Notas iniciais
Olá, pessoas lindas!
Vocês me surpreenderam essa semana! Oo
O último capítulo bombou de comentários em pouquíssimo tempo, e caso o capítulo tivesse ficado pronto, ontem mesmo eu teria postado... Mas só terminei no finalzinho da tarde, e como tinha que escrever The King, acabei deixando pra hoje. ;)
Mas vocês são mesmo adoráveis! Muito obrigada por toda a força! Por toda a energia demonstrada em seus comentários... Realmente me deixam muito feliz! szszszsz
SEUS LINDOS SZ
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Eu gostei bastante desse capítulo! ;) Mas estou um pouco preocupada com a reação de todos! Então por favor, sejam sinceros! XD
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Espero que divirtam-se. sz

Capítulo 10 – Como Irmãos.

Dor.

Ódio.

Ódio.

Ódio.

Naruto sentia que poderia matá-lo, matá-lo a qualquer minuto, a qualquer momento! Ele queria matá-lo agora mesmo, mais do que qualquer coisa que já quis em sua vida. – D- Desculpe! – O rapaz Inuzuka exclamou olhando para Hinata, que não respondeu.

Ele levantou-se apressadamente e começou a vestir a camisa.

Hinata, com calma extrema (certamente resultado do álcool em suas veias), sentou-se e começou a balançar os pés como uma criança. Ela não parecia estar sentindo nada, embora Naruto sentisse tudo. – Será que... Eu posso te ligar? – O moreno perguntou a ela com o rosto enrubescido, e Hina sorriu docemente.

– Saia daqui! – Naruto bradou furioso, apontando para a porta como se fosse o dono da casa. – Hina não fez menção para contrariá-lo, então Kiba, após vestir as meias, saiu do quarto, mas não sem antes esbarrar propositalmente no Uzumaki.

O loiro bateu a porta do quarto da Hyuuga com força, mas não se preocupou em trancá-la. Deu passos pesados até a cama e não se intimidou com o rosto sem emoções da amiga. – Que porra foi essa? – Ele perguntou entre dentes.

– Nada. – A moça deu os ombros. – Você estragou tudo, como sempre. – E se levantou despreocupadamente. Naruto a segurou pelo antebraço e apertou-o tão forte que a machucou. Mas Hina fez questão de não demonstrar dor. Ela virou o rosto parcialmente, e encarou-o como se fosse um nada.

– Você ia transar com um desconhecido? – A sobrancelha azulada se arqueou.

– Por quê? Quer me dar aulas de sexologia?

– Vou te dar uns tapas, isso sim! – Ele exclamou alto, e ela riu sem humor. Se esquivou do aparto dele e o encarou.

Tente. – Desafiou. – Amanhã, quando acordar, vai fazer-se de vítima e falar que “não estava em si”, que “não queria ter feito isso”. – Ele agarrou os cabelos dela, os olhos azuis furiosos estavam fixos aos perolados.

– Amanhã, quando acordar, vou até os confins do inferno procurar aquele maldito, apenas para quebrar a cara dele. – Hinata riu.

– Por quê? – Ela quis saber. – Porque ele tocou na sua “preciosa amiga”? – O corpo de Naruto estava completamente rígido. – Ou porque eu gostei que ele me tocasse? – O aperto do rapaz tornou-se mais forte.

– Eu vou mesmo te bater, Hinata! – Ele garantiu. Hinata revirou os olhos, sorriu e deslizou o indicador pelos lábios dele; inconscientemente, o aperto se afrouxou.

Nada podia agradá-la mais que aquilo. – Você quer mesmo me bater? – Puxou sua mão livre e beijou-lhe, sem quebrar o contato visual, e ele sentiu o corpo queimar.

– Tenho... – Disse, mas sua voz tinha certo tom de incerteza.

– Para mim, parece mais querer me beijar... – Ela murmurou em voz baixa. Obviamente toda aquela situação era encorajada pelo álcool de mais cedo, assim como a hesitação de Naruto.

Ela puxou-o pela camiseta e sentiu-o soltar seus cabelos; a mão do rapaz deslizou por suas costas até a cintura, onde se firmou. O rosto de Hinata aproximou-se lentamente, e as testas de ambos se tocaram. Naruto fechou os olhos e sentiu-a roçar o nariz no seu. – Você é tão cruel... – Ela murmurou com chateação.

– Eu?! – Ele exclamou com surpresa. – Te pego na cama com outro e eu sou cruel...?! – O rapaz aproximou-se para abocanhar os lábios dela, mas Hinata recuou milímetros, impedindo-o.

– Você! – Exclamou sufocada. – Nunca me entende... Nunca me enxerga...!

