200 quilos de amor
15 Verdades que machucam, feridas que não cicatrizam.
Notas iniciais
Bjs e boa leitura o/
-Isabella estou falando sério! Se você não atender esse telefone agora eu vou até ai te dar uns puxões de orelha! Eu sei que você está no apartamento eu liguei para o sindico e ele me confirmou que você não saiu... Então porque não quer me atender? Eu estou muito preocupada, atenda esse telefone ou vai se ver comigo!
Aquela já era a décima primeira ligação de Alice, ela devia mesmo estar muito brava comigo. Como eu podia atender o telefone e dizer que estava tudo bem quando na verdade não estava? Eu estava morrendo de vontade de correr para o colo da minha melhor amiga e chorar as minhas mágoas, mas não podia. Alice já tinha problemas demais para se preocupar e sinceramente eu também não estava a fim de ouvi-la me dando sermões e me dizendo para esquecer o Edward... Ah Edward... Como era possível ter o coração quebrado tantas vezes pela mesma pessoa? E como era possível continuar amando essa mesma pessoa com todo o desespero do mundo? Isso era horrivel era... Doentio.
Novamente o telefone começou a berrar, deixei tocar até cair na secretária eletronica.
-Bella – Não era Alice era Edward, sentei-me depressa no sofá para escutar melhor — O Phill organizou um evento de publicidade hoje na gravadora e você tem que comparecer. Será às 19:00 horas, não se atrase.
A ligação foi encerrada e mesmo assim continuei encarando o telefone esperando mais alguma coisa... Qualquer coisa que não fosse aquelas palavras frias e profissionais. Oh céus, por que Edward estava me tratando com tanta indiferença? Eu não queria acreditar que ele não passava de um canalha sem vergonha, mas suas atitudes só comprovavam isso.
Voltei a deitar no sofá e chorei até pegar no sono. Quando acordei o apartamento já estava todo escuro. Sentei-me depressa, liguei o abajur e olhei as horas no relógio que marcava 20:30 hs.
-Merda – Resmunguei correndo para o quarto. Já estava mais que atrasada.
Eu não tinha a mínima vontade de ir a festa alguma. Não queria ter que encarar Edward, mas eu havia lutado muito por aquela carreira e não podia jogá-la no lixo só porque levara um fora do amor da minha vida. Ser cantora era o sonho da minha vida, por isso eu ia pensar com a cabeça e não com o coração.
Tomei banho depressa e escolhi um vestinho roxo tomara que caia, um louboutin preto e prendi os cabelos num coque firme. Precisei fazer uma maquiagem bem pesada para esconder meu rosto inchado. Quando fiquei pronta tomei um analgésico para a dor de cabeça, criei coragem e fui para a gravadora.
Havia muitos carros estacionados em frente ao prédio e foi bastante dificil encontrar uma vaga. Quando finalmente consegui chegar de fato na festa já eram 21:30 hs. O salão da gravadora estava lotado de gente, uma musica alta soava nas caixas de som enquanto as pessoas dançavam no ritmo da batida, luzes de várias cores brilhavam no teto.
-E a nossa estrela chegou – Phill disse no microfone enquanto eu adentrava o salão. Uma luz forte me iluminou e as pessoas começaram a bater palmas.
No começo fiquei um pouco confusa, mas então passei a observar a ornamentação da festa e vi várias fotos minhas espalhadas pelo salão... Enquanto eu caminhava as pessoas iam me elogiando e parabenizando... Só então percebi que aquela festa era para mim, mas por que?
-Você se atrasou – Edward disse parando ao meu lado e colocando a mão na base da minha cintura enquanto andávamos. Senti meu corpo inteiro se acender ao seu toque.
-Desculpe – Respondi quase sem voz.
-Não tem problema as estrelas sempre se atrasam.
Edward estava lindo de morrer numa camisa social preta, terno cinza e sem gravata.
-Qual o motivo dessa festa? – Perguntei confusa.
-E você precisa de um motivo para ser festejada? – Ele riu – Você salvou nossa gravadora Anabella... Decidimos que havia passado da hora de comemorar.
Ele me virou para ele.
-Aproveite a festa, Bella – Ele disse me olhando nos olhos – Tenho certeza de que vai se divertir muito.
E então Edward saiu e me deixou sozinha... Por acaso ele era louco? Primeiro me levava para a cama, depois me dispensava com a maior frieza e agora me dava uma festa?
-Ah – Suspirei – Eu preciso beber...
Fui até o bar e pedi uma dose forte de martini. Quando o barman me entregou bebi tudo de uma vez só, sentindo o liquido queimar minha garganta.
