50 Tons De Uchiha
26 Brilhando.
Notas iniciais
Capítulo 26 – Brilhando.
O primeiro beijo de uma garota é algo especial e mágico. Uma lembrança preciosa, que se leva por toda a sua vida...
Mas quanto mais mágico ele for, mais forte são as possibilidades de vir a se tornar uma maldição. Quando despertou naquela nada fatídica manhã de sábado, Hinata estava francamente pensando dessa maneira.
Ela havia sonhado com a doce memória do outono de seus catorze anos, quando Naruto lhe deu o inocente beijo que marcaria sua vida, e a condenaria a amá-lo para sempre.
Eles estavam com Sasuke na mansão Uchiha, estudando — eles para as provas, ela para os vestibulares. Tinham passado a tarde inteira revisando matemática, e decidiram fazer uma pequena pausa quando Naruto mostrou-se saturado.
Sasuke, então, retirou-se para buscar qualquer coisa que pudessem mastigar.
Hinata lembrava-se de ficar sentada ao lado do amado, olhando fixamente para o caderno de exercícios enquanto ele tinha a cabeça baixa, escondida. E, quando ela virou-se para olhá-lo furtivamente, enrubesceu por notar que também a olhava. – Eu pensei que seu pai a colocaria num colégio de meninas, ou algo assim. – Ele comentara.
— Eu pedi para que me colocasse no mesmo colégio que o Neji-nii-san. – Ela o explicou, e assim o silêncio se estendeu. Hinata tornara a encarar as suas anotações, mas ainda sentia os olhos do Uzumaki fixos em si.
— Espero que entre na nossa escola. Sou burro, e o Sasuke não tem paciência para me explicar porcaria nenhuma...
Ela encarou os dedos, nervosa.
— Você não é burro... – Murmurou envergonhada, e Naruto deu os ombros.
Hina sentia o coração palpitar, o rosto queimar...
Mas ainda assim, olhou para ele.
Naruto já estava sentado, ajeitando o material; esfolheando, com uma expressão de perdido, as anotações mal feitas.
Hinata não soube de onde tirou coragem, mas se aproximou. Ele pareceu surpreso por isso, mas não disse nada quando a sentiu apoiar-se em um dos seus ombros, aproximar o rosto de sua orelha e sussurrar, muito envergonhada:
— A verdade é que... Eu quero ficar perto de você... – Confessou-lhe. Viu-o enrubescer, mas Naruto não moveu um músculo. – Porque eu... – Ela não conseguiu falar. – Eu... – Olhou para baixo, nervosa e ansiosa, tentando inutilmente voltar à calma. – E- Eu... – Naruto virou o rosto parcialmente, e ela ergueu os olhos até os dele.
Eles se entreolharam pelo que pareceu uma eternidade, até os olhos azuis descerem para os lábios trêmulos da Hyuuga. Hinata fechou os olhos, e simplesmente esperou, mas Naruto recuara.
— E- Então. – Ele riu, nervoso, e ergueu o livro. – O Sasuke tem razão. Eu realmente devia me dedicar mais. Se eu me esforçar, devo conseguir entender essa droga. – Ele estava vermelho, e nervoso, mas Hinata não pôde reparar.
Estava decepcionada.
Colocou um sorriso murcho no rosto e anuiu, apenas para concordar.
Naruto encarou a matéria por longos minutos, sem enxergar nada de fato. Bufou, irritado com o fato de seus sentimentos estarem tão agitados, e tornou a baixar a cabeça.
Quando a olhou, ela também olhava em sua direção.
Ele rezou para que Sasuke retornasse... Retornasse antes que ele fizesse uma incrível estupidez... Mas Naruto sempre foi muito mais impulsivo do que racional, e repentinamente, estava sentado de novo, com o livro em mãos, aproximando-se de Hinata.
Ele escondeu os rostos de ambos com aquele livro de matemática, para evitar que Sasuke os visse caso voltasse, e de uma hora para a outra, simplesmente a beijou.
Selou docemente os lábios entreabertos pela surpresa, demoradamente... E se afastou quando considerou prudente. Mas então, pela segunda vez, Hinata fechou os olhos, e assumiu aquela expressão que as garotas fazem quando querem ser beijadas.
E ele a beijou. De verdade.
Os carinhos não duraram mais que cinco minutos, pois eles pararam quando Sasuke retornou. Nenhum dos dois tornou a tocar no assunto, mas a memória estava ali... Encravada na alma de Hinata, como uma praga, uma maldição.
Ela suspirou profundamente quando o ronco de Kiba tirou-a de seus devaneios; sentou-se na cama do namorado e tentou se esconder com os lençóis.
O cantor resmungou alguma coisa, virou-se de costas para a garota e agarrou o travesseiro.