– Eu te enxergo agora... – Ele murmurou, e mais uma vez tentou capturar os lábios dela, inutilmente.

– Nunca quando está sóbrio! – Exclamou, abrindo os olhos para encontrar os dele.

– Me deixa te beijar... – Ele pediu em um sussurrar necessitado, mas ela negou.

– Se eu deixar, posso passar a próxima parte da minha vida te esperando... E eu não aguento mais, Naruto... – Fungou. – Não aguento mais te esperar...

– Não precisa me esperar... – Arranhou sua cintura. – Você é tão linda, Hinata... – E deslizou os lábios pelo rosto dela, que se deliciou com cada toque, suspirando de maneira apaixonada.

– Não...! – Ela reclamou, e virou-se para evitar que ele a beijasse. Para sua desgraça, Naruto continuou mantendo os beijos por seus ombros e costas.

– Eu vou tirar o cheiro daquele cachorro imundo do seu corpo... – Garantiu-lhe entre os beijos, que a fazia tremer e arfar.

– Pare...! – Pediu, mas ele simplesmente não estava em si. – Naruto...! – Tentou se afastar, mas ele a abraçava com força.

Era como um flashback daquele maldito dia. Um maldito e doloroso flashback do pior dia de sua vida... – Pare...! – Pediu, e começou a chorar. – Pare de me machucar...! – Sentiu as pernas bambearem, mas Naruto não deixou que caísse.

O choro dela pareceu ser o suficiente para despertá-lo, pois o loiro afastou-se vagarosamente, e o sentimento de culpa começou a dominá-lo.

Ele riu sem humor e bagunçou a cabeleira loira. – Desculpe. – Pediu com os olhos bem abertos; estava chocado com tudo aquilo. – Desculpe... – Repetiu, e sentiu uma irritante lágrima solitária deslizar por seu rosto. – Eu não quero te machucar nunca mais... – Disse mais para si mesmo do que para ela. – Por isso me perdoe... – Mas ela não conseguia se controlar; estava sentada no chão, em posição de feto, chorando como se não houvesse amanhã. – Pare de chorar... – Ele implorou; aproximou-se a envolveu os ombros finos. – Por Deus, Hinata! Pare de chorar! – Exclamou em voz alta, mas de nada adiantou.

A porta abriu-se repentinamente e Kiba apareceu ofegante. Ele estava saindo do banheiro quando ouviu o choro da moça e correu para socorrê-la.

Fez uma careta ao ver a situação e aproximou-se sem pedir licença. Ele empurrou o loiro de perto da Hyuuga e puxou-a agilmente, de modo a carregá-la no colo. – Você por acaso é o pai dela? Que moral tem para ficar dizendo o que ela deve ou não fazer?! – Exclamou, pois supunha que as lágrimas da mocinha davam-se graças a alguma bronca.

Naruto não pôde responder. Não por falta de resposta, nem por falta de vontade de respondê-lo, mas pelo simples fato de que seu coração sangrou ao ver Hinata abraçar aquele estranho, como se ele fosse um tipo de porto seguro.

O Inuzuka levou-a para a cama e pousou-a gentilmente ali; ela não parecia querer largá-lo, então ele sentou-se ao seu lado. Olhou para Naruto de soslaio, com uma expressão de irritação. – Se toca, cara! – Exclamou, e o rapaz, sem forças para continuar ali, vendo Hinata frágil consolando-se com outro homem, foi aos poucos reunindo forças e retirou-se do quarto.

– Não... – Ele disse para si mesmo, sem tirar a imagem irritante daqueles dois da sua mente. – NÃO! – Gritou, e empurrou o vaso que servia de enfeite para o corredor sem se importar em saber se era ou não uma das relíquias da senhora Hyuuga.

Ele caiu de joelhos, as lágrimas escorrendo pelos olhos, e sem fazer som algum, começou a chorar. – Que droga eu estou fazendo...?!

~

Até a manhã seguinte, quando Naruto certamente lhe faria uma descrição fiel dos acontecimentos daquela noite, Sasuke tinha certeza de que nenhuma situação poderia ser tão desconfortante quanto a que estava passando.

Durante as últimas duas horas, ele havia passado todo o tempo trancado com aquelas duas amigas em um dos quartos de hóspedes da mansão Hyuuga.

Ino foi tão discreta quanto um pavão costumava ser, e passou o tempo todo segurando a mão do Uchiha, beijando-lhe seu rosto, seu pescoço e murmurando coisas ao pé de sua orelha. Claro que ele não retribuiu nada, nem sequer com qualquer indício de sorriso. Afinal, naquele momento, Sakura havia estado sentada ao lado dele, tratando das feridas que os idiotas que a haviam feito cair da piscina o tinham causado.

