Notas iniciais
Fico contente com todo o apoio que recebi apenas com o primeiro capítulo! Vocês são demais! Aqui vem o segundo capítulo, que também é narrado pela Ravena. E eu espero que nesse já dê pra perceber a grande trama que vai apenas crescer nos próximos capítulos. Percebi que praticamente todos que comentaram gostaram muito do jeito descontraído e alegre que eu fiz questão de deixar nos personagens e em sua relação como amigos (vocês deixaram claro que isso ocorreu porque os lembrou da série em si), e isso me deixa muito feliz. Mas como todo arco que a série apresenta, eu também decidi manter o aspecto sombrio que cada episódio desenvolve mais e mais até o grande boom no final da temporada. Não quero entregar muita coisa agora, mas um dos meus maiores desafios ao escrever essa fanfic, principalmente nos últimos capítulos, foi conseguir encontrar o equilíbrio entre a despreocupação e a seriedade da série (+ a relação entre o Mutano e a Ravena, então foi um desafio duplo!). Acho que você terão de esperar para ver... Enquanto isso, aproveitem!

Ajeito as cobertas sobre meu colo e olho o relógio. 01:43. Uau, como o tempo voa quando se lê um bom livro. Viro a página no exato momento em que ouço batidas na minha porta, e a voz de Mutano vem do outro lado:

— Ravena?

Estendo a mão para a porta se abrir e Mutano entra, com ela se fechando logo atrás dele.

— O que houve? — Pergunto. — Estou meio ocupada agora.

Seu olhar vai até meu livro e então volta para mim.

— Hã... nada. Eu acordei e fui andar pela torre, e decidi passar aqui só para conversar um pouco.

— Outro pesadelo?

Suas orelhas se abaixam.

— Sim... mas eu não quero falar sobre isso.

Suspiro e deixo meu livro no criado-mudo, fazendo menção para ele se sentar na beirada da cama, e ele o faz. Mesmo sabendo que talvez me arrependa, pergunto:

— Sobre o que você quer falar, então?

— Bom, depois que acordei do... hã... — ele tenta mudar seu olhar triste para um entusiasmado. — Enfim, eu fiquei só deitado pensando e eu bolei uma piada.

— Por favor me diga que você não vai me contar ela agora.

— Então, ela é assim: por que o fantasma atravessou a rua?

Suspiro.

— Não sei, Mutano, por quê?

— Para chegar ao outro lado! — Ele solta uma risada. — Entendeu?

— Na verdade, não.

— Sabe, o outro lado... o pós-vida.

Reviro os olhos.

— Uau. Quanto tempo você levou para pensar nessa?

— Não muito.

— Deve ser por isso que ela é tão ruim.

— Ah, qual é, Ravena...

— E o Halloween só é daqui a duas semanas.

— Eu sei, eu estava planejando contar para a Estelar para ver se ela entendia.

— Provavelmente não.

Mutano traz suas pernas para cima da cama, sentando folgadamente no pé dela. Ele geralmente não faz isso. Quando vem até aqui para conversarmos, nos sentamos no chão, apoiados no lado da cama.

— Sabe, eu estava pensando no nosso pequeno incidente de anteontem...

— Nem me lembre disso. Eu ainda mato o Ciborgue.

— Não, claro. Não me refiro à parte que envolve outras pessoas sem ser nós dois.

Levanto uma sobrancelha.

— Aonde quer chegar?

— Nunca chegamos a terminar o que seja lá que você tinha aparentemente começado.

Meu coração falha uma batida. Então ele realmente gostou? Claro que a parte dos beijos e tudo mais compensaram pela provocação e zombaria, mas ainda assim... só estava fazendo aquilo para chateá-lo por não poder ir mais longe pelo fato de estar preso. Será que é isso o que ele quer dizer, então? Fazer o que não pudemos lá?

— Hã... — deixo escapar. Droga, eu nunca gaguejo.

— Desculpe, eu não queria... — ele começa. — Esqueça o que eu disse. Vamos falar sobre outra...

Interrompo-o com um beijo e ele parece genuinamente surpreso. Então me afasto.

— Você dizia?

— Acho que eu não quero falar mais nada.

Sorrio de lado para ele e saio debaixo das cobertas, sentando praticamente em seu colo com as pernas abraçadas de leve em seus quadris. Ele ajeita suas pernas para que nós dois fiquemos confortáveis. Quando ele coloca as mãos em minha cintura, retorno a beijá-lo e ele rapidamente sobe o nível, já que eu não sou mais a única capacitada de algo mais... excitante.

Ele desliza as mãos sob minha camiseta, fixando-se na curva de minha cintura enquanto seus polegares esfregam levemente a pele acima de meus quadris. Suspiro no meio do beijo. Seguro sua camiseta e puxo-a para cima até que ele mesmo a tira e a deixa de lado. E então volta a colocar as mãos na minha cintura. Quase rosno de frustração.

Claro, nós nunca fizemos algo assim antes e, honestamente, que fofo que ele esteja sendo tão cavalheiro. Mas já chegamos longe demais para isso.

Mutano me olha confuso quando me afasto de nosso beijo, mas esse olhar muda quando pego a barra de minha camiseta e a puxo por cima de minha cabeça. Seus olhos se arregalam quando jogo a camiseta no chão. Por um momento, tudo o que ele faz é me encarar. Acho que ele se esqueceu de como se respira.