Hinata se levantou; colocou o vestido preto que usara na noite anterior – estava jogado ao chão – e seguiu até o banheiro da casa do namorado.
Kiba vivia num pequeno apartamento, que era um amontoado de bagunça com paredes multicoloridas. A caminho do banheiro, podia ter perdido as contas de quantas vezes teve que pular sobre camisetas, jaquetas, calças e cuecas espalhadas pelo chão.
Francamente, ela não se importava muito com isso. Estava acostumada, afinal.
Todos os homens de sua família eram bagunceiros. De Neji à Madara, sem exceções. Só Deus podia saber quantas cuecas estariam espalhadas pelo apartamento de Itachi e Sasuke se suas faxineiras não fossem tão competentes!
Mas, por algum motivo que sequer entendia, Hinata gostava de ver as coisas bagunçadas. Tinha a impressão de que, assim, o lugar ficava mais aconchegante, familiar...
Mais Naruto.
Ela tentou ignorar o pensamento.
Andou até a cômoda, e puxou o celular. Assim como suspeitava, um aviso de mensagem estampava a tela de bloqueio, e ela sorriu quando, ao abri-la, viu a imagem de Hanabi e Menma numa fila, em frente ao cartaz que anunciava o show da noite.
“O dia D!” era o que dizia a mensagem.
E ela enfim começou a se sentir nervosa.
~
Sasuke acordou cedo àquela manhã.
Não por não estar cansado – porque ele estava exausto—, nem por querer acordar, muito menos por simplesmente despertar mais cedo do que havia planejado. Ele estava nervoso, e não conseguia entender o porquê.
Já tinha dormido com tantas mulheres! Mesmo com Sakura. E ainda assim, sentia-se nervoso...
Era a primeira vez que levava alguém para sua cama, a que ele dormia todas as noites. E simplesmente não conseguia conter o deslumbramento de vê-la deitada, tão quietinha e encolhida abaixo dos lençóis, em seus braços...
Desde as nove da manhã – agora o relógio despertador marcava onze e meia – estava desperto, olhando para o corpo da namorada exausta, frágil e deliciosa. Perguntando-se inocentemente se o cheiro do xampu de Sakura ficaria impregnado nas fronhas do travesseiro que ela agarrava tão forte.
Sakura estava virada de lado, e Sasuke tinha os braços envoltos em sua cintura. Ela estava encolhida, quase em estado de coma; sua respiração era lenta... Compassada...
E ele nem notou o momento em que havia decidido beijar pescoço nu.
Na verdade, Sakura já havia sido desperta pelas irritantes luzes do sol, mas não queria acordar. Estava estupidamente confortável – mais do que jamais havia se sentido deitada no velho colchão da cama que ela acreditava ser a sua.
Sentia os braços de Sasuke envolvendo-a por trás; sua respiração tranquila roçando em seu pescoço, fazendo com que a pobre moça se sentisse aturdida... E então, o beijo.
Doce, suave, que fez seu estômago revirar.
Ela abriu os olhos imediatamente, mas não quis se mexer.
Os dedos dele, grandes, frios e macios, deslizaram por suas pernas, fazendo-a estremecer; os beijos tornaram-se leves mordidas, e a respiração de ambos acelerou.
Ele não devia estar fazendo aquilo. Mesmo na noite anterior, havia afirmado com convicção que não faria nada sem a concordância consciente dela... E agora estava lá, atacando de manhã enquanto a mulher nem acordada estava.
Mas era simplesmente... Incontrolável.
Ouviu-a arfar, quando as mãos acariciaram a parte interna de sua coxa, e soube que a havia acordado. – S- Sasuke-kun...! – A voz dela foi como uma súplica; ele imediatamente se colocou sobre o corpo feminino. – Sasuke-kun, espere...
Ele não queria ouvir; deslizou as mãos por aquelas pernas maravilhosas, erguendo-as de modo a colocar-se entre elas; puxou-a pela cintura com facilidade, sentando-a sobre ele e abocanhou os lábios delicados com necessidade palpável, rezando para que ela não o pedisse para parar.
Rezando para que, mesmo sóbria, ela o quisesse tanto quanto ele a queria.
— Por favor... – A voz dela saiu agonizada, entrecortada, e sem nenhum pingo de vontade, mas ele cessou os beijos. Afastou o rosto milimetricamente, segurou o rosto delicado com ambas as mãos e encarou aqueles olhos verdes tão perdidos.
— Por quê? – Ele quis saber, ansioso. – Por que parar, quando você claramente quer tanto quanto eu? – Sakura sentiu o rosto queimar. Abriu a boca, mas não conseguiu pensar em nada minimamente inteligente a se falar, e então, aproveitando-se, ele tornou a abocanhar os lábios róseos.
