30-dias (HIATUS)
18 Cap extra - Amizade colorida.
Notas iniciais
Cebola tomou a atitude e tomou minha mão na sua. Eu iria acompanhá-lo até a sorveteria da esquina, mas algo surpreendente me fez soltar dele.
Logo virando a rua, lá estava Dc. Vestia uma camisa de manga longa, não entendi o porquê, mas o que queria com o mesmo era outra coisa.
A hora era essa para poder tomar satisfações com ele, não deixaria aquilo passar em branco, mesmo que minha vergonha naquela hora fosse imensa. Iria interrogá-lo.
Ignorando completamente o garoto que havia me convidado para tomar um sorvete, andei em direção de meu alvo, ou melhor, quase corri porque Do Contra parecia querer fugir de mim.
—Onde pensa que vai?
Toquei-lhe no ombro. Nunca pensei que um dia chegaria a tomar uma atitude dessas, também nunca pensei que ele faria algo daquele tipo comigo. Sua face era de puro desespero.
—Me desculpa Mônica, me desculpa.
Não entendi o motivo daquele pedido, mas deveria ser por ter fugido de mim por esses longos e dolorosos dias. Não sabia se estava pronta para perdoá-lo.
De repente notei que de seus olhos caiam finas e silenciosas lágrimas. Qual era o motivo de seu choro? Nunca o vi chorar em todo tempo que o conheci. Fiquei preocupada e em um ato sem pensar, abracei-o por trás, repousando minha cabeça em seu ombro.
—O que houve?
Ele pareceu pensar por um instante, suspirou e concluiu:
—Pode vir na minha casa Mô? Prometo te explicar tudo.
—Claro que posso, eu...
Queria poder ir à casa de Dc para que ele pudesse me explicar, mas logo me lembrei de Cebola, que agora se mantinha no mesmo lugar que o deixei e de braços cruzados. Seu semblante não transparecia raiva ou algo do tipo, apenas confusão, querendo entender o que estava acontecendo.
—Espera um pouco.
Do Contra confirmou com um maneio e logo que pude voltei a ver o rapaz que deixei plantado, não precisei ir até lá, Cebola mesmo já estava ali conosco para tirar satisfação. Ele olhou para mim e, confuso, perguntou:
—Não vai querer tomar o sorvete?
—Me desculpa Ce, mas tenho alguns problemas para resolver.
Pareceu se chatear com aquilo, mas apenas concordou e foi andando embora, como quem não quisesse mais nada. Como eu era idiota, havia combinado com Cebola primeiro, não deveria deixá-lo assim, bem ele que me ajudou tanto.
—Quem era ele? Você ia sair com aquele careca?
—Para com isso, seu bobo! É apenas um amigo, e na situação em que eu estava aceitaria qualquer coisa.
—Qualquer coisa?
—Você me entendeu.
Dc estava com ciúmes, era bem evidente isso.
E era muito fofo.
Ele que pense que esqueceria o que fez comigo com aquele pequeno momento de fofura.
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Ele havia me levado até sua casa e até aquele momento apenas nos olhávamos esperando que um de nós dissesse alguma coisa. Estávamos sentados no sofá da sala e muitas vezes pude ouvir Dc pigarrear, aquilo estava me cansando.
Tomei a dianteira:
—Não vai se explicar?
Meu tom não era de repreensão e nem de raiva, pelo contrário, mantinha a calma e me permitia ter o máximo de paciência com ele.
—Desculpa... Mô... Perdoa-me por ter desligado o celular... Eu fiquei confuso.
—Confuso por eu ter dito que te amo? Como assim?
Do Contra tomou ar para continuar, certamente o que ele revelaria a seguir seria difícil, para ambas as partes.
—Mônica... Olha, você é apenas minha amiga, nada mais.
Senti como se um baque certeiro atingisse em cheio meu peito e perfurasse meu coração. Como ele tinha coragem de dizer uma coisa daquelas? Depois do que passamos... Meu primeiro beijo... Meu primeiro amor... Ele roubou meus mais profundos sentimentos para depois jogá-los fora daquela maneira tão cruel.
