200 quilos de amor
11 Capítulo 10- Coisas do coração
Notas iniciais
Fazia quase uma hora que eu estava parada no corredor do apartamento de Edward sem coragem de bater em sua porta. Que desculpa inventaria? Desde que ele me ligara dizendo que a reunião havia sido cancelada pensei em algum motivo para ir encontrar-me com ele assim mesmo, mas minha cabeça não conseguia projetar nada. Precisei reunir toda minha coragem – Afinal eu era Anabella agora – E fui até sua porta. Bati duas vezes torcendo para ele não estar em casa, droga eu continuava a mesma medrosa de sempre. É como o ditado diz: Pau que nasce torto morre torto.
–Bella? – Edward indagou me encarando assim que abriu a porta.
Me amaldiçoei por dentro ao ficar com aquela cara boba olhando para ele. Edward estava de roupão, enxugando os cabelos molhados com uma toalha. Eu esperava tudo, menos encontrá-lo recém saído do banho... Era simplesmente lindo.
–O-Oi – Falei gaguejando tentando inutilmente não parecer tão estúpida.
–O que faz aqui? – Ele sorriu simpático.
–Sobre o vídeo – Joguei o cabelo de lado fazendo um charme- Pensei muito no que me disse, achei que seria bom se o analisássemos direito.
–Hã? – Ele arqueou a sobrancelha... Tão lerdinho, mas não deixei de notar o jeito como me olhou de cima a baixo, certamente estava admirado – Claro, entre.
Ele abriu mais a porta me dando passagem. Sorri para ele e entrei confiante, enquanto ele voltava a fechá-la suspirei tentando não me arrepender de ter ido lá.
–Seu apartamento é muito bonito – Falei como se estivesse ali pela primeira vez, o que não era verdade.
–Obrigado. Mas, como conseguiu meu endereço?
Bingo.
–Ah... Eu... Eu...
–Tudo bem – Ele sorriu e balançou a cabeça – Isso não importa. Já que você está aqui pode me fazer companhia no jantar. Pedi comida chinesa você gosta?
–Adoro – Falei empolgada. Eu não comia comida chinesa há tempos.
–Engraçado – Ele deu um risinho – Só conheci uma pessoa que ficava tão animada com esse tipo de comida.
–Sério? – Sorri amarelo, droga eu precisava me controlar.
–É – Ele voltou a enxugar os cabelos – Bom, vou colocar uma roupa e já volto ok?
–Está bem.
Edward foi para o quarto e assim que sumiu de vista me dei um tapa na testa. Como eu podia ser tão descuidada? Suspirei e comecei a olhar seu apartamento. Tudo ali tinha a cara dele, desde os eletrônicos até os móveis. Por um minuto imaginei como seria morar ali com ele, dividir cada espaçinho daquele lugar... Era um sonho, meu sonho. Sentei-me no sofá que era tão macio quanto uma manteiga e inspirei, o cheiro dele estava impregnado por toda parte. Eu já estava com medo de mim mesma, amava tanto aquele homem que mais parecia uma obsessão.
–Eu soube que você está morando no apartamento da Isa – Edward disse vindo para a sala, havia vestido uma calça jeans escura e uma camisa pólo branca, os cabelos molhados bagunçados... Era demais para minha sanidade.
–Pois é – Respondi desviando os olhos – Alice alugou para mim.
–Sabe se ela tem noticias de Isabella?
–Que eu saiba não.
–Ah – Ele foi até a estante e pegou o notebook, sentou-se ao meu lado.
Estávamos perto demais. Eu podia sentir o braço desnudo dele encostando no meu, parece tolice, mas uma enorme descarga elétrica se desencadeou por meu corpo. Ele exalava um aroma gostoso de sabonete e xampu, senti uma vontade louca de cheirar o pescoço dele. Assim que o computador ligou desviei meus olhos para a tela. Precisava manter a calma, se bem que... Talvez fosse hora de finalmente tentar seduzi-lo. Aproximei-me mais de Edward, nossas peles entraram em atrito. Joguei o cabelo de lado deixando meu pescoço à mostra, afim de que meu perfume invadisse seu campo de respiração. Ele pigarreou e começou a vasculhar as pastas do computador.