Pôde sentir as mãos pequenas, hesitantes e inconscientemente sedutoras deslizando por seu peito nu, e sentiu a cabeça girar. Os beijos ficaram mais lentos e cálidos; os corpos ficaram mais próximos, e a respirações tornaram-se ofegares.
As mãos de Sasuke ergueram aquela camisa irritante, e Sakura ergueu os braços para ajudá-lo a livrar-se dela.
E só então percebeu que estava usando uma camisa dele.
— Espere! – Ela pediu num lampejo de consciência, antes que ele pudesse voltar a beijá-la. – Espere... – Os olhos negros fitaram os verdes, um pouco nervosos. – O que houve ontem...? – Sak colocou as mãos na cabeça, como se aquilo pudesse parar a súbita dor de cabeça. – Onde nós estamos...?
Por um segundo, Sasuke não soube o que responder.
Ele ficou parado, olhando para o rosto dela como se esperasse que aquilo fosse uma piadinha sem graça. Mas Sakura continuou a olhá-lo com aquela expressão de confusão.
Ele quis rir.
Rir, e chorar. Porque não podia acreditar que ela sequer se lembrava de terem chegado ao apartamento.
— Nós dois...? – Ele suspirou longamente; empurrou-a para a cama e se pôs sobre ela mais uma vez.
Sakura enrubesceu.
— Nós dois dormimos. – Ele garantiu. – Apenas isso. – E roubou-lhe um beijo rápido. – E você está no meu apartamento, no meu quarto. – Sorriu-lhe. – Aquela camisa era minha, e nós quase fizemos sexo. – O rosto dela ficou vermelho e os olhos verdes, agonizados.
Ele adorou torturá-la.
— No entanto... – Ele puxou a mão delicada, e beijou cada um dos dedos finos da namorada. – Eu fui bastante cavalheiro... – Mordeu um deles, e viu-a estremecer. – E decidi parar... Mas você estava bastante sedenta, ontem à noite... – Ele soltou suas mãos e desceu o rosto pela barriga magra.
Ouviu-a arfar, quando a beijou. – Por favor, Sasuke-kun...
— “Por favor”...? Você quer que eu pare? – Ele afastou o rosto do corpo dela, apenas para fitá-la com uma expressão divertida. – Quer que eu pare... Ou quer mais...? – Roçou o nariz sobre a pele macia.
— Isso... Rápido demais...! – Arfou, quando ele mordeu a lateral de seu seio.
Na verdade, Sasuke estava irritado. Frustrado com ela, e irritado consigo mesmo, pela súbita síndrome de cavalheirismo que tivera na noite anterior. Que importava o fato de ela estar bêbada? Desde quando ele ligava para esse tipo de valores?
Queria aquela mulher tanto, e há tanto, que começava a enlouquecer.
Tudo bem, o fato de ela lhe dizer que queria “fazer amor”, ao invés de sexo o havia apavorado um pouco... Mas desde quando ele era um medroso? De qualquer forma, sequer compreendia a utópica diferença entre amor e sexo!
Devia tê-la possuído. Devia! Talvez, se eles tivessem passado uma noite selvagem, ele não estaria tão confuso e frustrado agora.
Mordeu o seio mais uma vez, agora com mais força, e ouviu-a exclamar “Sasuke-kun!”, de uma maneira dolorida.
Afastou-se. Levou o rosto até o dela e beijou-a com violência. Sakura se remexeu abaixo dele; tinha as sobrancelhas estreitas, graças à dor no seio, mas retribuiu ao beijo, que foi surpreendentemente curto. – Você é uma estraga-prazeres, Sakura Haruno. – Ele murmurou com fúria. – Realmente uma estraga-prazeres. – Ela enrubesceu, e fez um beicinho.
— Foi você quem me machucou... – Os olhos negros reviraram.
— É você quem machuca meu ego, Haruno. – Roubou-lhe um beijo rápido e sedutor, que fez com que ela se sentisse atordoada. – Todos os malditos dias, quando pede para que eu pare... – As mãos dele tornaram a alisar suas pernas, e Sakura sentiu todos os pêlos de seu corpo se eriçar.
Os lábios dele roçaram sobre os seus, e as carícias se tornaram apertos. Sak se apoiou nos ombros dele, sem pensar, e beijou-o com carinho... Um beijo de permissão, que fê-lo sorrir com satisfação.
Lentamente, propositalmente, Sasuke se afastou. Tinha no rosto um sorriso maldito, estupidamente sedutor. Fitou o rosto enrubescido e atordoado da namorada, deliciando-se com confusão em sua expressão, e simplesmente se afastou.
Levantou-se, deixando-a paralisada; seguiu até o armário, vestiu uma camisa de algodão e jogou à rosada uma social cumprida. – Eu vou tomar um banho. – Avisou, como se não fosse nada. – Fique à vontade... – E simplesmente deixou o quarto.
