2 Winchesters, 1 Anjo E 3 Poderosas - Re-Escrita
1 O Encontro.
Notas iniciais
Por Sam Winchester:
– Dean, acho que encontrei um trabalho.
– É? Onde? – Perguntou Dean parecendo não estar dando à mínima. Na verdade não estava.
– Ohio.
– E o que tem de tão sobrenatural lá?
– Parece que uma cidade foi atacada por algum tipo de coisa. A cidade está abandonada. Parece que os únicos sobreviventes foram embora.
– Isso quer dizer que não tem ninguém lá? – Rebateu meu irmão, agora mais interessado.
– Qual parte do “abandonada” você não entendeu? – Retruquei impaciente.
– Credo, Sammy. Só fiz uma pergunta.
Pronto. Agora ele ficaria ranzinza comigo pelo resto da noite. Era incrível como sua impaciência ultimamente estava 0%. Depois que ele terminou com Lisa, tudo virou um maldito inferno, e sinceramente, eu já não o estava mais aguentando.
Para não deixa-lo mais puto comigo, eu resolvi voltar minha atenção para o jornal e continuei lendo a manchete em primeira página.
– Qual o nome da cidade? – Questionou erguendo-se da cama e indo rumo ao banheiro.
– SpringCity*. Não é uma cidade muito grande. São apenas 20 mil habitantes, ou melhor, eram 20 mil habitantes.
– OK, vamos investigar. – E isso foi o ponto final de tudo. Nem mais um pio de sua parte e nem da minha.
*Springcity é um nome fictício.
...
Por Dean Winchester:
Você já se sentiu esgotado para tudo? Tão cansado que você mal pode mover um maldito dedo? Era assim que eu estava me sentindo ultimamente. Caçar estava no meu sangue, e como meu pai sempre dizia, era o negócio da família, porém, pela primeira vez em quase 30 anos, eu queria parar somente um pouco. E eu até parei quando estive com Lisa. Nós ficamos exatamente um mês e cinco dias juntos e isso foi o bastante para que eu realmente começasse a pensar na ideia de ter uma família. Entretanto, tudo fora uma mera ilusão. Não deu certo, e cá estava eu de volta à minha rotina habitual de busca ao Gasparzinho.
Paciência era uma palavra que eu tinha excluído do meu dicionário, e a única coisa que eu queria, era ficar na minha. Sam até que tentava respeitar meu espaço, mas as vezes ele era um belo de um pé no saco. Eu tinha razões para está estressado, ele não. Ele resolveu assumir o papel de irmão gozador, e não perdia uma oportunidade em me zoar, o problema era que eu estava quase lhe cortando fora a cabeça. Seu lado humorado não estava me fazendo bem.
No momento, estávamos seguindo para a tal cidade que fora evacuada. Embora impaciente, eu também estava curioso. O que diabos teria acontecido ali para que todos correm para longe? Seria mesmo algo sobrenatural ou apenas besteira? Era bom que fosse importante porque ultimamente eu não estou a fim de ficar perdendo tempo, enquanto pessoas por aí realmente precisam de nossa ajuda.
– Dean, você acha que há sobreviventes lá? – Sam despertou-me, e eu levei minha atenção para ele.
– Não sei, Sammy. Talvez sim, talvez não.
– Quando tempo para chegarmos lá?
– Duas horas. Iremos chegar à noite.
– O que você acha que é, Dean?
Perguntas. Malditas perguntas. Porque Sam não podia somente calar a boca e esperar até chegarmos lá para descobrirmos?!
– Não sei, Sammy. Quando chegarmos vamos descobrir. Eu não sou vidente e muito menos adivinho pra te dá qualquer posição. Agora para de ficar fazendo perguntas.
Sam me olhou com as sobrancelhas erguidas, e eu acho que ele estava pronto para falar alguma coisa, porém ele rapidamente virou para o lado. Na verdade, de alguma forma ele parecia magoado. Eu não podia culpa-lo por estar tentando me animar, ou me fazer mais comunicativo, assim como não podia culpar-me por está apenas querendo um tempo para mim.
...
Pela autora:
Ao chegarem em Springcity não encontraram absolutamente ninguém. A cidade estava completamente vazia e a chance de haver alguém vivo ou humano era praticamente zero. Como Sam havia lido, o governo federal estaria mandando a cidade para quarentena, e até a removeriam do mapa para que ninguém mais a visitasse.
