Notas iniciais
Olá pessoal! Tudo bem com vocês? Sou o Rafael e realmente espero que vocês estejam gostando do andamento da fic. Ryan, Gut e eu temos trabalhado duro pra escrever cada capítulo, mas agora que as aulas começaram está um pouco mais difícil... Eu adoro esse capítulo - amor próprio é bom de vez em quando hehehe -, então, boa leitura /o/

(Visão de Rafael)

O embate contra Ryan havia realmente me empolgado. A impressão comum de que todos os treinadores possuem vantagem sobre força contra os coordenadores é algo absurdo. Ambos os tipos de caminhos têm suas vantagens e desvantagens, porém travar uma batalha e usar os artifícios de pular, esquivar e atacar com combinações trabalhadas nos dá uma certa vantagem quando comparado a uns simples comandos secos e, muitas vezes, sem estratégia.

As luzes da cidade de Jubilife estavam parcialmente acesas, visto que é quase noite. Aqueles brilhos dourados nos altos prédios e edifícios impediam a visualização das estrelas, mas apesar disso, é algo realmente bonito de se ver. Decidi, durante o percurso, que não iria procurar nenhum Pokémon nem treinar Piplup antes de chegar nesta enorme cidade. Sem meu mapa digital, eu com certeza me perderia nestas ruas estreitas e becos sem saídas, consequência de um grande aumento demográfico.

Lembro-me da batalha daquela garota, Gabrielle, que havia ganhado o Torneio de Jubilife. Fora algo simplesmente magnífico. Devido ao meu atraso, este seria um a menos dos quais eu participaria, ou seja, menos uma chance de ir para o Grande Festival. Apesar de que o fato deveria me desmotivar, estou super empolgado! Veja só: precisarei dar o meu máximo nos próximos, e é para isso que estou aqui. Ganhar não é tão importante — talvez tenha uma mentirinha por aí. Na verdade, eu odeio perder, mas estou ciente de que não vencerei o Grande Festival. Afinal, é minha primeira vez e há vários outros coordenadores treinando para isso desde que nasceram. Minha função, este ano, é atrasar os possíveis candidatos e chegar, pelo menos, na fase de batalhas.

A noite já havia chegado quando encontrei o hotel no qual fiz um cadastro ainda ontem para passar a noite. Não era luxuoso, porém não deixava a desejar. Acordo de uma boa noite se sono e, sem mais delongas, vou logo para o Centro Pokémon por precaução.

— Olá, Enfermeira Joy! — Cumprimento-a com um sorriso ameno.

— Bom dia... Rafael? — Ela pergunta, tentando lembrar meu nome e acertando em cheio.

— Isso mesmo — Falo — Vim aqui apenas para conferir a saúde do meu Piplup! Peguei-o ontem e nós batalhamos juntos, mas ele sofreu apenas um golpe e não achei necessário trazê-lo imediatamente...

Após um olhar repreendedor, a moça dos cabelos rosas leva a pokébola de Piplup e volta instantes depois, dizendo que estava tudo bem, porém eu deveria ter mais cuidado da próxima vez. Aceito a bronca e parto logo para a direção norte, onde a próxima cidade seria Floaroma. Deixo que meu Pokémon caminhe ao meu lado, sempre confiante. Creio que o ego do pequeno pinguim seja inabalável.

Em um ritmo sadio, chegamos à Rota 204 sem nenhum problema. A plaquinha reformada recentemente indicava o nome do local. A paisagem baseada no verde era rodeada por inúmeras e imensas árvores que faziam uma gostosa sombra. A brisa matinal — que deveria ser um tanto gélida — era abafada devido à proximidade com a cidade industrializada. Porém, apesar disso, a área quase que lembrava um pouco a minha cidade natal, Eterna. Dois lagos — um pequeno e um grande — embelezavam ainda mais a rota.

Alguns treinadores esperançosos por uma batalha convidavam outros novatos como eles para conseguir experiência, mas eu recusei todos os convites. Batalhar com treinadores não aumentariam minhas chances em um Torneio, até porque o estilo de luta de ambas as classes são completamente diferentes.

— Me ajude a procurar algum Pokémon para capturarmos, Piplup! — Digo contente para o meu amigo — Eu vou para a direita e você para a esquerda, tudo bem?

Após entrarmos em consenso, nos separamos e começamos a procurar entre as gramas altas, nas raízes ou galhos de árvores... Enfim, em todos os lugares possíveis. O primeiro que encontra alguma movimentação estranha na vegetação gramínea é Piplup e, imediatamente, vou em sua direção, esperançoso.

— Pi Piplup! — Ele balbucia, apontando.

No momento em que um Kricketot pula e fica completamente de pé, eu já estava preparado para uma batalha, mas hesito. Apesar de possuir alguns ataques efetivos para serem usados, imagino que ele ficará deslocado no meu time. Então, desisto. Viro as costas e espero ele se esconder na grama novamente para continuar minha intensa procura.

