50 Tons Ainda Mais Azuis - 2ª Temporada
10 50 Tons de Surto.
Notas iniciais
50 Tons de surto.
Olhei para Vegeta e antes de revirar os olhos e sair no meio de nossa primeira briga conjugal, ele segurou meus pulsos.
— Em nosso chalé não há eletricidade, água encanada, conforto ou qualquer regalia. Estamos aqui para desvendar a nós mesmos. Eu sempre soube que você me ama pelo que sou e não pelo que posso lhe proporcionar. — ele disse sério e especulando.
Engoli em seco, minha mocreia interior mordeu as unhas disfarçando.
— Cl... Claro... eu entendo. — disse e desconversei.
Fomos para a cabana medonha e infestada de insetos rastejantes e voadores e acabamos nos enredando nos lençóis puídos e mal cheirosos da cama. Embora o conforto fosse zero, o nível de prazer era elevado ao extremo e me deixava mais lânguida que calango em dia de sol.
Nada de passeios por vilas chiques e cheias de lojas. Eu pensava que iríamos para Paris, ou ate mesmo Japão onde poderíamos nos fartar no luxo, mas cá estava eu, comendo de uma latinha de sardinha. Vegeta estava com uma faixa amarrada na testa e acabara de chegar da floresta com um coelho que ele mesmo caçara. (Puta merda! Agora ele era o Rambo? To ferrada.
Os dias se passaram e meus tons de Azul subiam cada vez mais. Quanto mais eu reclamava por conta de uma picada de inseto, mais ele me punia deliciosamente depois. Minha alergia estava aguçadíssima, logo, eu passava metade do dia levando bordoada e a outra espirrando.
Até que finalmente o grande dia chegou. O dia de irmos embora daquele inferno verde.
— Estou tão triste em deixar nosso recanto do amor... — Vegeta falou.
— É... eu também. — menti descaradamente.
— Senti um certo tom irônico saindo de você, Srta. Bulma? — perguntou desconfiado.
Engoli em seco. Porra. Será que ele iria me bater de novo? E será que dessa vez escolheria algum outro objeto interessante? O último graveto que ele usou não foi muito agradável.
— Não, Sr. Gaylor. E acho que esqueceu que agora sou Sra. Gaylor. — falei e pisquei um olho sedutoramente.
— O que foi? Entrou um cisco no seu olho? — ele perguntou já me pegando e soprando dentro do meu olho esquerdo. Porra. Eu só tinha piscado de maneira sexy.
— Não... ai, Vegeta.... assim você tira meu olho das órbitas! — falei.
— Mas isso quase acontece toda vez que você revira os olhos, querida.
O helicóptero chegou de maneira abrupta e dois elementos desceram fazendo rapel. A porra da ilha era tão escondida no meio do mato que nem local para pouso tinha. Teríamos que subir engangalhados nas cinturas dos homens musculosos que desceram pela corda.
— Vegeta, como vamos subir nessa coisa? — perguntei tentando não babar obviamente no bofe magnífico que me esperava.
— Você monta o rapaz e eu monto o outro... — ele disse e percebeu que ficava estranho a forma como iríamos embora. — Percebo que chegar foi bem mais fácil que ir... merda.
Cada um se ajeitou como podia nas costas de seus respectivos salvadores e tentei ao máximo não me remexer muito, nem apreciar as linhas musculosas do homem onde eu fazia o modelo mochila humana. Mas era difícil. Puta merda. O cara era muuuuuuito gato.
Quando chegamos ao aeroporto , eu ainda suspirava secretamente.
— Bulma? — Vegeta me chamou.
— Sim?
— Ouvi um suspiro sendo exalado por você e por qual razão?
Porra. Minha vida era um livro escancarado agora. Nem ao menos um secreto suspiro eu poderia dar. Senti meu rosto corar de vergonha.
— Por algum acaso isso teria a ver com o homem que a transportou da ilha para o helicóptero? — ele perguntou e senti seu tom irritado de ódio.
— O que? Claro que não... — menti.
— Sei. Seu corretivo já estará precisamente sendo avaliado, ok?
Dali em diante não nos falamos mais. Vegeta estava com um humor ácido e áspero. Muito provavelmente eu receberia minha punição pelo meu pequeno deslize. Não entendia como eu havia me esquecido que Vegeta tinha ciúmes da própria sombra.
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