200 quilos de amor
12 Capitulo 11 - Contratempo
Notas iniciais
O passado é uma coisa que nos perseguirá para sempre, não importa onde formos quem nos tornemos as lembranças sempre estarão lá para nos lembrar de todos os momentos. Nunca pensei que me livrar de quem eu era fosse tão difícil . A verdade é que no fundo eu continuava tendo as mesmas inseguranças que tinha antes, a única diferença era que agora eu tinha mais coragem de enfrentar os meus medos.
Eu já não sabia ao certo quem eu realmente era. Estava me tornando uma estrela como sempre sonhei, tinha uma bom dinheiro e podia ficar perto de Edward sem me sentir mal por isso. Entretanto sentia que alguma coisa faltava, começando por meu pai. Acabei descobrindo que Tanya vivia no hospital perto dele na esperança que Isabella aparecesse para visitá-lo. Às vezes eu tinha que apenas observá-lo de longe percebendo que a cada dia que se passava ele estava com a saúde mais debilitada. Alice e eu quase não nos falamos mais depois da nossa briga, o que era estranho já que em anos de amizade nunca havíamos brigado daquela maneira. Acredito que tudo na vida tem seu lado positivo e negativo e por mais que eu tentasse não conseguiria mudar isso. Minha fama, meu sonho e meu amor por Edward tinham um preço e eu estava pagando por ele.
Certa vez fui procurar Célio, meu amigo místico do refugio das estrelas. Contei-lhe toda a historia, ele ouviu com atenção e censurou-me por minha mentira, mas no final suspirou aliviado por eu finalmente ter dado noticias e me aconselhou. Suas sábias palavras fixaram em minha mente “Para se tornar uma nova pessoa, deve esquecer quem você era. Seu passado, suas memórias, apague tudo”. E foi isso que eu fiz, juntei todas as minhas fotos antigas e queimei na lareira... Queimei todas as coisas intimas e pessoais que pertenceram a Isabella. O fogo levou embora todos os rastros do meu antigo eu e pra me adaptar de vez na minha nova vida e deixar para trás o meu doloroso passado me concentrei em minha carreira. Trabalhava dobrado, ensaiava quase vinte e quatro horas por dia. Ajudava os produtores, fazia shows e me focava em conquistar Edward. A cada dia que passava estávamos mais próximos, era como se não pudéssemos existir sem precisar um do outro.
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–Sou bonita até suada – Falei sorrindo olhando-me no espelho após fazer duas horas de step na academia do clube da gravadora.
Balancei a cabeça gargalhando de minha pretensão e enxuguei meu rosto, bebi um pouco de água e fui até o armário pegar minhas coisas para ir embora já era tarde da noite e não havia quase ninguém por lá, de repente dei um pulo ao ouvir um barulho, parecia alguém... Gritando?
–Looooooved! — Gritou a voz de novo, tão alto e desafinado que meus ouvidos doeram.
Imediatamente comecei a procurar de onde vinha aquela gritaria toda. Não era muito difícil seguir o som já que era alto o suficiente para ser ouvido do outro lado do quarteirão. Acabei encontrando a origem da voz na quadra de basquete do clube ao lado da academia e para minha surpresa quem estava tentando sem sucesso cantar a musica “She will be loved” do Maroon 5 aos berros era Tanya.
Escondi-me atrás de uma pilastra para observá-la. A loira aguada estava parada no centro da quadra com as mãos para trás e o peito estufado, provavelmente buscando ar.
–She will be looooved – Ela tentou novamente saindo ainda mais desafinada e sem ritmo. Tapei a boca para sufocar o riso. Resolvi que era hora de ir antes que eu ficasse surda, mas infelizmente acabei esbarrando em alguma coisa ali perto provocando um barulho ecoante.
–Merda! – Xinguei tentando sair de fininho.
–Quem está ai? – Ela gritou – É você Anabella?
Estaquei onde estava e me virei lentamente. Tanya estava com as mãos na cintura e batendo o pé no chão, não me olhava furiosa como pensei que estaria. Seus olhos estavam rasos d’água como se tivesse chorado por horas e sua expressão era de tristeza e desespero.
–Eu... Eu ouvi você cantando – Falei e ela franziu a testa.
–Veio rir da minha cara?
–Não eu só...
–Tudo bem – Ela suspirou, parecia cansada. Deu –me as costas e foi pegar a bolsa que estava numa cadeira ali perto.
