30-dias (HIATUS)

17 Décimo terceiro dia- Sensações


Notas iniciais
HEEELLO.... Desculpem minha demora! Sem qualquer inspiração nesses dias, mas agora voltei e espero que esse capítulo agrade meus leitores fofos e lindos que eu amo demais u-u. Boa leitura!!! (boatos de que certos leitores vão amar a Mô e o Cê nesse cap hihihi)

Assim que revelei aquilo, senti batidas fortes do meu coração, comecei a tremer e minha voz acabou saindo falha e trêmula:

—N-n-não v-vai falar nada?

—...

Ele permaneceu quieto e nenhuma palavra saiu de sua boca. Comecei a ficar preocupada e chateada, afinal, estava me declarando ali, pelo menos uma resposta para aquela situação eu queria.

Desligou.

Não acreditei naquela reação de Dc. Nunca imaginei que ele desligaria o celular na minha cara, no máximo que ficasse tímido e demorasse a responder, mas nunca que me deixasse naquele desespero.

Senti todas as minhas forças irem embora em questão de segundos. Minhas pernas fraquejaram e cai de qualquer jeito na calçada fria e sem qualquer pavimento – apesar de meu pai ganhar muito bem -. Deixei as lágrimas rolarem, e ficava pensando comigo mesma o quanto a vida é injusta.

Ele poderia ter me dado uma resposta, mesmo que fosse uma bronca, meu estado estaria melhor do que esse em que me encontrava.

Eu estava precisando do colo dele como nunca em minha vida.

Mas mesmo não tendo o aparo dele, tinha que agradecer por não precisar estar na escola agora. Certamente estando lá, eu simplesmente não agüentaria e teria uma pesada recaída, e não era isso que queria para mim. Por sorte, havia entrado de férias.

Respirei fundo e dei asas à realidade: minha mãe estava à beira da morte, ou morta, e tinha que encontrar uma solução para poder vê-la.

Nunca enchi tanto a paciência de meu pai como naquele dia.

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Uma semana depois.

Minha casa – que também era de Dona Luiza – estava vazia e sem nenhum ser para fazer o mínimo de barulho, nem os velhos ratos que às vezes buscavam sujeira aqui e ali. Era assustador ficar sozinha naquela casa tão imensa, mas não era uma mansão ou algo do tipo, era apenas uma boa casa de classe média.

Passou-se uma semana e nada de Do Contra, nenhuma ligação, nenhuma visitinha escondida, nenhum sinal de vida. Já estava começando a achar que ele não se importava comigo como pensava.

Enquanto ele não se manifestava, minhas noites eram as piores de minha vida, garganta apertando, falta de ar, batedeira, tudo por falta dele, por preocupação. Nunca poderia saber se algo de grave havia acontecido com o mesmo.

Mas minha maior preocupação naquele dia era minha mãe. Depois de tanto insistir para que Souza me levasse para vê-la, hoje chegou o dia. Estava feliz por que pelo menos ela não estava morta, como confirmou meu pai.

Contava no relógio o tempo para que o momento chegasse, não tinha nada para fazer e aquilo estava ficando cansativo. Resolvi então fazer alguma coisa, mas, o quê? A única coisa que me vinha à cabeça era ligar para Dc, mas...

Sair de casa seria uma boa.

Com esse pensamento, sai correndo como uma doida, de pijama mesmo. Naquela época não me importava muito com vaidade, então, saia como bem entendia.

Abri o portão da casa e me revelei para o mundo lá fora. O sol bateu em meu rosto ardentemente, mas não ligava para ele, isso poderia significar que teria o privilégio de dar um bom mergulho da piscina hoje, ou não.

Meu estômago começou a roncar, só poderia ser sinal de uma coisa: fome.

Havia uma padaria ali perto, logo dobrando a esquina, e não hesitaria em dar uma visitinha lá. Pegar alguns salgadinhos para matar a fome, que se estendia por dias, pois ontem mesmo não comi uma migalha, minha ansiedade não deixara.

Por onde andava as pessoas olhavam torto, não me importava muito, o que mais me atingia eram palavras, se elas mantiverem o bico fechado, não haverá problema.

O que ninguém sabia, era que minha visão deixava a desejar, eu enxergava tudo embaçado, mas nunca contei a ninguém, pois ninguém tomaria uma providência. Sem poder enxergar direito, não via os olhares maldosos das pessoas, apenas seus leves borrões.

Reconheci a padaria, e assim entrei na mesma, dando uma leve checada em tudo ao redor. Não havia muitas pessoas, menos mal.

—Opa, que desejas rapariga?

Era o velho padeiro português. Conhecia seu filho, Quim, era um bom amigo, mas quase nunca falava com o mesmo.

—O senhor não teria algum salgado de presunto e queijo hoje?

Adorava qualquer combinação com presunto e queijo, era minha verdadeira paixão.

—Hmm...

—Esse está ótimo!

Apontei para o salgado em que desejava.

—Opa, és 2,50.

Assim que ele mencionou o preço, lembrei-me de que esqueci o dinheiro em casa, ou pior, de que nem tinha um centavo lá.

Decepcionada e tomada pela fome, abaixei a cabeça. Meus olhos lacrimejaram, não agüentava mais aquele vazio no estômago.

Até ouvir uma voz familiar:

—Eu pago para ela, pode deixar.

Era Cebola.