E é exatamente neste instante que vejo. No galho mais baixo da árvore mais próxima havia um pequeno grupo de três pássaros, muito conhecidos. Pidgey, Starly e Fletchling. Sem demoras, aponto a PokéDex para eles. "Pidgey é um Pokémon do tipo voador. Entre todos os Pokémon Voador, é o mais delicado e mais fácil de capturar. Um alvo perfeito para o Treinador Pokémon iniciante testar suas habilidades." Em seguida: "Starly, o Pokémon Estorninho. Starly normalmente viaja em um rebanho, mas quando sozinho, é difícil de perceber." E, por último: "Fletchling, o minúsculo Pokémon Robin. Embora o gorjeio de Fletchling seja muito bonito de ouvir, é implacavelmente duro com aqueles que entram no seu território".

Estes sim que seriam uma ótima aquisição para o meu time! Por mim, eu capturaria todos eles, porém não creio que isso seja algo sensato. Um era uma ótima quantia, mas qual?! Eles continuam brincando sobre aquele galho. O Starly subia por cima do Pidgey, que se irritava, voava e logo voltava. Eles pareciam realmente estar se divertindo, mas quando Fletchling me avista e bate suas asas, parando na frente de Piplup, sei que ele queria uma batalha, afinal, eu estou invadindo seu território. O olhar do selvagem era amedrontador, mesmo que ele fosse muito pequenino. Decido, então, que seria ele o capturado. Não se intimida facilmente, assim como eu.

— Já que somos os visitantes, vamos começar — Falo, empolgado — Piplup, dê o seu melhor Rosnar.

Logo após o meu comando, o tipo aquático se contorce um pouco, abrindo seu bico logo em seguida. O que sai não é nada menos do que uma onda sonora um tanto quanto irritante. Esta vibração chega aos ouvidos de Fletchling, fazendo com que o Pokémon selvagem perca um pouco de sua força por estar atordoado pelo barulho. Dando uma resposta à altura, Fletchling veio em nossa direção com uma Investida. Não consegui dar algum comando a tempo, mas Piplup foi mais ágil que eu. Desviando para a esquerda enquanto o voador ia ao seu encontro, Piplup conseguiu fugir do ataque, além de dar um Tapa no corpo do oponente, fazendo com que este fosse jogado longe.

Ao se recompor, irritado, o passarinho olha com fúria para mim. Estou amando-o cada vez mais, preciso capturá-lo! Novamente, antes que eu falasse algo, o esperto Fletchling age. Com um Ataque Rápido, nem mesmo Piplup foi capaz de desviar de tamanha agilidade. Voando em uma incrível velocidade, o tipo voador acerta o meu Pokémon bem na barriga, lançando-o para trás. De súbito imagino que ele tenha ficado fora de combate, mas então se levanta, orgulhoso e igualmente furioso. Ninguém o derrubaria assim e ficaria só por isso.

Em um incrível movimento, o pinguim começa a soltar um ar gelado de seu bico, que vai na direção de Fletchling. Confuso, visto que Piplup não deveria aprender este ataque chamado Vento Gelado, recorro à PokéDex. Após sua fala eletrônica sair, entendo o que aquilo é: um golpe por procriação, herdado de seu possível pai. Fico contente por possuir esta "sorte", mas vamos voltar logo para a batalha. A asa direita do pássaro ficou com alguns pedaços de gelo, o que causou-lhe um dano muito eficaz. Esperto, ele bate as asas na raiz de uma árvore e volta a sua normalidade, porém estava muito cansado.

Quando o Pokémon de cabeça alaranjada segue na direção de Piplup com o bico brilhando em uma coloração prateada, noto que ele estava usando o ataque Bicada. O tipo aquático, esperto, espera o voador chegar mais perto e, com meu grito de comando, ele começa a criar Bolhas, que interceptam o movimento de Fletchling, deixando-o fora de combate.

De forma ágil, ponho a mão na pequena pochete que carrego na cintura e de lá retiro uma pokébola comum. Ansioso, aperto o pequeno botão do meio e, com uma mira perfeita, atiro-a na direção do Pokémon desmaiado. Uma forte luz vermelha engole Fletchling e, em seguida, transfere-o para dentro da pokébola, que se fecha. O objeto começa a se mexer como se estivesse sentindo espasmos dentro de si mesma. Ele tentava se libertar, mas estava muito fraco. Quando, enfim, um barulho surdo é emitido pelo aparelho, sei que eu consegui o que queria.

— É isso aí, Piplup! — Comemoro, orgulhoso. Pego a Pokébola e a olho com uma sensação indescritível. Tudo começa aqui. O sol bate no objeto e é refletido na direção dos meus olhos, mas, neste momento, eu não me importo.

Continuo andando ainda mais confiante para o Torneio de Floaroma do que a instantes atrás e é neste momento que vejo. Ao longe, com um rebolado característico, avisto uma silhueta feminina caminhando na mesma direção que eu. O sol, novamente, me atrapalhou para identificá-la, mas quando a garota se vira para admirar a paisagem, minhas pernas travam, assim como o resto do meu corpo. Aquela era Gabrielle, a vencedora do Torneio de Jubilife.