–Praticar na sauna pode ajudar – Falei dando de ombros.
–O que disse? – Ela voltou a me encarar.
–Que praticar na sauna pode ajudar a melhorar a voz... Você realmente quer cantar?
–É claro! Não é o que as cantoras fazem?
Mas, você não é cantora sua vaca arrogante! Pensei, mas acabei falando outra coisa, eu estava tentando ajudar e ela esnobando? Então que se danasse.
–Não é isso... –Falei — É que sei la, você não pode se obrigar a fazer algo que não consegue. Só Deus é capaz de fazer qualquer coisa.
–O que? Como assim?
–É o que meu pai diz – Sorri – Deus é o único que pode fazer qualquer coisa! Nós humanos só fazemos o que somos capazes.
–Eu não pedi sua opinião – Ela respondeu e saiu pisando duro.
Dei de ombros e sorri, Tanya era mesmo uma ingrata. Fui para casa e tomei um banho relaxante, verifiquei minha secretária eletrônica na esperança de que Alice tivesse ligado ou deixado algum recado, mas não havia nada. Será que ela nunca ia me perdoar? Resolvi que estava com fome após meu estomago protestar uma dezena de vezes. Preparei uma salada com frango grelhado e jantei, sozinha e solitária para só então ir para a cama dormir.
Na manhã seguinte me levantei cedo para ir à gravadora, teríamos um grande show naquela noite e precisávamos ensaiar. Havia deixado meu carro novo na frente do prédio porque a garagem estava passando por reformas. Assim que atravessei a rua notei que havia algumas pessoas ao redor do meu carro, ta certo que um porsche boxster chama atenção, mas nem tanto. Me aproximei e por fim descobri o que causou tanta algazarra, alguém havia pichado o capô com spray vermelho em letras grandes a frase: Você é uma farsa!
Meu susto foi tamanho que precisei me apoiar no carro para não cair... Quem havia escrito aquilo? E porque dizia que eu era uma farsa? Será que haviam descoberto que eu era Isabella? Ah droga... Não podia ser... Tentei pensar em alguém, mas minha mente não cooperava...
–Moça – Alguém disse cutucando meu braço.
–Hã? – Respondi ainda entorpecida pelo susto.
–Seu telefone está tocando.
Era só o que faltava, eu perder também a audição. Vasculhei a bolsa atrás do celular que tocava irritantemente. Assim que o encontrei notei que o numero no visor era desconhecido, apertei a tecla enter.
–Alô?
Outro susto... Eu estava certa que enfartaria a qualquer instante. Imediatamente expulsei as pessoas de perto do carro e arranquei com tudo. Disquei o número de Edward rapidamente e depois de alguns toques ele atendeu.
–Onde se meteu? Está atrasada.
–Edward... Eu...Eu vou me atrasar ainda mais.
–Aconteceu alguma coisa? Você parece agitada.
–A... A...Alice.
–O que tem ela?
–Alice tentou se matar...
–O que?
–Acabaram de me ligar avisando. Estou indo para o hospital no centro agora.
–Bella você tem um show importante essa noite, precisa ensaiar!
–Minha amiga é mais importante que esse show, droga! – Engasguei com o choro.
Ele suspirou
–Desculpe... Eu sei que sim. Olha, vou dar um jeito de explicar sua ausência... Acha que consegue chegar a tempo do show?
–Sim.
–Ótimo. Me mande noticias de Alice.
Ele desligou, estava irritado e eu não o culpava. A cabeça de Edward rolaria se esse show desse errado, os patrocinadores o esfolariam vivo e mesmo assim ele me permitiu ir ver Alice.
Quando cheguei ao hospital, para minha surpresa Edward já estava lá.
–O que está fazendo aqui? – Perguntei confusa.
–Alice é funcionária da gravadora.
–Ah.
–E também – Ele completou – Eu fiquei preocupado com você. Parecia muito nervosa.
–Como chegou antes de mim?
–Evitei a rodovia.
Era óbvio, ele não pegou o mesmo trânsito infernal que eu.
–Vocês são parentes de Alice Brandon?
–Sou amiga e ele é nosso chefe, trabalhamos juntas. Como ela está?
–No momento o estado dela é estável.
–Posso vê-la? – Perguntei aflita.
–Claro. Acompanhem-me.