Naquele momento não era diferente: eles estavam no carro do Uchiha; Sak estava no banco de trás, olhando fixamente para a paisagem em movimento, visivelmente desconfortável enquanto Ino, sem pudor nem vergonha, alisava a perna de Sasuke, que fazia todos os esforços do mundo para ignorá-la e continuar dirigindo. – E que tal passar a noite lá em casa? – A loira sugeriu e o moreno discretamente, pelo retrovisor, encontrou os olhos magoados da Haruno, que também parecia querer espiar discretamente.

– Eu não vou. – O Uchiha suspirou, voltando os olhos para a estrada. – Acho que sabe que eu não gosto de ficar muito tempo com só uma pessoa, Ino. – Ele explicou, e ela arqueou as sobrancelhas.

– Vamos! Eu não sou como as outras... – Ela apertou seu joelho, e ele sorriu.

– Na verdade, você é exatamente como as outras: bonita, sexy e extremamente apelativa. Não me leve a mal, gatinha. – Ele a olhou de canto, sorrindo encantadoramente. – Mas não vai rolar, e pronto. – E tornou a olhar para a estrada. – Eu já te disse que gosto de deixar as coisas acontecerem. – Ino não parecia exatamente satisfeita com essa resposta, então se acomodou em silêncio em sua poltrona, e cruzando os braços, como Sakura, começou a fitar a janela.

Mais uma vez o Uchiha lançou um olhar furtivo pelo retrovisor, e de novo encontrou os curiosos orbes verdes olhando em sua direção. Sak estava levemente corada, mas parecia satisfeita com a reação dele.

Se ele, que mal a conhecia, pôde perceber isso, quem dirá Ino, que observava toda a troca de olhares em silêncio do seu lugar.

Quando enfim alcançaram o lar das amigas, entretanto, a loira praticamente saltou do carro na velocidade da luz, esquecendo-se completamente das dificuldades que a amiga teria em subir as escadas, pois o senhor Yamanaka estava em pé em frente à porta com algumas malas, provavelmente porque os pais de Sakura haviam saído para jantar. Pai e filha se abraçaram e adentraram na residência sem esperar os outros dois.

Sakura suspirou tristemente, praguejando mentalmente pela atitude da amiga, sem sequer imaginar que ele havia feito isso propositalmente. – Eu te levo. – Foi o que o moreno murmurou, mas ainda que a rosada insistisse que não era necessário, ele desceu do carro, abriu a porta traseira e a ajudou a sair dali.

Segurou firmemente em sua cintura, fazendo-a corar e com cuidado extremo, levou-a escadas à cima. Sak certamente não o convidaria para um café, e sabendo disso, segurou-a antes que pudesse alcançar a porta. – Sobre o que eu te falei... Pense bem, certo? – Ele pediu com carinho, mas ela não conseguia olhá-lo nos olhos. – Eu vou te dar um tempo... – E franziu a testa. – Mas não posso garantir que eu vá aguentar muito, então tente não me enrolar. – A rosada suspirou, e sentiu os lábios dele comprimirem em sua testa; embora estivesse tentada a se esquivar, sabia que não conseguiria, portanto fechou os olhos e aproveitou o momento doce. – Boa noite. – Ele murmurou contra sua pele, e ela assentiu.

– Boa noite... – Ele afastou-se milimetricamente, baixou o rosto, mas antes de selar os lábios róseos, o senhor Yamanaka abriu a porta.

– Sakura! – Ele exclamou com um sorriso, sem perceber que havia interrompido qualquer coisa (afinal, ele estava acostumado com os namorados da filha, mas não da amiga dela). – Você estava aí! Vamos, dê-me um abraço! – E a abraçou sem esperar resposta. Sasuke afastou-se, um pouco sem graça com a situação.

– Eu sou Sasuke Uchiha. – Cumprimentou o senhor de cabelos loiros educadamente, dando-lhe um amigável aperto de mão. – Gostaria de conhecê-lo melhor, senhor Yamanaka, mas devo ir embora. – Disse-lhe com um sorriso. – Até mais ver. Boa noite, senhorita Haruno. – Ela não olhou para ele.

– A- Até, senhor Uchiha... – Ele ficou satisfeito com a vermelhidão nas faces da mocinha, então após despedir-se dos Yamanaka com um aceno, desceu as escadas.

Discretamente, os olhos verdes fitaram as costas do elegante rapaz de terno, mas ela sequer sonharia que Ino havia não só percebido, como visto tudo aquilo.

