outras, que também serão beem importantes para o fim da história! :D Eu estou animada! *Pulinhos* Mas também estou com sono. Fiquei escrevendo até às duas da manhã ontem, então... *Boceja* Bem, pessoinhas lindas, eu acho que é só. Falei tudo o que queria falar nas notas iniciais. Mais uma vez eu agradeço a todos aqueles que comentaram, que recomendaram... À todos vocês que leem e amam 50 tons de Uchiha! Obrigada pelo carinho, obrigada pela força. A tia Candy vai continuar se esforçando!... Até a próxima! :*