Notas iniciais
Acordo com um sobressalto de um pesadelo. A mesma droga de pesadelo que se repete quase todas as noites há vários meses. Estou sempre suando frio, há sempre o mesmo grito ao longe. E eles só pioram. Mas dessa vez foi diferente. Eu acordei com batidas na porta.
Olho em volta um pouco desorientado pelo fato de ter acabado de acordar e ouço as batidas de novo. Droga, não foram parte do sonho.
— Quem é? — Pergunto enquanto me levanto e me aproximo da porta.
— Sou eu. — A voz da Ravena do outro lado. — Posso entrar?
Abro a porta e uma Ravena de pijama — quero dizer, com uma camiseta bem grande mas sem shorts, e estranhamente com a capa por cima — me olha segurando um livro.
— Você não está usando shorts. — Falo imediatamente.
— Não mesmo. — Ela me olha com um sorrisinho enquanto entra.
— Mas uau — coço a cabeça. — Você vir aqui é uma surpresa rara. Inédita, na verdade.
Ela solta um riso seco.
— Você sabe que eu não gosto do seu quarto. Ele não é exatamente o que eu chamaria de... — ela levanta uma cueca da pilha de roupas no meu beliche com a ponta do livro — ... limpo.
— Como se o seu quarto não fosse nada assustador com aquelas caveiras e velas e os cobertores pretos — rebato pegando a cueca e a jogando ao outro lado do quarto.
— Quer dizer que você acha cobertores pretos e velas broxantes? — Diz Ravena sentando-se nos poucos centímetros de cama que não estão cobertos por bagunça. — Como você é romântico.
— Você sabe que não foi isso que eu quis dizer. — Aproximo-me pensando em beijá-la, mas mudo de ideia e acabo sentando no chão à sua frente mesmo, porque ela vir até aqui é bem estranho. — Se não gosta do meu quarto, então por que veio?
— Você não vai no meu desde o Halloween, e isso já faz quatro dias. Não sei porquê. — Ela sai da cama e se senta no chão. — Não tem mais os ocasionais pesadelos que te fazem sair algumas noites?
Ocasionais... bem que eu gostaria. Mas eu jamais poderia dizer à Ravena que eles me assombram toda noite. Principalmente se ela soubesse sobre o que eles são.
Meu olhar deve ter entristecido, porque ela me fita com preocupação, e então com uma expressão quase de pena, como se quisesse mudar de assunto por mim.
— Bem — ela começa a engatinhar até mim, e eu realmente tento não me concentrar no fato de que ela está literalmente de quatro e apenas de calcinha e uma camiseta folgada, e deixa nossos lábios a apenas alguns milímetros de distância da mesma forma que fez na manhã do incidente —, mas eu vim aqui por uma razão, não é?
Sentir sua respiração contra meus lábios me acalma a ponto de esvaziar minha mente de todos os meus pensamentos em relação aos pesadelos, mas também me deixa levemente desconfortável em outro lugar. Engulo em seco.
Ela solta uma risadinha e eu avanço para beijá-la. Ela tenta se postar sobre mim enquanto eu começo a me arrastar pelo chão para conseguir apoiar as costas na lateral da cama. Nós dois rimos no meio do beijo, mas conseguimos nos ajeitar de forma confortável.
Ela para o beijo para conseguir tirar a capa e aproveita e tira a camiseta. Aproveito por meros dois segundos a visão de Ravena apenas com roupa de baixo, que já tive o prazer de presenciar algumas vezes nas últimas semanas — mas que nunca falha em me surpreender —, e tiro minha camiseta também, e as três peças se juntam ao resto da bagunça do meu quarto. Quando retorno a beijá-la, começo a subir lentamente as mãos por suas costas para eventualmente chegar ao fecho de seu sutiã, e consigo sentir seus pelos se eriçando.
Ela suspira em meus lábios e começa a beijar meu pescoço, descendo pela minha clavícula e chegando no meu peito. Eu solto um gemido baixinho e vejo que ela sorri de lado. E é aí que eu a puxo para cima, de volta aos meus lábios, e paro de subir as mãos por suas costas, seguindo a linha de seus quadris até colocar os dedos por dentro da parte de traz de sua calcinha. Então eu sou recebido com um gemido.