~

Quando Hinata abriu os olhos, sentia sua cabeça latejar de dor. Ela lembrava-se vagamente dos acontecimentos da noite passada, então não se espantou ao encontrar Kiba Inuzuka deitado ao seu lado, vestindo uma deliciosa boxer vermelha. Ele acordou assim que a sentiu remexer-se, sorriu e beijou-a como cumprimento. – Ainda estamos juntos ou você estava muito bêbada quando aceitou meu pedido? – Ela fez uma careta. Definitivamente aquele comportamento não era de seu feitio, mas ela preferiu ignorar o sentimento de culpa; sentou-se, esticou-se e deu os ombros.

– Por que não? – Afinal, ela precisava seguir sua vida. Estava decidida. – Vamos tentar. – E sorriu gentilmente. Kiba retribuiu o sorriso, sentou-se e beijou-a mais uma vez. – Vamos tomar café... – Ela disse entre os lábios famintos do novo namorado, que riu.

– Não acho que tenha sobrado muita coisa. – Mas a Hyuuga deu os ombros.

– Preciso de um analgésico. – Ela bocejou e se levantou; vestiu a lingerie e o vestido que estavam jogados ao chão, e corou ao sentir o abraço do rapaz, que lhe beijou a nuca. Incomodada com a lembrança de Naruto na noite passada, ela preferiu esquivar. – É sério, preciso de um remédio... – Murmurou com um sorriso sem graça, alisando o rosto do rapaz, que assentiu.

Ele vestiu a calça rapidamente, e ambos desceram para o primeiro andar, onde ficava a cozinha. O moreno pareceu surpreso ao ver tudo em seu devido lugar, como se nada tivesse acontecido no dia anterior, mas compreendera ao ver três moças limpando o chão; elas provavelmente estavam trabalhando desde cedo. Hinata sequer cumprimentou-as, tamanha enxaqueca; apenas seguiu para a cozinha, quase desesperada em cumprir seu propósito, mas paralisou diante o portal, pois Naruto estava sentado, com o rosto ferido e calças ensanguentadas – provavelmente graças ao vaso que quebrara na noite passada – comendo com uma cara de dor.

– Bom dia. – Kiba sorriu-lhe de maneira provocante, e propositalmente envolveu a cintura de Hinata. Naruto desviou o olhar para seu café.

– Bom dia. – Disse em tom baixo.

–... Bom dia... – Hinata também murmurou, o rosto começava a corar, então ela preferiu esquivar-se educadamente do namorado e seguiu para o armário em busca do tão necessário remédio.

– Acho que começamos com o pé esquerdo ontem. – O Inuzuka disse; aproximou-se e se sentou no banco na frente do de Naruto no balcão, erguendo a mão para cumprimentá-lo. – Eu sou Kiba Inuzuka, vocalista e guitarrista da Time Oito.

– Ótimo, um cantor... – Naruto suspirou, e o moreno franziu o cenho, ofendido.

– Eu sou Naruto Uzumaki, amigo de infância da senhorita Hyuuga.

– Oh, agora posso entender sua reação. – O cantor sorriu com falsa inocência; Hinata estava do outro lado da cozinha, muito concentrada em seu copo d’água, quase sentindo os olhares do amado. – Mas não se preocupe. Agora eu sou o namorado da Hinata, então pode ver que tenho as melhores intenções com ela. – Lentamente, os orbes azuis passaram do corpo de Hinata para os olhos castanhos do Inuzuka.

–... Namorado? – Ele repetiu descrente, e o moreno assentiu.

– Namorado! – Exclamou com um sorriso maldoso, claramente provocativo. Naruto levantou-se repentinamente, e jogou a xícara de café no chão com revolta palpável.

– Agora você deu pra namorar o primeiro cara que encontra?! – Berrou. Hinata suspirou; contou até cem mentalmente, tomou o analgésico e bebeu do copo. – Me responda! – O loiro se aproximou da moça com passos fortes, rapidamente. – Eu realmente não tenho moral para falar de ninguém que dorme com desconhecidos, mas de dormir para sair...!

– Não somos desconhecidos. – Hinata encarou-o fixamente. – Ele é irmão de uma amiga do meu primo, nos conhecemos há alguns anos. – Ela tomou mais um gole d'água. Os olhos de Naruto se cerraram, agonizados. -... Você está muito machucado... – Ela refletiu após analisá-lo de perto. – Vamos, eu vou cuidar de você. – Fez menção para se aproximar, mas Naruto esquivou-se prontamente.

– Não precisa. – Ele murmurou rancoroso. – Eu posso me virar, cuida do seu namorado. – E saiu sem despedir-se.

– Oh... Ele é muito temperamental, não é? – Hinata preferiu não responder.

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Obito mal havia pregado os olhos, tão ansioso sentia-se pela manhã seguinte.