-Te encontrei, finalmente ! – Alice resmungou sentando-se ao meu lado – O que aconteceu Ana? Estava fugindo de mim? Eu estava a ponto de invadir seu apartamento!
-Que exagero – Bufei e balancei a cabeça – Eu... Eu passei um bom tempo dormindo nem vi o telefone tocando!
-Dormiu por dois dias seguidos?
-Foi – Dei de ombros e pedi outra dose ao barman – O que tem demais?
-Você está mentindo – Ela disse estreitanto os olhos – Te conheço muito bem e sei que está mentindo, mas se não quer me contar tudo bem.
-Alice...
-Não vou te forçar a nada... Quando você quiser se abrir estarei aqui para te ouvir.
-Eu te amo, sabia?
Ela sorriu largamente.
-Também te amo! Mesmo você tendo se tornado uma super star metida a besta!
-Alice Brandon não acredito que disse isso!
Ela gargalhou.
-Vamos dançar? Estou numa energia danada!
-Não sei Alice... Estou desanimada...
-Ah qual é vamos lá!
-Tudo bem – Bebi meu martini e a acompanhei até a pista de dança.
Há muito tempo eu não me divertia daquele jeito. Alice era ótima em fazer as pessoas se esquecerem de seus problemas e comigo estava funcionando muito bem. Por um momento eu me desliguei do mundo e me concentrei apenas em curtir a dança com a minha melhor amiga.
Vez ou outra meu olhar se encontrava com o de Edward que estava sentado no bar me encarando o tempo todo. Depois da nossa noite de amor algo havia mudado dentro de mim... Antes como Isabella eu o amava apenas com um amor puro e singelo, mas depois de estar nos braços dele como Anabella eu passara a amá-lo com paixão e desejo... Meu corpo inteiro se acendia toda vez que eu o via me olhando de cima a baixo.
- Você e o Edward parecem a ponto de se atacar – Alice disse rindo – Se eu não conhecesse a história de vocês diria até que já transaram.
Eu a encarei e mordi o lábio. Droga, eu era péssima em esconder as coisas.
-O que? – Ela parou de dançar e arregalou os olhos – Não me diga que... Oh meu Deus! – Alice colocou a mão no peito – Você e ele... Ah sua danadinha! Vai ter que me contar tudo agora mesmo senão eu...
-Com licença – A voz enjoada de Tanya interrompeu o ataque de Alice.
Minha amiga olhou para ela com um ódio mortal.
-O que é? Estamos no meio de um papo super interessante! O que você quer?
-Falar com a Anabella.
-Você não cansa de tentar aparecer não? – Alice bufou – Você já era... Puft acabou, some das nossas vidas!
-Já disse que quero falar com a Anabella e não com... Seja lá quem você é!
-O que? Pois fique sabendo que eu sou a melhor amiga dela, ok?
-Bom pra você – Tanya riu e a olhou com desdém.
-O que quer falar comigo? – Entrei no meio antes que Alice partisse para cima dela.
Tanya riu sonoramente e fez um sinal para o DJ desligar o som. A música parou e todo mundo começou a prestar atenção nela.
-Primeiramente – Ela disse – Quero parabenizá-la por todo o seu sucesso.
-Obrigada – Respondi intrigada.
-E – Completou – Também quero dizer que eu lhe trouxe uma surpresa...
-Que surpresa?
-Eu trouxe uma pessoa que é um grande fã seu.
Então a multidão começou a abrir caminho para alguém passar. Tanya foi até a pessoa e a trouxe pela mão. Meu coração se acelerou, tive uma vertigem e quase desmaiei quando vi que era o meu pai.
-Trouxe isso para você – Ele disse me entregando uma das suas bonecas, eu só conseguia encará-lo perplexa.
Meus olhos se desviaram para onde Edward estava. Ele observava tudo com muita expectativa. Engoli em seco e voltei a encarar meu pai... De alguma forma Tanya havia descoberto que eu era Isabella e agora estava tentando arruinar a minha carreira... Eu não podia deixar aquilo acontecer... Não podia.
-O...O que o senhor está fazendo? – Perguntei tentando sorrir.
-Tome –Ele continuou estendendo a boneca – É para você...
-Eu...Eu...
-Tome! Tome! Tome – Ele gritava sacudindo meu braço.
-Me solta... Me solta! – Sem querer acabei empurrando-o e ele caiu no chão.
Imediatamente Edward veio correndo até onde estávamos. Levantou meu pai do chão e o segurou pelo colarinho da camisa, sacudindo-o.
-Não encoste nela seu louco, ouviu? Não encoste nela!