Sakura deve ter ficado cinco minutos deitada, na mesma posição, olhando para o teto com cara de nada, chocada com o sentimento de frustração. Sabia que ele tinha feito de propósito, e sentia-se muito irritada por isso. Mas... Não tinha sido ela quem pedira para parar?
Gemeu de desgosto.
Levantou-se, e decidida a esquecer-se dos problemas, vestiu-se. Não com a camisa dele – porque a ultima coisa que ela queria, naquele momento, era sentir o cheiro de Sasuke colado ao seu corpo –, mas com seu vestido. Roubou uma caneta da escrivaninha do Uchiha e usou-a para prender os já não tão curtos cabelos róseos.
Respirou fundo...
Ele não ia deixá-la fora de si. Não mesmo!
Decidida a mostrar o melhor humor possível, Sakura ajeitou o quarto de Sasuke: arrumou a cama, dobrou as roupas que estavam no chão e colocou-as sobre o colchão. Depois, seguiu para a cozinha; fuçou os armários, e fez uma careta ao perceber as comidas prontas. – Ele só come essa porcaria...? – Perguntou-se, erguendo uma embalagem qualquer. Fez uma careta ao notar a data de vencimento, e imediatamente descartou-a. – Sasuke-kun, Sasuke-kun... – Ela balançou a cabeça com reprovação.
Sakura não era exatamente um talento na cozinha, mas sempre soube se virar. Ela se aproveitou das comidas práticas que o namorado tinha espalhadas pelo armário e preparou um café da manhã à lá ocidental: com bacon, ovos e suco.
Estava terminando de preparar a mesa quando Sasuke surgiu, abotoando os pulsos da camisa social. Ele estreitou as sobrancelhas ao vê-la em frente à mesa, parou no corredor e observou-a colocando a refeição.
Preferiu ignorar a sensação de formigamento no estômago, ao vê-la lá. – O que você está fazendo? – Perguntou antes de pigarrear. Sakura virou-se de soslaio; tinha um pedaço de bacon na boca.
— Não é óbvio? – Comeu a carne. – Estou preparando o café. – Despejou o néctar dos deuses em uma caneca cumprida e estendeu-a para o Uchiha. – Você só tinha porcaria na dispensa, então eu tive que me virar. – Sasuke aceitou o café; tomou um gole do líquido e deu de ombros.
— Eu não costumo tomar café em casa. – Explicou.
— Aparentemente, também não costuma jantar. – Sorrindo, Sak apontou com a cabeça para a lixeira. – Você tinha um monte de comida enlatada vencida. – O moreno suspirou.
— Aquela faxineira é inútil, realmente. – Balançou a cabeça, lamentando-se.
Sakura riu.
— Vamos, vamos nos sentar. – Ela foi até ele, e puxou-o pela mão.
Por algum motivo, Sasuke sentiu o estômago contrair quando ela o tocou. Mas também preferiu ignorar esse sentimento.
— Vamos no sentar, e tomar café juntos.
— Eu preciso dar um pulo no escritório...
— Depois do café. – Sak se sentou e cruzou os braços, fazendo-o sorrir.
— Eu preciso trabalhar, Sakura. – A rosada deu os ombros.
— Pode abdicar quinze minutos do seu sábado para tomar café com sua namorada. – Ela beliscou os ovos em seu prato. – Vamos, eu não cozinho tão mal... São só alguns minutinhos. – Ela fez um beicinho pidão, e Sasuke simplesmente paralisou.
Não pela careta dela, nem pelo pedido... Nem pelo café da manhã.
Simplesmente sentia-se chocado com o fato de querer tanto ficar lá. – Eu... Volto em uma ou duas horas... É realmente rápido... – Ele murmurou atordoado, mas ela não pareceu perceber.
— São apenas cinco minutos. – Ela se levantou; obrigou-o a se sentar e – mesmo com muito constrangimento – sentou-se no colo. – Cinco minutos. – Insistiu, com a expressão séria e o rosto levemente corado.
Sasuke sorriu pela expressão dela. Tão nervosa e tão ansiosa... Tão inacreditavelmente linda.
Ele suspirou, dando-se por vencido.
— Cinco minutos, então.
~
Madara estava sentado à sua escrivaninha, no escritório, sozinho como de costume. Tomava seu café tranquilamente, enquanto lia o jornal, quando Zetsu repentinamente surgiu. – Oh! Bom dia, Zetsu. – Madara acenou com a cabeça; dobrou o jornal e deitou-o sobre a mesa.
