Notas iniciais
Oceano - Djavan Amar é um deserto e seus temores Vida que vai na sela dessas dores Não sabe voltar, me dá teu calor Vem me fazer feliz porque eu te amo Você deságua em mim, e eu, oceano Me esqueço que amar é quase uma dor.

Já fazia quase uma hora que Kate estava encolhida no sofá olhando as três malas encostadas no canto da sala, enquanto Castle dormia em sua cama, a poucos metros dali. Seu pensamento dava voltas inconstantes, ora pelo apartamento que tinha comprado e escolhido a seu gosto, ora pelo trabalho na NYPD que a movera por tantos anos, ora pelos amigos que deixaria ali. Mas principalmente e acima de tudo, por ele.

Kate olhou para o anel de noivado em seu dedo, que ele havia colocado dois dias antes, depois que ela lhe disse “sim”. Tinham sido quatro anos de parceria, mais um ano de parceria e amor. Kate o amava, não tinha dúvida disso, o que fazia a culpa se tornar maior ainda. Se ela o amava, não deveria ficar? Mas era o trabalho de sua vida, não podia abrir mão disso. Mas ela o amava... e as voltas não paravam nunca.

Alguma coisa estava errada. Não era só encontrar o amor da sua vida e ser feliz para sempre? Não era isso que os livros, filmes e contos de fada ensinavam? Kate pensava que a parte difícil havia passado, mas não, ela estava ali, só começando.

E como seria difícil...

Kate pensou no quanto se acostumara com ele. Todos os dias, todas as noites. Se ele tivesse que se ausentar por algum compromisso, ligava mil vezes. Parece que tinha medo de perdê-la. E agora era ela quem tinha um medo imenso de perdê-lo.

Ela quase chegava a sentir uma dor no peito. Então era isso que diferenciava o amor de paixão, namoros e envolvimentos casuais. Não era o desejo. Era a dor imensa do medo, medo de ficar longe, medo de perder espaço em seu coração, medo de não conseguir mais viver sem ele.

“Por que você tem tanto medo, Kate? Ele está ali, na sua cama, te esperando. Volta pra lá” – dizia uma voz interior, e Kate obedeceu. Se levantou e foi silenciosa. Deitou-se devagar, envolvendo o braço dele em sua cintura, como ele estava quando ela saiu. Sentiu-o puxando-a mais para perto de si.

Castle: Onde você estava? – ele disse quase num sussurro.

Kate: Só fui tomar um copo de água.

Castle: Como você mente mal, detetive.

Castle se levantou e sentou na cama. Deu a mão para que Kate se sentasse em seu colo. Ela o fez, escondendo a cabeça em seu pescoço, e deslizando sua mão até encontrar a mão dele.

Kate: Eu pensei que seria mais fácil – ela disse, sem olhá-lo.

Castle: Do que você está com medo?

Ela ficou em silêncio por um minuto. Quando foi que deixou Castle conhecê-la tão bem?

Kate: Eu não quero te perder, Rick.

Castle: Você não vai me perder, meu amor. Nunca.

Ela levantou os olhos e o encarou.

Castle: Você se esquece que está indo para DC com isso aqui? – ele disse pegando a mão dela e apontando para o anel de noivado. Ela sorriu.

Kate: Nós vamos fazer dar certo, não vamos?

Castle: Nós não precisamos fazer dar certo, Kate. Eu te amo e você me ama. Isso já está mais do que certo. Nós só precisamos lidar com as situações que virão.

Kate: Você sabe que eu vou sentir saudade, não sabe? – Kate sabia que às vezes tinha dificuldade em dizer o que sentia, e não queria que Castle duvidasse daquilo.

Castle: Eu espero que sim! – ele disse divertido – Você que nem ouse gostar da vida sem mim.

Kate: Nunca, jamais – ela se apressou, beijando-o. – Você está em mim, Rick. Todos os dias, em meu pensamento e em meu coração.

Castle: Assim como você também está em mim – ele a abraçou mais forte ainda – Não há motivo para medo, Kate.

Kate: É, não há...

Ela o encarou de novo. Por que tinha sido tão boba em duvidar? Por que sentir tanto medo? Aquele homem a amava, e ela sabia disso.

Kate: Rick...

Castle: Ham?

Kate: Faz amor comigo de novo?

Castle: Deixa eu pensar... – ele sorriu, deitando-a na cama – Sempre.

Notas finais
Casket deixa a segunda até mais bonita, não? Metade do desafio cumprido :))