Eu queria mandá-lo parar... Queria proteger o meu pai... Mas, se eu fizesse isso era o fim da minha carreira, era o fim do meu sonho... Era o fim do dinheiro para pagar a clínica dele. Apertei as mãos em punhos e senti meu peito doendo... Eu não conseguia respirar direito.
-Levem-no – Edward disse aos seguranças.
-Não – Alice gritou – Pode deixar que eu cuido dele.
Ela correu até meu pai e o segurou pela mão levando-o embora dali. Meus olhos ardiam por causa das lágrimas, mas eu não permiti que caissem... Eu não podia chorar... Não podia. Edward caminhou até mim e me encarou sério.
-Você o conhece? Conhece aquele homem?
Fiquei em silêncio um bom tempo encarando-o. Edward esperava minha resposta numa expectativa palpável.
-Não – Respondi por fim desviando os olhos para o chão – Não conheço... Deve ser apenas um fã...
Edward deu uma risada nervosa.
-Olhe para mim – Ele disse erguendo meu rosto – Você me decepcionou...
E então saiu. A música voltou a tocar e as pessoas recomeçaram a dançar... Como assim eu o havia decepcionado? Por que? Será que... Não, não era possível...
Corri atrás de Edward e como imaginei o encontrei na sala de gravação. Aquele era seu local favorito de toda a gravadora. Quando entrei na sala ele não olhou para mim, permaneceu imóvel encarando o vidro à sua frente. Parei ao lado dele e fiquei em silêncio.
-Pensei que depois de tudo aquilo você já tinha ido embora – Ele disse impassivel – Você já tinha que estar em casa. Vamos viajar cedo amanhã para seu show no Texas.
Respirei fundo.
-Sabe... Eu... Eu conheço aquele senhor...
-Eu sei, ele é seu fã. Você mesma disse.
-Não... O que eu quero dizer é que... É que...
-Não precisa me dizer nada – Ele olhou para mim, dentro dos meus olhos – Eu já sei de tudo... Isabella.
Meu corpo inteiro estremeceu... Minhas suspeitas eram verdadeiras, ele já sabia de tudo...
-Do que me chamou?
-Não se preocupe – Ele disse voltando a encarar o vidro – Ninguém mais sabe. A Tanya me ajudou, mas apenas suspeita, ainda não sabe com certeza. Nem eu sabia até encontrar aquilo ali – Ele apontou uma pasta em cima da cadeira – Veja você mesma.
Relutante peguei a pasta e abri. Meu coração palpitou ao ver minha antiga partitura completamente rabiscada pelas minhas carinhas felizes e pelos simbolos de hakuna matata.
-Quando você descobriu? – Minha voz era quase um sussurro.
-E isso importa? – Ele me olhou e sorriu amargurado – Agora você é a Anabella. E a Anabella tem um grande show amanhã e já devia estar em casa.
O olhar que Edward dirigia a mim era carregado de tristeza e decepção...
-Por acaso... Por acaso você já sabia que ele era meu pai?
-Sim – Ele suspirou – Esta noite eu dei uma chance tanto a Isabella quanto a Anabella... Queria saber quem de fato você era, alias queria saber em quem havia se transformado– Ele balançou a cabeça – Agora eu já sei. Isabella nunca deixaria o pai ser maltratado e humilhado daquele jeito. Mas, foi até melhor assim... Afinal, quem tem um contrato é Anabella e não Isabella.
Aquilo me atingiu bem fundo no peito. Ele tinha até certa razão, mas não sabia o quanto aquilo havia me ferido. Meu pai era e sempre seria tudo na minha vida, mas eu precisava da minha carreira para cuidar dele. Sem o dinheiro absurdo que eles cobravam na clinica ele jamais teria o tratamento adequado. Comecei a tremer e chorar... Mais uma vez meu coração havia sido partido... Partido nada, daquela vez ele estava sendo fatiado.
-Oh – Suspirei – Então eu sou apenas um produto? Isabella era uma inútil, mas Anabella vale uma fortuna. É isso? Pois saiba que o fato de não ter sido sincera com você desde o inicio têm acabado comigo... Mas, agora vejo como fui tola – Limpei as lágrimas que caiam sem parar – Sei que isso não tem nada a ver, mas quero saber de uma coisa... Por que você ficou com o meu cachorro, Edward? Como refém? Você me ameaçaria a tê-lo de volta caso eu retornasse?
-Já basta...
-Agora que já sabe de tudo quero respostas! Por acaso ainda me acha repulsiva mesmo depois das plásticas?
-Eu já disse que basta! Pare com isso!
Eu chorava compulsivamente, mal conseguia articular as palavras.