–Não encontro o vídeo – Ele falou.
–Tudo bem – Falei quase sussurrando em seu ouvido, ele fechou os olhos e suspirou.
–A comida está demorando, não é? – Ele sorriu e olhou para mim.
De repente não precisei, nem consegui fazer mais nada. Aqueles pares de olhos imensamente verdes me prenderam em sua imensidão. Edward também ficou estático. Aos poucos senti nossos rostos se aproximando um do outro, eu podia até sentir seu hálito quente com cheiro de menta em meu nariz. Mas, então alguém tocou a campainha fazendo-nos nos afastar com um pulo. Ele fechou o notebook e se levantou com pressa. Me afundei no sofá sentindo meu corpo pegar fogo, nosso quase beijo me deixou totalmente sem ar.
–Nosso jantar – Ele me mostrou as embalagens.
–Ótimo – Sorri, mas porque a maldita comida não demorou um pouco mais?
[...]
A comida estava divina. Edward pedira meus pratos favoritos: Yakissoba, frango xadrez, tempurá de legumes e um bom vinho tinto de acompanhamento. Não era a primeira vez que jantávamos juntos, mas era a primeira vez que o jantar parecia algo além de uma simples refeição entre amigos. A cada intervalo trocávamos olhares discretos e meios sorrisos. Eu fazia de tudo para parecer charmosa e graciosa enquanto Edward nem precisava se esforçar. Eu precisava começar algum assunto que me levaria a revelar a ele toda a verdade, seria difícil mas eu precisava contar.
–Então – Falei e bebi um gole de vinho – Eu estava conversando com Alice sobre mulheres americanas que fazem cirurgia plástica. O que você acha sobre isso?
Edward apenas sorriu. Franzi a testa tentando entender o motivo, mas então outra coisa chamou minha atenção. Algo que me paralisou completamente. Assim que olhei para a porta vi Pingo parado ali me olhando... O que meu cachorro estava fazendo na casa de Edward? Alice havia me dito que não tinha tempo para cuidar dele e por isso havia lhe dado para adoção. Meus olhos se encheram de lágrimas. Como eu estava com saudades do meu amiguinho. Tentei disfarçar meu nervosismo, eu ia contar tudo a Edward, mas não podia ser assim de qualquer jeito.
Mas não adiantou desviar os olhos. Pingo correu até mim e pulou no meu colo. Edward o olhou curioso e espantado ao mesmo tempo. Eu também estava confusa, como ele podia me reconhecer? Isso era possível?
–Parece que ele gostou de você.
–É – Falei assustada e emocionada. Pingo começou a lamber meu rosto com sua língua quente.
–Pingo, quieto. Deixe a moça em paz... Pingo! – O telefone de Edward tocou. Ele olhou para o cachorro em meu colo e para o telefone tentando decidir para qual dos dois dava atenção.
–Pode atender – Falei gargalhando com as cócegas que sentia das lambidas de pingo.
–Já volto.
Ele se levantou e foi atender a ligação.
–Amorzinho – Segurei seu rostinho peludo com carinho – Como veio parar aqui hein? Sinto muito ter abandonado você – Abracei-o chorando – Me desculpe...
De repente Edward apareceu na minha frente. Ele falava sorrindo com a pessoa no telefone, mas o sorriso se desfez assim que me viu naquela cena embaraçosa. Disfarçadamente coloquei pingo de volta no chão e limpei as lágrimas.
–Falo com você depois – Edward desligou o telefone e me olhou confuso – Algum problema? Ele machucou você?
–Não – Limpei as lágrimas e sorri – Ele me fez chorar de tanto rir... A língua dele faz cócegas.
–Ah – Ele coçou a cabeça e então voltou a se sentar.
–Você dá peixe cru pra ele? Ele gosta.
–Como sabe disso? – Ele sorriu colocando um pedaço de frango na boca. Droga!
–Eu li numa revista que cães dessa raça gostam de peixe.
–É? Eu não sabia. Mas, voltando ao assunto da cirurgia plástica – Ele mudou de assunto me deixando aliviada – Você mesma disse que não concorda. Acho que tenho a mesma opinião.