Apesar do estranho e silencioso vazio, os irmãos Winchesters notaram outra coisa ádvena. O mal cheiro. Era terrível e forte. Sam chutará ser corpos em putrefação.
Atentos a tudo, estacionaram o Chevy Impala 67 em frente a um posto de gasolina e desceram para varrer a área em busca de vestígios do que levou àquela cidade a ficar daquele jeito. Tudo estava indo relativamente bem até os dois ouvirem gritos aflitos e desesperados. Com a guarda elevada, os homens correram em direção aos sons apavorados.
Por Sam Winchester:
Corremos por uma rua e entramos num beco, de acordo com os gritos que cada vez mais ficavam altos e claros. Ao dobrarmos a pequena ruela, avistamos de longe uma situação peculiar. Haviam três meninas e em frente a elas, dois homens. Duas delas estavam encolhidas e abraçadas contra um muro, enquanto a outra estava em suas frentes, encarando os homens. Como não sabíamos o que eles eram, apenas resolvemos espreitar para depois agirmos.
– Cara, nós tiramos a sorte grande hoje à noite. Quando pensamos que não haveria mais nada nessa porra de cidade, olha só o que encontramos. Três moças suculentas prontas para serem saboreadas. – Começou o mais alto dos caras. Ele parecia se diverti com o pavor das pobres jovens abraçadas. – Sabe, meninas. Eu e o meu parceiro adoramos brincar com a comida. Vem cá, vem. Prometo que vou ser bonzinho e que quando eu mordê-la, farei você implorar por mais.
– Tá a fim de provar, docinho? Pode vir.
Cara, eu esperava tudo, menos que a garota que os estava encarando fosse os provocar a ataca-la. Ela era doida por acaso? Que tipo de pessoa se entrega assim, sem medo ou algo do tipo? A jovem era alta e ruiva e em momento algum pareceu se sentir coagida pela ameaça dos caras. Que louca! Mas enfim...
Dean me cutucou no braço fazendo um movimento com a cabeça. Era hora da ação. Nos espreitamos entre um lixeiro, e apontamos as armas para frente. O vento estava a nosso favor, então os caras não nos sentiram. Essa era a nossa deixa.
– Hey. — Gritei.
Quando os homens nos olharam, dentes afiados tais quais os dos tubarões cresceram em suas bocas, mas como não esperavam por nós, foram pegos de surpresa, e o mais estranho é que eles não tiveram ação e foram baleados por nós. Não eram balas de madeiras próprias para machuca-los, mas as balas convencionais nos dariam algum tempo para nos movermos. Eu fui em direção a um e Dean tomou o rumo do outro. Meu irmão foi rápido ao passar no pescoço de um deles sua pequena faca, onde ele conseguiu lhe degolar. Com força, eu segurei o outro e lhe dei uma gravata, mantendo-o imobilizado. Ao terminar o trabalho com o outro verme sanguessuga, Dean veio até nós e eu ofereci o pescoço do vampiro para que meu irmão o perfurasse e assim foi feito, resultando na morte dos dois seres.
As garotas estavam assustadas, mas eu não conseguia desviar meu olhar da ruiva, a que estava os enfrentando. Apesar de estar espantada com o que tinha visto, ela não se moveu ou gritou. Ela permaneceu lá, olhando-nos firme e forte. E sobre seu olhar cinza, uma dose fortíssima de ódio se fazia presente. Dean correu em direção as duas que estavam encolhidas e as ajudou a levantar, eu me mantive hipnotizado olhando para a outra jovem. O susto sumiu de seu rosto e ela apenas parecia cansada e furiosa.
– Tudo bem com vocês? — Dean questionou. Eu olhei para elas.
As duas que estavam próximas ao muro assentiram, tentando conter o choro e o soluço que vez ou outra escapava. Uma era loira, e seus cabelos brilhavam feito ouro, e a outra... Santo Deus! A outra era linda. Tinha cabelos tão negros quanto a noite. Seus pequenos olhos azuis estavam assustados e tensos. Eu só queria expulsar aquilo tudo para fora dela.
– Eu sou Sam, e esse é meu irmão, Dean. – Apresentei-nos.
A morena engoliu o choro e me olhou.