Nós o seguimos até o final de um largo corredor e quando entramos no quarto meu coração se apertou ao vê-la naquele estado. Ela estava desacordada, o rosto pálido, os lábios brancos, vários fios enfiados no braço... Era de cortar o coração. Sentei-me ao lado dela e segurei sua mão.
–Alice... O que você fez? – Sussurrei derramando algumas lágrimas.
–Quando ela chegou aqui estávamos muito preocupados – O médico disse – Não encontramos nada no estômago dela, tudo foi digerido. Trinta pílulas para dormir, se não a tivessem encontrado logo provavelmente teria sido fatal.
–Ela está em coma? – Edward perguntou.
–Não, ela está apenas dormindo. Essa mocinha teve muita sorte, poucas pessoas escapariam de uma overdose tão grande. Trinta pílulas daquelas pode matar até um elefante.
–A pessoa que a trouxe sabe o que a levou a tomar os remédios? – Edward voltou a perguntar.
–Quem a trouxe foi o carteiro. Ele estava entregando as cartas do vizinho no momento em que presenciou uma briga dela com um suposto namorado. Parece que a briga foi feia e ela mencionou alguma coisa sobre traição. O carteiro disse que ela entrou em casa chorando muito e ele ficou preocupado. Bateu na porta por alguns minutos e ela não respondia então resolveu ir terminar de entregar o resto das cartas da vizinhança. Voltou até a casa dela meia hora depois para ver se estava tudo bem e ela ainda não respondia e então ele resolveu entrar na casa e a encontrou caída no chão da sala.
O desgraçado do namorado dela! O crápula por quem ela brigou comigo... Aquele maldito safado era o culpado daquela tragédia. Alice amava demais aquele homem e descobrir que ele era um sem vergonha deve ter arrasado o coração dela. Mas, ele ia me pagar...!
Corri para o carro, Edward veio atrás de mim me mandando esperar, mas não pude. Dirigi feito louca até a casa de Alice, por sorte eu ainda tinha uma cópia da chave. Entrei e me deparei com a caixa de remédios jogada no meio da sala, meu estomago se revirou. Subi correndo para o quarto dela e vasculhei todos os cantos possíveis atrás do maldito cartão do imbecil do namorado dela.
–Bella o que está fazendo? – Edward disse ofegante encostado na soleira da porta. Não respondi, apenas continuei procurando.
Quando finalmente encontrei o endereço do crápula voltei correndo para o carro e dirigi até lá. Entrei no prédio verificando novamente o número do apartamento dele, fui para o elevador e apertei o botão do quinto andar. Estava ansiosa para encontrar aquele cretino e lhe dizer umas boas verdades, mas não foi preciso esperar muito, pois coincidentemente ele entrou no elevador em que eu estava.
O nojento ficou me olhando dos pés à cabeça com um sorrisinho idiota no rosto.
–Por que você terminou com ela? – Perguntei com raiva ele me olhou confuso.
–Do que está falando sua maluca?
–Alice! Por que fez isso com ela! Por que a traiu?
–Ah – Ele coçou a cabeça – Ela era muito gostosinha, mas eu já estava enjoado. Sabe como é...
–Você é um verme! – Gritei – Um desgraçado!
–Calma boneca... – Ele passou a mão no meu braço – Está muito nervosinha!
–Não toque em mim – Estapeei seu rosto.
–Sua louca!
–Desgraçado – Avancei para cima dele chutando batendo e gritando com todas as minhas forças – Ela tentou se matar por sua culpa... Desgraçado!
Ouvi um clique e as portas do elevador se abriram havíamos chegado ao térreo. Edward estava lá parado e nos olhou espantado, imediatamente entrou no elevador e apertou o botão para subirmos. As portas voltaram a se fechar.
–O que está havendo? – Ele se colocou entre mim e o cretino.
–Essa puta louca me atacou.
–Puta é a sua mãe – Gritei avançando para cima dele, mas Edward me segurou.
–Calma... Calma Bella!
–Me solta eu vou matar esse miserável!
–Segura essa vadia ou não respondo por mim... Você vai se arrepender sua idiota, vou ligar para a policia o que você fez é um crime... Tomara que seja presa e estuprada na cadeia sua puta ordinária de uma...
Edward o silenciou com um soco profundo na cara. O verme caiu no chão segurando o nariz que sangrava.