–Estive pensando nisso... Acho que mudei de ideia. Tentar ficar bonita não deve ser uma coisa ruim não é? Fazer cirurgia plástica é o mesmo que usar um cosmético, atualmente é bem comum e natural.
–Então porque ninguém gosta de dizer que fez cirurgia plástica? Sempre inventam desculpas. Mas, você não percebe? Por isso que vai fazer tanto sucesso no ramo musical, além de ter uma voz incrível é toda natural. As pessoas gostam disso.
Estava comprovado que eu era uma covarde. Me dei conta disso no momento que estava no banco carona de Edward olhando a paisagem que passava por nós sem dizer uma única palavra. Nosso jantar terminou com ele falando sobre os negócios e eu sem a menor disposição de revelar meu segredo. Ele não permitiu que eu pedisse um taxi e fez questão de me levar em casa. Já estávamos a um bom tempo calados quando finalmente ele quebrou o silencio.
–Sobre a história da cirurgia plástica... Estava aqui pensando sobre isso.
–E qual sua conclusão?
–Acho que entendo... As mulheres são muito vaidosas e não tem nada demais em querer melhorar um pouco.
Sorri satisfeita era o momento ideal para a revelação...
–Mas – Ele falou antes de mim – Não ia gostar de algo assim em minha garota.
É claro que não ele não ia aceitar. Não sei por que ainda não tinha tomado consciência de que ele jamais perdoaria o fato de eu ter mentido e escondido minha verdadeira identidade por todo esse tempo.
–Chegamos – Ele disse sorrindo.
–Obrigada – Respondi sem muito animo.
–Nos vemos na gravadora amanhã.
–Claro, claro – Assenti e sai do carro.
Fui caminhando até a entrada do prédio. Ele acenou para mim dando-me um “tchau” que retribui desanimada, mas então uma expressão séria ocupou o sorriso em seu rosto e ele saiu lá de dentro vindo na minha direção. Milhões de coisas se passaram pela minha cabeça naquele momento, talvez ele tivesse enxergado o que eu realmente esperava daquela noite, talvez tivesse percebido que estava mesmo apaixonado por mim. Esperei que ele chegasse mais perto com o coração acelerado, mas então... Edward passou direto indo para um beco ali próximo. Fui atrás dele um tanto decepcionada e o vi agarrando um garoto pela gola da camiseta.
–Qual o problema? – Perguntei não entendendo nada daquilo.
–Ele estava te filmando – Edward mostrou-me a câmera que tinha tomado dele – Quem te mandou filmar isso garoto?
O garoto ficou calado.
–Edward... – Tentei acalmá-lo, pois já estava ficando nervoso.
–Ninguém mandou – O garoto disse por fim – É que eu gosto muito dela.
–Espere – Observei bem o rosto sorridente do menino – Você é aquele moço que caiu da moto aquele dia não é?
–Sim – Ele assentiu – Sou eu.
–Solte-o Edward.
–Tem certeza? – Ele olhou para mim e depois para o menino.
–Sim.
–Não tente nenhuma gracinha – Ele soltou o rapaz que suspirou aliviado.
–Você se lembrou de mim – O garoto disse contente e tentou me abraçar, mas Edward o impediu empurrando-o de encontro à parede.
–Edward... – Olhei-o assustada.
–Se publicar isso aqui será violação de privacidade entendeu garoto?
–Eu me apaixonei por ela desde o dia em que a vi, eu não sabia que ela era famosa... Depois que ela lançou o Cd com aquelas músicas eu gostei mais ainda. Eu juro que não ia publicar nada...
–Se gosta tanto dela não pensou que poderia incomodá-la seguindo-a esgueirando-se pelos cantos? Anabella poderia ficar assustada! Documentar a vida privada dela é um crime, eu devia te levar para a delegacia!
–Não, por favor! Eu estava filmando para mim mesmo... Eu juro!
–Mentiroso – Edward o empurrou novamente – Isso aqui é coisa de maníaco... Não tem vergonha na cara?
–Chega Edward – O empurrei para longe do garoto que já estava assustado.
–O que está fazendo? – Ele questionou.
–Não seja tão duro com o pobrezinho! Ele só... Ele só gosta do meu trabalho e estava fazendo uma coisa ingênua, não pode bater nele por causa disso!