Se fosse outra pessoa que não Mutano, eu ficaria perturbada e talvez levemente insegura pelo seu longo silêncio, mas a forma como ele fica abrindo e fechando a boca como um peixe meio que aumenta minha confiança.

— Eu, hã... — ele finalmente solta. — Uau, eu, ah...

Inclino-me para trás até que estou deitada no colchão e me espreguiço, sorrindo perversamente por causa dos sons que saem da boca do meu namorado.

— Você está babando. — Digo.

Mutano passa as costas da mão distraidamente no canto da boca. A ausência de baba faz ele voltar a si.

— Não estou, não!

Jogo a cabeça para trás enquanto rio. Ao fazer isso, um par de lábios encontra o meio de minha garganta e minha risada se transforma num longo e alto suspiro. Mutano coloca seu corpo em cima do meu. Minhas mãos vão até seu cabelo enquanto seus lábios exploram a pele de meu pescoço.

— Isso... não é... justo... Ravena. — Ele diz, pontuando cada pausa com um beijo, descendo cada vez mais e seguindo pela minha clavícula. Finalmente sua mão trilha pelo meu torso, esfregando minhas costelas e flertando com a borda de meu sutiã.

— E desde quando eu deixo as coisas fáceis para você? — Consigo dizer, mas minha voz soa arfante depois de um beijo particularmente quente no espaço entre minhas clavículas. Ele volta aos meus lábios e os mordisca de leve. Retorno o favor e sou recebida com um gemido baixo. Minhas mãos vão mais abaixo para encontrar a borda de seus shorts de pijama enquanto seus dedos escorregam para debaixo da parte de trás de meu sutiã.

Então, batidas na porta.

Mutano rapidamente sai de cima de mim e nós dois nos sentamos na cama, olhando assustados um para o outro e então para a porta.

— Sim? — Consigo dizer.

— Ravena, é o Ciborgue. Eu só queria perguntar se você sabe onde está o Mutano. Eu estava indo dormir e, quando passei pelo quarto dele, parecia que ele estava falando enquanto dormia. Fui ajeitar minhas coisas mas, quando voltei e bati na porta para perguntar se ele estava bem, ninguém respondeu. Então eu decidi entrar e realmente não havia ninguém lá. Você viu ele?

Fito Mutano confusa. Falando enquanto dormia? Claro, todos já fizemos isso e é ainda mais comum quando se vive uma vida tão maluca, salvando o dia quase todo dia. Mas alto a ponto de se ouvir do lado de fora do quarto? Isso é estranho. Mutano ignora minha franzida de cenho e gesticula para eu responder.

— Ah... eu… — penso no que dizer enquanto me levanto, pegando a camiseta de Mutano e a jogando para ele e pegando a minha mesma do chão.

— Diz que não, diz que não! — Mutano sussurra avidamente enquanto coloca a camiseta.

— Hã... eu vi ele sim. — Digo caminhando em direção à porta e vestindo minha camiseta. Mutano me olha como se eu fosse louca e faz gestos abertamente com os braços. Coloco o dedo nos lábios para ele ficar quieto.

— Então? — Ciborgue espera uma explicação do outro lado da porta.

— Eu... estava lendo meu livro quando eu ouvi um barulho no corredor e, quando abri a porta para ver o que era, vi que era Mutano passando por aí. Ele não me disse nada e eu logo voltei a ler meu livro, mas acho que ele foi pegar um copo d’água.

— Mas esse corredor nem é caminho para a cozinha. — Ciborgue argumenta.

Olho para Mutano e ele faz sinal para que eu invente alguma coisa.

— Então ele... provavelmente estava andando pela torre. Ele já me disse que faz isso às vezes de noite.

Mutano assente aprovando minha desculpa.

— Ah, ok, então — diz Ciborgue. — Vou dar mais uma volta para checar.

— Certo, eu já saio para ajudar.

Colo o ouvido na porta e consigo ouvir seus passos se afastando pelo corredor. Mutano se levanta da cama.

— Por que você fez isso? Poderia simplesmente ter falado que não tinha me visto.

— É, mas agora a minha desculpa da água pode parecer mais plausível se você se transformar numa mosca ou algo assim e for até a cozinha.

— E como explicar que eu apareci lá de repente?

— Diz que você tinha acabado de chegar.

— Está bem. — Ele cede e se prepara para sair.

— Mutano... — seguro em seus ombros — sobre o que você estava sonhando?

Ele desvia o olhar e dá um passo para trás, tentando não ser rude mas claramente não querendo responder. Suspiro e assinto. Ele não vai falar, pelo menos não hoje. Aproximo-me e beijo-lhe a testa enquanto abro a porta.

Então ele corre para fora e se transforma em uma mariposa, desaparecendo de vista.

Notas finais
Alguma ideia do que pode ser essa grande trama? Não se esqueçam de deixar reviews com suas teorias e de me falar do que gostaram e do que não gostaram (todas as opiniões são sempre muito bem-vindas!). Prometo que eu sempre respondo a todos os reviews, então por favor façam questão de escrevê-los! ♥