4.00 Am
4 Beast and the Harlot
Notas iniciais
POVs Zacky
Vi Gena boquiaberta na porta, olhei para Ally e ela estava boquiaberta também. Pelo amor de Deus, ia entrar alguma mosca na boca daquelas duas.- Ih... – ouvi Ally gemer. — Gena, sai, deixa eu e Ally nos vestirmos.- Eu pego você me traindo com essa meio metro, e você me manda sair pra vocês se vestirem? Ja-mais, não vou deixar vocês dois ficarem pelados no mesmo quarto sozinhos.- Tudo bem, a gente pode transar na sua frente. – Alicia falou.- Shh – eu bati na bunda dela (minha mão já estava lá, não foi minha culpa) e ela riu.
- Garota, eu vou te matar, pode ter certeza que vou. – Gena ameaçou.
- Ninguém vai matar ninguém. Gena, para de frescura e sai, que a gente conversa.
- Não vou sair. – Ela fincou o pé.
- Caralho, Zacky, não ta vendo que ela quer ver a gente transando? – Alicia falou de novo. – Ou é isso, ou ela tem tesão em mim. Quer ver minhas tatuagens do tronco, Gena? – Ally tinha seis tatuagens, duas delas só davam pra ver quando ela estava sem blusa. Quando vi, Alicia estava sem roupa saltitando pelo quarto.
- ZACKY, PARA DE OLHAR! – Gena se jogou em cima de mim, tapando meus olhos. Mas, eu estava ficando realmente estressado naquela porra.
- Caralho, Gena, sai de cima!
- Se toca Gena, ele já viu na noite passada.
- To esperando lá em baixo, Zachary. Muito, muito irritada. – Gena saiu do quarto batendo a porta. Ally, parecendo uma bonequinha, colocou as mãos na cintura.
- Louca – ela apontou o polegar para a porta, e não consegui deixar de rir, mesmo com a tensão do momento. – O que você vai fazer? – Ally me perguntou enquanto eu abotoava seu sutiã azul, que me fazia lembrar a noite passada.
- Vou terminar com ela.
- Como é? – ela riu.
- Terminar, isso mesmo. Eu gosto... Eu amo você, ogrinha, e eu não vou suportar mais ficar um minuto com ela. Um minuto sem você.
- Uau. – foi só o que ela disse.
- Se você quiser claro.
- Zacky... Zacky, se eu quiser? SE? Zacky, depois do que aconteceu ontem, depois de eu ter chorado – ela riu – depois de tudo você ainda duvida que eu queira?
- Mas você não disse nada...
- Desde quando dizer é sinônimo de sentir, Zacky? Eu te amo desde quando eu nasci – Ally estava exagerando, mas era exatamente assim que eu me sentia... Como se eu tivesse nascido pra ela. – Zacky, eu sou completamente sua. E não me faça repetir isso, que melação não é comigo.
Eu ri, e beijei intensamente sua boca.
- Agora – eu disse – eu tenho que enfrentar o furacão que está lá em baixo.
- Vamos – disse ela, linda e sorridente, como se nós fossemos fazer a melhor coisa do mundo.
POVs Gena
Eu estava cansada de esperar o Zacky aqui em baixo. Eu estava quase subindo, quando ele desce de mãos dadas com a Alicia.
- Fora, garota. Agora eu vou conversar com o meu homem. – claro, Zacky era meu. Se ela pensava que ia tirar ele de mim, ah, ela estava muito enganada.
- Sabe... Eu ia sair, mas...
- Ally – Zacky a olhou.
- Tudo bem. – ela suspirou e deu um selinho em Zacky, que retribuiu.
- Lindo! – bati palmas.
- Gena deixa de ser teatral, isso estressa. Ok, o que você quer conversar?
- Eu pego você e a Alicia pelados e se beijando na mesma cama, e você me pergunta o que quero conversar? Quero uma explicação, óbvio!
- Transei com a Ally. – ele deu de ombros – Explicado.
- Por que você fez isso? – meus olhos encheram de lágrimas. Eu tinha que chorar, eu tinha que o fazer ficar com pena de mim.
