Notas iniciais
Boa leitura!! Não esqueçam de comentar :D :D

_ Lamentável...

Sussurrava o médico – Seu Carlito – ali em pé, em quanto examinava o quadro complicado de sua paciente. Tão jovem...

_O que foi doutor?

Seu Souza temia o pior, e a face do homem não ajudava muito, demonstrava pena e certa impotência. Talvez ele não pudesse ajudá-la.

A jovem que estava deitada na cama respirava com dificuldade, e em volta dela muitos aparelhos a ajudavam a sobreviver, o quarto apesar de inteiramente branco já não demonstrava a paz que deveria transmitir. O cenário era de pura tensão.

_Disse que ela vem tendo algumas crises, certo? Seguidas de dores na região do estômago?

Perguntou com certa esperança, não poderia ser o que ele imaginava. Virou-se para o homem mais velho e o fitou, deixando Souza meio angustiado.

_Correto.

Respondeu frio. Sua postura máscula não o deixaria chorar agora.

_Bem... O que posso lhe dizer é que: o que eu imagino ser não traria como conseqüência essa parada respiratória, mas sua filha tem também uma crise de ansiedade que vem se arrastando por anos. Isso é sério.

Ele dizia tudo olhando atentamente para o pai da paciente. Seu Souza engoliu seco e desviou o olhar.

_Ela vem sentindo mais alguma coisa suspeita por esses tempos?

Perguntou se virando novamente para Mônica – que era a paciente – e soltou um suspiro. Ela parecia estar acordando.

_Sim. Ela vem reclamando de fraqueza, enjoo... Não consegue engolir quase nada direito. Mas isso não é problema já que ela nem sente vontade de comer.

De repente o médico se virou bruscamente e voltou a fitá-lo, desta vez com uma frieza incalculável. Odiava a ignorância dos pais de seus pacientes.

_Como pode dizer que isso não é um problema? Sabia que sua filha pode estar até com um câncer de estômago? E em fase terminal?

Souza levou um susto tão grande que seu coração deu um pulo, arregalou os olhos e ficou incrivelmente pálido. Mas ainda nenhuma lágrima caia de seus olhos.

_Como só procurou ajuda agora? Essa menina tem cara de quem sofreu muito, e em suas mãos, na sua frente, sem que você tenha feito nada!

O médico estava realmente revoltado, era um pai de família e não aguentava ver esses casos.

Lembranças em forma de uma dor aguda começaram a corroer a mente de Seu Souza, que evitava a todo custo olhar em direção do homem furioso.

_Ela ficou com a mãe dela todo esse tempo, pude ver o quanto a situação era crítica apenas agora! Não tenho culpa.

_Claro que tem! O senhor é o responsável por essa menina que agora está agonizando nessa cama de hospital. Faça o favor de apenas ser franco.

Seu Carlito praticamente cuspia em quanto falava de tanta raiva, como ele pôde jogar a culpa na mãe da jovem, se ele também é o responsável por ela?

O doutor sabia que tinha que se acalmar, sua ira não parecia alterar o senhor á sua frente que agora procurava com os olhos um lugar para se sentar.

_Logo ali.

Orientou-o apontando para a cadeira que estava próxima á cama, pelo menos Seu Souza parecia nervoso o suficiente para não ter enxergado algo assim.

Ele se sentou e esperou o médico dizer alguma coisa, mas ele apenas estava admirando Mônica em quanto abria os olhos, aparentemente cansada e com uma falta de ar sufocante, pois ofegava.

_Ela é realmente linda, lembra muito minha filha Magali, até acho que já vi sua filha em minha casa. Minha filha e ela são amigas não é? Pena que trabalho demais para conseguir pelo menos acompanhar a rotina dela.

_É... Ela e Magali foram muito amigas sim.

Ele lembrava pensativo, seu coração fora se acalmando aos poucos, acreditava que tudo teria uma solução rápida.

_O que aconteceu com elas? Adorava quando eram amigas, agora Magali só anda com jovens de mal caráter, inclusive aquela tal de Carmem, não gostei dos modos daquela moça.

_Mônica não me disse.

Na verdade Seu Souza nunca se preocupou muito com a vida pessoal da filha, pessoalmente nem a conhecia, eram poucas coisas que sabia.

_Bem... Voltando aqui, quero fazer uma tomografia completa do abdômen da Mônica, e direi para o senhor se ela corre ou não um risco de morte, por que se for um câncer provavelmente está em fase terminal.

Carlito gostava de ser direto e sem nenhuma hesitação contar a verdade, ser duro para ele diminuía até o sofrimento dos pacientes, pois nesse caso reconhecem a gravidade do problema.

Novamente Souza engole seco e se ajeita na cadeira, olhando sua filha em quanto ela apenas os olhava imóvel como se fosse incapaz de falar. A falta de ar deveria estar dificultando mesmo com os aparelhos.

_Para amanhã mesmo agendarei esse exame, desejo que ela tenha o máximo de chances de se salvar possíveis. Quero que ela passe essa noite no hospital, estará segura caso haja outra parada respiratória.

_Tudo bem.

_Chame a família dela para visitá-la amanhã antes do exame, tenho certeza que ela ficará muito feliz.

Sugeriu o doutor ouvindo um leve resmungo da parte de Mônica.

_Com certeza.

Seu Souza havia se acalmado, mas ainda permanecia sem acreditar. Guardou a parte de que sua filha vomitava apenas sangue só para ele, mas Carlito já deveria ter capitado.

Houve um pequeno silêncio constrangedor, até ouvirem a menina se debatendo na cama, provavelmente uma dor terrível.

Nesse exato momento Mônica começou a tossir e cuspir sangue, manchando grande parte da roupa inteiramente branca do hospital. O doutor foi logo ao seu socorro.

_Esse sangue está muito claro. Ela tem anemia? Notei sua palidez também...

_Não sei dizer.

_Peço que se retire, cuidarei dela como um caso especial.

Ele havia se estressado muito, e não estava a fim de se estressar mais com a negligência daquele pai que parecia mal conhecer sua filha.

Souza até pensou em protestar, mas desistiu em um ultimo momento, beijou a testa de Mônica e saiu encurvado, como quem estivesse carregando uma culpa insuportável.

Assim que ouviu a porta do quarto bater e anunciar que o senhor havia saído, Carlito ouviu um pequeno sussurro, algo como um “obrigado”.

Continua...

Notas finais
Até a próxima :)