Dar uns amassos, eu aprendi nessas últimas três semanas, envolve muita mão boba, várias tentativas de se apossar do espaço do outro e muitas oportunidades de me fazer de bobo na frente da pessoa que mais importa para mim no mundo.
Felizmente, essa pessoa não tem mais experiência nisso do que eu, então toda vez que Ravena solta uma risadinha quando embolo minha camiseta na cabeça eu lembro que ela provavelmente vai acidentalmente me dar uma cotovelada na barriga de novo e passar o resto da noite pedindo desculpas.
Em todos os momentos em que fazemos alguma besteira ou uma pequena coisinha dá errado, há sempre algo que faz toda essa esquisitice valer a pena. Quando se torna um tipo bom de acidente — como o “caramba, eu não sabia que seria tão boa a sensação de ter os lábios de alguém na minha clavícula” ou “uau, Ravena é bem flexível” — eu começo a entender que a esquisitice desaparece e os pedaços bons se juntam para o ato final.
Na verdade, os pedaços bons podem estar se juntando muito repentinamente para nós dois. Eu não sei se dar uns amassos deveria deixar meu peito dolorosamente intenso ou se é devido ao jeito como nós dois fazemos tudo isso e intensamente é apenas como nós operamos, mas de qualquer forma eu não me canso disso.
E provavelmente não é uma boa reflexão do meu autocontrole o fato de que apenas três semanas depois de começarmos a nos engalfinhar desse jeito eu já estou com as mãos dentro da calcinha de Ravena, mas ela não está reclamando, então eu também não vou.
— Mutano — diz Ravena se afastando de nosso beijo. Eu não consigo tirar os olhos de seus lábios machucados e vermelhos por causa dos beijos e mordiscadas, e a forma como sua garganta vai para cima e para baixo enquanto ela procura por ar deixa meus shorts mais do que levemente desconfortáveis. — Você quer...? Você sabe.
Ela enrubesce intensamente depois de sugerir isso, então eu sei que eu não posso interpretar sua pergunta de qualquer outra forma.
Minha namorada acabou de me perguntar se eu quero transar com ela.
Ravena quer transar comigo — aqui e agora.
Meus hormônios imediatamente respondem Sim, sim, claro que sim, por que você ainda não tirou o sutiã dela, seu idiota?, e, por mais que eu seja impulsivo e algumas vezes imprudente, isso não é algo para que eu deva me precipitar.
Sim, eu definitivamente quero transar com a minha linda, parcialmente vestida namorada — que garoto hétero e excitado de dezesseis anos não transaria? Mas a hora simplesmente não parece... certa.
Isso soa ridículo e certas partes de minha anatomia estão me amaldiçoando aos nove infernos agora, mas é verdade. Eu mal aprendi a beijar Ravena sem fazer ela rir de mim e eu ainda estou começando a aprender sobre suas misteriosas partes abaixo dos ombros. Seria um grande salto ir de mexer excitadamente no fecho de seu sutiã para todas as partes do sexo. Sem falar que Ravena ainda fica envergonhada toda vez que ela encosta em minha ereção e ela ainda não me tocou abaixo da borda dos shorts por um longo período.
Eu sei que a primeira vez não é para ser boa, mas se nós tentássemos agora seria honestamente horrível e provavelmente o começo do término de nossa relação.
Certo, eu posso estar sendo um pouco melodramático nessa última parte, mas isso não muda o fato de que, por mais que certas partes de mim gostariam de sexo nesse instante, eu quero fazer mais vezes as coisas de forma certa com Ravena.
Relutantemente, eu balanço a cabeça e tiro as mãos de sua calcinha. Ela pisca, claramente surpresa.
— Eu quero, mas... eu não estou pronto. — Eu digo sinceramente enquanto tiro uma mecha de cabelo de seu rosto. — Tudo bem?
Ravena assente, parecendo ela mesma um pouco aliviada.
— Tudo. Eu só pensei em perguntar, só para garantir.
— Bem — eu digo deslizando as mãos até sua nuca e mexendo os dedos nas pontas de seu cabelo —, vou manter isso em mente.
Puxo-a para perto novamente e pressiono os lábios no canto de sua boca enquanto ela sorri. E completo:
— Só para garantir.
Fale com o autor