30-dias (HIATUS)

16 Décimo segundo dia- Ama? Amo!


Notas iniciais
Que tal mais uma recomendação gente? u-u eu me empolgaria mais u-u. Brinks! Quando eu merecer apenas ! :D Boa leitura gente... Fiz com carinho esse cap, :D

—Como assim acidente?

Gritei desesperada do banheiro em que me encontrava. Como assim minha mãe se acidentou? E estava à beira da morte? Eu nunca mais poderia vê-la? Meu coração apertou, e pensei no pior.

Ela poderia ser a megera que for, mas meus sentimentos frágeis ainda diziam que eu a amava. Luiza ainda era a mulher que me pariu, ainda era minha mãe e meu coração fugia da indiferença, não conseguia tratá-la com frieza, não ainda.

Levantei-me do sanitário e fui correndo de qualquer jeito, abri a porta bruscamente e cheguei até eles eufórica. Lutando contra a falta de ar que me consumia aos poucos, perguntei novamente:

—Como assim?

Senti um ar de sarcasmo vindo dela, mas ignorei.

—Viu como ela é esperta, querido? Exatamente como te falei, vai dar muito trabalho no futuro.

Aquilo me irritou profundamente, eu estava preocupada e visivelmente deveriam ter percebido que estava passando mal, não agüentava aquela ladainha de sempre dos dois. Quando não estava por perto, ou até mesmo quando estava, adoravam conversar sobre mim, me analisar, planejar o que posso ou não fazer, ou até mesmo dar opiniões de como serei no futuro.

Eles pensavam que não ouvia quando falavam de mim, mas na verdade, tudo que me interessava eu mantinha extrema atenção.

(Souza)—Como ouviu?

Ele parecia abismado e ao mesmo tempo parecia querer me distrair, me enrolar para que não soubesse mais do ocorrido. Tarde demais.

Minha vontade de responder “porque tenho ouvidos” era gigantesca, mas me contive por que não era de meu feitio ser mal educada, na verdade era mais falta de coragem do que bom senso de minha parte.

(Mônica)—Fala logo!

Só faltava ter que ajoelhar na frente dos dois, não, não queria ajoelhar novamente. Implorei fazendo cara de choro, mas não parecia ter comovido Maria, um pouco meu pai, talvez.

Realmente ela não se comoveu, sendo completamente irônica:

—Simples criança, sua mãe fez paft puft.

(Mônica)—O que?

Senti cada vez mais as lágrimas escorrerem pela minha face, que agora que estava passando pela puberdade se encontrava estampada com espinhas. Nunca me esqueci das primeiras espinhas, que apareciam somente uma ou duas e em dois dias sumiam... Doce ilusão.

Não consegui mais raciocinar direito, pensava que minha mãe já estava morta, que talvez aquela mulher tenha sido pelo menos uma vez mais branda e que tenha ocultado a parte da morte de Luiza.

Mas usei de todas as minhas forças para não desabar ali mesmo.

—Mais tarde tenho mais uma notícia, amor! Espero que ela não interfira dessa vez.

Maria pareceu fingir sussurrar para meu pai, mas sabia que queria que eu escutasse, e realmente seu plano deu certo, além de chorosa agora me encontrava curiosa. Seria mais uma tragédia?

(Souza)—Deixe disso.

Retrucou, mas ela apenas deu as costas e foi para o quarto, se trancando no mesmo. Que coisas diabólicas poderia fazer naquele cômodo? Só sabia que Maria mexia com coisas bravas, e eu não estava brincando.

A mulher de meu pai freqüentava centros satânicos havia algum tempo, e ele sempre a acompanhava para os dois encontrarem uma cigana que lê-se o futuro de ambos. Minha mãe também fazia aquilo, mas hoje meche com coisas bem piores.

Lembro-me de quando tinha me dado um colar, tão lindo. Nele estava pendurado um anjinho, e me lembro muito bem do que me disse quando me deu o colar: esse é teu anjo, estou te dando filha, pois quero que alguém te proteja, não estarei ao teu lado para fazer o trabalho dele.