- Gena olha... – ótimo, estava funcionando, ele tinha baixado o tom. – Eu não sei como te explicar isso. Eu sempre gostei da Alicia, sempre. Desde pequeno.
- Não! Zacky, você gosta de mim! Você tem que gostar de mim!
- Eu queria gostar de você... – ele fez uma careta – Mas não posso escolher isso e enfim.
- Você não ta terminando comigo, Zachary.
- To sim.
- Não, não está. Não vou aceitar isso.
- O que você vai fazer? Desculpe Gena. – ele andou até a porta, abriu-a e apontou pro lado de fora. – Por favor.
- Não! – eu berrei, e forcei mais lágrimas pra fora. Drama, Gena, vamos lá. Joguei-me em seus pés. – Zacky, não, por favor! Por favor...Um casal de velhinhos que passava na rua ficou olhando a cena, abismado.
- Gena chega. – Zacky fechou a porta, me levantou pelo braço. Eu o agarrei e comecei a chorar em seu ombro. Podia não parecer, mas eu amava aquele gordinho, e ele era meu. Zacky me sentou no sofá e me mandou esperar. Ele me deu um copo com água, que eu bebi calmamente. Olhei para ele e repeti:
- Não, Zacky...
- Gena desculpe. Eu não consigo.
- Ok. – eu assenti. Se era daquele jeito que ele queria, daquele jeito ia ser. Mas eu ia acabar com aquela meio metro.
POVs Ally
Eu estava andando, perdida nas ruas de Huntington Beach, quando decidi ir à praia. Me sentei na frente do mar, com minha mochila e meu Ipod, com Aerosmith no último volume, quando sinto meu celular vibrar. Ótimo, era a minha mãe.
- O que? – atendi.
- Alicia, seu irmão voltou! Disse que você realmente não sabia onde ele estava... Ah, filha, volta pra casa.
- Claro. – desliguei. Eu ia voltar, mas era pra pegar minhas coisas.
Disquei o número da Val. Ela não atendeu. Merda. Tentei o de Matt. No sétimo toque, ele atendeu.
- Oi, Ally.
- A Val ta contigo?
- Lógico. — óbvio, dãa.
- Me deixa falar com ela.
- Aconteceu alguma coisa? – Matt se preocupou.
- Relaxa Matt, só preciso falar com Val.
- Fala magrela. – ela disse a voz meio grogue.
- Val, ta onde?
- Casa do Matt. — dãa, denovo.
- Eu posso ir aí? – perguntei.
- Matt, Ally pode vir aqui? – Matt sussurrou alguma palavra. – Pode.
- Ta ok, daqui a meia hora eu passo aí.
Caminhei até a minha casa e quando cheguei lá, Mercedes veio toda carinhosa me abraçar.
- Ah, meu amor... Desculpa a mamãe, me desculpa.
- Pela qüinquagésima vez, Mercedes? Pra quê? Pra daqui a uma semana o Jeremy fugir de novo, e você colocar a culpa em mim de novo? Porque se ele é um viciado em tudo o que se pode imaginar, a culpa é minha.
- Não, querida...
- Querida uma porra. – subi as escadas e fui pegar minhas coisas. Peguei minha mala da Disney que eu tinha ganhado da Lacey quando eu tinha uns dez anos, e fui enfiando minhas roupas preferidas lá dentro, quando Jeremy abre a porta do quarto.
- Ally desculpa.
- Você não tem culpa, Jemy. – Ele me abraçou e desabou no meu ombro.
- Ah, mana, você não tem noção do quanto eu queria mudar, eu queria parar com isso, mas é horrível, toma conta de mim.
- Eu queria poder te ajudar Jemy, mas não posso, e você não sabe como eu odeio isso. – eu estava confortando um homem de vinte e cinco anos. Ê, vida de gado.
- Pra onde você vai? – ele me perguntou.
- Casa da Val.
- Não te quero enfiada na casa do Zacky.
- Ciúmes? – ele assentiu, me fazendo rir. – A gente ta juntos... Eu acho.
- Sério? Caramba. Que legal, eu acho. – ele sorriu.
- É legal sim, você sabe que eu sempre gostei dele.
- Ah, sim. O nome do seu coala de pelúcia ela Zacky.