–Você está bem? – Edward perguntou me analisando – Ele não tocou em você?
–Não...
Edward ficou me encarando e então olhou para o homem com o nariz sangrando.
–Como vamos explicar isso a tempo de ir ao show? – Perguntou balançando a cabeça – Já sei.
Ele se abaixou e rasgou o forro da barra do meu vestido deixando-o super curto. Bagunçou meu cabelo e afastou uma das alças do meu vestido. Tirou um bocado de notas da carteira e jogou no homem.
–Chame a policia ou pegue esse dinheiro e fique de boca fechada. O asqueroso preferiu o dinheiro.
Então apertou o botão do térreo e logo descemos. As portas se abriram e havia uma multidão esperando pelo elevador, todos nos encaravam. Edward segurou meu braço e saímos.
–Não te falei – Ele disse alto sacudindo meu braço – Esse vestido curto é um convite para os estupradores! Viu o que aconteceu? E se eu não tivesse chegado a tempo?
Ele me arrastou e saímos do meio do povo. Provavelmente iriam querer massacrar aquele verme estirado no chão do elevador. Eu tinha de admitir, Edward era um gênio.
Logo em seguida corremos para o show. Tínhamos apenas vinte minutos para minha apresentação e assim que chegamos tínhamos apenas cinco e eu estava um desastre. Era um show beneficente com vários cantores e eu cantaria com o Maroon 5, nos bastidores estava uma correria danada.
–Tragam o vestido dela – Edward gritou para os figurinistas enquanto me arrastava por todos os cantos.
–Ai – Reclamei após tropeçar uma dezena de vezes.
–Onde diabos vocês se meteram a tarde toda? – Phill berrou para nós quando o encontramos, estava vermelho de tanta raiva.
–Tivemos um contratempo. Você soube de Alice? – Edward disse.
–Claro, mas o horário de visita terminou às três da tarde!
–Como eu disse tivemos um contratempo!
–E agora? O que vamos fazer? Tem um público enlouquecido lá fora e Anabella sequer passou o som com o Adam!
–Quanto tempo temos?
–Menos de dois minutos.
–Certo – Edward disse e respirou fundo então me arrastou até uma das penteadeiras e tentou dar um jeito no meu cabelo. Aquilo estava sendo engraçado.
–Não dê risada – Ele disse bravo – Tudo isso é culpa sua. Por que teve de ir atrás daquele sujeito?
–Alice é minha amiga...
–E eu sou seu chefe. Se quiser manter seu emprego aprenda a me obedecer!
Levar uma bronca de Edward seria péssimo se não fosse o fato de ele ficar tão sexy bravo.
–Vai dar tudo certo – Falei afagando seu ombro – Confie em mim.
–Eu confio... Não vai dar tempo de colocar outro vestido, no intervalo você troca.
–Mas, é muito curto... Você rasgou.
–Acredite... O público não irá reclamar.
–Veja quem está aqui – O produtor rival de Edward falou rindo com sarcasmo, ao seu lado a garota de cabelo rosa – Qual é o figurino dela?
Os dois riram e Edward fechou a cara.
–Não ligue para eles – Eu disse – Não vou decepcioná-lo.
–Todos adoram sua voz isso que importa – Ele segurou minha mão e voltou a me arrastar. Pegou o microfone das mãos de um dos assistentes e me entregou. Lá fora o apresentador anunciava Maroon 5 no palco seguido por uma série de aplausos e gritos.
–Chegou a hora – Edward disse acariciando meu rosto – Mostre a eles o que você sabe fazer. Você é incrível Bella, uma das melhores eu acredito no seu talento e confio que...
Não resisti e lhe dei um abraço, do mesmo jeito que Isabella o abraçaria. Ele era maravilhoso e eu o amava demais. Meu abraço de urso agora não o deixava sem fôlego, mas pelo menos consegui um sorriso de seus lábios.
–Certo – Ele separou-se de mim – Agora vá Bella.
–Sim – Sorri e fui para a escada que dava acesso ao palco.
–E agora – O apresentador falou – Vamos receber a nova revelação da musica pop, a princesinha dos palcos... Anabella!
O público gritou alto aplaudindo. Era chegado a hora de me apresentar... Olhei novamente para Edward que me fez um sinal positivo e jogou um beijo eu estava pronta, mais do que nunca. Era hora de brilhar no palco ao lado de Adam Levine.
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