–Filmando você?
–O que tem demais? – Senti o choro preso em minha garganta – Qual o problema em uma pessoa que só pode amar de longe? Você tem ideia de como é não poder se declarar para a pessoa que você ama?
–Como você sabe que eu me sinto assim? – O garoto perguntou tirando-me do transe. Só então percebi que estava chorando.
–Você já disse o que precisava dizer não é? – Falei limpando as lágrimas e tentando sorrir para ele.
–S-Sim.
–Então acho que deveria ir embora.
Tanto ele quanto Edward estava com cara de bobos, ambos sem entender aquela minha reação, mas é que de repente Isabella tomou conta das minhas emoções e não pude evitar de me sentir tão triste quanto aquele garoto, pois eu sabia melhor que ninguém o que era amar alguém impossível para mim.
–Pode ir garoto – Edward falou por fim – Mas a câmera fica comigo.
–Tudo bem...
–Como você se chama?
–Seth... – Ele disse timidamente.
–Você quer ir assistir meu show em um camarote na semana que vem Seth?
–Claro, eu gostaria muito.
–Espere um momento – Vasculhei minha bolsa até encontrar uma caneta e um bloco de notas, destaquei uma folha e entreguei a ele junto com a caneta – Anote seu endereço para eu mandar os ingressos. Pode levar um acompanhante.
–Sério? – Ele sorriu largamente.
–Sim, anote ai.
–Está bem.
Rapidamente ele anotou o endereço e me entregou. Guardei dentro da bolsa e dei-lhe um beijo na bochecha. Ele se despediu com um tímido aceno e saiu com pressa temendo o olhar feroz de Edward.
–Você confia demais nas pessoas Bella – Edward disse enquanto caminhávamos de volta para o meu prédio.
–B-Bella?
–Desculpe –Ele sorriu e bagunçou uns fios do cabelo – Eu tenho mania de apelidar as pessoas.
–Tudo bem... Eu gostei.
–Ótimo, então a partir de agora você será Bella e devo acrescentar que o apelido combina perfeitamente.
–Chegamos – Falei suspirando assim que chegamos à portaria.
–Acho que você devia mudar de endereço. Em breve os paparazzi não te deixarão em paz. Esse prédio não vai te proteger das câmeras, você já tem bastante dinheiro, não sei por que insiste em ficar com o apartamento da Isa.
–Eu gosto... É confortável.
–Imagino – Ele suspirou – Aposto que ela deixou toda sua doçura e alegria impregnadas em todas as paredes.
–Você gostava muito dela?
–Sim... Ela era minha melhor amiga.
–Ah – Suspirei desanimada – Amiga.
–Eu já vou indo – Ele girou as chaves nos dedos.
Lembrei do que vi num filme uma vez. Disseram que quando a outra pessoa diz que vai embora e gira as chaves nos dedos quer dizer que não quer ir realmente.
–Obrigada por essa noite – Falei aproximando-me dele – O jantar estava incrível.
–Por nada – Ele sorriu de canto de um jeito extremamente sexy – Foi ótimo ter sua companhia.
–Devíamos fazer isso mais vezes – Edward já estava preso em meu olhar.
–É... Devíamos... Mas – Ele quebrou nosso contato – Eu realmente preciso ir agora.
–Tudo bem.
–Mas, antes me diga uma coisa.
–O que?
–Por que se comoveu tanto com aquele garoto?
–Ah – Droga – Aquilo... Bem, eu sou muito sensível. Até hoje eu choro quando assisto Titanic... Não suporto amores impossíveis.
–Entendi – Ele sorriu e então me deu um beijo na testa – Vejo você amanhã.
–Sim...
Edward foi para o carro e eu permaneci ali parada olhando para ele. Cada dia que se passava aquela mentira se tornava mais difícil de ser mantida e o pior é que eu o conhecia bem demais para saber que algo daquele tipo o deixaria com muita raiva... Mas, eu sentia que Edward estava muito próximo da verdade e aquilo me deixava com muito medo...
Notas finais
Ps: quem ainda nao me adicionou no facebook add lá para que eu possa mantê-las informadas sobre atualizações e etc...
Lily.6505@hotmail.com... Bjs
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