O hospital mal havia aberto, e ele já estava na recepção, mostrando seus documentos e exigindo ver a esposa naquele mesmo instante. Embora houvesse hesitação na recepcionista da manhã – que era diferente da outra, do dia anterior – ela acabou por ser instruída a levar o senhor Uchiha até a sala de visitas, onde encontraria a Nohara.

Rin estava sentada numa mesa grande, olhando fixamente para o horizonte, como antes. Estava pálida, tinha olheiras profundas, mas agora seus cabelos haviam sido cuidadosamente penteados. – Rin... – O senhor Uchiha sorriu sinceramente ao vê-la, e ignorando todas as instruções das enfermeiras, sentou-se ao lado dela; alisou seu rosto e beijou amorosamente. – Rin... – Murmurou seu nome mais uma vez, sem cessar os beijos. – Sou eu, Obito... – E então uma fagulha de entendimento pareceu brilhar em seus olhos, ainda que fosse muito pequena.

Ela deu-lhe um sorriso fraco, alisou seu rosto e sorriu. – Rin... – Ele beijou-lhe os lábios e foi fracamente retribuído. Nada no universo poderia deixá-lo mais feliz do que beijá-la de verdade, então ele repetiu o gesto. Sorria feito uma criança. – Não lhe deram remédios hoje? – Ela negou com a cabeça; com os olhos, apontou para as próprias mãos, e Obito pôde ver dois comprimidos brancos, aparentemente inofensivos. Ele sentiu-se furioso. – Eu vou tirá-la daqui... – Prometeu. – Esses malditos não perdem por esperar... – Murmurou rancoroso, mas acalmou-se quase instantaneamente, ao senti-la alisar suas faces. – Eu vou tirá-la daqui... – Prometeu novamente antes de beijá-la. – E nós vamos reconstruir todos esses anos separados... – E a abraçou amorosamente. – São mais de vinte anos... – O rosto dela empalideceu. – Mas eu prometo que vou consertar tudo...

– Mais de vinte...? – A voz dela foi um sussurro extremamente baixo, tão que ele se assustou ao ouvi-lo, afastou-se vagamente e olhou para o rosto da amada, como se esperasse uma confirmação da fala desta. – Não...! – Exclamou; os olhos castanhos se arregalaram. – Não...! Vinte anos é muito tempo! – Exclamou, agarrando o terno do marido. – Vinte anos é muito tempo! Não pode! Não pode! – Dizia rápido. – NÃO! – E gritou. – NÃO! – E começou a chorar, assustando o moreno. – Vinte anos não...! – Ela se encolheu no peito do amado. – Vinte anos não! VOLTE O TEMPO! DEVOLVA-A! – Dois médicos se aproximaram do casal, e ainda que o Uchiha gritasse para que eles se afastassem, puxaram a adoentada. – DEVOLVA! – Ela gritava. – ME DEVOLVA!

– Rin! – Obito não sabia se estava mais surpreso ou mais assustado.

– Não a tire de mim...! Não a tire de mim...! – Clamava chorosa; uma enfermeira, já acostumada com casos parecidos, aproximou-se e injetou-lhe uma medicação que a fez dormir quase instantaneamente.

– Que droga estão fazendo?! – O moreno esbravejou. – Afastem-se da minha esposa! – Comandou.

– Ela é uma paciente, senhor. – A enfermeira avisou com os olhos calmos. – E estava surtando, nós precisávamos acalmá-la. – Ele não tinha como argumentar.

– E- Eu tinha tudo sob controle! – Mentiu.

– Isso não importa. De qualquer forma, é nosso dever cuidá-la. – E olhou para os outros que a seguravam. – Levem-na para seu quarto. – Eles assentiram e obedeceram, enquanto Obito manteve-se ali, pasmo, paralisado, refletindo sobre aqueles pouco menos de quinze minutos.

~

Sakura odiava a incerteza. Odiava, mais que qualquer coisa, o sentimento de duvida. Especialmente quando esta envolvia pessoas próximas e queridas, como Ino.

Desde meninas, Ino e Sakura sempre estiveram juntas. Ambas nasceram no mesmo ano, e conheceram-se desde o berço, já que a senhora Haruno trabalhava com os Yamanaka há muito; como sempre foram filhas únicas, adotaram uma à outra como irmã, ainda que suas realidades fossem tão distintas.

Ino cresceu em meio ao conforto, às festas e à popularidade, enquanto o maior luxo da vida de Sakura fora o fato de não ter trabalhado até entrar na faculdade.

Ino divertia-se com rapazes, e Sakura com seus livros. A loira gostava de expressar suas opiniões, e a rosada de criar suposições... Mas mesmo em meio a tantas diferenças e contradições, elas nunca, jamais expressaram qualquer desejo de afastarem-se. Pelo menos não até então...