Doce ilusão que me passava, nunca esteve ali, e o único ato de amor e carinho desses, acabou por me decepcionar. Aquele colar era consagrado, quantas e quantas vezes acabei passando mal com aquilo no pescoço... E em certo dia, fui à igreja, e o maldito simplesmente arrebentou, como uma verdadeira maldição.

Nunca senti tanta repulsa daquela mulher, como pôde me dar esperanças de que ao menos me amava, me dando um presente tão cheio de maldade? Colocando minha vida em risco? Aquilo era perigoso e muito letal, em uma pessoa com um espírito tão fraco quanto o meu, derrubaria na hora. Nunca soube por que não morri, estava em uma fase difícil de minha vida.

Quando fui perceber, meu pai já tinha sumido e eu estava parada, olhando para o nada. Não me importei.

Adorava ficar sozinha. Sempre preferi a solidão àqueles que nunca estiveram realmente comigo, que sempre me ignoraram e nunca tentaram entender minha dor, minhas lágrimas, meu sofrimento.

Ninguém reparava em mim, achavam que aquela minha natureza quieta e oprimida era apenas eu... Que não tinha problema algum comigo... Mas na verdade, tinha sim, e nem eu sabia o que era. Causava-me agonia aquela sensação de estar faltando algo dentro de mim.

Passei quase minha vida inteira indo dormir pensando em uma vida perfeita, sentindo um aperto enorme e agonizante na garganta, um peso no peito, no coração, uma ansiedade... Angustia que nunca teve um fim... Algo que não conseguia conter, não tinha o poder de fazer aquilo parar. Assim começou minhas noites de insônia, em que ia dormir perto das quatro horas da madrugada, isso quando ia dormir cedo.

Meu refúgio era me divertir no computador, amanhecer lá. Não podia fazer nada se aquela era a única saída para fugir do demônio que me atormentava, mas muitas vezes... Nem dessa maneira escapava-me de sufocar e sentir o coração disparado por medo.

Meu maior medo era de morrer sem nem ao menos ter experimentado a paz, e o amor verdadeiro.

Não conhecia o que era paz, sempre vivi angustiada com tudo, com receio de tudo, então, o que era paz?

Não sei o porquê, mas, do nada, Do Contra veio em minha mente.

Não podia ser.

Meu celular tocou, fazendo com que me surpreendesse. Mas me surpreendi mesmo foi com o nome na tela do aparelho: Dc!

Ninguém poderia ouvir o toque do celular, e muito menos minha conversa com ele. Tomei cuidado para que não escutassem, abafando o barulho pressionando o aparelho na minha blusa, e corri o mais rápido possível para fora. Assim podendo atendê-lo.

Não acreditei naquela coincidência, bem na hora que pensava nele, o mesmo me liga? Fiquei muito feliz. Meu coração batia descompassado. Com uma explosão de alegria, ouvi Dc do outro lado da linha:

—Meu amor!

Uma lágrima escorreu de meus olhos, nunca me senti tão feliz em minha vida. O que deu nele para me chamar assim? Nos últimos dias em que nos falávamos, ele apenas me chamava de Mô – que para mim, era a abreviação de meu nome -.

—Não vai falar comigo mocinha?

—Por que me chamou assim?

A pergunta saiu como algo automático, fiquei em choque quando ele me chamou daquele jeito, mas a felicidade estava transparecida em minha voz.

—Eu...

Do contra estava com vergonha, era tão fofo, que minha felicidade infinita dobrou. Meu sorriso era bobo e enorme, me sentia uma idiota por estar entregando meus sentimentos daquela maneira, mas quer saber? Pela primeira vez, foda-se a tristeza, eu iria me entregar àquele momento.

—Dc?

—Que foi?

Transparecia em sua voz estar um pouco sem graça com o que aconteceu, mas eu iria mudar aquilo já. Não acreditava no que iria dizer, mas tinha que libertar tudo aquilo que guardava em meu coração, chega de angustia, chega de repressão, o que sentia tinha que libertar, e iria começar naquele momento:

—Eu te amo.

Três palavras apenas, me fizeram libertar toda dor que senti por anos.

Continua...

Notas finais
Até o próximo ! :D kisses