30 ways to say I love you
3 Can't remember to forget you
Notas iniciais
Martha: Richard?
Silêncio.
Martha (gritando): Richard?
Castle (acordando, assustado): O que?
Martha: Você dormiu aqui?
Castle abriu os olhos. Seu rosto tinha marca das teclas do computador, que estava ligado sabe Deus desde que hora.
Martha: Você chegou tarde ontem. Fui dormir às 2h e você ainda não estava aqui.
Castle: É, eu... foi um caso complicado.
Martha: Katherine te inspira mesmo, ham? Emendou a noite escrevendo?
Castle: Tentando, você quer dizer. Se saíram três linhas foram muito.
Martha: O que está acontecendo, Richard? Você está me escondendo alguma coisa?
Sim, eu beijei Katherine ontem à noite. E não foi um simples beijo, um beijo acidental ou coisa do tipo. Foi um beijo com vontade, um beijo demorado, profundo, que me fez desejá-la ainda mais...
Martha: Richard, eu te fiz uma pergunta! Deixa, você está cansado. Devia dormir um pouco.
Castle voltou dos devaneios e fez que sim. Martha saiu e ele foi para o quarto. Devia mesmo dormir? Conseguiria? Na noite anterior, tinha tentado dormir, mas tudo que conseguiria foi remexer-se na cama lembrando de cada segundo. Eles tinham se beijado! Sim, eles. Não somente ele, mas ela também. Castle lembrava-se dela se entregando ao beijo. Será que ela também pensara nele? Será que falaria alguma coisa? Diria que gostou? Que terminaria aquele namoro todo errado e que ficaria com ele?
Castle não parava de pensar. Tinha descido ao escritório no meio da noite na tentativa de escrever algo, mas tudo que saiu foi: “Nikki Heat tinha um lábios mais macios que ele tinha provado, com um sabor que inundara sua boca chamando-o para o prazer de desfrutar todo o seu corpo.”
Definitivamente não conseguiria escrever mais nada naquela noite.
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Longe dali, Kate acordava de um sono mal dormido. Era isso mesmo que tinha acontecido? Castle a tinha beijado? Ou será que ela tinha beijado também? Kate não conseguia dizer. Não, não tinha beijado. Já estava preparando sua resposta quando Castle a confrontasse: Foi você quem me beijou, eu só continuei para o disfarce dar certo.
Sim, ela diria isso. Porque na verdade não tinha sido nada além disso. Ou tinha?
Kate entrou no banho confusa. Pensou em Josh, o namorado que estava na África e não via há dois meses. Ele era um cara legal e não merecia ser traído. Mas ei, quem estava falando em traição? Tinha sido um beijo insignificante. Um beijo comum. Um disfarce. Uma necessidade no momento. Não tinha sido nada além disso. Kate repetia tudo como um mantra, como se estivesse tentando provar algo para si mesma.
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Kate chegou agitada à delegacia, tentando disfarçar sabe lá o que ela estava tentando esconder.
Esposito: Eu já ia te ligar. Acabou de chegar um caso. E olha, esse é dos bons. Castle vai adorar. Kate, você está me ouvindo?
Kate: Eu? Ah sim, um caso. Cadê o endereço?
Esposito: Aqui. Você não vai ligar para o Castle?
Kate parecia abstraída com o papel na mão.
Esposito: Kate?
Kate: Oi.
Esposito: Castle.
Kate: O que tem ele?
Esposito: Você não vai ligar para ele?
Kate: Ah... Espo, faz assim, por que você não liga enquanto eu pego um café?
Esposito: Ok. Você está precisando acordar mesmo.
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Por que ela mesma não me ligou? Estaria embaraçada? Não queria me ver? Talvez estivesse ocupada, os meninos já tinham ligado para ele outras vezes. Talvez fosse apenas coincidência. Ou não. Talvez ela fosse dizer para ele nunca mais segui-la. Não, ele não poderia suportar isso.
Castle pensava mil coisas a caminho do endereço dado por Esposito. Como ficava no meio do caminho que ele faria até a delegacia, combinaram de se encontrar por lá. Castle chegou quando todos já estavam. Entrou pedindo licença, até dar de cara com a detetive, parada ao lado do corpo, conversando baixo com Lanie. Será que ela disse algo?
Lanie: Bom dia, escritor.
Castle: Bom dia, Lanie. Bom dia, Kate.
Kate: Bom dia, Castle.
Ela nem o olhou. Estava com os olhos fixos na cena do crime. Já Lanie havia percorrido os olhos entre ele e a amiga. Sim, ela devia saber de algo.
Mas aquele não era o momento. Kate estava visivelmente comprometida com o trabalho, e Castle sabia que não poderia dizer uma só palavra de qualquer outro assunto que fosse antes que ela terminasse de fazer o que devia fazer.
O dia transcorreu ocupado, e Castle sentiu uma Kate que o evitava. Ele teve certeza que ela não teria iniciativa nenhuma de comentar o que tinha acontecido, cabendo a ele dar o primeiro passo.
Ao fim do dia, quando ela estava preparando-se para fazer os relatórios do caso, que já tinha sido concluído, Castle sentou-se em sua cadeira, ao lado da mesa dela. Kate levantou os olhos o fitando, mas não conseguiu mantê-los assim nem por meio minuto, e abaixou-os para a pilha de papéis.
Kate: O caso já acabou, Castle.
Castle: Eu sei, eu queria falar sobre outra coisa.
Kate: Não pode ficar para depois? Eu tenho muitos papéis para preencher.
Kate não o olhava, e Castle não sabia distinguir se ela sentia indiferença ou medo.
Castle: Tudo bem, você está mesmo muito ocupada.
Kate fez que sim. Quando Castle se levantou, o telefone dela tocou. Ele conseguiu ler o nome Josh, e a olhou. Ela parou de preencher os papeis e atendeu.
Ela não estava ocupada para Josh, Castle pensou. Para ele isso bastou. Ela não iria comentar o beijo. Na verdade, talvez nem tivesse se importado. Castle era, afinal, apenas mais uma peça de sua equipe. Talvez nunca seria mais do que isso.
A questão era: ele conseguiria lidar com isso? Será que não era hora de parar de segui-la, aposentar Nikki Heat e buscar novos horizontes? Castle parou esperando o elevador, quando uma voz o chamou.
Kate: Castle?
Ele virou e ela veio correndo em sua direção.
Kate: Você esqueceu seu celular na minha mesa.
Castle: Ah, obrigado.
Kate: Te vejo amanhã?
Castle a olhou por um minuto. Ela estava séria, esperando a resposta.
Castle: Sim, amanhã.
Kate sorriu para ele antes de desejar boa noite e se virar. Não era sempre que ela sorria, mas ela tinha sorrido. Sorriu quando ele disse que viria amanhã. E sim, ele viria amanhã. E depois de amanhã. E na semana seguinte. Uma hora ela veria que aquele namoro não era certo. Uma hora eles falariam sobre o beijo. Uma hora ele teria coragem de dizer o que sentia, e ela também teria coragem de dizer. Mas por hora, Castle só tinha uma certeza: não conseguia lembrar como era sua vida sem ela. Ainda era muito cedo para tentar esquecê-la.
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