-O fato é que você sempre me evitou! Sempre!
-Cuidado com o que você vai falar...
-Eu farei o seu show – Falei limpando mais uma vez as lágrimas – E farei muito bem, mas quero que se livre de tudo isso.
Comecei a arrancar todos os meus pôsters das paredes.
-Pare com isso – Ele gritou.
-Por que? Anabella é uma farsa – Continuei arrancando e rasgando tudo – É repulsiva!
-Pare! Por favor pare com isso!
-Não quero mais ser ela... Eu não aguento mais!
Comecei a derrubar também os meus CDS em cima da mesa.
-Pare com isso! Pare!
-Não aguento mais! Não aguento mais. Essa não sou eu – Falei encarando meu reflexo no vidro da estante – Não sou eu... Eu não sei mais quem sou eu... Não sei...
Minha fúria era tanta que num ato insano acabei socando o vidro rachando-o ao meio e abrindo um corte profundo na minha mão. Logo o sangue começou a pingar no chão. Meu corpo todo tremia e eu não parava de chorar.
-Ah meu Deus – Edward correu até mim e cobriu minha mão com um lenço que tirou do bolso.
-Estou bem – Falei encarando-o – Não está doendo. Esse corte nem se compara com o que senti na cirurgia... – Balancei a cabeça – Eles cortaram até os meus ossos... Então isso não é nada comparado ao que passei para ficar assim. Mas, apesar de tudo sabe o que dói mais? – Solucei – O meu coração... Nossa eu nem imaginava que um dia ele podia doer tanto assim...
-Eu...
-Isso é tão horrivel!
-Me diz porque – Ele perguntou num fio de voz – Por que foi embora e se submeteu a tudo isso?
-Porque eu te amo... Sempre amei e queria que você me amasse também.
-Mas eu amava!
-Não! Não do jeito que eu queria! Você me amava como sua amiga... Sua maldita amiga gorda e feia!
-Não fale assim!
-Então me diz se não é verdade! Me diz Edward se você só não me amava como amiga!
-Você nunca me disse nada... Como eu ia saber?
-Está de brincadeira? O que eu deveria ter dito?
-Eu jamais imaginei que você me amasse como homem... Sempre pensei que fosse apenas amor fraternal e construi nossa amizade em cima disso!
-Se eu tivesse dito teria sido diferente?
Ele ficou calado.
-Está vendo só? Você jamais me amaria naquele corpo horrivel!
-Para de falar isso! Eu sempre amei a Isa... Sempre! Ela era a pessoa mais especial do mundo para mim!
-E porque só comigo que você ficou? Hein? Foi pelo meu corpo?
-Você está me deixando confuso! Droga! – Ele me soltou e esfregou as têmporas – Parece que você a Isabella são duas pessoas diferentes!
-Nós somos! Ela é o meu passado... O passado horrivel e repulsivo!
-Não fale assim! Nunca mais diga isso! Eu morro de raiva toda vez que se refere a Isa desse jeito!
-Mas não deveria já que essas palavras são suas! Você mesmo disso isso a Tanya!
Ele me encarou perplexo.
-O que disse?
-Isso mesmo. Eu ouvi sua conversa com a Tanya na sua festa de aniversário do ano passado... Ouvi claramente o quanto você me desprezava!
-Aquilo... Então... Então foi por isso que você foi embora sem se despedir? Por isso que sumiu por todo aquele tempo?
-Eu só queria que você gostasse de mim e não tivesse nojo...
Edward segurou meu rosto entre as mãos, ele estava tremendo.
-Oh meu Deus... Você entendeu tudo errado... Eu juro que nada daquilo era verdade! Eu só disse aquilo para a Tanya te deixar em paz... Juro que nenhuma daquelas palavras eram verdadeiras.
-Eu já não acredito em mais nada...
-Por favor...
-Quero que me responda uma coisa, Edward...
-O que?
-A pessoa que você ama agora... É a Isabella ou a Anabella?
-Isso não faz sentindo... Vocês duas são uma só...
-Apenas responda! Antes de saber a verdade, você amava ou apenas gostava de qual das duas?
-Não faz isso...
-Vou facilitar – Respirei fundo e o olhei no fundo dos olhos – Você teria ido para a cama com a Isabella?
Ele suspirou e seu rosto assumiu uma expressão de derrota.
-Isa...
-Eu sabia – Me desvencilhei dele- Aquela gorda horrorosa jamais teria chance alguma com você...
-Por favor...
Caminhei depressa para a porta, mas antes de sair olhei bem para o amor da minha vida.
-Você partiu o meu coração, Edward. E não foi a primeira vez.
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