Sak sabia melhor do que ninguém que Ino estava acostumada a ter o que quisesse, quando quisesse e na quantidade desejada. Também sabia que ela era teimosa, e estava sempre disposta a uma boa competição – nem sempre saudável. Por quantas vezes a Haruno abrira mão de coisas para que a amiga ficasse feliz?

A verdade é que ela não podia contabilizar, pois eram muitas: lanches, bonecas e até mesmo o cargo de presidente do conselho estudantil, quando estavam no colégio. Claro que não parava por aí, e na realidade a rosada nunca, jamais se sentiu mal por entregar-lhe de bandeja qualquer coisa. -... Mas ele não é uma coisa... – Ela murmurou para si mesma. – É um rapaz... – E inconscientemente, ao lembrar-se dos doces beijos que a fizeram flutuar no dia anterior, ela deslizou o indicador por seus lábios.

Com o rosto enrubescido, ela encolheu-se na cama e refletiu até ouvir o som leve das batidas na porta de seu quarto. – Entre. – Ela comandou com desânimo, e surpreendeu-se ao ver a amiga fazê-lo. A surpresa dava-se a dois motivos principais: primeiro, ela jamais batia na porta; segundo, ela dificilmente acordava cedo (não passavam das nove), especialmente após festas.

A loira lhe ofereceu um sorriso fraco e sentou-se na cama, ao lado da rosada, que imediatamente adotou uma postura alegre. – Você, acordando cedo? Acho que porcos vão voar. – Ela debochou, mas a Yamanaka não parecia disposta a retribuir. – Algum problema?

– O que você tem com Sasuke-kun, Sakura? – Questionou diretamente, erguendo os olhos azuis para fitarem os verdes. O rosto da rosada ficou em chamas.

– E- Eu já disse que não tenho nada! – Não era mentira.

– Não minta para mim. – A loira franziu a testa ao exigir. – Eu reparei que ficou muito satisfeita ontem, quando ele me dispensou. – Sakura contraiu os lábios.

– Isso porque ele é uma péssima companhia para qualquer pessoa. – Isso também não era mentira. – Eu sei que ele vai acabar te machucando, e não quero isso. – Mas a amiga suspirou.

– Sakura, é só sexo. Sei que pode ser difícil entender isso, virgem imaculada, mas ele é muito bom. – E sorriu de maneira maliciosa.

– Mas... Você... Você parecia tão interessada... Até brigou comigo! – A rosada não pôde disfarçar o engasgo, e a loira gargalhou.

– Bem, acho que naquele dia fiquei mais irritada por ser excluída, porque você nunca me conta nada... E é claro que eu adoraria que o grande Sasuke Uchiha me desse alguma importância. – E deu os ombros. – É bom para o ego de qualquer uma. Mas pelo que eu vi ontem... Vamos, seja sincera. – A Haruno desviou o olhar, seu rosto estava vermelho como nunca.

– Ele é um belo cafajeste. – Murmurou irritadiça. – Eu não quero ter nada a ver com ele. – Garantiu, mas pela expressão da amiga, ela não parecia acreditar muito nisso. – É verdade!

– É verdade que ele é um belo cafajeste. – A loira concordou. – Mas que você não quer nada com ele... Vamos, Sakura! Você é jovem, bonita, solteira... Pode dar-se ao luxo de sair com um bonitão, de vez em quando! Vai ficar virgem até quando?!

– Eu não quero isso para mim! – Sak praticamente gritou. – Não sou o tipo de garota que recebe cantadas apelativas, você sabe disso! Não tive muitos namorados, então não estou acostumada com certos tipos de coisa! – Como aquele quarto, ela pensou. – Sempre caminhei lentamente em assuntos desse tipo.

– É por isso que continua virgem... – Ino cantarolou.

– Isso não tem nada a ver com aquilo! – A outra respondeu ríspida. – Se me guardo até hoje não é por “lentidão”, e sim porque... Porque... – Enrubesceu. – Porque eu quero ter um relacionamento de amor, droga! Não vejo motivos para me entregar para um homem que, como ele mesmo disse, não fica muito tempo com uma mesma mulher! – E cruzou os braços, emburrada. – Quando for pra eu ficar com alguém, vai ser o amor da minha vida, entende? Aquele que vai me acompanhar para o resto da minha vida!

– Você é tão teimosa... – Ino suspirou. Sabia que não adiantava em nada falar sobre isso com a amiga. – Bem, nossas opiniões são completamente diferentes, mas eu não vou insistir. Afinal, se você não quer, eu quero. – E piscou antes de se levantar.