- Cala a boca, Jemy! – nós começamos a rir, e quando vi, minha mãe estava na porta, nos olhando e sorrindo.
- Continuem, é tão bom vê-los sorrindo aqui, na minha frente, ao meu alcance.
- Não, por muito tempo, Mercedes. Desculpe. – continuei arrumando minha mala.
- Pra onde você vai, Alicia?
- Não interessa. De vez em quando eu vou vir aqui, ver se está tudo bem. – olhei para Jeremy. – Espero que você não fuja de novo, por favor.
- Vou ficar. – Jemy sorriu.
Fechei minha bolsa, abracei Jemy, apertei o ombro de Mercedes e fui embora. Ela nem se deu o trabalho de me pedir pra ficar. Jeremy estava com ela, ela estava bem.
Quando eu estava a uns cinco quarteirões da casa do Matt, ouvi um carro buzinando pra mim. Gritei um “vá se foder” e continuei andando. A droga do carro encostou, e eu o reconheci.
- Calma, baixinha, sou eu. – Era o Johnny.
- Baixinha? Olha quem fala né, gnomo.
- Ta indo pra onde? – ele olhou pra minha mala.
- Casa do Matt.
- Vem, entra. Você me explica no caminho.
Falei pra Johnny do meu irmão, que ele já sabia como tudo funcionava. Falei que ele tinha voltado, falei que eu tinha saído de casa, e meu objetivo era ficar na casa da Val.
- Vou ter que agüentar a cara de travesti da Michelle, mas tudo bem.
- Val com certeza vai deixar você ficar. Quer dizer, mora só ela e a Mich lá, a mãe dela... Você sabe.Sim, a minha mãe. Aquela sim era minha mãe. No ano anterior ela tinha virado estrela. Uma estrela bem brilhante no céu. Eu odiava o termo morte.
- É. – eu respondi.Johnny me ajudou a levar as malas até a porta, e foi embora. Toquei a campainha. Matt atendeu.
- Eita porra. – ele disse, olhando minhas malas. – Val!
- Aqui. – ela veio até mim, arregalou os olhos para a mala da Disney e para minha mochila que estavam no chão e me abraçou. Nós entramos, Matt levou as malas pra sala, e eu me sentei no sofá.
- Ta, agora conta o que aconteceu. – Matt disse.
- Jemy voltou, e eu sai de casa.
- Mas você gosta do seu irmão...
- Não foi por causa do Jeremy. Foi por causa da Mercedes mesmo.
- E então, você quer saber se pode ficar na minha casa. – Val afirmou.
- Se eu não for incomodar nem atrapalhar, nem nada do tipo.
- Claro que não, né, sua boba.
- Obrigada, Val. Valeu, de verdade. E você também, Matt. Na verdade, todos vocês tem sido ótimos comigo.
- A gente te ama, baixinha – Matt me apertou.
- Bom, eu posso deixar minhas malas aqui? Vou à casa de Zacky agora. – os dois me olharam com uma cara de “o que ta rolando entre vocês?”. Mas como eles sabiam...? Jimmy.
- Claro, mas se eu fosse você, tomava um banho antes, afinal, você ta com a mesma roupa de ontem. – Matt apontou pra mim.
- Merda. – eu corri pro banheiro junto com a minha mochila. Ainda tinham roupas limpas ali dentro. Tomei um banho descente, tirando todo o cheiro de ressaca de mim. Coloquei um short com uma regata branca — eu não estava muito a fim de me arrumar – e corri pra casa do Zacky.
- Gordo, ta em casa? – gritei ao chegar lá.
- Aqui! – a voz vinha da cozinha.
- E aí, como foi com a Gena? – perguntei.
- Ela esperneou, chorou, bateu o pé, mas consegui. – ele me abraçou. Por um momento, pensei nos sentimentos de Gena. Mas só por um momento.
- Eu to com fome, sabia? – eu ri.
- Minha casa ta fedendo a bebida, sabia?
- Ta bom, a gente limpa e depois vai comer alguma coisa.
Depois de limparmos, eu e Zacky estávamos comendo alguma gororoba que a gente tinha feito, rindo e conversando. Eu podia ficar assim a minha vida inteira. Eu estava, realmente, me sentindo feliz.
Fale com o autor