Em seu rosto via apenas frieza, mas eu sabia que no fundo de seus olhos, Dc não desejava aquilo, ou era o que eu estava tentando martelar em minha mente... Não podia ser... Que seja um sonho, que seja! Ou melhor... Um pesadelo... Um mundo desmoronava dentro de mim, e ninguém se importava.
Era difícil confiar sua felicidade a alguém e no fim... A pessoa fazer aquilo. As lágrimas – que já eram minha companhia – já começavam a escorrer, não queria impedi-las daquela vez, queria que ele visse o quanto aquilo me atingia.
—Você está brincando não está?! Diz que sim... Por favor.
Soltando aquelas palavras, apenas deixei-me cair de joelhos no chão, gritando o nome dele e o quanto o amava. O choro já havia virado um tormento, um desespero tão grande que minha vontade era de acabar com tudo aquilo naquele momento mesmo. Preferia a morte ao tê-lo apenas como um amigo.
—Entenda Mônica, nada daria certo entre nós dois.
—Por quê?
Aquela pergunta pareceu rasgá-lo por dentro, mas apenas fiquei o observando e esperando uma resposta, até ver que ele também começava a chorar.
—Não tenho cabeça para isso.
—E quem disse que eu tenho?
De desespero passei a sentir raiva, angustia e ódio. Levantei-me e fiz questão de mirar fixamente para Dc, queria terminar aquela palhaçada logo, não suportava mais.
Não estava preparada para um relacionamento, meus sentimentos estavam confusos e eu já havia sido muito machucada, muito enganada. Para confiar em Do Contra em um namoro, levaria muito tempo, mas isso não era desculpa para me falar uma coisa daquelas. Conversando comigo antes, me feriria menos.
—Eu fui enganada! Disseram “eu te amo” para mim Dc... Fizeram-me criar esperanças... Criar afeto. Eu sofri... Fui iludida... Pisada... Jogada fora feito um lixo.
Cada palavra que saia da minha boca eram proferidas como adagas cortantes e devastadoras, isso pareceu atingi-lo, pois apenas ficava quieto enquanto eu colocava tudo para fora.
—Minha infância foi uma droga, fui criada feio um cachorro de rua... Daí eu encontrei você, achando ser minha esperança... Uma solução para o meu pedido de socorro.
A cada vez que soltava algo, mais era nítido o sofrimento em seus olhos. Pensei em parar, mas ele merecia aquilo, merecia umas verdades.
—Você brincou com o meu coração! Eu me apaixonei! Eu te amo Do Contra...
Terminei em um fio de voz. Abaixei minha cabeça e deixei que ele resolve-se aquilo. Não falaria mais nada. Não valia a pena.
—Podemos ter uma amizade colorida, não precisamos nos afastar.
Não acreditei no que ouvi. No fundo minhas suspeitas estavam certas... Dc era como os outros. Apenas queria se divertir comigo e só. Se realmente queria algo comigo, me pediria em namoro e nós dois enfrentaríamos juntos o que fosse, mas ele achou melhor me propor uma sujeira daquela. Idiota.
Tudo que podia sentir dele naquele momento era ódio. Em pensar que deixei Cebola, um rapaz realmente bom e gentil, para ir com Do Contra e ainda ter que ouvir aquilo, me fazia sentir uma retardada.
—Amizade colorida?! Que tipo de garota acha que sou?
Minhas palavras só aumentaram meu desprezo. Sem pensar duas vezes, tomei a dianteira e dei-lhe um tapa com toda força que me permiti, deixando uma vermelhidão em seu rosto. Não queria machucá-lo, apenas mostrar quem é que manda, não era uma menininha frágil e tola.
—Porque isso?
Sua calma me intrigava.
—É pra você aprender.
Ele apenas se concentrou em meu rosto, tentando achar o mínimo de compaixão. Concluindo que eu estava com raiva, se levantou e apontou paras as mangas longas de sua camisa. Não entendi aquele gesto, deixando bem claro a confusão em meu semblante.
—Eu vou te mostrar o quanto eu também sofro com isso.
Terminando, esticou as mangas o máximo que pode, e pude ver em seus pulsos algo que me assustou de uma maneira horrível, nele havia vários cortes, muitos deles profundos e outros bem recentes.
Tudo que eu queria naquele momento era saber o porquê daquilo.
Senti sua dor em minha pele.
Continua...
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