Caminhou até a porta, mas parou antes de abri-la. – Só tome cuidado. – Ela avisou com um rosto sério. – Pode acabar criando teias de aranha. – E fugiu antes que a almofada que Sak lhe atirara a acertasse.

~

A campainha soou pela terceira vez consecutiva, e Sasuke enfim abriu os olhos. Ao erguer os orbes de ônix até o relógio digital que ficava sobre o criado mudo, bufou. Sequer haviam dado onze horas!

O senhor Uchiha, embora fosse um degenerado, normalmente não dava-se ao luxo de acordar além das oito horas, mas o dia anterior realmente havia sido desgastante. Desgastante o suficiente para ele beber mais uma garrafa de seu estoque particular e desmaiar.

Infelizmente, o visitante inesperado parecia estar querendo acabar com seus planos de dormir até o ano novo, e dando-se por vencido, no quinto soar da campainha já estava de pé.

Cansado do jeito que estava, sequer notou a ausência do tio, mas pasmou ao ver o estado do amigo quando abriu a porta: Naruto estava um verdadeiro caco!

Roupas rasgadas, ensanguentadas, rosto ferido e olheiras profundas. – Mas que droga...?! – O loiro suspirou, empurrou o amigo e adentrou sem ser convidado. – Não senta no me sofá! – Naruto ignorou a ordem, e o Uchiha fez uma careta. – Cara... Eu não vou bancar a enfermeira para você. – Naruto ergueu o dedo médio como agradecimento ao moreno, e o Uchiha riu.

Sasuke fechou a porta, foi até o bar e puxou dois copos e uma garrafa de uísque antes de ir sentar-se ao lado do Uzumaki. – O que foi? A consciência tá matando? – Ele perguntou enquanto servia.

O outro suspirou, aceitou a bebida e engoliu-a toda de uma vez. – Hinata arrumou um namorado estúpido. – Disse entre dentes.

– Isso não é bom? – O outro questionou enquanto tomava um gole de seu próprio copo. – Pensei que concordávamos com a ideia de que ela devia se divertir um pouco mais. – Naruto fez uma careta.

– Tem uma grande diferença entre se divertir e sair dando pra qualquer um. – Sasuke arqueou a sobrancelha.

– Seu hipócrita. – Acusou com um sorriso divertido. Naruto enrubesceu.

– Não é hipocrisia! – Garantiu. – Só que... Você imagina a Hinata como nós? Consegue imaginá-la fazendo isso por diversão? – Sua voz parecia agonizada, e Sasuke enfim pôde perceber o quê a reação do melhor amigo significava.

–... Não. – Ele confessou com um rosto um pouco sério. – Hinata é como uma irmã, você sabe. – E descansou as costas no encosto do sofá. – É muito estranho para mim, pensar que ela é uma mulher... Por isso eu quis matá-lo naquele dia. – O loiro demorou a pensar em uma resposta.

–... Eu quis matar aquele cara. – Refletiu. – E ainda quero.

– E ainda que sejam os mesmos pensamentos, não acredito que os nossos sentimentos possam ser os mesmos. – O Uchiha encarou o teto branco. – Porque eu e você olhamos para Hinata de maneiras diferentes, e ela nos olha de maneiras diferentes. – Naruto estava a ponto de retrucar, mas não foi permitido. – E não me venha dizer que nunca parou para pensar nos sentimentos dela, porque ambos sabemos que isso é uma grande mentira.

–... Eu não quero machucá-la. – Naruto murmurou após alguns minutos de silêncio. – Nunca quis... – Sasuke assentiu, pois sabia disso muito bem. – O que eu devia fazer...?! – Ele escondeu o rosto com as mãos e suspirou profundamente.

– Bom, você tem duas opções. – O moreno falou após tomar outro gole. – A primeira: dizer seus sentimentos e esperar a decisão dela. A segunda, apoiá-la e continuar a ser o seu eterno “melhor amigo”. – Naruto sorriu desgraçadamente.

– Você sabe qual eu vou escolher. – O moreno assentiu.

– “Eu não quero me afastar dela”, “Eu não quero magoá-la”, “Eu não quero que nossa relação acabe, se tudo der errado”... Na realidade você só está sendo covarde. – Os olhos negros ergueram-se até o rosto do depressivo rapaz. – Há quatro anos, quando você a machucou... Sabia, não é mesmo? Dos sentimentos dela... E até mesmo dos seus... – Os olhos azuis se cerraram. – Você sabe, não é? Essa farsa já ficou insustentável. – Os punhos se cerraram. – Talvez, mesmo que escolha a segunda opção... Consequentemente vão acabar se afastando. – E levantou-se.