O secretário de Madara era um homem alto, de pele escura e curiosos cabelos esverdeados. Seus olhos eram claros, um tom castanho tão claro, que quase chegavam a ser amarelados. Desde que Madara podia se lembrar era um homem sério, e sempre vestia tons escuros; não tinha nenhuma família, além de um irmão mais jovem que há muito perdera o contato, e era muito dedicado ao seu trabalho.
Cumprimentou o patrão com uma mesura discreta. – Bom dia, senhor Uchiha.
— Sente-se. – Madara apontou com a cabeça para a cadeira, e o homem o obedeceu. – Se está aqui, acredito que já tenha reunido as informações que pedi ontem... – O homem sorriu; tirou o tablet da bolsa e, depois de alguns toques rápidos, entregou ao patrão.
— Parece que o Sasuke-kun tem uma namorada nova. – Ele comentou. – Anda evitando eventos, e sempre que aparece em público, está acompanhando a tal garota.
Madara estreitou os olhos e analisou a mocinha de cabelos róseos rindo e sorrindo ao lado do neto nas fotos do tablet de seu secretário. – Quem é ela?
— Sakura Haruno. – O outro respondeu prontamente. – Vinte e dois anos, estudante de medicina... É pupila da senhora Senju e faz residência no hospital em que ela trabalha.
— Família?
— O pai é farmacêutico, a mãe governanta. Trabalha com os Uzumaki há anos... Parece que a garota e o filho dos Uzumaki cresceram como amigos. – Ele deu os ombros. – Deve ter sido por ele que Sasuke a conheceu. – Madara anuiu lentamente.
— E aquela menina, a Karin? Sobrinha de Kushina Uzumaki. Ela ainda trabalha na Uchiha? – Zetsu anuiu. – Sasuke sequer presta atenção na moça, não é?
— Aparentemente, senhor. Na empresa, dizem que ela falta se jogar sobre a mesa dele para seduzi-lo. – Madara estreitou os olhos, e sorriu divertido.
Suspirou, deu os ombros e entregou o aparelho ao secretário.
— Por falar em Uzumakis... Sabe de algo sobre Hinata?
— Ela anda de namorico com um rapaz da banda que começou a participar, senhor. Kiba Inuzuka. – Madara anuiu.
— Inuzuka, hm...? Já ouvi falar na irmã, mas nunca no rapaz. – Ele suspirou longamente. – Sempre pensei que ela e o menino Uzumaki fossem acabar juntos... – Balançou a cabeça, lamentando-se. – Realmente uma pena... Mas que horas é o show dela?
— Começa as nove, senhor.
— Já mandou as flores?
— Programadas para estarem no camarim às sete. – Madara sorriu.
— Acha que Sasuke e namorada vão estar presentes? – Zetsu teve que se conter para não rir da expressão animada do patrão – porque Madara dificilmente demonstrava tanta animação.
— Possivelmente, senhor.
— Então você deve preparar o meu carro. – O mais velho decidiu, levantando-se, subitamente animado. – Arranje um lugar próximo ao assento de Suzuki. – O homem anuiu. – Sasuke é o herdeiro da empresa que eu ergui com tanto sacrifício, afinal... – Ele cruzou os braços, sorrindo. – Nada mais natural do que eu me interessar pelos assuntos do meu querido neto, certo?
~
Assim como havia dito à Sakura, Sasuke retornou exatamente duas horas depois de sair para o escritório. E, assim como ela havia prometido antes de eles se despedirem, ficara no apartamento o tempo inteiro, esperando-o depois de seqüestrar um livro do escritório dele.
Ele sorriu, ao vê-la com um exemplar em mãos. – Eu não sabia que você lia romances. – Ela comentou curiosamente, sem tirar os olhos do livro. – Eu gosto muito de Jane Eyre, mas não parece fazer o seu tipo. – Sasuke riu.
— Qualquer pessoa, seja homem ou mulher, que não souber apreciar um bom romance, deve ser insuportavelmente estúpida. – As sobrancelhas róseas se estreitaram, e ela ergueu os olhos verdes semicerrados até o Uchiha.
— A Abadia de Northanger? Sério? – Ele deu os ombros.
— Hinata é bem insistente, quando quer comentar um livro. Ela era terrível aos dezenove... – Ele se aproximou, e sentou-se ao lado dela. – Mas, mudando de assunto, vista isso. – Colocou uma sacola bonita sobre o colo dela.
Sakura franziu o cenho.
— Você quer parar de comprar roupas para mim?!
— Você não quer ir para um show com esse vestido. – Sasuke apontou para as vestes da namorada. – E não temos tempo para passar na sua casa. – Ele explicou antes que ela pudesse retrucar.
Sakura fez uma careta.
— Querido, ainda não são nem duas da tarde.