– Eu sou a Kate. Essa aqui... – Apontou para a outra moça a quem estava abraçada. – É a Melanie, e ela... – Apontou para a ruiva. – É a Sammy.
Por Dean Winchester:
– Está tudo bem com vocês mesmo? – Perguntei. Eu queria ter certeza, afinal elas tinham acabado de terem sofrido uma tentativa de, sei lá, abuso, e então elas também viram duas cabeças serem arrancadas fora. Isso não é normal para ninguém.
A loira, acho que a Melanie, se soltou dos braços da outra e me encarou. Ela tinha belos olhos azuis, pena que a feição entristecida a deixava tão para baixo.
– Bem, bem não estamos. Mas obrigada por nos salvar. Se não fosse vocês teríamos morrido. — Declarou ela. Eu senti uma ponta de orgulho por fazer aquele trabalho.
– É o nosso trabalho salvar pessoas. – Respondi. Ela tentou sorrir, mas não deu muito certo.
Eu e meu irmão olhamos para a outra que havia se afastado e agora estava um pouco distante de nós.
– Hey, tudo bem? – Perguntei a ela. O que recebi em troca foi apenas vácuo. – Menina, falei com você. Não ouviu? – Perguntei de novo. Ela então se virou e seu rosto revestia uma máscara de fúria e ódio, e isso foi o bastante para eu me calar. Ela porém, deu de ombros e afastou-se ainda mais.
– O que aconteceu com ela? – Sam perguntou às garotas.
– Ela só está... – Melanie tentou segurar o choro, mas não conseguiu e desabou em lágrimas. Eu queria abraçá-la e confortá-la, e eu estava determinado a fazer isso, porém no momento em que eu ia dar um passo em sua direção, ela se recompôs e suspirou, guardando o choro: – Essas coisas mataram meu... Meu irmão. – Ao piscar, novas lágrimas desceram, mas ela se manteve firme. – E a Sammy era namorada dele. Na verdade, eles iam matá-la, mas... – Olhou para cima, como se aquilo fosse fazer seu choro parar. – Mas o Ryan se meteu na frente e eles o mataram na frente dela. Então ela ficou assim.
– Ah. Então foi por isso que ela tava gritando com aqueles caras. Ela queria que eles a matassem, né? – Sam questionou.
– Aham. Ela meio que tá tentando se matar. – Disse Kate. – Ela não tá dando importância à vida.
– Mas o que fazem aqui? – Eu questionei. Realmente era bem estranho elas estarem uma cidade abandonada.
– Bom, a gente ia fugir da cidade, íamos no carro da Sammy, mas quando chegamos próximos ao posto fomos atacadas por eles. Corremos para cá. Eu e a Melanie nos encolhemos aqui enquanto a Sammy encarava os caras. – Respondeu-me Kate.
– Ela não tava com medo? — Indaguei mais uma vez, apontando para a ruiva, que estava de costa para gente.
– Desde que o Ryan morreu, ela não expressa nenhum tipo de sentimento. Ela não sorri, não chora. Ela fala pouco... Ela sempre tá irritada. Já até pegamos ela querendo cortar o pulso. – Contou-nos Melanie.
– É verdade. Eu pulei em cima dela e tirei a faca, senão ela já teria se matado. – Disse Kate concordando com a irmã.
– Eu acho melhor sairmos daqui. – Sam propôs.
– É, também acho. – Concordei.
– Mas vamos para onde? – Melanie perguntou.
– Temos que ir para uma casa que esteja abandonada. – Eu disse.
– Vamos para a minha casa. – Kate confirmou e olhou para Sam que ao ser flagrado olhando-a também, corou e desviou o olhar.
Mas o que diabos estava acontecendo ali? Ali não era lugar e nem hora para se flertar.
– Ok, vamos logo antes que fique mais tarde. – Chamei. Eles assentiram.
– Ok, deixa eu só ir chamar a Sammy. – Melanie pediu, dando um sorriso fraco. Saiu andando em direção a cunhada ou ex cunhada, sei lá.
A loira pôs a mão no ombro da ruiva e ela parecia falar algumas coisas à Melanie. Ela mexia as mãos como se estivesse negando a nossa ajuda. Depois de muita conversa, Sammy foi convencida e veio até nós. Melanie vinha em sua frente e a ruiva mais atrás. Fomos até o meu carro onde seguimos direto para a casa de Kate.
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