– E o que eu deveria fazer?! – Exclamou alto, encarando o amigo. – O que eu devo fazer, se eu sou covarde?! – E quebrou o segundo copo do dia. – É a Hinata! – Exclamou. – Eu não posso simplesmente ficar com ela! – Sasuke suspirou. – Isso envolve os sentimentos de alguém precioso! Eu não consigo simplesmente pensar por conta própria, porque eu a amo! – O Uchiha levantou-se. – Os pensamentos que você faz parecer tão banais... Eu não consigo tirá-los da minha cabeça! Sinto muito se sou um covarde, mas eu prefiro morrer a machucá-la de novo!

– Então continue como covarde! – O moreno exclamou. – Continue assim, e espere até que alguém que a mereça apareça! Assista a felicidade dela! Mas não é como nos filmes, Naruto! Pessoas como nós não ficam felizes apenas porque as pessoas que amam estão bem! O que você sentiu ontem ao ver outro tocá-la... Só vai piorar! Vai doer mais e mais, até calejar!

– O que eu devo fazer?! – A resposta de Sasuke ao grito de Naruto foi um soco firme e doloroso em seu rosto, que o fez cambalear e cair.

– Se você realmente a ama, tome uma maldita decisão! Seja forte! Sacrifique-se pela felicidade dela ou se esforce para tê-la ao seu lado! Pare de se fazer de vítima, quando quem mais sofre com a sua hesitação é a Hinata! – Naruto fungou; socou o chão e acidentalmente cortou o punho com os cacos do copo que havia quebrado, mas a dor de seu grito pareceu mais interna do que externa.

Sasuke, preocupado com a poça de sangue que começava a se formar no chão de sua casa, se apressou para pegar o aparelho fixo sem fio e inconscientemente discou o numero de Sakura. – Sakura. – Ela disse ao atender.

– Sou eu. – Ele falou apressado. – Sinto muito por ligar de repente, mas o Naruto acabou se cortando aqui... – Explicou antes que ela pudesse entender errado.

– Se cortou...? Foi muito fundo?! – A voz dela parecia muito preocupada, e isso o incomodou.

– Provavelmente, está sangrando bastante. – Informou a contragosto.

– Leve-o ao hospital. – Foi sua primeira ordem. – Mas antes... – Ela explicou-lhe detalhadamente os primeiros socorros para tal ocasião.

Após desligar o aparelho, Sasuke ajudou o amigo a levantar-se; levou-o até o banheiro, onde lavou o corte com sabão e água abundante, para depois enfaixar o punho com gaze, sem aperto, e o guiou para o carro. Naruto o seguia sempre em silêncio. – Eu vou te levar no hospital... Sakura disse que vão tirar os cacos da sua mão... – O Uchiha tentou distraí-lo enquanto ajeitava o espelho retrovisor, punha os cintos e ligava o carro. – Eu acho que vai levar alguns pontos, hein. – Ele sorriu aparentemente divertido, mas Naruto não conseguia retribuir, pois só conseguia pensar nos chorosos olhos de sua preciosa amiga.

Notas finais
YEAH! Mais um capítulo postado! Viiitória! o
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A bebida favorita do Sasuke é uísque, já perceberam? Ele sempre tem uma garrafinha guardada em casa.
Mas mesmo que goste bastante de beber, o senhor Uchiha nunca toma mais que dois copos em uma festa; ele não gosta de ficar bêbado em festas porque gosta de dirigir de volta para casa.
A propósito, Sakura e Ino voltaram com o Sasuke de carro exatamente por isso: a Ino tinha bebido, e a Sak tava sem pé pra dirigir! XD
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Muita gente tava chamando a Ino de "chata", então eu preferi deixar bem claro que, diferente do que muitos devem pensar, ela realmente preza a Sakura. Também diferente do que devem pensar, não é SÓ a Ino que impede a Sak de ficar com Sasuke-kun. u.u
Enfim, vamos desenvolver melhor os sentimentos dessas duas mais pra frente! ;)
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Ah! Sobre a Hinata... Ela era uma santa, até a noite anterior. AHUASHSUHSAU' Hinata é uma garota bem sossegada, então ela não costuma a dormir com caras, conhecidos ou desconhecidos, sem que esteja completamente apaixonada... Mas a noite anterior foi uma exceção, ela fez isso de forma impensada, para tirar o Naruto da cabeça (embora não tenha sido muito efetivo)... É, as coisas vão ficar um pouquinho complicadas pra esses dois. u.u
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Enfim!
Eu gostei do capítulo, e espero que tenha sido do agrado de vocês!
Obrigada por comentarem sempre!
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Dúvidas? Críticas? Sugestões?! Fiquem a vontade!
Obrigada por tudo e até o próximo capítulo! ;)