— Mas nós vamos almoçar... Eu suponho que fiquemos presos no restaurante, pelo menos, até as duas e meia. E, — ele prosseguiu, antes de ela começar a falar. – Você ainda tem que me ajudar a escolher as flores, e o presente para Hinata. Não posso chegar na estréia da minha prima com as mãos vazias... – Sakura fez uma careta. – Nós temos que estar no lugar às seis. Eu queria entrar de camarim, mas... – Ele deu os ombros. – Menma e Hanabi querem fazer tudo do jeito mais complicado. Elas querem estar na pista, e vão precisar de ajuda para erguer uma faixa, algo assim... Devem estar guardando nossos lugares na fila nesse momento.
— A irmã do Naruto? – Ele anuiu. – E Hanabi?
— Irmã da Hinata. – Ela assentiu, compreendendo.
— Mesmo assim, Sasuke-kun... – Ela se calou quando o sentiu segurar seu rosto. Firmemente, com ambas as mãos.
— Você quer parar de reclamar, mulher? – Seus olhos brilhavam de irritação, mas ele sorria de um jeito animado... Uma expressão tão engraçada, que Sakura não conseguiu não rir.
— Certo... – Ela alisou as faces brancas e roubou um beijo rápido dos lábios dele. – Então vamos.
.
A tarde de Sakura e Sasuke foi cheia, assim como o Uchiha havia previsto. Eles foram almoçar em um restaurante casual, e todo o clima de casualidade tomou mais que duas horas do tempo do casal (porque, afinal de contas, eles mais riam dos assuntos do que comiam).
E depois do almoço, seguiram ao shopping, e escolheram um relógio bonito – e desnecessariamente caro, na opinião de Sak – em uma loja de departamentos que a Haruno nunca teria ousaria entrar, se não estivesse na companhia do cartão de crédito de Sasuke. Por último, foram até uma floricultura.
Sakura não conhecia tanto de flores quanto Ino, mas gostava bastante delas. Portanto, demorou mais de quarenta minutos para escolher os tipos de flores, e o estilo do arranjo. Por fim, optou por crisântemos amarelados e rosas azuis e violetas.
— Ficou bonito, não acha? – Ela exibiu ao namorado, que fez uma careta.
— Ela vai pensar que é provocação... – Concluiu para si mesmo, e Sak pareceu confusa.
— Provocação? – Ele anuiu. – Por que seria? – Um sorriso maldoso surgiu em seus lábios.
— Digamos que o amarelo é uma cor que desperta os piores sentimentos na minha prima, ultimamente.
— Oh, eu não sabia... – Ela estreitou as sobrancelhas, preocupada. – Escolhi o amarelo porque significa sucesso. Mas, se ela não gosta, podemos mudar.
— Eu não disse que ela não gosta. – Sasuke entregou o cartão à florista, que até então observava em silêncio. – Vocês entregam? – A moça anuiu. – Então entregue nesse endereço, com uma garrafa do melhor champanhe que tiver. – Ele tirou uma folha anotada do bolso do paletó. – Camarim de Hinata Hyuuga.
— Sim, senhor. – A mulher puxou a folha, guardou-a e depois seguiu até a máquina de cartão.
— De qualquer forma, se ela ficar irritada, é só dizermos que o amarelo é sucesso. – Ele piscou a rosada, que riu.
Por fim, eles seguiram para o local em que seria o show. Era um lugar fechado, e aparentemente agradável; como Sasuke havia previsto, Menma e Hanabi estavam sentadas numa fila estupidamente grande – porque, afinal de contas, o Time Oito já contavam com fãs fiéis – e se mostraram muito animadas com a nova cúmplice.
Demorou cerca de quarenta minutos até abrirem entrada, e mais quarenta, até que eles estivessem acomodados na pista.
E, quando faltavam poucos minutos para as nove horas, enfim as luzes fortes se apagaram, para dar lugar às mais fracas.
.
Madara não estava acostumado com aquele tipo de coisa, mas não se importava.
Estava ali pelos netos, afinal de contas. Por Sasuke, e Hinata. E era um homem capaz de tudo para o bem de sua família.
O camarote daquela agradável área de shows era posicionado acima da pista, e os compradores tinham uma visão privilegiada do palco – mais precisamente, do telão do palco.
Sua cadeira ficava ao lado de Suzuki – como havia instruído à Zetsu – e Kushina Uzumaki, que parecia muito animada.
— Eu tenho certeza de que ela vai estar linda. – Disse a ruiva ao marido, que lhe sorriu em resposta. – Hinata tem uma voz adorável. Ela vai estar perfeita. – Era algo idiota a se fazer, ele sabia, mas não conseguia evitar pensar nas respostas aos comentários dela. “Naturalmente”, ele queria dizer. “Minha neta tem grandes talentos, e é uma linda mulher.” “Seu filho foi um estúpido, por deixá-la escapar”.