Senti meu coração pulsar com mais intensidade, não acreditei que ele estava me ajudando, como descobriu que não tinha dinheiro? Certamente estava me observando havia algum tempo.

Cebola deu o dinheiro na mão do padeiro, e pegou o salgado para mim, entregando assim em minhas mãos, olhando-me com um olhar de ternura.

Com coragem, ergui o olhar, olhando atentamente para ele. Perguntei:

—Por que fez isso?

—Apenas quis te ajudar, anjo.

Aquele jeito doce me encantava. Estava morrendo de fome e apenas observando, ele notou isso, e me ajudou, sempre seria grata, por mais que fosse apenas um pequeno ato de preocupação.

—Pode comer, sei que está com fome.

Sem nenhuma hesitação comecei a devorar o lanche, como um verdadeiro animal. Cebola apenas observava com um sorriso, dando algumas risadinhas conforme me via atacar o alimento.

Não sentia vergonha em estar naquele estado perto dele, pois ele me transmitia confiança e paz. Tudo que eu fazia era motivo de felicidade para o mesmo, foi o que percebi.

Assim que terminei de comer, fomos para fora da padaria e ambos ficamos olhando para frente sem saber o que dizer, até que ele se pronunciou:

—Por que não me ligou? Fiquei esperando sua ligação durante dias.

Aquela revelação me surpreendeu.

—Você ficou esperando que te ligasse? Fiquei insegura se realmente gostaria...

Cortou-me:

—Claro que gostaria! Adoraria... Amaria.

Senti meu rosto corar, que animação toda era aquela só para falar comigo?

—O que viu em mim?

Fitei-o com expressão de dúvida e angustia, não conseguia imaginar algo bom em mim, nenhuma qualidade me vinha à mente.

—Mô... Posso te chamar assim?

—Claro.

—Então, Mô... Vi algo especial em você, como nunca vi em outra garota, um jeito único... Diferente de ser, e isso se nota apenas olhando em seus olhos...

Ele pausou, assim respirando fundo e notando minha timidez.

—Vejo um verdadeiro anjo em você. Queria poder te tirar dessa dor imensa... Que sim, eu percebi que sente.

—Como...?

Estava me surpreendendo e muito com as palavras dele, e meus olhos já estavam banhados em lágrimas, não por tristeza, mas por emoção.

—Eu notei só por reparar bem em você... E sei como se sente, sei dessa angustia insuportável... E me sinto impotente por não poder te ajudar.

—...

—Posso te ajudar de alguma maneira?

—...

As palavras não saiam de meus lábios, mas quase como adivinhando o que queria, senti seus braços me envolvendo, em um doce e apertado abraço. Não queria que me soltasse jamais, estava me levando às nuvens.

O coração dele batia em sincronia com o meu, e ambos tinham batidas rápidas e intensas. Nunca senti tanto prazer em ouvir e sentir uma coisa tão linda quanto aquela.

Não queria que me soltasse, atendendo meu desejo, ele me apertou mais e mais. Pude sentir sua respiração pesada em meu ouvido, e suas mãos percorrendo e acariciando minhas costas.

Cebola sussurrava em meu ouvido:

—Toda vez que se sentir triste, meu anjo, lembre-se de que sempre estarei aqui para você. Ligue para mim quando sentir vontade.

Assim me soltou e encostou sua testa na minha, beijando a pontinha do meu nariz. Arfei dando uma pequena risadinha divertida. Gostei daquilo.

—Mas espero que não se sinta mais pra baixo, se não vai levar umas palmadas, viu?

Arregalei os olhos em resposta, mas ele apenas riu, completando:

—Estou brincando sua boba, como dizia, qualquer coisa que precisar estarei aqui, é só me ligar ou me procurar por ai. Sempre fico andando que nem um doido.

Ri de seu jeito desajeitado. Era verdade, parece que em tudo quanto é lugar que eu ia, sempre o encontrava, mas muitas vezes me faltava coragem para iniciar uma conversa.

—Obrigado por tudo, Cê.

—Só faço o possível por quem eu gosto.

Como assim por quem ele gosta? Isso queria dizer que...

—Como assim?

—Como amigo, claro!

Justificou. Mas diferente de mim, Cebola tratou aquela confusão como algo normal, tanto que seu semblante era de pura diversão.

Para não ficar chateada, mudei de assunto:

—Você não achou esquisito eu estar apenas de pijama?

—Não, achei até meio fofo.

Corei.

—Apenas ignorantes acham isso ridículo, afinal, você foi apenas matar a fome.

Não entendi o porquê, mas em seu rosto transparecia puro ódio.

—Já que sua própria mãe te deixa largada por ai.

Realmente, ele estava me surpreendendo demais.

—Como sabe da minha mãe?

—Eu... Posso te contar um segredo?

—Pode.

—Sempre tento saber mais sobre você, então... Fiz amizade com algumas pessoas da sua família, daí tento conversar com alguém para perguntar sabe... Se você está bem...

Ele realmente se importava e se preocupava comigo, agora era certeza absoluta. Para ter coragem de se aproximar de pessoas rudes como minha família, ou por procurar saber de mim, eram verdadeiras provas de que realmente gostava da minha pessoa.

—Você quer tomar um sorvete comigo? Logo ali...

—Claro!

—Sensações?

—Como...?

Até meu sabor de sorvete preferido havia perguntado...

Continua...

Notas finais
Até a próxima, não deixem de comentar, Kisses!