Mas nunca fora muito intimo dos velhos amigos de Fugaku e Mikoto, então sequer tentou dizer alguma coisa.
Ele se sentiu com muita sorte por nem a nora, nem o filho aparecerem. Talvez eles tivessem vindo, mas o lugar era grande demais para se encontrarem, de qualquer forma. Madara estava com um ótimo humor, e não queria correr o risco de ter sua noite de orgulho estragada pelas crises de Mikoto.
Ele estava pensando nisso, quando ouviu a voz de Itachi soar atrás dele.
— Mas você ia vir de qualquer forma... – O advogado disse a alguém.
— Mas não a trabalho. – Uma voz feminina respondeu ríspida. – Ele só quer me enlouquecer. De verdade. E você também! Eu disse que queria ir para a pista, ficar o mais próximo do palco, para conseguir boas fotos...
— Kasumi, eu não vou deixar você ficar no meio de um amontoado de gente. – O nome “Kasumi” fez com que Madara empalidecesse.
Ele rezou para que o neto não o percebesse – embora duvidasse que, se o fizesse, Itachi lhe diria uma palavra sequer –, mas sentia uma imensa vontade de se virar.
Suzuki fez isso por ele.
— Itachi, querido! – Ela exclamou, sorridente e feliz. – Você veio! Obrigada. Hinata vai ficar muito feliz por vê-los aqui. – Kasumi conhecia Suzuki superficialmente, mas a considerava uma pessoa tão adorável quanto a filha.
— É claro que viríamos, tia. – O Uchiha sorriu. – É a Hinata, afinal de contas. A tímida Hinata, virando cantora...
— Eu espero que ela esteja bem. – Kasumi comentou. – Itachi me disse que tinha sérios problemas de timidez, quando mais jovem. – Suzuki riu; um riso melódico.
— Por Deus, não. Ela me ligou, quase chorando, pedindo para que eu viesse mais cedo e a ajudasse a se vestir. Está muito nervosa... Mas acho que vai ser bom para ela.
— Ah, certamente! – Kushina exclamou, metendo-se no assunto mesmo sem ser chamada. – Vai ser ótimo para Hinata. Kasumi! Você está linda, adorável! – A ruiva exclamou ao enxergá-la. – Oh! – A mãe de Naruto exclamou. – Mas que aliança linda! – O estômago de Madara se contraiu. – Itachi, você finalmente... – Antes que a Uzumaki pudesse concluir, o avô se virou, quase impulsivamente.
Itachi empalideceu instantaneamente, e aquilo o fez sorrir.
— Aliança, é? Eu não sabia que estava noivo, Itachi... Você devia contar essas coisas ao seu avô... – Mas quando enxergou a mulher, simplesmente perdeu a fala.
Kasumi estava séria; parecia confusa, mas seu rosto estava sério.
Os cabelos, os lábios, o nariz e o formato do rosto daquela mulher eram exatamente iguais aos de Rin Nohara; exatamente iguais aos da maldita que lhe roubara o filho... Mas os olhos castanhos escuros, que o fitavam de maneira analítica, eram sem sombra de dúvidas o traço de uma Uchiha.
Ela pareceu hesitar, mas forçou um sorriso; um sorriso frio, profissional.
Que lembrava muito o de Obito.
— Eu sou Kasumi Ai... – Ela pareceu pensar por um instante. – Kasumi Nohara. – Decidiu dizer, e um sorriso de provocação – exatamente igual aos sorrisos que Obito lhe dava em sua fase rebelde – brotou nos lábios pintados. – Noiva de Itachi. – Estendeu a mão com a aliança de noivado ao homem, cordialmente.
Para a sorte do velho patrono Uchiha, as luzes se apagaram naquele momento.
— Vai começar! – Kushina gritou, animada, e ele teve uma desculpa para se acomodar em seu lugar.
Mas tinha certeza absoluta de que ele não mais poderia focar sua atenção na neta favorita.
.
As luzes se apagaram. E então, minutos depois, piscaram, e dois corpos estavam postos à frente do palco: Kiba, vestido como um exemplar astro do rock. Hinata, com uma saia curta xadreza escura e uma camisa negra escura e larga, que exibia os ombros; luvas curtas nas mãos. Botas que iam até três dedos abaixo de seus joelhos e os cabelos presos em um rabo de cavalo alto.
A música começou a soar, e cinco segundos depois, os dois começaram a cantar.
A platéia explodiu instantaneamente, assim como o coração de Hinata.
Seu estômago revirava, mas mais de ansiedade do que de medo. Era como se o medo que ela havia sentido durante todo aquele dia tortuoso nunca tivesse sido sentido.
Suas mãos suavam, seu rosto queimava, mas ela se sentia estupidamente feliz. Trocou sorrisos e risos com o namorado, dançou e pulou no palco, e foi imitada pelos fãs; ergueu o microfone na direção à platéia e nem por um instante deixou de cantar.
Os gritos animados eram estimulantes, excitantes... E Hinata nunca havia se sentido tão apaixonada quanto naquele momento.
Como, ela se perguntava, como nunca havia se sentido assim antes?!
Toda aquela emoção, toda aquela excitação... Toda aquela aceitação, de tanta gente que ela nunca vira na vida!
Hinata estava ciente de que aqueles fãs não eram seus, mas do Time Oito, mas que importava aquilo? Ela era parte do Time Oito, agora. E as pessoas pareciam gostar tanto de ouvi-la cantar, quanto ela gostava de soltar a voz.
Perceber aquilo era simplesmente perfeito.
As duas horas do show passaram num pulo. Foi Kiba quem lidou com a platéia, e de um jeito agradabilíssimo: fez piadas, comentários elogiosos, e incitou a platéia a aumentar o ego da namorada.
Eles dois cantaram juntos pela maior parte do show, mas Hinata teve a oportunidade de fazer alguns solos, que foram muito bem aceitos.
Foi tudo maravilhoso: as trocas rápidas de roupa; os gritos da platéia, os risos dos comentários de Kiba, a conversa com os integrantes da banda e os monólogos que os vocalistas tinham com os fãs, mas nada era melhor do que cantar. Acompanhada, ou sozinha, nada era melhor do que soltar a voz.
Uma noite que só seria mais perfeita se ela conseguisse encontrar certo par de olhos grandes e azuis no meio da platéia.
Não que ela estivesse procurando...
Quando o fim chegou, Kiba anunciou à última musica. Seria um solo romântico de uma canção que Hinata gostava muito: uma música calma e bonita, que não combinava exatamente com o estilo agitado da banda.
Mas quando Sai começou a tocar a melodia suave no teclado, todos se silenciaram.
Hinata usava um vestido longo, azul e esvoaçante, especialmente escolhido para aquela canção.
Estava no centro do palco, e todas as luzes focavam-na. Seus olhos estavam fechados, mas abriram-se, assim que começou a cantar.
Ela viu as luzes das lanternas balançando, no ritmo da música, e sentimentos ruins começaram a assolá-la; o coração apertava mais, a cada frase dita.
Ela não precisou interpretar a tristeza da música. Na verdade, surpreendeu-se com seu autocontrole em não chorar.
Lamentando, Luz Azul, parece que eu vou
Ser sugada profundamente em sua escuridão sem fim...
E foi quando notou uma faixa enorme, que se destacava entre todas as outras.
Uma faixa enfeitada por corações coloridamente destacados, bem próxima ao palco, que dizia “NaruHina”, e apenas isso.
Ela sentiu o estômago contorcer, mas continuou a cantar. E então, repentinamente, uma mão forte, grande, roçou em seu ombro, e ela virou o rosto parcialmente, sem parar a música, mas sentiu que o coração ia explodir ao ver os dois olhos azuis brilhantes encarando seu rosto.
Embora não se torne realidade... Eu te amarei,
Naruto sorria de uma maneira radiante, parecendo mais brilhante do que nunca naquele terno negro.
Mesmo se um dia o céu quebrar,
Eu penso em você, para sempre.
E ela enfim pôde se calar.
Gritos de animação, excitação e emoção explodiram da platéia, mas ela simplesmente não conseguia ouvir.
Nem ouvir, nem ver, nem sentir nada que não tivesse relação ao amado.
Naruto lhe entregou um buquê grande, multicolorido com rosas vermelhas, roxas e amarelas. – Parabéns... – Ele murmurou; puxou a mão livre dela, que tremia e depositou um beijo doce sobre a pele nua. – Como eu sabia, foi brilhante... E eu estou orgulhoso de você.
Ela quis chorar.
Naquele momento, quis se desmanchar em lágrimas. Quis pular no pescoço dele, beijá-lo e espancá-lo, mas sequer conseguiu piscar.
Até que sentiu a mão de Kiba envolver sua cintura. – Vamos agradecer. – Ele murmurou próximo à orelha dela, e só então Hinata despertou.
Ela assentiu, atordoada; virou-se, tentando evitar olhar para o amado, e seguiu o namorado até o centro do palco.
Naruto se afastou quando foi chamado pelos seguranças, e o grupo se despediu, dando as mãos e curvando-se juntamente à platéia, que não cansava de pedir mais.
Hinata não pôde notar, mas os olhos castanhos do Inuzuka encararam, com ressentimento quase palpável, um par de olhos azuis que pertenciam a uma bela mocinha, que sorria de um jeito desafiador, e encontrava muito próximo ao palco.
Menma Uzumaki sorria como uma verdadeira vencedora.
Fale com o autor